quarta-feira, 30 de junho de 2010

PIB pode crescer 7,3%. Adeus, roda presa!

O crescimento da economia brasileira pode chegar a 7,3% este ano, segundo previsão do Banco Central, publicada em O Globo. E antes que os defensores do Brasil da roda presa, aqueles que afirmavam que o potencial de nosso PIB não passava de 3%, arregalem os olhos com o número, o próprio BC não mostra preocupação excessiva com a inflação.

O índice de 7,3%, o maior do país desde os anos 70, quando a economia chegou a crescer mais de 10%, é uma confirmação do que vinha sendo sinalizado com o crescimento de 9% do PIB no primeiro trimestre. A indústria teve uma expansão de 14,6% no primeiro tri, a maior desde o início da série histórica, em 1996, recuperando o patamar pós-crise.

E junto com a indústria estão os investimentos, o consumo e o crédito. O BC subiu ligeiramente a estimativa de inflação, de 5,2% para 5,4%, não muito acima da meta oficial, o que não assusta uma economia do tamanho da brasileira.

O Brasil prova a cada estimativa revista para cima que superou a crise que abalou o mundo em 2008 e cresce sem medo de ser feliz. O país da roda presa é cada vez mais parte do passado e vem sendo atropelado por outra roda, maior e inevitável, a roda da história.

Algumas diferenças entre FHC/Serra e Lula/Dilma


PRECISA FALAR MAIS ALGUMA COISA???

terça-feira, 29 de junho de 2010

ONU agradece atuação de Cuba e Fidel na libertação da África

http://news.xinhuanet.com/english/2009-06/11/xin_3720606110631750927113.jpg

O presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o líbio Ali Treki, agradeceu, nesta terça-feira (29), as ações de Cuba e de Fidel Castro na "libertação da África". "Agradecemos o papel desempenhado por Cuba, por Fidel Castro, na libertação de nosso continente", declarou Treki diante do chanceler cubano, Bruno Rodríguez, em relação à presença militar cubana no continente africano nos anos 70 e 80.

O titular da assembleia da ONU enfatizou que "nunca esqueceremos o que Cuba fez na África, não somente no Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA), mas também em nossa luta comum contra o sionismo e os muitos anos de luta em defesa do direito de autodeterminação".
Por sua parte, Rodríguez ressaltou a "necessidade de que a Assembleia Geral exerça todas as suas faculdades como instituição central da vida internacional". Treki iniciou hoje uma visita oficial a Havana, onde -- entre outros compromissos -- se reunirá com o primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, José Ramón Machado Ventura.

Fonte: Ansa

Washington, ainda sem entender o que acontece na América Latina


A elite de Washington ainda não entende a América Latina. Um dia vai entender?

por Mark Weisbrot, no jornal britânico The Guardian, em 26.06.2010

No filme “Guantanamera”, o último do renomado diretor cubano Tomás Gutiérrez Alea, o mito de criação iorubá é apresentado como metáfora para as dificuldades em provocar mudanças. Nesse mito, os humanos eram inicialmente imortais, mas o resultado é que os velhos acabavam sufocando os jovens, e assim a morte teve de ser criada.

Aqui em Washington, muitas vezes só a morte ou aposentadoria permitem a possibilidade de mudança — e ainda assim as instituições permanecem imortais e muitas vezes imutáveis. Em nenhum outro lugar isso é mais verdadeiro que no establishment de política externa.

Nas últimas semanas eu visitei cinco países e participei de numerosos eventos que cercaram o lançamento recente de um documentário — como Guantanamera, “South of the Border” também é um road movie — que Oliver Stone dirigiu e eu escrevi com Tariq Ali. Retornando a Washington, a grande distância que separa a elite da política externa dos Estados Unidos da vasta maioria de seus vizinhos ao Sul nos atinge como um choque cultural.

Para as pessoas dessa elite, as mudanças históricas que varreram a América Latina — especialmente a América do Sul — na última década são vistas através das lentes da mentalidade da Guerra Fria que julga toda mudança em termos de como ela afeta o poder dos Estados Unidos na região.

Jorge Castañeda é um ex-ministro das relações exteriores do México que ensina na Universidade de Nova York e se tornou um porta-voz na mídia para o establishment de política externa de Washington. Em um recente artigo, ele divide o continente entre “aqueles que são neutros no confronto entre Estados Unidos e o presidente venezuelano Hugo Chávez (e Cuba), ou que se opõem abertamente aos assim chamados governos ‘bolivarianos’ da Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela”, que ele rotula de “Americas-2″ e “esquerda radical”.

Para Castañeda, como para a secretária de Estado Hillary Clinton, é particularmente irritante que “tão recentemente quanto em 7 de junho, os países bolivarianos foram capazes de evitar o restabelecimento de Honduras à Organização dos Estados Americanos, apesar das eleições essencialmente livres e justas que foram realizadas em novembro passado”.

Mas não foram apenas os “paises bolivarianos” que não aceitaram eleições realizadas sob ditadura como “livres e justas”. O Brasil, a Argentina e governos representando a maior parte do hemisfério estão no mesmo campo. Na verdade, quando o Grupo do Rio divulgou sua declaração em novembro de 2009 dizendo que a imediata restituição de Mel Zelaya era uma condição necessária para o reconhecimento das eleições, mesmo os governos de direita aliados de Obama — Colômbia, Peru e Panamá — se sentiram obrigados a apoiar.

O golpe de Honduras, promovido por aliados dos Estados Unidos e por oficiais treinados pelos Estados Unidos contra um presidente eleito democraticamente, foi um marco nas relações entre Washington e a América Latina. Foi mais ou menos um ano atrás, em 28 de junho, que a esperança de que o governo Obama trataria seus vizinhos ao Sul de forma diferente do que fazia o time de Bush, foi destruída. Enquanto o confidente e assessor dos Clinton, Lanny Davis, aconselhava e fazia lobby em nome do regime golpista, o governo Obama fez tudo o que pôde para ajudar a ditadura sobreviver e se legitimar.

Isso apesar de resoluções unânimes da OEA e das Nações Unidas pedindo o “restabelecimento imediato e incondicional” do presidente Zelaya, duas palavras que o governo Obama nunca pronunciou, assim como ignorou por mais de cinco meses os assassinatos, o fechamento de órgãos da mídia e outras violações maciças de direitos humanos que tornaram o “livres e justas” das eleições de novembro em Honduras uma piada doentia. A União Europeia e a Organização dos Estados Americanos nem mesmo mandaram observadores.

Mas com Washington ainda lutando para legitimar o governo hondurenho — apesar do assassinato de dezenas de ativistas políticos e de nove jornalistas desde que o governo “eleito” assumiu o poder — é típico retratar essa tentativa como uma luta contra governos “inimigos” em vez de uma disputa com a maior parte da região. O que essas pessoas não podem reconhecer, ou talvez nem mesmo entendam, é que se trata de uma questão de independência e autodeterminação, assim como de democracia.

Michele Bachelet do Chile e Lula da Silva do Brasil ficaram tão revoltados quanto os governos “Americas 2″ quando o governo Obama decidiu em agosto passado expandir sua presença em sete bases militares na Colômbia. E foi Felipe Calderón, o presidente direitista do México, que sediou a conferência de fevereiro em Cancún que decidiu criar uma nova organização para as Américas, que poderia eventualmente substituir a OEA, sem Estados Unidos e Canadá. O papel dos Estados Unidos e do Canadá ao bloquear medidas mais fortes da OEA contra a ditadura de Honduras sem dúvida jogou um papel motivador nessa medida.

Naturalmente, Washington tem o poder de tornar sua visão de Guerra Fria em relação ao hemisfério parecer meio real, ao adotar medidas de tratamento especial para governos mais à esquerda. Na Bolívia, a eleição de Evo Morales causou mudanças análogas ao fim do apartheid na África do Sul, com a maioria indígena do país ganhando voz em seu governo pela primeira vez em 500 anos. Seria o caso de imaginar que o governo Obama teria senso comum no cérebro para entrar do lado certo nesta questão. Mas não, eles continuam a aplicar sanções comerciais impostas inicialmente pelo governo Bush contra a Bolívia sob o assim chamado Andean Trade Promotion and Drug Eradication Act (ATPDEA), retiraram a certificação da Bolívia como país que coopera com a Guerra contra as Drogas e continuam a não informar quem exatamente os Estados Unidos financiam na Bolívia — isto é, quais grupos de oposição — com dinheiro do Departamento de Estado.

Tive o privilégio de assistir “South of the Border” em um estádio com mais de 6 mil pessoas em Cochabamba, Bolívia, algumas semanas atrás. Num momento do filme Evo Morales conta a história de Tupac Katari, um líder indígena que lutou contra os colonizadores espanhóis no século 18. Evo relembra as últimas palavras de Tupac Katari, antes dele ser esquartejado pelos espanhóis: “Morro como um, mas voltarei como milhões”.

Evo então olha para a câmera e diz: “Agora somos milhões”.

Ao contrário do que acontece em Washington, toda pessoa que estava naquele estádio sabia exatamente o que Evo queria dizer.

Ex-donos da verdade incomodados!

Ataques à blogosfera demonstram o desespero da direita

Eu fico cada dia mais feliz ao ver como a importância da blogosfera independente vem crescendo no Brasil no sentido de apresentar o contraponto às mentiras e distorções publicadas como "verdades únicas" pela imprensa corporativa e de formar opinião de quem busca honestidade e ética na defesa de uma ideologia, de um governo ou de políticos.

Não é à toa, portanto, que a blogosfera vem sendo alvo de ataques cada vez mais furiosos dos assessores de imprensa dos partidos de direita (PSDB, DEMo e afins) que atuam na imprensa corporativa travestidos de editores, articulistas e colunistas "isentos" e também de seus fiéis escudeiros infiltrados no Judiciário que tentam de forma arbitrária e imoral censurar blogs e intimidar seus autores.

Quanto mais o candidato José Serra da aliança conservadores/neoliberal afunda nas pesquisas, mais os seus capitães do mato caluniam e ofendem de forma genérica os blogueiros assumidamente de esquerda, que defendem o governo do presidente Lula e apoiam sua candidata, a ex-ministra Dilma Rousseff.

Isso dá um ótimo sinal de que a internet terá um papel crucial nas próximas eleições. E que a direita sabe disso e está desesperada porque não possui militantes ou simpatizantes apaixonados e abnegados como a esquerda, o que os força a apelar para táticas alternativas. Isso tanto é verdade que Serra contratou um exército de mercenários para atuar no twitter, nos blogs e nas caixas de comentários dos sites de notícias da rede espalhando mentiras, preconceitos e ataques chulos contra os canditados da esquerda progressista. Leiam neste link a denúncia feita pelo deputado federal do PDT, Brizola Neto, a respeito da atuação dos "brucutus" de Serra na internet.

Como bem disse o blogueiro Eduardo Guimarães, em seu Cidadania, os sabujos da direita do imprensalão "repetem e repetem e repetem a acusação covarde e genérica sobre 'blogueiros de aluguel' para tentar carimbar aqueles que se opõem aos serviços políticos que Globos, Folhas, Vejas e Estadões prestam a Serra e ao PSDB. Quem for honesto consigo mesmo não pode comprar acusações genéricas, sem citar nomes, feitas por quem, não tendo do que acusar aqueles aos quais se opõem, usam essa tática que, repito, é nazista, inspirada na tática do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, de repetir mentiras incessantemente na intenção de que passem a ser aceitas como verdades."

Tudo isso acontence porque os barões da imprensa corporativa morrem de medo de estamparem e defenderem de forma clara e honesta suas posições políticas, suas ideologias e os políticos que os representam. Preferem, de forma covarde e cínica, contratar capachos amestrados que se prestam ao serviço torpe de publicar editoriais onde defendem uma suposta "isenção" e atacam seus adversários, enquanto manipulam e distorcem as notícias para tentar enganar os incautos em favor de tudo aquilo que não tem coragem de assumir publicamente. É uma inversão total de valores que não apenas denigre os (poucos) profissionais sérios que ainda atuam na imprensa, como também mancha o próprio Jornalismo.

Ou, nas palavras do grande Jornalista Mino Carta em seu mais recente editorial na Carta Capital, "primor de jornalismo engajado. Partidário. E também hipócrita. Como é do conhecimento do mundo mineral, a rapaziada alega independência, equidistância, isenção.[...] Já me permiti comentar neste espaço o crescente fracasso dos persas, digo, da mídia nativa. Ficou claro em 2002, e mais ainda em 2006, que ela atira fora do alvo. A maioria a ignora e este é sinal peremptório de tempos diferentes. A habitual ofensiva contra o governo Lula, destinada agora a abalar a candidatura Dilma, atinge a obsessão e, frequentemente, beira o ridículo."

Realmente, ridículo é pouco para qualificá-los. E quanto mais eles batem, mais nós crescemos. Como um bonito e suculento bolo de chocolate. Quem viver, verá.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

PARA CAPITALISTA NORTE-AMERICANO, O PT É O PARTIDO DO CAPITALISMO BRASILEIRO!


Em matéria da Folha de S.Paulo, o empresário norte-americano Sam Zell diz que vai investir no Brasil o quanto for necessário, não tem limite, desde que tenha boas oportunidades de
negócios. É esta a visão que um capitalista norte-americano tem do
governo Lula (A hilariante revista Veja acha que é comunismo,
Kakaka).

O PT, por uma contingência da história, parece ser o partido que está solidificando o capitalismo no Brasil, apesar de que ainda vai demorar muito para chegarmos em um estágio de competição capitalista em setores
importantes como telefonia, transportes, comunicação e outros. Mas já é o
começo.

Daí a dificuldade do candidato José Serra nas próximas eleições. O PSDB é um partido que tem mantido há 16 anos no estado de São Paulo um sistema feudal de acesso às riquezas, com nenhuma distribuição de renda,
nenhuma grande transformação na educação e nenhuma política de
competição capitalista em setores oligopolizados. Até os capitalistas
americanos sabem disso. Veja abaixo trecho da matéria da Folha:

O bilionário americano Sam Zell, 68, está no Brasil, hoje e amanhã, para expandir os investimentos do grupo Equity International no país que considera a próxima “potência mundial”.
“O quanto vamos investir depende das oportunidades. Até hoje, nenhuma
foi maior do que o nosso apetite por capital”, afirmou Zell à Folha,
por telefone, de Chicago.
O grupo de private equity já tem participações em cinco empresas
brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, que tem atualmente 35
shoppings em seu portfólio.
Entusiasta do Brasil, Zell atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva o reconhecimento do país como “uma das oportunidades mais
atraentes do mundo”.
O empresário americano minimiza o risco de superaquecimento da economia
brasileira. “O país vai muito bem. Prefiro investir em um país
quente demais a investir em um país frio”, diz.

domingo, 27 de junho de 2010

Dunga em "Um dia de fúria"

Outdoor: Serra é PSDB. Pior Salário do Brasil!

Não fosse o PIG (*), os tucanos de SP não passavam de Resende.

O Conversa Afiada reproduz imagem que representa a grande obra tucana de São Paulo.

A sugestão é do amigo navegante Carlos Jorge Rosseto.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


o que aproxima Dias de Serra? bater em professor!!!

Serra e Dias: eles têm muito a ver

Saiu no blog ‘Os Amigos da Presidente Dilma’:

Serra chama a cavalaria de Alvaro Dias, especialista em bater em professores

Alvaro Dias (PSDB/PR) para vice de José Serra (PSDB/SP)? Ambos tem tudo a ver em matéria de bater em professores.


São adeptos das bordoadas sobre professores que protestam reclamando salários minimamente dignos.

O senador demo-tucano, quando foi governador do Paraná (1987 – 1991), soltou os cavalos da polícia militar sobre uma manifestação pacífica dos professores.

Serra também mandou a polícia descer o porrete nos professores que realizavam uma manifestação pacífica. Soltou bombas e abriu fogo com tiros de balas de borracha em cima de professores em greve, neste ano, em São Paulo.

A pesquisa CNI/IBOPE demonstrou que a candidatura Serra está atolada igual a vaca que foi para brejo. Então chamou a cavalaria de Alvaro Dias para socorrer.

Mas a cavalaria só sabe bater em professores, quando vai para o brejo socorrer a vaca atolada da candidatura Serra, fica encalhada junto.

Essa história de chapa puro-sangue do PSDB, quem diria, acaba sendo chapa de cavalos puro-sangue para bater em professores.

Roberto Jefferson (PTB/RJ) anunciou em seu twitter que foi consultado por Sérgio Guerra, sobre o nome de Alvaro Dias para vice. Por enquanto, Serra não confirmou. Disse que Alvaro Dias é um “bom nome”, mas disse que não sabe se será o vice, que é Guerra quem está cuidando disso. Jefferson anunciou depois que o DEMos está sendo consultado, e oferece resistência ao nome tucano. Querem outro nome do DEMos para o lugar que era de José Roberto Arruda (ex-DEMos).

sábado, 26 de junho de 2010

Fidel Castro: Como gostaria de estar enganado!

Em mais um artigo de sua série de reflexões, Fidel Castro analisa as ações belicistas dos Estados Unidos, que parecem passar despercebidas por boa parte da população entretida com os jogos da Copa do Mundo. “Haveria de se perguntar quantos, em contrapartida, tomaram conhecimento que desde o dia 20 de junho, navios militares norte-americanos (...) navegam pelas costas iranianas através do canal de Suez”, escreve. Acompanhe a íntegra a seguir.

 Porta-aviões Harry S. Truman

Porta-aviões Harry S. Truman, um dos que navegam pelo Canal de Suez

Quando estas linhas tiverem sido publicadas no jornal Granma desta sexta-feira, o dia 26 de Julho – data em que sempre recordamos com orgulho a honra de termos resistido aos ataques do império – estará distante, apesar de faltarem apenas 32 dias.

Os que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade – o imperialismo dos Estados Unidos, uma mescla de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação às demais pessoas que habitam o planeta – o calcularam com precisão matemática. Na reflexão do dia 16 de junho, escrevi: “A cada jogo da Copa do Mundo, as diabólicas notícias vão deslizando pouco a pouco, de modo que ninguém se ocupe delas”.

O famoso evento esportivo entrou em seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias, as equipes integradas pelos melhores futebolistas de 32 países estiveram competindo para avançar até a fase de oitavas de final; depois virão sucessivamente as fases de quartas de final, semifinais e o final do evento. O fanatismo esportivo cresce incessantemente, envolvendo talvez centenas de milhares de pessoas em todo o planeta.

Haveria de se perguntar quantos, em contrapartida, tomaram conhecimento que desde o dia 20 de junho, navios militares norte-americanos – incluídos o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros submarinos de guerra com foguetes e canhões mais potentes que os dos velhos encouraçados utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945 – navegam pelas costas iranianas através do canal de Suez.

Junto às forças navais ianques, avançam submarinos militares israelenses, com armamento igualmente sofisticado para inspecionar qualquer embarcação que parta para exportar e importar produtos comerciais necessário ao funcionamento da economia iraniana.

O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos Estados Unidos e com o apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma dura resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito. Outra resolução, mais dura, foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos. Posteriormente, uma terceira e, todavia mais dura, foi aprovada pelos países da Comunidade Europeia. Tudo isso ocorreu antes do dia 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do presidente francês Nicolas Sarkozy à Rússia, segundo o noticiário, para encontrar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dmitri Medvédev, na esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora, trata-se de calcular quando as forças navais dos EUA e de Israel se colocarão frente às costas do Irã e se unirão ali aos porta-aviões e demais submarinos militares norte-americanos que montam guarda nessa região.

O pior é que, assim como os Estados Unidos, Israel – seu gendarme no Oriente Médio – possui moderníssimos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidos pelos EUA, o que os converteu na sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo entre as oito reconhecidas como tais, grupo que inclui ainda a Índia e o Paquistão.

O xá do Irã havia sido derrocado pelo aiatolá Ruhollah Komeini em 1979 sem usar uma arma. Os Estados Unidos impuseram a guerra àquela nação com o emprego de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque junto com a informação requerida por suas unidades de combate e que foram empregadas por estas contra os Guardiões da Revolução. Cuba o conhece porque era então, como explicado outras vezes, presidente do Movimento de Países Não Alinhados. Sabemos bem os estragos que causou em sua população. Mahmoud Ahmadinejad, hoje chefe de Estado do Irã, foi chefe do sexto exército dos Guardiões da Revolução e chefe do Corpo de Guardiões nas províncias ocidentais do país, que tiveram peso fundamental naquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto os EUA como Israel, depois de 31 anos, subestimam milhares de homens das Forças Armadas do Irã e sua capacidade de combate por terra e as forças aéreas, marítimas e terrestres dos Guardiões da Revolução.

A estas se somam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, escolhidos e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.

O governo dos Estados Unidos elaborou um plano para levar a cabo um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, que dividiria os iranianos e derrotaria o regime. Tal esperança é inócua. É risível pensar que com os navios de guerra estadunidenses, unidos aos israelenses, despertem as simpatias de apenas um cidadão iraniano.

Acreditava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coreia, e ali estaria o detonador da segunda guerra coreana que, por sua vez, daria lugar imediatamente à segunda guerra que os EUA imporiam ao Irã. Agora, a realidade muda as coisas em sentido inverso: a do Irã desatará de imediato a da Coreia.

A administração central da Coreia do Norte, que foi acusada de afundar o navio Cheonan e sabe que o mesmo foi afundado por uma mina que os serviços de inteligência ianques conseguiram colocar no casco desse navio, não esperariam um segundo para agir tão logo se iniciasse um ataque ao Irã.

É muito justo que os fanáticos pelo futebol desfrutem como desejarem das competições da Copa do Mundo. Cumpro apenas o dever de exortar nosso povo, pensando, sobretudo, em nossa juventude, cheia de vida e esperanças, e especialmente em nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos surpreendam absolutamente desprevenidos.

Dói-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e as assombrosas criações feitas em poucos milhares de anos. Quando os sonhos mais revolucionários estão reunidos e a pátria se recupera firmemente, como eu gostaria de estar equivocado!


Fonte: Reflexões de Fidel, no site Cuba Debate, com tradução do Vermelho

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Brasil é uma pedra no sapato!


O Brasil passou, de repente, a ser uma pedra no sapato da União Européia. A pergunta mais patética formulada a Dilma foi: “como e por que o Brasil deu um reajuste de 7,7% aos aposentados?”. Isso vai na contramão de tudo o que está sendo programado e feito pelos governos europeus.

Dilma Rousseff veio à Europa, passou por quatro países, alguns primeiros-ministros, e encontrou o que veio buscar: reconhecimento internacional. E mais: demonstração de que é capaz de viajar sem Lula – em todos os sentidos que a palavra viajar possa ter.

Mas colheu – e curiosamente plantou, porque colheu – mais.

Em primeiro lugar, colheu alguns epítetos (desculpem o palavrão antigo, mas cheio de charme) curiosos: “Dama de Ferro” (antes expressão reservada a Margareth Thatcher), “Delfim de Lula”, por exemplo.

Em segundo lugar, colheu uma impressão do Brasil, vigente aqui no Velho Mundo, muito peculiar, neste preciso momento em que a Zona do Euro atravessa uma turbulência sem par na história recente da Europa, pelo menos desde o fim da Segunda Guerra.

O Brasil passou, de repente, a ser uma pedra no sapato da União Européia. A pergunta mais patética formulada a Dilma foi: “como, e por que o Brasil deu um reajuste de 7,7% aos aposentados?”.

Isso vem na contramão de tudo o que está sendo programado e feito por aqui. Congelamentos de salário, ou diminuição, diminuição ou limitação de pensões e aposentadorias, suspensão de subsídios destinados ao mercado da classe média e dos mais pobres, fim de auxílios como os dados às mães solteiras, investimentos no pequeno e médio negócio: essa é a amarga receita que está sendo enfiada goela abaixo dos países – leia-se: os trabalhadores e aposentados – da U. E. Conhecemos a receita, fruto tanto do estouro do endividamento programado, como aconteceu na Ásia nos anos 90 e na América Latina no começo dos 80.

Ou seja: a presença do Brasil, que já provocava admiração ao ser um dos países que melhor saiu da crise recente, agora provoca perplexidade, inveja e um certo ar de ressentimento, além de se ter tornado um “mau exemplo”. O nosso país está se saindo bem exatamente por ter feito tudo ao contrário dessas receitas que há meio século, pelo menos, senão mais, são o vade-mecum das finanças internacionais.

Duas semanas atrás o economista Frederick Jaspersen, diretor para a América Latina no Institute of International Finance, uma organização criada em 1983 por 38 grandes bancos de atuação em escala mundial logo depois da crise da dívida latino-americana, previu a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de outubro (o otimismo/pessimismo fica por conta dele). E acrescentou que isso era péssimo, porque significava aumentos dos “gastos” públicos, política industrial centrada em estatais, pressão política sobre as agências regulatórias (ou desregulatórias, para nós). Ao contrário, disse ele, a vitória de Serra significaria endurecimento no controle fiscal (leia-se, menos investimentos sociais), ênfase no setor privado (leia-se, transferência de verbas públicas para as empresas privadas) e uma política tributária para encorajar investimentos privados (leia-se, carga tributária regressiva na renda e progressiva no consumo).

Em suma, o que os agentes das finanças internacionais temem não é apenas que um setor como o Brasil venha a permanecer fora de sua influência. É também que o exemplo comece a contaminar corações e mentes pelo mundo a fora.

O curioso é que o exemplo brasileiro não é, digamos, inteiramente original. Já na crise asiática dos anos 90, o país que melhor e mais rápido saiu dela foi a Malásia. Por quê? Porque recusou a ajuda do FMI e fez tudo ao contrário do que ele receitava: aumentou o investimento público, reforçou o mercado interno, evitou a recessão e, sobretudo, saiu de cabeça em pé. Ao contrário de Tailândia (país em que o custo político da crise e das medidas recessivas continua a se fazer sentir de modo dramático), mesmo a Coréia do Sul, Singapura e até o Japão.

Sinal de que temos muito o que aprender onde eles – os arautos das virtudes do mercado – nunca aprendem.


Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

A diarreia da British Petroleum no Golfo do México: Greenpeace lambuzado de petrodólares

Beline Chaves

Interessante a atitude do Greenpeace, de acordo com matéria do site Terra:

"O Greenpeace decidiu não fazer campanha por um boicote [dos produtos específicos da BP]. Ao invés disso, seus representantes apresentam um desafio diferente: as pessoas que realmente querem punir a BP precisam encontrar formas de viver sem o petróleo."

Eu particularmente posso viver sem o Greenpeace, mas qual será o real motivo de tanta tolerância, aliviando a barra do principal culpado e generalizando os criminosos? É claríssimo. Seus membros não podem ir contra quem lhes mantém como um batalhão de mercenários que realmente revelam ser.

Se quisessem parar o vazamento, torpedeando o local e lacrando o poço, já o teriam feito, mas o poder da BP é tão grande que Obama parece hesitante há algumas semanas, ou impotente perante as consequências da maior eco-tragédia já registrada em toda a era do petróleo. Impotente ou intimidado por uma assessoria incompetente e generais intolerantes, belicosos.
Se o vazamento fosse da nossa Petrobras e tivesse ocorrido na costa brasileira ou em qualquer de seus empreendimentos mundo afora, o Greenpeace já teria recrutado dezenas de milhares de velejadores do todo o mundo, partiriam rumo à costa brasileira, com a cobertura da mídia internacional, com o apoio incondicional dos seus pares autóctones e inserções de hora em hora, ao vivo, na BBC, alegando que, além da Amazônia, o oceano e a costa brasileira também seriam patrimônios da humanidade. Iriam boicotar nossas exportações até que o poço fosse lacrado e o vazamento estancado. Exigiriam que todo o processo de perfuração em alta profundidade fosse suspenso até que se apresentassem novos planos de segurança e atendimento emergencial em caso de acidente. Alguém tem dúvida de que seria assim?

Na luta contra o mar de petróleo no Golfo, uma ONG está se esforçando para barrar o óleo usando boias e tapetes recheados de tufos de cabelo humano. Com essa ONG posso até contribuir, doando alguns gramas de meus pentelhos.

Tá pianinho o Greenpeace, nem parece aquele que enfrenta barcos baleeiros como piratas abordando navios da Coroa britânica no Mar do Caribe.

Agora precisamos ver se algum lorde descendente de alguma tribo extinta do Reino Unido se manifesta com o apoio, por exemplo, da Survival. Afinal, tudo leva a crer que os donos do “óleo” (uma das gírias para “dinheiro”) são também donos das ONGs mais enganadoras do Planeta que está poluído delas, essas se apresentam como alternativa às inações dos governos corruptos, os que se sustentam com o apoio de seus comparsas corruptores.

___________________

Beline Chaves é piloto comercial agrícola (código DAC 910018) e escritor; leitor assíduo desta nossa Agência Assaz Atroz, nos enviou esse texto a título de colaboração.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Concentração da riqueza aumentou durante a crise mundial


A crise mundial do capitalismo provocou muito sofrimento para a classe trabalhadora, com o crescimento do desemprego, arrocho dos salários e redução de direitos. Mas, nem todos perderam. Os ricos ficaram mais ricos no ano passado, ao mesmo tempo em que o mundo passou pela pior recessão desde a Grande Depressão de 1929. É a lógica perversa do capitalismo.

Uma recuperação no mercado acionário ajudou as fileiras dos milionários do mundo a crescer 17%, para 10 milhões de pessoas, enquanto a riqueza coletiva deles aumentou 19%, para US$ 39 trilhões, quase recuperando as perdas decorrentes da crise financeira, revelou o relatório mais recente sobre riqueza mundial da Merrill Lynch-Capgemini.

Os valores das ações subiram 50%, e os hedge funds recuperaram a maioria das perdas sofridas em 2008, em um ano marcado por gastos de estímulo governamentais e flexibilização dos bancos centrais.

A chefe de administração de patrimônio do Bank of America, Sally Krawcheck, disse: "Já estamos vendo sinais distintos de recuperação e, em algumas áreas, de retorno completo aos níveis de riqueza e crescimento de 2007."

O aumento mais acelerado de riqueza aconteceu na Índia, China e Brasil, alguns dos mercados mais duramente atingidos em 2008. A riqueza na América Latina e Ásia-Pacífico chegou a níveis recordes.

As fileiras de milionários da Ásia subiram para 3 milhões de pessoas, equiparando-se pela primeira vez à Europa, ao lado de uma expansão econômica de 4,5%.

A riqueza combinada dos milionários asiáticos subiu 31%, para US$ 9,7 trilhões, superando os US$ 9,5 trilhões de seus colegas europeus.
Na América do Norte, a lista dos muito ricos cresceu 17% e a riqueza deles aumentou 18%, chegando a US$ 10,7 trilhões. Os Estados Unidos foi o país que teve mais milionários em 2009 - 2,87 milhões de pessoas -, seguido pelo Japão (1,65 milhão de milionários), Alemanha (861 mil) e China (477 mil).

Capitalismo


A Suíça é o país que teve a maior concentração de milionários: quase 35 para cada mil adultos.
Contudo, enquanto os portfólios se recuperavam, os investidores continuaram cautelosos, após um colapso que apagou uma década de ganhos com ações, motivou uma contração na economia global e fez o desemprego subir vertiginosamente.

Baseado em pesquisas com mais de 1.100 investidores ricos em 23 firmas, o relatório constatou que os ricos foram beneficiados por terem uma larga gama de investimentos, incluindo commodities e patrimônio imobiliário.

Os milionários aplicaram uma parte maior de seu dinheiro em investimentos de renda fixa, buscando retornos previsíveis e fluxo de caixa. O desafio que os corretores têm pela frente é convencer seus clientes a apostar em investimentos mais frutíferos e de risco mais alto. O aumento da concentração de renda e da centralização do capital em períodos de crise é uma característica do modo capitalista de produção, que faz com que os responsáveis pela crise sejam também seus principais beneficiários, enquanto a classe trabalhadora (que não promove crises) é quem paga o pato.

O Brasil submisso dos tucanos.


“O Brasil tem um papel adequado ao seu tamanho. O Brasil não pode querer ser mais do que é, mesmo porque tem uma série de limitações, a principal das quais é o seu déficit social.” A afirmação é do Ministro de Relações Exteriores do governo FHC, Luiz Felipe Lampreia, e dá bem idéia da imagem e do tamanho que eles queriam que o Brasil tivesse para sempre.

Sobre a Área de Livre Comércio das América (ALCA), Lampreia disse: “Nós estamos tendo uma posição muito aberta, estamos dispostos a conversar. Os nossos interesses são claríssimos, mas não adianta brigarmos por isto antes da hora. É um assunto em que é preciso que o maior jogador, que são os Estados Unidos, se defina primeiro.” Maior subserviência não poderia haver.

Sobre o apoio ao golpe de Fujimori, ele esclarece: “Nossa posição não tinha a ver com o Fujimori e sim com o processo eleitoral, única e exclusivamente. Tinha a ver com a questão de não aceitarmos que houvesse uma superposição estrangeira à autoridade eleitoral do Peru.”

A entrevista foi dada quando Lampreia deixava o governo, entregando-o a mãos não menos subservientes aos EUA – as de Celso Lafer. (JB, 17/12/2000) Este declarou que a explosão das Torres Gêmeas era o começo da Terceira Guerra Mundial – palavras também de FHC – e que era mais importante do que o fim do campo socialista e da URSS. Tudo isso enquanto tirava o sapato e as meias em aeroporto dos EUA, revelando até onde a subserviência tucana poderia chegar.

Para eles, “O Brasil não deveria ser mais do que é”. Considera que temos um destino a que devemos corresponder – assim como o “destino manifesto” que os EUA se reivindicam é o de dominar o mundo, o nosso seria o de ser subservientes à dominação deles. Deveríamos estar onde nos colocaram, onde sempre estivemos, estavam contentes e conformados com o papel que os EUA nos reservavam – aliados privilegiado, incondicional, subserviente.

Desse “destino” a política internacional do governo Lula nos livrou, projetando-nos como potência soberana e orgulhosa do novo destino que constrói, junto com os países latinoamericanos e do Sul do mundo. O Brasil – e os países do Sul do mundo – podem , querem e estão sendo mais do sempre foram, soberanos, emergentes, solidários e rebeldes ao domínio das grandes potencias coloniais e imperialistas.

Postado por Emir Sader

Emprego: maior da história no Brasil, menor no mundo.

Hoje, o desemprego no mundo é o maior registrado na história”. A frase é de Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que anunciou que a cifra de desempregados no mundo chegou à maior marca de todos os tempos, chegando a 211 milhões de pessoas, enquanto a geração de postos de trabalho manteve-se estagnada há mais de dez anos.

O relatório (aqui, no Terra, em espanhol) diz que, se durante 1998, no mundo em desenvolvimento, para cada 100 pessoas, havia 63 postos de trabalho, em 2008 e 2009 o número foi reduzido para 62. Esta “pequena mudança”, em escala mundial, significa, em relaçao a população total, dezenas de milhões de desempregados.

Na América Latina, onde o Brasil tem grande peso, a relação emprego / população cresceu para 61% em 2008, em comparação com 58% em 1998. Em em 2009, com a crise, isso se reduziu, mas em 1 ponto percentual.

Daquela época para cá, a derrota política dos governos neoliberais no continente foi o que provocou esta queda.

A ONU destacou alguns avanços na América Latina, como a porcentagem da populaçãoque vive enfavelas, que se reduziu de 34 % en 1990 para 24% em 2010. Destacou, ainda, que aqui houve avanço na taxa de mortalidade materno-infantil e avanços na igualdade de gêneros.

Enquanto a ONU registra esta crise mundial, a criação de empregos é recorde no Brasil.

Mas isso não sensibiliza a mídia, porque quase ninguém publicou isso.

Brizola Neto

Serra afunda. E o “Celso Furtado” navega…

Agora de manhã no Estaleiro Mauá, no lançamento do “Celso Furtado”, o primeiro navio construído no estado do Rio para o programa de expansão da frota da Petrobra e o único de grande porte a ser produzido aqui – pasmem- desde 1997! Sergio Machado, presidente da Transpetro confirmou que outras 15 embarcações serão construídas aqui, e as encomendas já contratadas estão gerando hoje emprego para quase 25 mil trabalhadores. Para vocês terem uma ideia, toda a indústria brasileira de construção naval empregava cerca de 2 mil trabalhadores em todo o País, antes das encomendas da petrobras, que já elevou este número para 46 mil.

É uma enorme alegria ver centenas de trabalhadores felizes e realizados com a descida ao mar do navio, ainda por cima uma merecida homenagem a um grande brasileiro, Celso Furtado, um economista que se preocupava com desenvolvimento brasileiro e, especialmente, com o povo do seu Nordeste. Fiquei pensando: como seria possível que o nosso país pudesse retroceder ao tempo do desmonte de nossa indústria, às encomendas de tudo no exterior, ao desemprego de nossos operários, técnicos e engenheiros navais, uma tradição carioca e brasileira, pois já fomos a 2a maior indústria naval do mundo?

Felizmente, foi só um pensamento ruim. Porque os fatos mostram que estes tristes tempos se foram para sempre.

Brizola Neto

quarta-feira, 23 de junho de 2010

“Liberdade de expressão x liberdade de imprensa”!

Liberdade de Imprensa é a libertade do PiG(*)



O professor Venício A. de Lima acaba de lançar pela editora Publisher o livro “Liberdade de expressão x Liberdade de imprensa – Direito à Comunicação e Democracia” .

Ele conversou com Paulo Henrique Amorim por telefone.

Sobre a diferença entre Liberdade de Expressão e Liberdade de Imprensa, Venício Lima explicou que “liberdade de expressão” é um direito do indivíduo, um direito fundamental do ser humano, o direito à fala.

“Liberdade de imprensa” é o direito de imprimir, “print” em inglês. Com o passar do tempo, o direito de imprimir se tornou o direito de grandes conglomerados empresariais.

PHA perguntou a quem, no Brasil, beneficia a confusão entre “direito de expressão” e “direito de imprensa”.

Venício Lima respondeu: beneficia os grandes grupos de mídia.

É uma confusão deliberada, porque, como ninguém é contra a liberdade de expressão, misturar uma liberdade à outra é uma forma de assegurar a liberdade dos grandes grupos empresariais da midia (e só a deles – PHA).

O livro do professor Venício de Lima relembra as conclusões da Hutchins Commission – Uma imprensa livre e responsável.

Robert Hutchins, reitor da Universidade de Chicago, reuniu, entre 1942 e 47, treze personalidades do mundo empresarial, para, sob encomenda dos grupos Time-Life e Enciclopédia Britânica, entender por que a imprensa era tão criticada.

Para enfrentar os críticos, a Comissão Hutchins sugeriu que a imprensa praticasse o “bom jornalismo”, ou seja, respeitasse a objetividade – e separasse opinião de informação – , a exatidão, a isenção, abrisse espaço para a diversidade de opiniões ( e, não, só para o PUM – o Pensamento Único da Midia – PHA) , e buscasse o interesse público.

PHA perguntou se no Brasil, hoje, o PiG (a grande midia) respeitava os princípios desse “bom jornalismo” da Comissão Hutchins.

Venício respondeu: Não !

Clique aqui para ouvir a integra da entrevista

Não dá pra segurar. Ibope: Dilma 40% x Serra 35%


O Ibope, enfim, chegou lá. Depois de manobras de contorcionismo para negar a vantagem de Dilma, já apontada por outras sondagens, o instituto finalmente teve que se curvar às evidências.

Na pesquisa CNI-Ibope que acaba de ser divulgada, Dilma Roussef aparece com 40% das intenções de voto para Presidente, contra 35% de José Serra.Na última pesquisa, divulgada no último dia 5, havia empate de 37% entre os dois candidatos, embora tudo já indicasse que Dilma estivesse na dianteira.

A pesquisa foi feita de 20 a 22 desse mês em 141 municípios com 2.002 eleitores, depois que Serra, ferindo a lei, apareceu como estrela principal nos programas do DEM e do PPS. O programa partidário do PSDB também contribuiu para uma maior exposição de Serra, mas nada disso teve efeito.

O Ibope já sabia muito bem do crescimento de Dilma e isso vinha levando seu presidente Carlos Augusto Montenegro a mudar de opinião constantemente. Ele, que já havia dito que Lula não faria seu sucessor e que Serra era o favorito, teve que amenizar o discurso e reconhecer no início desse mês que a eleição poderia ser decidida no primeiro turno, a favor de Dilma ou Serra. Foi só para não passar recibo de suas previsões de torcedor. Em breve, ele terá que apontar Dilma como a única capaz de vencer no primeiro turno.

Brizola Neto

Dunga em "Um dia de fúria" (IMPERDÍVEL).

O INCRA está com medo de vistoriar as 52 fazendas do Dantas ?

O INCRA do Pará também acha ?

Essas informações foram obtidas de forma reservada da própria procuradoria do INCRA. E olha que o tal “fazendeiro” tem apenas 56 fazendas compradas na região nos ultimos três anos..

E três delas estão ocupadas por diversos movimentos sociais na região: MST, Fetraf e STR.

ÁREAS DE DANIEL DANTAS

1 – Aproveitando-se da ocasião em que tramita o processo na Justiça Federal de São Paulo contra o banqueiro Dantas, a Procuradoria do Incra pediu, formalmente, para vistoriar as áreas dele nos Estados de MT, SP e PA, e o pedido foi deferido pelo Juiz Fausto De Sanctis;

2 – Com a autorização judicial para vistoriar, o Incra tentou se mover nessa direção, porém, houve todo um contra ataque do Dantas, representado por seu advogado Diamantino. A chefe da Procuradoria da Superintendencia Regional de Marabá (aonde estão localizadas as fazendas ) enfrentou os advogados de Dantas em audiência na Vara Agrária de Marabá, citando-os para a vistoria, conforme exige o procedimento. Após, essa audiencia, estranhamente um ministro do Supremo – quem seria ? – ligou para o Ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário, reclamando da Procuradora. Este falou para o Presidente do Incra que então repassou a pressão para a Procuradoria do Incra.

3 – Existe a decisão judicial que autoriza o Incra a vistoriar as áreas. Se não o fizer logo, podem derrubar a decisão. O problema é que a Sup. Regional do INCRA de Marabá de três uma, ou as três juntas: ou não tem competência, ou não tem força política, ou não tem vontade de fazer.


post conversa afiada.

terça-feira, 22 de junho de 2010

OS PANACAS!!


Laerte Braga

Quem se der ao trabalho de esmiuçar as viagens e conversas de FHC com o então presidente dos EUA Bil Clinton vai encontrar pérolas de subserviência que beira as raias do quer que eu deite de bruços? Numa das visitas de FHC a Washington, em discussão a ALCA – ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – o norte-americano falou sobre a necessidade de criar um tratado para o Atlântico Sul, versão latino-americana da OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE –.

O brasileiro não pestanejou. “Nesse momento é melhor passarmos batidos sobre isso, vai haver resistências e estragar alguns acertos que estamos fechando aqui. Mais à frente discutimos isso”. O tratado implicaria em um comando militar unificado para todas as forças armadas latino-americanas que aderissem ao documento, vale dizer o Brasil de FHC.

A reação, foi o que avaliou FHC, viria de setores militares ainda comprometidos com o Brasil, não subordinados a Washington.

São setores minoritários, mas capazes de resistir à entrega pura e simples do País. Esse é um dos efeitos do expurgo promovido após o golpe militar de 1964. Mais de dois mil oficiais foram punidos e afastados das três forças por se imaginarem militares brasileiros não subordinados ao general Vernon Walthers, comandante militar norte-americano designado para o Brasil e ao qual se reportavam os golpistas que derrubaram João Goulart.

Não é de se estranhar que FHC venha a público dizer que o tratado firmado entre o Brasil, o Irã e Turquia não pode ser implementado, diante das parcas garantias pedidas pelo governo Lula ao governo do Irã. É a linguagem do Departamento de Estado, foi dita em vários países do mundo por vários assemelhados a FHC. Chegou em forma de envelope secreto.

A declaração do ex-presidente obedece a um cronograma traçado em Washington para esvaziar o impacto da ação do Itamaraty e abrir caminho para que o governo Obama possa prosseguir sua política insensata e criminosa – terrorista – de submeter todo mundo ao padrão Mcdonalds.

Como quem diz assim, “Lula foi ingênuo”. FHC repete as declarações da secretária Hilary Clinton com outras palavras.

O que faltou dizer tanto no ex-presidente, como na secretária é que antes da viagem de Lula ao Irã o governo dos EUA anunciou que aquela “era a última chance dos iranianos de evitar a adoção de sanções políticas e econômicas contra o país”.

De quebra FHC tenta diminuir o impacto que o feito de Lula produziu nos brasileiros, ao mostrar que, finalmente, estamos de pé. Dar uma ajuda ao seu candidato José Arruda Serra, funcionário destacado pela Fundação Ford para domesticar esses ímpetos de independência e soberania do Brasil e dos brasileiros. Colocar-nos em nossos devidos lugares, assim padrão Celso Láfer, o que tira os sapatos.

Bem mais que isso. Neutralizar a ação do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. O chanceler brasileiro tem recebido manifestações de apoio de vários governos em várias partes do mundo e ponderáveis setores da opinião pública e alguns partidos europeus, cansados de pagar contas de guerras intermináveis dos EUA.

A Alemanha já está à matroca, tangenciando a falência. Tem soldados no Iraque e no Afeganistão.

OTAN, como outras siglas, são formas dos norte-americanos guerrearem para manter o império saqueando outros povos e dividir a conta dos custos. Do lucro não. Mais da metade das peças do antigo museu babilônico do Iraque já está espalhada pelos museus dos EUA.

Saque puro, negócio de pirataria.

O ideal é que FHC fale todos os dias. Se assim o fizer será o mais poderoso cabo eleitoral de Dilma Roussef, pois basta mínima comparação do governo Lula com o desastre dos oito anos do tucano, para ninguém de bom senso cogite votar em José Arruda Serra.

É o político mais rejeitado do País e deveria inspirar-se no general João Batista Figueiredo pedindo para que o esqueçam. Uma forma de evitar constrangimentos desnecessários inclusive entre seus aliados que pedem pelo amor de Deus que fique de boca fechada.

E tem parceiro, ou parceira. A outra banda da direita brasileira, escorada na candidatura de Marina da Silva, ouviu da moça que “Lula não precisa de continuador”. Uma leitura atenta do que disse a candidata supostamente verde, sinaliza na direção que o País precisa de um “descontinuador”. Confissão explícita do pensamento implícito.

Vade retro satanás. Versão light de Heloísa Helena fazendo perguntas a uma cadeira vazia num dos debates das eleições de 2006.

Política de fato é um trem complicado, bem complicado. A candidata verde, defensora do meio-ambiente, da Amazônia, é financiada por predadores da Amazônia (e desfila com eles Brasil afora). Sequer é levada a sério em seu partido. Gabeira tampou seu nome quando do lançamento de sua candidatura ao governo do Rio, apóia Serra.

É a versão fluminense de Roberto Freire.

A expressão panaca é até bondosa. No caso de Marina da Silva talvez até caiba. No caso de FHC é puro mau caratismo, canalhice de um político subordinado a interesses de grupos econômicos internacionais e ao governo dos EUA.

Quem sabe eles não propõem logo de uma vez a privatização da Amazônia, do Palácio do Planalto e a mudança da grafia do nome do Brasil. Ao invés do “s”, o “z”. BRAZIL.

É o sonho dourado dessa gente.
Todo esse destempero verbal de Arruda Serra, esse ar professoral de FHC e essa ingenuidade nada santa de Marina da Silva não têm a ver com o Brasil. Mas com a turma que está de olho no Brasil.

Que quer o Brasil.
Vai ver que o verde de Marina é flor de plástico e tubinho com água e açúcar para beija-flor chegar pertinho da janela.
Aécio Neves deu um show de enterra Arruda Serra na convenção do PSDB. Devolveu o tal dossiê que Juca Kfoury no jornalismo tucano/marrom de ameaças, chantagens, insinuações, etc, usou para mandar recado ao neto de Tancredo. Ao fim da convenção do partido, do lançamento do candidato, militantes pagos (700 reais por cabeça por presença), em clima de velório, as pessoas abraçavam Aécio e perguntavam por que não você?
O ex-governador, cascavel de alto calibre nessa história, apenas sorria. Aos mais chegados foi claro. “Em Minas é Dilmastasia”. A candidata do PT já livrou sete pontos sobre Arruda Serra no Estado. E Hélio Costa ainda não acordou. Vai dançar na esteira do segundo turno, como das vezes anteriores.
É muita panaquice.

Terras brasileiras loteadas por multinacionais, o MST já sabia. Pergunte aos sem terra, MP

http://portalcataguases.com.br/portal/wp-content/uploads/2010/03/mst.gif

O MST há muito tempo denuncia o loteamento de terras brasileiras por empresas estrangeiras, mas diante de suas denúncias e ações contra este loteamento, na maioria das vezes, vemos a criminalização deste movimento por parte da imprensa, por parte de uma sociedade conservadora e, pasmem, até mesmo por parte do Ministério Público. Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui alguns exemplos sobre a criminalização do MST e dos quilombos.

Por vezes, os procuradores com verdadeiro espírito público se manifestam contra o abuso do próprio MP, veja: aqui e aqui. A sociedade civil humanista também se põe contra a criminalização do mais importante movimento social do Brasil, aqui e aqui.

Pois bem, agora o Ministério Público resolveu investigar e descobre que o Estado brasileiro não sabe a localização e o tamanho das terras controladas por multinacionais. Vão começar a investigar.

Eu tenho uma sugestão ao MP: consultem o MST eles sabem e há muito lutam contra o loteamento do Brasil.
Quer um pequeno exemplo? Leiam aqui.

FUJA DA MIDIATRIX!!

Inflação desaba e cala terrorismo da mídia


Do IBGE

IPCA-15 de junho fica em 0,19, e IPCA-E fecha o semestre em 3,35%

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve variação de 0,19% em junho, taxa inferior à de maio (0,63%).
Com esse resultado, a variação do IPCA-E (acumulado do IPCA-15) ficou em 1,30% no segundo trimestre deste ano, pouco abaixo do segundo trimestre de 2009 (1,33%), e fechou o primeiro semestre de 2010 com 3,35%, resultado superior ao de igual período do ano anterior (2,49%). Considerando os últimos 12 meses, o índice ficou em 5,06%, abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores (5,26%). Em junho de 2009, o IPCA-15 havia sido 0,38 %.

Petrobrás injeta US$ 224 bi no petróleo. No Brasil e, não, em Cingapura

Gabrielli terá que captar US$ 58 bi para realizar os investimentos que prevê

Plano de investimentos da Petrobrás prevê elevar a produção nacional em 38% até 2014.

Leia no Globo na pág 21 (clique aqui e acesse).

E vá ao Blog da Petrobrás para constatar que a Petrobrás prevê comprar no mercado nacional de produtos e equipamentos US$ 28 bi.

No Governo Serra/FHC ia tudo para Cingapura.

Aprovado Plano de Negócios 2010-2014

O Conselho de Administração aprovou o Plano de Negócios 2010-2014, com investimentos totais de US$ 224 bilhões, representando a média de US$ 44,8 bilhões por ano.

Com base na dinâmica econômica e energética mundial e brasileira o plano foi revisto ajustando a carteira de projetos e as projeções da Companhia. Os pilares de crescimento integrado, rentabilidade e responsabilidade social e ambiental formam a base das estratégias definidas pela Companhia, visando atuação de forma sustentável no mercado nacional e internacional.

O Plano de Negócios 2010-2014 prevê investimentos de 95% (US$ 212,3 bilhões) aplicados no Brasil e 5% (US$ 11,7 bilhões) no exterior, com significativa colocação dos investimentos junto ao mercado fornecedor doméstico, com uma taxa de conteúdo local totalizando 67%, o que significa um nível de contratação anual no País de cerca de US$ 28,4 bilhões.


Acesse aqui o comunicado completo sobre o Plano de Negócios 2010-2014.

Reunião entre Ricardo Teixeira, Dunga e a TV Globo.


Circula na internet o seguinte texto de Jim Ignácio Muller, que nos foi enviado por Delmiro Gouveia:

Samoano escreveu:
Grande Jim, a fonte que te passou a informaçao é confiável ou foi algo aberto?? Se isso aconteceu nesses termos eu prevejo um futuro nebuloso para o Dunga, pois todos sabem o que significa peitar o chefe da máfia e a rede alienante de televisao!!! Mas o comportamento dele foi irretocável!! Ganhou minha admiraçao pela coragem demonstrada.
Agora existe um problema maior na reclusao ( correta na minha opinião) da seleção na Africa do sul. Andei lendo que os patrocinadores da selecao estão furiosos pela aus~encia de exposicao das marcas. O que acho ótimo também, ja que o cappo Ric Tex conseguiu costurar um acordo de premio irrisório pelo título mundial a ser pago aos jogadores. E só há premio em caso de título!!!!!!!!! ou seja, o cappo so entra pra ganhar! Sao valores em torno de 200 milhoes de patrocinio na CBF e caso a selecao vença a copa o premio nao chega nem a 5% disso somada toda a equipe….
…………………………………………………………..
Jim responde:
Prezado Samoano
A fonte é sim, altamente confiável. Ainda mais quando vem de dentro da própria toca do urso… Por outro lado, notícias mais recentes, de ontem à noite, dão conta que a coisa azedou de tal forma que, ao que se comenta, haverá uma reunião hoje à tarde, envolvendo o “Capo”, o técnico Dunga e alta administração da rede Globo.
Não sei se o treinador resistirá a mais esse “Tsunami moral”, mas qualquer que seja o resultado final, a mijada que deu na Vênus Platinada, já terá valido o ingresso !
Um abraço
JIM

http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=9341

UOL revela pesquisa secreta: Serra, o pior Ministro da Saúde do mundo!

Não fosse o PiG, ele não passava de Resende


O Conversa Afiada republica e-mail do amigo navegante Pedro Bicalho.

Ele ajuda a desmontar um dos blefes do Serra: de que ele foi “o melhor Ministro da Saúde”, na opinião do ministro serrista Nelson Jobim.

Será que a rapaziada da Folha (*) e do UOL vai perguntar ao Serra sobre essa pesquisa “secreta”, na sabatina ?

Clique aqui para ler “Serra, quem é o “blog alugado” ?

Diz o Pedro:

Para aqueles que pensam em votar no Serra por conta da “marketagem” a respeito de sua pretensa eficiência de “jestão” na área da saúde, segue uma pesquisa, mantida em sigilo, sobre a satisfação dos usuários do SUS-SP.

É só uma pitada do jeito Serra de governar.

No Código de Defesa do Consumidor isso tem nome: propaganda enganosa…

Percebam, no final da reportagem, que a conduta de manter em sigilo dados colhidos em pesquisas de satisfação dos cidadãos é típica de São Paulo (leia-se: dos governos tucanos)

Só pra lembrar àqueles que se queixam do Governo Federal por conta do malsinado SUS, o Sistema Único de Saúde é, por lei, regionalizado.

Cada ente da Federação administra e aplica os recursos da maneira que lhe aprouver no âmbito de sua competência.

A União nos hospitais federais, os Estados nos hospitais da rede estadual e os Municípios nos municipais, ou seja, a União manda (e manda mesmo) os recursos e os Estados e Municípios aplicam como entendem melhor, segundo as especificidades de cada região.

Assim, se estão insatisfeitos com o atendimento ou condições de trabalho do Sistema Único de Saúde, não coloquem na conta do Lula, cobrem dos governadores e prefeitos.

Documento “secreto” mostra falhas graves no atendimento do SUS no Estado de SP

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Mantida em sigilo da opinião pública há três meses, uma pesquisa realizada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo com os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) aponta problemas crônicos no atendimento aos pacientes nos hospitais paulistas, carências que fazem a espera por exames chegar a seis meses e obriga as grávidas a enfrentarem o trabalho de parto sem a anestesia normalmente indicada.
Chamado “Pesquisa de Satisfação dos Usuários do SUS-SP”, o relatório obtido com exclusividade pelo UOL Notícias foi produzido com base em 350 mil respostas obtidas após o envio de cartas (veja abaixo) ou em telefonemas aos cidadãos atendidos em 2009 nas mais de 630 unidades que funcionam com recursos do SUS.



Espera por procedimentos chega a seis meses; gestantes não recebem anestesia
Entre os dados tabulados, destacam-se estatísticas alarmantes, como indicam especialistas ouvidos pelo UOL Notícias. Cerca de 30% dos entrevistados afirmaram, por exemplo, que demoraram até seis meses para fazer um procedimento de alta complexidade, como quimioterapia, hemodiálise ou cateterismo. Tais procedimentos, no caso de um paciente com razoável situação financeira, são feitos em instituições particulares imediatamente ou em poucos dias, com possibilidade de agendamento.

Outro escândalo médico registrado pelo levantamento “secreto” aponta que apenas 24% das grávidas que enfrentaram o trabalho de parto pelo SUS receberam anestesia raquidiana ou peridural, procedimentos que aliviam o sofrimento e que são considerados padrão às pacientes. E pior: 14% tiveram seus filhos tomando apenas um “banho morno” para aliviar a dor (o levantamento não especifica o tipo de parto, natural ou cesárea). Veja a seguir a conclusão do relatório, de que há falhas nesse quesito:


Falta de vacina contradiz registros oficiais
A vacinação foi outro destaque negativo marcante na pesquisa. Cerca de 30% dos pais relataram falta de vacinas na unidade, “sempre”. Como alerta o próprio diagnóstico oficial, “esta resposta foi surpreendente, uma vez que no período da pesquisa não há registro de falta ou redução no estoque de vacinas do sistema público”. Ou seja, tudo indica que os funcionários dos hospitais mentiram para o público.

Além disso, como mostram os dados tabulados pelo governo, 18,9% dos pais disseram que seus filhos não tomaram nenhuma vacina ao nascer, indo contra as normas do Programa de Imunização do Estado de São Paulo, que prevê pelo menos a oferta de vacinas contra a tuberculose. Como indica o levantamento, “trata-se de perda de oportunidade e falha no programa, demonstrando necessidade de reorientar e avaliar as maternidades”.



“Quadro é grave”
O UOL Notícias ouviu seis especialistas com experiência em atendimento médico e na análise da gestão pública da saúde para comentar os dados, a que somente tiveram acesso por meio desta reportagem. Todos foram unânimes em afirmar que o quadro é “grave”, apesar de alguns terem pedido para não serem identificados.

Paulo Eduardo Elias, professor de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que os dados apenas confirmam que o sistema de saúde em São Paulo não dá a atenção devida aos pacientes. “Como mostram as informações sobre os procedimentos de parto, fica claro que o governo deixa as pessoas terem dor. É um problema grave. Não se importa muito com isso”, argumenta.


Para Álvaro Escrivão Júnior, professor e especialista em gestão hospitalar da Fundação Getúlio Vargas, a pesquisa revela a falta de recursos para o setor. “Quando se tem um sistema universal, que atende a todos, precisa ter dinheiro para manter o funcionamento do sistema. A pessoa precisa fazer exames imediatamente, não depois de seis meses”, diz.

Caixa-preta
Todas as graves falhas no sistema de saúde de São Paulo, no entanto, não assustam tanto os acadêmicos quanto a tentativa de esconder o levantamento da opinião pública.

A reportagem do UOL Notícias, em ligações telefônicas praticamente semanais, cobra a divulgação do relatório desde o começo de março. Na ocasião, o governo promoveu um evento em que premiou os melhores hospitais do Estado, segundo conclusões tiradas desta mesma pesquisa. No entanto, não divulgou quais seriam os piores estabelecimentos.

No primeiro contato com a Secretaria da Saúde de São Paulo, no dia 4 de março, a reportagem solicitou a íntegra do levantamento. O pedido foi ignorado. Pelo menos cinco recados em nome do UOL Notícias foram deixados a um dos chefes da assessoria de imprensa da secretaria, Vanderlei França. Nunca houve retorno. Além disso, a reportagem tentou conseguir o relatório com pelo menos cinco membros do Conselho Estadual de Saúde, órgão consultivo da secretaria que, em tese, deveria ser informado de tudo o que acontece no sistema de Saúde estadual.
Até a sexta-feira (18), todos os conselheiros relataram não ter conseguido acesso aos dados. Tomás Patrício Smith-Howard, representante da Associação Paulista de Medicina, chegou inclusive a protocolar um pedido formal tentando obter as informações. Já esperava havia mais de dois meses. “Temos total interesse em saber o conteúdo da pesquisa, inclusive para conseguirmos analisar o sistema de saúde. Essa é a nossa função”, diz ele, que ficou sabendo do resultado do levantamento via UOL Notícias.

Pouco antes do fechamento desta reportagem, a secretaria incluiu os dados no site oficial do governo, apenas às 20h, sem aviso. Em resposta oficial enviada dias antes ao UOL Notícias e assinada pelo secretário Luiz Roberto Barradas Barata, a própria secretaria afirmava:


Falta de transparência
Claudio Weber Abramo, presidente da Transparência Brasil, classificou a situação como “trágica”. Segundo ele, é um “absurdo” uma pesquisa financiada com dinheiro público não ser divulgada. “É típico de São Paulo. Os recursos neste Estado são incompatíveis com a obscuridade do governo.”

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DUNGA DETONA A GLOBO !!


A imprensa brasileira é ridícula.

Não tem senso crítico nenhum e especialmente a Rede Globo, pensa que manda no mundo.

Quer porque quer enfiar goela abaixo sua visão de planeta, de como se manda na economia, de como se elege um presidente, de como se joga bola.

A mídia nacional não aguenta ser contestada. A Globo, especialmente, tem chiliques nas redações quando alguém lhes manda calar a boca.

Dunga poderia até ser um técnico medíocre. Mas apenas o fato de peitar a imprensa brasileira, já lhe faria merecer um busto em praça pública.

O jornalismo lacaio faz editoriais dizendo que o comportamento de fulano não é compatível com a função que ocupa. Como fizeram agora com o Dunga.

Ora, o comportamento da Globo também não é compatível com sua posição no país. Ela deveria ser isenta, deveria ser brasilianista, deveria zelar pelo povo que lhe dá audiênia. Ao contrário disso tudo, ela pinta e borda. Faz o que quer com a audiência, leiloa o país inteiro. Mas ainda não percebeu que hoje em dia existe internet. E muita gente dando uma banana para o que o bando de alienados da Globo fala.

Alguns bares transmitiram os jogos da Copa pela Globo. Era meramente pela imagem. A maioria deixava o som baixo, substituindo por música ou alguma narração de rádio.

A Globo é jurássica e paquidérmica. Pensa que é como era na epoca da ditadura, onde ajudava a mandar no cidadão.

Entrou tanto em sí mesma, que não viu o planeta dando voltas. Agora está perdida em sua insignificância. Não deixa de ser prazeiroso ver o taj mahal desmoronando.
E pra refrescar a memória e relembrar como o povo gosta da Globo, o tradicional "Ei, Galvão, VTNC!"

Brasil vai tirar uma França da miséria, em 2014



Saiu no Blog do Planalto, exposição do economista Marcelo Neri, da FGV- Rio, sobre a impressionante mobilidade social que se verifica no Brasil (do Governo Lula).

Foi uma exposição no Conselho de Desenvolvimento Social, devidamente ignorada pelo PiG (*).


O bom time brasileiro para 2014

Com uma defesa macroecômica muito bem postada, um ataque social forte, com o Bolsa Família, e tendo na nova classe média o seu Pelé, o Brasil chegará a 2014 com um grande time, tendo incorporado mais do que uma ‘França’ de cidadãos às classes A, B e C — 68 milhões de pessoas. Nos últimos oito anos, o Brasil incluiu 32 milhões de pessoas. O panorama foi dado nesta quinta-feira (17/6) pelo economista Marcelo Cortes Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), realizada em Brasília.

Segundo dados apresentados por Neri, a renda do brasileiro vem crescendo 5,3% ao ano e houve uma queda de 43% do total de miseráveis do País num período de cinco anos — entre 19 e 20 milhões de brasileiros.

Fizemos muito em pouco tempo e acho que essa agenda procura elencar um conjunto de políticas. Nossa defesa macroeconômica está muito bem postada e nosso ataque social está muito forte, que é o Bolsa Família. O nosso Pelé é a nova classe média. Estamos falando de uma França a ser incorporada ao mercado e à cidadania. Isso é possível. Ou seja, crescimento com redução de desigualdade.

Para que os bons resultados obtidos no País até aqui sejam confirmados, é preciso que o Brasil invista em educação — um dos principais pontos da agenda proposta pelo Conselho.

Se no passado o Brasil era o mais ‘envergonhado’ dos Bric (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China), agora estamos no mesmo nível, afirma Neri. E para que esse processo tenha sustentabilidade, é preciso investir em educação, reiteirou o economista.

A agenda de futuro é econômica, é social. O Brasil não é um país previsível. Temos revoluções acontecendo que só de vez enquanto nos damos conta. A dificuldade brasileira é jogar junto. E esse Conselho está conseguindo fazer que todos atuem juntos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra


O problema maior da transição da ditadura à democracia no Brasil é que a democracia se restringiu ao sistema político. Não foram democratizados pilares fundamentais do poder na sociedade: terra, bancos, meios de comunicação, entre outros.

O Brasil da democracia teve assim elementos fortes de continuidade com o da ditadura. A política de meios de comunicação, por exemplo, nas mãos de ACM, o ministro de Sarney, completou a distribuição clientelística de canais de radio e televisão e favoreceu a consolidação do monopólio da Globo – os próprios Sarney e ACM, proprietários de emissoras ligadas à rede da Globo.

Não se avançou na reforma agrária, nem foi tocado o sistema bancário. É como se a ditadura tivesse sido apenas uma deformação de caráter político aos ideais democráticos. Mas nem os agentes imediatos do golpe e sujeitos políticos do regime – as FFAA – foram punidos. Como se tivesse sido “um mal momento”, até mesmo “um mal necessário”, como diriam as elites políticas tradicionais, que seguem por ai.

No entanto o golpe e a ditadura foram extraordinariamente funcionais ao capitalismo brasileiro. O processo que se desenvolvia de democratização política, econômica e social do país não interessava nem aos capitais estrangeiros, nem aos grandes capitais brasileiros. Estes, concentrados em áreas monopólicas, não se interessavam no enorme mercado popular urbano que o aumento sistemático do poder aquisitivo dos salários propiciava, nem no mercado popular rural, a que a reforma agrária apontava.

O eixo da indústria automobilística no setor do grande capital industrial e outros setores que produziam para os setores da classe média, para a burguesia e para a exportação, se coligaram com os golpistas no plano político, para impor, mediante o golpe, um modelo que atacava duramente o poder aquisitivo dos salários.

O golpe os atendeu imediatamente, com intervenção em todos os sindicatos e com a política de arrocho salarial. Foi uma “lua-de-mel” para os empresários, uma super exploração do trabalho, mais de uma década sem aumento de salários, sem negociações salariais. Bastaria isso para entender o caráter de classe do golpe e do regime e militar.

A dura repressão aos sindicatos e a todas as formas de organização do movimento popular contaram com o beneplácito do silêncio dos órgãos de comunicação, que pregaram o golpe e apoiaram a instalação do regime de terror que comandou o país por mais de duas décadas.

A democracia reconheceu o que os trabalhadores – com os do ABC na linha de frente – haviam conquistado: a legalização da luta sindical, junto ao direito de existência de centrais sindicais, a legalização dos partidos, o direito de organização dos movimentos populares, entre outras conquistas.

Mas os pilares do poder consolidado pela ditadura ficaram intocados. Ao contrário, seu poder monopólico sobre a terra, o sistema bancário, os meios de comunicação, se fortaleceram.

Esses temas ficam pendentes: quebrar o monopólio do dinheiro, da terra e da palavra – como algumas das grandes transformações estruturais que o Brasil precisa para construir uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.

Postado por Emir Sader

José Saramago -1922 -2010



" A falsidade central deste modelo reside no fato de que o poder econômico é o mesmo que o poder político. O único antídoto para reverter esse mau funcionamento da democracia é construir uma sociedade crítica que não se limite a aceitar as coisas pelo que elas parecem ser e depois não são, mas se faça perguntas e diga não sempre que for preciso dizer não. Para isso, é urgente voltar à filosofia e à reflexão"

O MPE não tem direito de abolir liberdade de expressão!


O Ministério Público Eleitoral passou de todos os limites em matéria de arbitrariedade e parcialidade em sua atuação neste período de pré-campanha eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria Eleitoral pediu a retirada do ar do blog “Amigos do Presidente Lula” pelo fato deste noticiar que um relatório da união de bancos suíços considera significativa possibilidade de Dilma Rousseff ganhar eleição no primeiro turno em “razão do desejo do eleitor de manter as coisas como estão e do fato de ela ser associada como candidata da continuidade”.

Ora, a mesma informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 4 de Junho deste ano. E foi publicada porque é notícia. E se é notícia, não deve ser escondida das pessoas. E muito menos o MPE tem o direito de escolher que este site tem o direito a publicá-la e aquele outro não tem.

A atitude do Ministério Público Eleitoral é discricionária, mesmo na alegação de que há críticas a Serra.

E é algo que se pode provar pela simples existência de um site intitulado “Amigos do Serra”, registrado e produzido por uma empresa de marketing, contra o qual nem mesmo sequer se poderia alegar que não faz propaganda negativa de Dilma ou do PT, visto que hoje mantém no ar várias páginas onde Dilma e seu partido são achincalhados.

Clique para ampliar

Publico, para prová-lo, a página inicial do site que o jornal do cartunista Angelli, da Folha de S. Paulo, onde Dilma é retratada caricaturalmente como personagens que vão de Chapolin a Guevara.

O Ministério Público Eleitoral tem aí ao lado as provas, como teve no dia 27 do mês passado e no dia 10 deste mês., em todos os televisores deste país as aparições flagrantemente ilegais de José Serra, em rede nacional, nos programas partidários, respectivamente do DEM e do PPS.

O Ministério Público Eleitoral quer revogar a democracia? Quer abolir o debate na internet o que o próprio Tribunal Superior Eleitoral reconheceu ontem que é livre?

Não diminui a gravidade do seu comportamento o fato de pedir também que se retire algum blog pró-Serra do ar.

As restrições da lei eleitoral visam impedir o abuso do poder econômico, não a liberdade de discussão e de informação.

O Ministério Público Eleitoral, que é uma projeção do próprio gabinete do Procurador Geral da República, não é um reedição do Departamento de Censura Federal dos tempos da ditadura.

A democracia brasileira e os constituintes de 1988- daquele Texto do qual Ullysses disse representar o ódio e o nojo à ditadura- não elevou o Ministério Público à alta e merecida condição de que dispõe para que ele se volte contra os direitos de liberdade de manifestação inscritos como pedra angular do Estado Democrático de Direito.

Agir em nome da lei é proteger os direitos do povo; agir contra o direito de qualquer cidadão de manifestar sua opinião, sua preferência, inclusive eleitoral, é agir contra os direitos do povo.

Porque já escreveu uma outra mulher, muito mais sensível e delicada, Cecília Meireles, em honra a Tiradentes no seu “Romanceiro da Inconfidência”, que a liberdade é uma palavra “que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Brizola Neto

quinta-feira, 17 de junho de 2010


Nada justifica a alta concentração da riqueza !
Por João Pedro Stedile

A sociedade brasileira é uma das mais injustas e desiguais do planeta. Em termos estatísticos perdemos para poucos. Somos um povo trabalhador. Produzimos muitas riquezas. No período de 1930-1980, fomos a economia que mais cresceu, em média. Vivemos num território que, provavelmente, seja o mais pródigo em riquezas naturais do mundo. Temos todos os climas e biomas. Estamos construindo uma civilização caracterizada pela mescla de culturas e povos originários da Ásia, Europa e África, com os nativos deste território. Não há sociedade similar que tenha se constituído com tamanha diversidade.

Como diz a piada sobre a criação do universo, até os anjos reclamaram dos privilégios que teríamos recebido. Aos quais, Deus teria justificado que, em troca teríamos os piores governos do planeta... E parece que os desígnios divinos se realizaram, porque nesses 500 anos de Brasil foram raros os períodos de democracia e de governos comprometidos com os interesses da população.
E com tantas riquezas naturais e um povo tão batalhador nossa sociedade ainda sofre muitas mazelas inaceitáveis.

Nada justifica a elevada concentração da riqueza, da propriedade dos bens e da renda, que beneficiam apenas os 10% mais ricos. E essa concentração de renda e riqueza continua crescendo, como parte da lógica perversa do sistema econômico. O governo Lula contribuiu para distribuir melhor a renda entre os que vivem do trabalho. Mas, na distribuição da riqueza total produzida na sociedade, o capital aumenta a cada dia sua parcela em detrimento dos rendimentos do trabalho, que nunca estiveram tão baixos, como agora. Melhoramos muito as oportunidades de emprego, em relação ao período neoliberal, mas ainda apenas 50% dos trabalhadores têm carteira assinada e seus direitos sociais e previdenciários garantidos.

Nossa economia é cada vez mais dependente do exterior e do capital financeiro. O Estado brasileiro transformou-se no acumulador da poupança nacional e repassa todos os anos mais de 250 bilhões de reais (25% de toda a receita) na forma de juros ao sistema financeiro, com as inaceitáveis teses de superávit primário, que nenhum país desenvolvido pratica. O povão compra tudo a prestação, iludindo-se com um poder de compra sem renda suficiente e paga duas vezes. Uma para a loja e outra para o sistema financeiro, com as maiores taxas de juro do mundo, que em media chegam a 48% ao ano. O capital estrangeiro vem aqui nos explorar e reenvia seus lucros livremente.

Temos uma dependência tecnológica. Investimos uma ninharia em pesquisa e tecnologia. O capital internacional controla nossas riquezas naturais: minérios (basta saber que 52% dos acionistas da poderosa Vale, agora moram no exterior), água, hidrelétricas, petróleo (ao redor de 30% dos acionistas da Petrobras são estrangeiros) e ultimamente até o setor sucroalcooleiro se desnacionalizou, em 33%, em apenas três anos.

É mais importante, até por administrar maior volume de recursos, hoje, ser presidente da espanhola Telefónica do que ser prefeito da cidade de São Paulo. Nossa burguesia, como advertira o saudoso Florestan Fernandes, abandonou há tempos a proposta de um projeto de desenvolvimento nacional, mesmo capitalista. É uma lúmpen-burguesia, que se contenta em superexplorar seu povo para repartir as taxas do lucro com o capital internacional. Agora cada vez mais controlado pelo capital financeiro e pelas grandes corporações globalizadas.

Os índices de concentração da propriedade da terra, um bem da natureza que deveria estar a serviço de todos, nunca estiveram tão concentrados. O último Censo Agropecuário do IBGE revelou que a concentração fundiária em 2006 é maior do que em 1920, quando havíamos recém-saído da escravidão e que se praticava quase um monopólio da propriedade da terra. A produção agrícola está cada vez mais baseada na monocultura, no uso intensivo de venenos e na expulsão da mão de obra do campo. Nos transformamos no maior consumidor mundial de venenos agrícolas, que destroem a natureza, desequilibram o meio ambiente e contaminam os alimentos que todos comemos.

As grandes cidades se transformaram em conglomerados humanos, onde os problemas só aumentam em termos de transporte público, habitação e meio ambiente. Temos um déficit de mais de 10 milhões de moradias. Ou seja, temos 10 milhões de famílias (!!!) que vivem em condições subumanas, insalubres, ainda penduradas em morros e mangues, como denunciava nosso querido Lupicinio Rodrigues. Por causa disso, somos, talvez, um dos poucos países onde se morre “de chuva!” E não é por falta de cimento, areia, tijolo ou pedreiros. O programa Minha Casa Minha Vida, que previa a construção de 1 milhão de moradias, esgotou as inscrições em apenas uma semana.

O transporte público é uma vergonha. E a imprensa, porta-voz dos interesses das empresas automobilísticas, orgulha-se dos recordes de vendas. A média de tempo perdido para ir ao trabalho aumenta a cada dia, em condições cada vez piores. Com um custo social impressionante. O transporte individual e poluente como temos só beneficia meia dúzia de empresas transnacionais, não o povo!

Na educação, vivemos uma tragédia. Aumentamos as vagas para o ensino fundamental e secundário, alcançando quase a universalização. Mas a qualidade desse ensino é vergonhosa. Que o digam os analistas das provas de vestibulares, sobre o nível de conhecimento dos que querem entrar na universidade. E aí, apesar dos esforços inéditos do governo Lula, que quase duplicou as vagas, apenas 10% de nossa juventude pode ingressar no ensino superior.

Não há nenhuma razão para isso. Sociedades com economias mais pobres, como a Coreia do Sul, colocam 97% de sua juventude na universidade e formam mais de 200 mil engenheiros por ano. A Bolívia, economia mais pobre do continente, garante 65% de seus jovens na universidade. E nós? Quantos engenheiros e médicos formamos? Temos mais de 500 municípios sem médicos, até na Grande São Paulo. Há mais jovens negros brasileiros estudando Medicina em Cuba, pela generosidade daquele povo, do que em todas as faculdades do Brasil. Temos também uma dívida com a população mais pobre. Cerca de 16 milhões de trabalhadores adultos não sabem ler e escrever. E ninguém faz nada para ajudá-los. Precisamos urgente de uma campanha nacional, como sonhara Paulo Freire, uma verdadeira guerra cívica de ajuda aos nossos irmãos cegos das letras. Os programas atuais são ridículos.

Padecemos de outro mal, sempre escondido da opinião pública. A concentração da propriedade dos meios de comunicação. Meia dúzia de grupos econômicos controlam toda informação que circula nas televisões, revistas semanais e jornalões. Paulo Henrique Amorim, com toda a sua experiência, adverte que com três telefonemas se decide qual será a principal informação que todos os brasileiros terão de ler ou de ser “manipulados” na semana. Isto é uma vergonha! (que nunca foi denunciada nem pelo jornalista que tem raiva de garis...). A informação deixou de ser um direito público, como determina a Constituição, e passou a ter uma dupla face. De um lado, é fonte de lucro e enriquecimento abastecido por polpudas verbas do dinheiro público. E, de outro, a mídia transformou-se no grande partido de reprodução da ideologia da classe dominante insensível aos problemas do povo.

Sabe-se que as raízes de todos esses problemas são estruturais e do modelo econômico adotado. Primeiro, foi o modelo agroexportador no período colonial. Depois, ao longo do século XX, implantamos uma industrialização dependente do capital estrangeiro. E agora somos reféns do capital financeiro internacional.
Segundo, tivemos quase sempre governos servis, subalternos aos interesses econômicos estrangeiros. Mesmo o governo Lula conseguiu apenas em parte frear as políticas neoliberais e ajudou a distribuir o bolo entre os mais pobres. Mas, por sua composição de classe e partidos, não teve força suficiente para enfrentar os problemas estruturais da sociedade brasileira.

Esses problemas são graves e tendem a se agravar mais ainda. Nos movimentos sociais, acreditamos que eles serão resolvidos somente quando tivermos em nosso país uma conjugação de forças populares, que se mobilizem em aliança com um governo popular. E assim se façam as mudanças legislativas no poder público e, sobretudo, a mudança do modelo econômico, para construir de fato um projeto popular, ou seja, a serviço do povo no Brasil. Como sonhara Paulo Freire.

E, apesar da apatia e pasmaceira social nesse período de nossa história, não se iludam, o povo voltará a se mobilizar e a se organizar por mudanças estruturais.