segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A “FOLHA” E O NEOCOLONIALISMO PETROLEIRO


O artigo é de Beto Almeida.

“Com o título de “TV Companheira”, o jornal Folha de São Paulo –que tem o nome marcado por ter defendido e colaborado com operações da ditadura em torturas e mortes de prisioneiros políticos- publicou artigo de Eliane Cantanhêde tentando atingir, sem o lograr, a credibilidade jornalística da Telesur, "La nueva televisión del sur", em seu esforço de cobrir a crise na Líbia.

Há muitas lições a partir da precária nota da jornalista. Primeiramente, está escancarado que a grande mídia comercial brasileira, seguindo orientações dos conglomerados internacionais midiáticos, editorialmente controlados pelas indústrias bélicas, petroleiras e a ditadura financeira, sempre protegeram os ditadores do Oriente Médio que serviram e ainda servem a esses interesses. A Folha de São Paulo está dentro desse leque de proteção aos “ditadores amigos”. Assim é que durante mais de 30 anos protegeu Mubarak, tratando-o como o árabe moderado, porque transformou o Egito em cúmplice do massacre do povo palestino por Israel, com o apoio de Washington.

Durante 30 anos a Folha de São Paulo jamais cobrou eleições diretas ou democracia no Egito, mas, revelando a imensa hipocrisia da sua linha editorial de dois pesos, duas medidas, engajou-se na campanha dos oligopólios midiáticos mundiais contra o governo da Venezuela que, em 12 anos, eleito pelo voto, realizou mais de 15 eleições, plebiscitos e referendos livres, vencendo 14 deles e respeitando democraticamente o único resultado eleitoral adverso registrado.

“DITADURAS AMIGAS” FORAM PROTEGIDAS

A reportagem de Telesur está sim na Líbia, como esteve no Egito e na Tunísia, para oferecer cobertura com linha editorial diferenciada, sem qualquer influência do poder petroleiro comandado pelos países imperialistas. Telesur não descobriu somente agora que Mubarak era um ditador e que saqueou recursos do povo egípcio, bem como seu comparsa Ben Ali, tunisino, sempre protegidos pelos grandes países imperiais como EUA, França, Inglaterra etc, por se transformarem em peões da política que facilita a intervenção militar imperialista no mundo árabe, com o óbvio objetivo de rapina sobre suas imensas riquezas energéticas, da qual são tão dependentes.

A linha editorial que protegia Mubarak era a mesma que sempre condenou Kadafi. Não supreende. Kadafi nacionalizou a riqueza petroleira da Líbia e usou essa extraordinária receita para transformar o país, hoje possuidor do mais elevado IDH da África e dos mais elevados no mundo árabe. Esse exemplo se chocava com os interesses imperialistas. Preferiam que Kadafi fosse como a oligarquia que reina sobre a Arábia Saudita, a mais maquiavélica das ditaduras da região, sob a proteção da mídia comercial internacional, inclusive a Folha de São Paulo. E sem uma linha sequer da articulista que esboce qualquer reivindicação democrática para esse país, cujo petróleo é rigorosamente controlado por empresas dos EUA. Portanto, rigorosamente diferente da Líbia, onde o petróleo foi estatizado permitindo uma elevação do padrão de vida do povo, com progressos reconhecidos internacionalmente nos serviços públicos e gratuitos de educação e saúde, com renda per capita e salário mínimo que superam em muito os registrados no Brasil e na Argentina. Essas informações nunca circularam nem no fluxo internacional da mídia comandada pelos poderes do petróleo, das armas ou do dinheiro, muito menos aqui na submissa Folha de São Paulo.

Ao contrário dessa linha editorial complacente com os crimes que se comentem contra os povos árabes, em particular contra o povo palestino, Telesur, em sua curta existência, pouco mais de 5 anos de vida, procura revelar, com critérios jornalísticos, a falsidade e hipocrisia dos discursos “democráticos” que servem sempre de parâmetros para as coberturas que tentam esconder, sob o palavreado democrático, o objetivo fundamental que essa mídia cumpre: dar suporte e favorecer o controle total das riquezas energéticas do Oriente Médio pelos trustes imperialistas.

É por esta razão que a Folha de São Paulo tenta, inutilmente, atacar a Telesur, porque questiona e se diferencia do jornalismo obediente ao poder bélico-petroleiro que tantas vidas ceifa na região, inclusive na própria Líbia, tantas vezes bombardeada, agredida e boicotada pelos países membros da OTAN. É a subserviência a essa política imperial que leva a Folha e sua articulista a afrontarem as políticas externas soberanas que os países do eixo sul-sul estão desenhando, com o objetivo de libertarem-se das algemas da OTAN, inclusive postulando a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul, proposta defendida por vários países sistematicamente enfrentados pela linha editorial da Folha, inclusive por Kadafi, certamente, uma das tantas razões que o leva a ter sido sempre condenado pelos imperialistas, pela ONU, pela OTAN. Vale lembrar que Kadafi teve sua residência destruída por um bombardeio ordenado por Bill Clinton, no qual morreu sua filha recém-nascida. A articulista escreveu algum protesto na época? Ou lamentou que a pontaria poderia ter sido mais certeira?

HIPOCRISIA EDITORIAL

Mubarak foi protegido e elogiado por esse jornalismo tipo Folha de São Paulo -que, aliás, não chamava Pinochet de ditador, mas de presidente- porque comandou o retrocesso das conquistas socioeconômicas que o Egito havia alcançado durante a Era Nasser. Tal como aqui a Folha serve aos interesses estrangeiros e de seus prepostos internos que operaram para demolir as conquistas da Era Vargas; o elogio e a tolerância para com a ditadura de Mubarak deve-se ao fato dele desconstruir o nacionalismo revolucionário de Nasser, aliado da Líbia e da Síria, colocando o Egito na posição de ser vergonhoso coadjuvante da macabra política israelense na região, a serviço da indústria petroleira imperial. Mas, os milhões de egípcios nas praças estão escrevendo outra história para aquele país!

Telesur conta essa história. Faz jornalismo para revelar o direito histórico da luta dos povos árabes por sua independência, por sua soberania. É por isso que incomoda tanto. É por isso que agressão da Folha não surpreende, faz parte da blitz midiática internacional que sustenta o intervencionismo militar dos grandes países imperialistas. Essa mídia atua como os clarins que anunciam e clamam pela guerra!

Independentemente do desfecho que esta crise na Líbia produzirá, a esta altura imprevisível, não há como não perceber a imensa hipocrisia jornalística dos que se calam diante dos sanguinários bombardeios que estão caindo agora mesmo sobre a população civil no Afeganistão, ilegalmente ocupado pelos EUA, ou no Iraque, onde mais de um milhão de vidas foram dizimadas a partir de uma guerra iniciada por meio de grosseiras falsificações de notícias sobre a existência de armas químicas naquele país, fraude jornalística que a Folha de São Paulo endossou, o que lhe retira qualquer moral, juntamente à assessoria que prestou à ditadura militar no Brasil, para reivindicar democracia ou clamar por direitos humanos.

COLÔNIA PETROLEIRA

Provavelmente, a crise atual na Líbia tenha também explicação pelos erros cometidos pelo seu governo, entre eles, provavelmente o mais grave, o de ter realizado inesperados e improdutivos acordos com os EUA, com a Inglaterra, com o FMI, inclusive dando início a medidas de privatização injustificáveis e abrindo mão, unilateralmente, do programa de energia nuclear, bobagem que o Irã e o Brasil, mesmo sob pressão, indicam não estarem dispostos a cometer. As concessões de Kadafi aos patrocinadores da morte e de opressão contra os povos iraquiano, afegão, palestino, entre eles Bush e Blair, aprofundou, certamente, os conflitos internos, agravando as disputas tribais, facilitando a infiltração dos que nunca aceitaram a nacionalização do petróleo líbio. Agora, a Folha de São Paulo, que se crê tão moderna, apresenta-se aliada aos que levantam novamente a bandeira da Líbia do Rei Idris, demonstrando preferir operar para o retrocesso histórico da república à monarquia, o que faria da Líbia uma colônia petroleira controlada pelos conglomerados anglo-saxões.

Enquanto as grandes redes oligopólicas de TVs comerciais operam para justificar, auxiliar e assessorar a pilhagem dos recursos energéticos dos povos, -por isso assumiram editorialmente as mentiras que justificaram a guerra de rapina contra o Iraque- Telesur coloca seu jornalismo a serviço do direito dos povos de conhecerem na íntegra a versão objetiva dos fatos, inclusive dando voz aos povos que lutam, que buscam construir modelos de sociedade em que a soberania sobre seus recursos e o seu uso em benefício da população sejam sagrados. Telesur tem consciência de quão árdua é a meta de fazer jornalismo não controlado pelos oligopólios da guerra, do dinheiro e do petróleo. Mas, dessa meta não se afastará, pois foi como expressão dos povos que se rebelam na América Latina contra a dominação imperial que nasceu e que assumiu como bandeira o princípio “ O nosso Norte é o Sul”.

FONTE: escrito por Beto Almeida, membro da Junta Diretiva da Telesur. Publicado no site “Carta Maior”

A NOVA FARSA DO SERRA E A LÍBIA

Serra (esq.) presenteou o vice-primeiro-ministro líbio (dir.) do governo de Khadaffi, Imbarek Ashamikh (Divulgação/Governo de SP)

“José Serra pegou carona na situação da Líbia para espalhar, no Twitter, o terror político contra os adversários. Lula é o alvo. Foi transformado em amigo de Kaddafi, um ditador chamado outrora de “O louco de Trípoli”.

O reingresso de Serra no cenário, após a derrota eleitoral de 2010, tem sido um desastre. Teve um artigo e uma entrevista criticados, surpreendentemente, pelos seus próprios aliados. O ex-candidato tucano parece ter olvidado sua cálida recepção ao vice de Kaddafi, Ashamikh, quando governador de São Paulo.

Em 2009, entretanto, no governo de São Paulo, Serra recebeu amistosamente, como era devido, o vice-primeiro-ministro da Líbia. Imbarek Ashamikh anunciou a disposição do governo Kaddafi de investir no Brasil muitos milhões de dólares.

Esta é apenas mais uma prova de que Serra se desnorteou desde que, em campanha eleitoral no Rio, recebeu uma pancada na cabeça proveniente do impacto de uma bolinha de papel. A consequência percebe-se agora: a vítima sofreu traumatismo moral.”

FONTE: escrito por Maurício Dias e publicado na revista “Carta Capital”.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lucro da Petrobrás é espetacular: R$ 35 bi. Alô, alô, Globo ! Vai encarar ?

Só para irritar o Ali Kamel



Saiu no G1:
Petrobras tem lucro líquido recorde de R$ 35,2 bilhões em 2010

Valor representa alta de 17% em relação aos R$ 30,051 bilhões de 2009. No quarto trimestre, ganhos chegaram a R$ 10,6 bilhões.

Bernardo Tabak Do G1 RJ

A Petrobras fechou 2010 com lucro líquido recorde de R$ 35,189 bilhões, alta de 17% em relação aos R$ 30,051 bilhões apurados em 2009. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pelo diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Almir Guilherme Barbassa, em entrevista coletiva na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. “Fizemos a maior capitalização da história, de R$ 120 bilhões”, destacou o diretor.

Somente no quarto trimestre do ano passado, a estatal registrou lucro líquido de R$ 10,602 bilhões, valor 24% superior aos R$ 8,566 bilhões do trimestre anterior. “O quarto trimestre também foi recorde para a empresa”, destacou Barbassa.

“Alguns dos fatores que levarem ao lucro recorde foram a redistribuição do portfólio financeiro, que gerou menos impacto para as contas da empresa. O processamento de 4% a mais de óleo nacional, o aumento do refino de diesel, o nível de geração e de venda de gás também aumentou muito. Tudo isso contribuiu para esse resultado”, detalhou o diretor.

Barbassa também falou a respeito do aumento da produção da Petrobras. “A produção de gás natural cresceu 5% em 2010, em comparação com 2009. A atividade econômica crescente no Brasil provocou uma demanda muito grande pelo gás natural e, claro, por outros tipos de gás, como o GLP (gás liquefeito de petróleo), entre outros combustíveis. Entretanto, com a produção de gás ainda é muito menor do que a de petróleo, o aumento da produção total ficou em 2%”, explicou.

Em 2010, a Petrobras investiu R$ 76,411 bilhões, ante R$ 70,757 bilhões em 2009. “O investimento em 2010 ficou 14% abaixo do que esperávamos investir. Mas isso já esperado, pois ocorrem atrasos em entregas de equipamentos, algumas licitações não são feitas”, disse o diretor.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) — que mede a capacidade de geração de caixa — foi de R$ 60,323 bilhões no ano, com alta de 1,4%, e atingiu R$ 14,584 bilhões no trimestre, um aumento de 1,9%.

Nesta sexta-feira, o Conselho de Administração aprovou o pagamento R$ 2,217 bilhões de juros sobre o capital próprio, que corresponde a R$ 0,17 por ação. Ainda vão ser pagos R$ 1,565 bilhão de dividendos”

O balanço está de acordo com os padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS).


(Com informações do Valor Online)

NavalhaO Globo é o jornal que tenta destruir a Petrobras desde que foi fundada pelo Dr Getulio, em 1953.

Na época, o Roberto Marinho trabalhava de mãos dadas com o Assis Chateaubriand e a Embaixada americana.

Hoje, com o Estadão, Roberto Campos, o resto do PiG (*) e a Chevron do Cerra.

E talvez a Embaixada americana, nunca se sabe.

É preciso esperar pelo WikiLeaks.

O record espetacular desmoraliza os jenios neoliberais que ocupam os jornais do PiG (*) para subir na vida à custa da Petrobras.

Recentemente, o Economista-Chefe do banco espanhol Santander tentou desqualificar a Petrobras num debate público.

Ele disse também que no Orçamento da União, com a Dilma, cabe qualquer coisa.

Deve ser alguma viúva da Petrobrax, que o Nunca Dantes sepultou no fundo do mar, ao lado da P-36.

Como diz um blogueiro ansioso: a eleição de 2010 foi sobre o pré-sal.

A de 2014 também será.

Quem mandará no pré-sal: o povo brasileiro ou a Chevron do Cerrra ?

Em tempo: liga o Vasco. É o maior lucro de uma empresa negociada na Bolsa do Brasil. Quem vai cortar os pulsos é aquele Agnelli da Vale.



Paulo Henrique Amorim

O que fazer?




O que fazer quando a água cristalina vira um mar de lama?

O que fazer quando a fome vira um número que não alimenta?

O que fazer quando o passado vira referencial para quem prometia o futuro?

O que fazer quando o júbilo, envergonhado, busca abrigo na solidão?

O que fazer quando a virtude se cobre de trevas?

O que fazer quando a mentira escarra na verdade?

O que fazer quando a soberba se torna filha dileta no banquete do cerrado?

O que fazer quando se perde a esperança?

O que fazer quando os olhos não querem enxergar e o coração fica cego?

O que fazer quando a bondade se cobre de mau hálito?

O que fazer quando a ternura se vê brutalizada?

O que fazer quando a desigualdade social é incentivada?

O que fazer quando o sonho vira pesadelo?

O que fazer?...

Amigo, se você sobreviveu a tudo isso, você pode tudo!

Lembre-se! a História conspira a seu favor e o bem-estar da humanidade é o objetivo derradeiro do universo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Hugo Chávez e aquela pílula alucinógena do Kadafi



Hugo Chávez e aquela pílula alucinógena do Kadafi


A farinha estatal faz parte da cesta básica vendida por uma fração do preço na rede de mercados do governo

por Luiz Carlos Azenha

Quando a gente acha que já ouviu de tudo na vida, aparece o Muammar Kadafi dizendo que a Al Qaeda e pílulas alucinógenas são as razões para a revolução na Líbia. As pílulas, pelo que entendi, teriam sido distribuídas aos jovens rebeldes (será que ele está falando do ecstasy?).

De acordo com Fidel Castro, haveria por trás da revolta o interesse da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de controlar a Líbia. Será que o comandante também tomou a pílula?

Bem, a teoria de Fidel não é completamente inverossímil, se considerarmos que a Líbia é um importante fornecedor de petróleo para a União Europeia e os Estados Unidos.

Porém, tenho comigo que estava todo mundo feliz com o Kadafi no mundo. O ditador líbio tinha se dedicado em anos recentes a restabelecer suas relações políticas e comercias com o Ocidente. Como integrante da OPEP, jogava pesado em defesa do valor do petróleo (nesse campo, em aliança estratégica com a Venezuela). A Líbia fez investimentos em vários países da África, rompendo o isolamento geográfico do Saara e, com isso, Kadafi fez muitos amigos no continente.

Aparentemente quem não estava contente com ele era uma parcela considerável dos próprios líbios.

Em um texto anterior, a respeito de minha recente viagem à Venezuela (clique aqui para ler), relatei que existem críticas consistentes de esquerda ao governo Chávez.

Pergunta frequente dos que conversam comigo: mas ele ganha as eleições de 2012?

Sou péssimo para fazer prognósticos eleitorais. Se tivesse que apostar, apostaria que sim, que Chávez será reeleito para mais um mandato.

Apesar da inflação, da criminalidade e de problemas de abastecimento.

A economia venezuelana, como escrevi anteriormente, continua basicamente dependente do petróleo. A produção agrícola, por exemplo, representa hoje apenas 5% do PIB, pouco acima do que representava quando Chávez assumiu há 12 anos.

Isso significa que a economia venezuelana flutua de acordo com os preços internacionais do petróleo.

Quando eles desabam, ela vai junto. Quando sobem, a injeção de dinheiro dá um ânimo nas coisas.

Desde a crise no Egito os preços internacionais do petróleo começaram a subir. Mas, com a revolução na Líbia, eles realmente dispararam. E a agitação no Oriente Médio, que está apenas começando, é garantia de que o preço do barril não vai ficar abaixo dos 100 dólares por um bom período. Talvez um, dois anos.

Ou seja, se o preço dos alimentos — que estão em alta no mundo — afeta enormemente a Venezuela, um país que importa quase tudo do Brasil, o preço do petróleo dá uma imensa folga de caixa a Hugo Chávez. Aquela pílula alucinógena do Kadafi acaba, ironicamente, colaborando com a campanha dele.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Leandro Fortes: Presidente Dilma na cova dos leões

Dilma na cova dos leões
Por Leandro Fortes, no Brasília Eu Vi
Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.
Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.
Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.
Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.
Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.
Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.
Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.
[Clique aqui para relembrar o dia em que um colunista da Folha sugeriu que Dilma era "vagabunda" e "vadia"]
A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.
Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.
Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.
A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.
[Clique aqui para ler o editorial em que Octavio Frias de Oliveira elogia o governo Medici, que torturou, matou e sumiu com brasileiros.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

No Fantástico, a reforma agrária não será televisionada




por Emanuel Cancella, no site do MST
Noite de 13 de fevereiro. Assistia distraidamente o Fantástico, programa de maior audiência do fim de domingo da televisão. Entre amenidades diversas, de repente começa uma matéria que duraria longos minutos com o objetivo exclusivo de criminalizar os sem-terra. A reportagem usou como mote o estado do Mato Grosso. Várias autoridades, como delegado de polícia e membro do Ministério Público, foram escolhidas como fontes para atacar o movimento de luta pela reforma agrária.
A partir da postura criminosa de dois ditos líderes de camponeses pegos em flagrante delito o programa tentou generalizar de forma pejorativa a postura dos sem-terra no estado. Bandidos existem em todo lugar, ou como tenta nos convencer o programa, bandidagem seria monopólio dos pobres? Imagens dos acampamentos com lona preta foram mostradas de forma a imputar ação criminosa a esses camponeses que lutam para ter um pedaço de terra.
Mato Grosso é dos estados brasileiros talvez o que concentra o maior número de latifundiários. Em 2009, o próprio presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (APROSOJA), Glauber Silveira, revelou que 90% dos produtores do Mato Grosso estão irregulares e 50% poderão por conta disso perder as terras.
Além disso, o Brasil é o único país de dimensões continentais que não fez a reforma agrária. O mesmo programa que tenta criminalizar os sem-terra omite a ação dos latifundiários no estado. Mais do que isso, a reportagem dá fala a fazendeiros, mas não entrevista uma liderança nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para que o telespectador possa ter uma outra visão sobre o episódio. São atitudes nada inocente como essa da grande mídia que perpetuam o poder dos latifundiários no país.
A sociedade é a grande vitima desse tipo de política responsável pelo inchaço nas grandes cidades. Além disso, os grandes fazendeiros praticam a monocultura voltada para exportação. Propriedade de poucas famílias, os latifúndios pouco têm a oferecer ao país.
Já a reforma agrária, prevista na Constituição Federal, assentaria milhares de famílias no campo. Poderiam, com apoio dos governos, aumentar em muito a produção de alimentos. Hoje já são responsáveis por mais da metade dos alimentos que frequentam diariamente a mesa dos brasileiros.
A mídia deveria entrar em nossos lares para explicar o que é o latifúndio e a reforma agrária. Infelizmente, o que nós assistimos na telinha da Globo e de todas as emissoras comerciais são ataques ferozes ao que lutam por uma sociedade justa e igualitária, como fazem os trabalhadores sem-terra. Sem a necessária e urgente democratização dos meios de comunicação, a reforma agrária não será televisionada!
* Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.

AMEAÇA ITALIANA CONTRA O ACORDO MILITAR COM BRASIL ERA SOMENTE ENCENAÇÃO



ACORDO BRASIL-ITÁLIA SOBRE COOPERAÇÃO EM ARMAMENTOS É RATIFICADO POR 425 x 1 PELA CÂMARA ITALIANA“O Acordo firmado entre o Brasil e a Itália sobre a cooperação na Indústria de Armamentos e Defesa, firmado em Roma em 11 novembro 2008, foi definitivamente ratificado em 15 fev último, na Câmara [italiana].Faz parte dos acordos de cooperação entre os dois países que o Ministério da Defesa [da Itália] concluiu no nível bilateral [com o Brasil] para facilitar o processo de modernização das Forças Armadas [brasileiras], dando impulso [potencial] para o desenvolvimento da indústria de defesa Italiana.No início deste ano, foi envolvido em controvérsia após o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva negar a extradição de Cesare Battisti para Itália, razão pela qual, por proposta do relator compartilhada por todas as forças políticas no parlamento italiano, foi decidido "congelar" o exame do tratado [mas era "tiro no pé"].Em 15 fev, a pedido do PDL (Il Popolo della Libertà), partido do Primeiro-Ministro Berlusconi, a Câmara dos Deputados aprovou o texto com 425 votos a favor, um contra e 98 abstenções, todas da UDC (“Unione dei Democratici Cristiani e di Centro”, linha centro-direita), FLI (“Futuro e Libertà”, linha centro-direita) e IDV (“Italia dei Valori”, linha centrista).Com quinze itens, o acordo Brasil-Itália já fora aprovado pelo Senado italiano. É de duração ilimitada. Tem como objetivo desenvolver a cooperação bilateral entre as forças armadas [dos dois países] a fim de reforçar as capacidades defensivas e a cooperação mútua em matéria de segurança. Também aponta que destina-se a reforçar as relações entre os dois países, aumentando o espírito de amizade que já existe. Tendo como princípios básicos a cooperação, a igualdade e a reciprocidade, está prevista a criação de grupo de trabalho conjunto para garantir a implementação da cooperação em matéria de segurança e defesa, pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, partilha de experiências na manutenção da paz, questões ambientais, controle da poluição proveniente de instalações militares, serviços de saúde militar, educação e formação, desporte e história militar.As Partes comprometem-se a fornecimento e apoio às iniciativas empresariais relacionadas com equipamentos, serviços militares e outras áreas de interesse comum, além de assistência mútua para promover a implementação de ações das indústrias envolvidas no acordo e nos acordos posteriores assinados sob ele.”FONTE: site “DefesaNet”

GRANDES HIDRELÉTRICAS TÊM RETORNO TRIUNFAL PELO PLANETA



[Se ouvidos os lobistas das termelétricas e os governos das grandes potências, Itaipu não existiria]Folha de São Paulo“Assim como a energia nuclear, as grandes hidrelétricas estão fazendo retorno triunfal. Nova geração de usinas está sendo planejada ou instalada em países como Irã, Turquia, Rússia, Etiópia, [Índia] -mas sobretudo Brasil e China.Ironicamente, as justificativas para a retomada desses projetos são as mesmas que levaram o mundo a “desconfiar” [a dolosamente criar inibidores] deles 20 anos atrás: “questões ambientais e sociais”.Os governos brasileiro e chinês, principais construtores de hidrelétricas do mundo [pois são os que agora mais crescem e necessitam de energia], argumentam que barragens são preferíveis a termelétricas porque [a energia é mais barata e] não emitem gases de efeito estufa.O Brasil chegou a incluir a polêmica usina de Belo Monte e outras que já estavam planejadas na lista das metas nacionais de redução de emissões de CO2 apresentada em Copenhague em 2009. O “truque de contabilidade carbônica” [assim definido pelos lobistas das termelétricas] foi patrocinado por Dilma Rousseff.A China se comprometeu a aumentar em 15% a participação de energias renováveis em sua matriz e, para isso, deve anunciar nas próximas semanas um projeto tão polêmico quanto Belo Monte ou mais: o complexo de usinas do rio Nu.Trata-se de conjunto de 13 usinas que somam 22 mil megawatts, a serem feitas num sítio tombado pela UNESCO como patrimônio natural mundial."É o único grande rio do Sudeste Asiático que ainda não foi barrado", diz Peter Bosshard, da International Rivers Network.O projeto foi suspenso em 2004 depois que a UNESCO ameaçou tirar os cânions do rio Nu de sua lista. Neste ano, o governo voltou a citar a região como alvo de desenvolvimento hidrelétrico.[Os lobistas dos fornecedores de equipamentos para termoelétricas, a carvão, madeira, óleo e nuclear dizem, para depreciar as hidrelétricas, que energia da água é coisa de ditadura, dizem que] “é mais do que coincidência que a China, uma ditadura, seja o principal construtor de grandes barragens no mundo e que o projeto de Belo Monte tenha sido gestado por um regime militar”. [Os países desenvolvidos já esgotaram as possibilidades de construir hidrelétricas em seus territórios]. [Além desses lobistas, as grandes potências, os EUA principalmente, muitas vezes por intermédio de ONGs, Greenpeace e outras, também fazem pressão contra hidrelétricas no Brasil e China para que, impedindo o crescimento das capacidades energéticas, não seja viabilizado o maior crescimento desses países, que já incomodam como novos concorrentes no mercado mundial que antes estava tranquilamente garantido para os países ricos e industrializados. Dentro e obediente a essa estratégia, submisso às vontades das grandes potências, o governo tucano FHC/PSDB interrompeu e não planejou novas obras de geração de energia hidrelétrica no Brasil, resultando no famoso “apagão” que durou oito meses e causou grande contração na economia].Segundo a ‘Folha’, essas obras [hidrelétricas] mobilizam grande quantidade de mão de obra e recursos públicos, deslocam muita gente e podem ser entendidas como obras de integração nacional e de geração de energia.[Continuando o “intrigante” texto da tucana “Folha”:] Das dez maiores barragens do mundo, cinco foram concebidas ou feitas sob regime autoritário [por corolário, depreende-se que as usinas nucleares e térmicas em geral, segundo a “Folha” e os lobistas, teriam sido feitas por governos democráticos, fracos...]. [Continua a “Folha”:] "Franklin Roosevelt fez grandes hidrelétricas nos EUA, mas era um governo com forte presença do Estado", diz o [lobista?] físico José Goldemberg, da USP.[Segundo a “desprendida e desinteressada” reportagem da tucana “Folha”,] “após críticas ‘sérias’ a essas obras nos anos 1980 (quando o Banco Mundial parou de financiá-las) e 1990 (quando foi criada a Comissão Mundial de Barragens para regular seu planejamento), governos como o brasileiro [FHC/PSDB] começaram a repensar os planos para as grandes usinas. O “DNA autoritário”, porém, emerge de tempos em tempos. Desde 2003, por exemplo, a academia e a sociedade civil estão excluídas do Conselho Nacional de Política Energética.”FONTE: reportagem de Claudio Angelo publicada na Folha de São Paulo

A Globo blefa

O que há por trás da negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nas temporadas de 2012 a 2014 é muito mais do que uma disputa de dois grupos de comunicação por público e receita. Em jogo está uma mudança de paradigma na televisão brasileira. Assim, tenho minhas dúvidas se a Rede Globo não vai mesmo participar da disputa. Quando comecei a trabalhar lá, nos anos 90 do século passado, era corrente a história de que o esporte pagava sozinho todos os salários do departamento de jornalismo. Ainda que não seja mais assim, é significativo, não só o faturamento em si, mas o esporte como estratégia para alavancar e organizar a grade de programação. A Rede Record, num lance ousado, ofereceu a possibilidade de alterar o horário da rodada de meio de semana para 20h, o que para o torcedor é o melhor dos mundos. E no horário nobre, uma revolução. Já imaginou um jogo do Flamengo, no Rio, do Corinthias, em São Paulo e de outros grandes em seus estados com transmissões regionais, ao vivo, cedo assim? Na quarta e quinta-feiras, por exemplo, das oito às dez da noite? O que faria a emissora líder? Alteraria o horário do Jornal Nacional? Faria a novela das nove começar às dez da noite? Claro que não. Mas uma emissora como a Record, por exemplo, pode fazer ajustes mais facilmente. Levar os jornais regionais, por exemplo, para a espera do jogo. E fazer o chamado "esquenta", com giros de repórteres. Consolidaria sua audiência, formaria equipes para os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo e atrapalharia significativamente a concorrência. Em vez de show de intervalo, por exemplo, um Jornal de Rede de quinze minutos de duração, com pílulas das principais notícias do dia e chamada para um telejornal completo às dez da noite, antes da novela da própria emissora? Isso, ao longo do tempo, certamente mudaria hábitos e permitiria outras alterações na programação em benefício do próprio telespectador. A regionalização também aumentaria a receita dos clubes pequenos e fomentaria um mercado de trabalho estrangulado pelo monopólio atual. Por tudo isso, não tenho dúvida, eles não largarão o osso tão facilmente. Vão sim para o tudo ou nada! Para o bem de todos, espero que percam.
DoLaDoDeLá

Quem Diz O Que Quer... Paga O Que Não Quer


Filha de Lula ganha R$ 100 mil do PIG, em indenização por danos morais
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sentença do ministro Luis Felipe Salomão, fixou em R$ 100 mil o novo valor de indenização por danos morais a ser paga pelo colunista Gilberto Luiz di Pierro, conhecido como "Giba Um", a Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Lula.A ação indenizatória refere-se a diversas notas do colunista na campanha eleitoral de 2002, depreciativas à Lurian, acusando-a de receber vantagens escusas do então prefeito da cidade de Blumenau, Décio Lima (PT/SC).Lurian e Décio Lima já havia ganho a causa em primeiro grau, mas o valor fixado era de R$ 10 mil. Lurian recorreu ao STJ, por considerar que o valor não cumpria a função punitiva ao autor da ofensa.O ministro Luis Felipe Salomão aumentou para R$ 100 mil, avaliando que aquele valor baixo para cumprir os dois objetivos deste tipo de processo: “desestímulo” e “compensação”.Amigos do Presidente Lula

Michael Moore convoca os jovens: Rebelem-se!

Juntem-se ao meu “Jornal da Escola”!
18/2/2011, Michael Moore, em sua página
Traduzido pelo coletivo da Vila Vudu
Com agradecimentos, pela dica, ao I.C.L., nômade nascido no Brasil, que nos acompanha da Itália.
Caros Estudantes:
Que inspiração, a de vocês, que se uniram aos milhares de estudantes das escolas de Wisconsin e saíram andando das salas de aula há quatro dias e agora estão ocupando o prédio do State Capitol e arredores, em Madison, exigindo que o governador pare de assaltar os professores e outros funcionários públicos (matéria em http://www.truth-out.org/watch-live-blog-wisconsin-protest-rally-madison-wisconsin67866 e foto (ótima!) em http://twitpic.com/40tax9)!
Tenho de dizer que é das coisas mais entusiasmantes que vi acontecer em anos.
Vivemos hoje um fantástico momento histórico. E aconteceu porque os jovens em todo o mundo decidiram que, para eles, basta. Os jovens estão em rebelião – e é mais que hora!
Vocês, os estudantes, os adultos jovens, do Cairo no Egito, a Madison no Wisconsin, estão começando a erguer a cabeça, tomar as ruas, organizar-se, protestar e recusar a dar um passo de volta para casa, se não forem ouvidos. Totalmente sensacional!!
O poder está tremendo de medo, os adultos maduros e velhos tão convencidos que que fizeram um baita trabalho ao calar vocês, distraí-los com quantidades enormes de bobagens até que vocês se sentissem inpotentes, mais uma engrenagem da máquina, mais um tijolo do muro. Alimentaram vocês com quantidades absurdas de propaganda sobre “como o sistema funciona” e mais tantas mentiras sobre o que aconteceu na história, que estou admirado de vocês terem derrotado tamanha quantidade de lixo e estejam afinal vendo as coisas como as coisas são.
Fizeram o que fizeram, na esperança de que vocês ficariam de bico fechado, entrariam na linha e obedeceriam ordens e não sacudiriam o bote. Que arranjariam um bom emprego. Que ficariam iguaizinhos a eles, um freak a mais. Disseram que a política partidária é limpa e que um único homem poderia fazer muita diferença.
E por alguma razão bela, desconhecida, vocês recusaram-se a ouvir. Talvez porque vocês deram-se conta que nós, os adultos maduros, lhes estamos entregando um mundo cada vez mais miserável, as calotas polares derretidas, salários de fome, guerras e cada vez mais guerras, e planos para empurrá-los para a vida, aos 18 anos, cada um de vocês já carregando a dívida astronômica do custo da formação universitária que vocês terão de pagar ou morrerão tentando pagar.
Como se não bastasse, vocês ouviram os adultos maduros dizer que vocês talvez não consigam casar legalmente com quem escolherem para casar, que o corpo de vocês não pertence a vocês, e que, se um negro chegou à Casa Branca, só pode ter sido falcatrua, porque ele é imigrado ilegal que veio do Quênia.
Sim, pelo que estou vendo, a maioria de vocês rejeitou todo esse lixo. Não esqueçam que foram vocês, os adultos jovens, que elegeram Barack Obama. Primeiro, formaram um exército de voluntários para conseguir a indicação dele como candidato. Depois, foram as urnas em números recordes, em novembro de 2008. Vocês sabem que o único grupo da população branca dos EUA no qual Obama teve maioria de votos foi o dos jovens entre 18 e 29 anos? A maioria de todos os brancos com mais de 29 anos nos EUA votaram em McCain – e Obama foi eleito, mesmo assim!
Como pode ter acontecido? Porque há mais eleitores jovens em todos os grupos étnicos – e eles foram às urnas e, contados os votos, viu-se que haviam derrotado os brancos mais velhos assustados, que simplesmente jamais admitiriam ter no Salão Oval alguém chamado Hussein. Obrigado, aos eleitores jovens dos EUA, por terem operado esse prodígio!
Os adultos jovens, em todos os cantos do mundo, principalmente no Oriente Médio, tomaram as ruas e derrubaram ditaduras. E, isso, sem disparar um único tiro. A coragem deles inspira outros. Vivemos hoje momento de imensa força, nesse instante, uma onda empurrada por adultos jovens está em marcha e não será detida.
Apesar de eu, há muito, já não ser adulto jovem, senti-me tão fortalecido pelos acontecimentos recentes no mundo, que quero também dar uma mão.
Decidi que uma parte da minha página na Internet será entregue aos estudantes de nível médio para que eles – vocês – tenham meios para falar a milhões de pessoas. Há muito tempo procuro um meio de dar voz aos adolescentes e adultos jovens, que não têm espaço na mídia-empresa. Por que a opinião dos adolescentes e adultos jovens é considerada menos válida, na mídia-empresa, que a opinião dos adultos maduros e velhos?
Nas escolas de segundo grau em todos os EUA, os alunos têm ideias de como melhorar as coisas e questionam o que veem – e todas essas vozes e pensamentos são ou silenciadas ou ignoradas. Quantas vezes, nas escolas, o corpo de alunos é absolutamente ignorado? Quantos estudantes tentam falar, levantar-se em defesa de uma ou outra ideia, tentar consertar uma coisa ou outra – e sempre acabam sendo vozes ignoradas pelos que estão no poder ou pelos outros alunos?
Muitas vezes vi, ao longo dos anos, alunos que tentam participar no processo democrático, e logo ouvem que colégios não são democracias e que alunos não têm direitos (mesmo depois de a Suprema Corte ter declarado que nenhum aluno ou aluna perde seus direitos civis “ao adentrar o prédio da escola”).
Sempre fico abismado ao ver o quanto os adultos maduros e velhos falam aos jovens sobre a grande “democracia” dos EUA. E depois, quando os estudantes querem participar daquela “democracia”, sempre aparece alguém para lembrá-los de que não são cidadãos plenos e que devem comportar-se, mais ou menos, como servos semi-incapazes. Não surpreende que tantos jovens, quando se tornam adultos maduros, não se interessem por participar do sistema político – porque foram ensinados pelo exemplo, ao longo de 12 anos da vida, que são incompetentes para emitir opiniões em todos os assuntos que os afetam.
Gostamos de dizer que há nos EUA essa grande “imprensa livre”. Mas que liberdade há para produzir jornais de escolas de segundo gráu? Quem é livre para escrever em jornal ou blog sobre o que bem entender? Muitas vezes recebo matérias escritas por adolescentes, que não puderam ser publicadas em seus jornais de escola. Por que não? Porque alguém teria direito de silenciar e de esconder as opiniões dos adolescentes e adultos jovens nos EUA?
Em outros países, é diferente. Na Áustria, no Brasil, na Nicarágua, a idade mínima para votar é 16 anos. Na França, os estudantes conseguem parar o país, simplesmente saindo das escolas e marchando pelas ruas.
Mas aqui, nos EUA, os jovens são mandados obedecer, sentar e deixar que os adultos maduros e velhos comandem o show.
Vamos mudar isso! Estou abrindo, na minha página, um “JORNAL DA ESCOLA” [orig. "HIGH SCHOOL NEWSPAPER", em http://mikeshighschoolnews.com/]. Ali, vocês podem escrever o que quiserem, e publicarei tudo. Também publicarei artigos que vocês tenham escrito e que foram rejeitados para publicação nos jornais das escolas de vocês. Na minha página vocês serão livres e haverá um fórum aberto, e quem quiser falar poderá falar para milhões.
Pedi que minha sobrinha Molly, de 17 anos, dê o pontapé inicial e cuide da página pelos primeiros seis meses. Ela vai escrever e pedirque vocês mandem suas histórias e ideias e selecionará várias para publicar em MichaelMoore.com. Ali estará a plataforma que vocês merecem. É uma honra para mim que se manifestem na minha página e espero que todos aproveitem.
Dizem que vocês são “o futuro”. O futuro é hoje, aqui mesmo, já. Vocês já provaram que podem mudar o mundo. Aguentem firmes. É uma honra poder dar uma mão.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Novos tempos para o Nordeste e seu Banco


É fato que a região Nordeste tem sido beneficiada com políticas públicas federais nos últimos oito anos. Isso se reflete no aumento do consumo, redução da miséria, crescimento industrial etc. Segundo o IBGE, a região foi a que mais ganhou participação no PIB brasileiro nesse período. Para a mudança de cenário, foi decisivo o papel do Estado, por meio de suas instituições, entre elas o Banco do Nordeste do Brasil.

Por Rita Josina Feitosa*

A instituição tem alcançado cifras recordes, consolidando-se enquanto indutora do desenvolvimento, graças às políticas nacionais e, sobretudo, ao esforço, dedicação e determinação de seus funcionários, que depositaram toda sua vontade de reconstruir o Banco, após o processo de desmonte durante o governo FHC.

Apesar do que representa para a região, os rumos do Banco ainda são incertos. Observa-se o “leilão” entre setores políticos, cada um reivindicando uma fatia do poder na região. Isto é lamentável. Esse processo gera insegurança e temor de que interesses outros prevaleçam sobre os da região.

A Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste, entidade que este ano completa 25 anos, mesmo com os avanços dos últimos anos, entende que muito mais poderia ter sido feito no Banco. Por isso defende novos caminhos para o BNB, que resultem em novas atitudes e formas de enfrentar velhos problemas.

Gestores do BNB devem ter, além de características como reputação ilibada, competência e experiência técnica, capacidade de diálogo com as diferentes forças da região e respeito ao contraditório, peculiar da relação capital/trabalho, bem como da diversidade de pensamento. Devem adotar uma gestão transparente, ética e democrática, com respeito às pessoas e à dignidade do trabalho e não compactuar com atos ainda presentes no dia a dia do Banco, como assédio moral e nepotismo em terceirizações.

Além disso, que tenha autonomia para buscar interlocução junto aos órgãos do governo no sentido de solucionar antigos problemas institucionais de interesse do Banco, como aumento do número de agências, mais fontes de recursos e aumento do capital social,bem como relacionados aos direitos dos trabalhadores da instituição.

*presidente da AFBNB

Cuidado, jornalista: criticar pode dar cadeia

Blogueiro no Rio Grande do Norte sofre três condenações a prisão, por críticas a prefeita, numa história que é uma aula de Brasil

!!!!!!!!!!!!!

Pra entrar no clima, só abrindo com pontos de exclamação. Treze, pra afastar assombração. O velho Aurélio aqui ao lado, deliciosamente jurássico em suas amareladas páginas de papel, esclarece:

exclamação. Ato de exclamar; voz, grito ou brado de prazer, alegria, raiva, tristeza, dor”
Tirando o prazer e a alegria, tudo a ver. Vontade de gritar. De tristeza, dor, raiva e, principalmente, de espanto. A história é uma aula de Brasil.

Você acha que é ofensa alguém dizer de uma autoridade pública, eleita pelo voto, que ela “paga o preço por seu despreparo”? Ou que anda “empazinada de ansiolíticos e com vida em boa parte reclusa”? E se, sem citar nomes, o sujeito fala que o “sumo pontífice e sacerdotisa da Seita Songamonguista do Reino Azul-turquesa” devem “ajustar seus rituais”? Ofensa?

A juíza Welma Maria Ferreira de Menezes, do Juizado Especial Criminal de Mossoró (Rio Grande do Norte), entendeu que as três afirmações eram ofensivas, sim. E, por causa delas, condenou a cadeia, em três processos diferentes, o blogueiro Carlos Santos, 47 anos de idade e 26 de atuação profissional como jornalista. As punições foram iguais: um mês e dez dias de detenção, em cada uma das ações penais, com permissão para cumprir a pena fazendo doações (no valor de R$ 2.040,00 por processo) a entidades filantrópicas.

Sentença 1 - "Empazinada de ansiolíticos e com vida em boa parte reclusa"
Sentença 2 - "A 'prefeita de direito' paga o preço por seu despreparo"

Sentença 3 - "Sumo pontífice e sacerdotisa da Seita Songamonguista do Reino Azul-turqueza, ajustem seus rituais"

Mossoró é o Brasil

Com cerca de 250 mil habitantes e uma das mais prósperas cidades do Nordeste, Mossoró é o segundo município do estado – só perde para Natal – em população e força econômica. Esta, derivada em especial do petróleo, da extração de sal, da produção de frutas, do comércio e do turismo. Uma cidade situada a meia distância (entre 260 e 270 km) da capital potiguar e de Fortaleza e que se orgulha de ter importantes edificações históricas e uma indústria de comunicação expressiva: quatro jornais locais, dez emissoras de rádio e duas de TV aberta. Uma cidade que... vai que é tua, Brasil... é administrada há 63 anos pela mesma família. Desde 1948, portanto. A família Rosado, a mesma da prefeita Fátima Rosado (DEM) e do seu irmão e chefe de gabinete, Gustavo Rosado (PV). E também da deputada federal Sandra Rosado (PSB), que lidera a oposição a Fátima. E, ainda, da governadora e ex-senadora Rosalba Ciarlini (DEM), que se elegeu prefeita em 2000 disputando contra a Fátima, mas a ela se aliou nas duas eleições seguintes (2004 e 2008), e a quem Carlos Santos exime de responsabilidade em relação ao calvário que enfrenta.

O chefe de gabinete, Fátima e seu marido, o médico e deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), elegeram Carlos Santos como alvo de nove interpelações e 27 ações judiciais (cíveis e criminais). Uma foi arquivada, as outras 26 estão em andamento. Somente no dia 23 de abril do ano passado o trio deu entrada em 11 processos contra o jornalista blogueiro. Que é um fenômeno da internet local. Embora precária, quase heroicamente, Carlos consegue sobreviver com a publicidade que seu blog amealha. E o faz por causa da boa audiência, superior à de qualquer portal mantido na internet pelos tradicionais grupos de comunicação de Mossoró.

Seu sucesso lhe custa caro. Além dos processos judiciais, foi uma das principais vítimas de uma página apócrifa criada na internet, e retirada do ar pela Justiça em razão do sem-número de leviandades desferidas contra diversas personalidades da cidade. Ao contrário dos responsáveis pela tal página, ainda anônimos e impunes, Carlos Santos dá a cara a tapa. Assina o que escreve, tem endereço conhecido e longa trajetória na imprensa do município. “Tenho relações respeitosas com praticamente todos os políticos importantes do estado, meu problema é com o Gustavo e a Fátima”, resume.

Ivanaldo Fernandes, gerente de comunicação social da Prefeitura de Mossoró, diz que a prefeita Fátima Rosado não teve outra alternativa: “O Carlos Santos tem um blog que é muito acessado, ele é muito capaz, escreve muito bem, mas passou do limite. A crítica a prefeita aceita. Mas o achincalhe, não. Por isso, ela recorreu à Justiça, que é o instrumento disponível para resolver essas questões numa democracia”.

Realmente, o jornalista blogueiro às vezes pega pesado. É, no mínimo, de gosto duvidoso, uma afirmação sua sobre a prefeita, cuja incompetência ele não cansa de apontar. Carlos chegou a decretar que Fátima Rosado “não tem condições de gerenciar um fogão Jacaré, modelo camping de duas bocas, num piquenique escolar”. Mas, de mau gosto ou não, ele não tem o direito de manifestar sua opinião? Ou de dizer, como disse, que Leonardo, o marido da prefeita, tem um “olhar bovino”? São motivos fortes o bastante para meter alguém no xilindró? Ah, sim. Deixemos por um instante as indagações conceituais, sobre o antigo dilema dos limites de liberdade de informação e direito à privacidade, para esclarecer a história do sumo pontífice.

Na nota publicada no blog, Carlos Santos escreveu: “Alunos da Faculdade Mater Christi (Mossoró) solicitam, fervorosamente, que o sumo pontífice e a sacerdotisa que comanda a Seita Songomonguista do Reino Azul-turquesa ajustem seus rituais”. A mensagem cifrada fazia referência aos ruidosos encontros que Fátima (a sacerdotisa) e Leonardo (o sumo pontífice) fizeram em sua residência durante a campanha eleitoral do ano passado, na qual ele se reelegeu deputado estadual. “A casa da prefeita fica ao lado da faculdade, e o barulho que eles estavam fazendo, nessas reuniões, estava atrapalhando as aulas. Eram encontros para motivar as pessoas que iam às ruas pedir votos. Então eles gritavam, batiam palmas, e sempre terminava com foguetório”.

Marcos Araújo, advogado de Carlos Santos, entrará com recurso contra todas as condenações (duas delas sequer haviam sido publicadas oficialmente até ontem) e pedirá um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em favor do seu cliente, que ele defende de graça. Marcos fala que, além do inconformismo contra “a perseguição que o Carlos sofre”, tem interesse acadêmico pelo assunto. Seu mestrado em Direito Constitucional tratou exatamente do conflito entre o interesse da sociedade em informar e ser informada e os eventuais danos à imagem de pessoas.

Um dos aspectos que mais lhe incomodam é verificar como alguns veículos de Mossoró se associam à campanha contra Carlos Santos. “A cada ação que era formalizada contra ele”, conta o advogado, “o jornal dava destaque. O Carlos é um rapaz sério, que atira em todos os grupos. Ele é muito independente, e os independentes são problemáticos. Ele chegou a ter um jornal com um sócio. Como o jornal começou a se aproximar da prefeita, ele virou blogueiro. O uso da mídia na política é muito grande, e no Nordeste é maior ainda. Não tem um grupo de comunicação que não seja de um grupo político. E o Carlos acabou conquistando muita audiência por ser a única voz crítica à administração municipal”.

De acordo com o advogado, um dos processos surgiu porque Carlos relatou que a prefeita havia sido vaiada em um evento: “O problema é que, como é contra a prefeita, ninguém se dispôs a atestar. Ele é processado por expressar sua opinião. Por dizer que a prefeita é incompetente. Que ela é a prefeita de direito e quem é mesmo o prefeito é o irmão, e é um fato. A cidade toda sabe disso. Ele é o chefe de gabinete, mas é ele que vai a Brasília, que recebe o governador em exercício, reúne o secretariado. Juntei várias notícias de jornais mostrando isso, mas a juíza não aceitou”.

O Brasil é Mossoró

Juridicamente, enfatiza o advogado Marcos Araújo, Mossoró está na contramão da jurisprudência do STF. “Conforme voto do ministro Celso de Mello, incorporado ao acórdão do julgamento que derrubou a Lei de Imprensa, o agente público está sujeito a crítica. Havendo excesso nessa crítica, cabe no máximo a conversão da ofensa em indenização, jamais uma ação penal”. Pior: no caso em questão, o Ministério Público Estadual avalizou as ações criminais propostas por Gustavo/Fátima/Leonardo.

Há sinais, porém, de que, politicamente, Mossoró é um retrato do que rola no Brasil hoje. Desde 13 de novembro de 2009 os blogueiros Enock Cavalcanti e Adriana Vanhoni estão proibidos de emitir opinião sobre as mais de 140 ações em andamento na Justiça contra o presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Riva (PP). O jornal O Estado de S. Paulo é proibido desde 31 de julho de 2009 de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica (veja aqui a íntegra do inquérito), que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Generaliza-se o hábito de políticos usarem a Justiça como instrumento para intimidar jornalistas e blogueiros, constrangendo assim a liberdade de informação assegurada na Constituição. A coisa bagunçou de tal modo que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se sente à vontade para adotar uma curiosa estratégia. Patrono de indicações para Furnas Centrais Elétricas que se converteram em fatos no mínimo estranhos, ele se recusa a dar entrevistas ao jornal O Globo, que levantou a lebre, furtando-se à obrigação básica de todo representante eleito de contribuir para esclarecer assuntos de interesse público. “Procuramos o deputado antes de publicar todas as matérias que fizemos. No começo, ele chegou a responder por e-mail, através da assessoria. Depois, nem isso”, conta Chico Otávio, repórter responsável pela cobertura. Curiosamente, o mesmo Eduardo Cunha que preferiu não se manifestar sapecou lá no Twitter, no último dia 4: “Incrivel tambem uma materia so com a versao do ataque.Vai fundo Chico Otavio e prepara o bolso.Vai trabalhar a vida toda para pagar a conta”.


* Jornalista, criou e dirige o site Congresso em Foco.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NOVA DENÚNCIA DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO TUCANOS, DEMOs, ALSTOM E SIEMENS


VÍDEO: "JORNAL DA RECORD" DENUNCIA ESCÂNDALO ENVOLVENDO TUCANOS, [DEMOs],ALSTOM E SIEMENS:


TESTEMUNHA BOMBA: COMO ALSTOM E SIEMENS SUBORNARAM TUCANOS DE SP

Por Paulo Henrique Amorim

Saiu no portal R7:

TESTEMUNHA DESVENDA ESQUEMA DE PROPINA DO METRÔ DE SP E DF [Arruda-DEM] (Em SP, na transição do Governo Covas para o Governo Alckmin)

DINHEIRO DE “CAIXINHA” VINHA POR MEIO DE DUAS OFFSHORES DO URUGUAI, SEGUNDO DOCUMENTOS

Por Gilberto Nascimento, do R7

Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens.

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil.

Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo.

Contatada pelo R7, a testemunha –que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias– dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

F. relata esquemas supostamente arquitetados para a obtenção de contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; para a entrega e a manutenção dos trens série 3000 (também conhecidos como trem alemão) para o governo paulista, além da conservação do metrô do Distrito Federal.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) encaminhará ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias uma representação pedindo a investigação das denúncias feitas por F..

SOB INVESTIGAÇÃO NA EUROPA

A francesa Alstom e a alemã Siemens foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.

Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina a autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.

Já a propina paga pela Alstom em diversos países –incluindo o Brasil-, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com os cálculos da Justiça suíça. No Brasil, a empresa foi acusada, por exemplo, de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo.

A francesa Alstom fabrica turbinas elétricas, trens de alta velocidade e vagões de metrô. Maior empresa de engenharia da Europa, a alemã Siemens faz desde lâmpadas até trens-bala. As duas companhias são concorrentes, mas em determinados momentos na disputa tornavam-se aliadas, conforme a testemunha.

PARA TRAZER O DINHEIRO AO BRASIL

O esquema para mandar dinheiro ao Brasil via offshore, revela F., conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. F. mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores. Segundo ele, esses contratos comprovam o envolvimento da empresa alemã no esquema.

As offshores também teriam sido utilizadas, diz a testemunha, em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).

Há dois anos, parte dos documentos em poder de F. foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7.

O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”.

DOCUMENTAÇÃO

Uma documentação bem mais ampla –só agora exibida ao R7– foi enviada por F., em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners, da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

Por que a Siemens não investigou as denúncias encaminhadas e por que a companhia no Brasil foi poupada nas investigações? Não foi por falta de informação, pois a carta mencionada revelava todos os nomes e detalhes e incluía provas dos esquemas de corrupção, avalia F.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”.

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”. A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”. Veja a íntegra da nota:

O Metrô-DF desconhece as supostas irregularidades apontadas anonimamente pela reportagem do Portal R7 e, ressalta que:

- O processo de licitação para a manutenção do Metrô-DF (transcorrido em gestão anterior), seguiu a modalidade de licitação de concorrência pública tipo técnica e preço, sendo que no primeiro aspecto as duas empresas finalistas receberam a pontuação máxima;

- No quesito preço, o consórcio Metroman apresentou a melhor proposta (menor preço), vencendo então a licitação;

- A licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

- O consórcio Metroman vem atendendo satisfatoriamente todas as demandas de manutenção apresentadas pelo Metrô-DF.

Coordenação de Comunicação do Metrô-DF


FONTE: portal “Conversa Afiada”

PETROBRAS ANUNCIA MAIS UMA DESCOBERTA NO PRÉ-SAL DA BACIA DE SANTOS

POÇO “MACUNAÍMA” [1-RJS -617D (Parati)]

“A Petrobras comunica a descoberta de nova acumulação de petróleo de boa qualidade (26º API) nos reservatórios do pré-sal da Bacia de Santos, com a perfuração do poço 4-BRSA-818 (4-RJS-668).

Informalmente denominado Macunaíma, o poço está localizado em águas onde a profundidade é de 2134 metros, na área de avaliação do poço pioneiro 1-RJS -617D (Parati) e a 244 km da costa do Estado do Rio de Janeiro.

A descoberta foi comprovada por meio de amostragem de petróleo em teste nos reservatórios localizados em profundidade de cerca de 5.680 metros.

A Petrobras é a operadora do consórcio para exploração do bloco BM-S-10 (65%), formado ainda pelas empresas BG Group (25%) e Partex Brasil (10%).

O consórcio dará continuidade às atividades e investimentos necessários para a avaliação das jazidas descobertas nessa área, conforme Plano de Avaliação aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), cuja conclusão está prevista para abril de 2012.”

FONTE: blog “Fatos e Dados”

DESCONSTRUINDO LULA: A NOVILÍNGUA


DIZ QUE BOM É RUIM. O QUE INCOMODA?

Financiamento imobiliário bate recorde em 2010. Vendas no varejo têm a maior alta em nove anos. Geração de emprego bate recorde em 2010: 2,5 milhões de vagas formais. População ocupada atinge 22 milhões de pessoas em 2010, maior patamar desde 2002; total de desempregados --1,6 milhão de pessoas-- é o menor da série. Produção industrial cresce 10,5% em 2010: a maior expansão desde 1986.

Como diz o insuspeito Delfim Netto, "Não importa qual seja nossa orientação ideológica ou nossa pretensão científica sobre a melhor receita para a boa governança econômica, é impossível deixar de reconhecer que quase 90% de aprovação popular (num regime de plena liberdade de expressão, mídia alerta e, felizmente, inquisidora) tem pouca probabilidade de ser um acidente..."

FONTE: 1ª página do site “Carta Maior”

Bancos financiaram mais 1 milhão de imóveis em 2010

O financiamento imobiliário do país atingiu em 2010 uma marca histórica. Pela primeira vez, os bancos financiaram a aquisição e a construção de mais de 1 milhão de imóveis em um único ano. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), 1,052 milhão de moradias foram financiadas durante todo o ano passado.

O número engloba os financiamentos com recursos da caderneta de poupança e, também, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O resultado representa um crescimento de 57% ante a quantidade de imóveis financiados pelos bancos em 2009 (670 mil unidades).

Só com o dinheiro do FGTS, foi financiada a compra ou construção de 631 mil imóveis em 2010. O crescimento dessa linha de crédito imobiliário foi de 72% sobre o resultado de 2009, impulsionado, principalmente, pelo programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. Com recursos da poupança foram financiados 421 mil imóveis, um crescimento de 39%.

Em valores, o montante aplicado em financiamentos em 2010 foi 67% maior do que o total investido em 2009. Passou de R$ 49,7 bilhões para R$ 83,7 bilhões, outro recorde do setor.

Para o presidente da Abecip, Luiz Antonio França, o crescimento da economia, o aumento da renda dos trabalhadores e a queda do desemprego em 2010 foram os grandes responsáveis pelos bons resultados. França espera que, em 2011, a economia continue evoluindo e os financiamentos superem os recordes alcançados.

Só os recursos da poupança aplicados em financiamentos pelos bancos devem crescer 51% em 2011 e atingir R$ 85 bilhões, segundo ele. Já o número de unidades financiadas deve aumentar 28% no ano que vem, atingindo a marca de 540 mil, com base nas estimativas da Abecip.

Fonte: Agência Brasil

Tucanos não conseguem impedir banda larga

Os tucanos não podem ver pobre feliz


O Conversa Afiada reproduz post do blog do Nassif:

TCU derruba investida tucana para barrar PNBL

Por Wilian Miron, da Agência Dinheiro Vivo

com agências


O Tribunal de Contas da união (TCU) julgou improcedente a investida do PSDB para barrar o projeto de universalização da banda larga, uma das prioridades do Governo Federal para este ano.


Ano passado, durante a disputa presidencial, o deputado tucano Arnaldo Faria de Sá entrou com representação contra possíveis irregularidades na contratação de produtos e serviços, feita pela Telebrás, para atender ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).


Entre as alegações do autor estaria um possível desrespeito ao Regulamento Conjunto para Compartilhamento de Infraestrutura entre os Setores de Energia Elétrica, Telecomunicações e Petróleo. Aprovado pela Resolução Conjunta nº 01/1999, da Anatel, Aneel e ANP, este regulamento exige publicidade prévia das empresas detentoras da infraestrutura, aos demais interessados para disponibilizá-la a um determinado agente.


Com base nisto, o Sá pediu a suspensão dos pregões realizados pela Telebrás e a suspensão da cessão, por parte da Eletrobras e da Petrobras, da infraestrutura de cabos e fibras ópticas à Telebrás.


Acordo


Enquanto a oposição tenta barrar o projeto de universalização da internet, o presidente da Telebrás, Rogério Santana, negocia com o Governador do Rio Grande do Sul, Tarson Genro, o compartilhamento das redes de fibras óticas da Companhia de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEE). “A intenção é buscar sinergias que podem interligar a rede de cabos com a infraestrutura de países vizinhos”, comentou uma fonte próxima à discussão.

Gilmar tenta manter Abdelmassih livre, mas perde

O beneficiado e o benfeitor

Saiu na Folha online:

STF nega habeas corpus ao médico Roger Abdelmassih


O pedido perdeu por 3 a 2 com votos de Ellen Gracie, Joaquim Barbosa e Ayres Britto contra Gilmar e Celso de Mello.

Como se sabe, o dr. Abdelmassih foi condenado a 278 anos por crimes sexuais de variados tipos cometidos contra pacientes anestesiadas e só está solto por deferência especial de um habeas corpus concedido por Gilmar Dantas (*).

Como se sabe, beneficiado por esse habeas corpus, Abdelmassih escafedeu-se.

E a polícia de São Paulo, sempre competente, não consegue encontrá-lo.

Clique aqui para ler: “Juíza Kenarik 10 x 0 Gilmar Mendes”.

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Documentário sobre as relações da TV Globo com a ditadura e golpes será exibido na Record


Clássico das videotecas nas faculdades de jornalismo e hit no Youtube, o polêmico documentário "Além do cidadão Kane" (de 1993) será exibido pela primeira vez na TV aberta brasilera em 2011, pela Rede Record, 17 anos após sua estreia no exterior.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da emissora, que não quis precisar a data exata da veiculação. Comprado em 2009, o documentário ainda não foi exibido porque a Record temia ser processada pelo uso de imagens da programação da Globo presentes no filme.

O documentário aborda o envolvimento da Globo:

- com a ditadura no Brasil, desde o início com o grupo Time-Life;
- no escândalo PROCONSULT (fraude na eleição de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro em 1982);
- a perseguição à políticos e artistas críticos à ditadura e à própria Globo;
- a tentativa de abafar os comícios das "Diretas jà";
- a edição manipulada do debate de Lula e Collor em 1989, favorecendo o Collor;
- várias outras manipulações para agradar os amigos que estavam no poder e demonizar os adversários, tanto políticos como dos interesses empresariais;
- etc;

Tem depoimentos de Lula (antes de chegar a presidência), Leonel Brizola, Chico Buarque, etc.

Onde assistir na internet:

Google Vídeo (copia em parte única de 93 minutos): http://goo.gl/54jN

You tube (dividido em 4 partes):
Parte 1: http://goo.gl/lZU0u
Parte 2: http://goo.gl/hmEkJ
Parte 3: http://goo.gl/2exwf
Parte 4: http://goo.gl/GxIsX

(Com informações do Jornal do Brasil)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SP gasta mais que governo federal com cartão corporativo

O cartão de pagamentos do governo paulista fechou a fatura do ano passado em R$ 32,8 milhões, menor valor desde 2002. Nos últimos dez anos, no entanto, os gastos com o cartão já atingiram R$ 609 milhões em São Paulo. O valor é 70% superior ao registrado pelo Executivo federal no mesmo período – R$ 357,6 milhões.

Em geral, o cartão do governo de São Paulo - que há 16 anos é gerido pelos tucanos - é usado para cobrir gastos “decorrentes de despesa extraordinária e urgente, cuja realização não permita delongas”.

Dos 25 órgãos estaduais que fizeram uso do cartão de pagamentos no ano passado, 23 registraram redução de gastos na comparação com 2009. Apenas a Assembleia Legislativa, que passou de R$ 129,5 mil para R$ 144,2 mil, e a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, com acréscimo de 170%, registraram aumento nas despesas.

No ano passado, quem liderou o ranking foi a Secretária de Saúde do estado, que desembolsou o total de R$ 12,3 milhões. O valor é quase três vezes o que o Ministério da Saúde e unidades vinculadas, por exemplo, utilizaram com o cartão corporativo do governo federal no mesmo ano. Em segundo lugar aparece a Secretaria de Segurança Pública, com quase R$ 10 milhões desembolsados no período. Clique aqui para ver o quadro por órgão.

A regulamentação estadual prevê 39 tipos diferentes de classificação de despesas. Pelo menos nos últimos dois anos, no entanto, 25% das despesas se concentraram em apenas duas rubricas: “outros materiais de consumo” e “despesas miúdas e de pronto pagamento”.

Nesta última, estão incluídos gastos com selos postais, telegramas, material e serviços de limpeza e higiene, lavagem de roupa, café e lanches, por exemplo. Nela também podem ser adicionadas despesas com encadernações, artigos farmacêuticos ou de laboratório para uso ou consumo próximo ou imediato, além de qualquer outra conta de pequeno vulto, desde que devidamente justificada.

A “manutenção de viaturas pelo regime de adiantamento”, que consiste na entrega do valor ao servidor sem a necessidade do processo normal de aplicação, também aparece entre as descrições mais utilizadas pelos portadores do cartão. Entre 2009 e 2010, cerca de R$ 10,5 milhões foram gastos com esta finalidade. Para suprimentos, manutenção e serviços de informática, quase R$ 8,6 milhões foram utilizados na temporada (veja a tabela).

A partir de 2008, memso ano em que surgiram as denúncias sobre gastos irregulares no uso de cartões corporativosas no âmbito federal, as despesas paulistas com o cartão despencaram. Naquele ano, o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), determinou a suspensão dos saques com os cartões de pagamento do governo, o que reduziu as despesas em 70%, se comparados os gastos de 2010 com os de 2007, quando foram desembolsados mais de R$ 100 milhões.

Nesse período, explica a assessoria da Secretaria de Fazenda, embasado em dispositivo legal, a opção de saque, pagamento de diárias e ajuda de custo era realizada por meio do cartão de pagamento de despesas. “Por decisão governamental, o saque não foi mais permitido e as despesas com diárias e ajuda de custo passaram a ser realizadas pelo processo normal de aplicação, sempre precedido de empenho em dotação própria, medidas essas que contribuíram com a redução dos gastos realizados pelo regime de adiantamento”, afirma.

Atualmente existem 4.454 cartões de pagamento de despesa distribuídos pelo governo paulista, quantidade que representa apenas 10% da quantidade registrada em 2007.

Os dados citados na matéria foram extraídos do portal de transparência do governo estadual, o “Prestando Contas”. Ao contrário do governo federal, no entanto, pelo site, não é possível conhecer os portadores dos cartões, nem sequer o valor acumulado por secretaria. Para isso, foi preciso tabular manualmente os dados. De acordo com a equipe da Sefaz, a atual formatação do portal foi proposta para “facilitar a usabilidade na consulta, mesmo por leigos, evitando várias aberturas de páginas”.

Com Contas Abertas

HÁ "LEI DO SILÊNCIO" NA MÍDIA PARA PROTEGER O EXTREMA-DIREITA BERLUSCONI ?

por Caio Octavio, de Roma

“Um milhão de pessoas foi às ruas da Itália domingo, 13 de fevereiro, pedindo a renúncia de Berlusconi, o primeiro-ministro da Itália, por suas ligações com a máfia, pela comprovada compra de juízes, deputados e senadores, por sua degenerada vida de orgias e de ofensas às mulheres italianas.

A pergunta é: porque os portais do Estadão, da Folha e de O Globo não têm chamadas na capa sobre essas megamanifestações que ocorreram simultaneamente nas 300 maiores cidades italianas?

Seria um acordo de silêncio, um tipo de “Omertá” da mídia ?

Por que a notícia de que havia 2 mil manifestantes em Argel sábado, pedindo democracia, ocupou a primeira página do Estadão, mas um milhão de italianos contra Berlusconi “não é notícia”?

Apenas por que Berlusconi é de extrema-direita não podemos ficar sabendo que o povo italiano está farto de sua corrupção e devassidão?

Por que a mídia brasileira protege Berlusconi?

Por que ele é antiLula?

Ou por que ele é um renomado racista, xenófobo e fascista e nossa imprensa simpatiza secretamente com essas ideias?

Existirá então uma “Lei do Silêncio”, um tipo de "Omertá", que protege não só Berlusconi, mas todos os políticos [de direita] apoiados mundo a fora [inclusive no Brasil] pelos veículos privados de comunicação?

Faça a sua parte para combater o bloqueio da mídia brasileira.

Pesquise no Google sobre as manifestações contra Berlusconi na Itália e mande links para os seus amigos.

Bem informadas, as pessoas podem fazer o mundo mudar. Faça a sua parte.

Ou você prefere esperar que Estadão, Globo e Folha o façam?”

FONTE: escrito por Caio Octavio, de Roma, e publicado no portal “Viomundo”

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Brasil de Fato: América Latina se une para enfrentar o império

Nas últimas semanas, ocorreram dois fatos importantes relacionados com a luta de classes na América Latina. De um lado, o presidente dos EUA, Barack Obama, reassume agora o papel também de presidente do império num contundente discurso no Congresso estadunidense. E, de outro lado, celebrou-se no dia 2 de fevereiro, doze anos da tomada de posse do governo Hugo Chávez, na Venezuela, e com ele os novos ventos que soprariam, na década, alterando a correlação de forças no continente.

Em quase todos os países da América Latina, e também aqui no Brasil, houve celebrações, atos políticos e manifestações nas representações diplomáticas da Venezuela, comemorando os doze anos do fi m do neoliberalismo naquele país com a vitória eleitoral de Hugo Chávez e a derrota do governo repressor de Andrés Carlos Perez. A vitória do desconhecido coronel da reserva Hugo Chávez não foi uma vitória pessoal ou fruto de marqueteiros de aluguel. Sua conquista foi o coroamento de diversas lutas sociais na Venezuela a partir do caracazo, em que a população se levantou contra o neoliberalismo e pagou o preço de milhares de mortos, número até hoje desconhecido. Em outros países da América Latina, como aqui no Brasil, pipocaram centenas de lutas localizadas, algumas mais massivas e outras mais radicais, que vai desde as manifestações de Seatlle, o levantamento Zapatista, as realizações dos Fóruns Sociais Mundiais, às revoltas contra a privatização da água, energia elétrica etc. em quase todos países de nosso continente.

O resultado deste processo de resistência ao neoliberalismo se transformou em vitórias eleitorais, em que foram eleitos diversos governos antineoliberais e anti-imperialistas.

Chávez representa essa virada. A partir de sua vitória eleitoral e do processo que se iniciou na Venezuela, como a chamada revolução bolivariana, o povo daquele país passou a mobilizar-se permanentemente por um novo modelo de desenvolvimento, que resolva de fato seus problemas. E tivemos também mudanças signifi cativas em quase todos os países da América Latina.

O império estadunidense levou um susto e teve que recuar. Sofreu uma derrota política estratégica ao não conseguir impor o projeto da Alca, que submeteria nossas economias a seus interesses. Outras pequenas vitórias de nossos povos se seguiram.

Depois veio a crise do sistema capitalista, a partir de 2008, que abalou as bases da economia dos EUA. E, como consequência dessa crise, a vitória eleitoral de Obama, um político democrata, de origem afrodescente e com vínculos em lutas sociais de Chicago, que conseguiu derrotar a candidata do sistema Hilary Clinton.

Sua eleição despertou curiosidade e esperança entre os pobres dos EUA e entre as forças progressistas do continente.

Mas o tempo passou e as forças do capital foram retomando sua verdadeira cara. Na política externa, comandada pela derrotada Hilary Clinton, nenhuma mudança. Ao contrário: mais soldados no Afeganistão, no Haiti (apesar do terremoto), mais provocações em todo mundo a partir de suas basesmilitares.

Passada a expectativa, finalmente o presidente Obama retoma seu verdadeiro papel de coordenador político dos interesses econômicos do império e suas empresas.

Num discurso contundente, virulento e imperialista, no Congresso estadunidense, reafi rma perante a imprensa de todo mundo e seu povo a vontade política de recuperar os interesses do império estadunidense e de impor, a qualquer custo, seus interesses frente aos demais povos. Todo mundo deve seguir trabalhando, usando o dólar, para manter a melhoria e o bem-estar apenas dos que vivem nos EUA. As empresas dos Estados Unidos devem reassumir o controle dos mercados e a primazia sobre as demais empresas. O dólar deve continuar regendo os destinos do mundo. Eles usam a maquininha de pintar papel de dinheiro, e os povos do mundo se obrigam a curvar-se para pagar a conta.

Triste papel esse. Agora assumido formalmente.

E as consequências já começam a serem sentidas na tentativa de salvar o regime corrupto e ditatorial de Mubarak no Egito. Assim como tiveram a petulância de enviar o secretario do tesouro para pressionar a presidenta Dilma a fim de que se afaste da China, para que não tenha política externa independente e volte aos braços dos interesses estadunidenses.

Certamente, teremos ainda duros anos de luta pela frente. Pois o império começa a retomar a ofensiva, depois das derrotas sofridas com a ascensão de Chávez.

Felizmente a América Latina trata de unir-se cada vez mais para enfrentar o império. Já está marcada para a primeira semana de julho de 2011 a fundação, em Caracas, da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), que vai sepultar a OEA e reunir todos os países do continente com exceção dos EUA e Canadá. A Celac será um importantíssimo instrumento para enfrentar a sanha imperial de recolonizar o continente.

Fonte: Brasil de Fato

A coragem de Dilma


Em seu primeiro pronunciamento em rede nacional, na última 5a feira, Dilma prometeu, ou melhor – vou ser otimista – decretou quase tudo que se espera dela. Há quem tenha enxergado apenas mais uma peça publicitária bem acabada como sempre foram as do PT. Foi muito mais do que isso. Dilma não tinha obrigação nem motivos eleitoreiros para usar 5 minutos do horário nobre da Globo. Usou porque tinha o que dizer.


Só para começar, a presidenta carimbou no logotipo de seu governo a principal promessa de campanha: concluir a metamorfose socioeconômica e a erradicação da miséria iniciadas com Lula. Nos próximos 4 ( ou 8 ) anos, o logotipo será visto e usado em todo o território nacional. E mais ainda: a marca do seu governo será vista no mundo inteiro. Só isso já mostra muita coragem e determinação. Vestir publicamente este compromisso, associar-se a este slogan de forma tão explícita, não é para um Zé-Bolinha-de-Papel qualquer.


O segundo item da fala de Dilma, sobre investir pesado em educação, é ponto pacífico para todos: seus 56, os 44 do Serra e o restante dos 190 milhões de brasileiros. Para sermos exatos na conta, vamos subtrair uma dúzia de donos de jornais, rádios e TVs que prefeririam manter a boiada engordando em seus pastos midiáticos manipuladores. Prometeu mais escolas, melhores salários para os professores e mais creches, para que as novas gerações de brasileiros recebam o ensino de qualidade que merecem. Técnica que é, Dilma não vai dar ponto sem nó. Vai atropelar o esquema – pai dos burros – de progressão continuada que não passa de um mecanismo de enrolação típico de governantes que “enxugam” suas obrigações e ainda tratam professor como marginal e pedinte.


Quem pode discordar, torcer contra ou sabotar um projeto destes?


Sem a inspiração golpista de outrora, os derrotados blogueiros da Veja, Falha e Estadão encontraram no Pronatec anunciado por Dilma, “plágio das idéias do ex-mais-preparado”. Por que se fazem de tontos? Porque o argumento cola nas cabeças de seus leitores menos miolados. Em 1998, no embalo do nefasto festival de privatarias e ecoando do fundo do buraco moral, econômico e político de seu governo, FHC e Serra desfizeram-se de mais uma obrigação gerencial: extinguiram os cursos técnicos profissionalizantes sob sua responsabilidade através do Decreto lei 9649. Transferiram a tarefa para os estados e municípios, que por sua vez, jogaram todos os alunos aos leões da iniciativa privada. Em 2004, Lula derrubou o decreto da duplinha tucana e, ao longo de seu governo, somou 214 novas escolas técnicas e matriculou 500 mil alunos. (Lembrando que o Brasil criou apenas 140 escolas técnicas durante todo o século 20!). Portanto, foi justamente Serra – sabidamente nulo em idéias próprias e embusteiro impune em seus 30 anos de vida pública – que, mais uma vez, furtou realizações alheias e apresentou-as em sua campanha. Assim como os Genéricos, Programa da AIDS, o FAT… E o PT nem perdeu tempo em acusá-lo de plágio.


Dilma ainda repercutiu o PNBL – Plano Nacional de Banda Larga – que viabilizará inclusão digital de norte a sul do país a TODOS os brasileiros. A princípio, pode não afetar radicalmente a audiência da Globo. Mas o fiel Homer Simpson e sua “Amélia”, não evitarão que seus filhos joguem a Globo no lixo e optem pela Internet e suas múltiplas possibilidades. Trocando em miúdos: a audiência daquelas porcarias da grade de programação da Globo vai morrer junto com seus expectadores. Os jornais virarão tablóides e continuarão definhando. Não haverá renovação no PIG. Nem de público nem de conteúdo. Ou alguém acha que o recém incluído digital (principalmente o jovem) vai se interessar pela droga da novela alienante que repete a mesma história há 30 anos? Outras opções na telinha? Quais? BBB? Faustão? Galvão? Gugu? Silvio Santos? Datena? Ah… vão se catar! Só a TV Brasil se salva…


Não é preciso muito esforço para acreditar que, mais que promessas, as projeções de Dilma em seu primeiro pronunciamento serão realidade antes do fim de seu mandato: ao contrário de Lula, a presidenta recebeu um país que é o sonho de qualquer recém eleito. Economia bombando, desemprego em queda, reservas batendo em US$ 300 bi, obras de infra-estrutura integrando e beneficiando Norte e Nordeste com o Sul… Sem falar da Copa do Mundo e das Olimpíadas – que vão injetar uma chuva de dólares em nossa economia. Além de gerarem milhares de empregos.



Só faltou uma coisa no pronunciamento de Dilma: falar sobre o marco regulatório das comunicações – que é obrigatório em todos os países democráticos e desenvolvidos. Talvez ela tenha deixado essa questão em banho-maria. Talvez espere receber mais pressão da sociedade para, enfim, “atender-nos”.