sábado, 11 de janeiro de 2014

Como a Globo manipula gente simples para defender sua visão predadora de impostos

O JN falando da carga fiscal é de um cinismo impressionante.


A quem a Globos e amigos do Millenium enganam?
Uma reportagem do Jornal Nacional que está no canal do Millenium no YouTube é um clássico, desde já, do cinismo jornalístico.
O tema é impostos.
Brasileiros simples são usados pela Globo para provar uma mentira: que os impostos no Brasil são elevados.
Comparativamente, observada a carga tributária de outros países, não são. Estamos – lamentavelmente – mais para o México, nisto, do que para a Escandinávia.
Na Escandinávia, a carga tributária é de cerca de 50% do PIB. No Brasil, gira em torno de 35%. No México, o número é pouco acima de 20%. Queremos ser o que, Escandinávia ou México?
A verdadeira tragédia fiscal, no Brasil, é que grandes empresas como a Globo simplesmente levaram ao estado da arte a sonegação.
Ao mesmo tempo em que repórteres da emissora armavam a reportagem acima, corria na Receita um caso sonegação e trapaça da Globo que, em outros países, geraria vergonha pública e prisão.
É hoje amplamente conhecida, graças ao blog Cafezinho, que a Receita flagrou a Globo numa operação desonesta na compra dos direitos da Copa de 2002.
A Globo, contabilmente, afirmou que estava fazendo um investimento no exterior (aliás, num paraíso fiscal).
Apanhada em flagrante delito, foi multada pela Receita. A dívida total, em dinheiro de 2006, era de 615 milhões de reais, segundo documentos da Receita vazados para o blog.
A Globo, depois de tergiversar, admitiu o caso. Mas afirmou ter quitado a dívida. Jamais mostrou o darf, o recibo, e um novo vazamento da Receita afirmou que na verdade a dívida não fora paga.
Se não bastasse tudo isso, uma funcionária da Receita tentou fazer desaparecer a papelada do processo. Se fosse bem sucedida, isso significaria que a Globo, como que por mágica, estaria livre de uma dívida de 615 milhões de reais.
Numa pancada formidável no interesse público, a mídia não se animou a cobrir um escândalo de tal magnitude. A Folha ensaiou, com atraso, mas o rabo preso a deteve rapidamente.
Na reportagem que figura no canal do Millenium no YouTube, somos obrigados a ouvir que o dinheiro do imposto constrói escolas, hospitais etc.
É verdade. Mas para a Globo é bom que se construa tudo aquilo e muito mais – desde que não seja com seu dinheiro.
Apenas para lembrança, nem sobre o papel utilizado para fazer o Globo e as revistas da casa a emissora paga imposto.
É o chamado “papel imune”, do qual se beneficiam as empresas de mídia que tanto falam em impostos elevados.
Elas também gozam de uma abjeta reserva de mercado, o que as poupa da competição estrangeira. Um dos pilares do Millenium é a “economia de mercado”, mas para os outros. Competir com empresas internacionais não é para os valentes capitalistas aninhados no Millenium.
O Brasil vai ser melhor quando um comportamento como o da Globo simplesmente não for tolerado, como acontece na Escandinávia.
Uma predação fiscal de tal magnitude, entre os escandinavos, mata qualquer empresa.
Mas entre nós não. Ou, pelo menos, ainda não.
A Globo ainda se sente no direito de fazer extensas reportagens em que pessoas humildes são manipuladas.
A quem apelar?

Livro afirma que Gilmar Mendes favoreceu banqueiro Daniel Dantas ( NÂÂÂO!! SERÁ?? )


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Chega hoje à praça um livro que examina os bastidores da operação policial que investigou os negócios do banqueiro Daniel Dantas em 2008 e divulga pela primeira vez alguns dos documentos recolhidos durante as investigações.
Batizada pela Polícia Federal de Satiagraha, expressão em sânscrito que significa “busca da verdade”, a operação fez barulho ao provocar a prisão temporária de Dantas e outros 23 envolvidos, mas depois foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça por causa de ilegalidades cometidas nas investigações.
Escrito pelo jornalista Rubens Valente, da Folha, ”Operação Banqueiro” oferece um relato minucioso do caso e uma visão crítica da atuação de autoridades que impediram que ela avançasse.
De acordo com o livro, Amaral enviou várias mensagens a ajudantes de ordem de Fernando Henrique para se comunicar com ele.
Mensagens obtidas por Valente sugerem que Dantas tinha como aliado no governo o atual ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, então chefe da Advocacia-Geral da União.
Em 2008, quando Mendes estava no Supremo e Dantas estava preso, o ministro concedeu habeas corpus para libertá-lo e fez críticas públicas à maneira como as investigações foram conduzidas.
O material inédito inclui e-mails obtidos pela PF na casa do consultor Roberto Amaral, que trabalhou para Dantas entre 2001 e 2002, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Segundo o livro, as mensagens sugerem que Dantas pediu ajuda ao ex-presidente e a outras autoridades para barrar investigações que o Ministério Público conduzia sobre seus negócios na época.
Dantas, que controla o grupo Opportunity e administra recursos de investidores brasileiros e estrangeiros, adquiriu participações em várias empresas privatizadas no governo FHC, em especial no setor de telecomunicações.
Boa parte do dinheiro administrado pelo Opportunity na época pertencia a um fundo sediado nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal no Caribe, e as autoridades sempre suspeitaram que políticos e investidores brasileiros participavam desse fundo, o que as leis brasileiras proibiam.
Saiba Mais: Folha

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A DIREITA ESPERA QUE VOCÊ FAÇA A SUA PARTE PARA ELA VOLTAR AO PODER, COMO EM 64


QUEM VAI FAZER O SERVIÇO?

A sedimentação da agenda conservadora para 2014 envolve a adesão de um pedaço da esquerda e o silêncio desfrutável de outro. O padrão é o mesmo do cerco ao IPTU em SP.

Por Saul Leblon

QUEM VAI FAZER O SERVIÇO?

A sedimentação da agenda conservadora para 2014 envolve a adesão de um pedaço da esquerda e o silêncio desfrutável de outro.

O padrão foi testado e bem sucedido no cerco ao reajuste do IPTU em São Paulo.

Os interesses atingidos só tiveram sucesso em sabotar a medida graças à omissão dos que sabiam o que estava em jogo, mas preferiram silenciar.

É essa capacitação ao exercício da cumplicidade que a emissão conservadora opera de forma explícita nos dias que correm.

Colunistas e editores espetam sinais para ordenar o fluxo na direção almejada: “a seringa do piquete onde se conta o rebanho”.



Quantas cabeças teremos para oferecer aos mercados?

Nas manchetes e fotos, mais que nos textos, espetam-se os ferros com as iniciais do dono.

O ponto de encontro tem data e local definidos: 12 de junho de 2014, 17 h, estádio do Itaquerão, onde o Brasil abre a Copa do Mundo diante da Croácia.

Durante um mês, até 13 de julho, novas oportunidades se abrem: há jogos distribuídos nas principais capitais do país.

Alguém duvida que a tabela será explorada na emissão conservadora como ponto de encontro de gente ansiosa para mostrar o seu valor a fotógrafos e cinegrafistas generosos?

Textos gordurosos como os autores, tortuosos como seus valores, arregimentam as adversativas do léxico para assegurar o verniz ‘jornalístico’ à panfletagem.

Não importa o tema da coluna.

O objetivo predefinido é dar suporte a logos, títulos e manchetes que disseminem ordem unida.


[“Folha”: ‘vem prá rua você também’]

‘Em 2014, vem prá rua você também’, convocava-se na “Folha” no dia de Natal; ou o soberbo, ‘Não vai ter Copa’, abraçado neste domingo por um vulgarizador do mercadismo no mesmo veículo.

À falta de projeto defensável à luz do dia – arrochar 70% do país para lubrificar 30% só rende votos em saraus elegantes-- escava-se o vazio em busca de chão firme.

De joelhos e com as unhas, se preciso for para satisfazer os sinais vindos das direções de redação.

O tesouro cobiçado é tanger multidões à frente única em curso para enfrentar Dilma em outubro próximo.

Procura-se, em suma, alguém que faça o serviço que os cabedais do conservadorismo, sozinhos, são incapazes de entregar.

É esse vazio adicionado de urgência que reduz colunistas à função rastaquera de insuflar a indignação sem explicar a fórmula do elixir que vai contemplá-la.


[“Folha” e grande mídia em geral: ‘vem prá rua você também’]

Se quiser, o público alvo –as organizações com capacidade de mobilização - tem elementos para confrontar o aceno dos charlatães com os ingredientes da gororoba historicamente despejada por eles na goela do país – não raro com funil e camisa e força.

A sedimentação golpista de uma parte da opinião pública brasileira não ocorreu por acaso nos últimos anos.

Trata-se de obra deliberada de gente bem paga --e eficiente, diga-se, na arte de popularizar generais redentores, santificar consensos neoliberais, incensar janios, collors, demóstenes , carlinhos cachoeira, joaquins, serras e assemelhados.

O florescimento desse acervo não prosperaria sem o trabalho prestimoso dos que esculpem o seu busto em bronze de credibilidade e veneração.

É um equívoco dissolver essa assinatura numa edulcorada predisposição da sociedade ou de parte dela para ser canalha ou 'egoísta'.

Ainda que exista a receptividade estrutural em certas camadas, é indispensável o fermento que transforme o instinto em história.

Incensar os joaquins e Demóstenes; satanizar os lulas e respectivas agendas é uma parte do bicarbonato requerido na receita.



Sem ele a massa não cresce.

Antecedentes referenciais testemunham o notável desempenho da emissão conservadora na tarefa de sovar a massa.

Escondidas até agora nos arquivos da Unicamp, para onde foram exiladas pelo próprio Ibope, pesquisas de opinião feitas às vésperas do golpe de 1964 mostram, todavia, que o labor midiático sozinho não leva a receita ao ponto.

Os dados dissecadas em entrevista recente do pesquisador Luiz Antônio Dias à revista “Carta Capital”, transcrita no blog de Luis Nassif, detalham o paradoxo:

- em junho de 1963, Jango tinha 66% de aprovação em SP;
- em março de 1964, caso fosse candidato no ano seguinte, ele teria mais da metade das intenções de voto na maioria das capitais;
- o apoio à reforma agrária, então satanizada pelas elites, era superior a 70% em algumas capitais;
- na semana anterior ao golpe, as pesquisas mostravam que Jango tinha 72% de aprovação popular –entre os mais pobres, o índice chegava a 86%.

O mesmo conservadorismo que hoje torce por protestos na Copa colocaria então milhares de pessoas nas ruas de São Paulo, em 19 de março de 1964, na “Marcha da Família Com Deus pela Liberdade”.



O movimento ecoado na mídia como a evidência cabal do isolamento (inexistente) do governo não saltou espontaneamente das páginas da imprensa para o asfalto.

Foi preciso organizá-lo meticulosamente.

A mídia cumpriu a sua parte, como o faz hoje, legitimando a ‘revolta da sociedade e da família contra o desgoverno’.

Mas coube à Igreja e às ligas de senhoras católicas, com forte participação de esposas de empresários, botar a mão na massa.

Senhoras da elite usaram sua ascendência para intimar famílias operárias, sobretudo as mulheres, a integrarem e divulgar o movimento.



Quase 50 anos depois, a regressão conservadora não dispõe mais da estrutura capilar de mobilização de que lançou mão às vésperas do golpe de Estado que prendeu, torturou, matou, decretou a censura à imprensa e às artes e colocou os partidos e sindicatos na ilegalidade.

Escribas do jornalismo isento sugerem que podem superar as mais dilatadas expectativas no esforço para reeditar o mutirão cinquentenário na presente intersecção entre a Copa do Mundo e as eleições presidenciais de outubro.

Para que ele signifique alguma coisa de equivalente ao papel legitimador desempenhado pela “Marcha da Família”, quando Jango tinha mais da metade das intenções de votos –como Dilma as tem-- alguém terá que puxar o cordão.

A coalizão conservadora espera que cada um cumpra o seu dever.

Ou seja, que um pedaço dos setores progressistas insatisfeitos com o governo acenda o forno a 180º e reforce a levedura na massa.

Uma vez pronto o bolo, vá para casa, e deixe a coisa com quem entende de comer o Brasil.

A ver.”
FONTE:  Escrito por Saul Leblon em editorial do site “Carta Maior”

Trensalão: tucano tem direito a dupla jurisdição

O que é que o Dirceu fazia no Supremo, se ele não tinha direito a foro privilegiado ?
Saiu na Folha (*):

STF deve dividir investigação sobre cartel


Ministro Marco Aurélio Mello indica que encaminhará a instâncias inferiores parte do inquérito de esquema nos trens. Apuração que envolve secretários do governo Alckmin, que têm foro privilegiado, tende a ficar no Supremo

(…)

O foro privilegiado no STF é garantido a ministros e congressistas. Na prática, os processos podem ter soluções mais rápidas, uma vez que diversas etapas nas instâncias inferiores são suprimidas.

O inquérito relativo à Siemens foi enviado ao STF devido a um depoimento sigiloso prestado à Justiça de São Paulo pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer.

Nele, Rheinheimer citou autoridades com foro privilegiado –como Edson Aparecido (PSDB), chefe da Casa Civil de Geraldo Alckmin (PSDB); seu colega Rodrigo Garcia (DEM), secretário de Desenvolvimento Econômico; José Aníbal (PSDB), secretário de Energia, todos deputados licenciados, e o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).

Filipe Coutinho
Navalha
Quando os acusados eram petistas, não houve desmembramento nenhum.
Foram todos em marcha batida ao Supremo, sem o direito que a todo acusado se confere: a dupla jurisdição, ou seja, a possibilidade de uma instância rever a decisão inferior.
Assim, o Dirceu, o Delúbio e o Duda Mendonça, que não tinham direito a foro privilegiado, acabaram cercados no Supremo.
O Dirceu acabou condenado – antes do julgamento dos infringentes – a semi-aberto e está lacrado na Papuda desde 15 de Novembro, dia da República !
Viva (a Justiça d)o Brasil !




Paulo Henrique Amorim

STF e mídia estão nos conduzindo a uma juristocracia



Genoino pagar a multa não significa “assumir” que é culpado
por Maria Luiza Tonelli
Estamos vivendo, há tempos, um processo galopante de judicialização da política. Nesse contexto, o discurso e os debates políticos começam a tomar a forma de uma linguagem jurídica, substituindo a linguagem política. Tanto os que pretendem vencer nos tribunais o que não conseguem nas urnas como os que representam a a maioria apelam para o discurso jurídico nesse processo de verdadeira tribunalização da democracia.
O paradoxo está no fato de que a linguagem do Direito, que não é a da política, necessita de conhecimento técnico. Questões jurídicas, ou seja, do Direito, são questões técnicas. Portanto, não se trata de uma questão de opinião, mas de interpretação. Mas a judicialização galopante nesses tempos de criminalização da política parece estar formando um país de “operadores do Direito”. Sem conhecimento de causa, deita-se falação a respeito questões das quais se desconhece.
O introito acima presta-se à critica a respeito do debate sobre o pagamento da multa imposta a Genoino em decorrência da sua condenação pelo crime de corrupção ativa, já transitado em julgado.
É compreensível que as pessoas que não têm conhecimento jurídico fiquem indignadas com a obrigação de Genoino, um político que em toda a sua vida não acumulou patrimônio e que jamais teve seu nome ligado a qualquer indício de corrupção, ao pagamento da multa que hoje já passa de 600 mil reais no prazo de 10 dias.
O que não é compreensível é o fato de a imprensa e os blogs não informarem aos leitores sobre o significado da multa imposta a um condenado pela justiça, dando margem a julgamentos ora sob critérios morais, ora sob critérios políticos, quando a questão deve ser analisada sob critérios jurídicos. Ou temos uma imprensa cujo jornalismo é rasteiro, de péssima qualidade, ou a questão é de má-fé mesmo, apenas para servir como mais um pretexto de disputa política.
Portanto, ao leitor deveria ser esclarecido que não cabe a um condenado a opção de não pagar a multa. No caso de Genoino, embora não tenha como arcar com o montante que lhe foi imposto, cumpre pagar. Caso não pague no prazo, a pena não se extingue. Genoino foi condenado a cumprir a pena privativa de liberdade e a pena de multa. Pagar não significa “assumir” a culpa, pelo simples fato de que foi considerado culpado. Por isso foi condenado. Se é justo ou não é outra questão. Achar que pagar a multa é assumir a culpa seria o mesmo que achar que ao entregar-se à justiça Genoino assumiu que é culpado.
Portanto, o ato de solidariedade a Genoino no sentido de arrecadar doações significa ajudá-lo a cumprir uma obrigação que ele tem com a Justiça e que não terminaria após o cumprimento do tempo da sua pena privativa de liberdade, caso o pagamento da multa não seja quitado. Repetindo: a multa é uma pena pecuniária. Uma pena que tem que ser cumprida. É disso que se trata.
Decisões judiciais devem ser cumpridas, porque são questões legais. Se achamos que são injustas que mudemos as leis através da política. Aí sim, estaremos no campo da democracia e da opinião. É pelo exercício da política que aprofundaremos a democracia, o regime da instituição de direitos.
O poder emana do povo e é exercido através de representantes eleitos. Por isso a democracia é o regime, ou sistema político, da soberania popular.
Juízes não representam o povo, pois não são agentes públicos eleitos. Aos juízes compete julgar de acordo com as regras constitucionais e leis que são criadas pelo parlamento, em nome do povo soberano.
Diante de tudo o que foi exposto, é bom que comecemos a pensar sobre o que está acontecendo neste país. É preciso que se crie uma cultura dos direitos, sem a qual não existe verdadeira democracia. O discurso do Direito é não pode substituir o discurso da política. É isso o que interessa à direita. Não é por acaso que a parceria entre a mídia hegemônica e o STF estão nos conduzindo a uma juristocracia. Compete aos poderes políticos, principalmente ao poder Legislativo, retomar as rédeas da política. É a democracia que está em jogo.
Maria Luiza Tonelli é advogada, professora, mestre e doutora em Filosofia pela USP.
Leia também:
Patrick Mariano: “A decisão de não transferir Genoino é ilegal, arbitrária e desumana”

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Barbosa persegue Genoino. Cadê o DARF da Globo ?




O Conversa Afiada reproduz artigo de Paulo Nogueira, extraído do Diário do Centro do Mundo:

Até quando vão torturar Genoino?



Para ver quanto é absurdo o que estão fazendo com Genoino, basta atentar para o seguinte.

A Globo deve cerca de 1 bilhão de reais – comprovadamente – por conta de uma trapaça fiscal na compra dos direitos da Copa de 2002.

E ninguém cobra – embora tudo esteja documentado.

Os três irmãos Marinhos, como mostra a revista americana de negócios Forbes, são donos, juntos, da maior fortuna do país, superior a 50 bilhões de reais.

Mesmo assim, com tanto dinheiro, a Globo não paga o que deve e ninguém cobra.

Genoino, em compensação, acaba de receber da Justiça dez dias para pagar uma dívida de 468 mil reais por ter feito alguma coisa que ninguém sabe o que é, tais e tantas as incoerências do processo do Mensalão.

A retirada mensal dos Marinhos é, certamente, bem superior aos 468 mil reais cobrados de Genoino.

Mas para Genoino é um dinheiro que ele simplesmente não tem.

Seu patrimônio, como sabe a Justiça, consiste de uma casa modesta num bairro classe média de São Paulo, o Butantã.

Contra a Globo, a Justiça é pusilânime.

Contra Genoino, é um leão.

Não bastasse tudo, Genoino convalesce de um problema cardíaco sério. Parece que a cada semana decidem atormentá-lo, como que para testar seu coração combalido.

No final do ano, Joaquim Barbosa, em seu melhor estilo natalino, negou a ele que pudesse ficar em sua casa em São Paulo para cumprir sua prisão domiciliar temporária.

Por quê? JB falou em “interesse público”, mas quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington.

Não bastasse, JB deu a entender que em fevereiro Genoino volta à cadeia. Isso significa que Genoino está enfrentando uma torturante contagem regressiva. Cada hora que passa é uma hora a menos para ele no convívio com os seus.

Insisto: tudo isso sem que haja culpa comprovada. Tudo isso enquanto ninguém dá satisfações sobre meia tonelada de cocaína encontrada num helicóptero de um amigo de Aécio.

Isto é o Brasil que a Globo ajudou tanto a construir: injusto, abjeto, sem nexo. Rigor contra quem está no chão, complacência com os verdadeiramente poderosos.

Querem minha opinião? Lula poderia fazer três ou quatro palestras — o necessário para juntar os 468 mil —   e doar o dinheiro para Genoino. Não porque Lula inventou JB, embora isso também conte, mas porque seria uma solução simples e eficaz para o problema.

Em sua histórica investida contra Catilina, um senador que conspirava para se tornar ditador de Roma, Cícero clamou: “Até quando você vai abusar da nossa paciência?”

Pois é.

Até quando este Brasil iníquo vai abusar da nossa paciência?

Demóstenes foi às compras em Firenze

Edu mostra como funciona a Justiça brasileira !

Incorruptível senador contempla a vitrine da Louis Vuitton. Sorry, periferia !



Saiu no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães:

Justiça à brasileira: Demóstenes Torres curte Ano Novo na Itália


Dois homens, duas acusações, dois pesos e duas medidas.

O ex-senador Demóstenes Torres foi flagrado mantendo relações com um chefe do crime organizado de Goiás. Há fartas provas materiais contra ele, inclusive gravações em que aparece se corrompendo.

Demóstenes foi flagrado por uma fonte deste blog desfrutando das delícias que o dinheiro pode comprar. A foto que o leitor vê acima foi tirada na cidade italiana de Firenze no primeiro dia deste ano.

José Genoino foi acusado de corrupção ativa e formação de guadrilha e condenado a 6 anos e 11 meses de prisão sem uma única prova material ou mesmo testemunhal. Para condená-lo, usaram a teoria de que seria “verossímil” que fosse culpado.

No mesma foto acima, Genoino aparece em prisão domiciliar, em Brasília, no dia 6 último, após a Justiça ter decidido lhe cobrar uma multa que vale mais do que a casa humilde em que reside, num bairro de periferia da grande São Paulo.

Os fatos acima resumem a Justiça brasileira. Abaixo, as fotos de como a elite judiciária trata a elite política deste país, que paira acima das leis enquanto debocha delas.
Clique aqui para ler “Viomundo foi a Furnas: Barbosa, e os tucanos ?”

Mídia expressa o medo que a elite sente do povo


Amar o jornalismo, criticar a imprensa
Por Luciano Martins Costa em 03/01/2014 no Observatório da Imprensa
A imprensa brasileira funciona como um partido de oposição, mais eficiente, estruturado, coeso e determinado do que as agremiações políticas oficiais.
Mas não se trata de um partido de oposição à aliança que governa o Brasil desde 2003: é uma organização política que em muitos aspectos se assemelha ao “Tea Party” americano, ou seja, um sistema estruturante do pensamento mais conservador que frequenta o espaço público.
Se o governo federal estivesse nas mãos do PSDB, e este atuasse como um partido socialdemocrata nos moldes europeus, a imprensa teria uma atitude semelhante, de oposição.
As evidências do comportamento enviesado da mídia tradicional, aquela que domina a agenda institucional e serve à indústria cultural, são muitas e foram consolidadas paralelamente a um processo de empobrecimento da atividade jornalística nas últimas décadas.
O processo é longo, foi marcado por disputas cruentas no interior das redações no período imediatamente posterior à redemocratização, e afinal vencido pelo conservadorismo no início deste século.
O fato de o Partido dos Trabalhadores ter alcançado o poder federal na mesma época é daquelas ironias da história observadas pelo historiador Isaac Deutscher ao analisar o comunismo dos anos 1960.
A controvérsia em torno desse comportamento da imprensa se sustenta precariamente no fato de que a maioria dos analistas se prende à relação entre os principais veículos de informação e o núcleo de poder ligado ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Um operário na Presidência significou, para as famílias que ainda controlam as empresas de comunicação, uma ofensa tão grande quanto tem sido, para a elite conservadora dos Estados Unidos, a ascensão de um negro ao cargo mais alto daquela nação.
Essa relação de ódio e negação se estende por tudo que estiver ligado a esse evento histórico: o fato de a democracia brasileira ter evoluído ao ponto de eleger presidente um operário com pouca educação formal.
Não é o PT que a imprensa odeia e despreza: é o processo democrático, que permitiu essa “aberração”.
Não por acaso, os leitores típicos dos jornais e de publicações como Veja e Época manifestam costumeiramente sua baixa apreciação pelo “povo” e sua capacidade de discernimento, como se pode observar nas seções de cartas e comentários.
Jornalismo em crise
Criticar a imprensa, denunciando o jornalismo partidário, é na verdade uma demonstração de respeito ao jornalismo e à imprensa, como ela deveria ser.
Defender a imprensa como ela é e conformar-se com o jornalismo de quinta categoria que tem sido imposto aos brasileiros, de forma geral, é sintoma de alienação, ou, pior, recurso de malabarismo intelectual para preservar a reputação sem cair no index do sistema da mídia.
Louve-se: é preciso muito jogo de cintura para salvar a ficção da objetividade sem ter as portas fechadas pelas redações.
No entanto, chegamos ao ponto em que não há subterfúgios, pois a escolha da imprensa hegemônica está destruindo o jornalismo de qualidade no Brasil.
Concretamente, o jornalismo brasileiro é pior, hoje, do que há vinte anos?
A resposta é: sim, piorou não apenas a qualidade do jornalismo no Brasil, mas também a qualificação dos jornalistas, de modo geral, e a própria noção do valor social da atividade jornalística.
Uma pesquisa coordenada pela professora Roseli Fígaro na USP constatou essa realidade (ver resenha do livro aqui): o jornalismo brasileiro está imerso em profunda crise.
Um artigo publicado na quinta-feira (02/01) pela Agência Fapesp (ver aqui) atualiza alguns aspectos desse estudo.
O texto afirma explicitamente que “os produtos jornalísticos impressos, televisivos ou radiofônicos são feitos de maneira completamente diferente do que há cerca de vinte anos”.
A mudança foi para pior, segundo a pesquisa, provocada principalmente por uma reestruturação produtiva nas redações, com o aumento do número de jornalistas sem registro profissional e o afastamento dos profissionais mais experientes.
A desconstrução do jornalismo foi feita pedra por pedra, e não é apenas fenômeno causado pelas novas tecnologias de comunicação, mas por uma escolha estratégica das empresas.
Trata-se de um processo que corre paralelo ao projeto conservador de poder, que, não podendo eventualmente ser realizado pelas vias partidárias, porque o eleitorado parece rejeitar suas propostas, passa a atuar pelo sistema da mídia.
Simples assim.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A dois passos do Golpe de Estado

FHC travestido de 'imortal' da ABL - Academia Brasileira de Letras onde dorme o livro solteiro de Merval Pereira ele mesmo um 'imortal' e partícipe da dança de cadeiras da Academia, que em breve verá mais uma delas vaga a caminho do cemitério da História do Brasil. 

FHC, afeito a jantares regados a bons vinhos onde imagina lançar candidaturas, bem longe do brasileiro que ele detesta, apoiado pela ‘elite’ escravocrata e pela imprensa corrupta incita o povo  para ir às ruas na tentativa de criar um clima caótico na Copa do Mundo de Futebol no Brasil, e realizar o seu macabro ‘Mudar de Rumo’, ou seja, redesenhar a rota do país para afunda-lo no grande iceberg do neoliberalismo com tudo que ele trouxe de ruim para a nossa querida Pátria. 

Acabar com o modelo de exploração do Pré-sal para entrega-lo a Chevron, continuar a política de seu governo entreguista de nos empobrecer solidificando para todo o sempre o apartheid social e racial impostos pelos seus ascendentes são os objetivos desse ex-presidente que não soube se retirar com dignidade da cena política. 

A mídia corrupta ponta de lança do Golpe de Estado faz o seu terrível papel de omitir e esconder as falcatruas do PSDB e amigos, do assalto ao Metrô Paulistano passando pela prefeitura paulistana com seus desfalques do IPTU/ISS até o Mensalão do PSDB, pronto para prescrever nas barras do STF.

O Golpe se aproxima o jornal Folha de São Paulo já vaticinou: "Não vai ter Copa". A candidata Marina Silva já disse: “Manifestações vão ressurgir e ‘colocar coisas no lugar’”. A mídia já aderiu ao Golpe há muito tempo.

Presidenta Dilma Rousseff, a Democracia com seu sufrágio secreto e universal não é o campo de luta da imprensa brasileira e da nova UDN, eles são os golpistas que depuseram Jango, um presidente eleito pelo povo em eleições limpas e dentro da lei. A senhora está enganada se pensa que eles não darão mais um Golpe dos muitos que constam na ficha corrida dessa gente desde os primórdios da nação brasileira. Urge uma aliança das forças progressistas e o fortalecimento da mídia alternativa para encarar os traidores da nossa pátria de frente e vence-los de forma definitiva.

Assinado: Hélio de Souza Borba

SUJEITO NÃO É CIDADÃO

SUJEITO NÃO É CIDADÃO 
Falo-vos de um sujeito que tinha o hábito de surrar a esposa, o que foi assumido por ele mesmo, além de haver registro na delegacia policial.
De um sujeito que, contrariando a Constituição de seu país, em razão do cargo que exerce, constituiu uma empresa, e assumiu a sua titularidade. 
Um sujeito que deu como sede dessa empresa o endereço do imóvel funcional que ocupa, pela natureza do cargo que exerce, de propriedade do governo, o que é considerado crime, pela legislação vigente, inclusive com punição prevista ao infrator. 

Um sujeito que comprou um apartamento por um milhão, no exterior, não o declarando ao fisco, o que configura crime de sonegação fiscal. Um sujeito que não justificou a origem do dinheiro que lhe possibilitou constituir uma empresa e comprar um apartamento no exterior, o que o expõe à desconfiança de corrupção. 

Um sujeito que apresentou um único documento comprobatório de transferência de dinheiro para o exterior, no valor de dez dólares, o que dá margem a duas possibilidades de crimes: transferência clandestina, para sonegação fiscal ou por ser de fonte escusa, ou ter conta bancária secreta no exterior, o que em ambos os casos configuram, criminalmente, evasão de divisas. 

Um sujeito que julgou com tendenciosidade, criando procedimentos paralelos que tramitaram em segredo de justiça, o que cerceou o direito de defesa dos réus. Um sujeito que escondeu documentos de um processo, que desconsiderou outros e reduziu o período legal de elaboração de defesa, para dificultar o exame completo dos autos dos processos, pelos advogados dos réus.

 Um sujeito que expediu mandatos de prisão seletivos, enviando para a cadeia a liderança do partido seu adversário, e deixando em liberdade políticos outros, réus no mesmo processo e de mesmas sentenças, porque do seu partido ou de partidos coligados. 

Um sujeito, enfim, que teve o seu site, hoje, judicialmente bloqueado porque em campanha política presidencial antes do prazo legal, o que configura crime eleitoral. Um sujeito, por fim, que trato por sujeito, porque não aprendeu a ser cidadão. Um sujeito que deveria estar sob acusação da Suprema Corte deste país e que no entanto, surrealisticamente, a preside.
Francisco Costa Rio, 06/11/2014.
Falo-vos de um sujeito que tinha o hábito de surrar a esposa, o que foi assumido por ele mesmo, além de haver registro na delegacia policial. De um sujeito que, contrariando a Constituição de seu país, em razão do cargo que exerce, constituiu uma empresa, e assumiu a sua titularidade. 

Um sujeito que deu como sede dessa empresa o endereço do imóvel funcional que ocupa, pela natureza do cargo que exerce, de propriedade do governo, o que é considerado crime, pela legislação vigente, inclusive com punição prevista ao infrator. 

Um sujeito que comprou um apartamento por um milhão, no exterior, não o declarando ao fisco, o que configura crime de sonegação fiscal. 

Um sujeito que não justificou a origem do dinheiro que lhe possibilitou constituir uma empresa e comprar um apartamento no exterior, o que o expõe à desconfiança de corrupção. 

Um sujeito que apresentou um único documento comprobatório de transferência de dinheiro para o exterior, no valor de dez dólares, o que dá margem a duas possibilidades de crimes: transferência clandestina, para sonegação fiscal ou por ser de fonte escusa, ou ter conta bancária secreta no exterior, o que em ambos os casos configuram, criminalmente, evasão de divisas. Um sujeito que julgou com tendenciosidade, criando procedimentos paralelos que tramitaram em segredo de justiça, o que cerceou o direito de defesa dos réus. 

Um sujeito que escondeu documentos de um processo, que desconsiderou outros e reduziu o período legal de elaboração de defesa, para dificultar o exame completo dos autos dos processos, pelos advogados dos réus. 

Um sujeito que expediu mandatos de prisão seletivos, enviando para a cadeia a liderança do partido seu adversário, e deixando em liberdade políticos outros, réus no mesmo processo e de mesmas sentenças, porque do seu partido ou de partidos coligados. Um sujeito, enfim, que teve o seu site, hoje, judicialmente bloqueado porque em campanha política presidencial antes do prazo legal, o que configura crime eleitoral. 

Um sujeito, por fim, que trato por sujeito, porque não aprendeu a ser cidadão. 

Um sujeito que deveria estar sob acusação da Suprema Corte deste país e que no entanto, surrealisticamente, a preside. 

Francisco Costa Rio, 06/11/2014. via FaceBook

Lista de Furnas: Caixa de campanha de R$ 39,9 milhões, resultado de fraudes, ainda não deu cadeia para tucanos



O deputado estadual Rogério Correia, que levou xerox da lista à Polícia Federal

Alckmin, Aécio e Serra ficaram livres da Lista de Furnas

Por Lúcia Rodrigues, em Belo Horizonte, especial para o Viomundo*
Quem pensa que o mensalão do PSDB é o único esquema de corrupção do partido que está impune, se engana. A sigla está envolvida em pelo menos outro escândalo de desvio de recursos que não foi julgado até agora, apesar de a Polícia Federal ter atestado a autenticidade do documento-chave para a denúncia.
O mensalão tucano, recorde-se, ajudou a financiar a campanha de 1998, quando Fernando Henrique Cardoso se reelegeu ao Planalto e Eduardo Azeredo, do PSDB, foi derrotado na disputa pelo governo de Minas Gerais por Itamar Franco.
Nas eleições de 2002, os tucanos promoveram outra forma de arrecadação de recursos para financiar suas campanhas e as de seus aliados. O esquema previa o repasse de dinheiro por meio de licitações superfaturadas da empresa Furnas Centrais Elétricas S.A.
Na ocasião, Aécio Neves era candidato a governador de Minas, Geraldo Alckmin concorria em São Paulo — ambos foram eleitos — e José Serra disputou com Lula o Planalto.
A chamada Lista de Furnas, como ficou conhecida a estratégia de financiamento montada pelos tucanos, rendeu milhões de reais para financiar campanhas. Denúncia da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro classifica o esquema como criminoso.
O delator do mensalão tucano, Nilton Monteiro, que também é o responsável pelo vazamento de informações sobre a lista, informou à procuradora Andréa Bayão Pereira, autora da ação do MPF, que os recursos eram controlados em um fundo (caixinha).
A Lista de Furnas, documento de cinco páginas assinado por Dimas Fabiano Toledo, à época diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas e operador do esquema, traz os nomes de mais de 150 políticos beneficiários, assim como uma centena de empresas financiadoras. No alto de cada folha se lê a advertência: confidencial.
“Esses recursos eram controlados em um fundo formado com valores obtidos junto às diversas empresas que mantinham contratos com Furnas” afirma Nilton Monteiro em seu depoimento à procuradora. Ele explica que os empresários que queriam atuar em Furnas tinham de contribuir com esse fundo. “Caso contrário não conseguiriam realizar nenhum contrato na empresa estatal.”
O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), primeiro a entregar uma cópia da Lista de Furnas à Polícia Federal, conta como o esquema funcionava.
Ele obteve o xerox do documento com o delator do mensalão tucano. “Quando ele me passou a Lista de Furnas, eu tomei um susto”, relata.
O laudo da Polícia Federal atesta que o documento é autêntico. O pedido de perícia foi feito pelo parlamentar.
“Na época o Nilton Monteiro, e até hoje provavelmente, não ficou satisfeito comigo. A intenção dele não era entregar (a lista) à Polícia Federal. Ele tinha aquilo para fazer suas negociações com o lado de lá”, afirma ao se referir às tentativas do delator de arrancar vantagens dos ex-aliados tucanos.
Nilton Monteiro, que trabalhou com o empresário Sergio Naya, ex-deputado federal por Minas Gerais, operava nos bastidores da política do estado e tinha intimidade com figuras importantes do ninho tucano nas Alterosas.
Desvio de milhões de reais
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, então candidato ao cargo, o ex-governador José Serra, que disputava a Presidência da República, e o senador Aécio Neves, à época candidato ao governo de Minas Gerais, foram os principais beneficiários do esquema de corrupção milionário do PSDB.
Pela lista, Alckmin foi quem mais recebeu recursos: R$ 9,3 milhões, R$ 3,8 milhões distribuídos no primeiro turno e R$ 5,5 repassados no segundo. Serra foi beneficiado com R$ 7 milhões, R$ 3,5 vieram no primeiro turno e o restante no segundo. Aécio aparece como beneficiário de R$ 5,5 milhões, quantia repassada em uma única parcela.
Alckmin e Aécio foram eleitos, Serra perdeu a eleição para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) e o deputado federal José Aníbal (PSDB), que disputavam uma cadeira no Senado pelo Rio e por São Paulo, respectivamente, receberam R$ 500 mil cada um.
Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas e então candidato ao Senado, recebeu R$ 550 mil. Já o candidato a outra vaga no Senado por Minas, Zezé Perrella (PSDB-MG), pai do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), dono da empresa proprietária do helicóptero apreendido pela Polícia Federal, no Espírito Santo, com quase meia tonelada de cocaína, foi beneficiado com R$ 350 mil.
Ao lado do nome de Zezé Perrella e do montante repassado aparece a informação entre parênteses: autorização de Aécio Neves. Esse é o único caso em toda a lista em que se encontra esse tipo de anotação.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSDB), candidato a deputado federal à época, foi beneficiário de R$ 250 mil. O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), que também disputava uma cadeira na Câmara dos Deputados, recebeu R$ 100 mil.
Luiz Antonio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo, eleito na época deputado federal pelo PTB, também se beneficiou do mesmo valor. Quantia equivalente foi entregue ao filho do ex-delegado da Polícia Federal Romeu Tuma, o ex-deputado federal Robson Tuma (PTB-SP), assim como ao ex-presidente da Força Sindical e ex-deputado federal Luiz Antonio de Medeiros (PL-SP). Ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) foram destinados R$ 50 mil.
Antonio Carlos Pannunzio, eleito em 2012 prefeito de Sorocaba, aparece na lista como recebedor de R$ 100 mil para sua campanha a deputado federal.
O delator do mensalão petista, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), também foi beneficiado pelo esquema de corrupção tucano. Recebeu R$ 75 mil.
Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão petista, recebeu R$ 250 mil do PSDB por meio do desvio fraudulento de recursos.
O capitão do Exército e deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), crítico dos direitos humanos e árduo defensor da ditadura militar, foi beneficiado com R$ 50 mil do esquema corrupto desencadeado pelos tucanos.
Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, também recebeu R$ 695 mil, para repassar a comitês e prefeitos do interior do Estado de Minas Gerais.
O deputado Rogério Correia explica que além do laudo da Polícia Federal atestando a veracidade da Lista de Furnas, há também o relatório da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, de janeiro de 2012, que chegou à mesma conclusão por outras vias.
Empreiteiras e bancos
As construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS e Odebrecht são algumas das empreiteiras que financiaram o esquema de corrupção do PSDB. O Banco do Brasil, Bank Boston, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Opportunity e Rural são algumas das instituições financeiras que, segundo a lista assinada por Dimas Toledo, injetaram dinheiro no esquema.
A Alstom e a Siemens, envolvidas mais recentemente no esquema de superfaturamento de trens do Metrô e da CPTM comprados pelo governo tucano paulista, são citadas na lista. As agências de publicidade de Marcos Valério, DNA e SMP&B, também contribuíram.
Petrobras, Vale do Rio Doce, CSN, Mitsubishi, Pirelli, Eletropaulo, Gerdau, Mendes Júnior Siderúrgica, General Eletric e Cemig figuram entre a centena de empresas públicas e privadas que aparecem como financiadoras.
Os fundos de previdência privada dos funcionários da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, respectivamente, Petros, Previ e Funcef também são mencionados. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan, foi outra que destinou recursos para o esquema tucano, de acordo com o documento.
O Tribunal de Contas da União analisou contratos de Furnas e detectou direcionamento em favor de determinadas empresas, além de superfaturamento nas licitações.
Uma auditoria da Controladoria Geral da União, realizada em 2006, constatou falhas no processo licitatório de Furnas: fraudes, desperdícios e abusos, além de projetos anti-econômicos e inadequados às necessidades da empresa.
Mesmo com todas as evidências, o processo sobre a Lista de Furnas está parado, segundo o deputado Rogério Correia.
O esquema operado por Dimas Toledo o fazia tão poderoso que Aécio Neves, eleito governador de Minas em 2002, negociou com o então presidente Lula a permanência de Toledo na direção de Furnas.
“O que deixou a bancada do PT bastante insatisfeita, porque Dimas Toledo arquitetava tudo contra o PT, especialmente no sul de Minas”, frisa o deputado Correia.
Curiosamente, o filho de Dimas Toledo, Dimas Fabiano Toledo Jr., deputado estadual em Minas, aparece na lista como tendo recebido R$ 250 mil.
Gênese do mensalão petista
A lista de Furnas revela financiamento “democrático”. Embora organizada por gente ligada ao PSDB, irrigou as campanhas de uma ampla base de políticos, de vários partidos. Em tese, seriam aqueles que ajudariam a dar sustentação parlamentar a um eventual governo de José Serra, não tivesse o paulista sido derrotado por Lula em 2002.
Apesar da derrota de Serra, Alckmin e Aécio se elegeram governadores, garantindo a influência política dos tucanos em dois estados-chave da federação.
A “democracia” na hora de destinar verbas de campanha, expressa na lista de Furnas, não era exatamente uma novidade nos esquemas de Minas Gerais.
Em 1998, mais de 30 candidatos do Partido dos Trabalhadores no estado foram beneficiados com recursos do outro esquema do PSDB, o “mensalão tucano” — que a mídia corporativa já chamou de “mensalão mineiro”.
Relatório da Polícia Federal, de 172 páginas, sobre o mensalão do PSDB aponta que os candidatos do PT receberam R$ 880 mil pelo esquema.
Rogério Correia é contundente na crítica aos colegas de partido.
“Pra acertar contas de campanha, receberam recursos de Eduardo Azeredo, já no esquema do mensalão. Isso teria sido negociado via Walfrido dos Mares Guia… Achei isso lamentável. O PT já começava naquela época a ter uma relação com a instituição onde se confundia com as artimanhas que a institucionalidade coloca, com o cretinismo da institucionalidade”, alfineta.
Para Correia, o PT acreditou que a impunidade que existia para o PSDB iria existir também para o partido.
“Isso é uma ilusão. A palavra melhor é ilusão de classes… O PT ‘quebrou a cara’ por uma visão errada do ponto de vista ideológico de setores do partido que acham que a luta de classes acabou… Isso é uma ilusão terrível que tem dentro do PT”, fustiga.
Pela semelhança entre o esquema do assim chamado “mensalão tucano” e o que seria revelado mais tarde, envolvendo o PT, Rogério Correia critica a atuação tanto do Supremo Tribunal Federal, quanto do Ministério Público Federal.
As duas instituições, diz o deputado, deram tratamento diferenciado aos partidos envolvidos.
Rogério Correia exemplifica com o caso do publicitário Marcos Valério.
No mensalão petista, foi julgado em Brasília, apesar de não ter mandato e, portanto, foro privilegiado.
O julgamento conjunto teria facilitado a apresentação da tese de uma grande conspiração para comprar apoio político no Congresso, possibilitanto assim condenar um número maior de réus, inclusive os acusados de liderarem o esquema: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.
Já no mensalão tucano o tratamento dispensado a Valério foi muito diferente.
O absurdo maior é que, segundo Rogério Correia, Valério trabalhou ao mesmo tempo para os dois partidos.
“Operava para o PSDB em Minas e para o PT nacionalmente. O mesmo esquema de caixa dois era usado pelos dois partidos. Olha o absurdo”, afirma.
A opção ideológica do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público Federal é, na opinião de Rogério Correia, o fator que impediu a apreciação do relatório assinado pelo delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha de Oliveira, que investigou o mensalão tucano.
O relatório oferece, segundo Correia, provas muito mais contundentes de que, no caso do PSDB, houve uso de dinheiro público para financiar campanhas eleitorais.
O dinheiro saia de estatais mineiras como a empresa de energia Cemig e a de saneamento Copasa.
No mensalão petista até hoje se discute se o dinheiro da Visanet, que teria abastecido o esquema, era público ou privado.
Pior que isso foi o tratamento desigual para iguais.
No caso dos tucanos, o processo foi desmembrado. Os políticos que receberam dinheiro do esquema escaparam. Considerou-se que eram beneficiários de caixa dois.
Ficaram para julgamento em Brasília apenas os operadores que tinham foro privilegiado, dentre eles o ex-presidente do PSDB e hoje senador Eduardo Azeredo, que aguarda julgamento.
Também foram denunciados na capital federal o ex-vice governador de Minas e hoje senador, Clésio Andrade, e o ex-ministro do governo Lula Walfrido Mares Guia, que deve ser beneficido por prescrição por causa da idade.
Rogério Correia refuta a expressão “mensalão”, cunhada por Roberto Jefferson, delator do esquema petista.
Para o deputado mineiro, os dois esquemas envolveram caixa dois para sustentação de campanhas eleitorais — e não para a compra de votos.
“Também eles [base aliada do PSDB] votavam com o governo, sempre votaram com o Azeredo, na Assembleia Legislativa, e com o Fernando Henrique, na Câmara Federal, como é o caso do Aécio Neves. Se é pra dizer que era compra de votos, todos seriam…”, ressalta.
Ele não nutre expectativa em relação à punição de políticos do PSDB.
Lembra que o ex-presidente da Câmara, deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado pelo STF tendo como principal prova o fato de que a mulher do parlamentar fez um saque em dinheiro na boca do caixa; já políticos do PSDB que receberam dinheiro do mensalão tucano diretamente em suas contas, com comprovantes de depósito e tudo, ficaram livres do processo.
*A repórter Lúcia Rodrigues viajou a Minas graças ao financiamento dos assinantes do Viomundo. Junte-se a eles clicando aqui.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Economês Para Humanos, Ou Marx Para Idiotas





A Economia é a ciência da riqueza, que por conceito, definição e egoísmo, só considera a riqueza; os pobres que se fodam, ou apelem para a meritocracia e trabalhem 500.000 anos pra ganhar o primeiro bilhão, se viverem tanto. Mas entendam, ninguém nascido pobre jamais ficará rico com trabalho HONESTO, nem em 500.000 mil anos.

Minha proposta aqui é explicar um pouco da linguagem que ouvimos nos meios de comunicação que, empresas riquíssimas que são, só atendem e entendem a lógica da Economia, das riquezas e dos ricos. Pretendo fazê-lo de forma simplificada, regras complicadas só servem para que a verdadeira mecânica da coisa permaneça oculta.

A Economia, sendo a ciência das riquezas, só entende a lógica dos endinheirados, grandes empresas e investidores, todos RICOS.

E aqui temos nosso primeiro verbete:

1) Investidor. É aquele  indivíduo que acha que se ele colocar duas notas de dólar num aquário, como que por milagre, em algum tempo, terá milhares de notas de dólares em enormes piscinas, como Tio Patinhas (que nadava em dinheiro) como se riquezas se reproduzissem por si mesmas, sem a intervenção da força produtiva (nóis). Não pense que, por ter algumas dezenas de milhares de dólares, quiçá centenas, investidos em ações você é automaticamente um "investidor", ou rico. 
Caia na real, você é bagrinho, lambari, arraia miúda que perde tudo num estalar de dedos, vide Eike Batista. Um investidor tem dezenas de milhões de dólares, quiçá centenas, investidos mundo afora em bolsas diversas, e negócios diversos, tráfico de drogas e armas, mulheres e seres humanos incluídos; um grande investidor terá bilhões, quiçá trilhões, investidos em tudo que é tipo de negócio, não importa qual, desde que lucre. Deu pra entender que isso é briga de cachorro grande? E você nessa brincadeira é menor que uma pulga. Já o investidor, em todas as suas formas de manifestação, é quase um deus.

A lógica das empresas e grandes investidores ignora solenemente tudo que é humano. 

Economia não é ciência exata, por conta das incalculáveis variáveis e imponderabilidades; mas está mais longe ainda de ser ciência humana, pois não considera o humano em seus cálculos e projeções, nem busca a melhoria e desenvolvimento do humano.
Aliás é o que há de desumano, para eles somos só números e estatísticas de somenos importância, zeros à esquerda ou frações milidecimais.

Na lógica da Economia o que interessa é o bem estar das grandes corporações, dos grandes grupos, dos podres de ricos. Ela só se preocupa se eles puderem vir (jamais acontece) a perder, ou deixar de lucrar (sinônimos) alguns bilhões de dinheiros (Eike sendo exceção nesse raciosuíno).

Prejuízo é o grande Capeta! E aqui entra um verbete misto, Pobreza (e Religião)


2) Pobreza? Enfia a meritocracia nesses vagabundos filhos da puta!
São pobres por que não trabalharam, não trabalham ou não trabalharão; estão nessa situação por incompetência própria, ou por castigo divino.
Lei do carma, entende?
Kardecismo, protestantismo, judaísmo, catolicismo e religiões monoteístas em geral, tudo é culpa da porra do deus, ou tua mesmo mané!
Quem mandou ter feito o que tu não tem nem noção de ter feito em vidas passadas? 
Quem mandou já ter nascido em pecado e acreditado nisso? A pobreza é condição si ne qua non da riqueza e a religião é o bastião dos ricos para dominar os pobres, além de ser ela mesma um grande investidor, um grande conglomerado e um enorme cartel de engrupição.


Povo é  feito para sofrer e quem ousar tentar mudar isso vai encontrar oposição viciosa e ferrenha, de todos  os lados, até daqueles a quem se pretende ajudar, principalmente se por meio de conscientização e informação. Eles estão mergulhados tão fundo na mentira e ilusão que lincharam quem quer que lhes mostre a luz, ou a escuridão.

E aqui temos o segundo verbete do  Economês para Humanos, Mídia


3) Mídia é ao mesmo tempo, o arauto, o correio e a escola da sociedade dominada, além de ser o espião, o manipulador, o assassino, o fofoqueiro e o mentiroso compulsivo e sempre bem sucedido. Se parece que estou descrevendo um psicopata é porque é mesmo. Uma entidade sem remorsos que existe tão somente para sua própria satisfação. Toda emoção que aparenta não passa de encenação. Afinal ela vive da morte, da destruição, da desgraça alheia e da vingança. 
Seus controladores estão inclusos no verbete 1. Eles nem precisam combinar as sacanagens com os parceiros, esse é um código antigo, milenar, onde quanto menos se fala, mais se entende. Seus sinais são truncados, entre eles, são mensagens de por onde agir; para os lacaios, coitados, que lhes caem nas garras, é a bíblia inquestionável e verdade fundamental, tire-lhes isso que lhe arrancaram os olhos. São canalhas vis e traiçoeiros, pregam e divulgam uma "verdade" própria, enviesada. Parecem servir ao poder, mas são eles próprios o poder, o 4° poder, obscuro, inquestionavelmente dogmático, omnipresente, omnipotente e omnisciente. Nada nem ninguém lhes escapa,
E para não perder a viagem, vamos logo ao 4° verbete


4) Povo, é a incógnita das equações econômicas, e por serem incógnitos se tornam invisíveis. São números numa planilha, o resto de uma divisão sem casas decimais. E como resto, só recebem restos das riquezas que efetivamente criam, os restos podres que caem dos banquetes fartos de quem manda na mesa. 
São como pessoas forçadas a permanecer em um cassino onde só podem perder, e do qual não podem sair. Às vezes, por manobras e manipulação, se lhes permite que ganhem uma rodada, uma mão, uma aposta. É nessa probabilidade de vitória, infinitesimalmente ridícula que se apegam ferozmente, e se propõe a enganar os iguais pela manutenção de um sistema que lhes oprime. 
Vivem na ilusão criada pelo sistema de que podem galgar degraus imaginários de uma escada que não existe, o sistema de classes. 
O Povo, em sua maioria, não entende que quem não nasceu rico, jamais o será. Só existem, na realidade, os Ricos e os Não Ricos. 
Os Ricos entretanto, em sua esperteza, infinita como sua maldade, os dividem em classes. A, B, C, D e E, uma escadinha social, que todos  pensam que podem galgar desde que acumulem méritos por: empenho em enriquecer ainda mais os ricos, por enganar o próximo com as mesmas ferramentas que são enganados, por abdicar de suas identidades e individualidade e aceitar mansamente ser o resto da divisão, seres sem vida e sem vigor que entregam seu sangue ao inimigo, sem possibilidade de vitória. É uma luta inglória, por que na batalha matamos os nossos para favorecer o inimigo sem percebermos nossa traição.
E para não cansar você que chegou até aqui vamos ver mais um verbete


5) Empresas. São aquelas entidades cuja única função é enganar você. Eles tomam seu dinheiro em troca de produtos e serviços caros e de péssima qualidade, na maioria das vezes são coisas que você não precisava até semana passada. Mas sua maior ferramenta, o marquetingue, te convence que sem aquilo, você não vai poder viver.  
Ao invés de comida, vendem venenos, e quando vendem venenos, se esmeram em produzir aqueles que além de matar as supostas pragas, matam quem compra e usa os venenos e quem compra os produtos "protegidos" por eles. 
Ao  invés de comunicação, vendem o caos do excesso de informação, e quando você mais precisa, eles estão fora de alcance, desconectados. Vendem notícias, mas só as que lhes interessam. Quando obrigados a  informar algo que não lhes favorece, mutilam e deturpam tanto a informação que somos levados a acreditar no oposto do que realmente se passou. Criam e destroem ídolos com a facilidade que eu acendo um cigarro ou o apago. Tem em suas fileiras verdadeiros  pitbulls e rotweillers prontos a te destroçar por mais um osso, mais um pedaço de carniça jogado de cima da mesa.
Enfim é  um glossário  enorme e vou parar por  aqui, mas não sem antes colocar uns verbetes de economês traduzidos para a realidade.

Gastos públicos: tudo que  o governo gasta pra funcionar, além do que gasta em projetos de distribuição de renda, aqueles que impulsionaram o crescimento em plena crise, incluindo a parte que é sonegada por empresas que defendem cortes nos gastos públicos.

Carga tributária elevada: aquilo  que  a gente paga pra cobrir os rombos deixados pela sonegação praticada pelas empresas que querem cortes nos gastos  públicos.

Em breve volto a atualizar esse glossário


*René Amaral Não é economista,  aliás, não é porra nenhuma; nunca se formou em nada, mas se informou sobre um monte de coisas e entende conceitos complexos de várias ciências, suas bases e fundamentos.
Não sabe fazer cálculos ou projeções econômicas mas entende que, como em qualquer questão, há sempre dois lados a serem considerados, mas a maioria só considera, por que assim foi treinada, um dos lados.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Por que o sonho americano se transformou num pesadelo

Os americanos estão muito mais para isso que para Bill Gates

Morris Berman, 67 anos, é um acadêmico americano que vale a pena conhecer.
Recomendo a leitura de “Por Que os Estados Unidos Fracassaram”, dele. A primeira coisa que me ocorre é: tomara que alguma editora brasileira se interesse por este pequeno – 196 páginas — grande livro.
A questão do título é respondida amplamente. Você fecha o livro com uma compreensão clara sobre o que levou os americanos a um declínio tão dramático.
O argumento inicial de Berman diz tudo. Uma sociedade em que os fundamentos são a busca de status e a aquisição de objetos não pode funcionar.
Berman cita um episódio que viu na televisão. Uma mulher desabou com o rosto no chão em um hospital em Nova York. Ela ficou tal como caiu por uma hora inteira, sob indiferença geral, até que finalmente alguém se movimentou. A mulher já estava morta.
“O psicoterapeuta Douglas LaBier, de Washington, tem um nome para esse tipo de comportamento, que ele afirma ser comuníssimo nos Estados Unidos: síndrome da falta de solidariedade”, diz Berman. “Basicamente, é um termo elegante para designar quem não dá a mínima para ninguém senão para si próprio. LaBier sustenta que solidariedade é uma emoção natural, mas logo cedo perdida pelos americanos porque nossa sociedade dá foco nas coisas materiais e evita reflexão interior.”
Berman afirma que você sente no ar um “autismo hostil” nas relações entre as pessoas nos Estados Unidos. “Isso se manifesta numa espécie de ausência de alma, algo de que a capital Washington é um exemplo perfeito. Se você quer ter um amigo na cidade, como Harry Truman disse, então compre um cachorro.”
Berman
O americano médio, diz ele, acredita no “mito” da mobilidade social. Berman nota que as estatísticas mostram que a imensa maioria das pessoas nos Estados Unidos morrem na classe em que nasceram. Ainda assim, elas acham que um dia vão ser Bill Gates. Têm essa “alucinação”, em vez de achar um absurdo que alguém possa ter mais de 60 bilhões de dólares, como Bill Gates.
“Estamos assistindo ao suicídio de uma nação”, diz Berman. “Um país cujo propósito é encorajar seus cidadãos a acumular mercadorias no maior volume possível, ou exportar ‘democracia’ à base de bombas, é um navio prestes a afundar. Nossa política externa gerou o 11 de Setembro, obra de pessoas que detestavam o que os Estados Unidos estavam fazendo com os países delas. A nossa política (econômica) interna criou a crise mundial de 2008.”
A soberba americana é sublinhada por Berman  em várias situações. Ele cita, por exemplo, uma declaração de George W Bush de 1988: “Nunca peço desculpas por algo que os Estados Unidos tenham feito. Não me importam os fatos.” Essa fala foi feita pouco depois que um navio de guerra americano derrubou por alegado engano um avião iraniano com 290 pessoas a bordo, 66 delas crianças. Não houve sobreviventes.
Berman evoca também a Guerra do Vietnã. “Como entender que, depois de termos matado 3 milhões de camponeses vietnamitas e torturado dezenas de milhares, o povo americano ficasse mais incomodado com os protestos antiguerra do que com aquilo que nosso exército estava fazendo? É uma ironia que, depois de tudo, os reais selvagens sejamos – nós.”
Você pode perguntar: como alguém que tem uma visão tão crítica – e tão justificada – de seu país pode viver nele?
A resposta é que Berman desistiu dos Estados Unidos. Ele vive hoje no México, que segundo ele é visceralmente diferente do paraíso do narcotráfico pintado pela mídia americana — pela qual ele não tem a menor admiração. “Mudei para o México porque acreditava que ainda encontraria lá elementos de uma cultura tradicional, e acertei”, diz ele. “Só lamento não ter feito isso há vinte anos. Há uma decência humana no México que não existe nos Estados Unidos.”
Clap, clap, clap.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

O estranho caso do helicóptero engavetado


A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrelas
A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrelas
Se você me pergunta qual foi o maior papelão da mídia brasileira em 2013 respondo com meia tonelada de motivos que foi o caso do helicóptero dos Perrelas.
Só no Brasil 500 quilos de cocaína não são notícia.
Na Indonésia, uma senhora britânica de 56 anos foi condenada à morte, por fuzilamento, por ser presa com cinco quilos de cocaína. Cem vezes menos, portanto.
Na mídia de Londres, ela é chamada de “Vovó Inglesa’, por ter netos. Sua defesa ainda luta para transformar a pena de morte em prisão perpétua.
Na Indonésia, como na China, a lei é extraordinariamente severa com o tráfico de drogas em consequência dos traumas sofridos no século 19, quando os britânicos impuseram, na base dos canhões, aos asiáticos o consumo de ópio. Essa página obscena do império britânico passaria à história como as Guerras do Ópio, sobre as quais escrevi algumas vezes no DCM.
Longe de mim sugerir rigor asiático no combate ao tráfico.
Mas, jornalisticamente, 500 quilos de cocaína não são nada? Pelo comportamento da mídia brasileira, não são nada.
Ninguém se esforçou, então, para trazer luz para o escândalo. Ao contrário, todo mundo tentou esconder a notícia, provavelmente para preservar Aécio Neves, amigos dos Perrelas e conhecido festeiro.
Todos sabem o que teria ocorrido caso os donos do helicóptero fossem amigos não de Aécio, mas de Lula, ou Dirceu.
Na ausência de qualquer esforço investigativo, o assunto foi minguando e hoje é quase nada.
O helicóptero foi, simplesmente, engavetado.
No futuro próximo, a internet terá recursos suficientes para bancar investigações que a mídia corporativa não quer fazer. Ou o crowdfunding – o financiamento da comunidade de leitores – ou a publicidade trará dinheiro que hoje é escasso.
Até lá, as pessoas interessadas em jornalismo independente e informação isenta terão que conviver com coisas estapafúrdias como este caso.
Notícia, para a mídia ‘livre’, é aquilo que é favorável a ela ou a seu grupo de amigos e parceiros, e desfavorável para seus desafetos.
Compare a cobertura dada ao helicóptero com a cobertura dada a uma oferta de emprego para Dirceu, e você vai entender o que move a mídia.
Por isso ela é tão desacreditada.
E por ser tão revelador do espírito bipolar das grandes companhias jornalísticas, o caso do helicóptero é o Fracasso do Ano da mídia brasileira.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.