sábado, 29 de janeiro de 2011

Caso Cutrale: trabalhadores sem-terras são inocentados e processo é arquivado

Império dos laranjas
A grilagem do Zé Cutrale e o silêncio cúmplice da mídia prostituída
Cutrale segundo a Goebbels: "Tadinha, tão inocente..." (sic)

por Juliana Sada

Em janeiro deste ano, a Justiça decidiu pela libertação dos trabalhadores sem-terra acusados de praticar crimes durante a ocupação de uma fazenda na qual está instalada a empresa Cutrale, produtora de suco de laranja. Além disso, o processo foi arquivado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

De acordo com o desembargador Luis Pantaleão, em seu relatório, não havia indícios que ligassem os acusados aos crimes alegados. Além disso, o desembargador citou problemas no processo. A prisão preventiva foi decretada antes do recebimento da denúncia e ainda com a investigação em curso, para o desembargador não havia indícios de que os acusados trariam algum empecilho ao processo. O encarceramento foi baseado também na suposta “imoralidade” dos trabalhadores, acusação que não sustenta a prisão preventiva.

Já o processo foi trancado por inépcia da denúncia, ou seja, por não possuir os requisitos legais para instauração de um processo.

A ocupação
Em setembro de 2009, cerca de 250 famílias ocuparam uma fazenda utilizada pela Cutrale, para denunciar a grilagem de terras pela empresa. De acordo com o MST, a área ocupada pertence à União e a Cutrale estaria se apropriando ilegalmente da terra. A ocupação durou doze dias, entre 28 de setembro e nove de outubro, e terminou por ordem judicial.

O episódio teve intensa repercussão na mídia, sobretudo por conta da derrubada de pés de laranja da fazenda pelos manifestantes, como forma de protesto.

CONFIRMADO DESVIO DE DINHEIRO PÚBLICO NO “MENSALÃO TUCANO”


TESTEMUNHA DE MENSALÃO “MINEIRO” [?] CONFIRMA DESVIOS [“mineiro” é o eufemismo carinhoso que a mídia tucana utiliza para disfarçar o mensalão do PSDB]

Marcelo Portela, do declaradamente tucano “O Estado de S.Paulo

“O ex-presidente da Companhia de Saneamento de Minas (COPASA) e ex-prefeito de Belo Horizonte, Ruy José Vianna Lage, confirmou [quarta-feira] ao 'Estado' que houve desvio de dinheiro da estatal para o financiamento da campanha de reeleição de Eduardo Azeredo [ex-Presidente Nacional do PSDB].

Lage é uma das testemunhas arroladas pelo Ministério Público no processo do mensalão “mineiro” [sic] [tucano] que seriam ouvidas ontem, na primeira audiência de instrução. Entretanto, a audiência foi adiada e remarcada para o dia 24 de fevereiro.

Ruy Lage assumiu que quando era presidente da COPASA recebeu ordem de repassar R$ 1,5 milhão para a agência SMPB, dos empresários Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano de Melo Paz e Ramon Hollerbach Cardoso.

"Eu sabia que era ilegal, porque a ASA (agência de propaganda) era licitada para fazer a propaganda da COPASA. Me neguei e pedi uma ordem por escrito. Recebi essa ordem do secretário de Comunicação e autorizei o repasse. Mas nunca foi feita nem uma camisa para divulgar a COPASA", afirmou.”

FONTE: blog do Noblat, no portal O Globo

EUA COMPRA EMPRESA DE EX-PRESIDENTE DO BC (DE FHC) COM ASSESSORAMENTO DA FILHA DE SERRA


BANCO J P MORGAN, DOS EUA, ASSESSORADO PELA FILHA DE JOSÉ SERRA, COMPRA EMPRESA DO PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL NO GOVERNO FHC/PSDB

“INVESTIMENTO”

O site do jornal "Estado" deu que o “JP Morgan Chase”, que já havia comprado a gestora “Gávea” de Armínio Fraga [ex-presidente do Banco Central no governo FHC/PSDB], fechou "seu primeiro investimento em empresa brasileira".

Segundo o jornal "Valor", o banco americano também contratou a “Pacific Investments” de Verônica Serra para assessorar aquisições.

[OBS deste blog:

Recordo que a filha do Serra é especialista em “assessoramentos especiais” nos Estados Unidos, segundo divulgado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim no portal “Conversa Afiada” e transcrito neste blog em 10/09/2010. Reproduzo a seguir:

"FILHA DE SERRA FEZ A MAIOR QUEBRA DE SIGILOS DO MUNDO


“A revista ‘CartaCapital’ trouxe reportagem de Leandro Fortes que vai calar o Zé Baixaria e seus auto-falantes do PiG.

Por 15 dias no ano de 2001, no governo FHC/Serra, a empresa ‘Decidir.com’ abriu o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

É isso mesmo o que o amigo navegante leu: a filha de Serra abriu o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros por 15 dias durante o governo FHC/Serra.

A ‘Decidir.com’ é o resultado da sociedade, em Miami, da filha de Serra com a irmã de Daniel Dantas. Há prova da associação com documentos do Estado da Flórida, nos Estados Unidos.

O primeiro “plano de negócios” da empresa era “assessorar” licitações públicas [no Brasil, para empresas dos EUA].

Imagine, amigo navegante, assessorar concorrências !

A certa altura, em 2001, a empresa resolveu ser uma concorrente da SERASA.

Fez "um acordo" [sic] com o Banco do Brasil e através disso conseguiu abrir sigilos bancários!.

O notável empreendimento de Miami conseguiu, também, a proeza de abrir e divulgar a lista negra do Banco Central.

O intrépido jornalismo da “Folha” fez uma reportagem sobre o assunto, mas por motivos que este ordinário blogueiro não consegue imaginar, omitiu o nome da empresa responsável pelo crime.

A “Folha” divulgou ela própria o sigilo de autoridades que passaram cheques sem fundo.

O então presidente da Câmara, Michel Temer, oficiou o Banco Central.

E, a partir daí, operou-se um tucânico abafa.

O Banco Central não fez nada.

A Polícia Federal não fez nada.

O Ministério da Fazenda não fez nada.

O Procurador Geral da República não fez nada.

Faltava pouco para a eleição presidencial de 2002, quando José Serra tomou a surra de 61% a 39%.

A filha dele largou [teoricamente?] a empresa, provavelmente 'em nome dos mais altos princípios da Moral'.

Mino Carta tem a propriedade de publicar reportagens que equivalem a tiro de misericórdia.

Quando dirigia a revista ‘IstoÉ’, publicou a entrevista do motorista que implodiu o governo Collor.

Agora, ele e Leandro, processados por Gilmar Dantas, dão o tiro de misericórdia na hipocrisia dos tucanos paulistas.

A partir dessa edição da Carta Capital, a expressão “violar o sigilo” passa a ser uma ofensa à memória dos brasileiros.”

FONTE: coluna “Toda Mídia”, de Nelson de Sá, publicada na Folha de São Paulo

Por que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe


por Luiz Carlos Azenha

Vamos começar deixando de lado a ideia de que o que se passa no mundo árabe é uma revolução do twitter, do facebook, da Al Jazeera ou das mídias sociais.

O Vinicius Torres Freire acertou, na Folha. “De acordo com esses correspondentes, não seria possível haver Revolução Francesa, Russa, maio de 1968, Diretas-Já ou as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas, dado que na maioria dessas revoluções não havia nem telefones”, escreveu ele.

Voltarei ao tema.

Vinicius acerta de novo, mais adiante, quando toca no ponto central: os milhões de jovens desempregados e sem perspectivas de vida que vivem no mundo árabe.

Não tenho muita experiência de reportagens na região, a não ser por algumas semanas trabalhando no Iraque, na Jordânia e no Marrocos.

Em todos esses lugares testemunhei a frustração dos jovens árabes (na periferia de Casablanca, no Marrocos, fui a uma favela cercada de altos muros brancos, onde a pobreza era devastadora mesmo pelos padrões africanos).

Nunca me esqueço do desabafo de um jovem palestino, morador de Amã, na Jordânia, sobre o drama pessoal que enfrentava: a falta de condições para pagar o dote, casar e conseguir morar com a esposa em endereço próprio.

São esses dramas pessoais, multiplicados por milhões, que movem hoje o que se costuma chamar de “rua árabe”. Dramas que se desenrolam diante de governos autoritários, corruptos e completamente desligados da realidade das ruas.

Aí, sim, é preciso notar o impacto das tecnologias da informação, mas muito mais da telefonia celular e da TV via satélite do que propriamente das mídias sociais, muito embora as lanhouses fervilhem em quase todas as grandes cidades do mundo árabe.

Depois de um rápido processo de urbanização, a frustração dos jovens árabes agora se dá num cenário em que eles são expostos diariamente aos objetos de consumo e ao padrão de vida que “recebem” via satélite, especialmente nos intervalos das transmissões de futebol europeu (no norte da África há mais torcedores do Manchester United do que no Reino Unido, por exemplo).

Washington sustenta o governo egípcio à base de cerca de 5 bilhões de dólares anuais.

É muito pouco provável que o governo Obama vá além de declarações vazias a respeito do governo ditatorial de Hosni Mubarak, ou de “platitudes” em defesa da liberdade de expressão da população.

A reticência dos Estados Unidos — e de todos os governos ocidentais — em relação ao Egito tem relação com o fato de que qualquer democratização para valer dos países árabes aumentará o poder dos partidos islâmicos (a Irmandade Islâmica, por exemplo, no Egito).

Foi prometendo combater a corrupção e promovendo serviços sociais que o Hamas e o Hizbollah ganharam legitimidade respectivamente em Gaza e no Líbano.

Notem, nas próximas horas, como os governos ocidentais vão enfatizar a necessidade de “preservar a estabilidade” e a “segurança” dos governos árabes que estão na defensiva.

Democracia nos países árabes resultaria em governos menos submissos aos Estados Unidos, mais “antenados” com as ruas e, portanto, muito mais agressivos em defesa dos direitos e dos interesses dos palestinos — para não falar em defesa de seus próprios interesses.

Será muito curioso observar, nos próximos dias, a dança hipócrita dos que defendem apaixonadamente a democracia no Irã mas se esquecem de fazer o mesmo quando se trata do Egito. Inclusive no Brasil.

PS do Viomundo: Vamos ver se o governo Obama deixa de fornecer gás lacrimogêneo e outros equipamentos de “segurança” ao governo Mubarak, por exemplo.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De Sanctis vai continuar a julgar Crime

De Sanctis ainda se encontrará com quem ?


O corajoso juiz Fausto De Sanctis tomará posse como juiz do Tribunal Regional Federal de São Paulo na segunda-feira que vem.

A novidade é que ele fará parte da Quinta Turma que julgará ações no Cível e … tchan! … tchan! … tchan! … e no Crime.

Criminosos do colarinho branco, tremei !


Paulo Henrique Amorim

FHC quebrou o País e não tem moral para criticar PT, diz Ferro

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE), rebateu nesta terça-feira (25) as constantes críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) aos rumos políticos e econômicos do Brasil, sob o comando do Partido dos Trabalhadores e aliados desde 2003.

De acordo com o líder petista, mesmo se a economia brasileira não estivesse tão bem quanto agora, o ex-presidente FHC não era a pessoa mais indicada para proferir qualquer crítica.

"Não podemos esquecer que foi exatamente na era FHC que o País viveu a pior estagnação econômica da história (1996-2003), como conseqüência da política de juros exagerados, que tentava a qualquer custo não arriscar o único trunfo do governo, a estabilização da moeda", lembrou Ferro. "Quem quer os conselhos de um ex-chefe de Estado que vendeu as principais riquezas do País a preço de banana, quebrou o país três vezes e aprofundou as desigualdades sociais e também entre as regiões brasileiras?", perguntou o líder petista.

Em entrevista recente à imprensa internacional, FHC declarou que o "Brasil está sem estratégia" e não investe no desenvolvimento da indústria. "Com declarações tão incoerentes, o ex-presidente FHC se expõe ao rídiculo. Ele (FHC) deveria se conformar com o expressivo desempenho da economia brasileira no governo Lula e parar de achar defeito onde não tem", disse Ferro.

Parafraseando o rei da Espanha, Juan Carlos I, numa reunião da Cúpula Ibero-Americana no Chile, em 2007, Ferro sugeriu que FHC fele menos. "Por que não te calas?", ironizou Ferro, ao criticar a constante necessidade de FHC de buscar notoriedade.

Herança maldita - Em suas declarações, FHC faz questão de dizer que mudou o Brasil, e Ferro observou que ninguém discorda disso,pois, durante o governo FHC, o "patrimônio público foi vendido a preços irrisórios, a dívida pública triplicou como proporção do PIB e o Brasil rastejou perante o FMI, entre outras medidas que afetaram a soberania nacional".

Fonte: PT na Câmara

via Vermelho

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

ESTADÃO” VIAJA PARA A SUIÇA PARA OUVIR O SERVILISMO DE FHC AOS EUA


“ESTADÃO” VIAJA PARA OUVIR O SERVILISMO DE FHC A HILLARY CLINTON, E ESQUECE DE PERGUNTAR: O QUE FHC FOI FAZER NA SUÍÇA?

"Graças ao ‘Estadão’, ficamos sabendo que Fernando Henrique Cardoso estava em Genebra, terra de bancos com contas secretas que agasalharam fortunas constituídas de roubos, desde nazistas da II Guerra até ditadores e políticos corruptos, como o recente caso de políticos do PSBD paulista com contas bloqueadas por propinas recebidas da Alstom.

A notícia que teria algum interesse, o ‘Estadão’ simplesmente "esqueceu de perguntar":

O quê FHC foi fazer na Suíça?

Sem essa pergunta, a "entrevista" não passou de uma encenação para FHC fazer lobismo pró-EUA e tentar "gerar fatos" para manter a oposição "viva", através do que ele mais sabe fazer: expor sua inveja de Lula e seu servilismo aos EUA, país que o financia desde a década de 60. Ultimamente, ele ganhou uma "boquinha" na Universidade de Brown, daquele país.

Como pode o ex-presidente demo-tucano, cujo governo ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás e colocou tanques de guerra para reprimir uma greve de petroleiros - que evitou a privatização da Petrobras - dizer que o Brasil retrocedeu na agenda dos direitos humanos? No governo Lula não teve nada parecido com esses dois episódios.

Essa conversa de FHC é puro lobby estadunidense para pressionar o Brasil, por fazer uma política independente em relação ao Irã, em todo o Oriente Médio e na América Latina não submissa aos EUA.

O ex-presidente demonstra todo seu servilismo ao dizer que concorda com Hillary Clinton, quando disse que o Brasil foi "ingênuo" com o Irã, e mostra toda sua pequeneza ao dizer que o Brasil "não tem cacife para jogar aquele jogo". Ingênuo seria votar na ONU de acordo com as armadilhas dos EUA para repetir o que fizeram com o Iraque e colocar de volta no Irã um governo submisso, como era Reza Palhevi.

Por fim, o ex-presidente provoca gargalhadas, mesmo na turma de pijama do Itamaraty que tirava os sapatos em seu governo, quando diz que se o Brasil se "comportasse bem" rezando pela cartilha de Hillary Clinton, conquistaria um aval dos Estados Unidos para ter um lugar permanente no Conselho de Segurança, como a Índia.

Ora, FHC tem todos os defeitos, menos ser tão burro assim. Todo mundo sabe que o aceno para a Índia é para atazanar a China, a potência mundial que ultrapassará a hegemonia dos EUA neste século.

Índia e China têm disputas até de fronteiras na região do Himalaia e, ao lado do Japão, [a Índia] enfrenta oposição da China para seu ingresso no Conselho de Segurança.

FHC sabe que os EUA, por vontade própria, jamais irão avalizar o Brasil ter poder de veto no Conselho de Segurança. Eles não dividem o poder por livre e espontânea vontade com ninguém, muito menos com países que sejam dóceis e servis. A Índia, durante anos, desobedeceu tudo o que os EUA queriam, desde não assinar o TNP e fazer a bomba atômica, até manter uma grande proximidade com Moscou na época da União Soviética. Só tem agora o "aval" dos EUA porque cresceu, apareceu, e compartilha interesses com os EUA na contenção do poder da China. Além disso, há o jogo de cena. Os EUA, no fundo, preferem manter o Conselho de Segurança como está, pelo menos no curto prazo. Então, nada mais confortável do que "avalizar" quem o maior adversário veta.

Para o Brasil conquistar uma vaga permanente no Conselho precisará do apoio da maioria do resto do mundo, e os EUA terão que engolir. É assim que funciona, e é assim que o governo Lula fez, e que Dilma continuará fazendo. Não adianta tirar os sapatos, não adianta entregar as riquezas nacionais submetendo-se ao neoliberalismo do Consenso de Washington, não adianta se humilhar, como fez FHC, assinando o TNP sob pressão estadunidense, sem exigir, nem conquistar, nada em troca. Nada disso trouxe-nos "aval" daquele país.

O resto da entrevista é um festival de besteiras, também ecoando, um pouco mais sutilmente, o discurso de Hillary Clinton contra Chávez, contra Lula e contra a Bolívia.

É deplorável que um ex-presidente brasileiro se comporte como se fosse um funcionário do terceiro escalão do Departamento de Estado dos EUA, repetindo o que o primeiro escalão daquele país quer que seja dito.”
post do amigos do presidente lula

Lula redesenhou o mapa do Brasil

O ansioso blogueiro foi a Suape dar um abraço em Lula

Este Conversa Afiada se permite dizer há muito tempo que, desde Vargas, nenhum outro Presidente viu o mapa do Brasil inteiro, diante de si, como Lula.

Lula acelerou dois movimentos de mobilidade: vertical, com a ascensão social; e na horizontal, com a integração do País, economicamente.

E o Farol de Alexandria continua a achar, na sua secundária perspectiva, que a Dilma e o Lula não tem estratégia – clique aqui para ver como Nassif disseca a subalternidade do pensamento do Farol de Alexandria.

JK levou o Brasil para São Paulo.

Lula levou o Brasil para o Brasil, inteiro.

Saiu no Valor de hoje, na pag. A3:

“Petróleo e ferrovias dinamizam portos do Norte e do Nordeste”

Trata-se de reportagem de André Borges que fala da crescente papel dos portos de Vila do Conde (Para), Itaqui (Maranhão), Pecem (Ceara) e Suape (Pernambuco) na movimentação da carga no País.

E como a expansão ferroviária e a Petrobras participam desse movimento de integração econômica irreversível.

Ainda este ano, a Ferrovia Norte-Sul, que São Paulo dinamitou no Governo Sarney, começa a licitar tráfego de cargas.

A FNS concluiu o trecho Norte e vai dinamizar Vila do Conde e Itaqui.

Vila do Conde, ainda, vai se beneficiar da recente inauguração das eclusas de Tucuruí.

Itaqui vai transportar grãos do Norte e se fortalecer com a refinaria Premium que a Petrobras constrói ali perto, para desespero dos “especialistas”.

A Ferrovia Trans-Nordestina vai cortar o Sertão, em 1.728 km.

Vai ligar o interior do Maranhão e do Piauí a Pecem, no Ceara, e a Suape, em Pernambuco.

Pecem terá que ajudar a outra Premium da Petrobras – para desespero dos “especialistas” – e dar conta da siderúrgica que a Vale constrói ali perto.

E daqui a pouco entra em funcionamento a termoelétrica do Eike Batista

Por fim, Suape, que ajuda a fazer uma revolução em Pernambuco – clique aqui para ler “Suape fez uma revolução em Pernambuco e Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Cerra”. e “Bacelar: nunca vi o Nordeste melhor”.

Ali em Suape a Petrobras constrói a refinaria Abreu e Lima, que vai produzir 230 mil barris/dia.

Daqui a pouco chega a fabrica da Fiat, que Minas perdeu para Pernambuco: um investimento de R$ 3 bilhões para produzir 200 mil carros por ano.

O estaleiro Atlântico Sul prevê expansão e a Petroquímica Suape se instalara.

A produção agrícola e mineral vai sair do interior do Maranhão e do Piauí, pegar a Trans-Nordestina e escolher: sai por Pecem ou por Suape ?

Tudo isso e’ resultado de um projeto que o Globo chama de “empacado “- o PAC do Lula e da Dilma.

(Não esquecer que o maior projeto industrial em curso no Brasil, hoje, é o complexo Comperj, no Rio, uma integração de refinaria com industria petroquímica, sob o impulso da Petrobras, que, um dia, foi Petrobrax.)

Os militares falavam em “integrar a Amazônia para não entregar “.

Era uma visão estreita, nacionalisteira, que só pensava na Chevron – Cerra e Roberto Campos é quem entendem de Chevron.

Não levava o brasileiro, o povão, para a mesa de negociação.

Lula pensou na frente, olhou com os olhos de Vargas.

Pensou em integrar na geografia e no bolso.

Espalhou o crescimento econômico e botou dinheiro e educação ao alcance do pobre.

O crescimento não fica mais restrito aos 20 milhões de brasileiros que vivem na Republica da Daslu.

Lula criou um País de 200 milhões.

Lula redesenhou a geografia econômica do Brasil.

Saravá!

Paulo Henrique Amorim

WikiLeaks: “EUA tentaram impedir programa brasileiro de foguetes”

Alcântara: FHC só não fechou pq Waldyr Pires não deixou

O Conversa Afiada reproduz email enviado por Stanley Burburinho (quem será ele? ):


“EUA tentaram impedir programa brasileiro de foguetes, revela WikiLeaks

José Meirelles Passos

RIO – Ainda que o Senado brasileiro venha a ratificar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil (TSA, na sigla em inglês), o governo dos Estados Unidos não quer que o Brasil tenha um programa próprio de produção de foguetes espaciais. Por isso, além de não apoiar o desenvolvimento desses veículos, as autoridades americanas pressionam parceiros do país nessa área – como a Ucrânia – a não transferir tecnologia do setor aos cientistas brasileiros.

A restrição dos EUA está registrada claramente em telegrama que o Departamento de Estado enviou à embaixada americana em Brasília, em janeiro de 2009 – revelado agora pelo WikiLeaks ao GLOBO. O documento contém uma resposta a um apelo feito pela embaixada da Ucrânia, no Brasil, para que os EUA reconsiderassem a sua negativa de apoiar a parceria Ucrânia-Brasil, para atividades na Base de Alcântara no Maranhão, e permitissem que firmas americanas de satélite pudessem usar aquela plataforma de lançamentos.

Além de ressaltar que o custo seria 30% mais barato, devido à localização geográfica de Alcântara, os ucranianos apresentaram uma justificativa política: “O seu principal argumento era o de que se os EUA não derem tal passo, os russos preencheriam o vácuo e se tornariam os parceiros principais do Brasil em cooperação espacial” – ressalta o telegrama que a embaixada enviara a Washington.

A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que “embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”. Mais adiante, um alerta: “Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”.

O Senado brasileiro se nega a ratificar o TSA, assinado entre EUA e Brasil em abril de 2000, porque as salvaguardas incluem concessão de áreas, em Alcântara, que ficariam sob controle direto e exclusivo dos EUA. Além disso, permitiriam inspeções americanas à base de lançamentos sem prévio aviso ao Brasil. Os ucranianos se ofereceram, em 2008, para convencer os senadores brasileiros a aprovarem o acordo, mas os EUA dispensaram tal ajuda.

Os EUA não permitem o lançamento de satélites americanos desde Alcântara, ou fabricados por outros países mas que contenham componentes americanos, “devido à nossa política, de longa data, de não encorajar o programa de foguetes espaciais do Brasil”, diz outro documento confidencial.

Viagem de astronauta brasileiro é ironizada

Sob o título “Pegando Carona no Espaço”, um outro telegrama descreve com menosprezo o voo do primeiro astronauta brasileiro, Marcos Cesar Pontes, à Estação Espacial Internacional levado por uma nave russa ao preço de US$ 10,5 milhões – enquanto um cientista americano, Gregory Olsen, pagara à Rússia US$ 20 milhões por uma viagem idêntica.

A embaixada definiu o voo de Pontes como um gesto da Rússia, no sentido de obter em troca a possibilidade de lançar satélites desde Alcântara. E, também, como uma jogada política visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Num ano eleitoral, em que o presidente Lula sob e desce nas pesquisas, não é difícil imaginar a quem esse golpe publicitário deve beneficiar.

Essa pode ser a palavra final numa missão que, no final das contas, pode ser, meramente ‘um pequeno passo’ para o Brasil” – diz o comentário da embaixada dos EUA, numa alusão jocosa à célebre frase de Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na Lua, dizendo que seu feito se tratava de um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a Humanidade.


http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/01/25/eua-tentaram-impedir-programa-brasileiro-de-foguetes-revela-wikileaks-923601726.asp

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

DEFESA DE LONGO PRAZO


Forças Armadas entregam ao governo um plano detalhado para triplicar a capacidade militar do País em 20 anos. O custo pode chegar a R$ 60 bilhões

No Brasil, planos de expansão e modernização das Forças Armadas costumam ser tão grandiloquentes quanto vagos. Não foi diferente há dois anos, quando o governo Lula lançou a ambiciosa Estratégia Nacional de Defesa. Tratava-se de projeto cheio de metas ousadas, mas que não explicava como as Forças Armadas poderiam alcançá-las na prática. Agora, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, acredita que pode resolver a parada com seu chamado "Plano de Articulação e Equipamento da Defesa" (PAED), que entregará à presidente Dilma Rousseff até o final do mês.

O documento propõe triplicar a capacidade militar do País nos próximos 20 anos, a custo estimado em R$ 60 bilhões. Além de comprar mais equipamentos e veículos, Jobim diz que pretende elevar o nível tecnológico das operações militares ao “estado da arte”. Assim, acredita que o Brasil teria condições de proteger seus recursos naturais, como o pré-sal, e assumir assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. “Não há como agir em crises internacionais sem ter poder militar”, avalia o ministro.

Entre as medidas previstas está a criação de sistema de controle espacial, a compra de dezenas de veículos aéreos não tripulados (VANT), além de fragatas e tanques de guerra. Esses equipamentos seriam posicionados em áreas estratégicas do País com a criação de novas bases militares conjuntas do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

O plano, que está na mesa de Jobim, sugere ainda a aprovação de legislação especial para garantir os investimentos da Defesa. “A ideia é ter lei que torne o investimento no setor insuscetível de contingenciamento”, disse ele à ISTOÉ. Também será proposta a ampliação dos contingentes militares para cerca de 400 mil – hoje são 288 mil – e mudanças na carreira militar, com novas regras de promoção e reforma da previdência da área.


Para a Marinha, os principais investimentos se destinam à criação de segunda esquadra, além de rede de satélites-radares e de torres de controle para proteger as plataformas de petróleo e rotas marítimas. Essa rede seria conectada a outra, do Exército: o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFROM), também composto por satélites e radares.


Para aumentar a presença física na Amazônia, o Exército quer aumentar de 21 para 49 os Pelotões Especiais de Fronteira. A Aeronáutica, por sua vez, deseja novo Sistema de Controle do Espaço Aéreo que, segundo Jobim, “não será mais desmilitarizado”.

FONTE: reportagem de Claudio Dantas Sequeira publicada na revista Isto É.

ENFIM, UMA VITÓRIA TUCANA. MUDOU O VOCABULÁRIO DO PAULISTANO


Extraído do blog “Os Amigos do Presidente Lula”:

COMENTÁRIOS PELAS RUAS DE SÃO PAULO:

- Depois de tanta chuva, Alckmim anunciou a construção da hidroelétrica do Anhangabaú.

- Em SP não se fala mais direita e esquerda… agora é bombordo e estibordo!

- Se a São Silvestre fosse em janeiro, o Cesar Cielo iria humilhar!

- Depois do Airbag, os coletes salva vidas são os opcionais mais importantes nos carros de São Paulo.

- O melhor serviço de entrega em SP é do Submarino.

- Ninguém passa fome em São Paulo, Bolinho de Chuva é o que não falta.

- Vamos assistir a chuva lá em casa hoje??

- Quem acha que a água do mundo está acabando não mora em SP.

- Meu passeio ciclístico de hoje fiz de pedalinho.

- Agora, todo paulistano tem casa com vista para o mar.

- Tem carioca morrendo de inveja, agora São Paulo tem dois mares: Mar ginal Tiete e Mar ginal Pinheiros.

- A Dilma está lançando o BALSA-familia pra ajudar São Paulo

- Pelo menos a SABESP cumpriu o prometido: água e esgoto na casa de todo mundo.

- O Alckmim tá trocando o bilhete Único pelo bilhete ÚMIDO!!

- A Marta disse para o Alckmim: Relaxa e bóia!!!”

FONTE: leitor João Batista do blog “Os Amigos do Presidente Lula”

ISSO! NÃO PASSA NO JORNAL NACIONAL!!

Bacelar desmente o Globo: “Nunca vi o Nordeste melhor”

Bacelar desmente o Globo: “Nunca vi o Nordeste melhor”

Suape (PE): a Globo instalaria em Cingapura

Saiu no Globo, pág. 30:

“Tania Bacelar: nunca vi o Nordeste melhor”.

Tania Bacelar é professora de Economia da Universidade Federal de Pernambuco.

E, na eleição, deu corajosos depoimentos – por exemplo – para desmentir a ideologia da elite paulista (separatista, por definição) de que o Nordeste vota em Lula e em Dilma por meia dúzia de migalhas.

Agora, o Globo tenta desqualificar a expansão sino-nordestina, de taxas de crescimento espantosas.

O Globo – campeão do “Nada vai dar certo” – tenta provar que o Nordeste vai empacar porque falta mão de obra qualificada.

É uma teoria interessante.

Quando JK instalou a indústria automobilística em São Paulo abundavam engenheiros e operários metalúrgicos.

E por isso a indústria automobilística (especialmente a de São Paulo) é o retumbante fracasso que hoje testemunhamos.

Se o JK lesse o Globo, ele instalava a indústria automobilística brasileira em Cingapura, como faz o Roger Agnelli, que breve – ufa ! – deixará a presidência da Vale.

Vamos à Bacelar, que, sozinha, vale todo o PiG (*) reunido num mesmo saco de farinha:

“(O Nordeste) está melhorando bastante, principalmente na renda, que tem crescido puxada pela demanda das classes populares que beneficiou o Norte e o Nordeste.”

“O aumento do salário mínimo também foi muito positivo.”

“Também estamos vendo emprego com desempenho bom no Ceará, com indústrias intensivas de mão de obra, como alimentos, calçados e confecções. No Piauí, há investimentos industriais e agro-negócio forte (**).”

“Estudo a economia do Nordeste desde os anos 60 e nunca vi o Nordeste melhor.”

Paulo Henrique Amorim

Alckmin herda de Cerra fabulosa conta de publicidade

Este Brasil que está nascendo

Saiu no Estadão, escondido na pág. A7:

“Alckmin ‘herda’ R$ 307 milhões em contratos de publicidade de Serra”.

São 22 contratos.

Isso é seis vezes o orçamento da Secretaria de Defesa da Pessoa com Deficiência.

Alckmin já decidiu tirar R$ 24 milhões da publicidade cerrista para limpar o rio Tietê – que encheu de novo na noite de domingo para segunda, por culpa do Cerra.

Alckmin tinha decidido rever todos os contratos da jestão Cerra/Goldman.

“Só a Lua Branca, agência de Luiz Gonzalez (marqueteiro do Cerra e co-autor intelectual da exploração do tema do aborto – “este Brasil que está nascendo” – e do cano que ia de Sergipe ao Ceará ) mantém três contas semestrais no total de R$ 87,6 milhões.”

Que beleza: R$ 87,6 milhões para botar um cano quem vai de Sergipe ao Ceará em “obras de infra-estrutura”.

Esse Gonzalez é um jenio !

É um jenio que “está nascendo” !

Ou já nasceu ?

Com a Dersa, responsável pelo Robanel dos Tunganos, Cerra gastou R$ 36 milhões em publicidade.

E a Lua Branca está lá, também.

Mas, o grande campeão é a própria SECOM do Governador Cerra, também conhecido como “presidente eleito”.

A campanha presidencial do Cerra (novamente derrotado em 2010) custou, só na rubrica SECOM, R$ 105 milhões.

E a sujeira do Tietê ?

A Vila Itaim que se lixe !

Clique aqui para ler “O que o Cerra fez no Jardim Romano e na Vila Itaim não é um crime eleitoral ?”.

E tem a Sabesp, do outro jenio, o Gesner de Oliveira.

A Sabesp gastou em publicidade R$ 43,7 milhões para sanear o Acre !

O Cerra era e ninguém sabia uma Casas da Banha da publicidade na tevê.

E quem, amigo navegante, ficou com a fatia do leão nessa verbinha ?

A TV Cutura ?

A Gazeta ?

Ou terá sido aquela empresa que invadiu por onze anos um terreno numa área nobre da cidade e o Cerra agasalhou ?

Que empresa será, amigo navegante ?

Lembra daqueles comerciais com um metrô que parece o de Vancouver ?

Uma parte desse dinheirinho ainda está por gastar.

Será que o Governador Alckmin vai meter a mão nessa cumbuca ?

O que a OAB pode vir a dizer sobre as relações entre a Lua Branca e o Cerra ?

Isso é muito perigoso: cair na mira da OAB, governador !

A OAB é implacável !

Paulo Henrique Amorim

O VEXAME DOS BRASILEIROS QUE DEFENDERAM O GOLPE EM HONDURAS


Por Bruno Ribeiro, no blog “A Trincheira”

"Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas em que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.

Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.

Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.


Assim que o Brasil assumiu posição de protagonista ao enfrentar os golpistas e dar abrigo ao presidente legítimo na sua embaixada em Tegucigalpa, esse pessoal que ficou responsável por defender a legitimidade do golpe frente à opinião pública brasileira começou a repetir os argumentos fajutos dados pelos golpistas para tentar justificar o atentado contra a democracia daquele país.

Afirmaram enfaticamente que o golpe era legítimo porque Zelaya tentara mudar a constituição. Na verdade, o que Zelaya tentou fazer foi um plebiscito onde a população decidiria se o presidente poderia ser reeleito ou não. Muito mais democrático do que tentar o mesmo através de emenda constitucional, sem respaldo popular como fez FHC em 1997.

A desculpa oficial para justificar o golpe era uma cláusula pétrea na constituição que impedia a reeleição do presidente, portanto passaram a defender que não existiu golpe nenhum, e da mesma forma que vivem tentando reescrever a nossa história, determinaram que o que houve em Honduras em 2009 e no Brasil em 1964 foram “contra-golpes”.

Nem o fato do governo golpista ter fechado TV, rádios e jornais à força, além de ter reprimido com violência manifestações populares mexeu com os brios de quem trabalha com imprensa ou estimulou condenações contra a restrição às liberdades de imprensa. Até a população que protestava contra o golpe e tomou as ruas de Tegucigalpa, chegando a fazer um cerco de proteção à embaixada do Brasil foi classificada como “partidários de Zelaya” e não “dissidentes” como eles costumam classificar opositores de regimes que eles consideram ditaduras.

A humilhação já tinha vindo com uma das revelações do Wikileaks onde o embaixador americano em Honduras classificou o golpe como golpe, simples assim. Logo os EUA, por quem essas pessoas dedicam toda a sua reverência, vem a público ridicularizar suas teorias de “golpe branco”. Naquela ocasião já deveriam ter pedido o boné, como se diz no popular, mas o castigo tinha de ser maior.

Pois bem, nessa semana o governo atual de Honduras, eleito em pleito não reconhecido pela maioria dos países, inclusive o Brasil, e o congresso daquele país aprovaram, em uma ação pouco noticiada pela imprensa brasileira, uma modificação na constituição que permitirá a reeleição do presidente. Exatamente o que Zelaya tentou fazer e virou desculpa para o golpe de estado.

Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor não vão se explicar, vão continuar com espaço para falar o que o diretor de jornalismo da Rede Globo e os diretores da emissora gostariam de dizer, mas não tem coragem, no entanto, a cada dia mais gente vai entendendo o papel a que essas se prestam.”

FONTE: escrito por Bruno Ribeiro, no blog “A Trincheira”.

‘ESTADÃO’ DESMORALIZA A ‘FOLHA’


“A Folha inventou mais um factóide para arranhar a alta popularidade de Lula e, de quebra, criar constrangimentos para Dilma Rousseff bem no início do seu governo. Ela deu manchetes para a "grave" concessão de passaportes diplomáticos aos filhos do ex-presidente. Todo dia ela bate bumbo com este assunto "altamente relevante". Mas esse escárceu todo é ridículo e, como tal, foi desmoralizado pelo concorrente Estadão.

Por Altamiro Borges

Reportagem de Denise Madueño e Leandro Colon revela que a emissão desses passaportes é um fato corriqueiro há muito tempo. E não beneficia apenas os filhos de Lula, como a Folha insinua maldosamente - com objetivos políticos, de oposicionista hidrófoba. Outros ex-presidentes também têm esse direito, além de deputados e seus parentes.

EMISSÃO DE 360 PASSAPORTES

Segundo a reportagem, "pelo menos dois terços dos passaportes especiais solicitados pela Câmara dos Deputados ao Itamaraty, entre sexta-feira, 7, e fevereiro de 2009, foram para mulheres, maridos e filhos dos parlamentares. E cerca de 87% dos vistos internacionais para esses documentos tiveram motivação turística, segundo dados da Segunda Secretaria da Câmara, responsável por essa tarefa".

"Quem tem esse documento recebe privilégios em aeroportos, como filas e atendimentos especiais, prioridade em bagagens e, dependendo do país, fica até dispensado da necessidade de tirar visto... O balanço da Câmara mostra que cerca de 360 passaportes diplomáticos foram emitidos nestes últimos dois anos... De acordo com os dados, pelo menos 125 passaportes foram emitidos para filhos e 110 para cônjuges".

GUERRA QUEIMOU A LÍNGUA

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra - que fugiu da disputa pela reeleição ao Senado em Pernambuco, mas adora posar de jagunço -, emitiu uma nota com duras críticas ao ex-presidente na esteira do factóide da Folha. Ele devia ser mais cuidadoso com sua língua ferina. O registro da Segunda Secretaria mostra que, no dia 21 de dezembro do ano passado, o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO) mandou o ofício 250/2010 pedindo passaporte diplomático e visto para ele, a mulher e três filhos viajarem para Miami.

Parlamentares de vários outros partidos também gozam desse privilégio. "Em julho de 2010, a Segunda Secretaria providenciou passaportes diplomáticos para dois filhos de Ratinho Júnior (PSC-PR) viajarem a 'turismo', segundo a Câmara, para Miami". A legislação para emissão de passaporte diplomático é vinculada ao decreto 5.978/2006 e garante esse direito aos membros do Congresso e seus dependentes. O benefício pode até ser impopular, mas é legal - o que confirma a baixaria da Folha.

TRATAMENTO DIFERENCIADO E SELETIVO

O curioso é que esse mesmo jornal, de propriedade da Famíglia Frias, nunca foi atrás das várias denúncias envolvendo o ex-presidente FHC. Alguns dos seus colunistas, até pelas relações íntimas que mantêm com o tucano, conheciam as denúncias, mas sempre o trataram como um "princípe da Sorbonne" acima de qualquer suspeita. No seu ranço de classe, preferem criticar o peão Lula, que tira suas férias em quartéis no litoral brasileiro, do que falar mal do aristocrático FHC, que sempre viajou para a Europa.

Como observou Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, a cobertura sobre factóide do passaporte especial - que a Folha detonou e, na dobradinha orquestrada, a TV Globo amplificou - é totalmente distorcida. Ela só engana os ingênuos, metidos a puristas. O tratamento diferenciado dados aos dois ex-presidentes só confirma a manipulação.

A mídia "jamais incomodou FHC com a história do filho ilegítimo que gerou com uma jornalista da Globo... As encrencas de outros filhos de FHC, os assumidos por ele, jamais chegaram tão rápido ao noticiário. Só em 2009, oito anos depois de o tucano deixar o poder, a mídia soltou notinhas sobre Luciana Cardoso, que recebia salários do Senado sem aparecer por lá para trabalhar", afirma, indignado, Eduardo Guimarães.”

FONTE: portal “Vermelho”

sábado, 22 de janeiro de 2011

Tucano Alvaro Dias cobra sua aposentadoria de luxo: R$ 1,6 milhão

Senador Alvaro Dias

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) escancarou a hipocrisia por trás do discurso moralista da oposição. Ex-governador paranaense, Dias solicitou ao governo do estado o pagamento retroativo de cinco anos da aposentadoria de R$ 24,8 mil concedida a ex-governadores. Caso o pedido seja aprovado, o senador pode receber cerca de R$ 1,6 milhão.

O senador governou o estado de 1987 a 1991 e recebe a aposentadoria desde outubro, quando finalmente solicitou o benefício. Desde 1999, ele ocupa uma vaga no Senado. Agora, 20 anos após deixar governo, ele fez, na semana passada, o pedido dos pagamentos retroativos — que foi encaminhado para análise da Procuradoria-Geral do Estado.

Caso o senador obtenha o que requereu, receberá mais de R$ 1,6 milhão, equivalente a 65 pagamentos, já que a aposentadoria inclui um 13º salário. Em 2006, quando foi reeleito para mais um mandato no Senado, Dias informou em sua declaração de bens possuir um patrimônio de mais de R$ 1,9 milhão, composto em sua maioria por imóveis. Com cadeira no Senado até 2015, ele foi contemplado pelo reajuste salarial que elevou o salário de congressistas para R$ 26,7 mil.

Mesmo diante de um renda tão elevada e de um pedido tão escandaloso, Alvaro Dias não quer dar satisfação a seus eleitores e aos contribuintes. O senador evitou justificar o pedido e disse que, se decidiu recorrer 20 anos após, é porque "há razões" para isso — sem revelar os motivos.

"Pretendo falar a respeito no momento adequado porque há processo em curso, já que não requeri a aposentadoria nesses 20 anos. Se há alguma mudança de comportamento, é porque há alguma razão. Eu pretendo esperar concluir o processo para poder falar sobre isso", afirmou.

O senador disse que só vai se manifestar sobre o caso ao final do processo. Mesmo lembrando que a lei remonta ao regime militar (1964-1985), Dias não pareceu nada constrangido. "A iniciativa foi do presidente Costa e Silva em razão de ter um ex-governador do Rio Grande do Sul que estava sendo despejado, em situação difícil. Alguém levou ao presidente, à época, o fato. Acabou o presidente elaborando uma legislação a respeito. É um assunto antigo, há algumas exceções, mas no geral todos ex-governadores recebem desde essa época."

Vestal da ética no Senado e um dos maiores críticos do governo progressista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no que dizia respeito aos gastos públicos, Dias cai em mais uma humilhante contradição. Se obtiver o incremento da aposentadoria retroativa, seu patrimônio — já milionário — praticamente vai dobrar, à custa justamente do povo.

As aposentadorias foram alvo de um pedido do Ministério Público do Paraná. Em dezembro, a Promotoria pediu à Procuradoria-Geral da República que entrasse com uma ação direta de inconstitucionalidade no STF (Superior Tribunal Federal) para acabar com o benefício. A OAB nacional também diz que questionará a constitucionalidade do benefício no STF.

post do vermelho

Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio

Foto Manuela Azenha

João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está otimista. Depois da derrota eleitoral de Lula, em 1989, ele acredita que os movimentos sociais brasileiros enfrentaram um longo período de hibernação. Hoje, no entanto, ele acredita que estejam novamente em ascensão. Identifica no apoio da maior parte deles a Dilma Rousseff uma unidade que há muito não via, a ponto da candidata reunir em torno dela apoios que nem mesmo Lula conseguiu, em 2002 e 2006.

Na noite desta quarta-feira João Pedro nos recebeu no casarão que é sede do MST em São Paulo, uma propriedade que foi comprada com dinheiro arrecadado pelo fotógrafo Sebastião Salgado em uma exposição internacional de fotos do movimento. Ele agora está de olho em um galpão industrial do bairro, que gostaria de transformar em um centro cultural. O MST faz muitos outros planos: a produção de arroz e suco de uva orgânicos para servir na merenda escolar, um projeto para a alfabetização de adultos e a formação universitária dos sem terra estão entre eles (o movimento já “formou” dez doutores).

Sugerimos que você ouça a entrevista na íntegra. Participaram eu, Luiz Carlos Azenha, Conceição Lemes e Manuela Azenha. É um passeio pelos principais temas que a sociedade brasileira enfrentará, obrigatoriamente, nos próximos anos. Começamos falando sobre as eleições e uma recente entrevista de Stédile ao Brasil de Fato que o Viomundo reproduziu.

Sobre a ascensão dos movimentos sociais:

Viomundo: Bom, vamos lá começar então perguntando sobre a conjuntura política. Eu li o seu artigo sobre a necessidade dos movimentos sociais apoiarem a candidatura da Dilma. Por que essa sua posição?

Stédile: A maioria dos movimentos não fizeram um debate explícito sobre a quem apoiar, para preservar uma certa autonomia, ou seja, como não somos partidos políticos — e mesmo o movimento sindical, mesmo a UNE na sua plenária ela definiu contra o Serra, mas sem indicação de voto — porque a rigor a nossa base deve votar de acordo com a sua consciência, aqui não é um comitê central que decide vota em fulano e todo mundo baixa a cabeça. A natureza do movimento social é muito mais ampla. No entanto, eu acho que se criou um ambiente político no Brasil nos últimos meses que levou a que 90% dos movimentos sociais aregaçassem as mangas e trabalhassem contra o Serra e a favor da Dilma, na perspectiva de que num governo Dilma vai ter uma correlação de forças mais propícia para fazer a luta social e para apresentar propostas de mudanças estruturais, que é o que a sociedade brasileira precisa.

Viomundo: Que propostas você acredita sejam as mais importantes?

Stédile: Ah nos vários campos. Por exemplo, na política economia. Não basta seguir mais quatro anos do mesmo. Nós precisamos enfrentar radicalmente o problema do superávit primário. Nenhum país do mundo pratica — dos países grandes, de economias grandes — pratica superávit primário, só Brasil e Argentina. Por que manter essa política que na verdade é um processo de apropriação da poupança nacional, que é recolhida na forma de impostos de todo mundo, de forma compulsória, vai para a Receita Federal e a Receita Federal separa 26% para pagar juro? Eu espero que o governo inclusive tenha aprendido com a crise do ano passado, porque o que salvou o Brasil de um efeito mais grave na economia foi que o Lula sabiamente tirou 100 bilhões do superávit primário e botou no BNDES e esses 100 bilhões foi que garantiu o crescimento econômico, ou seja, ele foi direcionado para investimentos produtivos.

Bem, o tema dos juros — é um absurdo a taxa de juros atual, não só a Selic, que é [a taxa] que o governo paga, mas sobretudo o que as pessoas e empresas pagam. Cartão de crédito no Brasil, que é o que financia o consumo da classe média, com taxa de juro de 190% ao ano, mas nem na crise de 19 no período do Hitler, que justificou a ditadura dele, havia uma taxa de juro tão alta, real, isso tem que mudar.

Tem que mudar a jornada de trabalho. Na conjuntura anterior nós não tivemos força para emplacar 40 horas. Eu acho que agora nós vamos ter unidade de todas as centrais, dos movimentos sociais para fazer um movimento mais vigoroso e emplacar a jornada de trabalho. Então, você veja, só esses três aspectos na política econômica, isso altera a correlação de forças na sociedade. Isso significaria mais distribuição de renda para os trabalhadores, melhores condições para os que produzem a riqueza.

Bem, na agricultura nós temos vários pontos que são fundamentais para mudar. Desde acelerar a reforma agrária, porque nós não temos reforma agrária atualmente, nós temos uma política de assentamentos, que ela é mais direcionada a resolver problemas sociais. Então, quando tem um conflito em determinada região, o governo vai lá, desapropria uma fazenda e desanuvia. Mas isso não é reforma agrária, reforma agrária é quando tem uma política propositiva que o governo se antecipa para garantir que todos os que querem trabalhar na terra tenham acesso à terra. Para isso ele tem de tomar iniciativa e desapropriar os maiores latifúndios. Só assim vai haver uma desconcentração da propriedade. O dado do Censo de 2006 revelou que a concentração atual da propriedade da terra é maior do que em 1920. Na semana passada o presidente do Incra teve a lucidez de revelar um dado que não está publicado ainda nos cadastros do Incra, de que há uma avalanche de empresas brasileiras indo aplicar o seu dinheiro, se proteger em patrimônio-terra. E hoje há 177 milhões de ha em propriedades de capitalistas que moram na cidade, de empresários, ou seja, são empresas industriais, bancos, que são donos de terra, que a rigor não é o seu meio de produção.

Também nós temos no problema da terra o tema do modelo do agronegócio, que ele é insustentável a longo prazo, porque o agronegócio ele só consegue produzir com mecanização intensiva e isso expulsa a mão-de-obra. Há dez anos havia 6 milhões de assalariados agrícolas no Brasil. Hoje, se reduziram a 1,6 milhão. E com o uso intensivo de agrotóxicos. E o veneno, por ser de origem química, não é biodegradável. Ele acaba com o solo, contamina a água ou, pior ainda, fica nos alimentos e vai se transformar em câncer.

post do viomundo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Telebrás obtém licença para oferecer banda larga no país

Será que o PiG vai gostar de ter mais gente acessando a internet ?

Saiu na Folha online:

Anatel dá licença para Telebrás atuar com banda larga

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA
COM SÃO PAULO

O Conselho Diretor da Anatel aprovou nesta quinta-feira a licença de comunicação multimídia para a Telebrás.

A autorização é indispensável para que a estatal venda internet banda larga para os provedores, dentro do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).

A Telebrás encaminhou o pedido à Anatel no início de outubro, quando ainda tinha a pretensão de inaugurar as primeiras conexões do plano em dezembro de 2010. Atrasos na licitação de equipamentos retardaram o início para abril, segundo as atuais projeções do governo.

Com a licença, chamada SCM (Serviço de Comunicação Multimídia), a Telebrás está habilitada a atuar no mercado, vendendo conexão com preços mais baixos no atacado. A licença também permite que a Telebrás venda internet ao consumidor diretamente.

O PNBL prevê a cobertura de 68% dos domicílios do país com internet até 2014. O pacote mais básico seria oferecido a R$ 15 por uma velocidade de conexão de até 512 Kbps (kilobits por segundo). Outro, com velocidade de conexão entre 512 Kbps e 784 Kbps, custaria até R$ 35.

Em dezembro do ano passado, a estatal adiou a sua meta de implantação do Plano Nacional de Banda Larga para abril deste ano. A previsão era conectar as cem primeiras cidades à internet de alta velocidade em dezembro, mas a estatal ficou com o seu orçamento de R$ 1 bilhão congelado por falta de aprovação de projetos no Congresso.

(…)

Clique aqui para ler:”Bernardo enquadra teles: quer banda larga a R$ 30″.

post conversaafiada


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Plano nacional de banda larga terá R$ 589 milhões para 2011

A Telebras terá R$ 589 milhões este ano para implantar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e conectar 1.173 cidades à grande rede, a um custo previsto de R$ 35 para o cidadão. Os recursos correspondem aos R$ 316 bilhões em créditos extraordinários do Poder Executivo, previstos para 2010 e empenhados no final de dezembro, somados aos R$ 273 milhões em aporte de capital previsto para 2011.



O valor ficou abaixo da previsão de que, em 2010, seriam liberados R$ 600 milhões, e, em 2011, mais R$ 400 milhões. A diminuição dos recursos, no entanto, não tirou o otimismo do presidente e diretor de Relações com Investidores da Telebras, Rogério Santanna.

“Ainda não fiz o ajuste fino [para avaliar se será possível implantar o PNBL com R$ 589 milhões, em vez dos R$ 1 bilhão previsto]. Mas acredito que isso nos dará liberdade para fazer os contratos, já que os editais acabaram resultando em preços menores do que o que esperávamos. Por isso, é sim, possível”, disse Santanna, após a primeira reunião com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, no final da manhã desta quarta-feira.

Segundo ele, a reunião foi destinada à apresentação de uma “radiografia” da estatal. “Ele [Paulo Bernardo] enfatizou a importância do PNBL e disse que essa será uma questão central para o governo, conforme já afirmou em outras oportunidades”, disse Santanna.

Segundo o presidente da estatal, todas as pendências jurídicas que suspendiam os editais já foram resolvidas. Com isso, o cronograma do governo, que já havia adiado para abril o início da implantação do PNBL nas 100 primeiras cidades, está mantido.

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) prevê levar o serviço de internet em alta velocidade para 4.283 municípios, com baixo preço, até 2014.

Prioridade do novo ministro

Em seu discurso de posse realizado na segunda-feira (3), o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já havia sinalizado que a expansão e melhoria da internet em alta velocidade será prioridade de sua gestão.

Um dos principais recursos que o governo deve lançar mão será o de reduzir impostos que incidem sobre equipamentos e serviços de telecomunicações a fim de forçar as empresas prestadoras a diminuir o preço de seus serviços. A concretização dessa ideia começou a ser feita no governo Lula. No último dia de 2010 foi publicada a Medida Provisória (MP) nº 517 que prevê dois benefícios fiscais para o setor.

O primeiro extende o benefício do programa Computador para Todos para os modems (para acesso móvel). Esses equipamentos agora estão isentos de PIS e Cofins, que equivalem a 9,25% de seu preço de venda. Assim, o governo pretende ajudar os estados a baixar também o ICMS e possibilitar diminuição dos preços cobrados pelo serviço atualmente. O segundo benefício fiscal presente na MP 517/2010 visa ampliar o estímulo aos bens de telecomunicação desenvolvidos no país. Para esses, haverá a desoneração total do IPI.

Paulo Bernardo, que é bancário e ocupou vários cargos ligados à área econômica em sua vida pública, também informou que a equipe do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está mapeando a cadeia produtiva do setor de comunicações para melhorar as condições de produção do que é feito no país e estimular o aumento da produção nacional.

Tudo leva a crer que essa política de desoneração e incentivo à produção nacional deverá ser ponto forte da gestão de Paulo Bernardo. Esse discurso vai de encontro às exigências dos empresários do setor de telecomunicações, que dizem que os altos preços praticados no país são decorrência dos impostos. No entanto, o ministro já disse publicamente que não acredita que o valor das tarifas brasileiras são derivadas apenas da alta carga tributária, fazendo uma crítica aberta a atuação das teles no país.

Rede estatal

Por isso, o PNBL conta também com outras formas de massificar o acesso à internet. A utilização de uma rede estatal gerenciada pela Telebrás é a maior delas. “A reestruturação da Telebras deve ser entendida como um reforço a capacidade de operação não apenas das pequenas e médias operadoras, mas também das grandes, em particular as concessionárias”, disse Paulo Bernardo, em sua posse.

Além de ser o novo centro gerenciador do PNBL, ao lado da Telebrás, o Minicom também vai centralizar a política de inclusão digital do governo. O novo ministro anunciou que uma secretaria será criada ainda este mês com este fim. Não se sabe, porém, quem ocupará a coordenação do novo órgão. No entanto, os assuntos relativos ao PNBL devem mesmo ficar por conta do ministro em conjunto com César Alvarez, que agora ocupa a função de secretário-executivo do Minicom. No governo Lula, Alvarez era assessor especial da Presidência da República.

Inclusão digital democratiza comunicação

O decreto n. 7.175/2010 que instituiu o PNBL fixou que o Plano tem, outre outros, o objetivo de "fomentar e difundir o uso e o fornecimento de bens e serviços de tecnologias de informação e comunicação, de modo a: massificar o acesso a serviços de conexão à Internet em banda larga; acelerar o desenvolvimento econômico e social; promover a inclusão digital; reduzir as desigualdades social e regional; promover a geração de emprego e renda; ampliar os serviços de Governo Eletrônico e facilitar aos cidadãos o uso dos serviços do Estado; promover a capacitação da população para o uso das tecnologias de informação; e aumentar a autonomia tecnológica e a competitividade brasileiras."

Estes registros no corpo da lei já sinalizam o impactam social que o Plano pode ter. Mas há um outro objetivo, não registrado, que justifica todo o empenho do governo na efetivação do PNBL: o fato do acesso à internet ser um poderoso instrumento de democratização da comunicação. Ainda que os grandes grupos de mídia tenham também o controle sobre os grandes portais, é perceptível a diluição da influência dos grandes grupos midiáticos sobre o conteúdo disponibilizado na rede. O próprio presidente Lula sinalizou em seus últimos discursos à frente da Presidência que o cidadão passou a ter acesso a outras visões de mundo a partir do contato com a internet e isso ajudou até mesmo na boa avaliação de seu governo. "Os grandes jornais, revistas e TV já não falam mais sozinhos", disse Lula em uma de suas últimas entrevistas.

"O plano tem suas limitações, mas representa um enorme passo para democratizar a informação e a cultura. O acesso à banda larga estimulará meios alternativos de comunicação, garantirá maior interatividade entre as pessoas e pode ajudar a despertar o senso crítico na sociedade. Na batalha eleitoral, a internet já serviu como contraponto à manipulação dos barões da mídia. No mundo atual, quem não tiver acesso à internet será um novo tipo de marginalizado – o excluído digital", afirma Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Talvez isso ajude a explicar por que a Telebrás tem enfrentado dificuldades para negociar com as empresas privadas de telefonia. Na verdade, cinco grupos são responsáveis por 95% da oferta atual de banda larga no Brasil – Oi, Telefônica, Embratel/Net, GVT e CTBC – enquanto 2.125 pequenos provedores respondem pelos restantes 5% do mercado. Há pouca ou nenhuma competição e os grupos dominantes são contra a inclusão de metas de expansão da infraestrutura de banda larga nos contratos de concessão das empresas de telefonia que estão em fase de revisão na Anatel, a agência reguladora do setor.
post do vermelho

EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO PELO BRASIL SOBE 192% EM DEZEMBRO


“As exportações de petróleo do Brasil em dezembro somaram 5,47 milhões de toneladas, contra 1,87 milhão de toneladas em dezembro de 2009, uma alta de 192%, segundo dados divulgados segunda-feira pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior).

Em valores, as exportações de petróleo somaram mais de US$ 2,8 bilhões, contra US$ 923 milhões um ano antes.

Em novembro de 2010 o país havia exportado 2,631 milhões de toneladas de petróleo.

As exportações de gasolina, ao contrário, caíram de 142,8 mil toneladas em dezembro de 2009 para 40,2 mil toneladas no mês passado, devido ao aumento da demanda do mercado interno. Em novembro de 2010, somaram 43,4 mil toneladas.

MINÉRIO

As vendas externas de minério de ferro também deram um salto, somando 32,17 milhões de toneladas em dezembro ante 24,18 milhões de toneladas um ano antes e contra 24,7 milhões de toneladas em novembro de 2010.

Em valores, as exportações de minério em dezembro somaram US$ 3,5 bilhões, contra cerca de US$ 1 bilhão em dezembro de 2010, também devido a preços mais altos da commodity, uma alta de 208%.”

FONTE: Folha

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pontual e exigente, Dilma inaugura nova rotina no Planalto

A eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República já previa alterações na rotina do Planalto, com seguranças e ajudantes de ordem mulheres, mas é o estilo da primeira presidenta brasileira que mudou o ritmo do dia a dia dos ministros e assessores. Conhecida por ser exigente e perfeccionista, Dilma deu sinais logo no dia seguinte a sua posse de como pretende conduzir a sua gestão à frente do País.

Os ministros que haviam trabalhado com Dilma quando a presidenta era chefe da Casa Civil do governo Lula não estranharam o estilo "non-stop" da petista. Já os novatos na Esplanada brincam nos bastidores que “acabou a paz” na rotina diária com a nova chefe.

Dilma não esperou o primeiro dia útil do ano e deu início aos trabalhos no terceiro andar do Palácio do Planalto no último domingo, quando recebeu chefes de Estado de outros países para discutir questões internacionais. Na segunda-feira, após reuniões com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia, Dilma parou para almoçar. A presidenta, no entanto, não quis perder tempo com deslocamentos e comeu no próprio gabinete.

Candidato a presidente da Câmara pelo PT, o deputado Marco Maia (RS) teve uma reunião com Dilma na tarde de segunda-feira. Apesar de se tratar de um primeiro encontro apenas protocolar, Dilma pediu detalhes sobre as negociações para a disputa pelo comando da Casa. Maia definiu Dilma como firme, porém tranquila. Os dois foram colegas de secretariado no governo de Olívio Dutra.

Após uma manhã com agenda pesada na segunda-feira, o novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez uma parada rápida para almoçar antes da maratona vespertina no ministério. Sentou-se em um restaurante para comer e, menos de 15 minutos após chegar ao local, recebeu uma ligação da presidenta chamando para uma conversa. Cardozo disse já estava terminando de comer e iria encontrá-la imediamente. Em tom de ironia, a nova chefe respondeu: ‘’Embrulha e traga para comer aqui. Não tem comida no seu ministério, não?”. O novo ministro caiu na gargalhada, largou o prato cheio e seguiu para o Palácio do Planalto.

Na primeira reunião de coordenação política, onde estiveram presentes os principais ministros de Dilma, a presidenta deu mais uma indicação de como será a rotina no Planalto. Marcada para as 18 horas, a reunião começou pontualmente, diferentemente do que acontecia na época do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido por seus atrasos. Após agenda intensa durante o dia, o encontro de Dilma com Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo, Luiz Sérgio, Miriam Belchior, Helena Chagas e Guido Mantega durou três horas. Hoje, por volta das 9h30, a presidenta já estava despachando no terceiro andar do Planalto.

Fonte: iG

RESERVAS INTERNACIONAIS TERMINAM 2010 EM US$ 288,6 BILHÕES


“As reservas internacionais do Brasil terminaram o ano de 2010 em US$ 288,6 bilhões, segundo dados divulgados segunda-feira pelo Banco Central.

Isso representa um aumento de 20,7% em relação aos US$ 239 bilhões verificados um ano antes.

Em relação ao começo do governo Lula, quando as reservas eram de US$ 37,7 bilhões [dos quais cerca de US$ 15 bilhões do FMI], o aumento foi de 665%!

No Brasil, a política de compra de reservas começou em 2004, mas ganhou força nos últimos três anos, devido ao aumento no fluxo de dólares para o país.

As reservas funcionam como um seguro contra crises externas. Hoje, elas superam o valor da dívida externa do Brasil dos setores público e privado juntos.

A maior parte do dinheiro está aplicada em títulos do governo dos EUA, considerado o investimento mais seguro do mundo, mas que também oferece uma baixa taxa de rentabilidade.

O último dado do BC sobre rentabilidade, de 2009, mostra que, naquele ano, as reservas tiveram o pior rendimento desde 2005, de 0,83%. O percentual é calculado em dólar, que serve de referência para as reservas. Não entra nessa conta a desvalorização em relação ao real.

O Brasil está hoje entre as economias com o maior nível de reservas em moeda estrangeira, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).”

FONTE: reportagem de Eduardo Cucolo publicada na Folha.com e no portal UOL

PIG Awards revela quem "brilhou" no golpismo midiático em 2010

Num ano de grande comoção política, devido ao processo eleitoral, nossos principais meios de comunicação se esforçaram para mostrar o que têm de melhor em matéria de jornalismo parcial e engajado com os interesses corporativos e oligárquicos. A brincadeira abaixo é iniciativa do internauta Victor Farinelli, via blog da Maria Frô.

A Folha, grande vencedora dos prêmios em 2009 (um ano inesquecível, quando o jornal brilhou com pelo menos cinco grandes pérolas: editorial da Ditabranda, ficha falsa da Dilma, estimativa de 35 milhões de vítimas de gripe suína, coluna de Cesar Benjamin acusando o Lula de tentar estuprar um menor na cadeia, e o golpe de mestre, a sabotagem do Enem em gráfica da Folha) tentou o bicampeonato, mas teve de se contentar com alguns destaques individuais, e o Porquinho de Pratana categoria jornais, embora também mereça destaque seu prêmio especial por sua excelente ação indenizatória contra a Falha de S.Paulo, um marco na luta pelo pleno direito à liberdade de expressão dos donos da mídia.
Mas a grande maioria dos prêmios, entre eles o Porcão de Ouro, voltam finalmente ao Jardim Botânico (recordemos que, em 2008, ficou com a Editora Abril, graças ao golpe da reportagem do grampo sem áudio da revista Veja). É verdade que a briga foi pau a pau, a Globo mantinha uma pequena vantagem, graças à vinheta do 45, o avião do JN, o tucanismo indisfarçável das suas matérias, dos seus comentaristas e âncoras – incluindo “cala a boca” do Waack pra Dilma e mil desculpas do Bonner pro Serra. Mas foi somente com a fabricação do segundo objeto atingindo a cabeça do presidenciável da direita que a emissora carioca conseguiu definitivamente uma vantagem sobre os seus principais rivais pauslitas. O prêmio vai pro Ali Kamel, como comandante da propaganda serrista, quer dizer, do noticiário global, mas é preciso também destacar a atuação do perito Ricardo Molina, uma espécie de autor do gol da vitória.
Abaixo, segue a lista completa dos vencedores dos prêmios em 2010, os mais destacados do golpismo midiático nacional:

PIG AWARDS 2010
Porquinho de Prata (jornais): FOLHA, com Consumidor pagou R$1 bi por falha de Dilma

Porquinho de Prata (revistas): VEJA, com O grande imitador

Porquinho de Prata (rádios): JOVEM PAM, com sua Pesquisa-Enquete

Porquinho de Prata (TVs): GLOBO, com sua versão de A agressão ao Serra no Rio

Porquinho de Prata (internet): UOL, com Debate presidencial com tucano neutro

Capa de Revista do Ano: ÉPOCA, com O passado de Dilma

Vinheta de TV do Ano: GLOBO, com Globo 45 Anos (clique aqui)

Transmissão Radiofônica do Ano: TRANSAMÉRICA, com Final do Paulistão com o comentarista José Serra

Prêmio PUM (Pensamento Único da Mídia): ESTADÃO, por ter posto a rebelde Maria Rita Kehl no olho da rua e dar o exemplo aos que ousem fazer o mesmo, mostrando o destino que os espera, caso isso aconteça.

Prêmio Roberto Marinho (incentivo à Liberdade de Imprensa dos Donos da Mídia): FOLHA, por não permitir que um blog sujo como o Falha de S.Paulo avacalhe o nome do jornal perante seu crescente universo de leitores e assinantes.

Prêmio especial por reconhecimento ao respeito pelo trabalho dos jornalistas: TV CULTURA, de São Paulo

PRÊMIOS INDIVIDUAIS
Colunista do Ano (jornais): Eliane “Massa Cheirosa” Cantanhêde (FOLHA)

Colunista do Ano (revistas): Diogo “Fugi para não pagar” Mainardi (VEJA)

Colunista do Ano (rádios): Lucia “Telefone Está Piscando” Hippólito (CBN)

Colunista do Ano (TVs): Luiz Carlos “Qualquer Miserável Agora Tem Carro” Prates (RBS/GLOBO)

Colunista do Ano (internet): Josias “Empregada Lésbica” de Souza (UOL)

Prêmio especial da TV fechada: Mônica “Entre Amigos” Waldvogel (GLOBO NEWS)

Perito Especialista do Ano: Ricardo “Segundo Objeto” Molina (GLOBO)

Intelectual do Ano: Demétrio “Navio Negreiro” Magnoli (ESTADÃO)

Cronista Esportivo do Ano: Galvão “Cala a Boca” Bueno (GLOBO)

Radialista do Ano: Carlos Alberto “Odeio o Pibão” Sardenberg (CBN)

Âncora do Ano: William “Me Desculpe Candidato” Bonner (GLOBO)

Blogueiro Limpo do Ano: Marcelo “Mimimi” Tas (TERRA)

Repórter do Ano: Danilo “Empurra Velhinha” Gentili (BAND)

Humorista Engajado do Ano: Marcelo “Vagabundo, Picareta” Madureira (GLOBO)

Executivo do Ano: a presidenta do PIG, Dona Judith “Mídia Faz o Papel das Oposições” Brito (FOLHA)

Prêmio Carlos Lacerda (incentivo à diversidade social na mídia): Boris “Amigos dos Garis” CCCasoy (BAND)

Troféu Porcão de Ouro: Ali KKKamel (GLOBO), pela excelente e imparcial cobertura que a emissora fez das eleições 2010

Os prêmios serão entregues em evento a ser realizado pelo Instituto Millenium na sede do Clube da Aeronáutica do Rio de Janeiro, para o qual foi convidado, para ser anfitrião da entrega, o notável professor Hariovaldo Almeida Prado.

Perspectivas da economia mundial em 2011

Em contraste com suas previsões otimistas, no final de 2009, de uma recuperação sustentada, o humor dominante nos círculos econômicos liberais no final de 2010 é sombrio, para não dizer apocalíptico. Os falcões fiscais ganharam a batalha política nos EUA e na Europa, para alarme dos defensores do gasto público, como o prêmio Nobel Paul Krugman e o colunista do Financial Times, Martin Wolf, que consideram as restrições orçamentárias como a receita mais segura para matar a incipiente recuperação nas economias centrais.

Mas ainda que os EUA e a Europa pareçam presos a uma crise mais profunda no curto prazo e à estagnação no longo prazo, alguns analistas falam de um “desacoplamento” do Leste Asiático e de outras áreas em desenvolvimento em relação às economias ocidentais. Essa tendência iniciou em 2009 na esteira do programa de estímulos massivos da China, que não só reestabeleceu o crescimento chinês de dois dígitos, como tirou da recessão e levou à recuperação várias economias vizinhas, desde Singapura até a Coréia do Sul. Em 2010, a produção industrial asiática recuperou a sua tendência histórica, “quase como se a Grande Recessão nunca tivesse ocorrido”, segundo The Economist.

A Ásia está seguindo realmente um caminho separado da Europa e dos Estados Unidos? Estamos realmente assistindo a um desacoplamento?

O triunfo da austeridade

Nas economias centrais, a indignação com os excessos das instituições financeiras que precipitaram a crise econômica deram lugar à preocupação com os déficits públicos massivos em que os governos incorreram para poder estabilizar o sistema financeiro, frear o colapso da economia real e enfrentar o desemprego. Nos Estados Unidos, o déficit se situa acima de 9% do PIB. Não é um déficit descontrolado, mas a direita norteamericana conseguiu a façanha de que o medo do déficit e da dívida federal pesasse mais no espírito da opinião pública do que o medo do aprofundamento da estagnação e do aumento do desemprego. Na Inglaterra e nos EUA, os conservadores fiscais conseguiram um mandato eleitoral claro em 2010, enquanto que, na Europa Continental, uma Alemanha retornando ao crescimento anunciou ao resto da eurozona que não seguiria subsidiando os déficits dos membros mais fracos das economias meridionais ou periféricas, como Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal.

Nos EUA, a lógica da razão deu lugar à lógica da ideologia. O impecável argumento dos Democratas de que o gasto público em estímulos à economia era necessário para salvar e criar postos de trabalho não conseguiu resistir ao assalto da tórrida mensagem Republicana, segundo a qual um maior estímulo público, acrescido dos 787 bilhões de dólares do pacote de Obama em 2009, significaria um passo mais na direção do “socialismo” e da “perda da liberdade individual”. Na Europa, os keynesianos argumentaram que o relaxamento fiscal não só ajudaria a Irlanda e as economias meridionais com problemas, como também a poderosa maquinaria econômica alemã, pois essas economias absorvem as exportações da Alemanha. Do mesmo modo que nos EUA, os argumentos racionais sucumbiram às imagens sensacionalistas, neste caso ao retrato midiático de uns esforçados alemães subsidiando hedonistas mediterrâneos e esbanjadores irlandeses. A contragosto, a Alemanha aprovou pacotes de resgate para a Grécia e a Irlanda, mas só sob a condição de que gregos e irlandeses fossem submetidos a selvagens programas de austeridade, descritos por nada menos que dois ex-ministros alemães no Financial Times como medidas antissociais “sem precedente na história moderna”.

O desacoplamento ressuscitado

O triunfo da austeridade nos EUA e na Europa, sem dúvida alguma, eliminará essas duas áreas como motores para a recuperação econômica global. Mas a Ásia encontra-se em um caminho diferente? Ela pode suportar, como Sísifo, o peso do crescimento global?

A ideia de que o futuro econômico da Ásia se desacoplou do das economias do centro não é nova. Esteve na moda antes da crise financeira derrubar a economia norteamericana em 2007-2008. Mas se revelou ilusória quando a recessão atingiu os EUA, país do qual a China e outras economias do Leste Asiático dependiam para absorver seus excedentes. Entre fins de 2008 e início de 2009, a Ásia foi atingida repentina e drasticamente. São desse período as imagens televisivas de milhões de trabalhadores chineses migrantes abandonando as zonas econômicas costeiras e regressando para o campo.

Para enfrentar a contração econômica, a China, tomada de pânico, lançou o que Charles Dumas, autor de Globalisation Fractures, caracterizou como um “violento estímulo interior” de 4 bilhões de yuanes (580 bilhões de dólares). Isso significava cerca de 13% do PIB em 2008 e constituiu “provavelmente o maior programa da história deste tipo, incluídos os anos de guerras”. O estímulo não só restituiu o crescimento de dois dígitos; também transmitiu às economias do Leste asiático um impulso recuperador, enquanto Europa e os EUA caíam na estagnação. Essa notável inversão é o que levou ao renascimento da ideia do desacoplamento.

O governante Partido Comunista da China reforçou essa ideia ao sustentar que se produziu uma mudança de política que prioriza o consumo interno em relação ao consumo orientado para a exportação. Mas se observamos o quadro com mais atenção, vemos que isso é mais retórica que qualquer outra coisa. Com efeito, o crescimento orientado para a exportação segue sendo o eixo estratégico, algo que é sublinhado pela continuada negativa chinesa de valorizar o yuan, uma política destinada a manter competitivas suas exportações. A fase de incentivo do consumo interno parece ter acabado e a China fala agora, com o observa Dumas, “em processo de mudança massivo, desde o estímulo benéfico da demanda interior até algo muito parecido ao modelo de 2005-2007: crescimento orientado para a exportação com um pouco de reaquecimento”.

Não só analistas ocidentais como Dumas tem chamado a atenção sobre esse regresso ao crescimento orientado para a exportação. Yu Yongding, um influente tecnocrata que trabalhou como membro do comitê monetário do Banco Central chinês confirma que, de fato, se voltou à prática econômica habitual: “Na China, com uma razão comércio/PIB e exportações/PIB que excede já, respectivamente, 60% e 30%, a economia não pode seguir dependendo da demanda externa para sustentar o crescimento. Desgraçadamente, com um enorme setor exportador que emprega milhões e milhões de trabalhadores, essa dependência se tornou estrutural. Isso significa que reduzir a dependência e o excedente comercial da China passa por saturar mais do que por ajustar a política macroeconômica”.

O regresso ao crescimento orientado à exportação não é simplesmente um assunto de dependência estrutural. Tem a ver com um conjunto de interesses procedentes do período da reforma, interesses que, como diz Yu, “se transformaram em interesses corporativos que lutam duramente para proteger o que tem”. O lobby exportador, que junta empresários privados, altos executivos de empresas públicas, investidores estrangeiros e tecnocratas de Estado, é o lobby mais poderoso de Beijing neste momento. Se a justificativa oferecida para o estímulo público foi derrotada pela ideologia nos EUA, na China a argumentação igualmente racional em defesa do crescimento centrado no mercado interno foi aniquilada por interesses materiais setoriais.

Deflação global

O que os analistas como Dumas chamam de regresso da China ao tipo de crescimento orientado à exportação se chocará com os esforços dos EUA e da Europa para impulsionar a recuperação mediante um crescimento orientado à exportação simultaneamente com a adoção de barreiras à entrada de importações asiáticas. O resultado mais provável da promoção competitiva dessa volátil mistura de estímulo à exportação e proteção interna por parte dos três setores que encabeçam a economia mundial em uma época de comércio mundial relativamente menos próspera não será expansão global, mas sim deflação global. Como escreveu Jeffrey Garten, antigo subsecretário de Comércio no governo Bill Clinton:

“Ainda que se tenha prestado muita atenção à demanda de consumo e industrial nos EUA e na China, as políticas deflacionárias que envolvem a União Europeia, a maior unidade econômica do mundo, poderiam afetar negativamente o crescimento econômico global...As dificuldades de levar a Europa a redobrar seu desempenho nas exportações ao mesmo tempo que em EUA, Ásia e América Latina estão posicionando suas economias para vender mais em todo o mundo, não poderia senão exacerbar as tensões, já suficientemente altas, nos mercados de divisas. Poderia levar a um ressurgimento das políticas industriais patrocinadas pelos estados, cujo crescimento já pode ser observado em todas as partes. Tomados em conjunto, todos esses fatores poderiam propagar o incêndio protecionista tão temido por todos”.

A crise da Velha Ordem

O que nos aguarda em 2011 e nos próximos anos, adverte Garten, são momentos de “turbulência excepcional, a medida que o ocaso da ordem econômica global tal como a conhecemos avança de modo caótico e, talvez, destrutivamente”. Garten destila um pessimismo que está tomando conta cada vez mais de boa parte da elite global que outrora anunciava a boa nova da globalização e que agora a vê se desintegrar literalmente ante seus próprios olhos. E esta ansiedade fin de siècle não é monopólio dos ocidentais. Ela é compartilhada pelo influente tecnocrata chinês Yu Yongding, que sustenta que o “impulso do crescimento chinês praticamente esgotou seu potencial”. A China, economia que conseguiu cavalgar a onda globalizadora com maior êxito, “chegou a uma disjuntiva crucial: se não implementar penosíssimos ajustes estruturais, poderá perder subitamente a força de seu crescimento econômico. O rápido crescimento econômico foi obtido a um custo extremamente alto. Só as próximas gerações conhecerão o verdadeiro preço a ser pago”.

A esquerda na presente conjuntura

Diferentemente das medrosas apreensões de figuras do establishment como Garten e Yu, muitas pessoas da esquerda vem a turbulência e o conflito como a necessária companhia do nascimento de uma nova ordem. E, com efeito, os trabalhadores estão se mobilizando na China e já obtiveram aumentos salariais significativos com greves organizadas em empresas estrangeiras ao longo de 2010. Os protestos também eclodiram na Irlanda, Grécia, França, Portugal e Grã Bretanha. Mas, ao contrário da China, na Europa os trabalhadores estão marchando para manter direitos perdidos. O certo é que, nem na China, nem no Ocidente, nem em parte alguma são os resistentes portadores de uma visão alternativa à ordem capitalista global. Ao menos não ainda.

(*) Walden Bello é professor de Ciências Políticas e Sociais na Universidade das Filipinas (Manila), membro do Transnational Institute de Amsterdam e presidente de Freedom from Debt Coalition, assim como analista sênior em Focus on the Global South.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer