quinta-feira, 28 de março de 2013

Telebras inaugura laboratório de tecnologia

Foi inaugurado na terça-feira (26) em Porto Alegre o laboratório Telebras Tecnologia, que contou com o apoio do FUNTTEL, e parceria da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A inauguração contou com a presença do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e do reitor da PUC, Joaquim Clotet.

A unidade abriga o escritório da empresa na região Sul e a Rede de Referência que servirá como suporte na homologação de novos produtos da Telebras. Roteadores, switches, rádios, bastidores de emenda e conexão ópticos e outros equipamentos que medem as condições de tráfego de dados serão testados no laboratório.

Além da empresa retomar o caminho do desenvolvimento de tecnologia nacional, o objetivo final é levar banda larga a todos os cantos do país a um preço competitivo e utilizando as melhores tecnologias como prevê o Programa Nacional de Banda Larga, segundo Caio Bonilha, Presidente da Telebras.

PT precisa aproveitar melhor suas realizações

Na recente reunião do Diretório Nacional do PT, em Fortaleza, o partido emitiu uma resolução falando em "reiniciar o processo de recuperação da Telebrás", num dos tópicos. Porém, boa parte do partido tem ignorado ou dado pouca ênfase nas próprias realizações de seu governo.

É natural que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) não goste de mostrar notícia positiva do governo, mas o partido e seus membros devem acompanhar e divulgar, quando suas resoluções viram realizações.

Em outro caso, as prefeituras de todo o Brasil, principalmente as já cobertas pela rede da Telebras, tem até o dia 5 de abril para se inscrevem no programa Cidades Digitais 2013, incluído no PAC. Não há nenhuma menção na referida resolução do PT orientando seus prefeitos para transformarem seus municípios em cidades digitais.

Também seria bom que os prefeitos progressistas de todas as cidades cobertas pela rede Telebras, imitassem o que fez a cidade de Anápolis, trocando um link de uma tele privada por um da estatal, 2 vezes e meia mais rápido, pelo mesmo preço. Além de beneficiar a população, é ação política concreta para fortalecer a Telebras. A Presidência da República e o Exército Brasileiro também já contrataram a Telebras.
post amigosdopresidentelula

quarta-feira, 27 de março de 2013

Entrevista de Lula ao Valor

 
Brasil 247 – A presidente Dilma Rousseff ainda está no início de seu terceiro ano de mandato, mas o ex-presidente já pensa até nas eleições de 2018. Em entrevista ao Valor, ele se mostra cheio de energia para ajudar Dilma a se reeleger em 2014 e, quem sabe, voltar a política na gestão seguinte, "se precisarem de mim", disse. 
Leia trechos da entrevista de Lula às repórteres Vera Brandimarte, Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes do Valor:
Dilma: O Brasil nunca esteve em tão boas mãos como agora. Nunca esse país teve uma pessoa que chegou na Presidência tão preparada como a Dilma. Tudo estava na cabeça dela, diferentemente de quando eu cheguei, de quando chegou Fernando Henrique Cardoso. Você conhece as coisas muito mais teóricas do que práticas. E ela conhecia por dentro. Por isso que estou muito otimista com o sucesso da Dilma e ela está sendo aquilo que eu esperava dela.
Eduardo Campos: Acho muito cedo pra falar da candidatura Eduardo. Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Não faz parte da minha índole pedir para as pessoas não se candidatarem porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganho. Precisei perder três eleições para virar presidente. Eu não pedirei para não ser candidato nem para ele nem para ninguém. A Marina conviveu comigo 30 anos no PT, foi minha ministra o tempo que ela quis, saiu porque quis e várias pessoas pediram para eu falar com ela para não ser candidata e eu disse: ‘Não falo’. Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças.
José Serra e Aécio Neves: O que acho grave é que os tucanos estão sem liderança. Acho que Serra se desgastou. Poderia não ter sido candidato em 2012. Eu avisei: não seja candidato a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio acho que ele está concorrendo agora. E o Aécio não tem a performance que as pessoas esperavam dele.
Volta em 2018: Não. Estarei com 72 anos. Está na hora de ficar quieto, contando experiência. Mas meu medo é falar isso e ler na manchete. Não sei das circunstâncias políticas. Vai saber o que vai acontecer nesse país, vai que de repente eles precisam de um velhinho para fazer as coisas. Não é da minha vontade. Acho que já dei minha contribuição. Mas em política a gente não descarta nada.
Rio: Não podemos permitir que a eleição da Dilma corra qualquer risco. Não podemos truncar nossa aliança com o PMDB. Acho que o PT trabalha muito com isso e que Lindbergh pode ser candidato sem causar problema. Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele, certamente, vai ser uma candidatura forte. Obviamente Pezão será um candidato forte, apoiado pelo governador e pela prefeitura. 
São Paulo: Olha, acho que a gente não tem definição de candidato ainda. Você tem Aloizio Mercadante, que na última eleição teve 35% dos votos, portanto ele tem performance razoável. Tem o [Alexandre] Padilha, que é uma liderança emergente no PT, que está em um ministério importante. Tem a Marta [Suplicy] que eu penso que não vai querer ser candidata desta vez. Tem outras figuras novas como o Luiz Marinho, que diz que não quer ser candidato. Tem o José Eduardo Cardozo, que vira e mexe alguém diz que vai ser candidato e você pode construir aliança com outros partidos políticos. Para nós a manutenção da aliança com o PMDB aqui em São Paulo é importante.
Denúncias: Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder. Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem. É que nem apelido: se eu coloco um apelido na pessoa e a pessoa fica nervosa e começa a xingar, pegou o apelido. Se ela não liga, não pegou o apelido. Tenho 67 anos de idade. Já fiz tudo o que um ser humano poderia fazer nesse país.
As viagens aos exterior custeadas por empreiteiras: O que faz um presidente da República? Como é que viaja um Clinton? A serviço de quem? Pago por quem? Fernando Henrique Cardoso? Ou você acha que alguém viaja de graça para fazer palestra para empresários lá fora? Viajo para vender confiança. Adoro fazer debate para mostrar que o Brasil vai dar certo. Compre no Brasil porque o país pode fazer as coisas. Esse é o meu lema. Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo.
Fernando Henrique: Você sabe que eu fico com pena de ver uma figura de 82 anos como o Fernando Henrique Cardoso viajar falando que o Brasil não vai dar certo. Fico com pena.
Mensalão: Não vou falar por uma questão de respeito ao Poder Judiciário. O partido fez uma nota que eu concordo. Vou esperar os embargos infringentes. Quando tiver a decisão final vou dar minha opinião como cidadão. Por enquanto vou aguardar o tribunal. Não é correto, não é prudente que um ex-presidente fique dizendo ‘Ah, gostei de tal votação’, ‘tal juiz é bom’. Não vou fazer juízo de valor das pessoas. Quando terminar a votação, quando não tiver mais recursos vou dizer para você o que é que eu penso do mensalão.

Reflexões do Perfeito Idiota Brasileiro sobre a candidatura de FHC à ABL

Paulo Nogueira


A pompa de Fernando vai nos redimir da pobreza de Francisco.
Ele é o Perfeito Idiota Brasileiro, mas nós o chamamos simplesmente de PIB.

É um cidadão antenado: no trânsito está sempre com a CBN ligada. Quando chega Jabor, aumenta.

Um patriota. Se não fosse, estava há muito tempo em Hollywood com uma coleção de Oscars.

PIB gosta de repassar e-mails políticos para os amigos. O último foi uma profecia do general Ernesto Geisel. “Estou iniciando um processo de abertura, mas logo chegará o dia em que vocês terão saudade dos militares.”  PIB sentia mesmo  que os brasileiros cultivavam mesmo uma enorme nostalgia sobre os militares.

O  zé-povinho estava em seu devido lugar.

Hoje foi um dia feliz para ele. FHC na Academia Brasileira de Letras. PIB aplaudiu de pé, mentalmente, a notícia.

Leu no site do Globo a informação. Grandes brasileiros estavam na ABL, ou tinham passado por ela. Roberto Marinho, Sarney e ele. Ele é como PIB se refere a Merval, seu guru.

Um colosso o Merval, pensou PIB: deu o furo da morte de Chávez com mais de um ano de antecedência.

Nobel, por que não o Nobel de Jornalismo para ele?

PIB teve depois um pequeno momento de apreensão. FHC teria que enfrentar um conclave, e poderia perder.

Foi então que ele teve uma ideia genial. FHC poderia combinar com Serra uma jogada. Serra se candidataria também. Mas não de verdade. Apenas para garantir a vitória de FHC. Serra, grande alma, com certeza ficaria feliz de ajudar o amigo.

Tem algum livro o Serra?

Deve ter dezenas, pensou PIB. É uma cabeça privilegiada. Mas achou melhor checar. Foi a uma livraria e procurou. O pobre que o atendeu não conhecia nenhuma das grandes obras de Serra. PIB olhou as estantes e não viu nada.

Deve estar tudo esgotado. Só pode ser.

Viu uma pilha dos Irmãos Metralhas, de outro guru, Reinaldo Azevedo. Apanhou um exemplar e já ia comprar quando decidiu que podia deixar para a próxima visita à livraria. Não podia se dispersar. Queria a prosa incomparável de Serra.

Deu um Google, ao chegar em casa, e não encontrou nada.

Meu plano fracassou?

Mas, para o valente PIB, cada problema era apenas a véspera de uma solução. E então ele teve uma segunda ideia genial: fazer uma antologia dos tuítes de Serra.

FHC, em retribuição, poderia assegurar a Serra que sua vaga seria dele, Serra, caso morresse primeiro. Como Serra é meio desconfiado, isso poderia ficar registrado no testamento de FHC.

PIB sorriu sozinho ao compor a imagem de FHC de fardão. O mundo estava precisando de coisas solenes. PIB estava irritado com o papa Francisco pela ausência de pompa.

Papa pobre. Ir de classe econômica para o conclave? Andar de ônibus em Buenos Aires? Coisa de pobre. Coisa de argentino.

A posse de FHC seria uma resposta à pobreza do novo papa.  A Globo com certeza já adquirira os direitos de transmissão. Galvão ia narrar.

Vai que é tua, Fernando!

E então PIB deu o sorriso cristalino, triunfal, retumbante que só eles, os Perfeitos Idiotas Brasileiros, sabem dar. E depois pensou: “Temos papa”. Em latim soa mais chique, refletiu.

Habemus papam.

Leia mais: Um dia na vida do perfeito idiota brasileiro

sexta-feira, 22 de março de 2013

onde a filha do Cerra arrumou a grana ?

E se fosse a filha do Lula ?
A irmã do Dantas e a filha do Cerra. Ao fundo, Miami. Miami !!!

Saiu no Viomundo do Azenha:

Amaury Ribeiro Jr.: Operação suspeita depois de pleito eleitoral



por Amaury Ribeiro Jr.*, a respeito desta notícia:

É mais uma operação suspeita, que acontece após o pleito eleitoral . Como dinheiro não nasce em árvore (tem de ter origem justificada),  eu, que  investiguei  os negócios da filha de Serra por mais de 10 anos, me fiz imediatamente um amontoado de  perguntas após a nova sociedade de Verônica ser revelada:

Onde ela arrumou toda essa dinheirama para entrar no negócio?

De onde veio toda grana desses fundos?

Foram internadas por offshores de paraísos fiscais?

São questões a serem investigadas.

*Autor do livro A Privataria Tucana



Clique aqui para ler sobre a associação da filha do Cerra com a irmã do Daniel Dantas em Miami (em Miami !!!).

Clique aqui para ler “Cerra lança Eduardo. Será Roberto Jefferson o vice ?”.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Inglaterra aperta Ley de Medios

E não é uma ameaça à liberdade de imprensa dos donos da imprensa


Saiu no Globo:


Partidos britânicos chegam a acordo para regular imprensa Favoritar

Será criado um órgão regulador independente com poderes de impor multas de até 1 milhão de libras aos veículos

LONDRES – Os três principais partidos do Reino Unido chegaram a um acordo sobre um novo sistema para regular a imprensa depois de uma última rodada de conversações que durou até as primeiras horas da manhã desta segunda-feira. Será criado um órgão regulador independente, com poderes de impor multas de até 1 milhão de libras (US$ 1,5 milhão) e obrigar jornais a imprimir desculpas proeminentes quando apropriado. A medida vem em resposta ao escândalo de grampos telefônicos que levou ao fechamento do tabloide News of the World, do magnata Rupert Murdoch, e deu início a uma série de denúncias contra outros veículos de comunicação no Reino Unido.

Na tarde desta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico David Cameron apresentou o escopo do projeto aos legisladores, que estabelecerá os poderes do órgão. O sistema será voluntário, mas haverá fortes incentivos financeiros para encorajar os jornais a adotá-lo. Segundo Cameron, a proposta prevê multa de um milhão de libras, um organismo de autorregulação com compromissos e financiamento independentes, um código de normas robusto, um serviço de arbitragem livre para as vítimas e um sistema de reclamação rápido.

- É certo que vamos colocar em prática um novo sistema de regulação de imprensa para garantir que esses atos terríveis nunca possam acontecer novamente. Devemos fazer isso rapidamente – disse Cameron.

O premier não conseguiu na última semana chegar a um acordo para estabelecer as linhas gerais de um órgão com capacidade para regular o setor que não dependesse do poder político nem das empresas jornalísticas, como propunha o chamado relatório Leveson, em novembro de 2012. Parte dos parlamentares queria uma carta régia respaldada pela legislação, enquanto o premier apoiou uma carta sem lei.

Em troca, o primeiro-ministro ofereceu uma carta, sem status de lei, acordada com o vice-primeiro-ministro Nick Clegg e com o líder do partido Trabalhista Ed Miliband, em um acordo de última hora para evitar um confronto na Câmara dos Lordes, a Câmara alta do Parlamento.

A proposta foi voluntariamente aceita pela mídia e ofereceu garantias suficientes de não interferência do Estado na liberdade de imprensa. O acordo inclui várias emendas dos partidos Trabalhista e Liberal-Democrata sobre a carta.

O grupo ‘Hacked Off’, dirigido pelo ator Hugh Grant, participou indiretamente das negociações representando as 800 vítimas do escândalo das escutas telefônicas. Evan Harris, ex-deputado liberal-democrata e porta-voz do grupo, havia adiantado que as vítimas estavam dispostas a aceitar um acordo.

Em novembro passado, a comissão liderada pelo juiz Brian Leveson recomendou expressamente a criação de um órgão para controlar os abusos da imprensa. Os grandes meios de comunicação – como The Daily Mail e The Daily Telegraph – fizeram campanha para protestar contra a maior tentativa de acabar com a liberdade de imprensa nos últimos 300 anos.

O governo ficou sob pressão para criar um novo sistema de regulamentação depois que um inquérito liderado por juízes e uma série de detenções revelaram uma cultura perturbadora de rastreamento de telefone e imperícia em algumas partes da imprensa. A maneira que alguns tabloides relataram o desaparecimento e morte de duas crianças atraiu críticas particulares.

Cynara, Dilma, o menino e a mulinha

O PiG só quer atrapalhar
(Ilustra de Cárcamo)



O Conversa Afiada reproduz fábula de Cynara Menezes, Esopo e Monteiro Lobato:

Dilma, o menino e a mulinha


Não sei se vocês conhecem uma fábula de Esopo que se chama “O velho, o menino e a mulinha” –também aparece com o nome de “O velho, o garoto e o burro” em algumas versões. Eu li com este título, quando era criança, na coleção de Monteiro Lobato, volume “Fábulas”. E nunca esqueci.

Para quem não conhece, trata-se da história de um homem que vai vender uma mula no mercado e sai puxando o animal pelo cabresto, ao lado do filho, quando se depara com um viajante:

– Esta é boa! O animal vazio e o pobre velho a pé!

Para “tapar a boca do mundo”, o velho sobe na mula e manda o menino puxar os dois, até que passam por uma turma de lavadeiras:

– Que graça! O marmanjão montado com todo o sossego e o pobre menino a pé…

Para “tapar a boca do mundo”, sobem ambos na mula. Um carteiro que o trio cruza pelo caminho dispara:

–Que idiotas! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez… Assim, meu velho, quem chega à cidade não é mais a mulinha, é a sombra da mulinha…

O velho apeia e, para “tapar a boca do mundo”, sai puxando o animal com o menino em cima.

–Bom dia príncipe!, diz um sujeito.

–Por que príncipe?, pergunta o menino.

–Ora, porque só príncipes andam assim, de lacaio à rédea!

Mais uma vez, o velho, decidido a “tapar a boca do mundo”, cede à opinião alheia e ele e o filho passam a carregar o bicho às costas. “Talvez isto contente o mundo”, ele diz. Um grupo de rapazes dá gargalhadas ao ver a cena:

–Olha a trempe de três burros, dois de dois pés e um de quatro! Resta saber qual dos três é o mais burro…

–Sou eu!, replicou o velho. Venho há uma hora fazendo o que não quero, mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que me manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já vi que morre doido quem procura contentar toda gente…

Lembro dessa história toda vez que vejo notícias relacionadas à presidenta Dilma Rousseff. Parece impossível a Dilma agradar à imprensa. Se seu governo não toma nenhuma iniciativa, “está paralisado”. Se anuncia algum programa novo, “está visando 2014″. Se investe mais em educação do que em obras, “é má gestora”. Se investe mais em obras, “é negligente com a educação”. Se acata alguma decisão contrária do Congresso, “não tem pulso”. Se veta, “é autoritária”. Se Dilma não comenta a renúncia de Bento 16, é “pouco caso com o catolicismo”. Se vai ao Vaticano prestigiar o primeiro papa latino-americano, “é campanha”.

Dilma é o velhinho da fábula. O menino é seu governo. A mídia são os que cruzam com ela pelo caminho. A mulinha somos nós. Como brasileira, não quero que Dilma me carregue às costas nem que me puxe pelo cabresto. Espero que a presidenta governe, simplesmente. Que não mude seus planos, como fez o velhinho, tentando agradar a todos. Que não se preocupe em “tapar a boca do mundo” e siga sua consciência. E que a moral da história seja: é preciso fazer o melhor possível sempre, porque as críticas virão do mesmo jeito.

A MENTIRA GLOBALIZADA





“No estudo da História Universal, descobrimos omissões e mentiras que sempre favoreceram os poderosos nas suas conquistas e "descobertas" de territórios e povos, que não estavam perdidos até sofrerem as invasões "civilizadoras".

Por Zillah Branco, especial para o portal “Vermelho”

No século 20 e 21, o pretexto usado para destruir o equilíbrio cultural e social de povos mais tranquilos que o padrão ambicioso e cruel dos invasores foi a "pacificação" ou a defesa dos "direitos humanos".

Tudo mentira, fundamentados no conceito adotado pela doutrina fascista de que "uma mentira repetida muitas vezes parece ser uma verdade". E, com as técnicas da publicidade moderna, a velocidade de divulgação das mentiras, por todo o planeta e através de caminhos abertos pela comunicação social que penetram no sistema de ensino e na formação cultural, não há barreira possível aos seus efeitos nefastos fora de uma permanente luta revolucionária em defesa da verdade e da realidade humana.

Na Europa, desvendou-se a grosseira mentira das grandes empresas alimentares multinacionais que transformam as mulas proibidas de manterem o transporte tradicional em países subdesenvolvidos (agora chamados "em desenvolvimento", outra mentira) em bovinos, para comporem os produtos elaborados com carne moída. Nada contra a carne dos equinos, mas sim contra a mentira no sistema comercial. Pouco se diz da outra mentira, mais antiga, dos hambúrgueres feitos com minhocas, que passam como de vacas, ou da improvável vigilância sanitária dos novos "bovinos sem pernas ou com cabeça de equino".

Para que a opinião pública esqueça esse problema de interesse mais financeiro que de saúde, a União Europeia fez nova acusação, agora contra a indústria de cosméticos, por testar os seus produtos em animais. Surpresa! Não são as cobaias sempre usadas pela indústria farmacêutica para testar os medicamentos? O número de mentiras já se confunde no cruzamento de redes. Em geral, deixam de ser discutidas porque a velocidade das notícias e a enxurrada de informações afogam o conhecimento público. Em último caso, inventam mais uma guerra, um ato terrorista de arrepiar, uma nova moda de esporte de risco, a produção de um cão cruzado com leão para garantir (!!!) a segurança de alguns (e ameaçar a de outros menos protegidos).

A lista de mentiras atuais é enorme, se pensarmos no sistema bancário que tem todo o tipo de taxas e juros adaptados às conveniências imediatas da instituição e seus amigalhaços. Já é bem conhecido o enriquecimento dos intermediários entre os créditos bancários e os Estados "ajudados" pelo FMI ou pela União Europeia. Circulando em torno do dinheiro, como abelhas à volta do mel, há uma corja de vampiros que trabalham politicamente para que os governos financiem os bancos que emprestarão com juros mais baixos às instituições internacionais que vão cobrar juros ainda maiores aos povos para "salvar" o país pobre. Os "endividados" são sempre os países pobres, o povo trabalhador, não os gestores da vida econômica que consomem os recursos nacionais em elevadíssimos salários acompanhados de despesas supérfluas astronômicas.

Mas também podemos citar os "erros" administrativos cometidos pelos Estados que se multiplicam sempre a favor dos mandantes, corroendo salários, impostos, taxas, e todas as operações financeiras que afetam a população. Há empresas concessionárias de serviço público que cobram uma taxa inicial, com a função de matrícula do consumidor, que depois fica incorporada nas mensalidades onerando a conta como se fosse consumo. Quem não sofreu cobranças multiplicadas por "engano" que, no melhor dos casos, quando descobertas ficam resolvidas com um pedido de desculpas. É verdade que esses bilhões de erros alimentam os empregos de profissionais alienados, muitos deles financiados pela rede mafiosa. E o problema do desemprego, que na verdade é criado pelo mesmo sistema que faz girar o capital, enriquecendo a elite financeira e a corja política que é a sua parasita natural, aparece como ameaça à população que vive do seu trabalho. Tudo aparece como culpa de quem consegue ter um emprego para que a elite enriqueça sem escrúpulos, fazendo o povo desacreditar os profissionais empregados que dão a cara na função pública.

E passamos à especialização da mentira com que os governantes antidemocráticos, como os de Portugal agora, por exemplo, terminam a sua formação de economistas, administradores, juristas, pela cartilha do neocapitalismo. Veem o Estado como uma empresa sempre mal gerida porque tem de atender a vários interesses, desde os eleitores que cobram um lugar com bom salário, à população que precisa de escola, médico, previdência social etc, etc, até aos seus apadrinhados. E deduzem que daí surgem os problemas de má gestão governativa e sem capacidade para fiscalizar os desmandos da sociedade que deixa de produzir e de criar empregos. É uma historinha mal contada, mas que está nos compêndios em linguagem empolada e com muita teoria à mistura.

O antigo líder sindical Manuel Carvalho da Silva, da CGTP em Portugal, hoje professor universitário da matéria que conheceu primeiro na realidade dos movimentos sociais e depois no estudo teórico, explica em uma frase simples: o desemprego que cresce na Europa traduz-se no fechamento das empresas nacionais e, consequentemente, na queda da produção que aprofunda a crise. Essa política de austeridade imposta pela UE e o FMI impede qualquer saída democrática aos países. Lembra que, para controlar a crise do sistema em 1929, o Presidente Roosevelt dos Estados Unidos criou empregos no Estado para absorver a mão de obra despedida das empresas em falência. Ao contrário, na Europa agora o Estado despede, sugere aos jovens a emigração para os países em desenvolvimento, substitui as empresas nacionais pela multinacionais que compram os países mais pobres que estão em "saldo".

Combine-se essa afirmação de Manuel Carvalho com a do ex-primeiro ministro alemão, Shroeder, de que a situação europeia hoje "assusta pela semelhança com a dos anos que precederam a Segunda Grande Guerra", e vemos que, com ideologias diferentes, a lógica dos que analisam com honestidade a situação criada pela elite, que domina a União Europeia casada com a do Império norte-americano, é a mesma e aponta o risco de uma terceira guerra.

Parece absurdo? O planeta está sendo governado por uma elite que põe no chinelo o famoso Maquiavel que definiu o caminho frio e cínico a ser seguido por uma elite soberana em busca de êxito sem estar preocupado com os direitos e necessidades dos seres humanos que compõem os povos. Qual a função das mentiras oficiais que atiram areia aos olhos e transformam as pessoas em alienados dóceis ao comando?”

FONTE: escrito pela socióloga Zillah Branco, especial para o portal “Vermelho”. 

PRIVATARIA TUCANA RESSUSCITA E QUER ENTREGAR O PRÉ-SAL



Por Eduardo Guimarães

“Nos anos 1990, o governo Fernando Henrique Cardoso vendeu por cerca de cem bilhões de dólares um portfólio de patrimônio público que, à época, valia, no mínimo, o triplo. Para que se possa mensurar o tamanho do roubo de patrimônio, a mineradora então chamada Vale do Rio Doce foi vendida a estrangeiros por cerca de um ano de faturamento.

Esse processo de entrega do patrimônio público a grupos econômicos estrangeiros a preço vil ficou conhecido como “A Privataria Tucana” e virou um livro que relata o rápido enriquecimento do condutor das privatizações, o tucano José Serra.

O resultado da “Privataria Tucana” foi tão desastroso para o país que a maioria dos brasileiros (62%) acabou rejeitando a privatização de serviços públicos, segundo apontou pesquisa realizada pelo jornal O Estado de São Paulo em parceria com o instituto IPSOS.

Segundo a pesquisa, apenas 25% dos brasileiros aprovam as privatizações da era FHC. A percepção é a de que elas pioraram os serviços prestados à população nos setores de telefonia, estradas, energia elétrica, água e esgoto. As mais altas taxas de rejeição (73%) estão no segmento de nível superior e nas classes A e B.

No início do processo, em dezembro de 1994 (ano em que FHC se elegeu presidente pela primeira vez), pesquisa IBOPE sobre privatização mostrou que 57% eram a favor e só 31% eram contrários. Em março de 1995, outra pesquisa IBOPE atestou que 43% dos brasileiros eram a favor das privatizações e 34% eram contrários.

A mudança de opinião dos brasileiros sobre as privatizações ocorreu a partir da década passada, lá pelo fim do governo FHC (2002), quando o resultado da venda a qualquer preço do patrimônio público se mostrou um desastre.

Hoje, graças aos contratos que o ex-presidente tucano assinou, temos, por exemplo, a telefonia e a energia elétrica entre as mais caras do mundo.

Desde a eleição presidencial de 2002 (que escolheu o sucessor de FHC), o PSDB já foi derrotado três vezes e tais derrotas tiveram íntima relação com o que ficou conhecido como “Privataria Tucana”, que até hoje inferniza o país com os maus negócios que os tucanos fizeram ao venderem patrimônio público a qualquer preço e de forma açodada nos anos 1990 sob a alegação de que os recursos oriundos daquelas vendas nos dariam educação, saúde etc. de “Primeiro Mundo”.

Além de isso não ter ocorrido, o dinheiro da “Privataria Tucana” virou pó, pois até hoje ninguém sabe onde foi parar apesar de existir muita suspeita (inclusive documentada) sobre seu destino.

Corte para o presente. Em recente ato político organizado pelo PSDB para criticar a gestão da Petrobras nos governos petistas que sucederam os de seu partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu mudanças no modelo adotado para explorar as reservas de petróleo do pré-sal que foi estabelecido pelo governo Lula e continuado pelo governo Dilma Rousseff.

Aécio quer a volta do modelo de exploração do governo FHC, que afirma ser “muito mais eficiente”.

Em 1997, os tucanos acabaram como o monopólio brasileiro na exploração de campos de petróleo, venderam grande parte da Petrobrás e adotaram o regime de concessão para a exploração, obrigando a empresa brasileira a competir com grupos estrangeiros para ter acesso a novas reservas.

Após o governo Lula investir e recuperar a Petrobrás, que durante o governo FHC perdeu muito valor por conta do modelo de concessão e pela perda do monopólio, em 2006 a empresa anunciou que descobrira uma reserva gigantesca no mar territorial sudeste do Brasil.

Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal – Tupi, Iara e Parque das Baleias –, as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além disso, as reservas possíveis e prováveis seriam de 50 a 100 bilhões de barris, o que deve fazer do Brasil um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com todas as condições de integrar a OPEP, se quiser.

Em 2010, o ex-presidente Lula propôs um novo modelo para ampliar o controle brasileiro sobre o pré-sal. O novo regime foi chamado de “partilha” porque permite que o governo fique com a maior parte dos lucros obtidos com o petróleo e torna obrigatória a participação da Petrobras na exploração de todos os campos.

Devido ao gigantismo da descoberta da “nova” Petrobrás, agora fortalecida por Lula, foi criada a empresa “Pré-Sal Petróleo S.A”. (PPSA), a fim de gerir os contratos de partilha de produção celebrados pelo Ministério de Minas e Energia e a gestão dos contratos para a comercialização de petróleo.

O regime de partilha na exploração dessa riqueza imensa, que os investimentos da década passada permitiram que a Petrobrás localizasse sob o leito do mar em águas profundas, é impositivo, pois além de o Estado – e, portanto, o povo brasileiro – ficar com quase todo o lucro advindo da exploração, nesse regime é possível dosar a extração da riqueza.

O regime de concessão foi implantado pelo governo FHC porque a Petrobrás não recebia investimentos, estava exposta à concorrência predatória das megaempresas petrolíferas estrangeiras e, assim, não tinha como prospectar novas reservas de petróleo.

Assim, áreas que a empresa brasileira acreditava ser produtivas eram entregues à iniciativa privada sob regime de concessão, ou seja, quem explorava era dono do petróleo encontrado, se fosse encontrado, e ficava com quase todo o lucro, pagando apenas um percentual ao país e levando o resto embora.

Em 2009, agora com as megareservas de petróleo confirmadas, não havia sentido em entregá-las a empresas estrangeiras e privadas sob regime de concessão porque não havia risco de perfurarem e não encontrarem nada.

Com as reservas do pré-sal confirmadas, seria um crime entregá-las a empresas privadas, a maioria estrangeiras, que só teriam que ir lá, perfurar e extrair o petróleo sem correr risco de gastar dinheiro com a prospecção e não encontrar nada.

A argumentação do PSDB e, mais especificamente, de seu provável candidato a presidente na eleição do ano que vem é a de que “Nenhum leilão para a exploração do pré-sal foi realizado desde a mudança das regras, e nos últimos anos surgiram dúvidas sobre a capacidade da Petrobras de financiar os investimentos exigidos pelo novo regime.”

Vale um parênteses: o primeiro leilão do pré-sal está marcado para novembro deste ano.

Retomando. O tucano ainda afirma que “A partilha estagnou a produção, afugentou investidores e descapitalizou a empresa” e que “O que parecia ser um bom negócio hoje é um ônus para a Petrobras.”

Aécio ainda defendeu o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras nos futuros campos. “Descapitalizada, a Petrobras vai ter de buscar dinheiro no mercado com juros cada vez maiores”, afirmou.
Não existe o menor sentido nessas premissas. Descapitalizada a empresa brasileira estava quando o PSDB governou.

A Petrobrás é uma das empresas mais capitalizadas do planeta. Ano passado, por conta da paralisação de algumas plataformas marítimas de exploração a fim de passarem por manutenção, seu lucro caiu de cerca de 30 bilhões de reais para cerca de 20 bilhões – no último ano do governo FHC, o lucro da empresa foi de 7 bilhões.

A premissa de que a Petrobrás terá que ir buscar recursos no mercado internacional a juros altos é uma falácia. Mesmo que tenha que recorrer ao mercado internacional, as empresas brasileiras têm acesso hoje aos financiamentos internacionais mais baratos do mundo, mais até do que países ricos como a Itália, pois o conceito do Brasil pelas agências de classificação de risco é o de “investment grade”, ou “grau de investimento”.

Além disso, só faria sentido buscar uma rápida exploração do pré-sal se houvesse risco de evaporar o petróleo que o Brasil tem sob seu mar territorial. O regime de partilha determinado pelo governo Lula, aliás, pretende justamente controlar o ritmo da exploração para que não seja muito rápido, ou predatório.

As grandes petrolíferas estrangeiras estão salivando pelo pré-sal brasileiro. Não foi por outra razão que se reuniram com José Serra durante a campanha eleitoral de 2010, quando ele lhes prometeu que, se fosse eleito, reverteria a política nacionalista do governo Lula.

Em verdade, a eleição de um tucano para entregar o pré-sal faz salivar até o grande empresariado brasileiro, que, como o estrangeiro, também está de olho nos grandes negócios com altíssima rentabilidade que a exploração predatória daquelas reservas propiciaria.

Aliás, os setores da imprensa alinhados com o PSDB já falam até em privatizar a Petrobrás – e não só ela – de uma vez, sem mais delongas. Artigo do comentarista de economia de “O Globo” Carlos Alberto Sardemberg, publicado na semana que findou, prega exatamente isso. Abaixo, um trecho do texto:
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Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização. (…) Não há como garantir uma gestão eficiente das estatais — e sem falar de corrupção. Logo…”
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Ao longo do texto, Sardemberg se desmancha em elogios à política do PSDB que fez a Petrobrás chegar ao último ano do governo FHC com receita de 60 bilhões de reais contra os 280 bilhões de 2012. É um dos analistas econômicos da grande mídia mais identificados com as teorias do PSDB.

A gestão da Petrobrás pelo PSDB foi um desastre. Sem investimentos do Estado e exposta à concorrência predatória das petrolíferas gigantes internacionais, a empresa começou a sofrer com desastres como o naufrágio da plataforma P36, que custou 700 milhões de reais ao país.

A P-36 foi a maior plataforma de produção de petróleo no mundo antes de seu afundamento em março de 2001. A plataforma custou 350 milhões de dólares ao país. Além da perda financeira, 11 pessoas morreram em um desastre causado, exclusivamente, por falta da manutenção (como a que a Petrobrás fez no ano passado em suas plataformas e que reduziu seu lucro).

No total, os desastres em campos de exploração da Petrobrás durante o governo FHC, causados pela forte descapitalização da empresa que os tucanos lhe impuseram, geraram prejuízos ao país da ordem de 1,5 bilhão de reais.

Ano que vem, o Brasil correrá de novo o risco de ver essa praga de gafanhotos chamada PSDB ter chance de retomar o Poder a fim de saquear o país de novo. E depois acusam este blogueiro [Eduardo Guimarães] de ser “muito governista”. Enquanto esses piratas ameaçarem o país com sua eleição, todo cidadão consciente tem que ser “muito governista”, a fim de impedir a “Privataria Tucana II”.

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog “Cidadania” 

Ameaças ao Estado Laico e à Democracia


Evangélicos miram comissões que têm poder de barrar temas sensíveis à igreja

Frente parlamentar da qual faz parte o pastor Marco Feliciano atua de forma estratégica para obter vagas em colegiados que analisam projetos sobre aborto e direitos dos homossexuais




Bruno Boghossian e Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A presença do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara não é um fato isolado. Faz parte de uma estratégia mais ampla da Frente Parlamentar Evangélica, que reúne 68 deputados. Ela tem direcionado forças para as comissões que tratam das reivindicações dos gays por direitos iguais aos dos outros grupos da sociedade, da flexibilização das normas sobre aborto e de políticas sobre drogas.
Os atritos com grupos de direitos civis, movimentos de direitos humanos, pró-aborto e em defesa da laicização do Estado só tendem a intensificar nas comissões que tratam desses temas. Desde o início do ano, a frente ocupa 18 das 72 cadeiras da Comissão de Seguridade Social e Família, cuja atribuição é analisar projetos ligados à saúde pública, como consumo de drogas e bebida alcoólica por jovens, e à família, como aborto e proteção à criança. Do grupo evangélico, seis são titulares na comissão e os outros 12, suplentes.
Na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, a frente conquistou 14 dos 36 postos e a presidência - na partilha das comissões, o colegiado ficou para o PSC, partido essencialmente formado por evangélicos. Isso significa quase 40% das vagas. Sua tarefa é avaliar denúncias e projetos ligados à violação dos direitos humanos. Passa por ali o debate do projeto que pretende classificar a homofobia como crime.
Rádios. Outra comissão que desperta o apetite dos evangélico é a de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Eles controlam com 14 das suas 42 cadeiras, com sete titulares e sete suplentes. Entre as atribuições dessa comissão está a análise de pedidos de concessão para rádios. Passa por ali, entre outras propostas, a que visa proibir o aluguel de horários em canais de TV aberta - expediente usado com frequência por igrejas para transmissão de seus programas.
Outro foco de interesse é a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa, com a tarefa de analisar aspectos constitucionais e legais dos projetos. Do total de suas 132 cadeiras, 18 estão com a frente (sete titulares e nove suplentes).
Drogas. A frente ainda concentra forças em comissões criadas para analisar temas específicos. Uma delas é a do Sistema Nacional de Políticas Sobre Drogas, que aprovou, em dezembro, projeto de lei que aumenta a pena de traficantes e permite a internação compulsória de viciados. De autoria de um deputado da frente, o projeto deve ser votado nos próximos dias na Casa, em regime de urgência.
Para entidades e movimentos que atuam no setor, a aprovação significará um retrocesso. Em carta enviada aos parlamentares na semana passada, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) chegou a dizer que se trata de "grave ameaça aos direitos civis e caminho totalmente equivocado ".
A carta acirrou as divergências entre o conselho e a frente. Os deputados evangélicos consideram intolerável a decisão do CFP que impede psicólogos de prometerem a chamada "cura gay" e já tentaram em duas ocasiões, sem sucesso, derrubá-la na Justiça.
Por não ter maioria nas comissões, a Frente Evangélica se articula com outros grupos religiosos em torno das chamadas questões morais. De acordo com a pesquisadora Maria das Dores Campos Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), evangélicos e católicos carismáticos vem atuando em conjunto para impedir qualquer liberalização sobre aborto.
Essa unidade foi selada em 2011, quando os dois grupos se juntaram na Frente Parlamentar em Defesa da Vida - Contra o Aborto. Entres os carismáticos que articularam o movimento estavam Salvador Zimbaldi (PDT-SP), Gabriel Chalita (PMDB-SP) e Givaldo Carimbão (PSB-AL).

OS GOLPISTAS QUE NOSSA MÍDIA ENDEUSOU

Se tiver uma hora sobrando na sua vida, aproveite para assistir este documentário muito bom, com áudio e vídeo originais, sobre como os sempre democráticos EUA ajudaram e deram suporte à ditadura brasileira, commo o fizeram em todo o ocidente. Veja e espalhe. Quem sabe nossos jovens entendam um pouco mais de política antes de postarem besteiras no Facebook.

sábado, 16 de março de 2013

CRIADA A EMBRAPII


EMBRAPII VAI PROMOVER "CASAMENTO" ENTRE INSTITUIÇÕES DE PESQUISA E EMPRESAS PRIVADAS, DIZ DILMA ROUSSEFF

Por Danilo Macedo e Heloisa Cristaldo, repórteres da Agência Brasil

“A presidenta Dilma Rousseff disse ontem (14) que a “Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial” (EMBRAPII) será a responsável por promover “casamento” entre instituições públicas de pesquisa e inovação e empresas privadas. A criação da empresa foi anunciada ontem, juntamente com o “Plano Inova”, que pretende tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mercado global por meio da inovação tecnológica e aumento da produtividade.

Vamos estabelecer uma parceria, praticamente um casamento. A EMPRAPII é um dos locais desse casamento. Terá papel fundamental, um local de articulação das nossas relações, e isso fará muita diferença para todos nós”, disse Dilma a uma plateia de empresários durante reunião da “Mobilização Empresarial pela Inovação” (MEI), no Palácio do Planalto.
A presidenta ressaltou que os recursos serão investidos após análise do “comitê gestor da EMBRAPII”, formado pela Casa Civil, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministério da Fazenda e pela Secretaria de Micro e Pequena Empresa (SMPE). “Nenhuma agência do governo tem autorização, a partir de agora, para tratar como se fora seu o recurso da inovação. Esse recurso é algo a ser decidido de forma compartilhada. Essa questão é absolutamente essencial quando se trata desse plano. É nisso que consiste o grande salto que nós tivemos.”
Ao todo, R$ 32,9 bilhões serão aplicados em 2013 e 2014 e beneficiarão empresas de todos os portes dos setores industrial, agrícola e de serviços. Para a presidenta, a inovação é essencial para o país. “Inovar para o Brasil é uma questão de estar à altura do seu potencial.”
O presidente da “Confederação Nacional da Indústria” (CNI), Robson Andrade, disse que o desafio das medidas anunciadas pelo governo federal é alavancar o desenvolvimento tecnológico do país. “O pacote é positivo. O Brasil precisa desenvolver tecnologia e inovar para que a nossa indústria possa ser mais competitiva não só no mercado interno, mas principalmente no exterior.
Segundo Andrade, a iniciativa muda a lógica atual de universidades buscarem parceria com empresas. “Agora, a empresa tem a capacidade de ter o recurso e buscar o centro tecnológico ou a universidade para trabalharem juntos”, analisou.
As linhas de financiamento serão executadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que serão lançados editais em várias áreas, como petróleo e gás, etanol e saúde, chamando projetos da iniciativa privada.
É essa combinação que vai gerar uma demanda de empréstimos na linha de inovação que vai permitir dobrar a escala do que a gente já está fazendo hoje”, disse Coutinho. Segundo ele, atualmente, o BNDES investe R$ 5 bilhões para programas de pesquisa e inovação.”
FONTE: reportagem de Danilo Macedo e Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil

sexta-feira, 15 de março de 2013

Filme revela como EUA deram o Golpe de 1964

Filme de Tavares ajuda a desacreditar Historialismo (ler em tempo) que atribui apenas a brasileiros a reacao ao Governo trabalhista legitimamente eleito


O presidente Lyndon Johnson (D) deu aval para o embaixador Gordon (E) desestabilizar Goulart e autorizou envio de navios ao Brasil



Saiu no IG reportagem de Raphael Gomide:

Com arquivos e áudios da Casa Branca, filme revela apoio dos EUA ao golpe de 64

“O Dia que Durou 21 anos” revela conversas de Kennedy e Lyndon Johnson sobre o Brasil. Embaixador Lincoln Gordon coordenou com governo e CIA ações de desestabilização de Goulart e o envio de força-tarefa naval para ajudar conspiradores

O filme “O Dia que Durou 21 anos”, de Camilo Tavares, revela como os Estados Unidos colaboraram para o golpe militar de 1964, que derrubou o presidente brasileiro João Goulart, com base em documentos sigilosos de arquivos norte-americanos e áudios originais da Casa Branca. O documentário, que será lançado dia 29, apresenta áudios de conversas dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson com assessores sobre o Brasil e mostra como os vizinhos do norte apoiaram os conspiradores, com ações de desestabilização e até militares.

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil no início dos anos 1960, o intelectual brasilianista de Harvard Lincoln Gordon, aparece como quase um vilão, com seus alarmantes telegramas para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, em que apontava o risco iminente de o Brasil seguir Cuba em direção ao comunismo. “Se o Brasil for perdido, não será outra Cuba, mas outra China, em nosso hemisfério ocidental.” No contexto da Guerra Fria da época, pouco após Cuba se tornar socialista, esse era o pior pesadelo dos americanos.

Em conversa com Kennedy, cujo áudio é reproduzido, Gordon avalia que o presidente brasileiro poderia ser um “ditador populista”, nos moldes do argentino Juan Perón. Em novembro de 1963, Lyndon Johnson afirma que não vai “permitir o estabelecimento de outro governo comunista no hemisfério ocidental”.

EUA bancaram ações de propaganda e desestabilização do governo Goulart


João Goulart ao lado de um de seus algozes, o embaixador Lincoln Gordon

O documentário mostra, então, as ações de propaganda dos EUA, coordenadas por Gordon, para desestabilizar o governo brasileiro. Cita a criação e o financiamento de supostos institutos de pesquisa anti-Goulart, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para bancar “pesquisas” e campanhas de 250 candidatos a deputados, oito a governador e 600 a deputado estadual no País. Além disso, o estímulo de greves e artigos na imprensa contra o governo eram o “feijão com arroz” de “ações encobertas” da CIA (Agência Central de Inteligência) onde pretendia derrubar regimes, como explica o coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh.

Em telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart. Ações sigilosas incluem manifestações de rua pró-democracia, para encorajar o sentimento anticomunismo no Congresso, nas Forças Armadas, imprensa e grupos da igreja e no mundo dos negócios.” Entrevistado, o assessor de Gordon na embaixada, Robert Bentley, não nega o financiamento americano, apenas sorri, cala e diz: “Isso era uma polêmica quando cheguei [ao Brasil].”

O filme reitera ainda a importância do adido militar da embaixada Vernon Walters, amigo de oficiais brasileiros desde a 2ª Guerra Mundial, como o general Castelo Branco, que viriam a ser fundamentais na derrubada de Goulart. Cabia a Walters identificar insatisfeitos entre militares. O oficial descreve Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, como “altamente competente, oficial respeitado, católico devotado e admira papel dos EUA como defensores da liberdade”. Segundo Bentley, “havia muita confiança em Castelo Branco”, o “homem para sanear a situação, do ponto de vista dos interesses americanos”.

Força-tarefa naval para apoiar o golpe pedido de ajuda de militares brasileiros


Força-tarefa naval, com porta-aviões, foi autorizada a ser enviada ao Brasil para apoiar o golpe de 64

Quando a situação esquenta, os EUA concordam em mandar navios de guerra para a costa brasileira, na chamada Operação Brother Sam, com o objetivo de intimidar e dissuadir o governo de resistir ao golpe. O presidente norte-americano autoriza, em áudio, a fazer “tudo o que precisarmos fazer. Vamos pôr nosso pescoço para fora (nos arriscar).”

Um telegrama do Departamento de Estado dos EUA para Gordon descreve as medidas tomadas para “estar em posição de dar assistência no momento adequado a forças anti-Goulart, se decidido que isso seja feito”. A operação Brother Sam incluía enviar “uma força-tarefa naval, com um porta-aviões, quatro destróieres (contratorpedeiros) e navios-tanques para exercícios ostensivos na costa do Brasil”, além de 110 toneladas de munição e outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo, para controle de distúrbios por avião.

Um telegrama “top secret” da CIA, de 30 de março – véspera da eclosão do movimento – mostra como os americanos estavam bem informados e articulados com os conspiradores. No documento intitulado “Planos de Revolucionários em Minas Gerais”, os espiões dizem que “Goulart deve ser removido imediatamente. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais chegaram definitivamente a um acordo. A ignição será uma revolta militar liderada pelo general Mourão Filho. As tropas vão marchar para o Rio de Janeiro.”

Documento assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Dean Rusk confirma que os golpistas pediram apoio militar aos EUA. “Pela primeira vez, os golpistas brasileiros pediram se a Marinha americana poderia chegar rapidamente à costa sul brasileira.” Para o professor de História da UFRJ Carlos Fico, a retaguarda da Brother Sam foi fundamental para dar segurança aos militares que derrubariam o regime. Apesar dos documentos e de forma pouco convincente, o diplomata Bentley, nega ter ouvido falar na operação.

Newton Cruz: “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão saiu!”


João Goulart, no comício da Central do Brasil, às vésperas de ser deposto

O filme tem ainda momentos engraçados. “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão [general Olympio Mourão Filho, que liderou as tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio] saiu!”, ri o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações). A filha do general Mourão Filho, Laurita Mourão, diz que o pai chamou de “covarde” Castelo Branco, o primeiro presidente militar após o movimento, ao ser criticado por suposta precipitação ao mover tropas em direção ao Rio. “Castelo Branco, você é um medroso, é um…” Nas palavras da filha, ele também “foi entregar a Revolução a Costa e Silva [posteriormente também presidente do regime], que estava dormindo, de cuecas.”

Após o sucesso da iniciativa, Gordon escreve aos EUA. “Tenho o enorme prazer de dizer que a eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre”. Robert Bentley conta que participou, no gabinete vazio de Goulart, de reunião sobre a posse do novo regime em que estava o presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao telefone para o embaixador, foi perguntado se a posse do novo regime tinha sido legal, e respondeu: “’Parece que foi legal, não sei dizer’. Acordei 12h depois e [os EUA] tinham reconhecido o governo.”

“Acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo”, disse Lyndon Johnson


Filme estreia dia 29

Poucos dias após o golpe, em um interessante áudio, o presidente Johnson debate com o assessor de Segurança McGeorge Bundy o tom da mensagem para o novo presidente do Brasil.

- Há uma diferença entre Gordon, que quer ser muito caloroso, e nossa visão da Casa Branca, de que o sr. deveria ser um pouco cauteloso, porque estão prendendo um monte de gente.

- Eu acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo. Não vou fazer nenhuma cruzada contra eles, mas eu não quero… Eu gostaria que tivessem colocado alguns na prisão alguns antes que Cuba fosse tomada – responde Johnson.

- Uma mensagem mais rotineira seria desejável neste momento.

- Eu seria um pouco caloroso – diz o presidente.

- É mesmo? Isso vai ser publicado.

- Eu sei, mas eu estou me lixando!, finaliza o presidente.

Juracy Magalhães: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”

O filme avança, mostrando o Ato Institucional nº 1, que cassa os direitos políticos e mandatos de parlamentares e de militares. Um deputado chora sobre a mesa, na Câmara. E lembra, para ilustrar a proximidade do regime militar brasileiro com os EUA, a célebre frase que marcou o militar Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.

Projeto familiar


Kennedy recebe o embaixador no Brasil, Gordon

O documentário é também um projeto familiar e uma homenagem do diretor, Camilo Tavares, ao pai, o jornalista e ativista político Flávio Tavares – um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio em 1969.

Flávio aparece na famosa foto dos presos (abaixo) diante do avião que os levaria ao exílio, no México – onde o diretor nasceria, em 71 –, e em um flash rápido, em lista de “procurados”, com o nome de Flávio Aristides. É também Flávio Tavares quem faz as entrevistas, ficando frente a frente com ex-adversários, o diplomata Bentley e Jarbas Passarinho, ministro que assinou sua extradição. A mulher de Camilo, Karla Ladeia, é produtora-executiva.

Para o embaixador Elbrick, seu sequestro foi uma tentativa de “constranger os governos brasileiro e norte-americano”. Mas há outros momentos de constrangimento americano no filme. Após aparecer a foto de um homem pendurado em um pau-de-arara, Bentley é questionado sobre as violações a direitos humanos. “É difícil de justificar oficialmente. Mas lamento… lamento (ri), de qualquer maneira.” À época, entretanto, as mensagens internas do governo americano pregavam a discrição. “Embora não busquemos justificar atos extra-legais ou excessos do governo, concluí que nossa melhor decisão é nos aproximarmos ao máximo do silêncio de ouro”, recomenda Gordon.

O filme surpreende ainda com depoimentos inusitados e críticos de protagonistas do regime, como o general Newton Cruz, chefe do SNI. “Quando a Revolução nasceu era para fazer uma arrumação da casa. Ninguém passa 20 anjos para arrumar a casa!”

O filme conclui com uma frase ácida do coordenador do Arquivo de Segurança Nacional, o norte-americano Peter Kornbluh. “Tudo isso foi feito em nome da democracia, supostamente.”


Presos libertados pelo sequestro do embaixador Charles Elbrick, dos EUA. Flávio Tavares, pai do diretor, é o primeiro à direita, agachado

Em tempo: ” historialismo ” nao é História nem Jornalismo – PHA

Subsídios sim, mas ao SUS


por Jandira Feghali
Uma intensa e necessária movimentação surgiu nos veículos de imprensa dando conta de que o governo federal estuda um pacote de medidas com origem em propostas de operadores de planos de saúde representados na reunião com a presidenta pelos bancos Bradesco, Qualicorp e Amil.
A polêmica se estabeleceu, principalmente porque a proposta envolve desoneração fiscal para o setor privado, reacendendo a luz amarela no Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo sob os argumentos de facilitar o acesso de pessoas a estes serviços, redução de preços, ampliação da rede credenciada e elevação do padrão de atendimento, é preciso um olhar mais atento e crítico.
A nossa Constituição Federal traça no artigo 199, parágrafo segundo, que “é vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins lucrativos”. A lei 9656/1998, que regulamenta o setor, também prevê o não ressarcimento das operadoras privadas. Fundamentos claros de que, o que precisa de investimento realmente é o SUS, que continua subfinanciado e sem muitas perspectivas.
A Reforma Sanitária Brasileira assentou sua construção em intensos debates conceituais e de análise da realidade social. A expressão constitucional baseia-se no próprio SUS, que compõe um sistema de proteção social – a Seguridade Social. Sob a ótica dos direitos sociais e humanos o que se via antes era um sistema de saúde excludente, pautado na concepção de seguro, estabelecido na relação direta entre contribuição, vínculo trabalhista e direito à assistência, deixando à indigência parcelas expressivas da população. O SUS veio para universalizar este atendimento, mas, para tanto, precisa ser adequadamente financiado.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, sistemas de cobertura universal demandam 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas, no Brasil, somando-se os gastos das três esferas, chega-se a 3,7% – um valor pouco superior à metade do necessário. O Ministério da Saúde já foi responsável por 75% do financiamento da saúde na década de oitenta. No ano de 2010 teve reduzida esta participação a 45% (62 bi), os estados entraram com 27% (37 bi) e os Municípios com 28% (39 bi). O percentual público do PIB foi de 3,8% sendo 1,7% atingido pelos recursos federais e 2,1% pelos recursos somados de estados e municípios.
Nesta comparação o público foi responsável por 47% do financiamento da saúde no Brasil e o privado 53%. No gasto privado são 48% do gasto de planos e seguros de saúde.
Os planos de saúde figuram entre os maiores alvos de reclamações do povo brasileiro nos Procons, que cobram somas aviltantes e não conseguem fazer a cobertura adequada – essas empresas têm 48,7 milhões de clientes e faturaram, em 2012, mais de R$ 80 bilhões.
O sistema público de saúde é a única possibilidade de atendimento para milhões de brasileiros. A totalidade da população a ele recorre no caso de políticas fundamentais, como vacinação e tratamento à Aids. É no SUS onde são feitas as cirurgias de alta complexidade, os transplantes e a maior parte dos tratamentos de câncer. É este sistema que deve receber recursos compatíveis com esta tarefa e não o contrário: utilizar recursos públicos para subsidiar o setor privado.
Após tantos anos de esforço e construção, devemos reconhecer as dificuldades que ainda são enfrentadas pela saúde pública, mas asfixiá-la em nome do lucro de mercado nunca foi a solução para a grande maioria da população. Por isso, não posso crer que essas medidas possam ser adotadas pelo governo da presidenta Dilma.
Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB/RJ e é integrante da comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados