sexta-feira, 4 de setembro de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Mercado sul-americano avança para substituir o dólar
Os
sul-americanos estão cada vez mais se transformando em tremendas dores
de cabeça para Washington. Desta vez, na 8ª Cúpula de Governos da
Unasul, em Quito, realizada na semana passada, a pauta dos governantes
destacam duas bombas políticas incômodas a Tio Sam: 1. Acelerar operação
do Banco do Sul; e 2. Iniciar, por meio do Banco do Sul, relações
comerciais sul-americanas por moedas locais.
Por Cesar Fonseca, na Adital
Mercado de moedas sul-americano avança para substituir supremacia do dólar no continente
Desde lá, tem sido a moeda americana o farol do mundo, deslocando-se a libra inglesa, predominante em todo o século 19 como força imperial.
A crise capitalista de 2007-2008 marca o estresse geral do dólar. Serviu ela como alerta geral aos povos para que se virem nos processos de cooperação, porque ficar na dependência da moeda americana pode ser caixão e vela preta.
O império, em crise, para se salvar, dobrou apostas em guerra monetária, imprimindo moeda adoidado, encharcando a circulação capitalista mundial de moeda sem lastro real. As consequências dessa ação imperial, cuja força relativa cai dia a dia na cena internacional, levaram a China e a Rússia a apressarem trocas comerciais em rublo e em yuan. Os Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – irão nesse sentido nos próximos anos. O Banco dos Brics, cuja criação preocupa Washington, tende a ser a grande caixa de compensação financeira das moedas dos países integrantes do bloco, para dinamizar trocas comerciais ao largo do dólar.
O mesmo vai acontecer com o Banco do Sul, cujo lastro, sem dúvida, são as riquezas sul-americanos, ativos poderosos: minérios, petróleo, energia, água, terras, alimentos, ouro, das quais os países ricos dependem para dinamizar suas indústrias. Quem não aceitaria um papel sul-americano, lançado pelo Banco do Sul, lastreado em petróleo, em alimentos, em minérios, em energia sul-americanos?
A próxima etapa é transformar matérias primas sul-americanas em produtos acabados sob impulso dos discursos nacionalistas que vão ganhando dimensão extraordinária na esfera política continental, como arma de libertação econômica e financeira dos países ricos, cujas moedas perdem importância relativa. Tanto o dólar como o euro já não são determinantes para impor suas vontades.
O Banco do Sul, junto com o Banco dos Brics, serão a nova força econômica, se o sentido de união política fincar raízes fortes na condução das estratégias desenvolvimentistas em marcha na América do Sul, como forma de vencer os desafios sul-americanos, marcados, especialmente, pela desigualdade social.
O jogo político continental ganha nova dinâmica
Os discursos favoráveis à integração sul-americana abundam.
Não faltam propostas, mas decisão de levá-las adiante com determinação política.
A crise mundial está aí e a América do Sul está correndo perigo de se transformar em exportadora de matérias primas, vendo sua tênue indústria ir para o brejo no contexto da guerra monetária global em curso, desencadeada pelos países ricos.
Os Estados Unidos estão se recuperando por que, mesmo?
Porque, antes de mais nada, são nacionalistas.
Os americanos mantêm, na crise, a taxa de juro na casa dos zero ou negativa, exportando moeda desvalorizada para os outros.
O que fazem os outros?
Sem força, engolem essas moedas podres, sem lastro real, acumulando-as, em forma de reservas cambiais, sem nenhum lucro, porque não rendem nada, apenas, problemas potenciais.
A indústria americana deu uma boa respirada, o desemprego diminuiu e Washington segue tocando o Estado Industrial Militar Norte-Americano.
É a sua estratégia para tentar continuar dando as cartas, embora o dólar esteja abalado pelo excesso de oferta de moeda jogada na praça global pelo Banco Central, nos últimos três anos.
Qual a saída fora disso aí?
A Europa, mergulhada na paralisia, vai no mesmo caminho.
Joga, agora, muita moeda na circulação, com expectativa de estouros aqui e ali, porque, ao contrário dos Estados Unidos, ela não é um Estado federalizado, mas um monte de federalizações.
O BC europeu tem que coordenar muitos interesses nacionais sob a capa do euro.
É cabeça batendo cabeça.
Não está dando certo.
A Alemanha, mais forte, quer fugir do euro e restabelecer o marco alemão.
Os alemães, ricos e tecnologicamente preparados, não querem continuar bancando déficits de aliados que a Alemanha empobreceu, no processo de afirmação do euro.
A jogada alemã é ter moeda forte para importar matérias primas e exportar manufaturados.
Por isso, Ângela Merkel quer que os aliados possam desvalorizar suas moedas, serem competitivos e exportarem para a Alemanha suas mercadorias, para comprar dos alemães os manufaturados de tecnologia sofisticada, com os quais possa acumular superávit comercial.
Tanto Europa como Estados Unidos seguem a receita japonesa de mais de 20 anos: desvalorização monetária intensa e juro negativo, descontada a inflação, para tentar vencer a deflação, maior inimiga do capitalismo.
Estados Unidos, Europa e Japão, outrora as locomotivas capitalistas, porém, jogam no mesmo campo.
Os três desejam exportar, exportar, exportar, porque seus mercados internos estão relativamente reduzidos depois da crise global de 2007-2008.
A Europa se danou porque estocou muito derivativo em dólar, caindo na vala da especulação financeira como forma de gerar renda disponível para o consumo de bens e serviços.
Banco do Sul e econômica expressa
Uma beleza a nova sede da Unasul em Quito inaugurada essa semana levando o nome de Nestor Kirchner, ex-presidente argentino, um dos grandes incentivadores da união continental para a integração econômica total sul-americana.
Quando a bolha estourou, os consumidores, endividados, tiveram que optar por mais poupança do que gastança, para ir liquidando seus passivos.
O mercado consumidor estreitou-se.
Os preços, nesse contexto, desabam e a deflação se aproxima.
Para vencê-la, a ortodoxia monetarista recomendada pelo Fundo Monetário Internacional não é remédio, é veneno.
O capitalismo, comandado pelos países ricos, está desarticulado pelas suas próprias contradições, e os seus mercados estão sendo invadidos pela China, que, com a Rússia, acelera, no âmbito dos Brics, a derrocada relativa do dólar.
Adotam os russos e os chineses o comércio amparado em suas próprias moedas, criando modelo que vai minando as relações de trocas globais, pautadas, apenas, pela moeda americana, bichada pelo excesso de dívidas dos Estados Unidos etc.
Washington virou tigre de papel.
Diz que vai enxugar o excesso de moeda.
Quem pode fazer não avisa, faz.
Se faz muito barulho é porque não pode fazer, ou seja, puxar a taxa de juro, para enxugar a enxurrada de moeda que jogou no mercado, fragilizando o dólar.
Se Tio Sam puxar o juro, quem dançará é ele, que deve muito.
Teria que lançar uma espécie de real brasileiro, um dólar II, como forma de impedir avanço de inflação exponencial, que jogaria o império no chão, como aconteceu com a Alemanha nos anos 1920-1930.
Os ricos empobrecidos querem mercado, mercado, mercado, cada vez mais escasso, dada a maior oferta do que a demanda globais, impulsionadas pela tecnologia colocada a serviço da produção e da produtividade sobre um planeta geograficamente estressado pelo excesso de poluição ambiental, comprometedora da sua saúde integral etc.
Sobram para grandes explorações do capital financeiramente acumulado as oportunidades de construção de amplas infraestruturas nos continentes sul-americano, africano e asiático.
A Ásia os asiáticos cuidam dela.
Para tanto, apostaram, competentemente, na educação, na ciência e na tecnologia, para manufaturar todas as matérias primas que produzem e que adquirem dos outros.
A China fez isso mais brilhantemente importando empresas americanas com compromisso de transferir internamente tecnologia e elevar exportações.
Tomou mercado tanto na Europa como nos Estados Unidos e avança na América do Sul e África.
Porém, como as exportações caem em face do estresse capitalista global, os chineses se voltam para dentro, fazendo a política de Lula e Dilma: apostar nos salários, nos programas sociais, para aumentar a demanda interna etc.
Ou seja, todos se voltam para dentro, na crise.
Ou como disse Marx, as contradições do capitalismo em sua fase financeira aguda se dará no estresse do comércio internacional.
A Europa atua para dentro, com a Alemanha lutando para preservar o mercado europeu para ela, com a sua força, cuja preservação ela pensa que pode ser alcançada com a supressão, JÁ, do euro.
Os Estados Unidos cuidam de si, com sua política monetária e fiscal nacionalista, enquanto vai tentando desestabilizar os concorrentes, fazendo guerra, como a da Ucrânia, em que apoia fascistas no poder contra Putin.
Dilma que se cuide, porque ao aliar-se aos Brics e dar preferência aos suecos na compra dos caças para a Aeronáutica, como represália a Washington pelo episódio da espionagem, virou alvo preferencial de ataques e escaramuças gerais de Tio
E a América do Sul?
Vai ficar como criança amedrontada, boca aberta, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como disse Raul Seixas, diante dos que querem abocanhar suas riquezas ou vai partir para valorizar seus ativos por meio do Banco do Sul, transformando-o em caixa de compensação das suas reservas cambiais e moedas locais, a fim de tocar a infraestrutura sul-americana?
Os Estados Unidos certamente temem que os sul-americanos joguem no Banco do Sul suas reservas em dólares, para reciclá-las em moedas locais, a fim de gastá-las na infraestrutura sul-americana.
Seria como se livrassem de um ativo candidato a virar boró.
Ou não?
sábado, 30 de julho de 2011
PETROBRAS IMPLEMENTA O MAIOR PLANO DE INVESTIMENTOS DO MUNDO'
PETROBRAS INVESTE US$ 224 BILHÕES E IMPLEMENTA O MAIOR PLANO DE NEGÓCIOS DO MUNDO'
“Com o governo Dilma Rousseff, a Petrobras dá continuidade ao cronograma de investimentos iniciados em 2003 com o governo do PT e aliados e vai investir US$ 224 bilhões entre este ano e 2015, constituindo o "maior plano de negócios do mundo".
A informação foi dada pelo presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, em entrevista publicada na edição do jornal “Valor Econômico” de ontem, sexta-feira. "Esse plano é mais do que o governo americano teve de orçamento em dez anos para levar o homem à lua, mais do que os aliados investiram durante a Segunda Guerra Mundial", afirmou o executivo.
O “Plano de Negócios 2011-2015” prevê a aplicação de 95% dos investimentos (US$ 213,5 bilhões) nas atividades desenvolvidas no Brasil e 5% (US$ 11,2 bilhões) nas atividades do exterior, contemplando total de 688 projetos. Em relação ao total dos investimentos, 57% se refere a projetos já autorizados para execução e implementação.
Para efeito de comparação, o governo do PSDB e DEM (ex-PFL), no segundo mandato de FHC (1999-2002), assegurou à Petrobras investimentos de apenas US$ 31,2 bilhões. O governo FHC também privatizou parte da empresa, oferecendo [para estrangeiros] cerca de um terço das ações da estatal em bolsas de valores no exterior.
Com 688 projetos acima de US$ 25 milhões com maturidades diferentes, o plano mantém o horizonte mais longo até 2020. Muitos dos projetos serão cimentados apenas no fim da década, incluindo o início da produção em grande escala no pré-sal, quando a companhia planeja pular dos atuais 2,1 milhões de barris de petróleo/dia para quase 5 milhões de barris/dia em 2020, dos quais 2 milhões de barris no pré-sal. Esse processo vai exigir extraordinário esforço de construção de sondas, plataformas de produção de diversos tipos e barcos de apoio. É, também para 2020, que Gabrielli aponta ao defender as novas refinarias.
"Sem as [novas] refinarias, a importação [do país] seria de 40% do mercado. E a Petrobras não é suicida. Não vamos perder 40% do nosso mercado", enfatizou.
Gabrielli mostra números que justificam o plano que, segundo ele, não teve nenhum atraso, apesar de ter sido apresentado três vezes ao conselho de administração. "É pura intriga. Não tem ‘o vai e vem’. Estamos falando no maior plano de negócios do mundo. Ninguém vai aprovar sem olhar com cuidado o que está fazendo. O processo de aprofundamento naturalmente tem aproximação entre diretoria e conselho de administração, que estão sempre interagindo. Estamos com um plano grande, depois de crescer muito."
O executivo falou, também, sobre os efeitos, na Petrobras, da política industrial que o governo promete divulgar em breve, lembrando o tamanho da frota de embarcações que a estatal vai ter em 2020. Cita, por exemplo, as encomendas de 65 sondas de perfuração em águas profundas, acima de 2 mil metros de lâmina d´água, quando, atualmente, a frota mundial é de 70 sondas do tipo. E diz que quem tem uma escala desse tamanho pode, e deve, abrir e expandir a indústria nacional. No total, a empresa vai adicionar 658 embarcações, de porte e complexidade diversos, à frota até 2015 e, em 2020, esse número terá aumentado para 810 embarcações.
O executivo ressalta, ainda, o "potencial gigantesco" de produção no pré-sal e as vantagens trazidas pelo salto na produção para a companhia desenvolver um parque de fornecedores nacionais. "
FONTE: site “Liderança do PT/Câmara”.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Saída para o etanol? Lógico, é a Petrobras
Hoje, com o noticiário mais extenso sobre o assunto, é possivel ver que o plano de intervenção do Governo no setor de etanol é bem mais amplo do que se anunciava ontem.
Grosso modo, é composto de duas etapas: a de curto prazo e outra, que contempla um olhar estratégico para o setor.
No horizonte próximo, a idéia é, ao que parece, dividida em dois eixos. O primeiro, ampliar a produção de etanol pela redução de nossas exportações de açúcar bruto, com a criação de uma sobretaxa.
Explico: o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, com quase a metade do volume total do comércio mundial do produto. Mas nossas exportações são centradas na exportação em bruto, que representa mais de dois terços do volume total enviado ao exterior. E o preço deste é cerca de 60% apenas do refinado, que é o essencial para o abastecimento do mercado interno.
O encarecimento do açúcar em bruto – e não do refinado – através de taxação implica que, como a capacidade de refino demanda tempo e investimento por parte das usinas, parte de sua produção terá de ser transformada em etanol, o que vai obrigar as usinas a ampliarem a comercialização dos combustíveis, pois o álcool “extra” está além de sua capacidade – física e financeira – de estocagem.
É com esta “sobreoferta” que o Governo conta para a formação do estoque regulador – de um mês de comercialização – que vai determinar às distribuidoras. E a Petrobras Distribuidora é a maior delas, um pouco à frente da Shell/Cosan, num mercado que está sendo marcado pela forte concentração: a participação das pequenas distribuidoras no mercado caiu, desde 2006 (quando começou a onda de aquisições no mercado – de mais de 60% para algo em torno de 35%.
Ou seja: dois terços do mercado estão nas mãos de apenas três empresas: a BR, a Shell/Cosan e o grupo Ultra. E jpa nessa fase, a participação da BR Distribuidora na operação será imprescindível, para evitar que estes estoques se formem pela redução – através de aumentos de preço – das quantidades de etanol hoje comercializados por elas.
No médio prazo, a estratégia é ampliar a participação de mercado da Petrobras na produção de etanol. Mas é, sobretudo, mudar o perfil desta participação, que hoje se dá, essencialmente, pela aquisição de participação acionária em usinas já existentes, sem ter, entretanto, maior poder decisório na operação e comercialização da produção.
Há um terceiro fator, que pode ser importantíssimo nas soluções de médio prazo que não é abordado pelo noticiário. É o relativo à operação do “etanolduto” que será iniciada no final próximo ano, depois de investimentos de R$ 5 bilhões, que vai ligar Ribeirão Preto (e a área produtiva do Centro-Oeste, a partir dali) a Paulínia, e que terá capacidade para transportar, ao final da obra, cerca de 1,8 bilhão de litros/mês.
É vital que o Governo brasileiro – ainda que seja indiretamente, via Petrobras – tenha o poder reitor sobre a utilização deste duto que, em primeiro lugar, depende de um cronograma antecipado de produção e comercialização das usinas para poder operar racional e economicamente: não pode haver flutuações excessivas no volume transportado e isso depende de cotas de volume e data de bombeamento pré-negociadas. E, para qualquer usinaou distribuidora não participar do envio de etanol pelo duto, por não se adequar a este cronograma pré-acertado, representará deixar de lado um ganho médio de cerca de 20% nos custos de transporte.
Já passou da hora de implementar esta – vamos assumir o nome, sem medo de sermos felizes – intervenção estatal no setor, que representa a possibilidade de dirigi-lo segundo as conveniências do país. Porque intervenção estatal no setor houve desde o início e ninguém reclama, porque sempre foi para subsidiar a produção de álcool.
Da mesma forma, é conversa fiada a história de que isso vai “desviar” investimentos da Petrobras do setor de petróleo.
Primeiro, porque esta polêmica em torno da aprovação do plano de investimentos da empresa, agora, terá de ser resolvida à luz de suas novas responsabilidades. Depois, os investimentos na produção própria – ou por ela controlada – de etanol “novo” poderá, se for o caso, ser compensada parcialmente, num segundo momento, pela venda da participação que tem em usinas sob controle privado. Se for o caso, ressalte-se, porque o etanol não é apenas um ótimo e lucrativo negócio hoje como, num futuro próximo, tanto pelo alto preço do petróleo quanto pelas exigências ambientais cada vez mais severas, será ainda melhor.
O mercado – não apenas o brasileiro, mas o mundial – de energia é um jogo de força e poder. Ele se expressa, por conta da matriz energética, basicamente pelo petróleo, mas continua sendo de energia como um todo, e dele o etanol é parte crescente. Por controlar e garantir este mercado, fazem-se guerras, como todos sabem.
Mas a direita brasileira, que vive reclamando do preço dos combustíveis por conta dos impostos, que beneficiam a todos, vai despejar seu discurso liberal contra “a intervenção estatal”, como se estivéssemos falando de disciplinar o funcionamento de quitandas, não de empresas de um setor capaz de desorganizar toda a vida social e econômica de um país, como vimos nesta recente alta do etanol.
Se a ação for eficiente, sem timidez e claramente explicada para a população, vai ficar falando sozinha, como quando falou de desmontar a Petrobras e entregar nosso petróleo.
Ah, faltou abordar a participação da Agência Nacional de Petróleo, a ANP, neste processo. Alguém viu a ANP por aí?
post do tijolaço
terça-feira, 17 de maio de 2011
Quem lucra e quem investe no Brasil
Não tive como analisar em detalhes o plano de investimentos da Petrobras, anunciado hoje. Claro que todos desejamos que nossa grande empresa invista sempre mais, embora todos nós esperemos dela a lucidez estratégica de compreender que seu investimento – pelo montante que alcança – é um elemento de indução do emprego, da formação de mão de obra e da produção nacionais. Deve, portanto, ter um ritmo forte, mas adequado também à capacidade do país de responder aos estímulos que ele produz.
Porque, do contrário, este investimento em lugar de ser uma mola propulsora do nosso desenvolvimento para a ser apenas uma maneira de drenar, numa rapidez imprudente, a riqueza do país. E sei que o projeto da Presidenta Dilma Rousseff, tal como foi o de Lula, não é o de, simplesmente, transformar o Brasil num exportador de óleo cru, com a entrada em operação comercial das áreas do pré-sal.
Aliás, na sua primeira entrevista como Presidente eleita, ela deixou isso bem claro: “Nós não podemos ser exportadores de óleo bruto senão perderemos muito dinheiro”, disse Dilma, explicando que a margem de lucro seria maior, se o Brasil exportasse petróleo já refinado.
Até podemos fazer isso, em quantidades limitadas, desde que seja para financiar o investimento e o lucro continuado do país, mas não como vocação permenente, cujos desastres e insustentabilidade podemos ver mundo afora.
Dito isso, posso me dedicar ao tema deste post, que é ter me ocorrido comparar os lucros e os investimentos de duas empresas gigantes: a Petrobras e a Vale, ambos recordes históricos neste primeiro trimeste.
A Vale, que cava a toque de caixa, o mais rápido possível, o minério de ferro brasileiro para exportar in natura, com baixíssimo valor agregado, lucrou US$ 11,29 bilhões no trimestre, e anuncia um plano de investimentos de R$ 20 bilhões para 2011.
A Petrobras, que explora o petróleo desenvolvendo tecnologia, encomendando navios e sondas no Brasil e investindo no desenvolvimento de fornecedores e dos trabalhadores brasileiros, lucrou um pouquinho menos: R$ 10,9 bilhões, mas vai investir este ano R$ 93 bilhões.
Embora tanto o ferro quanto o petróleo estejam com o preço internacional lá em cima, é claro que extrair petróleo de grandes profundidades marinhas exige investimentos maiores do que colocar escavadeiras, caminhões e esteiras para levar o minério às ferrovias e aos portos. Da mesma forma, exatamente por isso, os lucros descrescem na mesma proporção.
Então, os números do que investem evidenciam e aquilo no que investem é que ambos revelam a diferença entre os dois modelos e as duas visões.
Na Petrobras, o lucro é uma ferramenta viabilizadora de algo que constrói, talvez nem tão rápido, mas solidamente um país. Na Vale, e oxalá isso mude com a nova direção da empresa, o lucro é razão de si mesmo, porque o Brasil é apenas um lugar a ser escavado.
post do tijolaço
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Com Lula, Estado volta a investir e promover desenvolvimento

Aos poucos, o governo Lula vai recuperando a capacidade de investimentos do Estado nacional, que foi praticamente zerada durante os governos neoliberais de FHC. Nos primeiros sete meses deste ano, os órgãos federais (excluindo as estatais) desembolsaram R$ 23,5 bilhões em obras e equipamentos, valor 62% superior ao verificado no mesmo período de 2009 e recorde dos últimos 10 anos, em valores atualizados.
O neoliberalismo foi a negação do papel do Estado na promoção do crescimento, justificada pela concepção de que a economia deve ser entregue ao livre jogo de forças do mercado e que a participação do Estado deve ser mínima ou, se possível, nula. Isto se traduziu na política de privatizações indiscriminadas e redução dos investimentos públicos.O resultado foi a queda na taxa de expansão do PIB, aumento do desemprego e degradação dos serviços públicos. Com Lula na Presidência, a orientação mudou, o Estado volta a investir, a produção cresce de forma mais vigorosa, o desemprego recua e os serviços públicos ganham em quantidade e qualidade, ainda que estejam longe de satisfazer as necessidades do povo e justificar uma carga tributária que equivale a mais de um terço do valor da produção.
Trasnportes
Do montante investido entre janeiro e julho, que inclui os chamados “restos a pagar” – empenhos (reservas) rolados para exercícios seguintes –, R$ 14,5 bilhões, ou 62%, foram feitos via aplicações diretas, ou seja, a União liberando verba diretamente aos executores dos serviços. As transferências a municípios somaram R$ 4,4 bilhões (19%), enquanto os repasses a estados e ao Distrito Federal chegaram a R$ 4,3 bilhões (18%).
O Ministério dos Transportes, que tem em sua estrutura o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), foi o órgão da Esplanada que mais investiu neste ano, R$ 6,1 bilhões. Em seguida aparece o Ministério da Defesa, que desembolsou R$ 3,6 bilhões, e o Ministério da Educação, com R$ 3,1 bilhões em investimentos.
PAC
Para a consultora de orçamento da Câmara dos Deputados Márcia Mourão, o volume recorde de investimentos registrado em 2010 é excepcional e foge do padrão verificado nos últimos anos. Segundo ela, por coincidência ou sorte, o investimento máximo do atual governo será alcançado neste ano eleitoral. “Não é possível afirmar que há relação com o ano eleitoral, no qual as regras de investimentos mudam [empenhos não podem ser feitos três meses antes do pleito]. O fato é que os investimentos são excepcionais”, afirma.
Márcia acredita que a Secretaria do Tesouro Nacional está fazendo um esforço para aumentar os investimentos em detrimento dos gastos de custeio, que também crescem em ritmo acelerado desde 2004. “O governo tem conseguido aumentar os pagamentos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no qual as aplicações podem ser abatidas do superávit, ajuda nisso. Há uma carteira de projetos maior. Antigamente, se cortava investimentos para ajustar o orçamento. Hoje, isso não acontece mais”, acredita.
Restos a pagar
Quanto ao volume significativo de empenhos – que acabam gerando um estoque de “restos a pagar excessivo” quando não pagos –, a consultora considera positivo, mas faz uma ressalva. “Não é bom ter restos a pagar em excesso, pois concorrem com o orçamento do ano. O empenho é um potencial para se investir muito, mas impossível de ser plenamente realizado. O acúmulo de restos a pagar não é bom para o sistema de planejamento do governo”, avalia.
Ela lembra que isso é reflexo do atual modelo orçamentário brasileiro. “O investimento não obedece ao calendário anual. Investimentos em portos e aeroportos, por exemplo, não acabam em um ano. É natural, portanto, que uma obra comece em um ano e acabe no exercício seguinte. Uma ideia discutida no governo é tornar o orçamento de investimentos plurianual, ao invés de anual”, diz.
Neoliberalismo
O valor previsto no Orçamento Geral da União 2010 para investimentos é de R$ 69 bilhões. Tais investimentos geram emprego e contribuem fortemente para o crescimento da economia, mas ainda são bem inferiores aos valores aplicados antes da década de 1980, quando o PIB crescia em média cerca de 7% ao ano.
Apesar dos resultados positivos da economia, as viúvas do neoliberalismo tucano continuam esbravejando contra a recuperação da capacidade de investimentos do Estado, a recriação de algumas estatais e o fortalecimento de outras. Ainda perseguem a privatização da Petrobras, do BB e da CEF, a defiguração ou destruição do BNDES e a falsa ideia do "Estado mínimo".
Com total cumplicidade dos grandes meios de comunicação, eles bradam contra a suposta gastança do governo, mas nada falam sobre a brutal transferência de recursos do povo para os rentistas credores da dívida interna, que embolsam todo o ano mais de 5% do PIB brasileiro em juros. Isto, sim, é que deve ser denunciado como uma sangria escandalosa e injustificável de dinheiro público.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Petrobrás injeta US$ 224 bi no petróleo. No Brasil e, não, em Cingapura
Plano de investimentos da Petrobrás prevê elevar a produção nacional em 38% até 2014.
Leia no Globo na pág 21 (clique aqui e acesse).
E vá ao Blog da Petrobrás para constatar que a Petrobrás prevê comprar no mercado nacional de produtos e equipamentos US$ 28 bi.
No Governo Serra/FHC ia tudo para Cingapura.
Aprovado Plano de Negócios 2010-2014
O Conselho de Administração aprovou o Plano de Negócios 2010-2014, com investimentos totais de US$ 224 bilhões, representando a média de US$ 44,8 bilhões por ano.
Com base na dinâmica econômica e energética mundial e brasileira o plano foi revisto ajustando a carteira de projetos e as projeções da Companhia. Os pilares de crescimento integrado, rentabilidade e responsabilidade social e ambiental formam a base das estratégias definidas pela Companhia, visando atuação de forma sustentável no mercado nacional e internacional.
O Plano de Negócios 2010-2014 prevê investimentos de 95% (US$ 212,3 bilhões) aplicados no Brasil e 5% (US$ 11,7 bilhões) no exterior, com significativa colocação dos investimentos junto ao mercado fornecedor doméstico, com uma taxa de conteúdo local totalizando 67%, o que significa um nível de contratação anual no País de cerca de US$ 28,4 bilhões.
Acesse aqui o comunicado completo sobre o Plano de Negócios 2010-2014.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O Nordeste puxa a fila!
O Nordeste tem 27% da população brasileira. Essa, portanto, deve ser sua participação ideal numa economia equilibrada. O avanço, que pode parecer pequeno, representa, proporcionalmente, muito. Principalmente porque tem sido enorme a expansão do crédito no país, como um todo.
Diz a matéria que o Nordeste lidera a expansão do crédito nos últimos cinco anos em termos percentuais, com alta acumulada de 331,5% até o fim de 2009. Em segundo lugar aparece o Norte, com avanço de 296%, seguido por Centro-Oeste (259%), Sul (245,7%) e Sudeste (243,6%). De olho neste potencial, os bancos estão aumentando sua rede de agências e postos na região.
Sinal que esta região historicamente injustiçada está avançando e- que bom para todos nós – tornando o Brasil um país menos desigual. Ano passado, uma matéria do Estadão mostrou que mesmo no pior da crise, no Governo Lula, o crescimento do Nordeste ficou acima da média nacional. Um carioca-gaúcho como eu só pode ficar feliz vendo nossos irmãos nordestinos, finalmente, tendo direito a um quinhão do progresso brasileiro.
O triste é que continue existindo tanto preconceito. Ao ler o jornal impresso, com a matéria correta e muito informativa do repórter Murillo Camaroto, do Recife, me deparei com um subtítulo e uma abertura que, certamente, foram acrescentados na edição, em São Paulo: “NORDESTE ROUBA FATIA DAS DEMAIS REGIÕES BRASILEIRAS NO CRÉDITO”, seguida do texto que diz que “o crescimento da oferta de crédito no Nordeste, que há pelo menos cinco anos avança em ritmo mais acelerado que o das demais regiões do país, é alimentado com recursos captados na Região Sudeste, centro financeiro do país(…) “
Dá para perceber quanto preconceito se contém nessa forma de apresentar os fatos. Um pena que existam pessoas na elite brasileira que não conseguem entender que este país não poderá ser bom para ninguém se não puder ser bom para todos. O castigo do egoísmo é o medo e o drama de ter, mais cedo ou mais tarde, sua vida invadida pela miséria que cerca sua riqueza.


