sexta-feira, 23 de maio de 2014

INVESTIGADO, MARINHO VENDE CASA POR R$ 7 MI ( isso voçê não vai ver no jornal nacional)



quinta-feira, 22 de maio de 2014

elite do BRASIL

OPOSIÇÃO QUER VENCER A ELEIÇÃO E DESMONTAR O PRÉ-SAL [PARA PETROLEIRAS ESTRANGEIRAS]





"A quem interessa que a compra da Refinaria de Pasadena tenha sido um erro e que a Petrobras seja classificada como uma empresa mal gerida e quebrada? 

Essa foi uma das perguntas que os senadores membros da CPI da Petrobras - todos da situação - fizeram ao ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, na manhã de terça-feira (20).

A Petrobras não pode ser considerada uma empresa falida ou mal gerida. Isso é campanha da oposição e luta política. Essas forças são contrárias à Petrobras e querem desqualificá-la criando essa falsa imagem de que ela está em crise”, disparou Gabrielli.

Nenhuma liderança do PSDB ou do DEM - que recorreram, inclusive, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a investigação exclusiva sobre a Petrobras no Senado - esteve no plenário ou integra a CPI como membro permanente. Eles declinaram a participação mirando uma CPI mista, com menos espaço para o governo.

Ao longo de três horas, Gabrielli respondeu a cerca de 200 perguntas, a maioria sobre a compra de uma refinaria no Texas, Estados Unidos, pelo total de 1,2 bilhão de dólares, em 2006. Segundo a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, a aquisição, até o ano passado, acumulou prejuízo de 530 milhões de dólares, mas nos dois primeiros meses de 2014 registrou lucro líquido de 58 milhões de dólares.

"Em 2006, Pasadena era um bom negócio. Em 2008, se torna mau negócio porque reflete a mudança que houve no mundo em 2008 com a crise financeira. Reflete a mudança no mercado dos EUA, que conseguiu reverter a desvantagem que tinha no passado com a venda de petróleo mais leve. Em 2013, volta a ser bom negócio e em 2014 é lucrativa. Compra petróleo leve no Texas que pode ser processado com margem de 30 a 40 dólares por barril, e produz 100 mil barris por dia. São 30 milhões de barris por ano. Se a margem de rentabilidade for de 10%, são 100 milhões de dólares de lucro por ano. Os dados são do mercado, são públicos", pontuou.

Na avaliação do ex-dirigente, as denúncias que a oposição ao PT levantam há meses sobre a estatal têm como pano de fundo o destino da empresa e a exploração do pré-sal. Ele lembrou que, em 2010, o site estrangeiro "Wikileaks" expôs um telegrama em que o ex-presidenciável José Serra (PSDB) teria sinalizado à petroleira [norte-americana] "Chevron" que mudaria as regras para exploração e repartição dos lucros do pré-sal caso vencesse a disputa eleitoral.


Em 2009, o Congresso Nacional começou a discutir o marco regulatório do petróleo brasileiro. A primeira mudança com o marco foi definir que os lucros do pré-sal seriam compartilhados entre Petrobras e Estado brasileiro. A segunda, que a Petrobras será a operadora única do pré-sal. Há vazamento no "Wikileaks" colocando de forma clara que a prioridade do próximo governo [o da oposição, se vencer a disputa em outubro próximo] é desmontar essa lei. Apareceram nomes de políticos, que prefiro declinar, mas são políticos da oposição”, destacou.

Gabrielli apresentou dados do último balanço financeiro da Petrobras para rebater as acusações de que a empresa está afundada em dívidas. Segundo ele, os dados mais recentes comprovam que o lucrou do primeiro trimestre de 2014 foi de 5 bilhões de reais. "Só não chegou a 7 bilhões porque reservou 2 bilhões para o programa de aposentadoria dos funcionários. A Petrobras só toma empréstimo para crescer, não para resolver problemas de caixa. Como falar que ela está em crise? A empresa é pujante, está em crescimento.

Corrigindo informações

O ex-presidente da Petrobras aproveitou o depoimento no Senado sem intervenções de oposicionistas para corrigir informações publicadas na grande mídia. Para ele, um dos erros foi terem apontado que a compra de Pasadena teria ocorrido “a toque de caixa”. Passou-se pelo menos um ano desde setembro de 2005, quando a Petrobras fez uma proposta à detentora de 100% da refinaria, a empresa belga "Astra Oil", até que os contratos fossem assinados, no final de 2006, segundo explicou.

Gabrielli também comentou a entrevista que o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou sobre o tema. Segundo ele, o veículo deu destaque para a parte em que o ele diz que Dilma precisa assumir sua responsabilidade sobre a compra da refinaria. A presidente havia afirmado que se soubesse das cláusulas "Put Option" e "Marlim", que causaram desentendimentos entre as sócias, não teria autorizado a compra. “Pinçar aquela frase é deslocar o que foi dito”, avaliou Gabrielli. Não houve, de acordo com ele, tentativa de imputar a responsabilidade da compra de Pasadena a Dilma simplesmente porque a decisão sobre a compra é de um órgão colegiado.

A presidente Dilma é uma gerente de extrema competência. Ela tem posições muito firmes. Porém as decisões Conselho de Administração da Petrobras são de colegiado. Se ela colocasse uma posição [contrária à compra de Pasadena após saber das cláusulas], em 2006, não posso dizer qual seria a conclusão. Haveria debate. A responsabilidade é da diretoria internacional da Petrobras e do Conselho. A responsabilidade não é individualizada. O processo de compra é coletivo.”


Gabrielli reforçou que historicamente o Conselho de Administração da Petrobras desempenha o papel de avalizar decisões estratégicas após as diretorias abaixo do Conselho na hierarquia debaterem os processos. No caso da compra de Pasadena, quem capitaneava a negociação desde o início era a diretoria internacional da Petrobras, chefiada por Nestor Cerveró - que depõe na CPI na quinta-feira (22).

“O Conselho toma decisões com base em sumários executivos, não com base no sumário total, porque são processos grandes. Não há condições de analisar tudo. Tudo precisa passar antes pelo crivo das diretorias competentes. Logo, os membros do Conselho receberam um sumário executivo sobre Pasadena", um sumário sem explicações sobre as cláusulas citadas. Apesar disso, elas não eram "determinantes" para o negócio. "O que estava em jogo não eram as cláusulas, mas saber se iriamos expandir nossa produção pelo mundo ou se ficaríamos apenas na Argentina e Bolívia."

"SBM Offshore" e Paulo Roberto Costa

O ex-presidente da Petrobras evitou se aprofundar nas questões acerca da relação entra a estatal brasileira e a empresa "SBM Offshore". Ele apenas refutou as acusações feitas na imprensa nos últimos meses, dizendo que, à mídia internacional, a holandesa [
"SBM Offshore"] desmentiu que haja informações contra a Petrobras por pagamento de propina a funcionários brasileiros. “Não há nenhum indício de propina. Não vou comentar porque desconheço esse tipo de informação”, resumiu.

Sobre a relação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso na "Operação Lava-Jato" da Polícia Federal - mas recentemente solto por determinação do STF -, Gabrielli também disse pouco. Apenas que, no caso de Pasadena, Paulo Roberto teria participado apenas de uma reunião com a sócia "Astra Oil" para denotar que a Petrobras iria recorrer à justiça para concluir o processo de rescisão da parceria no Texas."

FONTE: escrito por Cíntia Alves 
no "Jornal GGN"  

Tem saudade dos fantasmas do PSDB ?

será que esse video dos fantasmas do passado vai ser proibido pelo TSE da dona laurita?

Dilma Roussef injeta mais de R$ 7 bilhões no reaparelhamento da Força Aérea Brasileira. Estratégia Nacional de Defesa cala a boca de "muitos de pijama".

Projeto KC-390. Créditos MD

A Estratégia Nacional de Defesa está conseguindo reequipar nossas FFAA de uma maneira surpreendente! Cala, literalmente, a voz de muitos de pijama, que alardearam que a coisa não ia andar, ainda nos idos do governo Lula 1 e Lula 2. Porém, Dilma Roussef deu continuidade a essa Estratégia e seus feitos são realmente meritório. No campo do salário, concedeu-nos 30% de aumento salarial, o dobro do restante do funcionalismo público federal, que já foi acima da inflação. E agora outro grande feito, investe mais de R$ 7 bilhões em um avião-cargueiro genuinamente nacional, para substituir os antigos C-130 Hércules. Parabéns Dilma Roussef, parabens a todos os politicos, organizações e partidos que apoiam esse Projeto Nacional de Desenvolvimento, diametralmente oposto às pregações neoliberais do PSDB, que literalmente sucatearam nossas FFAA e venderam parte do nosso Brasil. Brasil Acima de Tudo.

está a fim de um carro zero?

O Leitor tenciona mudar de carro?
Sorte sua espreitar Informação Incorrecta, o blog que tudo sabe e todos ajuda. Melhor do que Wikipedia.

Que tal um concessionário no Reino Unido? Este, por exemplo, fica em Sherness, à beira do rio Medway, não longe de Londres. É só escolher:

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Pouca escolha? Não me parece: o de cima é só um pormenor, a visão total é esta:


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Há escolha, fique descansado o Leitor. São todos carros novinhos em folha, nem uma mácula. Só que ninguém os compra, por isso ficam aí, semanas, meses. Aproveitam o ar do sul da Inglaterra.

Será que o Leitor prefere um carro americano? Gosta do American Dream? E seja.
Porto de Baltimore, no Maryland:

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Já viu aquele SUV branquinho? Nada mal, não é? O dourado? Não, é foleiro, fique com o branquinho, confie em mim. No caso, há outras cores também: só no porto de Baltimore são 57.000 automóveis à espera. E o número não para de crescer.

"Mas eu sempre tive Nissan..."
Ah, marca japonesa, muito bem, qualidade e durabilidade. Mas por isso temos que voltar para o Reino Unido, em Sunderland, onde há a fábrica europeia da Nissan:

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Esta era uma pista para os testes, mas agora é um enorme parque, cheio de carros que ninguém compra. E, dado que a pista não era suficiente, a Nissan comprou também alguns terrenos ao lado:

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"E em Espanha não há nada?"
Espanha? Claro que há. Que tal Valencia? Sol, praias, paella...e carros não vendidos:

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Mas se gosta do clima mediterrâneo, pode pensar na Italia também. Eis o porto de Civitavecchia, perto de Roma: cada um daqueles pontinhos é um Peugeot. Novo. E regularmente não vendido. Pena só a foto não ser das melhores, mas sabe como é: italianos, não prestam...

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"Uhhh, quanto carros não vendidos...a Europa está mesmo mal, não é?"
Na verdade não, não é só um problema ocidental. Eis um aeroporto perto de de S. Petersburgo, na Rússia:

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Há centenas de lugares assim no mundo. Sempre houve, só que agora os carros não transitam, mas ficam. A razão? Simples: os carros são produzidos por empresas cujas fábricas não podem parar. Se a fábrica parar, param os trabalhadores também. Mas também os fornecedores e os trabalhadores deles. O que seria da indústria metalúrgica? Das minas? Dos transportadores? Dos publicitários?

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É um círculo no qual cada um tem que desenvolver o seu próprio papel: projectista, fornecedor, escravo do fornecedor, construtor, escravo do construtor, vendedor, consumidor.
Só que nos últimos tempos o consumidor recusou a compra de novos carros. Preguiça? Não, não é bem assim. É mais "falta de dinheiro", uma doença que ciclicamente atinge as camadas médias e baixas da sociedade. Uma espécie de vírus.

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Desta vez o vírus teima em não desaparecer e o consumidor não compra: fica com o carro velho. Pior: quando finalmente decide comprar, quer a última versão do seu automóvel favorecido. E as versões anteriores, aquelas que até poucos meses atrás eram apresentadas como o topo da tecnologia, da segurança e do estilo? Ficam aí, nos parques.

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"Bom, os construtores poderiam aplicar uns fortes descontos e começar a livrar-se destes carros todos que estão parados há meses...."
Desconto? Li bem? O Leitor disse desconto? Ó Leitor, mas onde acha que estamos aqui, no País de Borla? Não há descontos para ninguém, os construtores nunca iriam abdicar duma margem de lucro e, verdade seja dita, merecem todos os cêntimos que conseguem juntar com o trabalho dos outros.

Não, nada de desconto, se o Leitor quer um carro toca pagar, e tudo.
E mais: fique a saber que os construtores já encontraram a solução.

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"E qual?"
Simples: muitas casas automobilísticas já deslocaram a produção para a China, como a General Motors por exemplo. Os carros aí produzidos são depois carregados em navios que entregam os produtos no mundo todo.

"Mas o problema é o mesmo: depois nos portos ficam os carros não vendidos!"
Erro, meu caro Leitor, erro: os Estados Unidos, por exemplo, já decidiram limitar a importação. E, dado que a maior dos chineses não pode permitir-se um carro ocidental, estes ficam em enormes parques na China.

E como se costuma dizer: longe dos olhos, longe do coração e do cérebro também.

Ministra do TSE suspende vídeo do PT sobre ‘fantasmas do passado’

mas aqui voçê pode ver a vontade,mesmo porque é tudoverdade!



A novela da ministra Laurita

A coisa mais corriqueira é ver nos jornais personagens de novelas tratados como se fizessem parte do mundo real. Junto a uma notícia a respeito de um acidente realmente ocorrido nas ruas das cidades brasileiras, às vezes há uma manchete 'informando' que fulano(a) sofreu um acidente e foi parar no hospital. Se você para pra ler, constata que, no segundo caso, tudo não passa de antecipação promocional daquilo que ocorrerá nos próximos dias em alguma telenovela, misturando-se ao cotidiano e contribuindo para que muita gente viva esse embaralhamento alienante e responsável pela fuga da realidade vivida.
Atualmente, essa mistura entre ficção e realidade no cotidiano acabou por contribuir com o incremento de
um insólito elemento subjetivo, de forma dolosa, no noticiário que deveria basear-se em fatos e informar decentemente o público. Todavia, como se fosse obra de ficção, atua a priori com a finalidade de emitir juízos de valoração não tendo qualquer pudor em acanalhar-se, desde que consiga fazer aquilo que Pulitzer dizia que já estava fazendo: criar um sentimento coletivo de ódio contra pessoas de bem, mas desafetos dessa engrenagem.

O caso presente da decisão monocrática da ministra do TSE Laurita Vaz(não parece o nome de uma dessas vilãs do gênero citado?) é emblemático. Proibiu as inserções da propaganda petista porque esta afirmava em linhas gerais que no passado a taxa de desemprego, a desassistência social e as condições de vida adversas da população eram fruto de políticas públicas excludentes aos extratos sociais mais carentes; e liberou a propaganda oposicionista que diz exatamente isso do governo atual. Ou seja, como diz magistralmente o jornalista Fernando Brito em seu blog Tijolaço, "dizer que o Brasil está um caos, pode; que estava um caos, não pode". Com a agravante que os atuais números de nossa economia são melhores do que os do passado colocado sob blindagem jurídica, o que acaba conferindo mais verossimilhança à peça que foi proibida do que a que foi liberada.

Não se vai aqui afirmar que o senso de justiça da ministra Laurita foi guiado por algum sentimento novelesco visando inflamar a população. Mas não há como negar que feriu de morte a razoabilidade e imparcialidade que devem presidir decisões dessa natureza, contribuindo negativamente para eventual contaminação do processo eleitoral por sua influência absurda na vontade individual e coletiva, algo deplorável tanto na realidade quanto na ficção.

O exotismo paulista

O CORVO GRASNA ALTO

"O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar."
Carlos Lacerda, em 1º. De junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa.
Troque-se o "senhor Getúlio Vargas, senador" por Dilma, Lula, ou de forma mais abrangente, o PT. Teremos um retrato fidedigno do que rola nas redes sociais.
Algum tempo atrás, alguém sonhou que as facilidades que a informática traziam uma espécie de democracia direta, na qual cada um plugado em suas máquinas decidiria pelas questões públicas. Não sei se por inocência ou má-fé, o fato é que essa teoria/profecia é uma das maiores bobagens já pensadas. 
Que tipo de cidadão exerceria a plenitude de seus direitos políticos atrás de um teclado, no anonimato, replicando memes infames, para os quais não reservaria qualquer preocupação em checar a veracidade, instilando o ódio, açulando os sentimentos mais baixos de inveja, cobiça, mesquinhez que, sob a carapuça da nova ordem feicibuquiana ganha o garboso nome de individualidade?
A "ciberdemocracia" fracassou miseravelmente porque desconsidera o elemento principal: o cidadão. Aos acéfalos da internet faltam requisitos básicos de cidadania; no mínimo, o que Pepe Mujica chama de honradez intelectual.
Dizem que a cabeça pensante por trás desse movimento que conseguiu fazer gente que compartilhava piadas, mensagens de auto-ajuda, fotos de festas ou pratos de comida acreditar que está na moda esculhambar o governo (ainda que isso seja reflexo do complexo de vira-latas) é o ex-astrólogo Olavo de Carvalho, que conseguiu abarcar sob sua túnica os expoentes do PIG, ilustrados ao lado.
Remontemos alguns anos, até pela insignificância desse personagem. O mentor intelectual do golpe digital é o Corvo, Carlos Lacerda, que das catacumbas onde se decompõe continua grasnando alto. Lacerda falava a plenos pulmões o que a UDN, sua facção política tinha vergonha de admitir: que era contra o povo, a favor da elite, capacho dos interesses estrangeiros e, sobretudo, que como não tinha voto, daria o golpe, custasse o que custasse.
O PIG faz questão de apagar um pedaço de sua biografia, como se fosse a Madalena arrependida, mas o fato é que ele deu condições ideológicas e apoiou entusiasticamente o golpe militar de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura, única forma dos que não têm voto chegarem ao poder.
Os corvetes crocitam mas não passam muito disso. Tenho um vizinho que vive reproduzindo essas imagens anti-petistas na sua página. Meia-idade, boa praça, servidor público, evangélico e cortês. Já falei para ele pessoalmente quais eram as minhas opiniões políticas, que foram recebidas entre murmúrios e silêncio, mesmo que com um quê de incredulidade. Não me respondeu nada, mas no face, a no face ele se transforma no furioso Seu Vesguinho, que distribui marteladas a torto e direitos contras os "petralhas corruptos", como este seu pacífico propínquo.
  
Agora, o lacerdismo ataca como forma de propaganda viral, através do anúncio em páginas que aceitam comerciais. Eu não soube capturar as imagens que vi ontem, mas hoje o Stanley Burburinho as publicou: uma consultoria do mercado de ações dá conselhos econômicos para como se prevenir o patrimônio em caso de reeleição da Dilma.
Por fim, a justiça, com letra minúscula, que substituiu o exército nessa versão de golpe hi-tech. Eu já não acredito que nem mesmo a martirização do José Genoíno, morrendo por falta dos cuidados necessários à sua saúde, despertará a empatia de quem já desejou o câncer do Lula, da Dilma, do Chavéz... 
Noves fora o absurdo tratamento destinado aos réus petistas, que fica ainda mais indecoroso quando se vê a iminente prescrição dos mesmos delitos cometidos pelo PSDB em Minas,  no TSE eles se superam.
Após não enxergar problema nenhum nos comerciais veiculados por Eduardo Campos, num mal ensaiado jogral com Marina Silva, como se fossem um casal em crise discutindo a relação, e mesmo o do PSDB, que curiosamente usava a metáfora de um copo cheio d'água perto de transbordar (os psicólogos explicam?), nosso patriótico judiciário, atendendo a petição dos tucanos, resolver proibir a inserção do PT, num ato de censura que orgulharia Armando Falcão, o censor-mor da ditadura.

“ANS foi capturada pelos planos de saúde; SUS sai perdendo”



Para Mário Scheffer (à esquerda),  o que está em jogo na indicação do novo diretor da ANS, José Carlos de Souza Abrahão (à direita),  é o mercado de mais de R$ 100 bilhões por ano
por Conceição Lemes
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem como missão a defesa do interesse dos usuários de planos privados de saúde e a regulação das relações entre operadoras e consumidores.
Em julho de 2013, o advogado Elano Rodrigues Figueiredo foi indicado para ser seu diretor. Só que ele omitiu no currículo enviado à presidenta Dilma Rousseff e na sabatina no Senado uma informação crucial: era ex-funcionário de planos de saúde.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apoiado pelo Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), levou o caso à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
O relator foi o advogado Mauro de Azevedo Menezes. Em seu voto, seguido pelos demais membros da Comissão, recomendou à Dilma a destituição de Elano devido “à existência de graves e reiteradas violações éticas.”
Há uma nova polêmica nessa mesma área.
Em março, a Presidência da República indicou para o cargo de diretor  da ANS o médico José Carlos de Souza Abrahão.
De 2003 a abril de 2014, ele presidiu a Confederação Nacional de Saúde Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS), entidade sindical que representa estabelecimentos de serviços de saúde no País, entre os quais as operadoras de planos de saúde.
Ele já se manifestou publicamente contra o ressarcimento do SUS pelas operadoras de planos de saúde, inclusive em artigo publicado na Folha de S. Paulo. Mas, curiosamente, se “esqueceu” de incluí-lo na lista de publicações informadas ao Senado em seu currículo.
Idec, Cebes, Abrasco e Abres (Associação Brasileira de Economia da Saúde) já denunciaram a indicação (aqui, aqui e aqui), repudiada também pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) na semana passada.
Mesmo assim, o nome de Abrahão está mantido. Na segunda-feira 12, ele tomou posse no Rio de Janeiro como diretor da ANS.
Entidades de defesa do consumidor e de saúde pública vão recorrer à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Abrahão é contra o ressarcimento do SUS pelos serviços prestados aos usuários de planos privados de saúde.
“Desde a criação da ANS, no início de 2000, até hoje, o SUS recebeu apenas R$ 447 milhões de ressarcimento dos planos privados”, denuncia o professor Mario Scheffer. “Calcula-se, por baixo, que por ano os planos deveriam pagar ao SUS, no mínimo, R$ 1 bilhão por serviços prestados aos seus clientes.”
“Abrahão simboliza decisões políticas recentes definidoras dos rumos do sistema de saúde brasileiro. O que está em jogo é o poder de um mercado bilionário. Só em 2013 os planos privados de saúde faturaram R$ 100 bilhões”, afirma Scheffer. “ A ANS foi capturada pelos planos privados de saúde e o SUS é que sai perdendo.”
Mário Scheffer é  professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e estudioso do sistema de saúde brasileiro. Foi uma das lideranças, pela sociedade civil, do processo de mobilização que chegou à regulamentação dos planos de saúde, em 1998. É autor, juntamente com Ligia Bahia (UFRJ), do livro Planos e Seguros de Saúde no Brasil: o que todos devem saber sobre a assistência médica suplementar (Editora Unesp).
Segue a nossa entrevista, na íntegra.
Viomundo – Em uma palavra, o que acha da indicação de Abrahão para diretor da ANS?
Mário Scheffer – Lamentável.
Viomundo – Por quê?
Mário Scheffer — Não é pela suposta falta de qualidades do novo diretor, mas por simbolizar decisões políticas recentes definidoras dos rumos do sistema de saúde brasileiro.  Há muito tempo nós denunciamos a porta giratória da ANS — ocupação de cargos por pessoas a serviço do mercado. Mesmo assim, o governo a mantém.
Viomundo – Mas no ano passado caiu na Comissão de Ética da Presidência da República a nomeação do Elano Figueiredo para diretor da ANS.
Mário Scheffer – Foi a primeira vez na história que isso aconteceu. Mas só depois de ampla mobilização. Elano omitiu em seu currículo encaminhado à sabatina no Senado que tinha sido diretor jurídico de um plano de saúde.
É muito semelhante à polêmica atual com esse novo diretor, o médico José Carlos de Souza Abrahão. Só mudou o conflito, os interesses são os mesmos.
O que está em jogo é o poder de um mercado bilionário. Os planos de saúde crescem muito a cada ano. Já são mais de 50 milhões de brasileiros conveniados. Faturaram mais de R$100 bilhões em 2013.
Viomundo – Em que o caso do Abrahão difere do de Elano?
Mário Scheffer — O fato de esse novo indicado ter sido empresário e dono de plano de saúde. E, desde 2003, ser presidente de uma entidade do setor privado, a CNS, que representa também os planos de saúde, o que, a meu ver, já configura grave conflito de interesse.
Mas há um ingrediente a mais. É sua posição pública contrária ao ressarcimento ao SUS, assim como uma ação de inconstitucionalidade movida pela CNS, que ele presidiu, contra o ressarcimento.
Viomundo – Explique melhor.
Mário Scheffer –Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 2010, Abrahão posicionou-se publicamente contra o ressarcimento. E isso – atenção! — sete anos depois de o STF ter afirmado que o ressarcimento é constitucional.
Ou seja, ele é mesmo contra, nem se importou com a posição do STF. Curiosamente, ele omitiu esse artigo no currículo enviado à presidente Dilma e ao Senado.
A entidade de Abrahão, a CNS, conseguiu uma vitória a favor dos planos de saúde.
Na mesma ADIN contra o ressarcimento, a CNS pediu – e levou! – a suspensão do reajuste anual das mensalidades para planos antigos, assinados antes da lei 9656 de 1998.
Os planos foram autorizados a aumentar a mensalidade de acordo com o custo assistencial. Em consequência, mais de 1,5 milhão de usuários de planos antigos – boa parte idosos — foram prejudicados com reajustes muito acima do fixado anualmente pela ANS. Muitos idosos foram obrigados a abandonar planos que pagaram anos a fio. Foi uma exclusão pecuniária.
Viomundo – Gostaria que aprofundasse a questão do ressarcimento do SUS.
Mário Scheffer – Frequentemente clientes de planos privados da saúde utilizam o SUS para se tratar e , por lei , os planos têm obrigação de  ressarcir o SUS pelo atendimento.
Cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, viabilizar o ressarcimento do SUS. E o novo diretor, assim como a entidade que ele presidiu por 10 anos,  assumiram publicamente e no Judiciário a defesa dos planos contra o ressarcimento ao SUS.
Viomundo – O que diz a lei?
Mário Scheffer  — A lei é clara. A ANS tem a obrigação de identificar os pacientes com planos de saúde atendidos nos hospitais públicos, verificando a compatibilidade da cobertura com os contratos dos planos. As operadoras devem ser notificadas sobre quanto devem pagar ao SUS.
Desde 2009, o Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que a ANS deu prejuízo aos cofres públicos, pois deixou de identificar o que merecia ser ressarcido, deixou de realizar as cobranças, deixou processos prescreverem.
Além disso, sem explicação, a ANS nunca cobrou os procedimentos ambulatoriais. Ela só processa – e mal! — as internações.
Jornalistas assessores da ANS gostam de divulgar que o ressarcimento bateu recorde. É balela. Até hoje, desde a criação da ANS, o SUS só recebeu R$ 447 milhões de ressarcimento.
Anualmente, o SUS realiza cerca de 12 milhões de internações. Calcula-se, por baixo, que por ano os planos deveriam pagar ao SUS, no mínimo, R$ 1 bilhão por serviços prestados aos seus clientes.
Basta abrir as atas da diretoria colegiada da ANS. Em toda reunião são analisadas dezenas de recursos de planos contra o ressarcimento. Será que o novo diretor vai abster-se em todas essas votações?
Viomundo — Diria então que a ANS foi capturada pelos planos privados?
Mário Scheffer  — Sim, desde que foi criada em 2000, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E o SUS é que sai perdendo.
Vou explicar por quê.
A regulação de um mercado tão imperfeito quanto o de planos de saúde pode atingir vários níveis de racionalidade
A desejável é a do interesse público. O Estado impõe correção nos abusos do mercado, o que de certo modo estava presente na proposta inicial de regulamentação dos planos de saúde.
Outra forma de ver a regulação é assumi-la como um produto da mediação entre o órgão público regulador e grupos de interesses, no caso os planos de saúde, os prestadores, médicos e usuários. Estes, os consumidores, são parte mais fraca da relação. A ANS chegou a seguir essa linha, tendo arbitrado equilíbrios temporários em alguns momentos.
E a terceira racionalidade, que predomina hoje na ANS, resulta da rendição aos interesses privados, que é conhecida na literatura como a “teoria da captura”. Ou seja, os reguladores são dominados pelo setor que regulam, buscando maximizar benefícios políticos, seja financiamento de campanhas, votos, cargos ou acumulação de poder.
Nessa toada, no caso dos planos de saúde, podemos chegar ao pior dos mundos apontado por teorias críticas da regulação econômica. A regulação em favor de interesses particulares torna-se tão perversa socialmente, que teríamos resultados melhores mesmo na ausência da intervenção pública.
Viomundo — Na prática, o que essa captura da ANS traz de ruim?
Mário Scheffer — Ela impulsiona um mercado livre artificial, que vende mais planos do que a capacidade à custa da regulação frouxa, leniente, da ANS.
Houve uma avalanche de planos de preço baixo e coberturas pífias. Permitiu a venda de produtos sem rede compatível de médicos, hospitais e laboratórios, o que gera lotação e demora nos atendimentos. Permitiu o fim da oferta de planos individuais e a venda de planos que fogem da regulacao mais rigorosa, sob o rotulo de coletivos.
Essas listas periódicas de planos que não cumprem prazos de atendimento são a cena do cachorro correndo atrás do próprio rabo. A ANS, que autorizou a venda desses planos, agora finge punir.
Viomundo — Pouco antes do caso Abrahão o Congresso aprovou uma Medida Provisória (MP) que diminui as multas dos planos de saúde.
Mário Scheffer – Esse absurdo foi enfiado na Medida Provisória 627, que nada tinha a ver com planos de saúde.  Estabeleceu um teto, uma espécie de anistia prévia na aplicação de multas aos planos de saúde.
Ainda bem que a Dilma vetou, mas falta esclarecer quem foi o autor desse descalabro.
O comportamento dos parlamentares simboliza bem de que lado eles estão. Veja o caso do senador e ex-ministro Humberto Costa, líder do governo. Atuou pela não destinação dos 10% da receita da União para o SUS e, agora, foi um relator veemente na defesa da indicação para a ANS de um nome contra o ressarcimento ao SUS. Durante a sabatina, o senador chegou a defender que os planos não precisariam atender alta complexidade, como os transplantes, que deviam ser assumidos integralmente pelo SUSUm papelão, um desserviço.
Viomundo — Os planos de saúde têm muita influência na Câmara dos Deputados, no Senado, no governo?
Mário Scheffer – Nadam de braçada. No fim de 2013, de contrabando em outra MP, a 619, o Congresso livrou os planos de saúde de uma cobrança bilionária do PIS/Cofins, ao reduzir em 80% a base de cálculo sobre a qual incidia esses impostos. Com isso vão aumentando os subsídios diretos e indiretos a planos.
Tem ainda outro problema.  Como o mercado de planos cresce, aumentam os gastos tributários, renúncia fiscal e desconto dos gastos com planos de saúde no cálculo de imposto de renda de pessoa física e jurídica. Nessa renúncia fiscal, há um incentivo econômico, que favorece o mercado de planos de saúde que beneficia só uma parcela da população.
Outra benesse que a sociedade desconhece: a utilização do BNDES, na concessão de créditos aos planos, para ampliação de rede própria. E muitos hospitais privados estão fazendo puxadinho, aumentando as instalações para atender os planos, com empréstimos generosos do BNDES.
Há um ano foi levada ao governo pelas empresas de planos de saúde a proposta de venda de planos populares, de até 100 reais a mensalidade, em troca de isenções e subsídios. Abafaram o caso depois que o movimento contrário de entidades da saúde denunciou a mamata.
E tem, como dissemos, o não ressarcimento ao SUS.
Os  gastos do SUS com tudo que não é coberto pelos planos; tem a compra de plano privado para o funcionalismo público, so o governo federal gasta com isso mais de 1,5 bilhão por ano.
Enfim, a população nunca foi convidada a opinar sobre isso.
Viomundo – Você é contra os planos de saúde?
Mário Scheffer — Não se trata de ser contra ou a favor. A população parece que está acordando para a realidade. Já está vendo que não faz sentido o clichê de que na saúde o SUS nunca presta e é dirigido aos pobres; e os planos são sempre eficientes e destinados a quem pode pagar. Porque há inversões eloquentes.
Veja estes dois exemplos. O da distribuição de medicamentos de aids no SUS e o  tratamento de câncer no Icesp ( Instituto do Câncer de São Paulo). São 100% público, todos na mesma fila, recebem a mesma assistência, independente de ter ou não plano, ter ou não dinheiro.  É o que podemos chamar de universalidade inclusiva.
E veja o caso dos planos de saúde populares, segmento crescente, com serviços de péssima qualidade, filas absurdas nos prontos socorros, barreiras de atendimento, exclusões de cobertura. É o que podemos chamar de fragmentação excludente.
Ao final resta ao SUS o papel de resseguro, de suplementar do privado, ao arcar com as exclusões desses planos principalmente os atendimentos mais caros e complexos.
E, aqui, volto à nomeação do Abrahão. É um homem do mercado de planos privados de saúde.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Como o povo do semiárido detonou a indústria da seca

A mudança de rumo ocorreu em 1999, após mais uma seca. Foi criada a Articulação no Semiárido Brasileiro, baseada numa carta de princípios, que segue igual.



Najar Tubino Fábio Caffe

Juazeiro (BA) - Esta é uma história de como a zona rural do país, no caso específico da caatinga, onde as pessoas se organizaram e resolveram tomar o destino de suas vidas na prática, defendendo seus territórios, buscando acesso à água, protegendo suas sementes e, hoje em dia, dando lições de como é possível conviver com a aridez da natureza. Só para ilustrar vou contar um caso do agricultor Golinha, de Apodi (RN). Ele esta no encontro de agroecologia trocando e vendendo sementes, mudas e chás medicinais. As variedades crioulas de milha, contou ele, são transmitidas na sua família há quatro gerações. Neste mês de maio a semente que eles chamam de “vida longa” completou 302 anos. O pai dele morreu com 99, o avô 99 e o bisavô com 104. As outras duas variedades são “ligeiro”, um milho precoce e o “Zé moreno”, que era amigo do pai dele, já falecido, mas virou semente.

As mudanças no semiárido, na estrutura política e econômica, iniciaram há muitas décadas. Fazer cisterna era comum há mais de 70 anos. Quem relata esta história é o coordenador da ASABRASIL, Naidison Quintela Batista, de 74 anos, formado em teologia e pedagogia em Roma, baiano, e um dos responsáveis por uma rede de organizações sociais – são 700 -, que abrange nove estados do nordeste e o norte de Minas Gerais – o bioma caatinga, com suas variantes. Nos primórdios todos trabalhavam em torno do Movimento de Organizações Comunitárias (MOC), que já mantinha práticas como programas de trocas de sementes, de animais e fundos rotativos, que o agricultor pagava em produto ou em dinheiro.

Começando a interferir na política

As chamadas comissões de trabalho, que organizavam as frentes na época das secas, reunindo sertanejos que construíam açudes, estradas e outras obras de infraestrutura. A presença das organizações sociais tinha por objetivo travar a manipulação dos prefeitos, que carreavam os recursos para os ricos dos municípios do interior e para os parentes. Então, nas matrículas das frentes aparecia a mulher do prefeito, o cunhado, os tios e assim vai.

A mudança de rumo ocorreu em 1999, depois de mais uma seca. Foi criada a Articulação no Semiárido Brasileiro, a ASA, baseada numa carta de princípios, que ainda é a mesma, e onde as organizações para participar precisavam aderir ao documento. O X da questão era o seguinte: não bastavam produzir dossiês com reivindicações e propostas, era necessário executar, respeitando sempre as características de cada organização, que por sua vez, refletia as características de cada região. O foco central, cada vez mais, passou a ser a convivência com o semiárido.

Ação de impacto significativa

Os representantes das várias organizações decidiram definir uma ação de impacto significativa, que envolvesse a maioria das entidades. Assim nasceu o Programa Um Milhão de Cisternas, com a sigla P1MC. Cisternas de consumo humano, com capacidade de armazenar 16 mil litros, e suprir uma família com cinco pessoas, por nove, 10 meses. Entretanto, o fundamental estava na maneira como construir as cisternas e como escolher as famílias que participariam do programa. Ou seja, não se trata de uma iniciativa de construção, onde uma empresa, ou um grupo de pedreiros é contratado para fazer a obra. É uma atividade de mobilização, onde as comunidades discutem o problema, elegem uma família e depois constroem a cisterna, comprando produtos locais, para movimentar a economia da localidade, da comunidade. Nada de empresas.

A ASA e seus ativistas começaram a entrar na casa das pessoas. Discutiam, além da construção da cisterna, a maneira como eles armazenavam água, como consumiam, como cultivavam a terra e muitas outras coisas. No final, definiram sete tecnologias de construção de cisternas de consumo humano. O primeiro apoio do governo federal veio na época do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Uma “experiência” para “testar” 500 cisternas. Muito mais importante foi a definição do processo de construção, que abrange uma metodologia completa, desde os componentes usados, os custos, a mobilização das famílias e as compras locais. A partir daí, conseguiram o apoio da Agência Nacional de Águas em 2001, para construção de 12.300 cisternas, somadas as outras 500, dava um total de 12.800 cisterna. Foi o pontapé inicial.

A transição política em 2003

A grande preocupação da ASA desde o início: como fazer o controle social das cisternas. Na metodologia ficou aprovado o seguinte, válido até hoje: cada cisterna tem um número de registro, com os dados de localização geográfica. Na hora da família receber a cisterna, tiram uma foto ao lado do registro, a família assina um termo de recebimento e um material educativo. O governo federal assumiu a método, já virou uma lei federal. Significa, que ao repassar recursos aos estados e municípios, todos tem que cumprir com as exigências expostas na lei. Conclusão: se tornou uma política pública, criada pelos sertanejos e com a operacionalização e organização da ASA e sua rede de entidades.

Hoje, as negociações para construção de cisternas são formalizadas via contrato, através de licitação pública e das organizações da sociedade civil. Os coordenadores da ASA aproveitaram a posse de Lula em 2003, para colocar projetos em várias áreas. Onde houvesse uma brecha, um conhecido, eles entravam com suas propostas. Contaram com o apoio do Frei Beto e de Odew Grawej. Assim fecharam o primeiro convênio com o governo federal em julho de 2003. Dez anos depois, o primeiro contrato com a Petrobras, que está encerrando neste mês de maio, com a construção de 20 mil tecnologias de Segunda Água, no valor de R$200 milhões. São as chamadas cisternas de produção, a água que será usada na criação de animais e para plantio. Podem armazenar desde 52 mil litros, onde a água é captada de um calçadão de cimento, com declividade, até a cisterna de enxurrada, onde a água é captada de uma encosta, uma elevação, e são colocados filtros para decantar, antes do recolhimento. O barrreiro trincheira, onde cavam poços com mais de três metros de profundidade, capta até 300 mil litros, o tanque de pedra, que é uma formação característica em várias regiões da caatinga – eles aumentar as barreiras de pedra com cimento, formando uma bacia, quando chove a água fica represada, acumulando 700, 800 a um milhão de litros. Por último: a barragem subterrânea construída nos leitos dos rios e riachos secos, onde eles cavam numa garganta, um estreitamento, jogam uma loca, tapam novamente com terra e quando chove a água bate na lona e fica armazenada no subsolo.

Novecentas mil cisternas e 4,5 milhões de pessoas

Contando as cisternas construídas pela rede da ASA – 537 mil -, mais os governos estaduais e consórcios municipais o número chega a 900 mil, com 4,5 milhões de pessoas beneficiadas em todo o semiárido. Além de mais 500 mil pessoas que já tem acesso à água de produção. No final de 2013, a ASA assinou outro contato com o BNDES, também de R$200 milhões, para construção de oito mil tecnologias diretamente com o banco, e outras 12 mil, por intermédio da Fundação Banco do Brasil, com recursos repassados também pelo BNDES. O contrato acaba no final de 2014. Com o Ministério do Desenvolvimento Social o contrato com a ASA envolve outras 20 mil tecnologias e mais R$ 200 milhões – nove mil já foram entregues. O contrato se estende até maio de 2015. E mais: outro contrato com o MDS para construção de 34 mil cisternas de consumo humano. E, está em discussão, um programa para construção de cinco mil cisternas para escolas rurais. Quando tem seca, não tem água, não tem aula.

A ASA virou uma OCIP, uma organização de interesse público, para poder operacionalizar os contratos com o governo federal e seus afiliados. Ela só concorre em licitação nacional, para não concorrer com as entidades estaduais. Quando ganha a licitação, torna a realizar uma licitação para contratar as organizações sociais, que executarão as obras. São 110 organizações envolvidas com a execução do P1MC e do programa Uma Terra Duas Águas. No total o número cresce para 160, porque algumas trabalham com os dois programas. Cada equipe de técnicos tem um coordenador, um gerente financeiro, um auxiliar e quatro técnicos de campo. São 1.120 técnicos envolvidos nos programas.

O Candeeiro para alumiar o sertão

O trabalho da ASA e suas 700 organizações sociais envolve além das cisternas, um grande intercâmbio de informações e de experiências entre agricultores e agricultoras, o incentivo e a organização de bancos e casas de sementes crioulas, enfim, da prática econômica, social cultural da vida do sertanejo. Providência que gerou a criação de um veículo popular, que é o Candeeiro, chamado boletim de experiências, onde as famílias contam a sua história, e relatam a sua experiência no semiárido. Já foram elaborados dois mil exemplares – é uma página impressa, com tiragem de mil exemplares.

 Para encerrar. Chega o prefeito na comunidade com o carro pipa. Manda o pessoa fazer a fila. Chega o líder da comunidade diz que ali não tem nada de fila. Dá o nome das famílias, cujas cisternas serão abastecidas. E quando acabar a água, se não chover, voltarão a procurar a prefeitura. É óbvio, que esta ainda não é a realidade de todo o semiárido, sem contar as cidades do interior, onde as populações ainda estão sujeitas ao poder político e econômico de famílias ou de grupos, que não tem o menor escrúpulo em pisotear na cabeça dos sertanejos.

Rússia e China prestes a anunciar o fim da era do dólar americano?

Semana que vem, o mundo talvez já seja TOTALMENTE OUTRO!

18/5/2014, [*] Jeffrey Berwick, The Daily Bell
Tradução mberublue
A queda do poder de compra (inflação) do US$ (dólar americano) ao longo do tempo
Por todo o mundo estão acontecendo reuniões de países, com uma meta comum que tem muito a ver com você, seja você ou não cidadão dos EUA: abandonar o dólar americano. Desde o início da crise da Ucrânia, o fim do dólar americano está cada vez mais perto. Movimento após movimento, Rússia e China estreitaram relações e tornaram-se aliadas mais próximas. Exemplos abundam. Para encurtar, aí vão dois exemplos recentes que chamam a atenção.
A Gazprom (maior empresa russa, décima maior do mundo e a maior exportadora mundial de gás natural – controlada pelo Estado, embora tenha ações no mercado [NT]) acaba de lançar títulos na moeda chinesa, o Yuan. Rússia e China assinaram um acordo para a venda de gás. 40 bancos centrais começam a apostar que no futuro, a moeda de reserva será o Yuan.
Yuan chinês deverá ser a próxima moeda de reserva
Até o início de 2014, as histórias sobre o colapso do dólar soavam ainda como maluquices conspiratórias, e pouco efeito tinham sobre a geopolítica. Este ano, tudo mudou. Parece que as nações-estados pelo mundo afora estão se movendo na direção de um mundo pós-dólar americano. Já não é uma questão de “se”, mas de “quando”. E se você não é capaz de entender o passo-a-passo do que virá, há alto risco de acabar chocado e... assombrado.
Já não cabe dúvida de que, tão logo a Rússia, juntamente com seus numerosos aliados, faça o movimento fatal, será seguida por muitas outras nações (várias delas já estão, mesmo, tentando). Por quê?
Porque os EUA são a força mais destrutiva do planeta; e seu calcanhar de Aquiles é o “privilégio exorbitante”, que a maioria conhece como “dólar americano”; e que o Federal Reserve Note [1] chama de só contaram p’rá mim”.
O significado será hiperinflação, caos social, guerra civil, dentre outras desarticulações. Parece-lhes que exagero? Pois, não, não há exagero algum. Para que se tenha ideia de o quanto tudo isso pode ser ruim, péssimo, pense no que já se vê acontecendo em qualquer república socialista “de bananas”; em seguida imagine que piore muito, muito! Por que pioraria “muito-muito”? Porque essas repúblicas “de bananas” não emitem a moeda usada como moeda planetária de reserva.
Os Estados Unidos nada produzem, a não ser o dólar americano – coisa facílima, aliás, de produzir, como se comprovou no Canadá, com o suor de um único canadense. Operação muito, muito simples: o tal canadense emitiu milhões de dólares americanos e os colocou em circulação. Mais: o Canadá preferiu não extraditá-lo; o sujeito vive lá, como homem livre.
Agora, grandes nações-estados pretendem sair juntas do sistema do dólar americano. Um mundo “desdolarizado” – como a Rússia já diz com frequência – pode vir a afetar a vida de milhões de norte americanos.
A Ascensão da Rússia & China
De acordo com A Voz da Rússia, o Ministro russo das Finanças pretende um aumento significativo do papel do rublo russo nas operações de exportação, reduzindo dessa forma as transações fechadas em dólar, no comércio exterior da Rússia. Acredita-se na Rússia que o setor bancário do país está “pronto para lidar com um maior número de transações assinadas em rublo”.
A agência Prime News relata que em abril de 2014 o governo realizou uma reunião que foi integralmente dedicada a encontrar soluções para tirar o dólar das operações russas de exportação. Especialistas de ponta de bancos, governo e setor energético elaboraram nestas reuniões uma série de propostas, perfeitamente efetivas, para responder às tais sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra a Rússia.
Igor Shuvalov
A reunião de “desdolarização” foi presidida pelo Vice-Primeiro-Ministro da Federação Russa, Igor Shuvalov: é sinal de que o movimento russo para descartar o dólar é, sim senhor, coisa séria. Depois houve outra reunião, quando se discutiram procedimentos para elevar o número de operações recebíveis em rublo, dessa vez presidida pelo Vice-Ministro das Finanças, Alexey Moiseev. Segundo Moiseev, nenhum dos especialistas e representantes de bancos viu qualquer problema nos planos governamentais para incrementar o comércio com pagamento em rublos. Afinal... o dólar já vem em queda livre desde a invocação do Federal Reserve e a lei relativa ao imposto sobre a renda, em 1913.
Agora, parece que até o pouco que ainda sobra já está por um fio.
A Rússia não está só.
Se não tivesse apoio, a Rússia não estaria tão audaciosa. Outras nações pelo mundo também têm interesse em aderir a um movimento de desdolarização. China e Irã, por exemplo, têm manifestado crescente interesse em levar avante esse plano. Líderes de outros países também já se manifestaram nesse sentido; em todos os casos, bateram de cara contra as conhecidas sanções-“mísseis” dos EUA.
Hoje, a especulação que corre o planeta fala da próxima visita de Putin à China, amanhã, dia 20/5: serão assinados contratos gigantes de petróleo e gás... e talvez sejam assinados com pagamentos previstos em Rublos e Yuans, não mais em dólares americanos. Implica dizer que dentro de uma semana, talvez já estejamos vivendo em mundo muito, muito, muito diferente do que temos hoje [mesmo que o “jornalismo”, os “jornais” e os “jornalistas” OCIDENTAIS absolutamente naaaaaaaaada noticiem dessas notícias radicalmente importantes (NTs)].
Com russófobos controlando a políticaexterna dos Estados Unidos, o ocidente está sem qualquer controle, andando a passos largos em direção ao buraco. Consequência disso é que os EUA prosseguirão, hostilizando cada vez mais a Rússia e outras nações. Com mais hostilidade, mais se fortalecerá a tendência de Rússia, China e inúmeros outros países, pelo mundo, a se separarem do dólar.
O mundo já trabalha hoje para criar uma nova infraestrutura econômica e financeira a qual, simplesmente, ignorará os Estados Unidos.
Cesta de moedas poderá substituir o US$ (dólar americano) nas transações internacionais
E, em reação e resposta, o que fazem os EUA? Bombardeiam mais civis. Matam mais gente. Provocam mais guerras.
Verdade é que já não tenho muita certeza de que os EUA consigam manter esse “padrão” hoje, com o mesmo “sucesso” com que o mantiveram há, apenas, uma década.
Bem ou mal, a humanidade começa a despertar para esse estado de coisas. Já aconteceu até de a opinião pública no mundo conseguir impedir que os EUA fizessem mais uma guerra – e a Síria foi salva. A oposição popular certamente impedirá que os EUA façam mais guerras.
Há evidência que todos já veem com clareza e que comprometem hoje terrivelmente as posições que os EUA têm adotado: Rússia e a China jogam xadrez e pensam no bem do mundo. Obama joga damas, bolinha de gude, sabe-se lá o que joga; e não pensa no bem do mundo.
A China já queria nova moeda de reserva, desde 2013
Japão e Índia já têm um acordo para moeda de reserva própria, desde 2011.
No Golfo Pérsico os árabes, junto com China, Japão, Rússia e França, já planejam pôr fim aos negócios de petróleo feitos pelo dólar americano; e trabalham para pôr no lugar desse dólar uma cesta de moedas que pode incluir o Iene japonês, o Yuan chinês, ouro, Euros e uma nova moeda unificada especialmente pensada para uso das nações do Conselho de Cooperação do Golfo (o que incluiria nessa negociação/nova cesta de moedas, também Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuwait e Qatar).
O fim do sistema monetário como o conhecemos
Estamos na iminência de uma mudança massiva nos parâmetros do sistema monetário mundial... todos os especialistas sabem disso (é absolutamente claro que sabem!), mas o “noticiário” prossegue como se nada estivesse já acontecendo. Empresários norte-americanos ou gastam ou mentem que gastam como se os EUA estivéssemos em plena recuperação econômica. Cidadãos dos Estados Unidos continuam gastando dinheiro ou mentindo que gastam e em todos os casos continuam poupando pouco, talvez com a mesma expectativa que os empresários. Os investidores continuam a investir ou a mentir que continuam a investir como se tudo estivesse às mil maravilhas.

Os EUA devem tanto, mas tanto que já não há mais meios de salvar o US $ (dólar americano)
Parece que todos esses atores têm dificuldade para contextualizar e apreender a verdade sobre a economia dos EUA. E essa verdade é a seguinte: os EUA devem tanto, tanto, tanto, que a mente humana não tem meios para compreender a sua real extensão desse endividamento. E a imprensa-empresa comercial, que existe para desinformar, desinforma o mais que pode e completa o serviço de ensinar a des-compreender (seja o que for).
O capital exposto ao risco de ser queimado, virar fumaça, é da ordem de trilhões de dólares. O mundo ocidental corre o risco de entrar numa era sombria, que o futuro conhecerá, durante séculos, como o “Grande Colapso”. Bem contados, não chega a 1% dos cidadãos o número dos norte-americanos e norte-americanas que se pode acreditar que saibam disso e compreendam com clareza o movimento.
Essa minoria, sim, entende o que está acontecendo; mas tem ativos em bens tangíveis e internacionalizados [metais preciosos fora do sistema financeiro] e terão boa chance de sobreviver bem às mudanças que certamente virão.
Nunca foi mais importante, necessário, prioritário, vitalmente decisivo, desligar a televisão e não tomar conhecimento do que a imprensa-empresa comercial “informe” ou “noticie”. Cada um terá de fazer as próprias contas e assumir o controle da própria situação financeira.
ATENÇÃO: Desligue a TV. Não leia jornais. Demita todos os jornalistas que você ajuda a sustentar cada vez que paga para ler material produzido pela imprensa-empresa comercial, seja pelo rádio, seja impressa, seja pela internet ou pela televisão. E NÃO ESQUEÇA: AQUI VOCÊ TERÁ COBERTURA DESJORNALÍSTICA, EM TEMPO REAL!
[*] Jeffrey Berwick define-se como anarcocapitalista libertarista. Lutador [de luta-livre] contra o que considera dois dos maiores inimigos da humanidade: o Estado e os Bancos Centrais. Atualmente é Editorialista do The Dayly Bell, Fundador do site The Dollar Vigilante, CEO da TDV Mídia e Serviços.



Nota dos tradutores

[1] Em explicação muito resumida: o dinheiro (divisa) americano não é emitido pelo governo americano, mas pelo Federal Reserve Note (que o empresta ao governo dos EUA) e que na realidade é um banco PRIVADO, propriedade de um poderosíssimo grupo de banqueiros internacionais que o manejam conforme seus interesses. Para entender melhor acesse: Já é matematicamente impossível liquidar a dívida nacional dos EUA