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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Lei de Médios vem através de iniciativa popular

Para ser aceita pelo Congresso, a proposta de lei de iniciativa popular precisa colher mínimo de 1,42 milhão de assinaturas; cerca da metade já estaria asseguradas  



O Fórum Nacional para Democratização das Comunicações (FNDC) programou uma série de eventos neste mês de outubro para colher 1,42 milhão de assinaturas necessárias para o encaminhamento ao Congresso Nacional de um projeto de lei de iniciativa popular para democratização da mídia no país.

O objetivo do esforço é estabelecer uma legislação nacional, aprovada pela Câmara e o Senado, que amplie a participação da sociedade nos meios de comunicação nacionais por meio da regulamentação da mídia.

Segundo o portal do FNDC, a “mídia brasileira é controlada por apenas 11 famílias”, relacionando entre elas os herdeiros de Roberto Marinho (Organizações Globo, com TV, rádio, jornais, internet), Silvio Santos (SBT), Edir Macedo e a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a família Saad (Bandeirantes).

Algumas dessas famílias concentram seus negócios midiáticos em jornais impressos, agências eletrônicas de notícias, como os Mesquita, do grupo “Estadão”, ou Frias, do grupo “Folha”, e portal noticiosos de grande público na internet.

Outras, estão vinculadas aos grandes grupos de TV citados, como a RBS dos Sirotsky ou os Câmara, de Goiás, ambos ligados à Globo.

O secretaria-geral do Comitê mineiro do FNDC, Florence Poznanski, disse à Agência PT de Notícias na sexta-feira (2) que, embora ainda não haja um número fechado, “cerca da metade” das assinaturas, ou 700 mil, já estariam asseguradas para compor a exigência legal.

O projeto de lei de iniciativa popular é uma iniciativa que permite à população submeter diretamente ao legislativo federal uma proposta de lei de interesse comum.

Para isso, exige, no entanto, a obtenção de no mínimo 1% de assinaturas do eleitorado registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O mais notório projeto deste tipo deu origem à Lei da Ficha Limpa, que impede pessoas condenadas em última instância de tornarem-se candidatas a eleições político-partidárias.

Hoje, os brasileiros estão perto de chegar a 142 milhões de eleitores, ou 69% dos mais de 204 milhões de habitantes estimados como população total do país pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O projeto da mídia democrática está disponível numa página criada exclusivamente para disseminar a proposta pela busca de assinaturas que atendam o requisito legal, cujo slogan é “Lei da Mídia Democrática – liberdade, pluralidade, diversidade + democracia”.

O portal explica que o projeto “acaba com renovação automática (da licença de radiodifusão concedida pelo governo), o arrendamento de espaços nas emissoras de televisão (para religiões e congregações religiosas em especial) e o controle de outorgas por políticos”, procedimentos em vigor que, de acordo os defensores da ideia, perpetuam o modelo atual, que alguns chamam de “coronelismo eletrônico”.

Um dos eventos programados é o programa Pensando em Minas, que vai acontecer na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na próxima quinta-feira (8), com palestra do professor e doutor em comunicação Venício Arthur de Lima.

As inscrições podem ser feitas por meio de mensagem ao e-mail escola.eventos@almg.gov.br. O evento tem apoio do Centro de Estudos Republicados Brasileiros.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Democracia vive refém de interesses da mídia”

O jornalista Paulo Henrique Amorim lança, nesta quinta (3), às 19h30, o livro O quarto poder – Uma outra história. A partir das memórias colecionadas ao longo de 50 anos de carreira, ele revela no livro os bastidores do jornalismo e do poder. Em entrevista à TV Vermelho, o autor fala sobre a influência da mídia na política brasileira. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os patetas e o golpe

O grande líder oposicionista, candidato derrotado por Dilma Rousseff na eleição do ano passado, Aécio Neves, diz em entrevista, que foi reeleito "presidente da República" - e não do PSDB. 

Não contente com seu ato falho, comete mais um, ao afirmar que a agremiação que preside é "o principal partido de oposição ao Brasil".

Em outro momento que revela o nível de piração dessa turma que quer jogar na lama os votos de 54 milhões de brasileiros, o jornalista (sic) Carlos Alberto Sardenberg, ao fazer um comentário para a CBN, a "rádio que troca a notícia", revela, para espanto geral, que a Grécia chegou ao ponto que chegou por culpa de Dilma e Lula!

E tem mais: há poucos dias, a pretexto de justificar a prisão do manda-chuva da Odebrecht, o juiz Moro, afirma que temia que as empreiteiras, se participassem do recém-lançado programa de concessões do governo federal, poderiam continuar com suas "práticas corruptas". 


Pois é.

Está certo que a lógica nunca foi o forte dos brasileiros, que, por exemplo, votam em estelionatários para que eles combatam a corrupção.

Mas mesmo a incoerência, a desfaçatez, ou simplesmente a mentira, têm seus limites.

Esse festival de besteiras promovido pela oposição é, antes de mais nada, um acinte a qualquer pessoa que tenha dois neurônios intactos, em funcionamento.

Dar um golpe de Estado, derrubar uma presidenta reeleita em eleições limpas, até mesmo promover uma volta às trevas, pode parecer uma tarefa relativamente fácil para quem tem o controle da mídia, o cofre cheio, uma legião de adeptos boçais - ou seja, recursos materiais sem conta.

Antes de mais, nada, porém, é necessário, para que o assalto à democracia não seja no passo sombrio e sangrento dos coturnos, que ele tenha algum resquício, alguma aparência de legalidade.

Só que esse plano, para ter sucesso, precisa ser conduzido por pessoas com um certo grau de inteligência - e não por patetas que se julgam gênios da raça.

Do jeito que vai indo, sob a liderança de Aécios, Sardenbergs e Moros, ele está destinado a ser mais um retumbante fracasso - entre tantos outros que a plutocracia brasileira coleciona nestes últimos anos.

O que Goebbels ensinou à Globo

Principio do Kamel: abuse da palavra “crise” ! Tudo é crise ! – PHA

O Conversa Afiada reproduz excelente contribuição do amigo navegante ocator:
​

Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:

1.- Principio da simplificação e do inimigo único.
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2.-Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3.-Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4.-Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5.-Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6.-Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em noticias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’, pigal.

7.-Principio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8.-Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9.-Principio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10.-Principio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11.-Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.


Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência….

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ibope: 41% dos brasileiros acham que imprensa mostra uma situação econômica mais negativa do que a realidade

Do Ibope, no twitter:
(…)
Os veículos de comunicação podem ter culpa no sentimento de pessimismo dos brasileiros: 41% acham que a imprensa mostra uma situação econômica mais negativa do que o próprio entrevistado percebe no seu dia a dia, contra 28% que discordam dessa posição.
(…)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A fantástica fábrica de tucanagem


Por que regular a mídia é um passo essencial para o avanço do Brasil

Poder e dinheiro muito além do razoável
Poder e dinheiro muito além do razoável
O argumento mais imbecil contra a regulamentação da mídia é a que a associa com “censura”.
Na grande definição de Eça, há aí uma mistura de má fé cínica com obtusidade córnea.
Todas as sociedades desenvolvidas regulam sua mídia. Estabelecem regras para diversas questões que são simplesmente ignoradas no vale tudo nacional.
Por exemplo: direito de resposta. Na Dinamarca, se você comete uma injustiça cabal, é obrigado a se retratar rapidamente e em espaço nobre.
Por exemplo: a Veja atribuiu a Gushiken um gasto exorbitante com dinheiro público numa refeição. Isto se provou calúnia, mentira, e não fato.
Gushiken, atacado na honra, jamais teve uma reparação na revista.
É certo isso? É bom isso? É certo e é bom apenas para as empresas de mídia, que recebem licença para matar moralmente seus inimigos.
Fiscal tem que ser fiscalizado. A mídia se coloca como fiscal, sem ter aliás recebido delegação popular para isso, mas se recusa a ser fiscalizada. É um paradoxo, e é um horror para a sociedade.
Nos Estados Unidos, para evitar o monopólio de opinião (e de negócio) e estimular a pluralidade, nenhum grupo pode ser dono de múltiplas mídias, como a Globo.
A Globo usa seus diversos braços, ou garras, de forma selvagem, para asfixiar a concorrência.
Um executivo da Unilever me contou que, nas negociações sobre publicidade, a Globo enfia o G1 goela abaixo do anunciante.
Para a livre concorrência, é um pesadelo. Para o monopólio da Globo – que hoje detém 60% da publicidade do Brasil com apenas 20% da audiência – é um sonho. Para a sociedade, uma tragédia.
Veja na prática: uma única voz que represente o conservadorismo e os interesses da Globo se multiplica por todas as mídias, e isso manieta a opinião pública.
Merval Pereira, digamos. Ele está no Globo, na Globonews, na CBN, no G1 etc etc. Ou Míriam Leitão. Ou Jabor.
Mais uma vez, é bom para a Globo, e para os colunistas que são sua voz. Estes, graças à superexposição, acabam tendo enormes facilidades para ganhar dinheiro em palestras nas quais vão repetir o que a Globo quer que eles digam.
Você vai encontrar feroz resistência à ideia da regulação nas grandes empresas de mídia – e em seus colunistas. Estes extraem vantagens consideráveis do status quo. Seus mensalões são duradouros e protegidos com imenso cuidado por quem abastece seus bolsos.
Há um conflito de interesses entre os colunistas da grande mídia e a regulação. Isso não pode ser esquecido pelo leitor.
Para os políticos conservadores, vale o mesmo. No ambiente de grande concentração que há, está garantida a eles uma formidável cobertura pelas empresas de mídia.
Com uma desconcentração, essa mamata tende a desaparecer. Não serão protegidos escândalos de partidos amigos.
Há anos, para ficar num caso, Robson Marinho, do PSDB, exerce o inacreditável cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo sendo, comprovadamente, corrupto.
Isso só tem sido possível graças à leniência da grande mídia sobre corrupção em outros partidos que não sejam o PT.
O quadro atual favorece coisas como o acobertamento da sonegação bilionária da Globo, também.
A Folha, amiga e sócia da Globo, jamais cobriu um caso em que existem documentos apavorantes. Apenas para comparação: se a sonegação fosse da Carta Capital, Mino Carta já estaria na cadeia há muito tempo, sob pressão da Globo, Folha, Veja e Estadão.
Finalmente: é o estado atual de coisas que leva a uma família de mídia ter a maior fortuna do Brasil.
Você pode dizer o seguinte: por que o PT demorou tanto a colocar isso na pauta? Medo? Cálculo? Esperou a internet se consolidar como uma força alternativa para mitigar a previsível campanha anti-Brasil que virá?
Para mim, é uma mistura das duas coisas. Mas o que importa é que, ainda que com grande atraso, a regulação seja debatida.
Importante: as ruas terão que se manifestar, para que este avanço se realize.
Que manifestações como as de junho tornem impossível negar aos brasileiros um passo tão importante.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O CORVO GRASNA ALTO

"O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar."
Carlos Lacerda, em 1º. De junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa.
Troque-se o "senhor Getúlio Vargas, senador" por Dilma, Lula, ou de forma mais abrangente, o PT. Teremos um retrato fidedigno do que rola nas redes sociais.
Algum tempo atrás, alguém sonhou que as facilidades que a informática traziam uma espécie de democracia direta, na qual cada um plugado em suas máquinas decidiria pelas questões públicas. Não sei se por inocência ou má-fé, o fato é que essa teoria/profecia é uma das maiores bobagens já pensadas. 
Que tipo de cidadão exerceria a plenitude de seus direitos políticos atrás de um teclado, no anonimato, replicando memes infames, para os quais não reservaria qualquer preocupação em checar a veracidade, instilando o ódio, açulando os sentimentos mais baixos de inveja, cobiça, mesquinhez que, sob a carapuça da nova ordem feicibuquiana ganha o garboso nome de individualidade?
A "ciberdemocracia" fracassou miseravelmente porque desconsidera o elemento principal: o cidadão. Aos acéfalos da internet faltam requisitos básicos de cidadania; no mínimo, o que Pepe Mujica chama de honradez intelectual.
Dizem que a cabeça pensante por trás desse movimento que conseguiu fazer gente que compartilhava piadas, mensagens de auto-ajuda, fotos de festas ou pratos de comida acreditar que está na moda esculhambar o governo (ainda que isso seja reflexo do complexo de vira-latas) é o ex-astrólogo Olavo de Carvalho, que conseguiu abarcar sob sua túnica os expoentes do PIG, ilustrados ao lado.
Remontemos alguns anos, até pela insignificância desse personagem. O mentor intelectual do golpe digital é o Corvo, Carlos Lacerda, que das catacumbas onde se decompõe continua grasnando alto. Lacerda falava a plenos pulmões o que a UDN, sua facção política tinha vergonha de admitir: que era contra o povo, a favor da elite, capacho dos interesses estrangeiros e, sobretudo, que como não tinha voto, daria o golpe, custasse o que custasse.
O PIG faz questão de apagar um pedaço de sua biografia, como se fosse a Madalena arrependida, mas o fato é que ele deu condições ideológicas e apoiou entusiasticamente o golpe militar de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura, única forma dos que não têm voto chegarem ao poder.
Os corvetes crocitam mas não passam muito disso. Tenho um vizinho que vive reproduzindo essas imagens anti-petistas na sua página. Meia-idade, boa praça, servidor público, evangélico e cortês. Já falei para ele pessoalmente quais eram as minhas opiniões políticas, que foram recebidas entre murmúrios e silêncio, mesmo que com um quê de incredulidade. Não me respondeu nada, mas no face, a no face ele se transforma no furioso Seu Vesguinho, que distribui marteladas a torto e direitos contras os "petralhas corruptos", como este seu pacífico propínquo.
  
Agora, o lacerdismo ataca como forma de propaganda viral, através do anúncio em páginas que aceitam comerciais. Eu não soube capturar as imagens que vi ontem, mas hoje o Stanley Burburinho as publicou: uma consultoria do mercado de ações dá conselhos econômicos para como se prevenir o patrimônio em caso de reeleição da Dilma.
Por fim, a justiça, com letra minúscula, que substituiu o exército nessa versão de golpe hi-tech. Eu já não acredito que nem mesmo a martirização do José Genoíno, morrendo por falta dos cuidados necessários à sua saúde, despertará a empatia de quem já desejou o câncer do Lula, da Dilma, do Chavéz... 
Noves fora o absurdo tratamento destinado aos réus petistas, que fica ainda mais indecoroso quando se vê a iminente prescrição dos mesmos delitos cometidos pelo PSDB em Minas,  no TSE eles se superam.
Após não enxergar problema nenhum nos comerciais veiculados por Eduardo Campos, num mal ensaiado jogral com Marina Silva, como se fossem um casal em crise discutindo a relação, e mesmo o do PSDB, que curiosamente usava a metáfora de um copo cheio d'água perto de transbordar (os psicólogos explicam?), nosso patriótico judiciário, atendendo a petição dos tucanos, resolver proibir a inserção do PT, num ato de censura que orgulharia Armando Falcão, o censor-mor da ditadura.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mídia expressa o medo que a elite sente do povo


Amar o jornalismo, criticar a imprensa
Por Luciano Martins Costa em 03/01/2014 no Observatório da Imprensa
A imprensa brasileira funciona como um partido de oposição, mais eficiente, estruturado, coeso e determinado do que as agremiações políticas oficiais.
Mas não se trata de um partido de oposição à aliança que governa o Brasil desde 2003: é uma organização política que em muitos aspectos se assemelha ao “Tea Party” americano, ou seja, um sistema estruturante do pensamento mais conservador que frequenta o espaço público.
Se o governo federal estivesse nas mãos do PSDB, e este atuasse como um partido socialdemocrata nos moldes europeus, a imprensa teria uma atitude semelhante, de oposição.
As evidências do comportamento enviesado da mídia tradicional, aquela que domina a agenda institucional e serve à indústria cultural, são muitas e foram consolidadas paralelamente a um processo de empobrecimento da atividade jornalística nas últimas décadas.
O processo é longo, foi marcado por disputas cruentas no interior das redações no período imediatamente posterior à redemocratização, e afinal vencido pelo conservadorismo no início deste século.
O fato de o Partido dos Trabalhadores ter alcançado o poder federal na mesma época é daquelas ironias da história observadas pelo historiador Isaac Deutscher ao analisar o comunismo dos anos 1960.
A controvérsia em torno desse comportamento da imprensa se sustenta precariamente no fato de que a maioria dos analistas se prende à relação entre os principais veículos de informação e o núcleo de poder ligado ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Um operário na Presidência significou, para as famílias que ainda controlam as empresas de comunicação, uma ofensa tão grande quanto tem sido, para a elite conservadora dos Estados Unidos, a ascensão de um negro ao cargo mais alto daquela nação.
Essa relação de ódio e negação se estende por tudo que estiver ligado a esse evento histórico: o fato de a democracia brasileira ter evoluído ao ponto de eleger presidente um operário com pouca educação formal.
Não é o PT que a imprensa odeia e despreza: é o processo democrático, que permitiu essa “aberração”.
Não por acaso, os leitores típicos dos jornais e de publicações como Veja e Época manifestam costumeiramente sua baixa apreciação pelo “povo” e sua capacidade de discernimento, como se pode observar nas seções de cartas e comentários.
Jornalismo em crise
Criticar a imprensa, denunciando o jornalismo partidário, é na verdade uma demonstração de respeito ao jornalismo e à imprensa, como ela deveria ser.
Defender a imprensa como ela é e conformar-se com o jornalismo de quinta categoria que tem sido imposto aos brasileiros, de forma geral, é sintoma de alienação, ou, pior, recurso de malabarismo intelectual para preservar a reputação sem cair no index do sistema da mídia.
Louve-se: é preciso muito jogo de cintura para salvar a ficção da objetividade sem ter as portas fechadas pelas redações.
No entanto, chegamos ao ponto em que não há subterfúgios, pois a escolha da imprensa hegemônica está destruindo o jornalismo de qualidade no Brasil.
Concretamente, o jornalismo brasileiro é pior, hoje, do que há vinte anos?
A resposta é: sim, piorou não apenas a qualidade do jornalismo no Brasil, mas também a qualificação dos jornalistas, de modo geral, e a própria noção do valor social da atividade jornalística.
Uma pesquisa coordenada pela professora Roseli Fígaro na USP constatou essa realidade (ver resenha do livro aqui): o jornalismo brasileiro está imerso em profunda crise.
Um artigo publicado na quinta-feira (02/01) pela Agência Fapesp (ver aqui) atualiza alguns aspectos desse estudo.
O texto afirma explicitamente que “os produtos jornalísticos impressos, televisivos ou radiofônicos são feitos de maneira completamente diferente do que há cerca de vinte anos”.
A mudança foi para pior, segundo a pesquisa, provocada principalmente por uma reestruturação produtiva nas redações, com o aumento do número de jornalistas sem registro profissional e o afastamento dos profissionais mais experientes.
A desconstrução do jornalismo foi feita pedra por pedra, e não é apenas fenômeno causado pelas novas tecnologias de comunicação, mas por uma escolha estratégica das empresas.
Trata-se de um processo que corre paralelo ao projeto conservador de poder, que, não podendo eventualmente ser realizado pelas vias partidárias, porque o eleitorado parece rejeitar suas propostas, passa a atuar pelo sistema da mídia.
Simples assim.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

LULA: “VAMOS TER DE DEMOCRATIZAR A MÍDIA"


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Justiça condena Folha a indenizar o Inep por vazamento de exame



Justiça condena gráfica da Folha de S.Paulo a pagar 73,4 milhões ao governo
Publicado em 15 de outubro de 2012 às 12:12 pm
do SpressoSP
A Justiça Federal determinou que o consórcio formado pela gráfica Plural, do Grupo Folha, responsável por editar o jornal Folha de S.Paulo, terá de indenizar o governo em R$ 73,4 milhões em razão do vazamento da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2009.
O ressarcimento será destinado ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que na época teve de recorrer emergencialmente a novo contrato com entidades para repetir a aplicação da prova.
A Justiça Federal determinou prazo de cinco dias para o pagamento da indenização pelo consórcio. O descumprimento da decisão resultará na penhora de bens para garantir o pagamento da dívida.
Em 2009, a aplicação da prova do Enem teve de ser anulada em razão do vazamento de exemplares do exame. A prova foi retirada da gráfica Plural, que funciona em Santana de Parnaíba, em São Paulo.
Em setembro do mesmo ano, o circuito de segurança da gráfica registrou o momento em que um funcionário se retirou da gráfica com exemplares da prova debaixo da blusa. O suspeito tentou em seguida vender os exemplares a emissoras e jornais.
Com informações do Com Texto Livre

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O "FURO" DA VEJA


Por Luis Nassif

“Da série "como passar recibo de que estou em pânico com a CPI", “Veja” acaba de produzir [na edição desta semana] mais uma de suas obras-primas.

Constata, primeiro, que assessores do PT estão escarafunchando a CPI atrás de dados contra adversários - dentre os quais o insigne Gilmar “Dantas”. Se não fosse a brava revista, não saberíamos de nada.

Veja bem, não se está falando de dossiês criminosos, grampos, invasões de hotel, parceria com o crime organizado. Mas de pesquisas em cima de documentos oficiais da CPI. Saiu na “Veja”? Virou escândalo.

Toda a imprensa nacional está em cima da CPI. Nessa dança, assessores do PSDB levantam dados contra o PT; assessores do PT levantam contra o PSDB e Gilmar; assessores do PMDB levantam contra Perillo, para poupar Cabral. E seria de outra maneira?

O outro extraordinário furo da “Veja” é que "a CPI foi um tiro no pé", voltando-se contra seus próprios formuladores: Lula e o PT.

Qual o problema, então? Se a bandeira de “Veja” é destruir Lula, a lógica será dar todo gás à CPI. Ou não? E a melhor maneira de investigar os dados é cada grupo de assessores levantar os dados contra os adversários.

O que tem de real nesse jogo de cena:

1. Não há a menor hipótese de a CPI ser usada em favor dos réus do mensalão;
2. O STF tem que julgar o mensalão com todo rigor. Mas é óbvio que está sob pressão intensa da velha mídia, buscando pautá-lo de todas as formas;
3. O fato de Delúbio ter criado [ou não] o mensalão não absolve “Veja” do fato de ela ter criado Carlinhos Cachoeira.”

FONTE: escrito por Luis Nassif

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Internet assusta os poderosos


Por Laurindo Lalo Leal Filho

Numa noite de sábado o Jornal Nacional surpreendeu os telespectadores. Depois de um intervalo comercial, os apresentadores titulares do programa (que geralmente não trabalham aos sábados) passaram a ler o princípios editoriais das Organizações Globo. Muita gente ficou intrigada. Porque aquilo naquela hora? Não havia mais nenhuma notícia importante no mundo a ser dada? E porque só agora, depois de 86 anos de existência, a empresa resolveu divulgar na TV suas normas de trabalho?

Milhões de telespectadores em todo o Brasil ficaram sem respostas. Só quem tem acesso à internet soube do que se tratava. A explicação para o inusitado texto lido no Jornal Nacional estava no blogue “O Escrevinhador”, de Rodrigo Vianna. Nele eram reproduzidas informações de um jornalista da Globo sobre como a emissora pretendia cobrir a indicação do embaixador Celso Amorim para o Ministério da Defesa.
Durante os oito anos do governo Lula em que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores, Amorim sempre foi visto com desagrado pelas Organizações Globo. A empresa não engolia as posições do ministro em defesa da soberania nacional, principalmente quando elas não coincidiam com os interesses dos Estados Unidos.
A volta de Amorim ao primeiro escalão do governo foi uma afronta para a Globo. Segundo o jornalista mencionado no blogue a orientação da empresa era clara: “os pauteiros devem buscar entrevistados para o Jornal Nacional, Jornal da Globo e Bom dia Brasil que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar ‘turbulência’ no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha”.
Pena que só internautas atentos ficaram sabendo disso. Jornais e revistas não repercutiram o assunto e muita gente acabou achando que, finalmente, a Globo havia tomado a iniciativa magnânima de expor à sociedade seus princípios editoriais partindo de vontade própria.
Mas mesmo atingindo um público relativamente muito menor do que o da televisão, a internet prestou um bom serviço à sociedade. Inibiu um pouco a ação nefasta armada contra o novo ministro e mostrou que a poderosa organização não consegue mais fingir que denúncias e criticas não a atingem. A Globo sentiu o golpe e tentou responder recorrendo a princípios por ela violados várias vezes ao longo de sua história.
Esperava-se uma mudança de conduta a partir daquele momento. Não foi o que ocorreu. Na mesma edição a apresentadora do Jornal Nacional disse o seguinte: “está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores numa escola pública de Porto Alegre”, mostrando uma foto da moça de 23 anos.
Poderia até ser verdade, mas o Jornal Nacional baseava-se apenas numa versão da policia, negada pela acusada. Seu advogado havia divulgado a palavra dela, através da Rádio Guaíba, oito horas antes do JN ir ao ar. Mas para não perder uma notícia espetacular – envenenamento de crianças – nada disso foi levado em conta. Nem os tais princípios editoriais.
Se não fosse outra vez a internet, fatos como esse não estariam sendo contados aqui em detalhes. Foi o blogue do Mello que registrou a violação dos princípios editorais da Globo, na mesma edição em que eles foram divulgados, acompanhados da gravação do desmentido da merendeira feito através do rádio.
Dessa forma vão sendo levantados os véus de interesses que recobrem o noticiário divulgado por grandes meios de comunicação, não só no Brasil mas em várias outras partes do mundo. Parece ser um caminho sem volta.
A medida em que um número maior de pessoas vai tendo acesso à internet, fica cada vez mais difícil para os meios tradicionais de comunicação realizar desvios desse tipo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

WIKILEAKS E A "ESTREITA RELAÇÃO" DE JORNALISTAS BRASILEIROS COM AUTORIDADES “MADE IN USA”

"Golpe", mas com o tradicional apoio e "recomendações" dos EUA

“Aconteceu o que já era de conhecimento dos menos desavisados. A grande imprensa brasileira foi finalmente desnudada, com tudo comprovado em documentos [norte-americanos] oficiais e sigilosos. Quem ainda tinha motivos para outorgar credibilidade a esses veículos e seus jornalistas, não tem mais.


WILLIAM WAACK, DA GLOBO, APARECE NOS DOCUMENTOS SECRETOS

William Waack, da Globo

Novos documentos vazados pela organização WikiLeaks trazem à tona detalhes e provas da estreita relação dos USA com o monopólio dos meios de comunicação no Brasil semicolonial.

Um despacho diplomático de 2005, por exemplo, assinado pelo então cônsul [norte-americano] de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra o encontro em Porto Alegre do então embaixador John Danilovich com representantes do “grupo RBS”, descrito como "o maior grupo regional de comunicação da América Latina", ligado às organizações Globo.

O encontro é descrito como "um almoço 'off the record' [cujo teor da conversa não pode ser divulgado]", e uma nota complementar do despacho diz: "Nós temos, tradicionalmente, tido acesso e relações excelentes com o grupo".

Outro despacho diplomático datado de 2005 descreve um encontro entre Danilovich e Abraham Goldstein, líder judeu de São Paulo, no qual a conversa girou em torno de uma campanha de imprensa pró-sionista no monopólio da imprensa no Brasil, que antecedesse a Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, no que o jornalão O Estado de S.Paulo se prontificou a ajudar, prometendo cobertura "positiva" para Israel.

Os documentos revelados pelo WikiLeaks mostram, ainda, que nomes proeminentes do monopólio da imprensa são sistematicamente convocados por diplomatas ianques para lhes passar informações sobre a política partidária e o cenário econômico da semicolônia, ou para ouvir recomendações.

Um deles é o jornalista William Waack, apresentador de telejornais e de programas de entrevistas das Organizações Globo. Os despachos diplomáticos enviados a Washington pelas representações consulares ianques no Brasil citam três encontros de Waack com emissários da administração dos USA. O primeiro deles foi em abril de 2008 (junto com outros jornalistas) com o almirante Philip Cullom, que estava no Brasil para acompanhar exercícios conjuntos entre as marinhas dos USA, do Brasil e da Argentina. O segundo encontro aconteceu em 2009, quando Waack foi chamado para dar informações [e receber recomendações] sobre as conformações das facções partidárias visando o processo eleitoral de 2010. O terceiro foi em 2010, com o atual embaixador ianque, Thomas Shannon, quando o jornalista novamente abasteceu os ianques com informações detalhadas sobre os então candidatos a gerente da semicolônia Brasil.

Carlos Eduardo Lins da Silva, da Folha de S.Paulo

Outro nome proeminente muito requisitado pelos ianques é do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, da Folha de S.Paulo. Os documentos revelados pelo WikiLeaks dão conta de quatro participações do jornalista (ou "ex-jornalista e consultor político", como é descrito) em reuniões de brasileiros [?] com representantes da administração ianque: um membro do Departamento de Estado, um senador, o cônsul-geral no Brasil e um secretário para assuntos do hemisfério ocidental. Na pauta, o repasse de informações sobre os partidos no Brasil e sobre a exploração de petróleo na camada pré-sal.

CAI TAMBÉM A MÁSCARA DE FERNANDO RODRIGUES, DA FOLHA



Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha de S.Paulo, chegou a dar explicações aos ianques sobre o funcionamento do Tribunal de Contas da União.

INTERESSES NORTE-AMERICANOS NO PIAUÍ

Outro assunto que veio à tona com documentos revelados pelo WikiLeaks são os interesses do imperialismo ianque no estado brasileiro do Piauí. Um documento datado de 2 de fevereiro de 2010 mostra que representantes dos USA participaram de uma conferência organizada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na capital Teresina, a fim de requisitar a implementação de obras de infraestrutura que poderiam favorecer a exploração, pelos monopólios ianques, das imensas riquezas em matérias-primas do segundo estado mais pobre do Nordeste.

A representante do WikiLeaks no Brasil, a jornalista Natália Viana, adiantou que a organização divulgará em breve milhares de documentos inéditos da diplomacia ianque sobre o Brasil produzidos durante o gerenciamento Lula, incluindo alguns que desnudam a estreita relação dos USA com o treinamento do aparato repressivo do velho Estado brasileiro. A ver.”

FONTE: transcrito no portal do jornalista Luis Nassif

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Classe D vai à universidade e estoura bolha da Miriam


A urubóloga agora deu para falar na bolha.

É a antecipação da catástrofe que nao se realizará.

É uma das artimanhas do PiG(*): o mundo vai se acabar.

Quando ?

Só o Ali Kamel sabe.

Se não acabar, cria-se outra crise (ou bolha).

A bolha atual seria a inadimplência da Classe C.

A inadimplência do brasileiro é a menor dos BRICs.

Ou seja, se o mundo se acabar vai acabar antes na China.

E, aí, é melhor fugir para Marte.

A urubóloga já se valeu da estratégia da “antecipação do fim do mundo” com o anúncio do apagão da Dilma, quando a Presidenta era ministra das Minas e Energia.

Este ansioso blogueiro lembra a urubóloga do destino de seu colega no Bom (?) Dia Brasil, o enólogo Renato Machado.

Foi promovido a Rei da Inglaterra, porque a Classe C acha ele um chato.

A urubóloga corre o risco de ser designada para ajudar a Blá-blarina a achar o rumo de casa.

Na floresta.

Este ansioso blogueiro entrevistou Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, uma instituição de pesquisa que se especializou em perscrutar a Classe C.

Na verdade, o Data Popular e o Marcelo Neri da FGV, do Rio, descobriram uma forma de ganhar a vida sendo pagos pela elite brasileira para falar mal da elite brasileira.

Essa elite da “antecipação do fim do mundo”.

A entrevista com o Meirelles vai ao ar nesta terca feira no Entrevista Record, da Record News – que tem o dobro da audiência da Globo News – às 22h15, logo depois do Heródoto Barbero.

Renato vai mostrar que desde 2002, com o Nunca Dantes (que, por isso a elite jamais o perdoará), houve 800 mil novos universitários da classe D.

Classe D , amigo navegante.

Hoje, 100 mil jovens da Classe D – classe D – entram por ano na universidade.

Por culpa desses malditos ProUni e Enem!

Que horror !

E, amigo navegante, agora que o Meirelles estoura a bolha da Miriam:

Para cada ano que um jovem de classe D fica na universidade, o salário dele se torna 15% maior do que o de um jovem que não foi para a faculdade.

Isso é ascensão na veia.

E nao é aquela prosperidade do Plano Real da urubóloga – da dentadura, do frango.

É prosperidade que se torna patrimônio pessoal, irremovível: educação.

Nao é uma bolha.

É conhecimento que torna a pessoa muito mais preparada para se virar numa adversidade.

Se, hoje , a economia dá uma freada de arrumação, não ha nenhum motivo para se imaginar que a bolha (bolha de quê ?) vá explodir na cara da Presidenta.

O jovem filho de cortador de cana que estuda na Escola Técnica de Suape para ser soldador num estaleiro é muito mais esperto do que a urubóloga pensa.

Cuidado, um dia a Classe D vai à forra e manda o Casal 45, com o Ali Kamel , para a Corte do Rei Artur.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 15 de março de 2011

Altamiro Borges: Folha se curva para a visita de Obama

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editorial da Folha de hoje é mais uma prova cabal do “complexo de vira-lata” que impera na mídia brasileira. O jornal, que mais se parece uma sucursal rastaqüera do Departamento de Estado dos EUA, aproveita a visita de Barack Obama ao país para fustigar a política externa do governo Lula e para aconselhar Dilma Rousseff sobre a melhor forma de relacionamento com o império.

Por Altamiro Borges

“Depois do período de esfriamento nas relações entre Brasil e EUA, no segundo mandato de Lula, a visita de Barack Obama ao Brasil de Dilma Rousseff, sábado e domingo, oferece boa oportunidade para reconstituir uma agenda de cooperação bilateral. O aumento do intercâmbio comercial com os EUA deve ser uma prioridade brasileira”, recomenda o diário colonizado.

Servil diante do protecionismo ianque

Parece até que a pretensa retração no “intercâmbio comercial” é culpa do Brasil. O editorial não fala uma linha sobre a grave crise econômica que abala os EUA e que contaminou o restante da economia mundial. Também não critica a política protecionista dos EUA, onde vigora a tese do “façam o que eu falo, não façam o que eu faço”. Ele isenta o império e responsabiliza o Brasil.

A política externa altiva e ativa do governo Lula seria a vilã. “O país insiste há anos nos mesmos contenciosos - aço, carne, suco de laranja, álcool -, quando mais de 85% das importações dos EUA se encontram livres de restrições tarifárias e cotas”. Para o jornal, o Brasil até pode denunciar as barreiras à exportação do álcool brasileiro, “mas não deve fazer disso uma precondição”.

Defesa do “alinhamento automático”

Na prática, o jornal defende que o Brasil volte à política do "alinhamento automático" com os EUA, como era praticada por FHC. “Após o estranhamento dos últimos anos, em parte conseqüência de inclinações ideológicas da diplomacia brasileira, chegou a hora de encetar uma nova parceria estratégica. Será um bom teste para a noção de que Dilma Rousseff busca inflexão mais substancial na política externa”. Haja servilismo!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PIG Awards revela quem "brilhou" no golpismo midiático em 2010

Num ano de grande comoção política, devido ao processo eleitoral, nossos principais meios de comunicação se esforçaram para mostrar o que têm de melhor em matéria de jornalismo parcial e engajado com os interesses corporativos e oligárquicos. A brincadeira abaixo é iniciativa do internauta Victor Farinelli, via blog da Maria Frô.

A Folha, grande vencedora dos prêmios em 2009 (um ano inesquecível, quando o jornal brilhou com pelo menos cinco grandes pérolas: editorial da Ditabranda, ficha falsa da Dilma, estimativa de 35 milhões de vítimas de gripe suína, coluna de Cesar Benjamin acusando o Lula de tentar estuprar um menor na cadeia, e o golpe de mestre, a sabotagem do Enem em gráfica da Folha) tentou o bicampeonato, mas teve de se contentar com alguns destaques individuais, e o Porquinho de Pratana categoria jornais, embora também mereça destaque seu prêmio especial por sua excelente ação indenizatória contra a Falha de S.Paulo, um marco na luta pelo pleno direito à liberdade de expressão dos donos da mídia.
Mas a grande maioria dos prêmios, entre eles o Porcão de Ouro, voltam finalmente ao Jardim Botânico (recordemos que, em 2008, ficou com a Editora Abril, graças ao golpe da reportagem do grampo sem áudio da revista Veja). É verdade que a briga foi pau a pau, a Globo mantinha uma pequena vantagem, graças à vinheta do 45, o avião do JN, o tucanismo indisfarçável das suas matérias, dos seus comentaristas e âncoras – incluindo “cala a boca” do Waack pra Dilma e mil desculpas do Bonner pro Serra. Mas foi somente com a fabricação do segundo objeto atingindo a cabeça do presidenciável da direita que a emissora carioca conseguiu definitivamente uma vantagem sobre os seus principais rivais pauslitas. O prêmio vai pro Ali Kamel, como comandante da propaganda serrista, quer dizer, do noticiário global, mas é preciso também destacar a atuação do perito Ricardo Molina, uma espécie de autor do gol da vitória.
Abaixo, segue a lista completa dos vencedores dos prêmios em 2010, os mais destacados do golpismo midiático nacional:

PIG AWARDS 2010
Porquinho de Prata (jornais): FOLHA, com Consumidor pagou R$1 bi por falha de Dilma

Porquinho de Prata (revistas): VEJA, com O grande imitador

Porquinho de Prata (rádios): JOVEM PAM, com sua Pesquisa-Enquete

Porquinho de Prata (TVs): GLOBO, com sua versão de A agressão ao Serra no Rio

Porquinho de Prata (internet): UOL, com Debate presidencial com tucano neutro

Capa de Revista do Ano: ÉPOCA, com O passado de Dilma

Vinheta de TV do Ano: GLOBO, com Globo 45 Anos (clique aqui)

Transmissão Radiofônica do Ano: TRANSAMÉRICA, com Final do Paulistão com o comentarista José Serra

Prêmio PUM (Pensamento Único da Mídia): ESTADÃO, por ter posto a rebelde Maria Rita Kehl no olho da rua e dar o exemplo aos que ousem fazer o mesmo, mostrando o destino que os espera, caso isso aconteça.

Prêmio Roberto Marinho (incentivo à Liberdade de Imprensa dos Donos da Mídia): FOLHA, por não permitir que um blog sujo como o Falha de S.Paulo avacalhe o nome do jornal perante seu crescente universo de leitores e assinantes.

Prêmio especial por reconhecimento ao respeito pelo trabalho dos jornalistas: TV CULTURA, de São Paulo

PRÊMIOS INDIVIDUAIS
Colunista do Ano (jornais): Eliane “Massa Cheirosa” Cantanhêde (FOLHA)

Colunista do Ano (revistas): Diogo “Fugi para não pagar” Mainardi (VEJA)

Colunista do Ano (rádios): Lucia “Telefone Está Piscando” Hippólito (CBN)

Colunista do Ano (TVs): Luiz Carlos “Qualquer Miserável Agora Tem Carro” Prates (RBS/GLOBO)

Colunista do Ano (internet): Josias “Empregada Lésbica” de Souza (UOL)

Prêmio especial da TV fechada: Mônica “Entre Amigos” Waldvogel (GLOBO NEWS)

Perito Especialista do Ano: Ricardo “Segundo Objeto” Molina (GLOBO)

Intelectual do Ano: Demétrio “Navio Negreiro” Magnoli (ESTADÃO)

Cronista Esportivo do Ano: Galvão “Cala a Boca” Bueno (GLOBO)

Radialista do Ano: Carlos Alberto “Odeio o Pibão” Sardenberg (CBN)

Âncora do Ano: William “Me Desculpe Candidato” Bonner (GLOBO)

Blogueiro Limpo do Ano: Marcelo “Mimimi” Tas (TERRA)

Repórter do Ano: Danilo “Empurra Velhinha” Gentili (BAND)

Humorista Engajado do Ano: Marcelo “Vagabundo, Picareta” Madureira (GLOBO)

Executivo do Ano: a presidenta do PIG, Dona Judith “Mídia Faz o Papel das Oposições” Brito (FOLHA)

Prêmio Carlos Lacerda (incentivo à diversidade social na mídia): Boris “Amigos dos Garis” CCCasoy (BAND)

Troféu Porcão de Ouro: Ali KKKamel (GLOBO), pela excelente e imparcial cobertura que a emissora fez das eleições 2010

Os prêmios serão entregues em evento a ser realizado pelo Instituto Millenium na sede do Clube da Aeronáutica do Rio de Janeiro, para o qual foi convidado, para ser anfitrião da entrega, o notável professor Hariovaldo Almeida Prado.