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segunda-feira, 18 de maio de 2015

"ZELOTES", LAVARAM E ENXUGARAM A JATO!




ZELOTES, LAVARAM E ENXUGARAM A JATO!

Por RICARDO FONSECA

A imprensa golpista brasileira precisa ser impitimada. Onde estão os órgãos reguladores e fiscalizadores da Imprensa e da Justiça brasileira?

"Impressiona a forma dissimulada como o PIG trata a operação Zelotes, o bilionário e maior escândalo de sonegação fiscal da história. “Para o MP, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, tem um histórico de segurar processos por muito tempo e sem justificativas razoáveis, um comportamento que chama a atenção e deveria ser examinado de perto”, segundo foi veiculado na matéria do dia 13.05.2015 da revista "Carta Capital". Na mesma matéria, “Leite tomou uma série de decisões que atrapalharam as investigações. Entre outras coisas, ele negou a prisão temporária de 26 suspeitos de integrar o esquema, rejeitou o pedido de bloqueio de bens de certos investigados e recusa-se a quebrar o sigilo do processo.

Só no parágrafo acima já se encontra indícios para um lindo e cabeludo "processo de suspeição" na Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região, sediado em Brasília, contra o meritíssimo juiz.

Segundo Frederico Paiva, o principal Procurador da República na Operação Zelotes “o caso até agora não entusiasmou nem o Poder Judiciário nem a mídia – ao contrário do que aconteceu com a Operação Lava Jato.” Ou seja, a passividade dos holofotes midiáticos só alcançam os quadros da Lava Jato. Esse 'mise en scène' todo só demonstra o único e principal interesse deles - mídia golpista : atingir o Lula, PT e a presidenta Dilma.

Manobra essa que até os dias atuais, mesmo com ilações fantasiosas, ainda não chegaram nem por perto da rampa do palácio do Planalto. Transformaram criminosos em valiosos heróis delatores . Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, os corruptos confessos (não sabemos até que ponto são verídicos), são as madalenas arrependidas em busca da lei, da ordem e de um Brasil melhor do século XXI.

Enquanto isso, 74 processos, 26 suspeitos e até agora 19 bilhões de reais descansam livremente em berço esplêndido na Zelotes, a luz de um País atordoado com o outro e mais bem divulgado escândalo, o da Lava Jato, que em números se revela infinitamente menor. Somente 15 bilhões de reais separam a Zelotes da Lava Jato. Ou seja, enquanto na mídia todos os dias e em todos os telejornais, jornais e revistas brasileiras propaga-se os 4 bilhões desviados dos cofres públicos na Lava Jato, outros 19 bilhões são esquecidos e ignorados na Zelotes.

Não vemos ninguém batendo panelas ou muito menos manifestando nas ruas pela Zelotes. Mas todo mês, há pelo menos duas manifestações “A La Copa do mundo “ pela Lava Jato. A imprensa golpista brasileira precisa ser "impitimada". Onde estão os órgãos reguladores e fiscalizadores da Imprensa e da Justiça brasileira? Como podem tratar questões tão afins de formas diferentes? Ética é uma palavra que desapareceu (foi deletada) dos anais da imprensa brasileira, desde que ela assumiu a posição da direita conservadora. Isso me faz lembrar aquele imensurável e lindo episódio da "Reuters" com FHC: “Podemos tirar, se o senhor quiser”.

Essa frase reflete o pensamento retrógrado e hipócrita de uma imprensa fuleira, descomprometida com a verdade dos fatos e venal. Que os novos jornalistas não sigam o exemplo dessas velhas raposas do PIG que, longe de se preocupar com o Brasil, querem vender a desgraça e o caos para os grandes grupos econômicos, interessados em comprar o País. Como publicitário, sinto vergonha dessa imprensa golpista que, infelizmente, através dos veículos de massa, ainda influencia preguiçosos e desatentos brasileiros que, como robôs, acreditam em tudo que veem ou leem estampados em manchetes factoides. Tem que haver reforma política sim, reforma jurídica sim. Mas é necessário que haja também uma ampla, irrestrita e importante reforma midiática. Só assim iremos retomar a lei, a ordem e a ética na propagação de notícias justas e sérias. Lei de meios já, porque a Zelotes... essa lavaram e enxugaram a jato, que é pra nem deixar rastro. Mas estamos de olho e, iremos cobrar aqui ou ali, seja da imprensa ou da Justiça, de forma justa e limpa, o tratamento necessário para punir os bandidos que desviaram recursos dos cofres públicos, independentemente de partidos, cargos políticos ou status social. Mas se os senhores quiserem, a gente não pode e nem vai tirar nada."

FONTE: escrito por RICARDO FONSECA no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/181183/Zelotes-Lavaram-e-enxugaram-a-jato!.htm).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Como pensa a elite brasileira

A elite brasileira comprou o livro de Piketty, O Capital no Século 21. Não gostou. Achou que era sobre dinheiro, mas o principal assunto é a desigualdade.


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A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.

A elite gosta de criticar e xingar tudo e todos. Chama isso de liberdade de expressão. Mas não gosta de ser criticada. Aí vira perseguição.

Quando a elite esculhamba o país, é porque ela é moderna e quer o melhor para todos nós. Quando alguém esculhamba a elite, é porque quer nos transformar em uma Cuba, ou numa Venezuela, dois países que a elite conhece muito bem, embora não saiba exatamente onde ficam.

Ideia de elite é chamada de opinião. Ideia contra a elite é chamada de ideologia.

A elite usa roupas, carros e relógios caros. Tem jatinho e helicóptero. Tem aeroporto particular, às vezes, pago com dinheiro público - para economizar um pouquinho, pois a vida não anda fácil para ninguém.

A elite gosta de mostrar que tem classe e que os outros são sem classe.

Mas, quando alguém reclama da elite por ser esnobe, preconceituosa e excludente, é acusado de incitar a luta de classes.

Elite mora em bairro chique, limpinho e cheiroso, mas gosta de acusar os outros de quererem dividir o país entre ricos e pobres.

O negócio da elite não é dividir, é multiplicar.

A elite é magnânima. Até dá aulas de como ter classe. Diz que, para ser da elite, tem que pensar como elite.

Tem gente que acredita. Não sabe que o principal atributo da elite é o dinheiro. O resto é detalhe.

A elite reclama dos impostos, mesmo dos que ela não paga. Seu jatinho, seu helicóptero, seu iate e seu jet ski não pagam IPVA, mesmo sendo veículos automotores.

Mas a elite, em homenagem aos mais pobres e à classe média, que pagam muito mais imposto do que ela, mantém um grande painel luminoso, o impostômetro, em várias cidades do país.

A elite diz que é contra a corrupção, mas é ela quem financia a campanha do corrupto.

Quando dá problema, finge que não tem nada a ver com  a coisa e reclama que "ninguém" vai para a cadeia. "Ninguém" é o apelido que a elite usa para designar o pessoal que lota as cadeias.

A elite não gosta do Bolsa Família, pois não é feita pela Louis Vuitton.

A elite diz que conceder benefícios aos mais pobres não é direito, é esmola, uma coisa que deixa as pessoas preguiçosas, vagabundas.

Como num passe de mágica, quando a elite recebe recursos governamentais ou isenções fiscais, a esmola se transforma em incentivo produtivo para o Brasil crescer.

A elite gosta de levar vantagem em tudo. Chama isso de visão. Quando não é da elite, levar vantagem é Lei de Gérson ou jeitinho.

Pagar salário de servidor público e os custos da escola e do hospital é gasto público. Pagar muito mais em juros altos ao sistema financeiro é "responsabilidade fiscal".

Quando um governo mexe no cálculo do dinheiro que é reservado a pagar juros, é acusado de ser leniente com as contas públicas e de fazer "contabilidade criativa".

Quando o governo da elite, décadas atrás, decidiu fazer contabilidade criativa, gastando menos com educação e saúde do que a Constituição determinava, deram a isso o pomposo nome de "Desvinculação das Receitas da União" -  inventaram até uma sigla (DRU), para ficar mais nebuloso e mais chique.

A elite bebe água mineral Perrier. Os sem classe se viram bebendo água do volume morto do Cantareira.

A elite gosta de passear e do direito de ir e vir, mas acha que rolezinho no seu shopping particular é problema grave de segurança pública.

A elite comprou o livro de um francês, um tal Piketty, intitulado "O Capital no Século 21". Não gostou. Achou que era só sobre dinheiro, até descobrir que o principal assunto era a desigualdade. 

A pior parte do livro é aquela que mostra que as 85 pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. Ou seja, 85 bacanas têm o dinheiro que 3,5 bilhões de pessoas precisariam desembolsar para conseguir juntar.

A elite não gostou da brincadeira de que essas 85 pessoas mais ricas do mundo caberiam em um daqueles ônibus londrinos de dois andares.

Discordou peremptoriamente e por uma razão muito simples: elite não anda de ônibus, nem se for no andar de cima.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sai o "Não vai ter Copa", entra o "Não vai ter Brasil"

A ordem é instaurar o caos
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A cada pesquisa eleitoral que mostra a resiliência da candidatura da presidente Dilma à reeleição, a oposição responde com mais ódio e violência, como se já não tivesse mais esperanças de derrotar nas urnas o que chama, pejorativamente, de "lulodilmismopetismo".
Manifestações sem pé nem cabeça param São Paulo, castigando a já sofrida população.
Outras capitais e grandes cidades brasileiras sofrem com o mesmo tipo de guerrilha.
O "não vamos ter Copa", que não colou, foi trocado pelo "não vamos ter Brasil".

O interessante é que tais demonstrações explícitas de desprezo pela democracia são seletivas.
Nunca têm como alvo governantes tucanos e assemelhados.
É como se todos os males do país fossem responsabilidade dos petistas, como se a incúria, a inércia, a incompetência administrativas seculares pudessem ser apagadas em quatro anos de governo.
A imprensa amplifica como pode essa insanidade, dando voz a qualquer um que tenha um discurso contra o PT.
Artistas se "engajam" na campanha hidrófoba.
A resposta dos governantes do partido tem sido a mais republicana possível, procurando soluções estritamente dentro da lei para ações escancaradamente subversivas.
A tática da oposição, de espalhar, por todos os meios possíveis, o caos no país, já foi aplicada com êxito em outros países.
Parece integrar uma cartilha, patrocinada sabe-se lá por quem, que ensina como derrubar governos democráticos, mas que incomodam a oligarquia.
Caso do Brasil, onde a tal "elite" não suporta Lula, nem Dilma, nem o PT, a quem se refere como "essa raça".
Os colunistas dos jornalões, também engajados na luta para que o país volte aos tempos da Casa Grande e Senzala, destacam o mau clima entre a população.
Só que se esquecem de dizer aos seus prezados leitores/ouvintes/telespectadores, que eles são pagos - e muito bem pagos - para insuflar esse ânimo, para jogar gasolina na fogueira, para ajudar a fazer o circo pegar fogo.
A história se repete, não é isso que dizem?