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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os patetas e o golpe

O grande líder oposicionista, candidato derrotado por Dilma Rousseff na eleição do ano passado, Aécio Neves, diz em entrevista, que foi reeleito "presidente da República" - e não do PSDB. 

Não contente com seu ato falho, comete mais um, ao afirmar que a agremiação que preside é "o principal partido de oposição ao Brasil".

Em outro momento que revela o nível de piração dessa turma que quer jogar na lama os votos de 54 milhões de brasileiros, o jornalista (sic) Carlos Alberto Sardenberg, ao fazer um comentário para a CBN, a "rádio que troca a notícia", revela, para espanto geral, que a Grécia chegou ao ponto que chegou por culpa de Dilma e Lula!

E tem mais: há poucos dias, a pretexto de justificar a prisão do manda-chuva da Odebrecht, o juiz Moro, afirma que temia que as empreiteiras, se participassem do recém-lançado programa de concessões do governo federal, poderiam continuar com suas "práticas corruptas". 


Pois é.

Está certo que a lógica nunca foi o forte dos brasileiros, que, por exemplo, votam em estelionatários para que eles combatam a corrupção.

Mas mesmo a incoerência, a desfaçatez, ou simplesmente a mentira, têm seus limites.

Esse festival de besteiras promovido pela oposição é, antes de mais nada, um acinte a qualquer pessoa que tenha dois neurônios intactos, em funcionamento.

Dar um golpe de Estado, derrubar uma presidenta reeleita em eleições limpas, até mesmo promover uma volta às trevas, pode parecer uma tarefa relativamente fácil para quem tem o controle da mídia, o cofre cheio, uma legião de adeptos boçais - ou seja, recursos materiais sem conta.

Antes de mais, nada, porém, é necessário, para que o assalto à democracia não seja no passo sombrio e sangrento dos coturnos, que ele tenha algum resquício, alguma aparência de legalidade.

Só que esse plano, para ter sucesso, precisa ser conduzido por pessoas com um certo grau de inteligência - e não por patetas que se julgam gênios da raça.

Do jeito que vai indo, sob a liderança de Aécios, Sardenbergs e Moros, ele está destinado a ser mais um retumbante fracasso - entre tantos outros que a plutocracia brasileira coleciona nestes últimos anos.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Conspiração judicial sofre a sua primeira grande derrota




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Moro, recebendo propina, publicamente, da Globo.

Se o juiz Sergio Moro nunca leu Montesquieu, o ministro Teori Zavaski fez questão de mostrar que leu, gostou e entendeu.
Trecho de seu voto, ao mandar Moro abrir os portões das masmorras do Paraná.
“(…)não consta ter o paciente (do Habeas Corpus concedido ontem) se disposto a realizar colaboração premiada, como ocorreu em relação aos outros. Todavia, essa circunstância é aqui absolutamente irrelevante, até porque seria extrema arbitrariedade – que certamente passou longe da cogitação do juiz de primeiro grau e dos Tribunais que examinaram o presente caso, o TRF da 4ª Região e o Superior Tribunal de Justiça – manter a prisão preventiva como mecanismo para extrair do preso uma colaboração premiada, que, segundo a Lei, deve ser voluntária (Lei 12.850/13, art. 4º, caput e § 6º). Subterfúgio dessa natureza, além de atentatório aos mais fundamentais direitos consagrados na Constituição, constituiria medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada.”
*
Teori foi educadíssimo e elegante, como convém a um ministro do Supremo. Felizmente, os tempos das truculências verbais já se foram com Joaquim Barbosa, de triste memória.
Mas a elegância pode ferir mais que uma ofensa. E Teori entendeu que, diante dos arbítrios midiáticos de Sergio Moro, era importante defender alguns princípios básicos da nossa Constituição democrática. E o primeiro deles é não condenar ninguém antes de lhe proporcionar amplo direito de se defender.
Regrinha básica que Roma e Grécia implantaram há alguns milhares de anos, mas que, de vez em quando, o nosso Judiciário (com chancela de uma mídia que deveria ser guardiã de valores democráticos) parece esquecer.
O recado de Teori não poderia ser mais claro. Não se pode prender ninguém para “forçar” delação premiada. Isso é o que fazia a Santa Inquisição.
Isso “constituiria medida medievalesca”.
Ora, era justamente isso que Moro, promotores e delegados do Paraná vinham tentando fazer.
Na verdade, conseguiram com Paulo Roberto Costa – que depois mudou ou retificou o seu depoimento – após a República do Paraná ameaçar prender sua família inteira.
Conseguiram com Pedro Barusco e Alberto Youssef, ambos doentes.
O problema é que essas delações não são confiáveis. Se fossem confiáveis, porque não “prender preventivamente” o senador Aécio Neves, se Youssef declarou que ele recebia mesada de US$ 120 mil, através do esquema entre a Bauruense e a Furnas?
Não se pode combater corrupção violando os princípios fundamentais de uma democracia. Até porque seria um falso combate, uma farsa, que não combateria nada.
A República do Paraná – essa “força-tarefa” que reúne Moro, alguns promotores, alguns delegados e mídia – queria manipular as delações, para atingir Dilma e, sobretudo, Lula.
Era uma conspiração judicial infame. Que ainda não sabemos se falhou, porque eles têm muita força, e estão determinados.
Mas sofreram um profundo revés com a decisão de Teori de botar os pingos nos is.
Falta agora soltar o Vaccari e sua mulher, pois se eles são culpados (e que eu saiba, ainda vigora em nossa democracia o princípio da presunção da inocência), podem esperar a sentença e os recursos em liberdade, como deveria ser a regra para todo cidadão brasileiro perseguido, justa ou injustamente, pelo Estado.