Eu
só queria entender o seguinte: por que a Receita Federal cobrar de
Dunga 900 mil reais é notícia e a Receita Federal cobrar da Globo quase
mil vezes mais não é.
Nenhuma sociedade pode florescer à base de sonegação. Fato. Mas por que os holofotes estão em Dunga e esquecem a Globo?
Foi a Folha que trouxe a informação de que Dunga está sendo cobrado.
A mesma Folha, depois de dar constrangidamente uma nota sobre a
sonegação da Globo, simplesmente silenciou sobre o assunto, como se ele
não existisse.
Mas existe.
Repito: nenhuma sociedade funciona quando se espraia o vício da sonegação.
Recentemente, a Alemanha enfrentou um drama. O presidente do Bayern,
Uli Hoeness, um cidadão exemplar, referência de conduta para todos os
alemães, foi flagrado num caso de sonegação.
A Alemanha ficou chocada.
O governo se pronunciou: a Alemanha não poderia funcionar com aquele tipo de comportamento.
O dinheiro do imposto constrói escolas, paga professores, faz hospitais etc etc.
Hoeness foi rapidamente julgado e condenado a cinco anos de prisão. Ele poderia apelar para tentar reduzir a pena.
Mas, depois de uma conversa com a filha, decidiu não recorrer. Era uma forma de se redimir, ou ao menos buscar a redenção.
Clap, clap, clap.
Para Hoeness, pelo gesto grandioso depois da pequenez da sonegação. E
para a Alemanha, pela cultura de retidão nos compromissos dos
indivíduos perante a coletividade.
O que dói, no Brasil, é a diferença de tratamento.
Dunga prevarica e é manchete. A Globo prevarica em dose mil vezes maior e só é cobrada na internet.
Quando casos similares forem tratados de maneira igual, o Brasil será uma sociedade avançada.
Por enquanto, infelizmente, como no grande livro de Orwell, alguns brasileiros são mais iguais que os outros – bem mais iguais.
1. o Brasil da FGV, IBGE e IPEA que cresce distribuindo renda 2. o Brasil da Folha, Veja e Globo onde tudo vai mal. . É um direito de cada um escolher em quem acreditar !!! . PIB em bilhões de reais Ano 2002 – 1.477 Ano 2013 – 4.837 Fonte: IPEA . Número de Falências Requeridas Ano 2002 – 19.891 Ano 2013 – 1.758 Fonte: Serasa . Inflação Ano 2002 – 12,53% Ano 2013 – 5,91% Fonte IPEA. . Taxa de desemprego % MES DEZEMBRO Ano 2002.- 10,5 Ano 2013. – 4,3 Fonte IPEA. . Taxa de Juros Selic EM 31/12/2002 – 24,9 % HOJE – 11 % Fonte: Ipea . Dívida Pública % do PIB Ano 2002 – 60,4% Ano 2013 – 33,8% ; Fonte: Ipea . Número de universitários Ano 2002 – 3,5 milhões Ano 2012 – 7,0 milhões fonte: ANDIFES . Salário Mínimo Real mes de janeiro Série
em reais (R$) constantes do último mês, elaborada pelo IPEA,
deflacionando-se o salário mínimo nominal pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) do IBGE a partir de março de 1979 Ano 2002. – 364,84 Ano 2014. – 724,00 Fonte: IPEA . Taxa de pobreza (% de pobres) 2002 34 % 2012 15 % Dados IPEA . IDH 2000 0,669 2005 0,699 2012 0,730 Fonte: Estadão . Reservas Cambiais em bilhões de dólares Ano 2002 – 38 Ano 2013 – 375 Fonte: Ipea e Banco Mundial . Espectativa de vida em anos 2002 – 71,0 anos 2011 – 73,4 anos Fonte Banco Mundial . Gastos Públicos com saúde 2002 – 28 bi 2014 – 106 bi Fonte: Orçamento federal . Gastos Públicos com educação 2002 – 17 bi 20124- 94 bi Fonte: Orçamento Federal . Capacidade instalada de Geração de Energia em MV 2002 – 80.315 2012 – 120.973 Fonte: IPEA . RISCO-BRASIL (INDICE EMBI) 31/12/2002 – 1.446 31/12/2013 – 224 Fonte: IPEA . Economia mundial 2002 – 14a. economia mundial 2013 – 6a economia mundial Fonte: Banco Mundial
Por que o Santander fez nota aos clientes contra Dilma Rousseff? Na Matéria de 2013 abaixo a explicação óbvia!
A elite brasileira comprou o livro de Piketty, O Capital no
Século 21. Não gostou. Achou que era sobre dinheiro, mas o principal
assunto é a desigualdade.
A elite brasileira é
engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como
elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada
a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de
pobre.
A elite gosta de criticar e xingar tudo e todos. Chama
isso de liberdade de expressão. Mas não gosta de ser criticada. Aí vira
perseguição.
Quando a elite esculhamba o país, é porque ela é
moderna e quer o melhor para todos nós. Quando alguém esculhamba a
elite, é porque quer nos transformar em uma Cuba, ou numa Venezuela,
dois países que a elite conhece muito bem, embora não saiba exatamente
onde ficam.
Ideia de elite é chamada de opinião. Ideia contra a elite é chamada de ideologia.
A
elite usa roupas, carros e relógios caros. Tem jatinho e helicóptero.
Tem aeroporto particular, às vezes, pago com dinheiro público - para
economizar um pouquinho, pois a vida não anda fácil para ninguém.
A elite gosta de mostrar que tem classe e que os outros são sem classe.
Mas, quando alguém reclama da elite por ser esnobe, preconceituosa e excludente, é acusado de incitar a luta de classes.
Elite
mora em bairro chique, limpinho e cheiroso, mas gosta de acusar os
outros de quererem dividir o país entre ricos e pobres.
O negócio da elite não é dividir, é multiplicar.
A elite é magnânima. Até dá aulas de como ter classe. Diz que, para ser da elite, tem que pensar como elite.
Tem gente que acredita. Não sabe que o principal atributo da elite é o dinheiro. O resto é detalhe.
A
elite reclama dos impostos, mesmo dos que ela não paga. Seu jatinho,
seu helicóptero, seu iate e seu jet ski não pagam IPVA, mesmo sendo
veículos automotores.
Mas a elite, em homenagem aos mais pobres e
à classe média, que pagam muito mais imposto do que ela, mantém um
grande painel luminoso, o impostômetro, em várias cidades do país.
A elite diz que é contra a corrupção, mas é ela quem financia a campanha do corrupto.
Quando
dá problema, finge que não tem nada a ver com a coisa e reclama que
"ninguém" vai para a cadeia. "Ninguém" é o apelido que a elite usa para
designar o pessoal que lota as cadeias.
A elite não gosta do Bolsa Família, pois não é feita pela Louis Vuitton.
A
elite diz que conceder benefícios aos mais pobres não é direito, é
esmola, uma coisa que deixa as pessoas preguiçosas, vagabundas.
Como
num passe de mágica, quando a elite recebe recursos governamentais ou
isenções fiscais, a esmola se transforma em incentivo produtivo para o
Brasil crescer.
A elite gosta de levar vantagem em tudo. Chama isso de visão. Quando não é da elite, levar vantagem é Lei de Gérson ou jeitinho.
Pagar
salário de servidor público e os custos da escola e do hospital é gasto
público. Pagar muito mais em juros altos ao sistema financeiro é
"responsabilidade fiscal".
Quando um governo mexe no cálculo do
dinheiro que é reservado a pagar juros, é acusado de ser leniente com as
contas públicas e de fazer "contabilidade criativa".
Quando o
governo da elite, décadas atrás, decidiu fazer contabilidade criativa,
gastando menos com educação e saúde do que a Constituição determinava,
deram a isso o pomposo nome de "Desvinculação das Receitas da União" -
inventaram até uma sigla (DRU), para ficar mais nebuloso e mais chique.
A elite bebe água mineral Perrier. Os sem classe se viram bebendo água do volume morto do Cantareira.
A
elite gosta de passear e do direito de ir e vir, mas acha que rolezinho
no seu shopping particular é problema grave de segurança pública.
A
elite comprou o livro de um francês, um tal Piketty, intitulado "O
Capital no Século 21". Não gostou. Achou que era só sobre dinheiro, até
descobrir que o principal assunto era a desigualdade.
A pior
parte do livro é aquela que mostra que as 85 pessoas mais ricas do mundo
controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. Ou
seja, 85 bacanas têm o dinheiro que 3,5 bilhões de pessoas precisariam
desembolsar para conseguir juntar.
A elite não gostou da
brincadeira de que essas 85 pessoas mais ricas do mundo caberiam em um
daqueles ônibus londrinos de dois andares.
Discordou peremptoriamente e por uma razão muito simples: elite não anda de ônibus, nem se for no andar de cima.
Se você tem menos de 25 anos, talvez não se lembre que a Petrobras, hoje uma das 10 maiores petroleiras do mundo, quase se tornou Petrobrax
em 2001, durante a gestão do então presidente Fernando Henrique
Cardoso. A ideia do governo do PSDB era mudar a marca da empresa para
Petrobrax, nome escolhido por uma agência de publicidade – contratada SEM licitação.
A
desculpa à época era de que com o novo nome o processo de
internacionalização seria facilitado. Essa demanda criada sem
necessidade pelos envolvidos – afinal, a Petrobras é internacional hoje
sem mudança de nome – custaria, caso implementada, mais de 50 milhões aos cofres públicos.
Tem mais um detalhe: a Petrobras foi uma das empresas estatais
que não foi completamente vendida pela ~gestão~ tucana graças à
resistência da categoria profissional ligada a ela (no caso, os
petroleiros), e de setores da sociedade.
No entanto, em 1997 o governo de FHC promulgou a Lei 9.478/97
e abriu o capital da empresa para investidores estrangeiros. Isso
reduziu a participação acionária do Estado. Na prática, mais pessoas –
inclusive estrangeiras – passaram a dividir os lucros da empresa sem que
para isso fizessem investimento direto na Petrobras.
Além disso,
com a entrada da empresa na Bolsa de Valores de Nova Iorque, tornou-se
obrigação submeter as decisões internas da empresa às autoridades
americanas, por conta da Lei estadunidense Sarbanes-Oxley (SOX).
Outra
novidade do governo tucano foi a implementação, na Petrobras, do modelo
de exploração por concessão. Com a lei de FHC, o petróleo e o gás
passaram a ser propriedade da empresa privada que os explora. Sim,
amigos do Muda Mais, é isso mesmo. FHC conseguiu dar conta de parte da
empreitada iniciada com a mudança do nome da empresa de Petrobras pra
PetrobraX, pois, por esse regime de exploração, o petróleo só pertence à
União antes de sua exploração, ou seja, quando ainda não tem utilidade
nem valor para o Estado.
Conforme consta no texto Uma análise comparativa entre os modelos de concessão e de partilha do setor petrolífero,
de 1953 a 1997, todos os segmentos de atividades de exploração e
produção de petróleo no Brasil foram exercidos pela estatal, por meio de
“monopólio concedido pelo artigo 177 da Constituição Federal”. Com a
lei de 1997 foi implementado o modelo de exploração por concessão, como
já comentamos.
Já o regime de exploração que a Petrobras vem aplicando atualmente para o pré-sal prevê o contrato de partilha de produção:
a propriedade do petróleo extraído é exclusiva do Estado, em contraste
com a propriedade exclusiva do concessionário, no caso da concessão.
Cabe ao contratante explorar e extrair o petróleo, às suas expensas, em
troca de uma parte do petróleo extraído. As reservas não extraídas
permanecem propriedade do Estado.
Então, vale lembrar que o
projeto de mudar o nome da Petrobras para PetrobraX naufragou, apesar de
todos os gastos empregados na ideia absurda. E,se naquela época a
empresa lucrava menos de R$ 10 bilhões por ano, hoje esse valor ultrapassa R$ 5,4 bilhões por TRIMESTRE. É sempre bom lembrar também que a Petrobras foi, sozinha, responsável pelo ressurgimento da indústria naval no Brasil.
O PiG e seus merválicos pigânicos (*) se
rejubilam com a decisão do Tribunal do PFL de Contas de condenar
diretores da Petrobras pela compra – que foi um bom negócio, a seu tempo – da refinaria de Pasadena.
Clique aqui para ler a entrevista que Sergio Gabrielli concedeu ao Conversa Afiada.
Como se sabe, a decisão do tribunal – último reduto do PFL – merece revisão em cortes menos partidárias.
O tribunal isentou Dilma e os outros membros do Conselho, como os
empresários Jorge Johannpeter, Claudio Haddad, e Fabio Barbosa, diretor
do detrito de maré baixa, de qualquer responsabilidade pela decisão.
Seria muito engraçado ver o pefelista-relator, José Jorge, ministro
da energia e co-autor do apagão do Governo (?) FHC, mandar invadir as
siderúrgicas do Johannpeter atrás de dinheiro… O PFL jamais ousaria …
José Jorge foi aquele que, num voto no Tribunal do PFL das Contas( TCU ), jurou dinamitar o projeto do trem-bala.
Sobre a Privataria Tucana, e a Operação Banqueiro, onde se demonstra que, sem Gilmar, não haveria Dantas, sobre essas peraltices o Tribunal PFL de Contas( TCU ) não abre o bico …
Por todas as (altas) rodas comenta-se que Armínio Fraga, o homem das
medias impopulares, seria o Ministro da Fazenda de Aécio Neves. Ainda bem que não será, porque o tucano não será eleito. Mas, de qualquer forma, é bom que os brasileiros saibam nas garras de quem essa turma quer colocar a economia brasileira. De alguém que, no mínimo, coopera com um banco internacional que especula com títulos públicos do nosso país. Banco que opera um “fundo abutre”, semelhante as estes que, com a
cooperação da Justiça dos Estados Unidos, está tentando quebrar a
Argentina. A acusação não é minha, ou de qualquer “blog sujo”. É informação publicada pelo jornal O Globo no domingo, em seu caderno de economia. “Grandes bancos estrangeiros como o Bank of America Merrill Lynch
e Goldman Sachs também já operam nesse mercado, aqui, há algum tempo.
Agora surgem mais competidores. A Gávea, criada pelo ex-presidente do
Banco Central Arminio Fraga e hoje controlada pelo JP Morgan, juntou-se à
Jus Finance para formar a Gávea Jus, especializada em comprar
recebíveis judiciais, entre eles precatórios em que a Fazenda Pública
foi condenada a pagar em dez anos.” O esquema é simples e terrível. Comprar com deságio (desconto) forte
sobre o valor e depois forçar o recebimento pelo valor de face, nem que
seja levando o Estado à bancarrota, como na Argentina. Pode-se argumentar que Fraga vendeu o controle da Gávea ao JP Morgan e
não posso dizer se ainda conserva participação societária. Mas participa da gestão da empresa, como está expressamente registrado no site da Gávea: “Em novembro de 2010, a Gávea anunciou a venda de participação
majoritária no seu capital para o J.P. Morgan Asset Management, braço
global de gestão de recursos do J.P. Morgan Chase & Co. O processo
de investimento que caracteriza a gestão de nossos fundos Multimercado e
de Private Equity continua a ser conduzido por Arminio Fraga Neto, Luiz
Henrique Fraga e equipes.” O aeroporto do Aécio é vôo rasteiro. O dos abutres é muito mais alto.
A
Rússia proibiu completamente os OGM; o primeiro ministro Dmitry
Medvedev advertiu: “se os norte-americanos gostam dos produtos OGM, que
os comam. Nós não precisamos deles; temos espaço e oportunidades
suficientes para produzir comida orgânica”. A China proibiu os OGM em
produtos alimentícios militares. A Itália acaba de promulgar uma lei, a
Campo Livre, que castiga com prisão de um a três anos e multa de 10 mil a
30 mil euros a semeadura de cultivos OGM. A ministra italiana da
Agricultura, Nunzia de Girolamo, assinalou em um comunicado: “Nossa
agricultura se baseia na biodiversidade e na qualidade, e devemos
continuar a elas sem aventuras que, sob o ponto de vista econômico, não
nos tornariam mais competitivos”.
Vandana Shiva(*)
Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti
A
Monsanto e seus amigos na indústria biotecnológica, seus lobistas e
seus representantes pagos nos meios de comunicação continuam
incentivando o controle monopólico dos alimentos no mundo mediante sua
oferta de sementes.
Esse império é construído
sobre argumentos falsos: que a Monsanto é a criadora/inventora da vida, e
portanto pode ser a proprietária das sementes através de patentes, e
que a vida pode ser produzida com engenharia e máquinas, como um iPhone.
Pela
ecologia e pela nova biologia sabemos que a vida é uma complexidade
organizada por si mesma: ela se constrói sozinha, e não é possível
manufatura-la. Isso se aplica também à produção de alimentos mediante a
nova ciência da agroecologia, a qual nos brinda com um conhecimento
científico mais profundo sobre os processos ecológicos a nível do solo,
as sementes vivas. As promessas da indústria biotecnológica – maiores
rendimentos, redução do uso de agrotóxicos e controle de ervas daninhas e
pragas – não se cumpriram. No mês passado, um fundo de investimentos
processou a DuPont em um bilhão de dólares por promover cultivos
resistentes a herbicidas sabendo que não poderiam controlar as ervas
daninhas, que por sua vez contribuíram para o surgimento de
“super-ervas-daninhas”.
Ao criar a propriedade das
sementes mediante patentes e direitos de propriedade intelectual, e
impô-la ao planeta através da Organização Mundial do Comércio, a
indústria biotecnológica estabeleceu um império monopólico sobre as
sementes e os alimentos. Além de reclamar a propriedade das sementes que
vende e cobrar royalities, em matérias de controles e equilíbrios sobre
a segurança a indústria biotecnológica destrói sistematicamente leis
nacionais e internacionais relativas à biosegurança, afirmando que “seus
produtos são como a natureza os criou”. É esquizofrenia ontológica!
A
biosegurança é a avaliação multidisciplinar do impacto da engenharia
genética sobre o ambiente, a saúde pública e as condições
sócioeconômicas. No âmbito internacional, a biosegurança é direito
internacional consagrado pelo Protocolo de Cartagena sobre Biosegurança.
Eu fui designada por um grupo de especialistas para elaborar a base do
programa ambiental das Nações Unidas, com a finalidade de por em vigor o
artigo 19.3 da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica
(CDB).
A Monsanto e seus amigos têm tentado
negar aos cidadãos o direito à alimentação saudável opondo-se ao artigo
19.3 desde a Cume da Terra no Riod e Janeiro, em 1992. Nestes dias, eles
tentam desmantelar as leis nacionais sobre biosegurança na Índia,
Paquistão, União Européia e em toda a África e América Latina. Nos
Estados Unidos, distorcem a Constituição ao entrar com demandas contra
governos estaduais que tem promulgado leis para etiquetar os alimentos
geneticamente modificados, alegando que o direito dos cidadãos de saber o
que consomem está abaixo do direito da indústria biotecnológica de
impor alimentos perigosos para os consumidores desinformados, o que
manejam como liberdade de expressão da empresa, como se esta fosse
pessoa física. Deslocam sua maquinaria de propaganda para atacar com
argumentos não científicos os pesquisadores que trabalham com
biosegurança, como Árpad Pusztai, Ignácio Chapela, Irina Ermakova, Eric
Séralini e eu.
Muitos jornalistas sem
conhecimentos científicos se alinharam como soldados nesse assalto
propagandístico. Homens brancos privilegiados, como Mark Lynas, Jon
Entine e Michael Specter, sem experiência prática em agricultura,
munidos somente com graus de bacharelado e vinculados a meios
controlados pelos consórcios são usados para solapar as verdadeiras
descobertas científicas sobre os impactos dos OGM em nossa saúde e
ecossistemas.
A indústria biotecnológica usa
seus títeres propagandistas para sustentar a falácia de que os OGM são a
solução para a fome no mundo. Essa negativa a um autêntico debate
científico sobre como os sistemas vivos evoluem é respaldada por um
assalto intensivo e maciço de propaganda, que incluem a utilização de
agências de inteligência como a Blackwater.
Em 2010, a Forbes citou-me como uma das sete mulheres mais poderosas do planeta, “por colocar as mulheres à frente e no centro da solução do assunto da segurança alimentar no mundo em desenvolvimento”.
Em 2014, o jornalista Jon Entine escreveu um artigo de opinião, no qual
sustentava que eu não tinha estudado física. Além de ter feito um
pós-graduação em física e realizado meu doutorado sobre os fundamentos
da teoria quântica, passei 40 anos estudando ecologia em granjas e
florestas da Índia, onde a natureza e os sábios camponeses foram meus
mestres. Essa é a base da minha experiência e agroecologia e segurança
alimentar.
A boa ciência e as tecnologias
aprovadas não necessitam propaganda, agências de inteligência e governos
corruptos para demonstrar fatos. Se os ataques infundados de um não
cientista a uma cientista de um país em desenvolvimento são um de seus
instrumentos de dar forma ao futuro, erraram completamente. Eles não se
dão conta da crescente indignação cidadã contra o monopólio da Monsanto.
Em
nações soberanas, onde o poder da Monsanto e de seus amigos é limitado,
o povo e os governos rechaçam seu monopólio e sua tecnologia
fracassada, mas a máquina de propaganda suprime essa notícia.
A
Rússia proibiu completamente os OGM; o primeiro ministro Dmitry
Medvedev advertiu: “se os norte-americanos gostam dos produtos OGM, que
os comam. Nós não precisamos deles; temos espaço e oportunidades
suficientes para produzir comida orgânica”. A China proibiu os OGM em
produtos alimentícios militares. A Itália acaba de promulgar uma lei, a
Campo Livre, que castiga com prisão de um a três anos e multa de 10 mil a
30 mil euros a semeadura de cultivos OGM. A ministra italiana da
Agricultura, Nunzia de Girolamo, assinalou em um comunicado: “Nossa
agricultura se baseia na biodiversidade e na qualidade, e devemos
continuar a elas sem aventuras que, sob o ponto de vista econômico, não
nos tornariam mais competitivos”.
As peças de propaganda na Forbes e no New Yorker
não podem deter o despertar de milhões de agricultores e consumidores
sobre os verdadeiros perigos dos organismos geneticamente modificados em
nossa comida, e as desvantagens e defeitos do sistema de alimentos
industriais que destrói o planeta e nossa saúde.
Bruna Borges e Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília
André Felipe - 19.out.2013/Folhapress
Sueli
Dumont, de Jaboatão dos Guararapes (PE), é beneficiária do Bolsa
Família; programa federal foi elogiado no relatório do Pnud sobre IDH
O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil subiu uma posição e
superou a média da América Latina e Caribe. Com isso, o país ocupa o 79º
lugar no ranking mundial com 187 países. O índice brasileiro é 0,744 --
a média da região é de 0,74 e a média mundial ficou em 0,702.
Os dados foram divulgados em relatório do Pnud (Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento) nesta quinta-feira (24) com base em
números referentes ao ano de 2013. A escala do IDH vai de 0 a 1 --
quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do país.
Neste
ano, houve mudança de metodologia e o Pnud atualizou todos os dados da
série histórica, desde 1980. Com base na nova forma de calcular o
índice, o IDH do Brasil referente ao ano de 2012 ficou em 0,742, que o
colocou em 80º no ranking mundial.
Com o índice divulgado hoje, o
Brasil está no grupo de países com desenvolvimento humano alto --
existem ainda faixas para "muito alto", "médio" e "baixo" -- e ocupa a
segunda posição na lista dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul). Com índice de 0,778, a Rússia ocupa a 54ª
posição no ranking e, no grupo, a Índia tem o menor IDH, com 0,586, e
está no 135º lugar.
Para se ter uma ideia, o IDH mais alto é o
da Noruega (0,944) pelo quinto ano consecutivo, e o pior desempenho de
desenvolvimento humano é do Níger (0,337). Dois países apresentam o
mesmo IDH que o Brasil: Geórgia (país que fica entre a Europa e a Ásia) e
por Granada (América Central).
Conforme o documento do Pnud, a
expectativa de vida dos brasileiros é de 73,9 anos; a média de
escolaridade entre os adultos é de 7,2 anos; a expectativa de tempo de
estudo é 15,2 anos; e a renda nacional per capita anual é de US$ 14.275
(cerca de R$ 31.697 com o câmbio atual).
Confira os resultados de todos os 187 países
Muito a ser feito
Para o representante do Pnud no Brasil Jorge Chediek, o Brasil tem
apresentado uma melhora "consistente em relação a mudanças estruturais".
Entre os itens que contribuíram para esse avanço, ele cita "a renda
subindo, o resultado de ações políticas, a restauração da democracia, a
estabilidade macroeconômica, a criação do SUS e a luta pela expansão da
educação, com a universalização".
Ele observa, porém, que ainda
há muito a ser feito no país. "O Brasil é muito desigual ainda, mesmo
que a desigualdade tenha sido reduzida nos últimos anos, por causa da
criação de empregos."
O relatório deste ano mostra que 38 países
subiram no ranking, 35 caíram e 114 mantiveram suas posições. Na região
que compreende América Latina e Caribe, houve cinco países que
melhoraram seu desempenho; nove pioraram e 19 ficaram na mesma
colocação.
Elogios ao Bolsa Família
O relatório do Pnud de 2014 propõe a discussão sobre a evolução e a
sustentabilidade do desenvolvimento humano alcançado pelos países até
aqui e nos próximos anos, reduzindo as vulnerabilidades do indivíduo e
construindo a resiliência, isto é, a capacidade da população de se
adaptar às crises.
Ao defender medidas para conseguir evoluir e
garantir o desenvolvimento humano, o relatório destaca o programa
federal Bolsa Família como um bom exemplo de política pública de curto
prazo.
Para o Pnud, o programa do governo federal, que completou
dez anos no ano passado, consegue fazer distribuição de renda de forma
rápida e eficaz em momentos de crise enquanto a infraestrutura social
necessária ainda não estiver disponível. Segundo o relatório, o
recebimento de recursos propicia a manutenção do desenvolvimento humano
alcançado pela população mais vulnerável.
Isto porque, quando
uma família é constantemente submetida a situações adversas, como uma
crise econômica ou aumento de preços, pode surgir uma situação de
vulnerabilidade, em que crianças podem ficar desnutridas ou serem
retiradas da escola para trabalhar, por exemplo. Com a transferência de
renda, fica mais possível garantir a nutrição e a escolaridade.
"Parte do sucesso desses programas ocorre porque eles são projetados
para proteger capacidades do indivíduo. Além disso, eles podem ser
rapidamente ampliados para mitigar as consequências ruins de uma nova
crise de curto prazo, como aconteceu com o aumento súbito do preço dos
alimentos, como ocorreu no Brasil após a crise de 2008", defende trecho
do relatório.
"Esses programas são o piso [base mínima] de
proteção social que a sociedade deve ter para promover a resiliência. E,
para diminuir a desigualdade, a solução não é reduzir os programas
sociais, mas melhorar a qualidade deles", explica Chediek, do Pnud.
BRASIL
- Milhares de turistas visitam o Cristo Redentor no Rio de Janeiro após
o fim da Copa do Mundo do Brasil. O país subiu uma posição no ranking
do IDH, empatando com a a Geórgia e com Granada na 79ª colocação. O
Brasil está entre os países de IDH considerado alto Leia maisMarcelo Fonseca/Parceiro/Agência Globo
Índices complementares
O Pnud também tem, desde 2010, indicadores complementares que explicam o
desenvolvimento humano nos países. Mas não é possível fazer uma
comparação histórica ainda, segundo o órgão.
De acordo com o
relatório, o IDH ajustado à desigualdade brasileiro é 0,542. Isto
significa que o Brasil cairia 16 posições no ranking – em um grupo de
145 países – porque este indicador considera em seu cálculo as
disparidades na população. O Pnud ressalta que a desigualdade no país
ainda é grande.
No indicador de desigualdade de gênero, o Brasil
ocupa a 85ª posição de um total de 149 países. Seu índice é 0,441 e
ficou acima da média da América Latina e Caribe, que é 0,416.
O
Brasil apresentou ainda uma taxa de 0,012 no indicador de pobreza
multidimensional. O relatório de 2014 possui estimativas para 91
países.
Saiba mais sobre o IDH
O que é?
O
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abrange atualmente 187 países e
serve para avaliar o desenvolvimento de um país e não apenas o seu
crescimento econômico. Ele foi criado em 1990, mas os cálculos foram
feitos retroativamente até 1980 para gerar uma série história mais longa
a fim de dar um panorama mais amplo da evolução de um país.Foto: Arte/UOL
Como é composto o índice?
O IDH leva em conta renda per capita, educação (média de anos de estudo e anos esperados de escolaridade) e expectativa de vidaFoto: Thinkstock
Por que a posição de alguns países mudou em relação à divulgação dos anos anteriores?
Houve
uma mudança na metodologia e, por essa razão, foi preciso recalcular,
com base nos novos critérios, os índices divulgados anteriormente para
que eles pudessem ser comparadosFoto: Shutterstock
O que mudou na metodologia?
Foram
estipulados limites máximo e mínimo para cada indicador (85 anos para
expectativa de vida, 15 anos para a média de anos de estudo, 18 anos
para a expectativa de escolaridade e 75 mil dólares de renda per
capita). Houve mudança também na forma como os subíndices de educação
são agregadosFoto: Junior Lago/UOL
Por que a metodologia mudou?
Havia
críticas de que o IDH não dependia apenas das realizações do próprio
país. Desse modo, os países em desenvolvimento estariam sendo
"penalizados" por ainda estarem com as melhorias em andamento. Com a
mudança, o Pnud passou a considerar com mesmo peso a expectativa de
escolaridade e os anos de estudoFoto: Arte/UOL
Fonte: Fonte: Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
No
Brasil, durante os 12 anos dos governos Lula e Dilma, a inflação se
manteve dentro da meta. Isso foi feito com aumento real de salário
mínimo, crescimento do mercado interno e uma taxa de desemprego menor
que muito países europeus. Como disse Lula ontem, “É muito fácil
controlar a inflação demitindo trabalhadores e arrochando salários”, mas
o compromisso dos governos Lula e Dilma tem sido o de controlar a
inflação melhorando a vida do trabalhador.
O IBGE divulgou
nesta terça-feira (22) que o IPCA-15 do mês de julho ficou em 0,17%,
número 0,3% menor que o índice de junho, que foi de 0,47%. O IPCA-15 é
visto pelo mercado como uma sinalização de como vai ficar a inflação e
baliza a opinião dos analistas. A diferença entre o IPCA e o IPCA-15 é a
época da coleta de dados, o IPCA-15 é medido do dia 12 do mês anterior
ao dia 14 do mês de referência.
No acumulado do ano (de janeiro até julho) o índice chega a 4,17%. Nos últimos 12 meses ele chega a 6,51%, número 0,01% acima da meta.
Todos os analistas afirmavam que o índice de julho ficaria na casa de
0,2 %, o que já pode ser considerado um ponto positivo. Sem contar que
podemos considerar esse recuo de junho para julho como uma acomodação
dos números, que ficaram alterados com a expectativa da Copa do Mundo.
Devemos
considerar que o período foi bastante atípico em termos de economia,
uma vez que, de 12 de junho a 13 de julho (exatamente no período da
medição), aconteceu a Copa, que gerou uma movimentação única em termos
de consumo e alta dos preços, uma vez que os empresários e comerciantes
se aproveitaram da maior demanda, inclusive de turistas estrangeiros.
Mas o movimento deve continuar sendo normalizado agora, com o fim do
evento. Ainda temos metade do ano para se poder analisar se houve ou não
estouro da meta.
Mas como era de se esperar, o foco das notícias
dos veículos tradicionais, como sempre, ficou no fato de que a meta
teria sido atingida e que a inflação estaria fora de controle.
As informações de que os transportes foram a principal causa da queda
em julho (de 0,50% em junho para – 0,85% em julho) e que a alimentação e
bebidas (de 0,21% para – 0,03% em julho) também impactaram o índice
para baixo em – 0,01 ponto são praticamente ignoradas pela imprensa.
Além
disso, se pegarmos de janeiro a julho, o acumulado chega a 4,17%. Para
atingir o teto de 6,5% teríamos que ter um índice na casa de 0,46% por
mês. E os analistas já preveem uma inflação para agosto
na casa de 0,2%. As perguntas que não saem da cabeça de nós do Muda
Mais são: por que sempre olhar para o lado negativo? Por que essa
campanha de sempre mostrar que a economia vai mal, mesmo quando existem
sinais de que as medidas econômicas estão dando resultado?
Agora vamos ver se a Folha está disposta mesmo a publicar denúncias
contra Aécio Neves, ou se está apenas preparando terreno para fazer
ataques a Dilma.
Se a postura do jornal for séria, ela deveria repercutir o que reproduziremos abaixo.
A Rede Brasil Atual acaba de publicar uma denúncia grave, que revela a
face cruel e predatória do patrimonialismo brasileiro, em que famílias
com influência política abocanham terras públicas para engordar sua
fortuna.
* Como a família de Aécio ficou dona de terras públicas em Minas Pai do senador registrou em seu nome uma área de 950 hectares
pertencente aos mineiros localizada numa das regiões mais pobres do
estado. Aécio governador entrou em conflito com Aécio herdeiro por Helena Sthephanowitz publicado 20/07/2014 11:52, na Rede Brasil Atual
Montezuma é um município mineiro no norte de Minas Gerais com um dos
mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado.
Deputados, governadores e senadores mineiros poderiam desenvolver boas
políticas públicas para elevar o desenvolvimento local, tais como
incentivar as pequenas propriedades rurais familiares. No entanto o
município é palco de uma triste história do patrimonialismo de
oligarquias políticas do Brasil.
Terras rurais em Montezuma que foram registradas pelo estado de Minas
como devolutas acabaram indo parar no patrimônio pessoal do senador
Aécio Neves (PSDB) após uma disputa judicial por usucapião da empresa
agropecuária de seu pai.
O fim desta história aparece com o patrimônio do senador engordando
na declaração de bens feita nas eleições de 2014 em relação à de 2010. O
segundo maior item de sua variação patrimonial foi no valor de R$
666.660,00 referente a cotas da empresa Perfil Agropecuária e Florestal
Ltda., herdadas de seu pai falecido.
Até aí estaria tudo bem. O problema é quando voltamos ao dia 2 maio
de 2000, quando se iniciou uma disputa para apropriar-se de terras
públicas, típica do coronelismo patrimonialista praticado nos rincões do
Brasil arcaico.
A Perfil Agropecuária e Florestal Ltda. pertencia a Aécio Ferreira da
Cunha, pai do senador tucano. A empresa entrou com processo de
usucapião para registrar a propriedade de vastos 950 hectares de terras
em Montezuma, em 2/5/2000. Já soa injusto a lei permitir que uma empresa
de um ex-deputado, que morava desde a década de 1960 no Rio de Janeiro,
ser tratada como se fosse de camponeses posseiros que adquirem o
direito ao usucapião por trabalharem e viverem na terra. O juizado da
comarca de Rio Pardo de Minas julgou a favor da empresa em 2001.
Na hora de a empresa registrar a fazenda no Cartório de Registro de
Imóveis competente, a área já estava registrada em nome do Estado de
Minas Gerais, como terras devolutas, em cumprimento a outra ordem
judicial anterior da Apelação Cível nº 86.106/4.
A partir daí houve longa disputa judicial, com o estado de Minas
recorrendo para ter as terras de volta. Desembargadores mineiros votaram
a favor da família de Aécio. Recursos chegaram até ao Supremo Tribunal
Federal (STF), o último arquivado em 2013, que também foi favorável ao
lado do tucano.
É preciso lembrar que em 2000 o atual senador Aécio Neves era
deputado federal pela quarta vez e deveria representar mais os
interesses públicos dos cidadãos de Minas do que seu próprio interesse
privado. De 2003 a 2010 foi governador de Minas. Presenciamos a
inusitada situação política de, na prática, o interesse do Aécio
herdeiro brigar na justiça com o de Aécio governador. O interesse
patrimonial privado do herdeiro falou mais alto do que o interesse
público da população que o cargo de governador deveria representar.
Uma gleba de 950 hectares de terras devolutas poderia ser a redenção
de famílias camponesas pobres de Montezuma, através da geração de renda
pela produção da agricultura familiar, em vez de apenas somar um pouco
mais ao já elevado patrimônio da oligarquia política dos Neves da Cunha.
Este caso explica muito das raízes da desigualdade passada de geração
para geração e da concentração das riquezas no Brasil nas mãos de
poucos. Muitas destas riquezas vindas de um processo de apropriação de
patrimônio público por mãos privadas, justamente pelas mãos de quem
deveria defender o interesse e o patrimônio público. Operação Grilo
O caso é outro e não aparece a família de Aécio Neves no meio das
acusações, mas sim órgãos do governo tucano de Minas e velhas práticas
de outras oligarquias políticas. Em 2011 a Operação Grilo prendeu nove
pessoas acusadas de comporem uma organização criminosa para fazer
grilagem de terras públicas justamente nesta região norte de Minas
Gerais. Toda a cúpula do Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais
(Iter-MG) foi afastada.
Segundo as investigações, o esquema contava com servidores públicos
do Iter/MG, funcionários de cartórios e servidores de prefeituras
mineiras, para fraudar a posse de terras devolutas.
O promotor Daniel Castro, de Rio Pardo de Minas, disse na época: “São
terras que pertencem ao estado de Minas Gerais e foram parar nas mãos
de particulares.”
*
As reproduções abaixo mostram a documentação que legitimou a posse de terras da União para a família Neves.
São Paulo, 18 de julho de
2014 – O pontapé inicial da campanha do ex-ministro Alexandre Padilha ao
governo do Estado de São Paulo foi dado nesta sexta-feira, 18, em
caminhada pelo centro de São Paulo que contou com a presença de
lideranças políticas da aliança Para Mudar de Verdade (PT, PR e PCdoB) e
da militância. A concentração aconteceu na Praça do Patriarca. Padilha
cumprimentou os militantes, tirou fotos e ouviu declarações de apoio. Ao
lado do ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, do
senador Eduardo Suplicy, do presidente estadual do PT, Emídio de Souza,
do vice Nivaldo Santana e de deputados federais e estaduais, o
candidato caminhou até a Praça da Sé, marco zero de São Paulo, onde
participou de um ato político, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, que reuniu mais de 5 mil militantes.
Padilha fez
questão de ressaltar as diferenças existentes entre as candidaturas que
disputam o governo do Estado. “De um lado estão aqueles que governam
este Estado há 20 anos; de outro, estão aqueles que governaram São Paulo
20 anos antes dos tucanos. Os dois grupos têm uma coisa em comum: para
eles, o movimento sindical tem que ser tratado com tiro, porrada e
bomba. Aqui, neste carro de som, estão aqueles que têm o verdadeiro
compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras do Estado de São
Paulo”, afirmou.
O candidato manifestou a disposição que tem para
disputar o governo paulista. “Eu estava esperando por este dia. Vamos
começar a conversar com as pessoas sobre os problemas do Estado de São
Paulo. Hoje começou a campanha de rua. Não haverá um lugar aonde a gente
não vá para conversar com a população sobre as nossas propostas. Quero
falar olho no olho, no coração de vocês: venham comigo, porque
estaremos juntos para ganhar as eleições. Faremos o Estado se
transformar no campeão da democracia, ampliando direitos a cada cidadão
que vive em São Paulo.”
O ex-presidente Lula fez menção às
pesquisas eleitorais. “Depois que a gente adquire a experiência que eu
adquiri, perdendo três eleições, você aprende que a pesquisa serve de
referência para nos dar direções. Em setembro de 1989, quando faltava um
mês para a eleição, eu tinha apenas 5,7% das intenções de voto e eu fui
para o segundo turno da disputa. Quem vai ser eleito governador é
aquele que apresentar a melhor proposta para a sociedade paulista”,
declarou. “Nada é mais importante do que cada homem e cada mulher
acreditar naquilo que o candidato fala. A Copa para o Padilha começa
agora e começa com conversas com o povo”, completou Lula.
Em meio
à crise hídrica que vive a população do Estado de São Paulo, o
ex-presidente lembrou que “há 20 anos os tucanos governam São Paulo e
agora nem água para beber eles estão garantindo ao povo paulista”.
Ao
encerrar o discurso, Lula manifestou o compromisso que terá com as
campanhas de Padilha e da presidenta Dilma Rousseff: “Nenhum de nós que
concorreu às eleições para o governo paulista tem a mesma competência
que Padilha tem para cuidar do Estado de São Paulo. A sua campanha,
junto com a da companheira Dilma, é prioridade na minha vida. Aquilo que
eu puder fazer para eleger Padilha e reeleger Dilma, podem estar certos
de que farei e irei me dedicar 24 horas por dia”.
Rindo à toa O “mensalão tucano” está morrendo Por Altamiro Borges, em seu blog
Aos poucos, todos os envolvidos no escândalo do “mensalão tucano” –
que a mídia insiste em chamar de “mensalão mineiro” – vão escapando de
qualquer possibilidade de punição. Diferente dos fuzilados no midiático
julgamento do “mensalão do PT”, nenhum deles deve ir para a cadeia.
Nesta semana, o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), outro réu no caso,
renunciou ao seu mandato como artifício para abortar a conclusão do seu
julgamento, em lenta tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele
alegou motivos de saúde, mas até a Folha denunciou, em editorial na
quinta-feira (17), a “nova manobra tucana”. Caberia perguntar por que o
jornal nunca deu manchete ou apurou seriamente este escândalo.
O diário da famiglia Frias – ativo porta-voz do tucanato – até lembra
que “Clésio repetiu a estratégia adotada pelo ex-deputado Eduardo
Azeredo (PSDB-MG), que abdicou de seu mandato em fevereiro. Abandonando a
função, eles deixam de figurar na lista das autoridades que, segundo a
Constituição, devem ser julgadas pelo STF.
O objetivo é transferir o processo para a primeira instância da
Justiça, onde o amplo repertório de recursos permite que a análise do
caso se estenda. Faz parte desse cálculo a expectativa de eventual
prescrição dos crimes”. Em outras palavras, os envolvidos no milionário
esquema de Caixa-2 do PSDB de Minas Gerais vão escapando de qualquer
punição.
O empresário do ramo de transporte Clésio Andrade foi vice-governador
de 2003 a 2006, na gestão de Aécio Neves. Na época, ele era filiado ao
PFL – atual DEM. Antes de chegar ao governo, ele se tornou sócio da
agência de publicidade de Marcos Valério.
“Essa associação tornou-se peça central da engrenagem do mensalão
tucano, que, segundo a Procuradoria-Geral da República, envolveu
empréstimos fraudulentos, lavagem de dinheiro e desvio de verbas
estatais com vistas a financiar a campanha de Eduardo Azeredo ao governo
de Minas, em 1998”, explica a Folha. O jornal apenas deixou de informar
que o esquema também bancou as campanhas de Aécio Neves e FHC, segundo
confissão de Eduardo Azeredo.
O mensalão tucano é considerado o precursor do mensalão petista, a
partir da engrenagem montada pelas agências de publicidade de Marcos
Valério. Até hoje nada foi apurado com rigor. O Poder Judiciário,
conhecido por seus vínculos com o tucanato, posterga o julgamento do
caso.
Já a mídia privada blinda os tucanos envolvidos. Eles não aparecem
nas manchetes dos jornalões, não merecem as críticas ácidas dos
colunistas da tevê e nem são alvos da caçada implacável do tal
“jornalismo investigativo” – sempre tão seletivo nas suas pautas. Graças
a estas cumplicidades, todos os envolvidos no “mensalão tucano” ficam
impunes. Clésio Andrade era o único réu do caso que ainda tinha o
processo tramitando no STF.
Algumas
pessoas estão eufóricas com a informação, divulgada hoje pela Folha, de
que na gestão de Aécio foi construído um aeroporto com dinheiro do
contribuinte numa propriedade de um tio dele.
14 milhões de reais foram gastos na obra, segundo a Folha.
A euforia que me chama a atenção não é a dos petistas. Esta é previsível, dadas as circunstâncias.
É a de pessoas para as quais o furo da Folha é a prova definitiva de
que a mídia não favorece o PSDB e nem, muito menos, se esmera nas
denúncias contra o PT.
Cada um fique com sua crença, mas quem acredita nisso – na
demonstração de neutralidade apartidária por conta do aeroporto
denunciado – acredita em tudo, conforme disse Wellington.
Observe.
Primeiro, entra aí uma espécie de cota da Folha de notícias negativas
para o PSDB. Assim como tem uma cota de colunistas de pensamento
independente – para cada Janio de Freitas há vários Magnollis – a Folha
tem também uma para notícias.
Faz parte do esforço em manter de pé o slogan com o qual ela
conquistou, no passado, a liderança entre os jornais: aquele que afirma
que a Folha não tem rabo preso com ninguém.
Muito mais por razões de marketing do que propriamente por razões
jornalísticas, a Folha é entre as publicações das grandes companhias
jornalísticas a que mais parece se preocupar com a imagem de
imparcialidade.
É por isso que, de vez em quando, você vai ler lá coisas como o
aeroporto de Minas. É uma característica da Folha, e só da Folha.
Saia da árvores e analise a floresta.
A grande diferença entre uma denúncia contra o PT e uma denúncia
contra o PSDB está na repercussão dada pelas demais empresas de
jornalismo.
Num caso, quando a vítima das acusações é o PSDB, o assunto vai
morrendo, à falta de interesse de jornais e revistas. No outro, quando
contra o muro está o PT, são manchetes incessantes, e desdobramentos se
multiplicam.
Compare a cobertura dada, algum tempo atrás, à Petrobras, depois da
compra de uma refinaria em Pasadena, com o noticiário relativo ao
escândalo das propinas do metrô de São Paulo.
O episódio que melhor mostra a distinção no tratamento de temas
assemelhados diz respeito à compra de votos no Congresso para que fosse
aprovada a emenda que permitia a reeleição de FHC.
Como agora, a denúncia partiu da Folha.
Como o Jornal Nacional, por exemplo, repercutiu a compra? Nos últimos
anos, o JN se habituou a pegar denúncias anti-PT da Veja e, na edição
de sábado, dá-las com extremo alarido.
Eram amplificados assim, com o mesmo expediente, ataques ao governo
petista. O espaço dado pelo JN às acusações levava depois, durante a
semana, o resto da mídia – jornais, sobretudo – a se engajar na
exploração dos “furos” da Veja.
Este comportamento padrão, repetido metodicamente ao longo de tanto
tempo, acabou minando a credibilidade da grande mídia perante a parcela
mais esclarecida do público – e não apenas entre petistas.
Alguns detalhes mudaram: a radicalização progressiva da Veja levou os
editores do Jornal Nacional a tomarem mais cuidado com o noticiário da
revista. Acabou a repetição mecânica.
Mas o processo, em si, continua o mesmo. Notícia ruim contra o PT é,
para a mídia, notícia boa. Notícia ruim contra o PSDB é, para a mídia,
notícia ruim.
O aeroporto de Aécio, por tudo isso, rapidamente vai sumir do noticiário da mídia nesta semana.
Não porque o assunto não seja importante, mas pelas preferências
ideológicas e partidárias das grandes empresas de jornalismo, para as
quais notícia é algo definitivamente subjetivo.
Avião
presidencial de Vladimir Putin, que retornava de cúpula do BRICS no
Brasil, fazia praticamente a mesma rota da aeronave que caiu e matou 295
pessoas. A Ucrânia tentou matar o presidente russo?
Comparação entre as aeronaves
Kremlin: Ucrânia pode ter tentado assassinar Vladimir Putin (Pragmatismo Político)
O
site Russia Today, principal fontes de notícias sobre a Rússia sem viés
pró-Ocidente, acaba de publicar uma notícia bombástica: a de que o
governo ucraniano pode ter tentado assassinar o presidente russo
Vladimir Putin, que regressava da cúpula dos BRICs e fazia praticamente a
mesma rota do voo MH17, da Malaysia Airlines, que foi abatido por um
míssil no espaço aéreo ucraniano, numa tragédia que matou 295 pessoas.
Caso a suspeita se confirme, o mundo estará à beira de um grande
conflito envolvendo a segunda maior potência nuclear do planeta.
A
reportagem traz a declaração de uma fonte da Aviação da Rússia que
pediu para não ser identificada. “Posso dizer que o avião presidencial e
o Boeing de Malaysia Airlines cruzaram o mesmo ponto e o mesmo
corredor. Isto ocorreu perto de Varsóvia a uma altitude de 10.100
metros. O avião presidencial estava no local às 16h21 (hora local) e o
avião da Malaysia Airlines às 15h44 (hora local)”, declarou. A fonte
acrescentou que “as aeronaves se parecem, as dimensões também são muito
similares e a cor do avião, a uma distância suficientemente grande,
também é quase idêntica”.
Leia, abaixo, a notícia que acaba de ser publicada pela agência RT e traduzida por Pragmatismo Político:
Avião de Vladimir Putin pode ter sido alvo de míssil ucraniano
Antes
de cair e matar 295 pessoas, o voo MH17 da Malaysia Airlines estava
fazendo praticamente a mesma rota do avião presidencial de Vladimir
Putin.
“Posso afirmar que o avião do presidente
russo e o boeing da Malaysia Airlines seguiam a mesma rota e com uma
altitude também equivalente: 10.100 metros. O avião de Vladimir Putin
passou pelo mesmo local as 16:21, horário de Moscou, enquanto a aeronave
da Malaysia Airlines caiu minutos antes, as 15:44”, revelou uma fonte
do sistema de aviação russo.
“As aeronaves se parecem muito. Dimensões, cores e modelo são praticamente idênticos a determinada distância”, completou.
O desastre
Cidadãos
dos Estados Unidos, da Holanda, da Alemanha e da França estão entre as
vítimas da queda do voo MH 17, da Malaysia Airlines, que caiu na
fronteira entre a Rússia e a Ucrânia nesta quinta-feira (17). Segundo o
governo da Ucrânia, todos a bordo morreram.
Repórteres
que estão no local da tragédia disseram ter encontrado passaportes de
todas essas nacionalidades. A aeronave ia de Amsterdã (Holanda) para
Kuala Lumpur (Malásia) com 295 pessoas. O avião levava 280 passageiros,
desses 80 eram crianças, além de 15 tripulantes. A lista dos passageiros
ainda não foi divulgada.
A agência de notícias
“Reuters” informou que 23 norte-americanos estavam entre os passageiros.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, porém,
afirmou que “não se pode confirmar ainda se havia cidadãos americanos a
bordo”. Ele afirmou que o governo está trabalhando com o as autoridades
ucranianas para conseguir mais informações.