segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O Brasil que fique esperto no Atlântico Sul
Bem-vindos ao OTANstão
Pepe Escobar, Asia Times Online
É hora de ter medo. Muito medo. Na Cúpula de Lisboa, na 6ª-feira e no sábado (19-20/11/2010), uma aliança militar gargantuesca, tão altissonante quanto inócua, que se autodescreve como “aliança militar de estados democráticos europeus e EUA”, e que, de fato, é relíquia da Guerra Fria, assentada em seu trono adornado de ogivas atômicas, especula sobre o que se passa no mundo.
Nesse cenário que se pode dizer “freudiano”, o convidado de honra é o presidente dos EUA Barack Obama, que imperialmente preside a reunião dos demais 27 aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os quais todos repetem reverentes os compromissos e votos a propósito de tudo, do escudo europeu de defesa antimísseis (inserido no escudo global dos EUA), à manutenção de centenas de bombas atômicas norte-americanas armazenadas na Europa e ao armamento turbinado para guerra cibernética (submetido ao Cyber Comando do Pentágono) e do aparato para guerra-relâmpago com navios-patrulha distribuídos em todos os mares do globo, à disseminação de bases militares para cobrir nós estratégicos em todo o Oleodutostão [da Ásia Central].
Em resumo: o cardápio em Lisboa é filé de Pentágono ao molho bernês. Indigestão garantida – e sem dinheiro (por causa dos euros sobrevalorizados) de volta.
“Quanto menos, melhor” não é conosco
Em Lisboa, a OTAN trabalha sobre um novo “Conceito Estratégico” – espécie de carta de intenções que é revista a cada dez anos. É a primeira revisão desde 1999 – e consequentemente é o mapa da mina para esse início de século 21. O secretário-geral da OTAN Anders Fogh Rasmussen tem falado do novo “Conceito Estratégico” como “mais efetivo (porque trata do escudo antimísseis e da ciberdefesa); “mais engajado” (por causa de um enxame de “parceiros” globais); e “mais eficiente (porque se preveem 4.000 demissões na estrutura de comando).
Em http://www.OTAN.int/cps/en/OTANlive/what_is_OTAN.htm – com coro de vozes estridentes made in China – pode-se ver como a OTAN adora por-se em atmosfera de “A Noviça (“hills are alive with the sound of music”) Rebelde”. E em http://www.OTAN.int/cps/en/OTANlive/topics_56626.htm pode-se ver o que “Conceito Estratégico” finge que significa*.
Acrescentem-se os gorjeios de Rasmussen, e chega-se ao que se perdeu na tradução: a OTAN de fato está sendo rebatizada; agora é o Transformer Robocop último tipo. A ONU, coitada, poderá brincar no tanque de areia.
A OTAN, há muito tempo, já saiu da Europa Ocidental; lugar pequeno, provinciano. Já está metida na Ásia Central e do Sul, tanto quanto no Nordeste da África, interligada com o Comando da África (AFRICOM) do Pentágono (só cinco países – Eritreia, Líbia, República Árabe Democrática do Sahrawi, Sudão e Zimbabue – não mantêm laços com o Pentágono). Muito além dos campos de morticínio do Afeganistão, a OTAN vai-se rapidamente convertendo em “base de operações avançadas tamanho monstro” para policiar o Oriente Médio, a África, a Ásia e até o Atlântico Sul, onde o Pentágono já reativou a IV Frota. Dado que o golpe militar de 2009 em Honduras deu certo e o de 2010 no Equador não deu, os brasileiros estão bem espertos, atentos ao que o Pentágono e a OTAN planejam para as Américas do Sul e Central; e não há dúvidas de que não se entregarão sem luta.
Nota-estraga-suspense: Os norte-americanos ainda não suficientemente anestesiados pelo absurdo teatro de porno-scanner e bolinação federal a que se assiste nos aeroportos, e os europeus feridos e empobrecidos pela crise, não deixarão de observar que essa tal de “OTAN mais efetiva, mais engajada e mais eficiente” está sendo espetacularmente derrotada na Ásia Central, nesse preciso momento em que cá conversamos.
Star Wars à moda Gucci
Seja como for, é possível que a Europa, em breve, possa comemorar ferozmente seu escudo antimísseis do tamanho do continente, que protegerá o pessoal, de Ibiza a Innsbruck e de Munique a Monte Carlo, contra ataques daqueles horríveis (além de inexistentes) mísseis iranianos, tanto quando dos ataques dos existentes (ridículos, capengas) e efetivos mísseis Taepodong-2 de Piongueangue. Uma espécie de escudo Star Wars à moda Gucci.
O escudo Gucci será devidamente acompanhado de ogivas Dior – como as 200-350 bombas atômicas dos EUA armazenadas nas bases da OTAN na Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália e Turquia (além das 300 bombas atômicas que pertencem à França e das 225 britânicas). De fato, esses são os cinco países que acolhem “bombas residentes” e que lançarão as meninas em qualquer eventualidade, o que converte em piada o Tratado de Não-proliferação Nuclear, o qual, aliás, o Irã assinou. Na última linha, lê-se: a OTAN pode exibir portfólio com 900 armas nucleares na Europa. É como comparar o Real Madrid ou o Bayern de Munich com um time da terceira divisão da Coreia do Norte.
Mês passado, a secretária de Estado Hillary Clinton não quis saber de amassos na sua echarpe Hermes e levantou a bola: “A OTAN deve permanecer como aliança nuclear enquanto houver armas nucleares.” E Rasmussen encheu o pé, direto para o fundo do gol: “o sistema de defesa antimísseis é complemento da contenção nuclear, não seu substituto.”
Alguém tem algo a reclamar de toda essa paranóia nuclear? Não, de fato. Rasmussen acerta ao liberar os boatos sobre “parceiros” da OTAN; é praticamente todo mundo na vizinhança (75 nações, quase 40% da ONU), dos ‘stões’ da Ásia Central, na Parceria pela Paz para os Orientais, na Istanbul Cooperation Initiative; dos “países de contato” no Leste da Ásia/Pacífico Sul à Troop Contributing Nations for International Security Assistance Force no Afeganistão (o que inclui a Mongólia e Tonga). Para não falar do absolutamente importante Conselho OTAN-Rússia (o presidente russo Dmitry Medvedev é o primeiro líder russo a participar de reunião de cúpula da OTAN, em toda a história da instituição). Nem é preciso dizer que todos esses “parceiros” também estão em Lisboa.
A vez da Turquia. Quem chuta?
A OTAN foi criada ante a urgência de defender a Europa Ocidental contra a União Soviética. Mas é perda de tempo esperar que a Cúpula de Lisboa explique o que, diabos, a OTAN faz hoje na Ásia Central e no Afeganistão. Mais seguro insistir em que não passa de enredo de Tom & Jerry a evidência de que a OTAN está hoje ainda muito mais aterrorizada, morta de medo do exército de farrapos dos Talibã, do que antes, quando morria de medo do Exército Vermelho.
Seja como for, o que interessa é que tudo é infinito. Nem só Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA, e o general David Petraeus, comandante da coalizão militar no Afeganistão, fazem lobby a favor da Guerra Infinita. O chefe da Defesa britânica, general Sir David Richards acaba de dizer ao Daily Mail que “a OTAN agora tem de planejar-se para a função de, nos próximos 30-40 anos, auxiliar as forças armadas afegãs contra os guerrilheiros.” É a Operação “Liberdade Duradoura” [ing. Enduring Freedom = Guerra do Afeganistão].
Mas o Afeganistão, o atoleiro infinito, é só aperitivo. A OTAN está sendo subrepticiamente vendida à opinião pública mundial como se tivesse pleno direito de implantar o inferno onde bem entenda – e deixará na poeira o Conselho de Segurança da ONU, expandido ou não expandido.
Há precedentes – como no ilegal, máfia-narcotraficante estado do Kosovo, não por acaso incluído hoje no OTANstão.
Pode-se argumentar convincentemente que onde o Pentágono/OTAN “intervieram” – dos Bálcãs ao Afeganistão e ao Iraque – a desgraça alcançou proporções de “Crepúsculo dos Deuses” wagneriano. E daí? Por que se preocupar? O Pentágono já plantou Camp Bondsteel – a maior base militar dos EUA na Europa – exatamente no Kosovo; e também já enterrou preciosas mega-nozes na região do Império das Bases, no Afeganistão e no Iraque.
Os desmancha-prazeres no filme blockbuster “O Bravo Novo Mundo” de Pentágono/OTAN são, sem dúvida, a Rússia, a China, o Irã, a Coreia do Norte e Myanmar. Nenhum deles deixar-se-á intimidar facilmente. A liderança russa é esperta demais para ser facilmente cooptada – apesar do incansável trabalho do Pentágono/OTAN para cercar todas as fronteiras russas com bases de defesa antimísseis.
E a OTAN festeja sua “parceria” com a Rússia. Mas um novo elemento surgiu no jogo, para forçar – ou não – a Rússia e entrar no jogo do escudo de defesa antimísseis (depois de a decisão de afastar-se já estar tomada.) Podemos chamar de “a vez da Turquia”.
O golpe do Pentágono/OTAN, de construir um sistema multi-camadas de defesa antimísseis para “proteger a Europa” contra os inexistentes mísseis nucleares iranianos até conseguiria calar a oposição, se já não tivesse atraído a atenção dos suspeitos de sempre no leste da Europa – Polônia, República Tcheca, Bulgaria e Romênia. O caso da Turquia é muito mais complicado.
Segundo a imprensa turca, Ancara só aceitará algum sistema de defesa antimísseis se o sistema for da OTAN, não dos EUA; se cobrir todos os 27 países da OTAN; e se a OTAN não puser a Turquia na posição inviável de estado-linha-de-frente, como aconteceu durante a Guerra Fria contra a União Soviética.
Mas esse terceiro item das ressalvas turcas é exatamente o que o Pentágono planejou fazer – especialmente agora que o eixo Turquia-Irã-Síria é uma realidade, para não falar da entente cordiale que se desenvolve hoje entre Ancara e Moscou. Pelo sim, pelo não, o ministro do Exterior turco Ahmet Davutoglu já disse bem claramente: “Não queremos nem psicologia nem zona de Guerra Fria à nossa volta.”
Trata-se precisamente de remix da Guerra Fria, e a Turquia corre o risco de ser reduzida a simples peão no jogo deles. Beneficiário do novo Conceito Estratégico da OTAN, o objetivo final do escudo global antimísseis dos EUA – complementado pela guerra cibernética e pela Rede Global de Rápida Intervenção – é cercar o coração da Eurásia e isolar, quem mais seria se não, Rússia, Irã e China. Quando dizem paz, dizem guerra. Bem-vindos à bolha do prazer. Bem-vindos ao OTANstão.
post do patria latina
Brasil/Irã. A energia nuclear os une
Saiu no Estadão:
Brasil planeja frota nuclear
Marinha brasileira vai ter seis submarinos atômicos e mais 20 de propulsão convencional até 2047
Roberto Godoy – O Estado de S.Paulo
A Marinha do Brasil está planejando uma formidável frota de seis submarinos nucleares e mais 20 convencionais, 15 novos e cinco revitalizados. Com seus torpedos e mísseis, será a mais poderosa força dissuasória do continente nos termos do Paemb, o Plano de Articulação e Equipamento da Marinha. A meta é de longo prazo, só será atingida em 2047. O custo estimado de cada navio de propulsão atômica é de € 550 milhões. O primeiro deles, incluído no ProSub, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, já em andamento, sairá por € 2 bilhões, valor composto pelos custos de transferência de tecnologia e outras capacidades (como a de projetar os navios) por parte do estaleiro francês DCNS. As outras unidades estão cotadas apenas pelo preço de construção, no novo estaleiro de Itaguaí, no litoral sul do Rio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita as obras em dezembro
…
Qual é a importância da Força de Submarinos pretendida pela Marinha do Brasil?
A defesa do pré-sal, a necessidade da segurança marítima e a nova posição do Brasil no contexto internacional são fatores, que reforçam a necessidade de priorizar a estratégia da dissuasão. O País possui uma linha de costa com cerca de 8.500 km de extensão, ao longo da qual se estendem nossas águas jurisdicionais, totalizando uma área aproximada de 4,5 milhões de Km². No espaço junto à costa concentra-se a maioria das capitais de Estados, complexos industriais e portos marítimos; encontram-se distribuídas centenas de plataformas para exploração submarina, sendo que mais de 90% do nosso petróleo (cerca de dois milhões de barris por dia são extraídos do mar) bem como 95% do comércio exterior brasileiro – cerca de US$ 300 bilhões anualmente – são transportados por via marítima.
Por que a opção pelo navio nuclear?
Nos submarinos destaca-se a capacidade de ocultação. No caso de um submarino de ataque com propulsão nuclear, a ameaça a um potencial agressor se torna maior, em função da operação em maior profundidade; manutenção de elevada velocidade por tempo indeterminado, possibilitando patrulhar extensas áreas geográficas; e, claro, a capacidade de realizar ataques a múltiplos alvos, em vista de sua grande mobilidade, discrição e poder de fogo.
…
São Paulo está fora da corrida pela instalação de novas centrais nucleares no País. Estudos da estatal Eletronuclear sobre a localização das próximas quatro usinas, programadas para entrar em funcionamento até 2030, levantaram obstáculos técnicos à construção de instalação nuclear no Estado.
Grandes concentrações populacionais, pouca disponibilidade de água e, paradoxalmente, a presença de grande reservatório subterrâneo, o aquífero Guarani, são quesitos que desaconselham o funcionamento de uma central nuclear em São Paulo, de acordo com avaliação realizada pela estatal, a que o Estado teve acesso.
As duas próximas usinas nucleares brasileiras serão construídas no Nordeste, às margens do rio São Francisco. A localização exata depende de uma decisão política do futuro governo Dilma Rousseff. Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe disputam a central.
Com a saída de São Paulo do páreo, a Eletronuclear detalha estudos de outras localidades no Sudeste e não está descartada a ampliação das instalações de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, cidade que já abriga as duas primeiras usinas brasileiras.
Angra 3 teve as obras retomadas recentemente, depois de mais de 20 anos de paralisação.

O infinito provincianismo do PiG (*) não consegue perceber o tamanho do Brasil.
Três países do mundo têm, ao mesmo tempo, urânio e capacidade de enriquecer urânio: o Brasil, os Estados Unidos e a Rússia.
Breve, cessará a hegemonia do petróleo e o mundo vai rodar à base de energia nuclear, muito mais limpa.
(Lamentavelmente, a Bláblárina, que é contra Darwin e a pesquisa com célula-tronco, ainda não entendeu o alcance de energia nuclear.)
Além do mais, o Brasil tem o pré-sal.
Nos últimos trinta anos, o pré-sal é, no mundo, a maior descoberta de petróleo – feita durante o Governo Lula, que sepultou a Petrobrax.
Aqui no Brasil, o PiG (*) e seus colonistas (**) consideram de mau tom usar expressão que é corriqueira nos Estados Unidos e em qualquer país que se leve a sério.
É a expressão “interesse nacional”.
O interesse nacional impõe a “saída nuclear”.
Para defender a exploração do pré-sal, por exemplo.
E, se um dia, a presidente americana Sarah Palin decidir entrar nas águas territoriais brasileiras em frente a Macaé, para chupar o pré-sal por baixo d’água ?
Quem vai defender o “interesse nacional” brasileiro ?
O Otavinho ?
O Ali Kamel ?
A urubóloga ?
O Fernando Henrique ?
O Padim Pade Cerra ?, agora abalado com a revolucionária decisão do Papa de deixar prostituto masculino usar camisinha,
O que dirá a estadista chileno-brasileira Monica Serra sobre essa Bolsa Família para a Johnson&Johnson ?
Se você, amigo navegante, fizer uma lista com os três maiores países do mundo em área; outra com os três maiores países do mundo em população; e outra com os três maiores países do mundo em PIB.
Sabe quais os únicos países que estarão em todas as três listas, amigo navegante ?
Estados Unidos, China e Brasil.
O Fernando Henrique corta os pulsos quando ouve isso.
O Brasil joga na “primeira liga”.
Lula tirou o Brasil da segundona.
Pois é, amigo navegante.
O Brasil não vota contra o Irã na ONU porque o Brasil pensa no “interesse nacional”.
Da mesma forma que os Estados Unidos na ONU passam a mão na cabeça dos assentamentos de Israel e no desrespeito aos direitos da mulher na Arábia Saudita.
Potência é assim.
O “interesse nacional” fala mais alto.
Em tempo: este ordinário blogueiro também é a favor da bomba atômica. Considera que Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso enfraqueceram o Brasil quando se alinharam com os Estados Unidos na questão da bomba. É o “complexo de vira-lata”.
Em tempo2: por que o Padim Pade Cerra criticou tanto a política brasileira para o Irã, na campanha ? Porque ele sabe que isso é do “interesse nacional” brasileiro e, não do interesse americano. A loucura do Padim Pade Cerra tem uma lógica: a dos Estados Unidos. A mesma que, segundo Gilmar Dantas (***), inspira Elio Gaspari.
Paulo Henrique Amorim
Dilma: Folha diria que Tiradentes traiu a Pátria
Extraído do site Amigos do Presidente Lula (aquele que a dra Sandra Cureau quis calar):
Folha e Globo mentem: havia uma guerra civil no Brasil durante a ditadura
Folha e Globo, seguidas de Veja e Estadão fizeram “reporcagens” a partir do processo da ditadura contra Dilma Rousseff no STM (Superior Tribunal Militar).
Processos como estes exigem do repórter e do editor um mínimo de conhecimento da história e visão crítica da época para não escrever bobagens, principalmente usando de má-fé como fizeram os jornais.
Ignorar a realidade da época é o mesmo que publicar uma reportagem sobre o processo de D. Maria, a Louca, contra Tiradentes, e endossar as acusações tiranas de que Tiradentes seria um “traidor infame”.
A má-fé dos dois jornais não está em publicar o conteúdo dos autos do STM, que pertencem à história, e podem ser estudados, para evitar novas tiranias, com a devida crítica (por exemplo, considerando sem valor, a princípio, informações obtidas sob tortura, sem que haja confirmação).
A má-fé está em confundir o leitor, principalmente àquele que não conhece o contexto da época, querendo atribuir caráter criminoso em ações de combate, de insurgência contra a tirania, de guerra de guerrilha (como tomada de armas do inimigo, expropriação à bancos), da mesma forma que a Corôa Portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes.
Como a mentira tem pernas curtas, é fácil desmascarar essa imprensa corrupta: se as ações rebeldes fossem crimes comuns, porque Dilma e seus companheiros eram julgados por um Tribunal Militar, e não pela justiça civil comum?
À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares, crimes de guerra. É a prova irrefutável de que a própria ditadura reconhecia haver uma guerra de guerrilha em curso, e que as ações da guerrilha eram de combate.
O Brasil viveu uma guerra civil durante a ditadura camuflada pela censura e pelo PIG
Não foi uma guerra civil ostensiva, foi guerra de guerrilha.
Guerrilha é quando um combate se trava entre forças desproporcionais. Sem poder bélico para enfrentar um exército regular, a guerrilha precisa ficar escondida, e só apontar a cabeça em ações típicas de emboscada e sabotagens (como tomada de armas em quartéis e de policiais, expropriação a bancos, ataques à alvos da ditadura), para depois se esconder de novo. A guerrilha não pode ter quartéis visíveis, nem campos de batalha previsíveis, senão é facilmente dizimada pela inferioridade numérica e bélica.
A guerrilha não visa necessariamente vencer na força bélica. Visa criar focos de resistência, inserindo o espírito de luta (mesmo não armado) e resistência na população, na nação.
Num país continental e urbano, como o Brasil, caso houvesse apoio popular, as ações armadas tenderiam a ser substituídas por greves e protestos de massa, criando um ambiente político tal, que faria o tirano bater em retirada do poder. Esse resultado acabou acontecendo, na abertura lenta e gradual, com as greves do ABC, com as manifestação das Direstas Já, culminando com a redemocratização.
Esse mesmo tipo de ação guerrilheira – com poderio bélico inferior, mas apoio popular – levou Nelson Mandela à democracia racial sul-africana e levou à criação da República da Irlanda (exceto a Irlanda do Norte, que ainda faz parte do Reino Unido).
No Brasil, a ditadura montou um conjunto de dispositivos para não deixar a guerrilha atingir seu principal objetivo: a organização e mobilização popular.
Para isso era preciso esconder que havia uma guerra civil legítima em curso contra a ditadura. Além da censura, era preciso demonizar na propaganda noticiosa os guerrilheiros como “criminosos”, para não despertarem empatia popular, não criar mártires, nem despertar admiração, nem ideais a serem seguidos.
Foi preciso fazer o mesmo com os guerrilheiros, que D. Maria, a louca, fez com Tiradentes e os demais inconfidentes.
E lá estavam as velhas conhecidas familias Marinho, Frias, Mesquita e Civita, da velha mídia, engajadas em demonizar os guerrilheiros, em entusiasmados editorais, colunas e na deturpação do noticiário. Hoje, coerentes com o passado em prol da ditadura, fazem o mesmo ao colocaram suas mãos sujas no processo de Dilma, vilipendiando a verdade.
Além do aparelho repressivo policial-militar e para-militar, a ditadura criou Atos Institucionais e inseriu na lei de segurança nacional, carta branca para prender e arrebentar qualquer um que insurgisse contra a ditadura, seja sem arma, seja com armas.
O Ato Institucional nº 6, transformou o STM (Supremo Tribunal Militar) em um tribunal de exceção, onde passaram a ser processados todos enquadrados na Lei de Segurança Nacional, inclusive os civis. Foi o reconhecimento pela ditadura de que estava travando uma guerra civil para se manter no poder.
Qualquer atividade civil de oposição de esquerda (ou que “ameaçasse” o regime), como críticas ao presidente e às autoridades, panfletagem, organização e reunião popular, greve, associação de funcionários “desautorizadas”, eram punidas, desde a prisão até a pena de morte, pela Lei de Segurança Nacional vigente na época, em processos na Justiça Militar.
Nesse contexto, de proibição à qualquer atividade real de oposição, é que só restou a resitência armada. Qualquer outra atividade de protesto que trabalhadores, estudantes e movimentos sociais fazem livremente hoje, com a maior naturalidade; qualquer coluna de jornal alternativo ou panfleto com críticas contundentes, dava pena de prisão na época. Até discussão de boteco ou na esquina, se alguém falasse mal do ditador ou da ditadura, ia em cana.
A guerrilha, por natureza, quase sempre acontece em movimentos de indenpência, de libertação nacional, ou contra ditaduras, quando não há liberdade de expressão, onde é proibido disputar o poder no voto livre. É a luta do oprimido contra o opressor.
Escalada da Ditadura levou à proliferação da luta armada
No Brasil, o golpe de 1964 não teve reação à altura, nem mesmo desarmada, por que foi uma ditadura implantada em etapas. Numa primeira hora, chegou a ser como um golpe pontual com “crise política e militar”. Centristas do PSD, consumado o afastamento de Jango, tentaram fazer um acerto com os militares para reconduzir à normalidade institucional.
A constituição dizia que, faltando menos de 2 anos para o fim do mandato, o Congresso Nacional elegeria o novo presidente. Em acordo, JK e todo o PSD apoioaram a eleição de Castelo Branco no Congresso Nacional, inclusive emprestando como vice um hábil articulador político do PSD (o mineiro José Maria Alckmin). A derrubada de Jango foi um golpe, mas, a rigor, a eleição de Castelo Branco, até ali, retomava o caminho constitucional. O acordo previa que Castelo cumpriria o período do mandato de Jango até o fim, como determinava a Constituição, seguraria os militares da chamada linha dura nos quartéis, e cumpriria o calandário eleitoral, havendo eleições diretas para presidente em 1965, como previa a ordem institucional.
Uma vez eleito, Castelo Branco descumpriu os acordos, vieram golpes dentro do golpe (o próprio JK foi cassado em seguida, pelo próprio Castelo), cada vez mais afastando o caminho da redemocratização e transformando o Brasil numa ditadura cada vez mais arbitrária e massacrando a oposição.
Entre 1965 a 1968 movimentos civis, como dos estudantes e trabalhadores se reorganizaram em resistência popular (desarmada), nas ruas. Faziam cada vez mais protestos, greves e passeatas. Trabalhadores começavam a voltar a fazer greves, duramente reprimidas, com prisões e intervenções nos sindicatos.
O AI-5, em dezembro de 1968, fechou as portas para qualquer atividade de oposição. A falta de resistência em 1964, que havia levado à ditadura cada vez mais atroz, explodiu em 1968, com milhares de jovens (de todas as idades) resolvendo resistir, aderindo à unica forma de resistência que ainda parecia viável: a luta armada.
Dilma não participou diretamente de ações armadas, mas não há nenhum demérito em quem participou, pelo contrário. Foi um ato voluntário, de sacrifício e bravura, como o de qualquer soldado que combate em uma guerra. Muitos sem qualquer preparo, nem aptidão militar, acabaram sacrificando a própria vida ou em confronto com um exército e polícia bem preparada, ou torturados e executados nas masmorras da ditadura.
Em tempo: o Otavinho contrataria o Silvério dos Reis para escrever na página dois da Folha. PHA
A herança maldita do Cerra: obras foram “dinheiro no lixo”
Saiu no Agora, pág. A3:
“Obras (do Cerra) de R$ 9 bilhões só reduzem 6 km de lentidão.”
“Após inauguração (pré-eleitoral – PHA) da nova Marginal, do trecho sul do Robanel dos Tunganos (PHA) e da Jacu-Pêssego, pico de trânsito passou de 104,5 km para 99,3 km (e nenhum paulista faz revolução ! PHA).”
99,3 km de engarrafamento !!!
Com o dinheiro que o Padim Pade Cerra gastou para tentar – inutilmente – a Presidência da República – o Vesgo tinha mais chance do que ele – com esse dinheiro, segundo o único jornal que presta em São Paulo, seria possível fazer:
- 45 km de metrô;
- 60 km de monotrilho;
- 360 km de corredores exclusivos de ônibus
Segundo o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Ferreira, citado pelo Agora, “jogaram o nosso dinheiro fora !”.
“Nos horários de pico, os congestionamentos já alcançaram os índices anteriores. Reduzir o trânsito em 6 km após gastar R$ 9 bilhões é uma ofensa”, diz ele.
Hoje, São Paulo tem 69 km de malha de metrô.
Os tucanos governam São Paulo há 16 anos.
O dinheiro que o Cerra jogou no lixo (das empreiteiras) dava para construir 45 km !
E ainda querem governar o Brasil.
Cadê aqueles trens maravilhosos de metrô que o Gonzalez dizia que o Cerra ia instalar pelo Brasil afora, na campanha (enganosa) do horário eleitoral ?
Não tem jeito.
Ou o Padim Pade Cerra entra para a Opus Dei ou o futuro político dele está comprometido.
Só a Opus Dei o salvará (e a estadista chileno-brasileira, Monica Serra). (*)
Paulo Henrique Amorim
sábado, 20 de novembro de 2010
"Grande" imprensa assume voz da tortura e da ditadura
"Grande" imprensa assume voz da tortura e da ditadura
Ao dar legitimidade a relatos de torturadores e assassinos a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público. O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento vergonhoso dessa imprensa durante a ditadura. Editorial da Carta Maior.
Editorial - Carta Maior
A chamada “grande imprensa” brasileira envergonha e enfraquece a nossa jovem democracia. O uso da palavra “grande”, neste caso, revela-se cada vez mais inapropriado. Não é grande no sentido da grandeza moral que uma instituição pode ter, posto que enveredou para o domínio da mesquinharia, da manipulação e da ocultação de seus reais interesses. E não é grande também no sentido quantitativo da palavra, uma vez que vem perdendo leitores e público a cada ano que passa. Mais do que isso, vem perdendo credibilidade e aí reside justamente uma das principais ameaças à ideia de democracia e de República. As empresas que representam esse setor se autonomearam porta vozes do interesse público quando o que fazem, na verdade, é defender seus interesses econômicos e os interesses políticos de seus aliados.Falta de transparência, manipulação da informação e ocultação da verdade constituem o tripé editorial que anima as pautas e as colunas de seus porta vozes de plantão. O repentino e seletivo interesse dessas empresas por uma parte da história do Brasil no período da ditadura militar (que elas apoiaram entusiasticamente, aliás) fornece mais um prova disso. Os seus veículos estão interessados em uma parte apenas da história, como de hábito. Uma parte bem pequena. Mas bem pequena mesmo. Só aquela relacionada ao período em que a presidente eleita Dilma Rousseff esteve presa nos porões do regime militar, onde foi barbaramente torturada. O interesse é denunciar o que a presidente eleita sofreu e pedir a responsabilização dos responsáveis? Não seria esse o interesse legítimo de uma imprensa comprometida, de fato, com a ditadura? É razoável, para dizer o mínimo, pensar assim. Mas não é nada disso que interessa à “grande” imprensa.
O objetivo declarado é um só: torturar Dilma Rousseff mais uma vez. Remover o lixo que eles mesmo produziram com seu apoio vergonhoso à ditadura e tentar, de algum modo, atingir a imagem de uma mulher que teve a coragem e a grandeza de oferecer à própria vida em uma luta absolutamente desigual contra a truculência armada e o fascismo político. O compromisso com o resgate da memória do país é zero. Talvez seja negativo. Se fosse verdadeiro e honesto tal compromisso as informações dos arquivos da ditadura contra Dilma e outros brasileiros e brasileiras que usufruíram do legítimo direito da resistência contra uma ditadura não seriam publicadas do modo que estão sendo, como sendo um relato realista do que aconteceu. Esse relato, nunca é demais lembrar, foi escrito pelas mesmas mãos que torturavam, aplicavam choques, colocavam no pau de arara, violentavam e assassinavam jovens cujo crime era resistir a sua perversidade assassina e mórbida.
Ao tomar esses relatos como seus e dar-lhes legitimidade a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público.
O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento dessa imprensa durante a ditadura. É verdade que a Folha de S.Paulo emprestou carros para transportar presos que estavam sendo ou seriam torturados? Se esse jornal está, de fato, interessado em reconstruir a história recente do Brasil por que não publica os arquivos sobre esse episódio? Por que não publica o balanço de quanto dinheiro ganhou com publicidade e outros benefícios durante os governos militares? Por que o jornal O Globo não publica os arquivos secretos das reuniões (inúmeras) do sr. Roberto Marinho com os generais que pisotearam a Constituição brasileira e depuseram um presidente eleito pelo voto popular?
Obviamente, nenhuma dessas perguntas será motivo de pauta. E a razão é muito simples: essas empresas e seus veículos não estão preocupadas com a verdade ou com a memória. Mais do que isso, a verdade e a memória são obstáculos para seus negócios. Por essa razão, precisam sequestrar a verdade e a memória e apresentar-se, ao mesmo tempo, como seus libertadores. É uma história bem conhecida em praticamente toda a América Latina, onde a imensa maioria dos meios de comunicação desempenhou um papel vergonhoso, aliando-se sistematicamente a ditaduras e a oligarquias decrépitas e sufocando o florescimento da democracia e da justiça social no continente.
Um episódio ocorrido dia 15 de novembro em Florianópolis ilustra bem a natureza e o caráter dessa imprensa. O comentarista da RBS TV, Luiz Carlos Prates, fez um inflamado discurso sobre os acidentes no trânsito dizendo que a culpa é “deste governo espúrio que permitiu que qualquer miserável tivesse um carro”. O governo espúrio em questão é o governo Lula que, por três vezes agora, foi consagrado nas urnas. O que o comentarista da RBS está dizendo, na verdade, resume bem o que a chamada grande imprensa pensa: é espúrio um governo que permita que qualquer miserável tenha um carro; é espúrio um governo que permita que qualquer miserável vote; é espúrio um governo que ousa apontar para um caminho diferente daquele que defendemos.
Durante a campanha eleitoral, essa mesma imprensa, ao mesmo tempo em que acusava o governo e sua candidata de “ameaçar a liberdade de imprensa”, demitia colunistas por crime de opinião, ingressava na justiça para tirar sites do ar e omitia-se vergonhosamente quando o seu candidato e seus aliados censuravam pesquisas, revistas e blogs. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma, zero. Apenas uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Um crime inafiançável.
Não há mais nenhuma razão para palavras mediadas, expectativas ambíguas e estratégias de comunicação esquizofrênicas. Essas mesmas empresas que não se cansam de pisotear a democracia, desrespeitar a verdade e desprezar o povo não se cansam também de sugar milhões de reais todos os anos em publicidade dos governos que acusam de ameaçar sua liberdade. Cinismo, hipocrisia, mentira e autoritarismo: essas são as mãos que embalam o berço dessas corporações que entravam a democracia e a justiça social no Brasil.
post carta maior
Uma vez golpista, sempre golpista: "Grande" imprensa assume voz da tortura e da ditadura
- Editorial - Agência Carta Maior
A chamada “grande imprensa” brasileira envergonha e enfraquece a nossa jovem democracia. O uso da palavra “grande”, neste caso, revela-se cada vez mais inapropriado. Não é grande no sentido da grandeza moral que uma instituição pode ter, posto que enveredou para o domínio da mesquinharia, da manipulação e da ocultação de seus reais interesses. E não é grande também no sentido quantitativo da palavra, uma vez que vem perdendo leitores e público a cada ano que passa. Mais do que isso, vem perdendo credibilidade e aí reside justamente uma das principais ameaças à ideia de democracia e de República. As empresas que representam esse setor se autonomearam porta vozes do interesse público quando o que fazem, na verdade, é defender seus interesses econômicos e os interesses políticos de seus aliados.O QUER QUER A MÍDIA?
Falta de transparência, manipulação da informação e ocultação da verdade constituem o tripé editorial que anima as pautas e as colunas de seus porta vozes de plantão. O repentino e seletivo interesse dessas empresas por uma parte da história do Brasil no período da ditadura militar (que elas apoiaram entusiasticamente, aliás) fornece mais um prova disso. Os seus veículos estão interessados em uma parte apenas da história, como de hábito. Uma parte bem pequena. Mas bem pequena mesmo. Só aquela relacionada ao período em que a presidente eleita Dilma Rousseff esteve presa nos porões do regime militar, onde foi barbaramente torturada. O interesse é denunciar o que a presidente eleita sofreu e pedir a responsabilização dos responsáveis? Não seria esse o interesse legítimo de uma imprensa comprometida, de fato, com a ditadura? É razoável, para dizer o mínimo, pensar assim. Mas não é nada disso que interessa à “grande” imprensa.
QUEREM TORTURAR DILMAO objetivo declarado é um só: torturar Dilma Rousseff mais uma vez. Remover o lixo que eles mesmos produziram com seu apoio vergonhoso à ditadura e tentar, de algum modo, atingir a imagem de uma mulher que teve a coragem e a grandeza de oferecer à própria vida em uma luta absolutamente desigual contra a truculência armada e o fascismo político.
O compromisso com o resgate da memória do país é zero. Talvez seja negativo. Se fosse verdadeiro e honesto tal compromisso as informações dos arquivos da ditadura contra Dilma e outros brasileiros e brasileiras que usufruíram do legítimo direito da resistência contra uma ditadura não seriam publicadas do modo que estão sendo, como sendo um relato realista do que aconteceu. Esse relato, nunca é demais lembrar, foi escrito pelas mesmas mãos que torturavam, aplicavam choques, colocavam no pau de arara, violentavam e assassinavam jovens cujo crime era resistir a sua perversidade assassina e mórbida.
UM ATESTADO DE ÓBITO
Ao tomar esses relatos como seus e dar-lhes legitimidade a chamada “grande imprensa” está assinando definitivamente seu atestado de óbito como instituição democrática. O problema é mais grave do que simplesmente alimentar um terceiro turno de uma eleição que já foi decidida pela vontade soberana do povo. O mais grave é tomar a voz da morte, da violência e do arbítrio como sua! Tomar a voz do torturador como sua e vendê-la à sociedade como se fosse uma informação útil à democracia e ao interesse público.
O que seria útil à democracia e ao interesse público neste caso seria publicar o arquivo secreto do comportamento dessa imprensa durante a ditadura. É verdade que a Folha de S.Paulo emprestou carros para transportar presos que estavam sendo ou seriam torturados? Se esse jornal está, de fato, interessado em reconstruir a história recente do Brasil por que não publica os arquivos sobre esse episódio? Por que não publica o balanço de quanto dinheiro ganhou com publicidade e outros benefícios durante os governos militares? Por que o jornal O Globo não publica os arquivos secretos das reuniões (inúmeras) do sr. Roberto Marinho com os generais que pisotearam a Constituição brasileira e depuseram um presidente eleito pelo voto popular?QUEREM SEQUESTRAR A VERDADE
Obviamente, nenhuma dessas perguntas será motivo de pauta. E a razão é muito simples: essas empresas e seus veículos não estão preocupadas com a verdade ou com a memória. Mais do que isso, a verdade e a memória são obstáculos para seus negócios. Por essa razão, precisam sequestrar a verdade e a memória e apresentar-se, ao mesmo tempo, como seus libertadores. É uma história bem conhecida em praticamente toda a América Latina, onde a imensa maioria dos meios de comunicação desempenhou um papel vergonhoso, aliando-se sistematicamente a ditaduras e a oligarquias decrépitas e sufocando o florescimento da democracia e da justiça social no continente.
QUALQUER MISERÁVEL TEM CARRO...
Um episódio ocorrido dia 15 de novembro em Florianópolis ilustra bem a natureza e o caráter dessa imprensa. O comentarista da RBS TV, Luiz Carlos Prates, fez um inflamado discurso sobre os acidentes no trânsito dizendo que a culpa é “deste governo espúrio que permitiu que qualquer miserável tivesse um carro”. O governo espúrio em questão é o governo Lula que, por três vezes agora, foi consagrado nas urnas. O que o comentarista da RBS está dizendo, na verdade, resume bem o que a chamada grande imprensa pensa: é espúrio um governo que permita que qualquer miserável tenha um carro; é espúrio um governo que permita que qualquer miserável vote; é espúrio um governo que ousa apontar para um caminho diferente daquele que defendemos.
MÍDIA PISOTEAIA DEMOCRACIADurante a campanha eleitoral, essa mesma imprensa, ao mesmo tempo em que acusava o governo e sua candidata de “ameaçar a liberdade de imprensa”, demitia colunistas por crime de opinião, ingressava na justiça para tirar sites do ar e omitia-se vergonhosamente quando o seu candidato e seus aliados censuravam pesquisas, revistas e blogs. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma, zero. Apenas uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Um crime inafiançável.
Não há mais nenhuma razão para palavras mediadas, expectativas ambíguas e estratégias de comunicação esquizofrênicas. Essas mesmas empresas que não se cansam de pisotear a democracia, desrespeitar a verdade e desprezar o povo não se cansam também de sugar milhões de reais todos os anos em publicidade dos governos que acusam de ameaçar sua liberdade. Cinismo, hipocrisia, mentira e autoritarismo: essas são as mãos que embalam o berço dessas corporações que entravam a democracia e a justiça social no Brasil.
Ivan Seixas: Folha apoiou a ditadura
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Dilma quer redução da meta de erradicação da pobreza em 2 anos

A presidente eleita Dilma Roussef reuniu nesta quinta (18), no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, especialistas para discutir uma de suas principais propostas de governo: a erradicação da pobreza. Em condições normais, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta que o fim dessa situação no país deverá ocorrer em 2016.
Dilma quer antecipar essa meta em dois anos. Para isso, propõe ampliar o Bolsa Família e intensificar programas sociais para moradores de rua, indígenas e quilombolas.O presidente do Ipea, Márcio Pochmnann, que também participou da reunião, disse que é possível antecipar a meta de erradicar a miséria no Brasil de 2016 para 2014 e que o caminho é “aperfeiçoar e sofisticar” a atual política social. “Essa possibilidade cabe no Orçamento e não pode ser função exclusiva do governo federal, deve ser articulada, integrada com diferentes esferas de governo”.
Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, a ideia é incluir cerca 750 mil famílias sem filhos entre os beneficiários do Bolsa Família nos próximos dois anos e dar escala a programas sociais específicos para população de rua e comunidades indígenas e quilombolas.
Deverá ainda haver um reajuste no Bolsa Família, mas não está definido o índice. “O reajuste acontecerá. Temos vários estudos, vários cenários que serão apresentados a ela, e ela tomará a decisão”, disse a ministra.
O governo Dilma terá um fórum permanente para a área social, com especialistas e representantes de pastas do governo.
Herança bendita
Na reunião, a presidente afirmou aos especialistas que o principal desafio da área social no seu governo será ampliar e aperfeiçoar a “herança bendita” deixada pelo Governo Lula. Os principais resultados dessa herança são os 36 milhões de brasileiros que entraram na classe média, 28 milhões que saíram da linha de pobreza e cerca de 15 milhões de empregos criados.
No primeiro discurso como presidente eleita, Dilma enfatizou que iria aprofundar o olhar sensível do “Governo Lula para os mais pobres e será essa sensibilidade, agora com o traço, o espírito e a força feminina, que sublinhará o eixo da continuidade da mudança.”
Além de Pochmann e a ministra Márcia Lopes, participaram da reunião como especialistas o economista da Fundação Getulio Vargas Marcelo Neri e o representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano – um dos idealizadores do Programa Fome Zero.
post do vermelho
Versão paulista do Enem também teve gabaritos trocados
Pau que bate em Francisco também bate em Chico, e pau que bate no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) do governo federal também tem que bater no SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) do governo demo-tucano.
Na noite de quarta-feira, o secretário estadual da Educação, Paulo Renato de Souza (PSDB/SP), desdenhava do Ministério da Educação, querendo jactar-se de uma inexistente maior competência demo-tucana:- Vamos mostrar que é possível aplicar uma grande prova sem ter problemas. No Saresp, são 26 cadernos de provas diferentes e não tivemos problemas. No Enem, são só quatro cadernos e deu no que deu. Ficou provado que não é possível realizar um vestibular nacional sem erros.
Hoje o tucano do bico grande teve que engolir suas palavras.
A diretoria regional da cidade de Assis recebeu gabaritos de respostas trocados, incompatíveis com o caderno de perguntas.
A Secretaria de Educação atribuiu o erro a Vunesp, empresa de processos seletivos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que foi responsável pela prova.
Política de arrocho salarial, com “gorjetas” apenas para uma minoria dos professores
O SARESP é uma versão paulista do ENEM. As diferenças é que o SARESP avalia o ensino fundamental (além do médio), e só é usado para avaliar as escolas, não servindo ao aluno como complemento/alternativa ao vestibular.
Os resultados são computados em um índice, onde os professores e demais funcionários das escolas mais bem avaliadas recebem uma “gorjeta” no salário, como forma de cala-boca, que o governo demo-tucano chama de bônus ou gratificação.
O problema da política de bônus paulista é que, em vez de premiar professores, na prática, castiga 80% do professorado, deixando-os sem reposição salarial, e apenas uma minoria de 20% recebe uma “gorjeta”, como se fosse um “prêmio”, mas que não é mais do que a obrigação, para aproximar de uma reposição salarial.
Em 2009, extravio de provas e denúncias de fraude
Na prova do ano passado, houve denúncias de fraude e pacotes com provas chegaram com exemplares a menos em alguns colégios. A suspeita é que cadernos tenham sido extraviados e divulgados antes do teste.
Na escola Benedito Aparecido Tavares, em Franco da Rocha (Grande São Paulo), houve a denúncia de que professores passaram cola aos alunos (ajudaram os alunos a resolver as questões), para ganharem o bônus.
A gestão José Serra (PSDB) disse que os problemas “eram pontuais” e que, onde houver comprovação de fraude, o resultado da unidade será anulado e passará a valer a média da região para o pagamento de bônus. Não se falou em refazer a prova e com o tempo, e o complacência da imprensa paulista para não atrapalhar a eleição de Serra e Alckmin, caiu tudo no esquecimento, bem diferente do sensacionalismo que fazem com o ENEM, por muito menos.
Fonte:vermelho
TRF manda juíza parar de boicotar o ENEM
O Conversa Afiada reproduz notícia do UOL:
TRF derruba decisão que permitia que todos que se sentissem prejudicados refizessem o Enem
Da Redação
Em São Paulo
O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, derrubou nesta quinta-feira (18) a liminar da Justiça Federal no Ceará que permitia que todos os alunos que se sentiram prejudicados pelas falhas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 pudessem refazer a prova. A decisão atende a um pedido da AGU (Advocacia Geral da União), protocolado nesta quinta.
Na liminar de ontem, a juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal, determinava, também, a prorrogação do prazo para fazer o requerimento da prova até a próxima sexta-feira (26). Com a derrubada da decisão, o prazo volta a ser esta sexta-feira (19), até 23h59. O MEC, informado da decisão, afirmou que toda a programação está inalterada e que vai procurar atender os alunos prejudicados.
De acordo com a AGU (Advocacia Geral da União), em nota divulgada pelo MEC (Ministério da Educação) na quarta, as medidas já tomadas são “justas”:
“A AGU entende que as providências adotadas pelo Ministério da Educação no sentido de permitir aos alunos eventualmente prejudicados que requeiram a correção invertida, através de requerimento eletrônico disponível no site do Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais], e a possibilidade de nova prova para quem não teve o caderno de questões amarelo com defeitos de impressão substituído pelos fiscais, é a medida mais justa para assegurar o direito aos alunos prejudicados, sem prejuízo daqueles que fizeram a prova regularmente, ou da apuração de outras ocorrências registradas em ata”, afirma o ministério.
(…)
Clique aqui para ler “O que quer a juíza Karla ? Fechar o ENEM ?”
E aqui para ler “O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres”.
E também aqui para ler “Exame de SP leva bomba !”
post do conversa afiada
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A FALÁCIA DO ALTO CUSTO DOS SALÁRIOS NO BRASIL

“Alguns empresários e seus representantes na mídia que lhes serve têm levantado a voz contra a redução da jornada de trabalho no Brasil. Muitas vezes, bradam impropérios e gritam que o ócio pode levar os trabalhadores a fazerem o que não devem, como afirmou recentemente um vice-presidente da Fiesp, ecoando aquele outro que falava da debandada de empresários do Brasil caso Lula fosse eleito presidente da República.
Por Thomaz Ferreira Jensen, na "Agência Sindical"
Quando argumentam, voltam ao passado, tirando da cartola o “alto custo dos salários dos trabalhadores”, discurso muito em voga na década de 90, que utilizavam para informar demissões e precarizar as condições de trabalho, especialmente pela terceirização.
Os empresários defendem que os encargos sociais no Brasil representam 102% do salário dos trabalhadores, partindo de um cálculo que não é correto. Vários itens considerados encargos nessa conta são, na verdade, parte da remuneração do trabalhador. Encontram-se nesta situação o pagamento de férias, 13º salário, descanso semanal remunerado, FGTS. Tudo isso vai para o trabalhador e, portanto, não é encargo social.
Encargos sociais são aquela parcela do custo do trabalho que não vai para o bolso do trabalhador, como é admitido pelos próprios consultores empresariais. São a contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), para o Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e demais instituições que compõem o Sistema S, para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para o seguro de acidentes do trabalho, para o salário educação e para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). No conjunto, representam 25,1% da remuneração total do trabalhador.
Desta forma, um trabalhador contratado com um salário mensal na Carteira de R$ 1.000,00, recebe, em média, R$ 1.229,10 por mês, pois neste valor estão considerados outros itens integrantes de sua remuneração. Ou seja, também está incluído o que ele recebe de 13º salário, de adicional de 1/3 de férias, de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – que é um patrimônio individual do trabalhador – além da proporção mensal do que ele recebe em caso de ser demitido sem justa causa.
Com todos estes componentes incluídos no salário, este trabalhador custa para a empresa R$ 1.538,00. O valor dos encargos corresponde, portanto, a R$ 308,90, que representam 25,1% dos R$ 1.229,10, que é a remuneração total do trabalhador. Portanto, um trabalhador contratado por R$ 1.000,00 não custa para a empresa mais 102% (R$ 2.020,00), como afirmam os empresários e seus representantes, mas R$ 1.538,00.
Tanto os empresários que temem o “ócio criativo” dos trabalhadores como aqueles que querem voltar à década perdida do neoliberalismo estão, além de equivocados, sendo categoricamente superados pela história recente e pela correta análise da remuneração dos trabalhadores.”
FONTE: escrito por Thomaz Ferreira Jensen, economista, graduado pela Faculdade de Economia da USP e assessor técnico do Dieese na subseção do Sindicato dos Químicos do ABC. Publicado no portal “Vermelho”
1º MINISTRO DE PORTUGAL: "O MEU BRASIL É COM 'S' "
JOSÉ SÓCRATES
[José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa (Vilar de Maçada, Alijó, 6 de Setembro de 1957) é o atual primeiro-ministro de Portugal desde 12 de Março de 2005, e secretário-geral do Partido Socialista desde Setembro de 2004. Durante o segundo semestre de 2007, assumiu a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. José Sócrates é licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Independente (Lisboa, 1996)].
"Lula era o homem certo; sem complexos ou desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo
Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os "anos Lula" mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente, mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente globalmente.
Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia inaugural da Presidência de Lula.
Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica; realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.
Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.
Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.
Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a "intelligentzia" recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É essa a "alquimia" Lula.
Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que alargou e consolidou a classe média brasileira.
Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo. Se falhasse, não falharia apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um continente.
Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. "Potência emergente", como é habitual dizer, assume-se -e vai se assumir cada vez mais- como um dos grandes países que marcam o mundo contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é necessário para isso.
Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.
Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos: econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico.
A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras. Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o tornaram o presidente que foi.
Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração. Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.
Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o Brasil.
Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a nossa gratidão. Mais do que nunca, "o meu Brasil é com "S'". "S" de Silva.
Lula da Silva. Saravá!”
FONTE: escrito por JOSÉ SÓCRATES, primeiro-ministro de Portugal. Publicado na Folha de São Paulo
CONSTRUÇÃO DE NOVAS PLATAFORMAS DA PETROBRAS VAI GERAR 28 MIL EMPREGOS NO SUL

“A construção de oito cascos de navios-plataforma de petróleo vai movimentar o mercado de trabalho de Rio Grande e arredores, município da região litorânea do Rio Grande do Sul. Com investimentos de US$ 3,46 bilhões, as obras vão garantir emprego direto a 7 mil trabalhadores, no pico de produção, e a mais 21 mil ligados a empresas que prestam serviços indiretos.
Os contratos foram anunciados na última quinta-feira (11) pela Petrobras e a empresa Engevix Engenharia, encarregada das plataformas flutuantes, tipo FPSO, montadas em cascos de navios. As estruturas serão utilizadas na exploração de petróleo da camada pré-sal, projetadas para produzir, armazenar e transferir óleo e gás. Cada uma terá capacidade para processar diariamente até 150 mil barris de óleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás natural. A previsão é que os dois primeiros cascos sejam entregues em 2013 e os demais ao longo de 2014 e 2015.
O diretor executivo da Engevix, Gerson Almada, afirmou hoje (12) que a mão de obra será local, com aproveitamento de moradores da região. Haverá treinamento específico para cada tipo de tarefa e serão chamados alunos dos cursos do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), patrocinado pelo governo federal e que forma anualmente milhares de pessoas no país. Até o primeiro semestre de 2011, serão criadas 1.500 vagas, com o auge da produção em 2012.
“Não está prevista a importação de mão de obra. Nós estamos com um programa de treinamento muito forte envolvendo o Prominp e as universidades locais. O Rio Grande do Sul tem uma tradição em polo metalmecânico e estamos fazendo uma reciclagem dessas pessoas para a indústria naval”, afirmou.
O porte da encomenda vai envolver nada menos do que 100 empresas subcontratadas, segundo o executivo da Engevix. O edital publicado pela Petrobras prevê um mínimo de 65% de conteúdo local, mas, segundo Almada, o objetivo é ir além, chegando a 70% das peças e equipamentos fabricados no Brasil.
“As partes que ainda não se fazem no [Brasil] são ligadas à perfuração, sondas e determinadas bombas. Algumas coisas ainda precisamos procurar fora do país. Mas estamos começando com um trabalho de nacionalização, visto que não serão só oito [navios-plataforma], pois a Petrobras declarou que precisará de mais [embarcações] desse tipo.”
Com o fortalecimento da nacionalização dos componentes, ganham centenas de empresas brasileiras, pois a complexidade do projeto vai gerar milhões de reais em encomendas. Cada casco vai utilizar 40 mil toneladas de aço, terá 8 mil toneladas de tubulações e abrigará 10 mil toneladas de equipamentos.
Um dos motivos que garantiram a vitória da Engevix na disputa licitatória, segundo o executivo, foi a proposta inovadora de se construir as plataformas a partir da montagem dos cascos. Até o momento o mais comum era se recondicionar navios antigos.
O executivo da Engevix previu que, mantidas as encomendas ao setor naval, o Brasil se tornará um exportador futuro de navios e plataformas, invertendo a tendência verificada em décadas passadas, quando a maior parte dos equipamentos era construída no exterior. “Este é o nosso objetivo. Acreditamos que não só atenderemos ao mercado nacional, mas também ao internacional. Para isso contamos com o apoio do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], que é muito ativo no apoio financeiro. Vamos pensar positivo e fazer de tudo para que seja um projeto de longo prazo.”
FONTE: reportagem de Vladimir Platonow publicada pela Agência Brasil
Sakamoto: Como cultivar a exclusão social em SP
Daqui a uma geração, quando estudarem a arquitetura de nossa época, além dos prédios em forma de melancia e dos espigões de aço e vidro azul, outra coisa, menos bonita por certo, chamará a atenção. Temos gasto muito tempo e inventividade para criar formas de excluir do convívio da cidade aqueles para os quais nunca abrimos as portas dos direitos econômicos – e isso não passará despercebido.
Reuni alguns desses métodos informais em forma de manual. Apesar de não estarem publicados e não seguirem padrões da ABNT, existem e fazem vítimas diariamente, ainda mais em noites frias e chuvosas como essas pelas quais estamos passando. Registrar isso serve para lembrar o quanto somos ridículos e ajudar o pessoal que vai nos julgar amanhã. Espero que não tenham dó ou piedade.
1) Áreas cobertas em viadutos, pontes, túneis ou quaisquer locais públicos que possam receber casas imaginárias do povo de rua devem ser preenchidas com concreto. A face superior não deve ficar paralela à rua, mas com inclinação suficiente para que um corpo sem-teto nela estendido e prostrado de cansaço e sono role feito um pacote de carne velha até o chão.
1.1) Outra opção, caso seja impossível uma inclinação acentuada, é o uso de floreiras, cacos de vidro ou lanças de metal. É menos discreto, mas tem o mesmo resultado.
2) Prédios novos devem ser construídos sem marquises para impossibilitar o acúmulo de sem-teto em noites chuvosas.
2.1) Caso seja impossível por determinações estéticas do arquiteto, a alternativa é murar o edifício ou cercá-lo. A colocação de seguranças armados é outra possibilidade, caso haja recursos para tanto.
2.2) Em caso de prédios mais antigos, uma saída encontrada por um edifício na região central de São Paulo e que pode ser tomada como modelo é a colocação de uma mangueira furada no teto, emulando a função de sprinklers. Acionada de tempos em tempos, expulsa desocupados e usuários de drogas. Além disso, como deixa o chão da calçada constatemente molhado, espanta também possíveis moradores de rua que queiram tirar uma soneca por lá.
3) Bancos de praça devem receber estruturas que os separem em três assentos independentes. Apesar disso impossibilitar a vida de casais apaixonados ou de reencontros de amigos distantes, fará com que sem-teto não durmam nesses aparelhos públicos.
4) Em regiões com alta incidência de seres indesejáveis, recomenda-se o avanço de grades e muros para além do limite registrado na prefeitura, diminuindo ao máximo o tamanho da calçada. Como é uma questão de segurança, o fiscal pode “se fazer entender” da importância de manter a estrutura como está.
5) Cloro deve ser lançado nos locais de permanência de sem-teto, principalmente nas noites frias, para garantir que eles não façam suas necessidades básicas no local. Caso não seja suficiente, talvez seja necessária a utilização de produtos químicos mais fortes vendidos em lojas do ramo, como vem fazendo algumas lojas no Centro da cidade. A sugestão é o uso de um aspersor conforme o item 2.2, mas instalado no chão.
Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública. As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região – para outros locais, como a Barra Funda e Santa Cecília. Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca uó-te-mo.
Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas (sem que ninguém nunca seja punido por isso) para limpar a urbe para os cidadãos de bem.
PS: Recado à turma que entalou um “tá com dó leva para casa” na garganta: cresçam.
Emir Sader: Pactos de elite na história brasileira
por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior
Tivemos a proclamação da República mais de seis décadas depois da independência, porque esta nos levou de Colônia à Monarquia pelas mãos do monarca português, que ainda nos ofendeu, com as palavras – que repetíamos burocraticamente na escola- “antes que algum aventureiro o faça”. Aventureiros éramos nós, algum outro Tiradentes, ou algum Bolívar, Artigas, Sucre, San Martin O´Higgins, que lideraram revoluções de independência nos seus países, expulsando os colonizadores em processos articulados dos países da região.
Foi o primeiro pacto de elite da nossa história, em que as elites mudam a forma da dominação, para imprimir continuidade a ela, sob outra forma política. Neste caso, impôs-se a monarquia. Tivemos dois monarcas descendentes da família imperial portuguesa, ao invés da República, construindo estados nacionais independentes, expulsando os colonizadores ao invés do “jeitinho” da conciliação.
Como sempre acontece com os pactos de elite, o povo é quem paga o seu preço. Enquanto nos outros países do continente, as guerras de independência terminaram imediatamente com a escravidão, esta se prolongou no Brasil, fazendo com que fossemos o último país a terminar com ela, prolongando-a por várias décadas mais. Nesse intervalo de tempo foi proclamada a Lei de Terras, de 1850, que legalizou – mediante a grilagem, aquela falcatrua em que o documento forjado é deixado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer um documento antigo – todas as terras nas mãos dos latifundiários. Assim, quando finalmente terminou a escravidão, não havia terras para os escravos, que se tornaram livres, mas pobres, submetidos à exploração dos donos fajutos das terras.
Dessa forma, a questão colonial se articulou com a questão racial e com a questão agrária. Esse pacto de elite responde pelo prolongado poder do latifúndio e pela discriminação contra a primeira geração de trabalhadores no Brasil, os negros que, trazidos à força da África vieram para produzir riquezas para a nobreza européia como classe inferior. Desqualificava-se ao mesmo tempo o negro e o trabalho.
A República foi proclamada como um golpe militar, que a população assistiu “bestializada”, segundo um cronista da época, sem entender do que se tratava – o segundo grande pacto de elite, que marginalizou o povo das grandes transformações históricas.




