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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A onda anticorrupção


De repente, o país se deu conta que a corrupção centenária que grassa em todos os órgãos de administração pública, em todos os níveis e em todas as esferas, pode ser combatida - e punida.
O exemplo vem da mais alta autoridade, a presidenta Dilma Rousseff, que tem um estilo de agir inteiramente oposto ao de seus antecessores.
Ela não contemporiza, não tergiversa, não titubeia. Ela simplesmente corta o mal pela raiz.
Por agir dessa maneira, tem chocado seus aliados, essa miríade de políticos e parlamentares abrigados num leque de partidos que vão desde o mais nanico dos nanicos até o robusto e esfomeado PMDB.
Eles parecem ter perdido o rumo ao ver alguns de seus integrantes serem pegos com a boca na botija - ou a mão no cofre.
Não sabem o que fazer a não ser exprimir, publicamente, de modo vacilante, o apoio às ações de faxina, e, privadamente, tramar represálias que não escondem todo o tormento em que vivem nestes dias de caça aos corruptos.
Por ser uma prática absolutamente arraigada nos costumes da nação, a corrupção é vista como a coisa mais comum para muitas pessoas. Por isso mesmo é muito difícil prever o que acontecerá com o governo Dilma se a limpeza continuar no ritmo atual.
O cenário mais improvável é que a presidenta sofra retaliações de todos os lados atingidos e acabe praticamente sozinha. Isso não deve ocorrer pela simples razão de que toda a opinião pública apoia o seu trabalho para exterminar do corpo administrativo esses sanguessugas.
O mais provável é que a sua base de apoio resolva frear a voracidade com que avança ao dinheiro público, num pacto velado para preservar a moralidade e o decoro.
De todo modo, o que se vê no país é algo inédito, de simbologia tão forte que é capaz, de por si só, mudar esses usos e costumes que tanto mal fazem à sociedade.
Está mais que na hora de aqueles que se dizem patriotas, que vivem apontando o dedo a tudo o que julgam ser contra o interesse do país, se manifestarem a favor dessa onda anticorrupção que se levanta no Brasil.
Esta é uma oportunidade única que não pode ser perdida por meros interesses eleitorais.

post do cronicas do mota

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PF já prendeu quase 400 corruptores, mais que o dobro de corruptos

Operações da Polícia Federal (PF) em 2011 já levaram à cadeia 392 empresários e seus comparsas por corrupção ativa e participação em esquemas de desvio de dinheiro estatal. Nas mesmas ações, foram algemados 143 funcionários públicos. Última leva de detenções, feita nesta terça-feira, desbaratou fraude no ministério do Turismo, prendeu número dois da pasta e pode custar problemas políticos à presidenta Dilma Rousseff.

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) prendeu, de janeiro a agosto, 392 corruptores, entre empresários, seus intermediários e laranjas, todos por montagem de esquemas de desvio de dinheiro estatal ou aliciamento de funcionários públicos em troca de favorecimento em licitações, por exemplo. A quantidade de corruptores algemados, segundo dados da própria PF, é mais do que o dobro de servidores detidos (143) nas mesmas 27 operações.

A última leva de corruptores (29) foi encarcerada nesta terça-feira (09/08), durante operação que prendeu o número dois do ministério do Turismo e pode causar problemas políticos à presidenta Dilma Rousseff. Este e outros casos de corrupção envolvendo pessoas ligadas a partidos devem ser discutidos por Dilma com dirigentes aliados nesta quarta-feira (10/08).

A nova operação da PF, batizada de Voucher, desbaratou esquema operado a partir do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). Sediada em São Paulo, a entidade assinou com o ministério do Turismo, em 2009, convênio de R$ 4,4 milhões para treinar trabalhadores no Amapá. Segundo a PF, o Ibrasi recebeu R$ 4 milhões e teria desviado cerca de um terço, em vez de destinar à qualificação de trabalhadores.

“O Ibrasi criou um esquema e fraudava licitações”, disse o diretor-executivo da PF, Paulo de Tarso Teixeira. “Tem empresários envolvidos”, completou o delegado, relatando que foram apreendidos R$ 610 mil em dinheiro vivo na casa do dirigente principal do Ibrasi, em São Paulo.

Impacto político
A operação começou em abril, a partir de um comunicado feito à PF pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em três processos em curso no TCU, foram identificados indícios de irregularidades. A origem delas seriam “emendas parlamentares”, dinheiro separado no orçamento de órgões públicos a pedido de um deputado ou um senador. O convênio com o Ibrasi seria objeto de uma emenda ao caixa do ministério do Turismo.

O ministério informou que, nesta quarta-feira (10/08), vai publicar no Diário Oficial da União portaria que impõe uma auditoria a todos os convênios com prestação de contas pendentes e a suspensão da assinatura de novos convênios. E que pediu à Controladoria Geral da União que abra processos para apurar o envolvimento de servidores nos desvios.

A PF prendeu seis funcionários públicos, entre eles, o secretário-executivo do ministério, Frederico Silva Costa, e o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins. Os dois foram nomeados pelo ministro Pedro Novais, que foi indicado para o cargo pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Sarney é eleito pelo Amapá, onde deveria ter havido treinamento de trabalhadores com dinheiro público desviado.

Também foi encarcerado o ex-presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Mário Moysés. Ele deixou o cargo em junho para ser substituído pelo deputado federal Flavio Dino (PcdoB-MA), que é inimigo da família Sarney no Maranhão e foi escolhido por Dilma Rousseff.

Moysés era chefe de gabinete do ministério na época em que o convênio com o Ibrasi foi celebrado. Foi levado à pasta pela ex-ministra Marta Suplicy (PT).

Para a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Ideli Salvatti, que é encarregada da coordenação política do governo, por ora, não há nada contra o ministro Pedro Novais, já que a origem da operação da PF é um convênio anterior à nomeação do peemedebista.

Ela disse que é preciso esperar a conclusão das investigação da PF, que promete fazê-lo em duas semanas. “Vamos aguardar. Quem cometeu qualquer ato ilegal deverá ser punido, por isso nós estamos acompanhando a investigação”, disse.

Apesar da implicação de políticos e servidores graúdos, o delegado Paulo de Tarso disse que a Presidência não foi previamente comunicada da operação.