terça-feira, 5 de agosto de 2014

Aecioporto de Cláudio pode ter servido ao tráfico de drogas



O primo Tancredo Tolentino (Quêdo) administrava o aeroporto. (Ele tem a chave. Ele tem a chave.) Ele foi denunciado pelo MP como integrante de quadrilha que facilitava habeas corpus a traficantes

O aeroporto do município de Cláudio (MG) vinha sendo administrado, entre outros, pelo empresário Tancredo Aladim Rocha Tolentino, um dos presos numa operação da Polícia Federal (PF) realizada em 2012, sob a suspeita de integrar uma quadrilha especializada na compra e venda de sentenças em Minas Gerais. Um dos objetivos da quadrilha era obter a libertação de traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino ou Quêdo, como o empresário é conhecido na região de Cláudio, é um dos filhos de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador Aécio Neves (PSDB), o dono das terras desapropriadas pelo governo de Minas Gerais, nas quais foi construído o aeroporto da cidade mineira. A obra foi concluída no último ano da administração Aécio (2010) e custou aos cofres do Estado a bagatela de R$ 14 milhões (valor de 2010).

Além de todo o debate já gerado do ponto de vista da ética da gestão pública, pelo fato de o aeroporto ter beneficiado a família do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e de nele ter sido investido tanto dinheiro público, a ligação de Quêdo com o aeródromo chamou a atenção da polícia.

Passou-se a suspeitar que a pista de Cláudio tenha sido usada também como rota do tráfico de drogas. Reforça a tese policial o fato de que o helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que pertence aos filhos do senador Zezé Perrella (PDT), e que foi apreendido também pela PF transportando 445 quilos de cocaína pousou na região de Cláudio para abastecer antes de seguir para o Espirito Santo.

A quadrilha na qual Quêdo estaria envolvido contava também com os serviços de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Hélcio Valentim de Andrade Filho, da 7ª Vara Criminal (afastado pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ), e um total de 13 investigados. O caso está na Justiça.

Helcio Zolini
No R7

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

IMPERDÍVEL!!! AÉCIOPORTO 2


PSDB: Partido Só De Boato. O favorito dos coxinhas...

 





André Lux: Não há nada mais bizarro do que falar de política com Coxinhas




A lógica perfeita de um coxinha










O advento da chegada do PT e Lula ao poder máximo do Brasil causaram, entre muitas outras coisas, um fenômeno inédito na história do país: uma parcela da população, carinhosamente conhecida como "Coxinhas", começou, de repente, a falar de política.

Assim, homens que só falavam de futebol, cerveja e puteiros, e mulheres acostumadas a debater novelas, tipos de esmalte e a bunda do personal trainer, começaram a dar palpites e discutir sobre política.

Por causa desse bizarro fenômeno, pessoas que sempre gostaram e se interessaram por política passaram a travar diálogos surreais como o descrito abaixo. 








COXINHA: Não existe mais segurança! Fora Dilma e leve o PT junto!!

EU: Segurança pública é responsabilidade do governo do Estado...
COXINHA: Não interessa, o PT não investe em educação!
EU: Educação de base quem cuida são governos Estaduais e Municipais...
COXINHA: Ah, é? Então explica por que a Dilma não faz nada pra resolver a falta de água em Sumpaulo?
EU: Gestão da água é função da Sabesp, que segue ordens do Governador...
COXINHA: Quer dizer que pago imposto pra Dilma dar bolsa esmola pra vagabundo?
EU: Sumpaulo tem os pedágios mais caros do mundo, mas nunca vi você reclamando do governador...
COXINHA: É culpa da corrupção do PT!
EU: Sabia que em 22 anos no governo, o PSDB impediu a criação de mais de 500 CPIs de corrupção em Sumpaulo?
COXINHA: Bela bosta! E o Renan Calheiros e o Sarney no governo petralha??
EU: Você está falando do Renan, que foi ministro da Justiça no governo FHC, e do Sarney, que foi líder de governo no senado durante os 8 anos de governo do PSDB?
COXINHA: E o Lula que agora anda de braços dados com Collor e Maluf!
EU: Mas você não votou no Collor e era malufista roxo até ontem?
COXINHA: É, mas o governo do Lula só deu certo porque continuou com tudo que o FHC fez!
EU: Por que então o FHC saiu do governo com aprovação de só 37%, não elegeu seu sucessor e hoje é campeão de rejeição em todas as pesquisas?
COXINHA: O povo é burro! O FHC é um puta estadista e intelectual!
EU: É mesmo? Quantos livros dele você leu até hoje?
COXINHA: Livro? Kkkkkkk!! Quem perde tempo pra ler livro? Eu trabalho, tenho mulher, xará!
EU: Como tem tanta convicção sobre tantos assuntos, então?
COXINHA: Eu sempre dou uma folheada na Veja no meu dentista e curto a TV Revolta detonando os petralhas no facebook! Precisa mais?
EU: Mas e quando as denúncias são contra o PSDB ou outro partido que não o PT?
COXINHA: Aí é mimimi petralha! Você acha que sou besta, cara? Mensalão! Mensalão! Kkkkkk!! E outra, sou apartidário! Politico é tudo a mesma bosta! PT e PSDB são a mesma merda!
EU: Se pensa assim, por que sempre vota no PSDB, então?
COXINHA: Petista é tudo igual! Não aceitam críticas! São fanáticos e cegos! Discutir com petista é igual jogar xadrez com pombos, ele derruba as peças, caga no tabuleiro e...
EU: Como é? Você joga xadrez com pombos?
COXINHA: Quem disse isso foi o Lobão, ele é um puta músico e intelectual, um homem de bem!
EU: Qual música dele você mais gosta?
COXINHA: Dele? Nem lembro. Meu lance hoje é sertanejo universitário, brô. Mas ele mete o pau na petralhada! Kkkkkk!
EU: Mas e as drogas?
COXINHA: Drogado tem que matar! É tudo bandido! BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!!
EU: Mas o Lobão não usou drogas?
COXINHA: Usou, é? Tá, mas agora parou, então é de bem. Melhor que o Lula que cortou o próprio dedo pra viver na vagabundagem!
EU: Ele cortou o próprio dedo? Onde você leu isso?
COXINHA: Todo mundo sabe, mané! Aposto que não sabe também que o filho do Lula é dono da Friboi e de um monte de fazendas! Como você é alienado! Kkkkkkkk!!!
EU: Você tem como provar isso?
COXINHA: Todo mundo viu, tem até a foto da fazenda do Lulinha na internet...
EU: Aquela foto é da sede da ESALQ, em Piracicaba.
COXINHA: Então, o Lulinha comprou essa tal de Ezalki aí com a grana do Mensalão!
EU: Não, ESALQ é a Escola de Agricultura da USP, que fica em Piracicaba...
COXINHA: Ahhhhhh, USP, tá vendo? Escola pública, coisa de comunista e vagabundo!
EU: Mas você não se formou na Unicamp?
COXINHA: É diferente! Eu ralei muito pra chegar lá, não sou igual ao Zé Povinho!
EU: Mas seu pai não pagou as melhores escolas particulares, o cursinho e depois te deu mesada durante toda a faculdade?
COXINHA: Sim, mas eu sou diferente, meu bisavô era alemão, cara! Não me compara com o Zé Povinho desse país de merda, que vive de cotas e bolsa esmola!
EU: Você é contra as cotas também?
COXINHA: Claro, né véio? Não sou racista, não, mas essa pretaiada é só mimimi! Tem que ralar, igual eu ralei pra chegar lá!
EU: Mas seu pai não pagou tudo pra você e paga até hoje?
COXINHA: É, mas ele ralou muito pra chegar lá, xará!
EU: Seu avô não tinha uma fazenda cheia de escravos negros?
COXINHA: Tinha, e daí? Era tudo dentro da lei! Tá querendo dizer o que com isso? Sabe com quem você tá falando?? Te meto um processo, otário, meu coroa é A-D-E-V-O-G-A-D-O!
EU: Apenas mostrando que até pouco tempo os negros eram escravos...
COXINHA: Ué, quem mandou serem vagabundos e ignorantes? Deviam ter ido atrás dos direitos deles, ao invés de ficar de mimimi até hoje!
EU: Mas as cotas não são uma forma de reparação à injustiça que sofreram...
COXINHA: Que reparação o quê, mané! Tem que ralar! É meritocracia, quem é melhor, chega lá, quem não é, que se foda! Reparação é coisa de comunista, tipo Hitler, Chaves, Madruga, Bin Laden e essa cambada que matou mais de 700 bilhões de pessoas!!
EU: Hitler era comunista? Como assim?
COXINHA: Lógico que era! O partido dele não era não-sei-o-quê-socialismo? Então, comuna!
EU: Se você estudar História vai entender que...
COXINHA: História?? Kkkkkkkk!! Véio, eu trabalho, tenho mulher  e um monte de vagaba que eu pego nos puteiros! História é coisa de vagabundo e boiola!
EU: Mas você não acha importante conhecer...
COXINHA: Xará, quer saber, já cansei de debater com petralhas, são tudo igual, ficam sempre mudando de assunto e apelando porque não tem argumento! 
EU: Quando que eu apelei?
COXINHA: Dá licença que agora eu vou na favela comprar uma branquinha e uma erva pros meus chapas! Porque ninguém é de ferro e amanhã vamu fechá o puteiro e levar as vagabas lá pra chácara do meu pai! Proibido pras esposas!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!! E fica esperto petralha, porque os militares vão voltar pra acabar com essa farra e aí o terror vai fechar em cima de vocês comunas! Democracia é isso, porra!




TUDO EM CIMA

Entrevista no Estadão; Aécio cambaleante balança mas não cai e tem gente maldosa acusando-o de estar bêbado


O Estadão publicou o vídeo abaixo com destaque, mas já escondeu no site a pedido da assessoria do candidato tucano. A preocupação do comitê de Aécio é que pessoas mal-intencionadas confundissem o balançar de Aécio pra frente e pra trás e o acusassem de estar bêbado. Os assessores garantem que na ocasião havia uma forte ventania no local. E você pode conferir a veracidade da informação pelo balançar das folhas das árvores que estão atrás do candidato.

Aliás, a fala mole do candidato também tem a ver com o vento. O zunido alto atrapalhou a sua concentração, garantem os assessores.

Nesta história toda, uma coisa é certa, Aécio está com discurso afiadíssimo e na ponta da língua. Balançando ou não ele taca o pau no PT e na Dilma. E continua explicando o caso do aeroporto de Cláudio com a mesma cara de pau de sempre.

Assista ao vídeo e confira o desempenho do candidato:

Veja inventa "quebra de sigilo" de perguntas que são públicas. Tudo para socorrer Aécio.


Vamos supor que, por um milagre, a oposição da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, conseguisse vencer o rolo compressor da bancada do Aécio em Minas, e implantar a CPI do Aécioporto.
Qualquer deputado que participasse da CPI, seja da situação ou da oposição, poderia ir à público e dizer quais perguntas iria fazer a Aécio e gostaria de obter respostas.
Mesmo sem CPI, os deputados da oposição estadual aos tucanos de Minas e o povo nas redes sociais já fazem essas perguntas publicamente, que Aécio Neves (PSDB) se recusa a responder. Por exemplo:
Se Aécio defende a privatização, porque estatizou um aeroporto privado na fazenda do tio?

Onde está o estudo de viabilidade, de custo benefício, para justificar a construção dos aeroportos de Cláudio e Montezuma com dinheiro público?

Tirando o fato de Aécio ter uma fazenda a 6 km de distância, por que investir no aeroporto de Claúdio se o de Divinópolis, cidade pólo regional, fica ao lado e já atende a região?

Se havia demanda na cidade como inventa Aécio, essa demanda era de quem, além da própria família? E por que a demanda sumiu, a ponto do aeroporto ficar fechado sem ninguém na cidade reclamar?

Por que a licitação do aeroporto não foi anulada, se a diferença de preços entre as propostas das empreiteiras ficou apenas 0,6% de diferença, e muito próximo ao preço máximo?

O helicóptero dos Perrella já pousou no aeroporto? Quantas vezes? Qual a carga declarada?

Por que a chave do aeroporto ficava com o tio?

Se o aeroporto ficava fechado, como Aécio usava? Quem abria o portão para ele? Quem acendia os holofotes do aeroporto para ele pousar a noite?

Quem paga a conta de luz do aeroporto fechado, para Aécio pousar à noite?

Por que o Aeroporto só tem cerca para o povo não entrar pela frente e não tem cerca separando a fazenda do tio?

Qual o valor de mercado da área desapropriada de terras do tio?

Qual investigação o governo mineiro está fazendo em relação aos 60 kg de cocaína apreendidos a 24 km do aeroporto de Cláudio, e cuja fuga do traficante preso contou com a ajuda de um primo de Aécio, segundo processo movido pelo Ministério Público?

Qual a política de segurança do governo de Minas para evitar que o aeroporto fechado seja usado para voos clandestinos do tráfico de drogas?

O Aeroporto de Cláudio já recebeu vôos provenientes da Colômbia? E do Paraguai?
Estas seriam algumas perguntas.
Se os tucanos não bloqueassem a CPI do Aécioporto, não há sigilo nenhum nas perguntas, e Aécio poderia se preparar o quanto quisesse para respondê-las.
Não existe o conceito de perguntas sigilosas em CPI's, ainda mais em sessão aberta transmitida pela TV. E é normal que quem deponha se prepare para responder as questões que sabe que serão perguntadas, até porque estão colocadas na imprensa. É normal até para que o depoente procure nos arquivos as informações necessárias às respostas.
Até deputados de oposição, se quiserem, podem antecipar o que vão perguntar, caso queiram obter respostas de fato, com seriedade.
Se todo mundo que fala em CPI's for responder de improviso coisas como valores contábeis, datas, atas, contratos, não há memória que consiga se lembrar de tudo, e a própria CPI ficará sem respostas para o que deseja saber. Na melhor das hipóteses, o depoente dirá que precisará levantar as informações e depois enviará as respostas à CPI.
Por isso a "reporcagem" da revista Veja desta semana é que é uma fraude, ao querer dizer que perguntas que seriam feitas na CPI da Petrobras foram "vazadas". Isso é ridículo. Não existe "perguntas sigilosas" em CPI para serem vazadas.
Qualquer parlamentar que queira obter de fato respostas detalhadas e esclarecedoras pode antecipar as perguntas, seja ao depoente, seja fazendo as perguntas em público, para buscar as respostas na sessão da CPI. E os depoentes podem perguntar aos deputados o que eles querem saber mais especificamente sobre assuntos complexos, que necessite levantar previamente em documentação. Inclusive algumas questões a serem perguntadas costumam ser óbvias. São as explicações necessárias para esclarecer o que a própria imprensa aponta como denúncias e levanta dúvidas.
Como era previsível, o mais demotucano dos telejornais, o Jornal Nacional da TV Globo, gastou mais de quatro minutos repercutindo essa "reporcagem" no sábado. Desta vez levaram ao ar as declarações de oposicionistas demotucanos. Na quinta-feira, quando Aécio finalmente admitiu ter usado o aeroporto de Cláudio para uso particular, o JN gastou só dois minutos para falar do assunto sob a ótica da nota oficial distribuída pela campanha tucana, e não levou ao ar nenhuma liderança do PT para comentar.


Tudo isso demonstra de forma cristalina o que a TV Globo e a Veja fazem para dar uma ajuda à campanha eleitoral do amigo deles, Aécio Neves.

Chico Buarque diz...

Uma resposta ao leitor sobre os motivos da mídia


zitocaxias
Amigo é para essas coisas…
por Luiz Carlos Azenha
O caríssimo leitor Jorge Portugal me pergunta, nos comentários de outro post: o que a mídia ganha ao fazer campanha contra governos de esquerda e/ou trabalhistas?
Minha resposta: dinheiro, muito dinheiro.
Na verdade, não importa se é PSDB, PT ou DEM.
Em espécie ou em vantagens, como denunciado aqui.
Conto um causo que vivi pessoalmente.
Lá por 1998 ou 1999, trabalhando de repórter na TV Globo do Rio de Janeiro, fui convocado pelo produtor Tim Lopes para fazer uma reportagem. Era para sair no Fantástico. Uma investigação sobre o então prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos. Zito era suspeito de mandar matar adversários políticos.
Fomos atrás dos documentos e testemunhas. Entre elas, um casal de professores que havia escapado de uma tentativa de homicídio num Fusca. Para finalizar a reportagem, fiz o impensável: fui ouvir Zito durante uma cerimônia pública, numa praça de Duque de Caxias. Ele respondeu às minhas perguntas com os dentes cerrados. Embarquei na viatura da emissora e saí “voado”.
E olha que o Zito era do PSDB!
A reportagem foi editada. Ficou com cerca de 8 minutos. Um petardo, com vários documentos, entrevistas e as respostas do prefeito.
Passaram-se algumas semanas.
Fui perguntar ao Tim, que trabalhou comigo em várias reportagens, sobre o destino de nosso material.
Ele foi cobrar do diretor do Fantástico. Ouviu que era uma questão de falta de tempo.
Assim foi. Semanas e semanas se passaram, até que esqueci completamente do assunto.
Num domingo, em meu apartamento da Timóteo da Costa, no alto Leblon, abro o jornal O Globo.
Susto!
Uma foto de Roberto Marinho cumprimentando o Zito.
O parque gráfico de O Globo em Duque de Caxias havia sido inaugurado em janeiro de 1999.
Aparentemente, tinha havido uma disputa sobre isenção de impostos.
Aquela foto era sinal de que o “problema” tinha sido resolvido? Não sei.
O que importa é que nossa reportagem nunca foi ao ar!
É assim que funciona a mídia corporativa…

'FIZEMOS AEROPORTOS, MAS NINGUÉM FICOU COM A CHAVE'


Fotos: Cadu Gomes/ Ichiro Guerra:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Se todos fossem contra ser colônia, haveria colônias?

Autor: Fernando Brito
dopovo
Por generosidade, tendemos a achar que é geral o desejo de que o Brasil seja um país desenvolvido, soberano e que o seu povo ascenda à uma condição social não apenas digna mas à altura do potencial deste país.
Infelizmente, não é assim.
O modelo brasileiro, dependente, financista, excludente não é ruim para todos.
Basta lembrar quantas e quão perdulárias fortunas se fizeram – e se herdaram – aqui.
Na hora da abundância, quando a maré enche, todo mundo vira pato e nada.
Mas, quando o rio anda baixo, a gente vê como se quer distribuir a água.
Tudo como sempre para o Jardins, torneira seca para Guarulhos ou para a Zona Norte.
A história que se tira das exposições dos candidatos na Confederação Nacional da Indústria é exatamente essa.
Aécio Neves e Eduardo Campos prometeram “segurança” para os investidores (e leia-se entre eles, em destaque, o capital financeiro.
Parece que se propõem a criar o famoso “almoço grátis” que o Milton Friedman (sando de seu próprio altar) disse que não existe.
Cambio mais livre (adivinhem em que direção), impostos menores (adivinhem para quem), maior superavit fiscal (para pagar os juros de quem?)  e, vejam que proeza, maiores investimentos.
E o Estadão diz que “Aécio evita oferecer ‘milagres’ e fala em ampliar investimento”.
A conta, como gostam de dizer, evidentemente não fecha.
Ou só fecha na hora da maré cheia, que empurra tudo para a frente.
Alguns dos prezados leitores e leitoras consegue se recordar de quando, nas últimas duas décadas, este país teve uma política industrial, com erros e acertos que seja? Ou uma política de infraestrutura energética, logística, urbana. Ou social, na assistência médica e na habitação?
Uma análise minimamente honesta verá os problemas da economia dentro de um contexto de mudança, não apenas levando em conta os altos e baixos cotidianos.
Numa colônia, a casa é alugada e tudo o que importa é pagar em dia o aluguel.
Mas quando se ergue a própria casa, há precariedades, erros, cabelos a arrancar, stress.
Só não dá pra prometer o que a “turma da bufunfa” quer e dizer a quem não tem ou pouco tem que “não hesitará em tomar medidas impopulares”.
Um governo eleito pelo povo tem, se quiser ser fiel ao mandato que recebe da população, enfrentar este desafio.
Nem que, para isso, fique impopular entre os analistas do Santander, que não pensam diferente da nata empresarial e da mídia que a reverencia.
Mas se não disser ao povo o que, porque e para que faz, vai se isolar e perder a força que pode ter.
Que precisa ter.
Porque só a força do povo, que mais sente que entende disso, pode permitir que as mudanças aconteçam e , progressiva e instintivamente, fazer que as mudanças aconteçam.

Nem Alckmin salva a "elite branca"

Do site SPressoSP:

Isabela Raposeiras, proprietária de uma cafeteria na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, conhecida por reclamar do preconceito e discriminação sofrida pela “elite branca europeia”, foi obrigada a fechar seu estabelecimento. O motivo é a falta d’agua.

“Acredito que seja um racionamento não avisado”, disse Isabela à Veja. “Eu não sou contra racionamento, é digno, já tinha que ter feito muito antes”, criticou a proprietária da cafeteria.

Na manhã desta quarta-feira (30), Isabela publicou em seu perfil no Facebook: “No water. No warning from Sabesp… Até amanhã, então, porque hoje não vai ter café na Vila Madalena.”

Isabela já havia recorrido ao Facebook para fazer uma reclamação muito peculiar, em junho. Segundo a empresária, ela seria parte integrante de uma “elite branca europeia”, uma minoria que é alvo de preconceito e discriminação.

“Não sentirei vergonha pelas minhas conquistas, pelo meu status social, pela minha pele branca. E minha empresa, certamente, faz muito do que o governo deixa de fazer, ajudando famílias, fazendo doações e, especialmente, pagando dignamente – fornecedores e funcionários”, bradou a indignada empresaria que agora parece estar mais tolerante com a falta d’agua que não a deixa acumular riqueza.

Ciro mostra como se desconstrói um neolibelês

Cortar onde, meu filho ?
Sugestão do amigo navegante Sergio Figueiredo com debate de Ciro Gomes com uma das estrelas (cadentes) do neolibelismo pigal (*).

É de dar dó.

Explicação para o favoritismo de Alckmin nas pesquisas


A consultoria que diz que o Brasil vai acabar

Miranda no centro das atenções
Miranda no centro das atenções
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O Brasil vai acabar.
Quem diz isso é o analista de investimentos Felipe Miranda, um dos sócios e fundadores da consultoria de investimentos Empiricus.
Num texto que a própria Empiricus define como “leitura obrigatória”, Miranda vaticina o fim do Brasil.
Para breve.
Isto, é claro, caso Dilma se reeleja. Aí, segundo ele, o caos vai se instalar na economia, e estaremos todos fritos.
Quer dizer: todos menos os sócios da Empiricus. Porque eles estão fazendo do horror econômico uma arma de vendas.
Num anúncio controvertido na internet, eles prometeram aos eventuais clientes a fórmula infalível para “se proteger da Dilma”.
O anúncio foi tirado do ar por ordem do Tribunal Superior Eleitoral, depois de uma reclamação do PT.
O TSE entendeu que aquilo era uma peça eleitoral contra Dilma.
Tenho outra visão. Não é exatamente contra Dilma, mas contra a decência.
Pelo seguinte: eu induzo você a achar que uma bomba atômica está prestes a explodir onde você vive. E ao mesmo tempo ofereço a você abrigo antinuclear.
Sua crendice é meu lucro.
É uma coisa próxima da vigarice. Eu estou engambelando você.  Eu estou vendendo o problema e ao mesmo tempo a solução para você.
A Empiricus é pequena, e não tem grandes histórias a contar em sua até aqui breve existência de cinco anos.
Mesmo assim, por causa do anúncio, ela virou notícia.
Pelo menos numa ocasião cometeu um erro monumental de avaliação. No final de 2009, recomendou entusiasmadamente que os investidores comprassem papeis da OGX, de Eike.
“OGX pode dobrar de valor na bolsa, diz Empiricus”: este o título de uma matéria da Exame.
Bem, o final da história todos sabemos.
Você conhece a alma da Empiricus vendo sua conta no Twitter. Ela tem pouco mais de 5 000 seguidores. E segue apenas vinte pessoas.
Entre elas estão Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Lobão, Roger e Danilo Gentili.
Todos eles saíram a campo para defender a Empiricus do “terror petista” por conta da retirada do anúncio do ar.
Felipe Miranda talvez não seja brilhante em avaliações, ou um exemplo de ética, mas de marketing ele tem boas noções.
Sabe aparecer.
No meio da confusão, ele aproveitou para avisar que está pensando em contratar a analista demitida pelo Santander depois de oferecer, ela também, proteção contra Dilma.
(O Santander errou duas vezes: ao publicar o boletim e depois ao demitir a autora.)
Tenho aqui um pressentimento.
Com a notoriedade adquirida agora graças ao anúncio e ao relatório que enterra o Brasil, Felipe Miranda se credencia a ser mais um colunista da Veja, ou do Globo, ou da Folha, ou do Estadão.
Pressinto que vamos ouvi-lo com frequência na CBN e na Globonews em programas sobre a economia.
Daí, da alavanca esplêndida da mídia, a palestras de 10, 20 ou mesmo 30 000 reais é um pulo.
Com a vantagem que, na mídia, ele pode fazer avaliações como a relativa a Eike sem consequência nenhuma para si próprio.
Basta falar mal do PT. O resto não importa.

O que vai acontecer no Brasil caso os discípulos de Thatcher triunfem

Dama de Ferro
Dama de Ferro
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O terrorismo econômico está aí.
Essencialmente, o que os conservadores estão dizendo é que a política econômica descarrilhou sob Dilma.
Só Aécio salva, é a mensagem.
O que a direita quer para a economia é, numa palavra, a receita thatcheriana.
Os pilares da doutrina consagrada nos anos 1980 por Margaret Thatcher podem ser resumidos assim: privatizar, desregulamentar e reduzir ao máximo as despesas sociais.
A busca, em suma, do Estado mínimo.
É o que o “mercado” quer por razões óbvias: as empresas, nacionais e internacionais, ganham barbaramente com isso.
Como em todo jogo alguém perde, os trabalhadores pagam a conta. A Inglaterra sob Thatcher regressou a níveis de desigualdade próximos do abismo que existia na era vitoriana.
Esqueça, por um momento, questões como ideologia ou mesmo justiça. A questão é: a receita funciona?
Ou sob outro ângulo: se o Brasil adotar os preceitos thatcherianos reivindicados pelos conservadores a economia vai deslanchar?
A resposta, se você olha a história, é: não.
Os mandamentos de Thatcher são bons apenas para o chamado 1%. Para os demais 99%, não.
Para o país como um todo, para a saúde da sociedade, menos ainda. Seguir Thatcher é uma calamidade nacional.
O thatcherismo está na raiz da crise econômica que castiga o mundo desde 2008.
Sob Reagan, os Estados Unidos abraçaram o thatcherismo. O mercado financeiro foi desregulamentado, para dar liberdade aos bancos e assim, alegadamente, promover a economia.
Depois de alguns anos, veio a hecatombe.
Na busca de lucros exorbitantes, os bancos americanos – livres de regulamentação – afrouxaram todos os controles para quem pedia empréstimo para comprar casa.
Até que começou a inadimplência.
Milhares, milhões de tomadores de empréstimo não tinham condições de honras as dívidas.
Os calotes se multiplicaram. Grandes bancos quebraram. E a crise econômica se espalhou rapidamente pelo mundo.
Nunca mais a economia mundial se recuperou. A locomotiva dela, os Estados Unidos, vem se arrastando desde então.
Em breve, graças à estagnação americana, a China deve se converter na maior economia do mundo.
Também a Inglaterra de Thatcher ainda hoje enfrenta as consequências econômicas e sociais da falsa revolução da Dama de Ferro.
A ressaca do thatcherismo tornou Thatcher tão detestada que os ingleses fizeram celebrações em praças públicas quando ela morreu.
Não existe uma única estátua dela na Inglaterra, sequer em sua cidade natal: ela seria derrubada em dias, talvez horas.
É esta mesma receita que os conservadores querem para o Brasil agora.
Suponha que ela seja adotada pela próxima presidência. Rapidamente, os suspeitos de sempre lucrarão – a plutocracia, ou o 1%.
Num país cujo maior desafio é mitigar a desigualdade social, seria uma tragédia.
O país avançou socialmente nos últimos anos. Menos do que poderia e deveria, é verdade. Mas avançou.
O thatcherismo faria o Brasil retroceder várias casas na questão social em pouco tempo.
Num momento de franqueza desconcertante, Aécio prometeu a empresários “medidas impopulares” caso se eleja.
Seu guru econômico, Armínio Fraga, um fundamentalista do thatcherismo, falou que o salário mínimo cresceu muito nos últimos anos.
Avisos do que vem por aí caso o thatcherismo seja posto em ação no Brasil não faltam, portanto.
Os thatcheristas prometem a você o paraíso. Mas entregam o inferno. Paraíso, só para eles mesmos.