terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FORA, POVO!


Por Luis Fernando Veríssimo

“Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que defendo há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…”

FONTE: escrito por Luis Fernando Veríssimo

domingo, 5 de dezembro de 2010

Em cada ano, o MST alfabetiza cerca de 30 mil educandos, envolvendo 2 mil educadores


MST ganha medalha Paulo Freire do Ministério da Educação
1 de dezembro de 2010
Por Mayrá Lima
Da Página do MST
O MST ganhou do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, a medalha Paulo Freire, durante a abertura da 2ª Semana EJA
A homenagem é um reconhecimento pelas experiências em educação básica de jovens e adultos (EJA) em acampamentos e assentamentos, além da participação na formulação de políticas públicas para o setor, através da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de jovens e adultos (CNAEJA).
De acordo com Tiago Manggini, do setor de educação do MST, a participação dentro da Comissão Nacional foi fundamental para que a realidade camponesa fosse incluída na pauta. “Há uma dívida histórica com o campo, no que diz respeito à educação. As políticas nacionais para o setor costumam ter dificuldades de focar as ações em realidades específicas, como o caso dos acampamentos e assentamentos”, disse.
As experiências do MST com a EJA tiveram início com a Campanha de Educação de Jovens, Adultos e Idosos, realizada em 1991, no assentamento Conquista da Fronteira em Bagé, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, esteve presente Paulo Freire, que empresta seu nome à medalha recebida.
Em 1996, uma parceria com o MEC e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) levou o projeto para 18 estados. Foram formadas 550 turmas e 8.000 educandos. Depois o projeto continuou por meio de parcerias entre secretarias de educação e universidades nos estados. Em cada ano, o MST alfabetiza cerca de 30 mil educandos, envolvendo 2 mil educadores.
A 2ª Semana EJA acontece até o sexta-feira, na Academia de Tênis, em Brasília.
Educação, Cultura e Comunicação

sábado, 4 de dezembro de 2010

WikiLeaks: existe liberdade de imprensa na internet?



O caso, para usar uma linguagem forense, do governo dos Estados Unidos contra o portal WikiLeaks é ilustrativo sobre a maneira como as autoridades do país mais poderoso do planeta entendem liberdade de imprensa e democracia e mostra que está longe o tempo em que o aristocrata francês Alexis de Tocqueville pôde escrever, sobre a então grande democracia do norte: “a liberdade de imprensa é uma consequência necessária da soberania do povo como ela é compreendida na América” (em A democracia na América, de 1835).

A realidade mostra que não é mais, e o que se impõe são os interesses do governo e das grandes empresas multinacionais, entre elas – evidentemente – os grandes monopólios da mídia.

O portal WikiLeaks se tornou famoso por divulgar lotes de documentos secretos do governo dos EUA, primeiro sobre a agressão no Oriente Médio e, agora, desvendando a arrogância e prepotência da diplomacia dirigida por Hillary Clinton. A reação do governo de Washington foi pressionar as empresas que disponibilizam servidores (os grandes computadores que alojam os portais da internet), uma reação de força típica de governos cujas ações negativas acabam escancaradas, revelando as reais ações, avaliações e intenções que movem sua ação diplomática.

O linguista Noam Chomsky, um veterano militante da causa da paz, diz que a diplomacia dos EUA não é honesta nem confiável, avaliação que foi plenamente demonstrada pela montanha de telegramas divulgados pelo WikiLeaks.

Esta escassa confiabilidade anda junto com a hipocrisia. No começo deste ano, quando o portal de buscas Google entrou em conflito com o governo da China ao infringir as leis desta nação, a secretária de Estado Hillary Clinton parecia indignada quando pregava a plena liberdade da internet em todo o mundo.

As medidas tomadas nesta semana, quando o portal Amazon aceitou desligar a WikiLeaks de seus computadores por pressões de Washington, não deixam dúvida quanto a isso. Há outra frase histórica que ajuda a entender o caso e as limitações à liberdade de imprensa. O pensador Benjamin Franklin, que viveu no século 18 e foi um dos pais da independência dos EUA, disse certa vez, com ironia: “a liberdade de imprensa é a liberdade de quem tem uma” (em inglês, a palavra – press – designa imprensa e também a máquina usada para imprimir, a prensa).

É nos EUA que estão localizados os principais servidores da internet (computadores hospedeiros dos portais de todo o gênero que existem na rede). Usando a “liberdade de imprensa” no sentido restritivo indicado por Benjamin Franklin, o governo de Washington confirma ser uma ameaça para a livre manifestação do pensamento e para a liberdade de publicação em todo o mundo. Subordinar publicações na internet a seus interesses geopolíticos e para ocultar seus segredos de Estado passa a ser uma nova modalidade de ameaça à democracia sediada nos EUA e que se junta às outras que, de lá, infelicitam o mundo – como as agressões militares, pressões econômicas, restrições políticas etc.

Comentando o atentado à liberdade de imprensa cometido nesta semana por Washington, Chomsky observou que sua “mais dramática revelação é o amargo ódio à democracia que tanto o governo dos EUA - Hillary Clinton e outros – como o serviço diplomático demonstram”.

A liberdade de imprensa é uma conquista da democracia moderna. É um princípio que precisa ser defendido pelos trabalhadores e pelos democratas de todas as partes. Nas condições atuais, uma enorme restrição a ela é o domínio da mídia por grandes monopólios, que enredam jornais, revistas, rádio e televisão numa espúria teia de interesses que enlaça governos conservadores e os interesses do grande capital e transformam suas publicações em instrumentos de manipulação política.

Onde estão os “campeões” da liberdade de imprensa quando o governo de Washingon investe contra a difusão de documentos incômodos? Esses mesmos “campeões”, quando se trata de governos como os de Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Lula ou a candidata Dilma Rousseff, são implacáveis defensores da divulgação de qualquer segredo, mesmo aqueles inventados pela própria conspiração midiática. E, quando estes governos se defendem das mentiras e calúnias veiculadas pela mídia patronal, são acusados de ameaçar a liberdade de imprensa. Onde está a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e sua afetada indignação quando a restrição à publicação de documentos parte de Washington?

A novidade até agora era a internet, encarada como um campo de disputa livre e democrática. A censura dos EUA contra a WikiLeaks mostra como isso também é relativo: o espaço da liberdade na rede mundial é aquele que caminha junto aos seus interesses, ou pelo menos não os confronta diretamente de forma global. O espaço da liberdade, na rede, é aquele da militância contra nações e governos que não rezam pela cartilha de Washington. Mas aí daquele que confronta os interesses da principal potência imperialista – a “liberdade” é trocada pelo uso da força, da coerção, da calúnia. Da destruição das condições materiais para a difusão de ideias, publicações e documentos incômodos.
post do vermelho

Lula: mídia internacional é mais fiel aos fatos que a brasileira

Após oito anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro.

Lula aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros. Segundo o presidente, reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no país atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social .

“Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar. Nós começamos a consertar”, declarou Lula. “Hoje, o grau de otimismo é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.”

Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a parir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que se afastaria das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.

“Já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: ‘Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?’. Eu não posso ir. Querer, eu quero — mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República”, disse.

Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. O presidente explicou que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”.

“Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país”, disse Lula.

“Fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito”, agregou. “Quero que a Dilma, quando tomar posse, comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.”
do Blog do Planalto

Palestinos: Brasil reconhecer Estado é prova de solidariedade


A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) considera a decisão do governo brasileiro de reconhecer o Estado palestino nas fronteiras de 1967 como uma prova de "solidariedade" e uma "resposta não violenta ao unilateralismo israelense".

"Quero agradecer ao meu amigo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por cumprir com sua palavra de pôr a solidariedade em ação e dar uma resposta não violenta ao unilateralismo israelense", afirmou o dirigente palestino Nabil Shaaz em uma declaração.

Shaaz, membro do Comitê Central do Fatah a cargo das Relações Internacionais e ex-ministro das Relações Exteriores palestino, vê também na decisão um "reflexo da histórica amizade e da fraternidade entre os povos brasileiro e palestino". "Trata-se também de uma confirmação do importante papel do Brasil na comunidade internacional", conclui a declaração, divulgada pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou o reconhecimento em comunicado.

O embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Al Zeben, também comemorou a decisão.“É um momento de alegria para o povo palestino, porque vem em concordância com o justo direito de nosso povo ter nosso próprio Estado e é um reflexo da política justa e equilibrada do governo brasileiro, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva e de seu chanceler, Celso Amorim”, afirmou.

Iniciativa coerente

Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu a decisão por carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, na quarta-feira passada. O reconhecimento foi uma resposta à solicitação realizada por Abbas em 24 de novembro. "A iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina, cujas negociações diretas estão neste momento interrompidas", afirmou o Itamaraty em nota.

"A decisão não implica abandonar a convicção de que são imprescindíveis as negociações entre Israel e Palestina, a fim de que se alcancem concessões mútuas sobre as questões centrais do conflito", destaca a nota, que diz ainda que "(a decisão) está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967."

Em 1967, após a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a região oriental de Jerusalém, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza -territórios agora reconhecidos pelo governo brasileiro como parte do Estado palestino.

Palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado independente, mas Israel considera a cidade como sua capital eterna e indivisível.

Amplo respaldo

Com a medida, o Brasil se soma a uma lista de mais de 100 países que reconhecem o Estado palestino que inclui todos os árabes, a grande maioria da África, boa parte dos asiáticos e alguns do leste da Europa. China, Rússia e Índia também fazem parte deste grupo.

O porta-voz oficial do departamento de Assuntos Relacionados com a Negociação da OLP, Xavier Abu Eid, afirmou que outros sete países latino-americanos se mostraram dispostos a reconhecer a independência palestina nas fronteiras de 1967 no momento adequado.

"Esperamos que a decisão do Brasil dê origem a uma onda de reconhecimentos latino-americanos, como a que houve após 1988 (por ocasião da Declaração de Independência Palestina) em outras partes do planeta", afirmou.

Desde 1975, o governo brasileiro reconhece a OLP como "legítima representante do povo palestino". Em 1993, o Brasil abriu sua primeira sede diplomática em território palestino, cujas atribuições foram equiparadas às de uma embaixada cinco anos depois.

As negociações de paz entre israelenses e palestinos foram reiniciadas em setembro com a mediação dos Estados Unidos, mas foram interrompidas pouco depois com o fim da moratória de Israel na expansão de assentamentos judeus em território palestino ocupado.

Fonte: EFE e agências

UM GOVERNO DE "NERDS"


Na foto que ilustra o perfil, a "nerd" Dilma ao lado de Lula nas eclusas de Tucuruí

“Brian Winter perfila o "Próximo governo do Brasil: a ascensão dos nerds", na Reuters. Afirma que "Dilma está montando um gabinete à sua imagem: um grupo de tecnocratas dados à leitura que, como ela, subiram ao poder não por carisma ou ligações políticas, mas por sua habilidade em mastigar números e fazer as coisas acontecerem". Em suma, "no sentido mais bondoso, um governo de nerds". Um futuro ministro riu: "É verdade. É mais provável discutirmos sobre curva de rendimentos do que sobre futebol."

FONTE: publicado na coluna “Toda Mídia”, de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Partilha: a maior vitória de Lula. O pré-sal é da Petrobrás (nosso)

É a diferença entre “compartilhar” (E) e “conceder” (D)


Por 204 votos contra 66 e duas abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de partilha para exploração do pré-sal.

Agora, basta Lula sancionar.

As duas abstenções se devem, talvez, ao Davizinho, consultor do Padim Pade Cerra para assuntos da Petrobrax, e da urubóloga Miriam Leitão.

Clique aqui para ver a matéria (do contra) do Estadão, pág. B5.

O regime de partilha significa que a produção de cada campo terá, agora, que ser compartilhada pelo consórcio vencedor e a União.

Ganha o leilão quem oferecer ao Governo Federal a maior parcela da produção.

A Petrobrás terá controle sobre a produção do pré-sal, como operadora única e, se formar parcerias, terá uma participação mínima de 30%.

Com isso, foi aprovado também o Fundo Social, que vai dirigir o dinheiro do pré-sal para Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia.

Este regime de partilha substituirá o de “concessão”, em voga no Governo da Petrobrax – o do Farol de Alexandria, Davizinho e do Padim Pade Cerra.

“Concessão”, como se percebe, tem a mesma raiz de “conceder”.

Na campanha, quando ainda não parecia contaminada pelo Nelson Johnbim, notório serrista – clique aqui para ler “Inês: Johnbim homenageia Médici e se inspira em Pinochet” – Dilma dizia que a eleição era sobre o pré-sal.

E era.

O pré-sal contém o futuro do Brasil.

E, por isso, o Brasil precisa de uma poderosa frota de submarinos nucleares – clique aqui para ler o que disse o amigão do peito do Johnbim, o embaixador americano, sobre o submarino nuclear brasileiro: um elefante branco.

Dilma mostrou na campanha o extenso currículo de “concessões”, ou “privatizações” do Padim Pade Cerra.

Ela ganhou a eleição (ainda que mantenha o Johnbim) e vai administrar o mais precioso legado de Lula: o pré-sal.


Paulo Henrique Amorim

A Arte da Guerra. No Rio de Janeiro


Luciano Rezende *

Sun Tzu disse: “Na guerra, o objetivo principal é a vitória. Se esta tardar, embotam-se as armas e deprime-se o moral”. Décadas da presença do crime organizado em vastas regiões da cidade do Rio de Janeiro, com a cumplicidade de setores da própria polícia, fizeram com que a reputação desta corporação e dos poderes constituídos do Estado fosse maculada perante o povo. Resgatar a confiança e a credibilidade das instituições de segurança pública é tarefa das mais importantes.

Sun Tzu disse: “Ataca onde quer que o inimigo esteja despreparado; irrompe quando ele não te esperar”. Como se diz: “Quando o trovão ribomba, não há tempo de tapar os ouvidos”. A complexidade do tráfico faz necessário que além das ações mais enérgicas e de enfrentamento ostensivo se invista no trabalho de inteligência. Sitiar as movimentações financeiras é uma forma de manter o inimigo sob pressão e esgotá-lo.

Sun Tzu disse: “A natureza do terreno é o fator fundamental para o exército consolidar sua vitória”. “(...) Em terreno íngreme, devo tomar posições nas elevações ensolaradas e aguardar o inimigo”. Com as instalações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nos topos dos morros, deslocando os traficantes de suas antigas bases estratégicas, contribuirá sobremaneira para uma efetiva ocupação destas comunidades que, por sua topografia irregular, necessita contar com visão privilegiada para dificultar o retorno do inimigo. “Quando um gato se posta diante de um buraco de ratos, dez mil ratos não saem; quando o tigre vigia o vau, dez mil carneiros não atravessam o rio”.

Sun Tzu disse: “Um exército sem agentes secretos é exatamente como um homem sem olhos e sem ouvidos”. Nesse quesito, parece que os traficantes sempre dispuseram de informações privilegiadas partindo de dentro da própria polícia. Em contrapartida, percebe-se que agora a própria população, ao readquirir o moral de combatentes auxiliares desta guerra, passa a ser informante contra o tráfico, apoiando a polícia através de importantes denúncias telefônicas.

Sun Tzu disse: “Quando as tropas estão em situação favorável, o covarde é bravo; quando não, o bravo é covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Estas dependem unicamente das circunstâncias”. Esperemos que a firmeza do discurso oficial no atual momento seja mantida com o decorrer do tempo e que as políticas sociais de fato “subam o morro” e sejam implantadas com a coragem necessária para superar de vez as práticas assistencialistas do inimigo.

Sun Tzu disse: “Não permitas que seus inimigos se aliem. Examina o conteúdo dessas alianças e provoca sua ruptura. Se o inimigo tem alianças, o problema é grave e a posição dele, muito forte; se não as tem, o problema é menor e a posição dele, muito fraca”. O crime organizado no Rio conseguiu tecer vasta rede de colaboradores. Tem representação no Parlamento e está infiltrado em várias repartições com anuência de vários agentes do poder público. Romper esse consórcio é tarefa a ser perseguida.

Sun Tzu disse muito mais em “A Arte da Guerra”. Documento milenar que a despeito de seu contexto histórico guarda enorme atualidade. Mas Sun Tzu não viveu o capitalismo. Não desconfiava de poder existir um modo de produção capaz de disseminar uma cultura de guerra e violência de fazer inveja aos antigos senhores de guerra.

A cultura da violência vem do berço no capitalismo que sobrevive do espírito de uma bestial competição, em todos os sentidos. A própria insegurança da população é um ótimo negócio a ser comercializado pela indústria da segurança, inclusive por milícias. Banalizou-se a violência como em poucos momentos da história da civilização. Hoje uma criança pede à mãe para comprar um “caveirão” do Bope de brinquedo, assistindo um ingênuo Pica-pau vermelho e azul meter uma paulada na cabeça de um índio. Todos riem.

Relembrando Brecht: “Muitos acusam o rio de violento, mas poucos são os que condenam as margens que o reprime”. Em meio a mais uma cobertura midiática sensacionalista, é fundamental que, ao reafirmarmos a validade das operações policiais, também sejamos capazes de fazer uma leitura histórica e científica da violência no Rio, no Brasil e no mundo. Não ser ingênuo a ponto de pensar que o tráfico vai ser vencido apenas com políticas sociais, mas também não imaginar que somente a ação policialesca será suficiente para se alcançar o apaziguamento. O rio (e o Rio) está (ão) cada vez mais estreito (s).

A verdadeira paz só será atingida com outro sistema social, o que exigirá um outro tipo de guerra, mais prolongada, de longo fôlego. Sun Tzu disse: “A invencibilidade depende de nós. A vulnerabilidade do rival depende dele”. O capitalismo é débil por natureza, perecerá mais cedo ou mais tarde, a depender de nossa estratégia.


* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Professor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).

Banda larga: Pedras no caminho da universalização



Os jornais informam nas edições de quarta-feira (1/12) que o plano de banda larga do governo vai ser adiado para abril de 2011. Oficialmente, o presidente Lula da Silva deixa para sua sucessora a definição do projeto, que foi anunciado em abril deste ano e recebido pela imprensa como mais um movimento do governo petista no sentido de estatizar a economia.

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa

Deste então, jornais e revistas deram apoio incondicional ao sindicato das operadoras de telecomunicações, que se posicionaram contra a reativação da Telebrás, detentora da rede de fibra ótica da Eletronet, empresa de capital misto que foi à falência.

A Eletronet deixou instalados 16 mil quilômetros de fibra ótica, numa rede que liga Fortaleza a Porto Alegre, passando por estados como Maranhão e Pará, municípios do interior do Nordeste e áreas remotas do Centro-Oeste. Segundo estudos técnicos, seria a melhor alternativa, somada a redes de outras empresas, como a Petrobras, para realizar o compromisso de universalizar o acesso à internet em banda larga.

Discordâncias de fundo


Na disputa entre o governo e as empresas privadas de telecomunicações, a imprensa toma claramente o partido das empresas, mas não faz avançar o debate sobre a necessidade e as consequências de oferecer internet a todos os brasileiros.

Para complicar ainda mais o entendimento da disputa, tramita no Senado Federal projeto que permite às operadoras de telecomunicações ingressar no mercado de TV a cabo. A iniciativa contraria os interesses das emissoras de televisão, das distribuidoras de canais estrangeiros e de parte das operadoras de TV paga, segundo a Folha de S.Paulo. Atualmente, a legislação proíbe empresas de telecomunicações de oferecer TV a cabo nas áreas em que possuem concessões de telefonia fixa.

Além do conflito entre as empresas de setores variados, há uma discordância entre as teles e o governo: as telefônicas querem oferecer pacotes completos com telefone, internet e TV paga através de suas redes de cabo, e o governo prefere estimular a concorrência, para assegurar mais qualidade e preços menores.

Mais clareza

A imprensa brasileira apresenta os dois assuntos separadamente, como se o projeto de universalização da internet não tivesse conexão com a disputa que se trava entre as empresas de telecomunicações e as empresas de comunicação.

O Senado apressa a votação que favorece um dos lados, e a sociedade fica à margem das discussões porque a imprensa não contribui para esclarecer as consequências de uma ou outra decisão.

Vai acordar quando chegar a conta.

Expectativa de vida aumentou. O IDH do Brasil foi o que mais avançou

Eles morrem de rir do Çerra

Saiu no O Globo online:

“Expectativa de vida do brasileiro nascido em 2009 é de 73,17 anos, informa IBGE”


Nos 30 anos entre 1980 e 2009 o aumento da expectativa de vida foi de 10 anos, sete meses e seis dias.

Em 2050 a esperança de vida do brasileiro chegará a 81 anos.

No dia 5 de novembro de 2010, soube-se que o Brasil é o país que mais avança em Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH da ONU.

O Brasil subiu quatro posições, atingiu a 73ª colocação num total de 169 países e está no grupo “de desenvolvimento humano elevado”.

Se o amigo navegante ler o PiG (*) e ouvir os discursos do Padim Pade Cerra corre o risco de imaginar que o IDH do Brasil seja o do Zimbábue, o 169º colocado e último da lista da ONU.

Paulo Henrique Amorim


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Leandro: Johnbim, o ministro X-9

Sabe o Morales ?

Publicado no blog Brasília, eu vi de Leandro Fortes:

O ministro X-9


Por Leandro Fortes

Uma informação incrível, revelada graças às inconfidências do Wikileaks, circula ainda impunemente pela equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, costumava almoçar com o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel para falar mal da diplomacia brasileira e passar informes variados. Para agradar o interlocutor e se mostrar como aliado preferencial dentro do governo Lula, Jobim, ministro de Estado, menosprezava o Itamaraty, apresentado como cidadela antiamericana, e denunciava um colega de governo, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, como militante antiyankee. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, divulgado pelo Wikileaks, Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para “criar problemas” na relação entre os dois países.

Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa, um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.

Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.

Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.

No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.

Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.

Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.

Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.

Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.

De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.

Pré-sal: EUA não querem submarino nuclear

Na foto, os canudinhos com que o "cretino" quer chupar o pré-sal


Este ordinário blogueiro acredita no WikiLeaks, ao contrário do Ministro serrista Nelson Johnbim.

O documento divulgado hoje, de autoria do “cretino” embaixador americano, toca no nervo da questão estratégica brasileira.

O rearmamento da Marinha para proteger o pré-sal.

É por isso que o “cretino” do embaixador americano acha que o submarino nuclear brasileiro não presta: porque vai impedir que os EUA cheguem na beira das 200 milhas e chupem o pré-sal com um canudinho.

O “cretino” não é cretino.

Só o Johnbim acredita nisso.

Saiu na Folha (*):

EUA criticam submarino e estratégia de brasileiros


FERNANDO RODRIGUES

DE BRASÍLIA

Wikileaks Dois telegramas produzidos pela Embaixada dos EUA em Brasília no início de 2009 fazem duras críticas à Estratégia Nacional de Defesa lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2008.


Em um desses dois despachos aos quais a Folha teve acesso, ambos assinados pelo então embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, há uma contestação sobre como as Forças Armadas brasileiras serão empregadas no futuro, sobretudo na proteção do mar territorial do país por causa da descoberta das reservas de petróleo da camada do pré-sal.


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Clique aqui para ler a íntegra da matéria na Folha (*).


Paulo Henrique Amorim

A intolerância na ofensiva: 1-temporada de caça aos ateus



João Quartim de Moraes *


A liberdade de religião é hoje reconhecida universalmente, embora esteja longe de ser em toda parte efetivamente respeitada. Mesmo porque, na prática, são muitos os que militam pela liberdade da própria religião e poucos pela religião dos outros (ou pelo direito alheio de não ter nenhuma). A dificuldade, não apenas filosófica, mas especialmente ético-jurídica está em traçar a linha divisória entre a consciência religiosa enquanto tal e sua exteriorização nas práticas culturais. Nem mesmo os otimistas imaginam ter ocorrido progresso linear no reconhecimento de que a fé é assunto de convicção íntima de cada qual e de que portanto ninguém deveria ser perseguido nem discriminado por causa de suas idéias sobre a religião. Steven Runciman constatou em seu notável The Medieval Manichee. A Study of the Christian Dualist Heresy (há boa tradução mexicana editada pelo Fondo de Cultura Econômica em 1989: Los maniqueos de la Edad Media. Un estudio de los herejes dualistas cristianos), que embora seja “certamente útil para a felicidade de uma sociedade encarar com abertura de espírito as crenças privadas dos demais”, “a tolerância é uma virtude mais social que religiosa”, inacessível àqueles “cuja religião pessoal é muito forte”, pois quem pensa “ter encontrado a chave e o princípio orientador da vida, não pode permitir que seus amigos andem perdidos pelas trevas”. Amigos? Somente num sentido muito lato ou então irônico do termo. Com efeito, “as opiniões a respeito da natureza da ajuda que se deve prestar podem variar desde a persuasão serena e o exemplo brilhante até a espada e o auto da fé”.

As eleições de outubro passado suscitaram múltiplas manifestações de obscurantismo teológico a serviço da caça aos votos. Os candidatos progressistas e culturalmente esclarecidos ficaram reféns dos manipuladores do fundamentalismo. Os ateus foram um dos alvos preferidos desses solertes inquisidores. Entre as agressões que sofreram duas foram especialmente torpes. Já nos referimos em artigo recente a uma delas. Comparecendo no dia 1º de maio passado a uma reunião de evangélicos, José Serra desenvolveu a seguinte comparação: o fumante “sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que ele está ali, mas não o procura”. Esse pendor místico de boca de urna, que não salvou o candidato da direita à presidência de sua segunda derrota, suscitou réplica indignada da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea): “Esse tipo de comportamento é inadmissível em qualquer cidadão civilizado, quanto mais de um pretendente ao cargo mais alto da nação”. “O contexto sugere que Serra teria feito esse tipo de declaração para satisfazer uma platéia que ele aparentemente imaginava ser tão preconceituosa quanto ele”.

Vindo de quem veio, essa charlatanice reacionária não chega a surpreender, salvo por sua extrema estultice. Serra parecia um pouco mais inteligente do que isso. Surpreendeu mais um outro golpe baixo contra os ateus. Num momento em que, perante a ofensiva eleitoreira dos fundamentalistas, açulados por Serra, Dilma teve de fazer concessões para evitar hemorragia de votos, o festejado frei Bettto aproveitou-se para destilar, na Folha do Frias, seu ódio contra quem não aceita dogmas religiosos. Assegurando que Dilma nunca foi “marxista ateia” (as aspas são do frade), ele alega que “nossos torturadores, sim, praticavam o ateismo militante ao profanar com violência os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau de arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte”.

Carlos Pompe, nas Colunas do Vermelho, criticou com objetividade essa grosseira satanização dos ateus, assinalando que a Atea (que já tinha se erguido contra a estulta agressão de Serra), desmistificou a falácia do frade. “Trata-se de expressão clara de preconceito. [...] E o contexto não poderia ser pior: o mote do artigo é salvar a candidata de ‘acusações’ de ateísmo, ao invés de mostrar que ateísmo não é matéria de acusação em sociedade não discriminadora. [...] A maldade dos ateus é mais uma dessas lendas preconceituosas, reafirmada ‘ad nauseam’ pela sacrossanta Bíblia Sagrada”.

Acrescento apenas uma observação às críticas pertinentes de Pompe e da Atea. Se Bettto estivesse prioritariamente preocupado em contribuir para a vitória de Dilma, teria dito simplesmente que a conhece desde menina e que ela era católica. Mas preferiu aproveitar a ocasião para injuriar os ateus. Os protestos indignados de muitos leitores não o sensibilizaram. Em vez de reconhecer com evangélica humildade ou pelo menos com honestidade intelectual (qualidade presente em muitos ateus) que tinha escrito frases odiosas, preferiu usar a proteção de que desfruta no jornal do Frias (sempre pronto a ajudar aquela esquerda que ajuda a direita) para voltar à carga, dizendo ter amigos ateus e que estes “compreenderam” suas declarações. Compreenderam o quê? Que o ateismo militante é próprio a torturadores? Que Marx era ateu? Infelizmente, o que se pode compreender da atitude a toa do frade é que ele infringiu o preceito de latim de sacristia: “errare humanum est; in errore persistere, diabolicum”. Amem.


LULA MANDOU AVISAR: 'ELES NÃO SABEM O QUE VAI ACONTECER NESTE PAÍS'


"...Este país já tinha criado as condições para o Getúlio Vargas se matar, este país já tinha ameaçado não deixar Juscelino competir (...) Depois, este país cassou o João Goulart. Eu falei: o que eles vão aprontar comigo? E eles tentaram, em 2005, eles tentaram, em 2005. Só que eles não sabiam que, pela primeira vez, este país tinha eleito um presidente que era a encarnação do povo lá em Brasília.... E, aí, nós fomos para a rua e eles perceberam ... Eu lembro de uma vez que o Sarney foi conversar comigo, eu falei: “Presidente Sarney, eu só quero que o senhor diga lá dentro, para os senadores, o seguinte: se eles tentarem dar um passo além da institucionalidade, eles não sabem o que vai acontecer neste país. Este país teve presidente que foi embora, este país teve presidente que se matou, este país teve presidente que foi cassado e saiu do Palácio. Eu, eles vão saber que eu sou diferente. Eles vão saber, eles vão saber, eles vão saber que não é o Lula que está na Presidência, eles vão saber que a classe trabalhadora brasileira é que chegou à Presidência da República..." (Presidente Lula, em discurso no Maranhão; 01-12)

João Pedro Stédile: ''EUA são os maiores terroristas do mundo''

ricana vazado pelo website Wikileaks e que menciona o MST (Movimento dos Sem-Terra) é, para um dos maiores líderes da entidade, uma prova da ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil e da América Latina. Para João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do movimento, a mensagem diplomática que trata os sem-terra como um "obstáculo" para a criação de uma legislação antiterrorista no Brasil "revela, infelizmente, como o governo dos EUA continua tratando os países da América Latina como meras colônias que devem obedecer e serem orientadas".

"É evidente que as pressões do governo dos EUA, tentando influenciar governos democráticos e progressistas a aderirem à sua sanha paranóica de terrorismo, visa criminalizar e controlar qualquer movimento de massas que lute por seus direitos e que ocasionalmente representem manifestações contra os interesses das empresas estadunidenses", disse Stédile em entrevista ao Opera Mundi nesta terça-feira (30).

O coordenador do MST acredita que a criação de uma lei "antiterrorista" poderia ser usada, na verdade, para perseguir os movimentos sociais, o que seria uma estratégia deliberada de Washington.

"No passado, eles criaram a paranoia da União Soviética, depois dos inimigos internos e, agora, querem transformar toda luta social em luta terrorista".

Para ele, o fato de o diplomata norte-americano Clifford Sobel, ex-embaixador dos EUA no Brasil, ter mencionado o MST como um entrave à criação de leis antiterrorismo no Brasil revela uma intromissão externa na política brasileira que, em seu lugar, os próprios EUA considerariam inaceitável.

"Imaginem uma situação contrária, em que o embaixador brasileiro em Washington chamasse o diretor da CIA para propor novas leis que beneficiassem os imigrantes latinos ou qualquer outro assunto. Certamente, seria expulso do país em poucas horas", comentou.

Máquina de guerra

De acordo com Stédile, a intromissão norte-americana em outros países "é um absurdo e atenta contra todo os direitos democráticos", e que o vazamento de documentos sigilosos desta semana feito pelo Wikileaks pode ajudar a "opinião pública internacional" a denunciar e fazer parar a "máquina de guerra" dos EUA.

"Todos sabemos que o governo e o Estado do EUA são na atualidade o maior terrorista do mundo", afirmou Stédile. "O Estado norte-americano comete todo tipo de crimes contra a humanidade, possui mais de 800 bases militares em todo o mundo, financia e pratica golpes de Estado, como o que destituiu recentemente o presidente Manuel Zelaya; mantêm dezenas de prisioneiros sem nenhum amparo das Nações Unidas em Guantânamo; atacaram o Iraque e lá mataram mais de 300 mil civis apenas para controlar o petróleo, já que se comprovou a mentira das armas químicas; atacaram o Afeganistão com a desculpa da busca por Bin Laden, que sempre foi amigo da família Bush; e, pior, financiam toda a sua máquina de guerra emitindo dólares sem controle, como uma moeda internacional, a que todos os países do mundo têm de se submeter".

Fonte: Opera Mundi