Foto Mídia Ninja
Movimentos de comunicação marcam ato na sede da Rede Globo em São Paulo
Protesto deve ser realizado na próxima quarta-feira (3); ideia é
aproveitar efervescência política para pautar democratização da mídia
26/06/2013
Gisele Brito
da Rede Brasil Atual, via Brasil de Fato via VioMundo
Movimentos que defendem a democratização
dos meios de comunicação realizaram na noite de ontem (25) uma plenária
no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para traçar uma
estratégia de atuação. A ideia é aproveitar o ambiente de efervescência
política para pautar o assunto. Concretamente, cerca de 100
participantes, decidiram realizar uma manifestação diante da sede da
Rede Globo na cidade, na próxima quarta-feira (3).
A insatisfação popular em relação à mídia foi marcante nas recentes
manifestações populares em São Paulo. Jornalistas de vários veículos de
comunicação, em especial da Globo, foram hostilizados durante os
protestos. No caso mais grave, um carro da rede Record, adaptado para
ser usado como estúdio, foi incendiado.
Na plenária de ontem, o professor de gestão de políticas públicas da
Universidade de São Paulo, Pablo Ortellado, avaliou que os jornais Folha
de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, a revista Veja e a própria Globo,
por meio de editoriais, incentivaram o uso da violência para reprimir os
manifestantes. Mas em seguida passaram a colaborar para dispersar a
pauta de reivindicações que originaram a onda de protestos, ao
incentivar a adoção de bandeiras exteriores à proposta do MPL – até
então restrita à revogação do aumento das tarifas de ônibus, trens e
metrô de R$ 3 para R$ 3,20.
Os movimentos sociais, no entanto, ainda buscam uma agenda de pautas
concretas para atender a diversas demandas, que incluem a democratização
das concessões públicas de rádio e TV, liberdade de expressão e acesso
irrestrito à internet.
“Devíamos beber da experiência do MPL (Movimento Passe Livre) aqui em
São Paulo, que além de ter uma meta geral, o passe livre, conseguiu
mover a conjuntura claramente R$ 0,20 para a esquerda”, exemplificou
Pedro Ekman, coordenador do Coletivo Intervozes. “A gente tem que achar
os 20 centavos da comunicação. Achar uma pauta concreta que obrigue o
governo federal a tomar uma decisão à esquerda e não mais uma decisão de
conciliação com o poder midiático que sempre moveu o poder nesse país”,
defendeu.
“A questão é urgente. Todos os avanços democráticos estão sendo brecadas
pelo poder da mídia, que tem feito todos os esforços para impedir as
reformas progressistas e para impor uma agenda conservadora, de
retrocesso e perda de direitos”, afirmou Igor Felipe, da coordenação de
comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A avaliação é que apesar de outras conquistas sociais, não houve avanços
na questão da democratização da mídia. “Nós temos dez anos de um
processo que resolveu não enfrentar essa pauta. Nós temos um ministro
que é advogado das empresas de comunicação do ponto de vista do
enfrentamento do debate público”, disse Ekman, referindo-se a Paulo
Bernardo, da Comunicação.
Bernardo é criticado por ter, entre outras coisas, se posicionado contra
mecanismos de controle social da mídia. “Eu não tenho dúvida que tudo
isso passa pela saída dele. Fora, Paulo Bernardo!”, enfatizou Sérgio
Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e coordenador do
programa Praças Digitais da prefeitura de São Paulo.
Amadeu acusa o ministro de estar “fazendo o jogo das operadoras que
querem controlar a Internet” e trabalhar para impedir a aprovação do
atual texto do Marco Civil do setor. “Temos uma tarefa. Lutar sim, para
junto dessa linha da reforma política colocar a democratização”,
afirmou.
Rosane Bertotti, secretária nacional de comunicação da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) e coordenadora geral do Fórum Nacional pela
Democratização da Comunicação, enfatizou a importância da campanha de
coleta de assinaturas para a proposta de iniciativa popular de uma nova
lei geral de comunicação.
O projeto trata da regulamentação da radiodifusão e pretende garantir
mais pluralidade nos conteúdos, transparência nos processos de concessão
e evitar os monopólios. “Vamos levá-lo para as ruas e recolher 1,6
milhão de assinaturas. Esse projeto não vem de quem tem de fazer – o
governo brasileiro e o Congresso –, mas virá da mão do povo”, disse.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
E se Verônica Serra fosse filha de Lula?
Um título do site Viomundo, trazido ao Diário pelo atilado leitor e comentarista Morus, merece reflexão.
E se o filho de Lula fosse sócio do homem mais rico do Brasil?
Antes do mais: certas perguntas têm mais força que mil repostas, e este é um caso.
Bem, o título se refere a Verônica Serra, filha de Serra. Ela foi notícia discreta nas seções de negócios recentemente quando foi publicado que uma empresa de investimentos da qual ela é sócia comprou por 100 milhões reais 20% de uma sorveteria chamada Diletto.
Os sócios de Verônica são Jorge Paulo Lehman e Marcel Telles. Lehman é o homem mais rico do Brasil. Daí a pergunta do Viomundo, e Marcel é um velho amigo e parceiro dele.
Lehman e Marcel, essencialmente, fizeram fortuna com cerveja. Compraram a envelhecida Brahma, no começo da década de 1980, e depois não pararam mais de adquirir cervejarias no Brasil e no mundo.
Se um dia o consumo de cerveja for cerceado como o de cigarro, Lehman e Marcel não terão muitas razões para erguer brindes.
Verônica se colocou no caminho de Lehman quando conseguiu dele uma bolsa de estudos para Harvard.
Eu a conheci mais ou menos naquela época. Eu era redator chefe da Exame, e Verônica durante algum tempo trabalhou na revista numa posição secundária.
Não tenho elementos para julgar se ela tinha talento para fazer uma carreira tão milionária.
Ela não me chamou a atenção em nenhum momento, e portanto jamais conversei mais detidamente com ela.
Mas ali, na Exame, ela já era um pequeno exemplo das relações perigosas entre políticos e empresários de mídia. Foi a amizade de Serra com a Abril que a colocou na Exame.
Depois, Verônica ganhou de Lehman uma bolsa para Harvard. Lehman, lembro bem de conversas com ele, escolhia em geral gente humilde e brilhante para, como um mecenas, patrocinar mestrados em negócios na Harvard, onde estudara.
Não sei se Verônica se encaixava na categoria dos humildes ou dos brilhantes, ou de nenhuma das duas, ou em ambas. Conhecendo o mundo como ele é, suponho que ela tenha entrado na cota de exceções por Serra ser quem é, ou melhor, era.
Serra pareceu, no passado, ter grandes possibilidades de se tornar presidente. Numa coluna antológica na Veja, Diogo Mainardi começou um texto em janeiro de 2001 mais ou menos assim: “Exatamente daqui a um ano Serra estará subindo a rampa do Planalto”. (Os jornalistas circularam durante muito tempo esta coluna, como fonte de piada e escárnio.)
Cotas para excluídos são contestadas pela mídia, mas cotas para amigos são consideradas absolutamente normais, e portanto não são notícia.
Bem, Verônica agradou Lehman, a ponto de se tornar, depois de Harvard, sócia dele.
O nome dela apareceu em denúncias – cabalmente rechaçadas por ela – ligadas às privatizações da era tucana.
Tenho para mim que ela não precisaria fazer nada errado, uma vez que já caíra nas graças de Lehman, mas ainda assim, a vontade da mídia de investigar as denúncias, como tantas vezes se fez com o filho de Lula, foi nenhuma.
Verônica é da turma. Essa a explicação. Serra é amigo dos empresários de mídia. E mesmo Lehman, evidentemente, não ficaria muito feliz em ver a sócia exposta em denúncias.
Lehman é discreto, exemplarmente ausente dos holofotes. Mas sabe se movimentar quando interessa.
Uma vez, pedi aos editores da Época Negócios um perfil dele depois da compra de uma grande cervejaria estrangeira. Recomendei que os repórteres falassem com amigos, uma vez que ele não dá entrevistas.
Rapidamente recebi um telefonema de João Roberto Marinho, o Marinho que cuida de assuntos editoriais. João queria saber o que estávamos fazendo.
Lehman ligara a ele desgostoso. Também telefonara a seus amigos mais próximos recomendando que não falassem com os repórteres da revista. Ninguém falou, até mais tarde Lehman autorizá-los depois de ver os bons propósitos da reportagem.
A influência de Lehman sobre João Roberto se deve, é verdade, à admiração que Lehman e seu lendário Grupo Garantia despertavam na família Marinho.
Mas é óbvio que a verba publicitária das cervejarias de Lehman falam alto também. Um amigo me conta que em Avenida Brasil os personagens tomavam cerveja sob qualquer pretexto.
Isto porque as cervejarias de Lehman pagaram um dinheiro especial pelo chamado ‘product placement’, ou mercham, na linguagem mais vulgar.
O consumidor é submetido a uma propaganda sem saber, abertamente, que é propaganda. Era como se realmente os personagens tivessem sempre motivos para tomar uma gelada.
Verônica Serra, por tudo isso, esteve sempre sob uma proteção, na grande mídia, que é para poucos. É para aqueles que ligam e são atendidos pelos donos das empresas jornalísticas.
O filho de Lula não.
Daí a diferença de tratamento. E daí também a força incômoda, por mostrar quanto somos uma terra de privilégios, da pergunta do site Viomundo.
Tucanos querem por voto do povo no cabresto com referendo
tijolaço

Os líderes tucanos, com Aécio à frente, estão em desespero com o plebiscito que será proposto na segunda-feira pela Presidenta Dilma Rousseff para se realizar já em agosto.
Não querem que o povo possa decidir sobre cada ponto do fim dos privilégios e do abuso do poder econômico nas eleições.
Querem trocar o plebiscito por um referendo.
Diferença?
No primeiro, o povo decide o que quer e o Congresso tem de seguir a decisão popular.
No referendo, o Congresso decide e o povo só diz “sim” ou “não”.
Aecinho diz que plebiscito é uma “construção muito complexa”.
“Essa é a responsabilidade do Congresso”, afirmou.
Senador Aécio, como assim? Plebiscito é muito complexo para o povo? Dizer amém é mais simples?
E Álvaro Dias ainda acrescenta que a proposta de referendo ”é mais adequada porque teremos eleições. Poderíamos aproveitar as eleições de 2014 para esse referendo. Eu indago quanto custaria um plebiscito agora”.
Ó senador, será, está preocupado em economizar com voto popular?
Os senhores vão reformar o quê, cortando na própria carne?
Nadica de nada, como diz o outro.
Nunca fizeram, vão fazer agora?
Por: Fernando Brito
quarta-feira, 26 de junho de 2013
A Globo esculacha a política e não quer reformá-la
Se reformar, a soberania popular se
torna mais legitima, musculosa, representa melhor os interesses do povo.
Plebiscito, Constituinte exclusiva, não !

A questão do plebiscito e da Constituinte exclusiva para a reforma política e eleitoral expôs a monumental hipocrisia da Big House.
A Big House gosta do povo nas ruas, para derrubar a Dilma.
Para ir a um plebiscito, jamais !
Nessa dialética, Fernando Henrique é o Tartufo em sua mais cristalina essência.
E a Globo ?
Nenhum instrumento da Big House esculacha mais a Política e os Políticos do que a Globo.
Mais que o Supremo do Gilmar.
O Alexandre Maluf Garcia, na verdade, é o mais inofensivo nesse ataque implacável: ficou manjado.
Denúncias de aumentos de salários, maracutaias generalizadas, escândalo do painel, Emenda Tio Patinhas, falta ao serviço, corrupção deslavada…
Mas, na hora de convocar o plebiscito que o Presidente do Supremo parece preferir, aí, não !
Para que reformar a Política e a a forma de eleger os Políticos ?
Não, deixa como está a patifaria emplumada.
Por que a tartufice, amigo navegante Ricardo ?
A Globo esculacha a política e os políticos para desqualificar a representação popular, a soberania popular, a única que legítima a Democracia e as Leis.
A Globo tenta tirar um pedaço da soberania popular, reduzir seu tamanho.
E, com isso, transferir o controle o Estado para ela, Globo, seus colonistas (*) e especialistas – aqueles multi-embusteiros que entendem nada de tudo.
A Globo esculacha a Política e os Políticos, porque, assim, ela desloca o poder para os economistas dos bancos, que preferem as atas do Banco Central a qualquer Constituição.
E levar o poder ao Supremo Tribunal Federal, onde, em última instância, planeja dar um Golpe Paraguaio.
Agora, Ricardo, na hora de fazer a reforma do que ela condena, aí, não !
Se reformar piora !
Se melhorar fica ruim.
Se reformar, a soberania popular se torna mais legítima, musculosa, representa melhor os interesses do povo.
Plebiscito, Constituinte exclusiva, não !
A Globo, a bordo de iluminados helicópteros, com microfones encapuzados, estimula a anomia.
Para derrubar a Dilma diante um Congresso impotente.
E os bancos e o Supremo, no pelotão da frente, assumem o controle.
É o que a Globo e os tartufos maiores e menores querem, Ricardo.
Paulo Henrique Amorim
terça-feira, 25 de junho de 2013
vamos às ruas pelo plebiscito !
FHC gosta de povo na telinha da Globo – PHA.

O Conversa Afiada reproduz post do Blog do Zé Dirceu:
Quem tem medo das ruas e das redes?
A oposição piscou, não esperava a proposta de pacto feita ontem pela presidenta Dilma Rousseff . Pacto se constrói com a sociedade e não apenas com os três Poderes, partidos e governantes. A oposição preferiu não discutir e não participar, pelo menos por meio de seus partidos, o PSDB, o DEM e o PPS.
Fez um manifesto contra a proposta e pediu uma CPI para as obras da Copa, que envolve prefeitos e governadores de seus partidos. Diz que cabe ao Congresso Nacional fazer a reforma política, proposta pela presidenta via plebiscito para convocar uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva com esse objetivo.
A oposição e a maioria da Câmara se recusam a aprovar qualquer reforma política, inclusive a já aprovada pelo Senado com financiamento público e voto em lista, fim das coligações proporcionais e outras medidas.
Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que a proposta de plebiscito e constituinte é autoritária. Dizer que consultar o povo, devolver ao povo o poder de decisão, é autoritário é típico do DNA tucano elitista e temeroso da soberania popular. Quem fala em nome do Brasil são as urnas, o voto soberano popular.
Por que os tucanos temem as urnas e o Plebiscito
Não se trata de uma discussão jurídica e constitucional. Na verdade, os tucanos – FHC à frente – e a oposição não querem devolver o poder ao povo. Temem o povo. Não querem que o povo faça aquilo que eles bloqueiam no Congresso Nacional, a reforma política.
Uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva com o objeto determinado não é o mesmo que uma que seja produto de ruptura com toda a institucionalidade e constitucionalidade anterior. Portanto, tem legitimidade e é, sim, constitucional.
Mas, de qualquer forma, o que interessa é que o povo decida, seja por uma Assembleia Nacional Constituinte ou por um plebiscito, e faça a reforma política que o Congresso não quer fazer e ponha fim ao atual sistema político eleitoral totalmente dominado pelo poder econômico.
A proposta da presidenta sobre os 100% dos royalties do petróleo para a educação também é fundamental. É decisiva para uma revolução social e tecnológica no Brasil. Mas vale recordar que os governadores se opuseram aos 100% dos royalties para a educação e orientaram suas bancadas a votar contra.
As propostas para a saúde, mobilidade urbana, e responsabilidade fiscal precisam ser analisadas, já que propõem mais investimentos e gastos em saúde e transporte. E sabemos que um pacto de estabilidade, de crescimento sem inflação, implica medidas quase sempre incompatíveis com o aumento dos investimentos e gastos. Falta então a reforma tributária, que deve fazer parte do pacto de estabilidade, uma vez que a presidenta anunciou R$ 50 bilhões de reais de investimentos em transportes; e a saúde exige mais recursos.
Vamos para as ruas!
Assim, essas propostas também passam por um amplo debate com a sociedade e exige a partir de agora que os partidos e movimentos sociais que apoiam que essas iniciativas mobilizem a sociedade de baixo para cima para apoiá-las não apenas nos partidos, sindicatos, ONGs, movimentos populares e centros acadêmicos, mas também nos bairros e nas ruas, nas redes. Sim, nas redes, onde se trava a principal batalha de comunicação e mobilização. Vamos lutar pelo plebiscito e pelos 100% dos royalties para a educação.
Reforma política já
Agora sim a frase que Dilma pronunciou dias atrás, no calor dos protestos, vai fazer sentido: o Brasil vai, amanhã, vai acordar melhor.
Diante do quadro complexo que se criou com as manifestações que mostraram o tamanho da insatisfação com a situação da política brasileira, não poderia haver sugestão melhor do que uma Constituinte que reflita o que a sociedade merece, deseja e exige.
O tamanho da confusão se expressou na reação dos principais protagonistas da cena política nacional.
A mídia, por exemplo, inicialmente fuzilou os manifestantes por julgar, erradamente, que se tratava de coisa dos petistas mais radicais.
Depois, numa meia volta espetacularmente cínica, ao descobrir que não as manifestações não tinham nada a ver com o PT, a mesma mídia passou a adular quem saiu nas ruas porque isso teoricamente mostraria, aspas, o cansaço do brasileiro com a corrupção, aspas de novo.
O PT, igualmente perplexo ao perceber que perdera o controle das ruas, tentou festejar uma vitória que na verdade era uma derrota.
Já é um clássico das asneiras políticas a decisão de Rui Falcão de mandar a “onda vermelha” comemorar com o MPL a redução da tarifa de ônibus.
Num quadro em que ninguém parecia estar entendendo nada, e no qual a única lucidez persistente e admirável repousou no MPL, os brasileiros viram jovens mascarados de Guy Fawkes agirem de maneira oposta àquilo que ficou associado aos integrantes e simpatizantes do Anonymous.
Nossos mascarados mostraram uma ignorância política chocante e um reacionarismo repulsivo.
Fazia tempo que conservadores hostilizavam as administrações petistas e tentavam, sempre sem sucesso, promover manifestações. Os protestos só se materializaram efetivamente quando a insatisfação bateu na esquerda — pela insuficiência das ações governamentais que mitigassem a monstruosa desigualdade social brasileira.
O rumo das mudanças que advirão deve levar isso em consideração: qualquer arranjo novo tem que resultar em claros avanços sociais, e em menor disparidade de riqueza.
O que emergirá da Constituinte — considerado que o plebiscito será fatalmente aprovado – será, com certeza, muito melhor do que o que o que está aí, um mundo político viciado e imobilizado que a rapaziada do MPL teve o mérito milionário de mostrar o quanto estava atrasado em relação ao resto da sociedade.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Após promessa, Dilma ordena ofensiva para aprovar 100% dos royalties para educação
iG(nóbil)
podreonline
podreonline
Após prometer em rede nacional que vai assegurar a destinação das
receitas de royalties do petróleo para a educação, a presidente Dilma
Rousseff mobilizou no fim de semana ministros e líderes envolvidos na
articulação da proposta. A pedido da presidente, a ministra Ideli
Salvatti (Relações Institucionais) vai se dedicar nos próximos dias a
uma ofensiva para assegurar que a ideia do Planalto de dar esse destino
100% dos royalties não acabe desfigurada no Congresso.
A principal linha de frente é barrar a movimentação da bancada da saúde,
que segue trabalhando para que o setor fique com parte do dinheiro. O
governo também está ciente de que será alvo de críticas da oposição, que
já começou a investir no discurso de que o dinheiro em questão só virá
dentro de alguns anos. Isso porque o projeto do governo contempla apenas
para contratos para a exploração futura de petróleo e não para aqueles
que já estão em execução.
Mesmo assim, o governo espera que o texto seja mantido como está, para
evitar que o projeto fique amarrado à decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) sobre a nova lei dos royalties. A Corte ainda não se
posicionou sobre a redistribuição dos recursos entre estados e
municípios, produtores e não-produtores. Como a dúvida versa justamente
sobre os contratos atuais, Dilma não quer que o projeto que dá 100% dos
royalties para a educação acabe amarrado a uma decisão da Justiça.
A presidente deixou claro que gostaria de ver a questão resolvida no
Congresso ainda nesta semana. Por tramitar em regime de urgência, o
projeto que dá 100% dos royalties à educação, o PL 5.500 de 2013, trava a
pauta da Câmara desde a semana passada.
O governo avalia que, ao menos no que se refere à tramitação do projeto,
a tendência é que os protestos da última semana ajudem a garantir a
aprovação. Isso porque, na visão do Planalto, parlamentares também se
viram pressionados pela opinião pública e tentarão nos próximos dias
garantir uma agenda positiva na Câmara e no Senado.
Com a votação, o governo também tem esperanças de acalmar ao menos parte
dos movimentos que guiaram as manifestações, por dois motivos.
Primeiro, pelo fato de uma parte das críticas surgidas nos protestos
versar sobre o investimento de bilhões em estádios da Copa, dinheiro que
poderia ter tido, por exemplo, a educação como destino. Segundo, devido
à forte participação de estudantes nos atos das últimas semanas.
Postado há 2 hours ago por René Amaral
Globo e Gurgel querem você contra PEC 37. É bom?

A Globo, maior grupo de mídia do País, comandado por João Roberto
Marinho, escalou todos os seus colunistas para bombardear a PEC 37, que
disciplina os poderes do Ministério Público; enquanto isso, o
procurador-geral Roberto Gurgel, publicou anúncio em Veja, afirmando que
a eventual aprovação da PEC 37 significa tapar os olhos e a boca de
cada brasileiro; por trás dessa pressão nem tão anônima, existe uma
aliança espúria que pretende desmoralizar de vez a política, o que
interessa, sobretudo, à Globo; sem a urna, prevalece a rua, manipulada
por quem fala mais alto
247 - Se
você é um indignado sem causa e encontrou na Proposta de Emenda
Constitucional 37 um bom motivo para protestar, cuidado. É grande a
chance de que você esteja sendo manipulado.
A começar pela Rede Globo, que, de forma escancarada e quase patética,
escalou todos os seus colunistas para gritar contra a PEC 37.
Foi o que fez, por exemplo, a jornalista Miriam Leitão, que, não
satisfeita em abordar o tema na sua coluna, disse que deu uma aula sobre
a PEC para a sua arrumadeira (leia mais aqui).
Assim como ela, João Ubaldo Ribeiro, também tratou da PEC 37. Disse que o
assunto não tem nada a ver com as passeatas, mas soltou um "tomara que
tenha" (leia mais aqui).
Merval Pereira, óbvio, também é contra a PEC 37. E disse que essa
manifestação espontânea acabou sendo sabotada pela agenda do Movimento
Passe Livre!!! (leia mais aqui).
Se isso não bastasse, foi ainda patética a cena em que uma repórter da
GloboNews tenta impor a um dos líderes do MPL que abrace a causa
contrária à PEC 37 (assista aqui).
E houve ainda a cena impagável no Bom Dia Brasil, em que um repórter da
Globo pergunta a uma jovem da periferia sobre o que ela protesta – e ela
responde, antes de olhar para o cartaz que tinha nas mãos: "Deixa eu
ver... é sobre essa PEC".
Tudo isso, sem falar na campanha ostensiva contra a PEC de nomes como
Leilane Neubarth, Renata Lo Prete e todos os outros que passam pela tela
da Globo.
Está claro, portanto, que a família Marinho é contra a PEC 37. Os irmãos
Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto ainda não assumiram suas
posições publicamente, mas não faltam colunistas que falem por eles.
A questão é: por que a Globo se coloca de forma tão contrária à PEC 37?
Ah, porque isso é coisa de mensaleiro petralha, que não quer ser investigado pelo Ministério Público.
Será mesmo?
A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, fechou posição em defesa
da PEC 37, argumentando que o papel do MP não é presidir inquéritos
criminais, mas sim, supervisionar e fiscalizar investigações conduzidas
pela Polícia Judiciária (leia mais aqui).
Ah, mas isso é porque advogados defendem bandidos. Bom, se esse
argumento fosse válido, tanto melhor para os advogados, que teriam mais
clientes, sem a PEC 37.
Agora, responda duas questões. Quem, em sua história, defendeu mais as
liberdades democráticas: a Rede Globo ou a OAB? Quem se preocupa mais
com as garantias individuais: a família Marinho ou a advocacia?
Antes de tomar uma decisão sobre a legitimidade ou não da PEC 37, faça o confronto entre duas personalidades.
O procurador-geral Roberto Gurgel, que autorizou a compra de vários
equipamentos de escuta telefônica pelo Ministério Público e tem sido
acusado de escolher alvos de acordo com suas preferências políticas,
naturalmente, é contra a PEC 37.
O novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, é favorável.
O MP, chefiado por Gurgel, publicou anúncio na revista Veja, cuja
mensagem é ameaçadora. Se a PEC 37 vier a ser aprovada, os brasileiros
terão olhos fechados e boca tapada.
O que merece maior confiança: o senso de Justiça de Gurgel ou de Barroso?
Se você já tomou sua decisão, um ponto ainda merece reflexão.
Afinal, por que tanto barulho em torno dessa PEC 37?
Simples.
Por trás disso, há uma disputa de poder.
A democracia brasileira vem sendo vilipendiada e desmoralizada pela grande imprensa nos últimos anos.
Em parte, claro, por culpa dos próprios políticos.
Mas o que resta sem a política?
A barbárie.
Sem a urna, prevalece o barulho da rua.
E quem manipula a rua?
Quem fala mais alto.
Pensou Globo?
domingo, 23 de junho de 2013
A democracia não é uma tolice

Identificado como um criminoso condenado, que cumpria sentença de dois anos e quatro meses por furto, em regime semi-aberto, o homem que atirou coquetéis molotov contra o prédio do Itamaraty é preciso, agora, saber quem o contratou.
Já chega desta história de mostrar “mauricinhos” arruaceiros, um após
outro, como se estivessem ali espontaneamente, depredando e, depois,
chorando lágrimas de arrependimento por suas transgressões.
Vá lá que muitos sejam apenas isso, mesmo.
Mas um homem com cinco pasagens pola polícia e dus condenações por
furto, em regime prisional beneficiado não estava ali apenas “porque um
amigo convidou”.
Nove em dez pessoas acharão óbvio que alguém tenha contratado alguém
com este “currículo” para, literalmente, tacar fogo nos acontecimentos.
Quem foi?
Ataque a bombas a um prédio federal é crime federal, cuja investigação é dever da Polícia Federal.
O problema é que a nossa Polícia Federal, tão eficiente e pressurosa –
como deve ser, aliás – em investigar os “malfeitos” dentro do Governo
parece ser vítima de uma abulia imensa quando se trata de investigar os
sabotadores do convívio democrático.
Estamos esperando até agora que apareçam as ligações telefônicas que originaram a corrida aos saques do Bolsa-Família.
O ministro José Eduardo Cardoso mandou algumas dezenas de policiais da
Força Nacional de Segurança para Minas Gerais. Nada a opor, se eles
fossem desempenhar missões de coordenação e de proteção aos inúmeros
dirigentes envolvidos na realização de partidas da Copa das
Confederações.
Mas, no primeiro dia de ação, o que se viu foi estas tropas serem
empregadas como cordão de isolamento e linha de confronto diante de
manifestantes, papel que cabia à Polícia Militar do Estado.
Nenhuma razão, a não ser que se deseje atirar nas costas do Governo
Federal o ônus do enfrentamento e, pior, da eventualidade de riscos à
vidas humanas.
O ministro José Eduardo Cardoso, que aparece sempre muito bem arrumado e
penteado nas suas aparições públicas podia esmerar-se mais nas suas
funções do que com seu visual.
Afinal, o que está em jogo não é uma tolice, mas a democracia que custou décadas de luta à minha geração.
Ah, e não sei se o Ministro percebeu: o Governo eleito pelo povo que, sabe-se lá porque, o mantém no Ministério da Justiça.
Fernando BritoNo Tijolaço
Gritaria contra vinda de médicos cubanos é ideológica
A gritaria toda contra a vinda dos médicos cubanos não passa de uma posição ideológica. As pessoas precisam entender que a elite que domina o Brasil desde que Cabral invadiu essas áreas tem horror ao sistema socialista de Cuba e de qualquer coisa que cheira a justiça social e distribuição de renda. Por isso, o ataca diariamente por meio de seu braço midiático (Globo, Veja, Folha, Estadão e afins).
Por que estão contra a vinda dos médicos cubanos?
Ora, pense um pouco: se Cuba é esse horror todo que eles pintam, um país
dominado por uma ditadura terrível onde a população é miserável e reprimida
violentamente, como podem existir lá médicos que aceitariam vir trabalhar, por
exemplo, no meio da floresta amazônica num lugar totalmente ermo para tratar
pessoas absolutamente pobres e, ofensa das ofensas, DE GRAÇA?
Esse tipo de coisa FAZ AS PESSOAS PENSAREM, entende? "Puxa, mas falavam tão mal de Cuba, mas esses médicos estão aqui tratando da gente tão bem e sem receber nada. Como assim? Talvez Cuba não seja tão ruim assim, como eles dizem, né?".
Não precisa ser um gênio para entender isso.
Mas, como a elite no
Brasil é
apenas 1% da população, eles precisam manipular o resto do povo,
principalmente
a classe média, para que defendam os seus interesses em nome deles, mas
sem
saber disso. Então, inventam um monte de abobrinhas como "O diploma dos
cubanos
não vale no Brasil!", "São guerrilheiros comunistas disfarçados!", "Os
médicos brasileiros não vão para esses locais porque falta estrutura!" e
idiotices do tipo.
E para isso, claro, contam com um parte da classe médica do país que, como
sabemos, faz parte desse elite e quer apenas ganhar rios de dinheiro em cima da doença dos outros.
Agora, pergunta pra esses médicos "mauricinhos" e "patricinhas" se eles aceitariam ir para um rincão do
nordeste, onde não tem shopping center nem água tratada, mesmo que fosse recebendo um alto
salário. Alguns vão até mentir, dizendo que iriam sim. Mas todos nós sabemos que
não iriam coisa nenhuma.
Então, pense um pouco antes de sair por aí repetindo o que você leu na Veja
ou ouviu no Jornal Nacional. Porque você pode estar defendendo interesses que
não são os seus, mas sim daqueles que estão cagando e andando para todos nós, a
maioria do povo brasileiro que precisa trabalhar todos os dias para
sobreviver e que, amanhã, pode perder tudo que tem e vir a precisar de um médico cubano...
A IMPRESSIONANTE E TRAGICÔMICA “GENEROSIDADE” DA JUSTIÇA QUANTO AO “MENSALÃO TUCANO”
[OBS deste blog ‘democracia&política’: o mensalão tucano é carinhosamente escondido pela mídia da direita como simples antigo “mensalão mineiro”. Assim, tentam transmitir a ideia de que ele é um pequeno e antigo problema e somente daquele Estado. Realmente, ele teve origem em Minas, mas extrapolou o Estado. O próprio Senador Azeredo (ex-Presidente Nacional do PSDB) já falou que, em 1998, o referido mensalão também forneceu recursos para a campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso à presidência. Reportagem da “CartaCapital” da última semana de 2012 mostrou que o ex-presidente Fernando Henrique usou R$ 3,5 milhões do “mensalão tucano”, através das empresas de Marcos Valério.
É oportuno também relembrar que existem duas denúncias que vêm sendo há mais de 10 anos abafadas pela mídia, Ministério Público e tribunais. O ‘mensalão tucano’, de 1998, era operado por Marcos Valério, e a ‘Lista de Furnas’ era operada pelo então diretor da estatal "Furnas" Dimas Toledo, que desviou elevados montantes de recursos públicos para as eleições tucanas de 2002. O único original existente dessa lista foi periciado e autenticado como verdadeiro pela Polícia Federal. Está na mãos da Polícia Federal até hoje. O Deputado Roberto Jefferson, cuja denúncia foi praticamente a única “prova” contra o PT no STF, disse que recebeu de Furnas exatamente o valor que consta lá na lista: R$ 75 mil. Ele disse: “não posso dizer dos outros, mas eu posso dizer que eu recebi o que está aí”.
Esse esquema “Lista de Furnas” foi criminoso desvio de dinheiro realmente público para a eleição em 2002 dos tucanos, do PFL (hoje DEM) e dos demais aliados. Envolveu montante muito maior do que o que atribuem ao PT, desigualmente tratado com cínico estardalhaço pela mídia tucana e por certos juízes do STF como “o escândalo do século”... A ‘Lista de Furnas’, validada pela perícia da PF, registra que desviaram enormes quantias para o Serra, Alckmin, Aécio…
Por que toda essa gigantesca corrupção tucana recebe tratamento absurdamente desigual daquele dispensado ao dito “mensalão do PT” pela mídia, Ministério Público/PGR Roberto Gurgel, STF presidido por Joaquim Barbosa ? Como na imagem acima, para mim, leiga, é uma generosidade do mundo das sombras. Da escuridão. É um dos grandes mistérios deste século XXI.
Vejamos a seguinte postagem do portal de Luis Nassif sobre detalhes curiosos e tragicômicos de como a Justiça de MG continua até hoje, 15 anos depois, ainda tratando o mensalão tucano vulgo “mineiro”. Pior ainda: quanto ao esquema de Furnas, nem se fala]:
O RISCO DA PRESCRIÇÃO DOS CRIMES DO “MENSALÃO MINEIRO” [Mensalão Nacional do PSDB]
Por Assis Ribeiro, da revista “IstoÉ”
“Crimes do
mensalão tucano podem prescrever em função das decisões burocráticas
"incomuns" que a juíza do Tribunal de Justiça de Minas Gerais impõe ao
processo envolvendo integrantes do PSDB.
Há dois anos
e meio, a Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia do chamado
"mensalão mineiro", esquema de desvio de recursos públicos que abasteceu
o caixa de campanha de políticos do PSDB local [e nacional]
e, tal qual o do PT, também era operado pelo publicitário Marcos
Valério. De lá para cá, o processo transcorre em ritmo lento e os crimes
imputados aos principais envolvidos caminham para a prescrição.
É uma situação bem diferente da que se verificou no julgamento contra a cúpula petista [que,
muito mais recente, mesmo assim foi passado para a frente e
freneticamente "julgado" (com inusitados preceitos jurídicos ad hoc)
pelo STF para (coincidência?) condenar petistas antes das eleições de
2010], que já se encontra em fase de apresentação de recursos no STF. No processo "mineiro", [com lerdeza impressionante até mesmo para o tradicional marasmo dos tribunais]
nem todas as testemunhas foram ouvidas e muitas não foram sequer
intimadas! Dos 130 mandados expedidos até agora, apenas 75 chegaram às
mãos dos destinatários... Contrariando o trâmite usualmente adotado pela
Justiça, testemunhas que moram em oito cidades vizinhas a Belo
Horizonte estão sendo ouvidas por carta precatória. Depoentes do
município de Nova Lima, a somente 20 quilômetros da capital, por
exemplo, foram acionados por correspondência, em vez de comparecer a
audiências no Fórum Lafayette, no bairro Barro Preto, região central de
Belo Horizonte.
Marmelada mineira
Esquema de desvio de recursos públicos que abasteceu o caixa de campanha de políticos do PSDB local, operado por Marcos Valério, só será julgado [se for] depois das eleições de 2014.
Os advogados
que atuam no processo atribuem a morosidade à atuação da titular da 9ª
Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a juíza Neide da
Silva Martins. Utilizando métodos "ultrapassados" [?], a magistrada
imprime ao julgamento do mensalão tucano uma dinâmica "burocrática".
Considerada ríspida no trato com advogados, Neide não aceita conversas
de bastidor, chamadas ironicamente de “embargos auriculares”. Mas [generosa] cedeu à pressão dos defensores e permitiu que arrolassem oito testemunhas por fato contido na denúncia do Ministério Público, em vez de oito por réu,
como ocorre normalmente! Com isso, o rol de depoentes ultrapassou a
marca de 100 pessoas, entre eles uma testemunha que mora nos Estados
Unidos. [Assim, antevê-se o julgamento para o Dia de São Nunca].
Sem pressa
aparente para concluir o processo, Neide decidiu reservar apenas um dia
da semana para analisar o caso. Nos outros, debruça-se sobre outros
processos sob sua batuta. Para tornar o trâmite ainda mais lento [!],
audiências de instrução são escassas e costumam ser desmarcadas no
decorrer da tramitação. Na última sessão, do dia 7 de junho, a juíza
estava afônica e cancelou a reunião. Formada em letras antes de cursar
direito, Neide também aplica aos advogados do mensalão mineiro uma
cartilha de padronização de texto, dando margem para os defensores
ganharem mais prazo ao reformar peças fora das normas de estilo ditadas
pela magistrada.
A
"burocrática" [sic] condução do mensalão mineiro pela magistrada já
produziu até folclores. No ano passado, Neide suspeitou que o advogado
Leandro Bemfica, representante de Eduardo Guedes – ex-secretário do governo Eduardo Azeredo e responsável pela produção do programa nacional do PSDB
–, estava piscando para uma testemunha. O objetivo seria o de conduzir o
conteúdo do depoimento. A juíza arguiu o advogado, que saiu-se com
esta: “Eu pisquei porque estamos apaixonados”, justificou. A
juíza aceitou a explicação esdrúxula e seguiu com o depoimento. No
esquema mineiro, Guedes tinha atuação semelhante à de Luiz Gushiken,
ex-ministro absolvido no mensalão. À ISTOÉ, o advogado justificou a
provocação atribuindo a história a um “incidente de audiência”. Ele afirma que a demora no julgamento prejudica seu cliente, profissional da área de comunicação. “Nós temos o maior interesse que seja julgado logo, porque meu cliente está sofrendo danos profissionais”,
afirmou. Durante a semana, a ISTOÉ procurou a juíza por meio da
assessoria do TJMG. Ela informou que não poderia falar sobre o processo,
pois a ação ainda está em curso, e não respondeu às perguntas enviadas
pela reportagem.
A ["dadivosa e conveniente"]
lentidão do processo do mensalão mineiro se tornou cômoda para os
advogados de defesa, pois parte dos réus pode ter a pena prescrita antes
mesmo da sentença. Dependendo do tipo de pena, da idade dos réus e da
necessidade de novas diligências provocadas por depoimentos de
testemunhas, a possibilidade de prescrição de punição no mensalão
mineiro é real. A expectativa é de que o processo só seja concluído [se for] após as eleições de 2014.
Com base na
denúncia do Ministério Público, o criminalista Guilherme San Juan Araújo
analisou, a pedido da ISTOÉ, a situação dos 13 réus. San Juan verificou
que, da maneira como transcorre o processo, dificilmente Cláudio Mourão
– que no esquema petista poderia ser comparado ao tesoureiro Delúbio Soares – cumprirá pena. Como Mourão completará 70 anos em abril de 2014, automaticamente o prazo de prescrição – de crimes como peculato e lavagem de dinheiro
– é reduzido à metade. Assim, se Mourão for condenado depois dessa
data, os crimes imputados a ele já estarão prescritos. Isso já ocorreu
com Walfrido Mares Guia, que fez 70 anos em 2013. Outros réus, como
Eduardo Brandão, também podem se beneficiar do calendário, se, em
recurso, a sentença for reformada. Os réus agradecem.”
FONTE: reportagem de Assis Ribeiro, da revista “IstoÉ”. Transcrita no portal de Luis Nassif
Tenha medo. Tenha muito medo.
Esta
semana vi meu próprio pai fazendo apologia da ditadura no facebook,
mais especificamente ao general-torturador João Batista Figueiredo.
Agora imagine só: se esse regime voltar eu, minha esposa e minha filha de 3 anos seremos perseguidos, presos e torturados até a morte por gente "bacana" e "honesta" como o general abaixo. Igual eles faziam com todos os "esquerdalhas" naquela época gloriosa...
Esse ódio irracional contra o PT e qualquer coisa que cheira a esquerda, insuflado diariamente pela mídia golpista que eles consomem como zumbis, transforma pessoas aparentemente normais em verdadeiros psicopatas.
Dá medo sim.
Agora imagine só: se esse regime voltar eu, minha esposa e minha filha de 3 anos seremos perseguidos, presos e torturados até a morte por gente "bacana" e "honesta" como o general abaixo. Igual eles faziam com todos os "esquerdalhas" naquela época gloriosa...
Esse ódio irracional contra o PT e qualquer coisa que cheira a esquerda, insuflado diariamente pela mídia golpista que eles consomem como zumbis, transforma pessoas aparentemente normais em verdadeiros psicopatas.
Dá medo sim.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Globo derruba a grade. É o Golpe !
Cobertura da Globo, na tevê aberta, é um incitamento à derrubada da Dilma, à força
A Rede Globo, em tevê aberta, nesta quinta-feira, um dia depois de os prefeitos do Rio e de São Paulo reduzirem as tarifas, derrubou a grade de programação e se dedicou, sem comerciais !, a abrasileirar o Golpe pela tevê que a Direita conseguiu, por 48 horas, contra o Chavéz, na Venezuela.
Clique aqui para ler “tem um monte de Cabo Anselmo nas ruas”.
A Globo, tão boazinha, fala em democracia, não violência, paz, luta contra a corrupção e entra no Brasil inteiro com imagens ao vivo do quebra-quebra, do desmando, da falta de Governo !.
É a pseudo – informação.
Porque a Globo não desce lá embaixo.
É do alto, do helicóptero.
O repórter fala do que vê na tevê.
Não vê o que se diz lá embaixo.
A “cobertura” não tem contexto.
Não tem outro lado.
Outra versão.
Não tem uma autoridade.
Por duas horas seguidas, a Globo não põe no ar uma única palavra de alguém, com o manto da autoridade, para jogar agua na fervura.
É pau, ao vivo.
Pau !
O desmando, a desorganização.
A saturação do caos.
Os repórteres, coitados, vítimas do gás lacrimogêneo.
É o “jornalismo catástrofe”!
Invadam o Itamaraty ! Subam no Congresso. Fechem a ponte Rio-Niterói. Esculhambem o Governo !
Porque o William Bonner esta aqui, desde cedo, para dar visibilidade !
Ponham fogo que fica mais “televisivo”.
Lamentável, diz a repórter !
E tome fogo!
Lamentável.
E tome pau !
O Palácio do Planalto cercado !!!
É um Golpe.
Manjado.
Na Venezuela, deu certo, por 48 horas.
Lá não tinha Copa do Mundo que a Globo não pode permitir que dê certo – clique aqui para ler “Globo boicota e fatura com a Copa”.
Aqui tem.
De repente, o brasileiro passou a odiar futebol.
A próxima cobertura da Globo, depois de derrubar a grade de programação, é o impeachment da Dilma.
Palavra de ordem que já se viu na Avenida Paulista, ao lado de “ditadura, já !”
Viva a Democracia !
Como disse o Conversa Afiada, a Globo embolsou o Movimento do Passe Livre.
Não existe passeata de 50 mil pessoas apartidária.
Ou não dá em nada, ou derruba o Governo.
A Globo vai derrubar !
Paulo Henrique Amorim
Eduardo Guimarães. Fascismo infanto-juvenil deixa a República de quatro. Um tal de “passe-livre” (para o caos?) passou a determinar até que cor de roupa as pessoas podem usar na rua. E o vermelho-PT foi “proibido”.
"Parece ocioso relatar no que deu o Estado, as
autoridades, enfim, a República ficar de quatro para essa criançada e
seu novo brinquedo: o poder. E não um poder qualquer, mas um poder
discricionário que, após humilhar e impor caprichos a autoridades e aos
Poderes constituídos, arrogou a si o direito de impedir liberdades
individuais."
Quem pariu Mateus que o embale
Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 21/06/13
No começo da noite de quinta-feira (20), redes de televisão exaltavam a “beleza” de protestos violentos, ainda que mascarados de pacifistas, que, há quase duas semanas, esmagam o país com medo, incêndios, bombas, tiros, depredações, destruições de todos os tipos, mutilações e, agora, até com morte, como previsto aqui tantas vezes e tão inutilmente.
Todo o horror que se espalhou pelo país foi produto de exigência feita por um grupo de meninos e meninas embriagados com um poder imensurável que adquiriram em questão de dias e que pôs de joelhos um dos maiores impérios de comunicação do mundo e todo o resto do oligopólio comunicacional verde-amarelo, além de políticos, jornalistas e legiões de cidadãos comuns.
Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 21/06/13
No começo da noite de quinta-feira (20), redes de televisão exaltavam a “beleza” de protestos violentos, ainda que mascarados de pacifistas, que, há quase duas semanas, esmagam o país com medo, incêndios, bombas, tiros, depredações, destruições de todos os tipos, mutilações e, agora, até com morte, como previsto aqui tantas vezes e tão inutilmente.
Todo o horror que se espalhou pelo país foi produto de exigência feita por um grupo de meninos e meninas embriagados com um poder imensurável que adquiriram em questão de dias e que pôs de joelhos um dos maiores impérios de comunicação do mundo e todo o resto do oligopólio comunicacional verde-amarelo, além de políticos, jornalistas e legiões de cidadãos comuns.
Direita quer diluir reivindicações para não pagar a conta

As pautas justas dos atos e como resistir à tentativa de desvirtuá-las
por Yuri Soares Franco*
Nos últimos dias o Brasil tem sido sacudido por manifestações em diversas cidades. Como centelha inicial está a questão do transporte público, causadas pelo aumento da tarifa do transporte coletivo em várias cidades. Esta é uma reivindicação justíssima, e inclusive a revogação dos aumentos é apenas uma pauta imediata. Há uma discussão antiga e profunda sobre a questão do financiamento do transporte coletivo, que hoje serve basicamente como ferramenta de lucro de alguns empresários.
Ao irem às ruas, surgiram também críticas decorrentes da violência policial. A Polícia Militar, como a conhecemos hoje, foi construída ao longo do tempo para ser exatamente isso: instrumento de controle da população e de defesa da propriedade. Isso também não é exclusividade do Brasil. Recentemente, ao ser questionado sobre a repressão violenta da polícia aos manifestantes na Turquia, o primeiro ministro turco respondeu que sua polícia utilizava os mesmos mecanismos repressivos que a polícia dos Estados Unidos e dos países europeus. Nesse ponto, ele tinha razão.
Infelizmente a mídia e a direita (o que é um pleonasmo), após inicialmente chamarem os manifestantes de vândalos e baderneiros, resolveram fazer uma virada espetacular de opinião e passaram a apoiá-los.
O problema é que esse apoio tem um objetivo muito claro: diluir as bandeiras legítimas dos movimentos ao mesmo tempo em que tentam inserir as suas pautas reacionárias e tentam capitalizar o movimento para os seus objetivos sórdidos.
Esta virada foi sendo colocada quando a seguinte palavras de ordem foi sendo posta: “não é por centavos”. A partir do momento em que a pauta principal e inicial do movimento foi sendo escanteada, abriu-se espaço para que todo tipo de pauta fosse incluída: “contra isso tudo que está aí”, “contra a corrupção” de maneira vaga e despolitizada, “contra os impostos”, e até as mais recentes que já circulam nas redes sociais, como “contra a ditadura gay” e “pelo impeachment da Dilma”.
Os slogans também foram sendo usados de forma a despolitizar. O pior deles é “O gigante acordou”**. Este slogan é complicadíssimo. Carregado de ufanismo, ele simplesmente tenta jogar para a vala do esquecimento os séculos de lutas e resistências do povo brasileiro: os índios e suas guerras de resistência, os negros e seus quilombos, os movimentos feministas e suas marchas, a classe trabalhadora e suas greves, os trabalhadores rurais e suas ocupações, o movimento estudantil e suas manifestações…
Para os setores reacionários nenhuma dessas lutas vale, já que sempre estiveram do outro lado, dos exploradores, da elite.
Há um discurso nestes setores, de que “é necessário acabar com o pão e circo”. Precisamos rechaçar fortemente esse discurso, pois o que eles chamam de “política do pão e circo” são os avanços que tivemos nos últimos anos. Eles querem acabar com as políticas sociais de distribuição de renda, com as cotas sociais e raciais, com a política de valorização do salário mínimo e da massa salarial da classe trabalhadora em geral, com os direitos trabalhistas que as empregadas domésticas ganharam recentemente.
Dentro dos palácios temos os governantes, que não souberam negociar e até o momento ainda se mostram atônitos. Utilizam argumentos técnicos, quando o seu papel é fazer política, em outras palavras, procurar meios para atender às pautas populares. Não é possível governar apenas com gestão sem discutir os rumos da sociedade.
Há também uma demanda reprimida da população por participação. Esse sistema político atual, com financiamento privado, favorece a corrupção, uma vez que os financiadores das campanhas cobram depois o retorno dos seus “investimentos”. Também afasta a população das decisões relevantes das cidades, dos estados e do país. É preciso então discutir uma profunda reforma política, que dê voz e espaço aos setores excluídos da política institucional.
Como resistir à tentativa de sequestro dos atos?
Precisamos primeiramente compreender que a gênese desses movimentos é progressista e tem como pautas problemas concretos da vida das pessoas. No entanto há uma operação da mídia e da direita de desvirtuá-los e transformar os manifestantes em massa de manobra para setores da elite que não pretendem avançar, mas sim retroceder nos direitos da maioria da população.
É preciso que os manifestantes “antigos”, que já estão nas lutas e nas ruas há muito tempo em defesa das pautas progressistas, se somem aos atos e disputem sua linha, para que o tom seja pela conquista de novos direitos, sem abrir mão do que já foi conquistado.
Para os manifestantes novos: sejam bem-vindos à luta!
A única compreensão que eu lhes peço é que entendam o motivo que torna impossível “todos darmos as mãos por uma causa só, independente das diferenças”. Há, como sempre houve, a necessidade que alguém perca para que alguém possa ganhar.
Para termos passagens mais baratas e transporte de qualidade é preciso que o dinheiro saia de algum lugar: ou dos governos (o que seria trocar seis por meia dúzia), ou diminuir os lucros dos empresários do setor e aumentar impostos dos usuários de transporte individual (carros). Para conquistarmos direitos para a população LGBT precisaremos derrotar os fundamentalistas. Para democratizarmos as comunicações precisaremos derrotar a grande mídia, para termos melhores salários e condições de trabalho precisaremos derrotar os empresários, para termos mais dinheiro precisaremos derrotar os banqueiros que lucram em cima de nós com seus juros, e por aí segue…
Creio que o meio para defender os atos e os movimentos da intromissão de pautas reacionárias nesse momento é a restrição das nossas pautas nos atos. Precisamos realizar atos como sendo claramente contra os aumentos e em defesa de um novo modelo de transporte público e de qualidade.
Há diversas pautas progressistas igualmente importantes, como o combate ao projeto de lei da “cura gay” aprovado nesta terça-feira (18/06) pelo Feliciano na CDHM da Câmara dos Deputados, a Reforma Política, a democratização dos meios de comunicação, o combate à PEC37 (que restringe os poderes de investigação do Ministério Público), dentre tantas outras.
Se pulverizarmos as pautas em poucas manifestações “genéricas”, estaremos ajudando a fazer o que a mídia e a direita tanto querem: caracterizar o movimento como difuso e aberto à qualquer pauta, e já percebemos que onde cabe qualquer pauta, cabem também as pautas dos nossos adversários.
É necessário organizarmos atos para cada uma dessas pautas, aproveitando o momento político para acumular força, organicidade e visibilidade para as nossas lutas, que certamente não terminarão em uma ou duas semanas.
Que as manifestações não sejam passageiras!
*Historiador pela Universidade de Brasília
**PS do Viomundo: Investiga-se se #ogiganteacordou, propagado pela TV Globo no jogo entre Brasil e México, ontem, em Fortaleza, tem relação direta ou indireta com gente da oposição.
Militantes dizem que ferimento exibido em fotos foi forjado

por Luiz Carlos Azenha
Dois ativistas de esquerda que participaram da manifestação da noite de quinta-feira na avenida Paulista, em São Paulo, alegam que o ferimento exibido por um ativista diante de fotógrafos foi forjado.
Ricardo Gebrim e Anderson Fernandes Guahy estavam no cordão de isolamento que protegia uma passeata que tinha de 800 a 1000 militantes de esquerda. A tarefa deles era evitar a aproximação de um grupo que gritava palavras de ordem contra partidos políticos, Cuba, o Bolsa Família e o PT.
Esse grupo, segundo Ricardo, era formado por cerca de 150 homens. Muitos usavam capacetes de ciclistas e máscaras do Anonymous, outros eram “bombados”. Trabalhavam em conjunto e se falavam. Puxavam as palavras de ordem. O homem que aparece na foto acima, segundo Ricardo, parecia ser o líder.
A certa altura, dizem, ele foi atingido pelo mastro de plástico de uma bandeira que havia sido arrancado das mãos de um militante de esquerda.
O mastro bateu no ombro, o homem — identificado pelo portal G1 como Guilherme Nascimento — colocou a mão na cabeça e começou a “sangrar”. Fotógrafos e cinegrafistas estavam próximos para registrar a cena.

Casamento gay na Suécia sequer é notícia
Até a Igreja Luterana admite bispos homossexuais.
Enquanto a França se divide em relação ao casamento para todos e o Parlamento polonês acaba de rejeitar a união civil, um país parece estar acima destes debates: a Suécia. Lá, é possível ser lésbica, casada e… bispa sem causar escândalo.
O artigo abaixo foi publicado, originalmente, no jornal francês Liberatión.
Os sinos da igreja da aldeia de Dalby, no sul da Suécia, tocaram só para elas. Anna e Cristina Roeser conheceram-se em 2005. Poucos meses depois começaram a viver juntas e, mais tarde, anunciaram o seu noivado. Anna é auxiliar de infância numa creche. Christina estuda teologia. Ambos sempre sonharam construir uma família. Para ter o direito à procriação medicamente assistida, tinham de oficializar a sua “união”. Queriam um grande casamento pela igreja, mas acabaram por abandonar a ideia.
A cerimônia foi organizada no tribunal em 2007. “O juiz nos recebeu durante a sua pausa, no meio de um processo por corrupção”, conta Anna. Naquela altura, a Igreja Evangélica Luterana à qual pertencem 70% dos suecos, considerava a possibilidade de abrir o casamento aos casais homossexuais.
“Sabíamos que estava para acontecer, mas não sabíamos quando”, diz Christina. Em vez de tentar obter a bênção religiosa pela sua união, decidiram esperar até poderem realmente casar. A 1 de abril de 2009, os deputados aprovaram uma lei que autoriza o casamento “sexualmente neutro”. Seis meses mais tarde, a Igreja da Suécia, separada do Estado desde 2000, fez o mesmo, tornando-se a primeira grande Igreja no mundo a casar pessoas do mesmo sexo.
As duas mulheres nunca precisaram defender a sua orientação sexual junto dos seus próximos ou colegas. Em outubro, tornaram-se mães de duas pequenas meninas, Théia e Esther, que batizaram recentemente. Anna, 37 anos, é a
mãe biológica. “Na Suécia ninguém acha isso estranho”, afirmam. O mesmo se aplica ao casamento pela igreja, celebrado em agosto de 2010. “Queria muito que o nosso amor fosse abençoado por Deus”, afirma Christina, 28 anos, que foi ordenada padre há um ano.
A Igreja Luterana aprovou o casamento gay em outubro de 2009. 70% dos membros do sínodo, composto por 250 bispos eleitos nas paróquias, disseram sim à união homossexual. O arcebispo Anders Wejryd, que exerce em Uppsala (perto de Estocolmo) o comando da Igreja luterana sueca, diz que foi tudo tranquilo. Não foi nada parecido, afirma ele, com os conflitos que resultaram da decisão de ordenar as mulheres padres em 1958.
Alguns refratários se demitiram, mas não passaram de uma minoria. Não houve nenhuma “corrida à igreja”: entre 2010 e 2011, apenas 350 casais homossexuais casaram pela igreja, contra cerca de 40 mil casamentos heterossexuais. Muito se andou na Suécia. Em 1985 os bispos suecos recomendavam a abstinência aos cristãos homossexuais.
Em 2009, a lésbica Eva Brunne, 58 anos, foi eleita bispo de Estocolmo. A informação deu a volta ao mundo. Eva afirma que a sua orientação sexual, ou o fato de ter uma criança com uma mulher, nunca foram alvos de debates na sua nomeação. Estará a Igreja da Suécia à frente do seu tempo? “Acho que, por sermos uma igreja reformada, estamos habituados a evoluir à medida que a sociedade se transforma”, diz Eva.
Em Uppsala outra mulher padre e lésbica concorda. Para a Igreja sueca, diz Anna-Karin Hammar, 61 anos, “a experiência é tão importante quanto a tradição”. Ela está convencida de que, “se São Paulo vivesse nos dias de hoje e soubesse o que nós sabemos, seria a favor do casamento dos casais do mesmo sexo”.
Proveniente de quatro gerações de padres, Anna-Karin Hammar surpreendeu todos e todas em 2006, quando apresentou a sua candidatura à sucessão do seu irmão, o arcebispo K. G. Hammar. Em 2001, com a sua companheira, Ninna Edgardh, 57 anos, teóloga e mãe de duas crianças, convidaram 70 pessoas próximas para sua união, celebrada por uma amiga bispa, quatro anos antes de este tipo de cerimônia ser oficialmente autorizado pela igreja.
O presidente da Ekho (Associação Ecumênica de Cristãos Homossexuais), Gunnar Beckström, tem um conselho para os homossexuais mundo afora: “Levantem-se e digam que não querem ser mais oprimidos. A homossexualidade não é uma doença. Oprimir os homossexuais nunca foi a vontade de Deus”.
Enquanto a França se divide em relação ao casamento para todos e o Parlamento polonês acaba de rejeitar a união civil, um país parece estar acima destes debates: a Suécia. Lá, é possível ser lésbica, casada e… bispa sem causar escândalo.
O artigo abaixo foi publicado, originalmente, no jornal francês Liberatión.
Os sinos da igreja da aldeia de Dalby, no sul da Suécia, tocaram só para elas. Anna e Cristina Roeser conheceram-se em 2005. Poucos meses depois começaram a viver juntas e, mais tarde, anunciaram o seu noivado. Anna é auxiliar de infância numa creche. Christina estuda teologia. Ambos sempre sonharam construir uma família. Para ter o direito à procriação medicamente assistida, tinham de oficializar a sua “união”. Queriam um grande casamento pela igreja, mas acabaram por abandonar a ideia.
A cerimônia foi organizada no tribunal em 2007. “O juiz nos recebeu durante a sua pausa, no meio de um processo por corrupção”, conta Anna. Naquela altura, a Igreja Evangélica Luterana à qual pertencem 70% dos suecos, considerava a possibilidade de abrir o casamento aos casais homossexuais.
“Sabíamos que estava para acontecer, mas não sabíamos quando”, diz Christina. Em vez de tentar obter a bênção religiosa pela sua união, decidiram esperar até poderem realmente casar. A 1 de abril de 2009, os deputados aprovaram uma lei que autoriza o casamento “sexualmente neutro”. Seis meses mais tarde, a Igreja da Suécia, separada do Estado desde 2000, fez o mesmo, tornando-se a primeira grande Igreja no mundo a casar pessoas do mesmo sexo.
As duas mulheres nunca precisaram defender a sua orientação sexual junto dos seus próximos ou colegas. Em outubro, tornaram-se mães de duas pequenas meninas, Théia e Esther, que batizaram recentemente. Anna, 37 anos, é a
mãe biológica. “Na Suécia ninguém acha isso estranho”, afirmam. O mesmo se aplica ao casamento pela igreja, celebrado em agosto de 2010. “Queria muito que o nosso amor fosse abençoado por Deus”, afirma Christina, 28 anos, que foi ordenada padre há um ano.
A Igreja Luterana aprovou o casamento gay em outubro de 2009. 70% dos membros do sínodo, composto por 250 bispos eleitos nas paróquias, disseram sim à união homossexual. O arcebispo Anders Wejryd, que exerce em Uppsala (perto de Estocolmo) o comando da Igreja luterana sueca, diz que foi tudo tranquilo. Não foi nada parecido, afirma ele, com os conflitos que resultaram da decisão de ordenar as mulheres padres em 1958.
Alguns refratários se demitiram, mas não passaram de uma minoria. Não houve nenhuma “corrida à igreja”: entre 2010 e 2011, apenas 350 casais homossexuais casaram pela igreja, contra cerca de 40 mil casamentos heterossexuais. Muito se andou na Suécia. Em 1985 os bispos suecos recomendavam a abstinência aos cristãos homossexuais.
Em 2009, a lésbica Eva Brunne, 58 anos, foi eleita bispo de Estocolmo. A informação deu a volta ao mundo. Eva afirma que a sua orientação sexual, ou o fato de ter uma criança com uma mulher, nunca foram alvos de debates na sua nomeação. Estará a Igreja da Suécia à frente do seu tempo? “Acho que, por sermos uma igreja reformada, estamos habituados a evoluir à medida que a sociedade se transforma”, diz Eva.
Em Uppsala outra mulher padre e lésbica concorda. Para a Igreja sueca, diz Anna-Karin Hammar, 61 anos, “a experiência é tão importante quanto a tradição”. Ela está convencida de que, “se São Paulo vivesse nos dias de hoje e soubesse o que nós sabemos, seria a favor do casamento dos casais do mesmo sexo”.
Proveniente de quatro gerações de padres, Anna-Karin Hammar surpreendeu todos e todas em 2006, quando apresentou a sua candidatura à sucessão do seu irmão, o arcebispo K. G. Hammar. Em 2001, com a sua companheira, Ninna Edgardh, 57 anos, teóloga e mãe de duas crianças, convidaram 70 pessoas próximas para sua união, celebrada por uma amiga bispa, quatro anos antes de este tipo de cerimônia ser oficialmente autorizado pela igreja.
O presidente da Ekho (Associação Ecumênica de Cristãos Homossexuais), Gunnar Beckström, tem um conselho para os homossexuais mundo afora: “Levantem-se e digam que não querem ser mais oprimidos. A homossexualidade não é uma doença. Oprimir os homossexuais nunca foi a vontade de Deus”.
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