segunda-feira, 14 de maio de 2012

William Deresiewicz: Capitalistas e outros psicopatas



por  WILLIAM DERESIEWICZ*, em 12.05.2012, no New York Times
Existe um debate em andamento no país sobre os ricos: quem eles são, qual o papel social deles, se eles são bons ou ruins. Bem, considerem o seguinte. Um estudo recente descobriu que 10% das pessoas que trabalham em Wall Street são “psicopatas clínicos”, exibindo falta de interesse ou empatia pelos outros e uma “capacidade sem paralelo para mentir, fabricar e manipular”. (A proporção para a população em geral é de 1%). Outro estudo concluiu que os ricos são mais inclinados a mentir, enganar e violar a lei.
A única coisa que me surpreende sobre estas alegações é que tem gente que acha que são surpreendentes. Wall Street é o capitalismo em sua forma mais pura, e o capitalismo é baseado em mau comportamento. Isso não deveria ser notícia. O escritor britânico Bernard Mandeville disse isso quase três séculos atrás num poema-satírico-com-pretensões-de-tratado-filosófico chamado “A fábula das abelhas”.
“Vícios privados, benefícios públicos” é o subtítulo do livro. Um maquiavélico no campo econômico — um homem que nos mostrou como somos, não como gostaríamos de pensar que somos — Mandeville argumentou que uma sociedade comercial cria prosperidade ao aproveitar nossos impulsos naturais: fraude, luxúria e orgulho. Por “orgulho” Mandeville quis dizer vaidade; por “luxúria”, o desejo por indulgência sensual. Ambas criam demanda, como todo publicitário sabe. No lado da oferta, como diríamos, estava a fraude, dizia o poema:  ”De todos os negócios a fraude era parte/ Nenhuma profissão era isenta dessa arte”.
Em outras palavras, Enron, BP, Goldman, Philip Morris, G.E., Merck, etc., etc. Fraude contábil, evasão fiscal, lixo tóxico, violações na segurança de produtos, fraude em concorrências públicas, superfaturamento, perjúria. O escândalo de propinas da Walmart, o escândalo da violação de telefones da News Corp. — abra a seção de negócios do jornal em um dia qualquer. Golpeando seus trabalhadores, causando danos aos seus consumidores, destruindo a terra. Deixando o público ficar com a conta. Estas não são anomalias; é assim que o sistema funciona: você sai ileso com o que puder e tenta escapar quando te pegam em flagrante.
Sempre achei estranha a ideia de uma escola de negócios. Que tipos de cursos poderia oferecer? Roubar viúvas e órfãos? Esmagar a cara dos pobres? Alimentar-se com dinheiro público? Foi lançado anos atrás um documentário chamado “Corporação”, que aceitou a premissa de que as corporações são pessoas e em seguida perguntou que tipo de pessoas eram. A resposta foi, precisamente, psicopatas: indiferentes aos outros, incapazes de sentir culpa, devotadas exclusivamente a seus próprios interesses.
Existem corporações éticas, sim, e pessoas de negócio éticas, mas a ética no capitalismo é opcional, puramente extrínseca. Esperar moralidade do mercado é cometer um erro categórico. Os valores capitalistas são incompatíveis com os cristãos. (Como alguns dos cristãos mais barulhentos de nossa vida pública também são os belicosos proponentes do livre mercado sem qualquer regulamentação é uma questão para a consciência deles). Os valores capitalistas também são incompatíveis com os valores democráticos. Como a ética cristã, os princípios de um governo republicano requerem que consideremos os interesses dos outros. O capitalismo, que se dedica à perseguição do lucro, nos faz pensar que é cada um por si.
Tem havido muita conversa sobre os “criadores de empregos”, uma frase criada por Frank Luntz, um guru de propaganda da direita, para classificar Ayn Rand. Os ricos merecem nossa gratidão, assim como tudo o que têm, em outras palavras, e o restante é inveja. Em primeiro lugar, se empreendedores são criadores de empregos, os trabalhadores são criadores de riqueza. Os empreendedores usam a riqueza para criar emprego para trabalhadores. Trabalhadores usam os empregos para criar riqueza para os empreendedores — os excessos de produtividade que superam o salário e outras compensações representam o lucro das corporações. Não é objetivo de nenhum deles beneficiar o outro, mas isso acontece de qualquer forma.
Além disso, empreendedores e ricos são duas categorias diferentes que nem sempre se misturam. A maioria dos ricos não é de empreendedores; eles são executivos de corporações, gerentes institucionais de outros tipos, os médicos e advogados mais ricos, os mais bem sucedidos atletas e artistas, pessoas que simplesmente herdaram dinheiro e, sim, pessoas que trabalham em Wall Street.
Mais importante, nem os empreendedores nem os ricos têm o monopólio do saber, do suor ou do risco. Existem cientistas — e artistas e acadêmicos — que são tão inteligentes quanto qualquer empreendedor, apenas estão interessados em outras recompensas. A mãe solteira que usa o emprego para ir à faculdade comunitária trabalha tão duro quanto o gerente de um fundo hedge. Uma pessoa que consegue um empréstimo imobiliário — ou um empréstimo para educação, ou que tem um filho — contando com um emprego que pode perder a qualquer momento (graças, talvez, a um daqueles criadores de empregos) assume tanto risco quanto alguém que abre um novo negócio.
Questões fundamentais na política dependem destas percepções: quem vamos taxar e quanto; quanto vamos gastar e com quem. Mas se “criadores de empregos” é um termo novo, a adulação que expressa — e o desprezo que claramente assinala em relação a outros — não são. “Os norte-americanos pobres são chamados a detestar a si”, escreveu Kurt Vonnegut em “Abatedouro número 5″. E, assim, “eles se diminuem e glorificam os outros”. Nossa mentira mais destrutiva, ele acrescentou “é que é fácil para qualquer norte-americano ganhar dinheiro”. A mentira persiste. Os pobres são preguiçosos, estúpidos e diabólicos. Os ricos são brilhantes, corajosos e bons. Eles espalham sua beneficência sobre o resto de nós.
Mandeville acreditava que a busca pela satisfação de interesses individuais poderia trazer benefícios públicos mas, ao contrário de Adam Smith, não acreditava que faria isso por si só. A “mão” de Smith era “invisível”– a operação automática do mercado. A de Mandeville exigia “o gerenciamento multifacetado de um político hábil” — em termos modernos, legislação, regulamentação e taxação. Ou, como ele escreveu em verso, ”Assim, o vício o bem vai causar/ Se a Justiça o atar e podar”.
*O autor é ensaista, crítico e autor de “Uma educação de Jane Austen”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

DE IDIOTAS E CANALHAS



Raul Longo no Sambaqui

Enviado por Raul Longo em 8/5/2011

Ninguém pode nem deve se considerar um idiota apenas por acreditar nas mentiras da mídia brasileira. Afinal, os veículos da mídia, em tese, deveriam ser meios de informação, como acontece em países onde esses meios são obrigados a respeitar marcos regulatórios. Se aqui no Brasil enganam e enganaram o público, aqueles que foram enganados não tem culpa disso. Não podem ser considerados idiotas por terem acreditado em canalhas que se apresentam como informantes de fatos e divulgam mentiras.
Quem, pela internet, divulgou sua indignação pelo “Mensalão”, não tem culpa de ter acreditado naquela armação da mídia.
Quem, pela internet, denegriu o José Dirceu, não tem culpa de ter condenado uma vítima da mídia. Quem usou de seu computador para ajudar a mídia a difamar o José Genoíno, também não.
Nem mesmo aqueles que distribuíram as mentiras que recebiam pela internet sobre a fazenda do filho do Lula. Os que acreditaram que o PT recebia dólares de Cuba e em todas as outras mentiras que a mídia divulgou sobre a equipe do governo Lula.
Apesar do absurdo, até ridículo, não dá para se considerar como idiotas nem aqueles que distribuíam pela internet um tal documento do FBI ou CIA ou Pentágono sobre projeto de golpe de Lula para instaurar-se como ditador.
Não... Esses não foram idiotas. Muito ingênuos, é verdade. Um tanto preguiçosos para raciocinar, talvez. Uma certa incapacidade de percepção, sim, mas considerá-los idiotas é exagero.
São mais é vítimas de grupos que pretendiam desestabilizar o governo Lula e continuam pretendendo desestabilizar o governo Dilma para voltar a explorar esses mesmos que acreditaram em todas as mentiras que lhes foram contadas. Tantas que em algum momento deveriam ter começado a desconfiar, a enxergar a realidade... Mas é aquela história, repete-se a mesma mentira tantas vezes que até se convence os menos atentos.
Aqueles que pela internet divulgavam ofensas à Dona Marisa e se referiam a Lula como “apedeuta”, pelo preconceito demonstrado chegavam bem próximo à idiotia, é verdade. Sim, preconceito é coisa de idiota mesmo, mas há de se considerar que foram induzidos a esses preconceitos, estimulados para isso. Muitos já tinham uma certa predisposição para assimilar o preconceito porque para alguns é mesmo duro ter de reconhecer que apesar de ter cursado anos e anos de estudo escolar e do privilégio de ter podido estudar, não conseguiu desenvolver nem um quarto da metade da inteligência de outro que não teve a mesma oportunidade. Difícil mesmo ter de reconhecer que apesar de nunca ter se diplomado em coisa alguma, aquele é o brasileiro que mais recebeu título de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo.
Então, convenhamos, esses que há tantos anos vêm distribuindo todos os preconceitos que lhes foram incutidos, que usaram a internet para promover mentiras, e que acreditaram nas tantas falsas informações inventadas e divulgadas pela mídia brasileira, não são propriamente idiotas.
Daqui pra frente, se continuarem acreditando na mídia, claro! Afinal, quem cai no golpe do bilhete premiado a primeira vez, é apenas um ingênuo. Já quem cai no mesmo golpe outra vez, sem dúvida é um rematado idiota.
E aquele que já caiu, mas ao ver outro entrando na mesma conversa não o avisa? Não alerta para evitar que se faça outra vítima? Esse é o quê?
Esse é tão canalha quanto o golpista. E como não está ganhando nada com isso, é ainda pior do que o golpista! Pois o golpista é apenas um canalha, mas o que não avisa, além de canalha é idiota, pois não ganha nada com isso, mas ajuda o canalha a explorar e a mentir para outros.
Daí que ofereço a oportunidade destes links para aqueles que espalharam pela internet as mentiras produzidas pelos golpistas da mídia. É a oportunidade que precisam para demonstrar aos mesmos correspondentes aos quais distribuíram as velhas mentiras que, apesar de ingênuos, não foram idiotas. E muito menos canalhas.  
Sem dúvida, entre os que receberem essa oportunidade que aqui ofereço, haverão os que não vão querer demonstrar que ajudaram a divulgar mentiras nem reconhecer que foram enganados. E não vão distribuir para ninguém.
Esses coitados são tão idiotas que sequer conseguem atinar para o fato de que os links aqui distribuídos são de notícias já amplamente divulgadas e na verdade não estarão informando novidade alguma. E perderão a oportunidade de provar para seus correspondentes que não são canalhas, sendo.
“Links” extraídos do sítio Anais Políticos:
Clique aqui para ouvir Demóstenes e Cachoeira  tramando pilantragens com a ajuda da Veja.
Clique aqui para ver a Globo cortando o discurso de Dilma quando ela falava de Vargas, Jango e Brizola.
Clique aqui para saber quem é o Judas curitibano.
Clique aqui para assistir Dilma chamando os bancos na chincha.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bob Fernandes: E quando vão pedir desculpas a Paulo Lacerda?


Delegado

Delegado Paulo Lacerda espera pedido de desculpas de Gilmar Mendes e Demóstenes
por Bob Fernandes, no Terra Magazine
O delegado Paulo Lacerda, que por seis anos e meio dirigiu a Polícia Federal e a Abin durante os governos Lula, aguarda um pedido de desculpas. Ele espera (talvez sentado) que Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o senador Demóstenes Torres reconheçam as respectivas responsabilidades nos seus dois anos e meio de exílio.
Início da tarde de 9 de setembro de 2008. A sessão vai começar em instantes. O delegado Paulo Lacerda, diretor da Abin, está na ante-sala da Comissão Mista das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. Uma dezena de parlamentares na sala. Sorrateiro, quase sem ser notado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, aproxima-se de Paulo Lacerda e diz:
– Eu o conheço. Sei que o senhor é um homem sério e, com certeza, não está envolvido com estes fatos, com grampos. Estou aqui pessoalmente para lhe prestar minha solidariedade e demonstrar o meu apreço…
Exatos dois meses antes, a Polícia Federal havia prendido o banqueiro Daniel Dantas na Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, hoje deputado federal do PCdoB (SP).
No rastro da operação, e tornados personagens de reportagem da Revista Veja de 3 de setembro, o senador Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), denunciaram: tinham sido grampeados pela Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, dirigida por Paulo Lacerda.
O juiz Mendes, em companhia de outros ministros do STF, fora ao Palácio do Planalto “chamar o presidente Lula às falas”. Paulo Lacerda seria temporariamente suspenso de suas funções; depois, sob intensa pressão política, seguiu para o exílio. Por quase dois anos e meio, com a família junto, Paulo Lacerda foi Adido Policial na embaixada do Brasil em Portugal.
Nessa tarde de 9 de setembro de 2008, Lacerda ouve, perplexo, a manifestação de solidariedade sussurrada por Demóstenes, justamente um dos homens que o acusam de ter comandado grampos durante a Satiagraha. Acusam-no de ter ordenado, ou permitido, escuta ilegal contra um senador da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Recuperado da surpresa, percebendo a pressa de Demóstenes, prestes a deixar a sala, Paulo Lacerda responde ao senador:
– Que bom que o senhor pensa assim, que vê as coisas desse modo.  A sessão já vai começar e aí o senhor terá a oportunidade de dizer isso, de dizer a verdade, e esclarecer as coisas…
– Tenho um compromisso, vou dar uma saidinha, mas voltarei a tempo – promete o senador Demóstenes Torres.
A sessão arrastou-se por horas. O senador Demóstenes, o acusador, não voltou.
Naquela tarde, o delegado Lacerda foi duramente questionado. E acusado de ter montado um esquema de grampos ilegais na Abin. Em vão, ele repetia:
– Não comandei, não participei, não compactuei, nem tomei conhecimento de qualquer ilegalidade no procedimento da Abin…
Naquele dia, a estrela da comissão foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Às 16h53, Virgílio perguntou a Paulo Lacerda se o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tinha mentido ao dizer que a Abin possuía “equipamento de escutas”. Lacerda pediu ao senador para “fazer a pergunta a Jobim”.
Levemente exaltado, com um tom avermelhado na pele, o político amazonense bradou: disse não ser um “preso”, nem estar “pendurado” num pau-de-arara. E que Paulo Lacerda não estava “numa delegacia” e, sim, numa sessão do Congresso. Como acusado.
Fim da sessão. O senador Arthur Virgílio se aproxima de Paulo Lacerda e discorre sobre o que é a política:
– O senhor entende… eu sou da oposição, temos que ser duros…
Paulo Lacerda é o delegado que comandou a prisão de PC Farias e a investigação do chamado “Caso Collor”, quando mais de 400 empresas e 100 grandes empresários foram indiciados num inquérito de 100 mil páginas. Tudo, claro, dormitou nas gavetas do Judiciário, ninguém acompanhou nada e tudo prescreveu.
Anos depois, no governo Lula e com o Ministério da Justiça sob direção de Márcio Thomaz Bastos, por quase cinco anos Paulo Lacerda dirigiu – e refundou – a Polícia Federal. A PF teve, então, orçamento que jamais teve ou voltaria a ter.
Mais de 5 mil operações foram realizadas, centenas de criminosos de “colarinho branco” foram presos, o PCC foi atacado em seu coração financeiro. Na Satiagraha, a PF, já sob direção de Luis Fernando Correa, dividiu-se. Uma banda trabalhou para prender Daniel Dantas e os seus. Outra banda trabalhou contra a Operação; com a estreita colaboração, digamos assim, de jornalistas e colunistas que seguem por aí.
Paulo Lacerda, no comando da Abin, foi acusado por um grampo que nunca ninguém ouviu, que, pelo até hoje se sabe, nunca existiu. Demóstenes e Gilmar Mendes, por exemplo, nunca ouviram o suposto grampo; souberam por uma transcrição.
De resto, aquele teria sido um grampo inédito na história da espionagem. Não flagrou nenhum conversa imprópria. Um grampo a favor.
A Polícia Federal, ao investigar o caso, não encontrou vestígio algum de grampo feito pela Abin. Mas, claro, a notícia de inexistência do grampo saiu em poucas linhas, escondida, aqui e ali.
Quase quatro anos depois, caiu a máscara de Demóstenes Torres, o homem de muitas faces. Uma delas abrigava em seu gabinete uma enteada do amigo, o ministro Gilmar Mendes.
Paulo Lacerda voltou do exílio. Toca sua vida. E aguarda que Demóstenes Torres e Gilmar Mendes, entre tantos outros, lhe peçam desculpas.

sábado, 5 de maio de 2012

“Populismo” vai aos juros da habitação. Essa Dilma …

Saiu na manchete da capa do Globo:

“Após mudar poupança (gol de placa – PHA) Dilma vai atacar juros da habitação”

Governo estuda criar ranking de taxas cobradas para ajudar mutuário.

Dilma quer que os bancos repassem aos compradores de casa própria o correspondente à redução dos juros da poupança (já que 70% do dinheiro para a habitação sai da poupança).
Quer também facilitar a transferência de financiamento de um banco que cobre juros altos para um banco que cobre juros mais baixos.
Nesta sexta-feia, o Banco do Brasil anunciou novo corte em operações do cheque especial e o crédito pessoal.
Não é à toa que o pessoal do Globo está tão preocupado com o “populismo” da Dilma nessa guerra aos juros altos.
Na pág. 28, ao lado da Urubóloga – de novo preocupada com o “populismo” assim com o Merval – está lá: “BB e Caixa ameaçam oligopólio bancário”.
Ou seja, os bancos estatais – que o Fernando Henrique prometeu ao FMI que ia passar nos cobres – resolveram dinamitar o clubinho dos bancos.
Outra informação preciosa no Globo, na pág. 27:
Em 2002 (fim do sombrio Governo Cerra-FHC) o Brasil financiou 29 mil unidades habitacionais.
Em 2011, 493 mil !
Que horror !
Em 2002 (quando chegou ao fim o sombrio governo Cerra-FHC), os financiamentos à casa própria chegaram a R$ 1 blhão e 800 mil.
Uma ninharia.
Em 2011, no fim do Governo do Nunca Dantes, foi R$ 80 bilhões !
Dá pra comparar ?
É por isso que a elite fica aflita e deposita no PiG (*) a ira e a frustração.
Clique aqui para ver a tabelinha atualizada em que o Nunca Dantes dá e 10 x 0 no FHC/Cerra.
A verdade, amigo navegante, mora num poço: lá no fundo, soterrado pela mediocridade, o projeto neolibelês (**) para o Brasil.
Bye-bye Cerra, forever !




Paulo Henrique Amorim

O julgamento político como legítima defesa

 

por Mauro Santayana

 

Para que a República se salve e, com ela, o povo brasileiro, é necessário que a CPI vá às últimas conseqüências. A nação está clamando por uma devassa, não para que se erga, em alguma praça, a máquina do doutor Guillotin. Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso que o sangue lave a honra das nações. Mas os ladrões do Erário, que roubam dos que trabalham e produzem, devem ser conhecidos e levados aos tribunais. Não se trata de conflito ideológico, mas de ato de legítima defesa nacional. Os que roubam, ao subtrair os bens comuns, contribuem para que o estado republicano desmorone e, com ele, a nação. Desmorone nos hospitais precários, que não salvam vidas e, frequentemente, apressam  a morte; desmorone nas escolas públicas em que as crianças não aprendem, mas se expõem aos perigos, que vão das humilhações à tortura, cometidas pelos fortes contra os fracos, quando não aos massacres; desmorone nos serviços de segurança, dos quais surgem esquadrões da morte e milicianos quadrilheiros.


Nesta visão, correta e ampla, dos efeitos da corrupção, os corruptos não são apenas larápios: são, da mesma forma, bandidos e assassinos. Uma coisa é o financiamento de campanhas políticas pelos empresários, outra o enriquecimento de agentes públicos, mediante as promíscuas relações, nas quais se superfaturam obras públicas e serviços, para a divisão do butim entre os parceiros. O que todos os cidadãos conscientes exigem é o financiamento público das campanhas, a fim de evitar essa poluição do sistema democrático.


O rigor nas investigações, atinja a quem atingir, é  ato de legítima defesa do sistema republicano e, particularmente, do poder legislativo. Há, crescente, na opinião pública – a partir das informações que recebe – o equivocado juízo de que os senadores e deputados são inúteis. Se essa CPI se frustrar, os cidadãos podem supor que os parlamentares não são apenas inúteis, mas também complacentes com os seus pares aquadrilhados, como os representantes de Goiás fisgados pela língua, entre eles esse comediante menor, o senador Demóstenes Torres, que fez, durante tanto tempo, o papel de catão.


Devemos entender que a maioria parlamentar não é feita de bandoleiros, embora possa ter sua parcela de incompetentes. Espera-se que, na CPI, os homens de bem sejam tão ousados como costumam ser os canalhas.

 

Rupert Civita debocha da democracia brasileira



A Carta Capital que chega nesta sexta-feira às bancas traz uma reportagem de capa que é como se fosse uma capa da Veja, esse detrito sólido de maré baixa (que a Globo transforma em Chanel # 5):

“Nosso Murdoch – Veja e Cachoeira, jornalismo a pique”

A reportagem de Cynara Menezes tem o título

“Os desinformantes”

“Escândalo – Gravações mostram que a relação entre a Veja e o grupo de Cachoeira pouco tinha a ver com jornalismo.”

“Denúncias sem sustentação serviram para acuar os adversários do esquema criminoso”

“A invasão ao hotel do Dirceu teve o dedo da turma. E a campanha para levar Demóstenes ao Supremo Tribunal. E aí, CPI ?”

“Entra nesta até o falso grampo em Gilmar Mendes. A quem serviu a armação ? “

(Resposta – serviu para tirar o pescoço do Daniel Dantas da forca, e impedir que os agentes da Privataria do Fernando Henrique fossem para a cadeia. Não adiantou nada, porque o Amaury escreveu o livro best-seller.- PHA)

“Era preciso derrubar Pagot para beneficiar a Delta.”

(Os arapongas) “Dadá e Marins produziam as “noticias”.

A Carta reproduz “diálogos impertinentes” que mostram como Cachoeira e Demóstenes tramaram a invasão do apartamento de hotel do José Dirceu.

Como Cachoeira pautava a Veja e escolhia o local da revista onde a “notícia” deveria ser publicada.

Cachoeira e Claudio Abreu da Delta combinam como Policarpo Junior, “repórter” da Veja, ia detonar o “mensalão do PR” no Ministério dos Transportes.

Comemoram até a entrevista na Pagina Marrom da Veja com o Demóstenes, para anabolizar a candidatura dele ao Supremo:

Diz Claudio da Delta ao Cachoeira da Veja:

“É show de bola aqui, viu, bicho, show de bola.”

Diz a Carta: “No episódio, a Veja não é uma flor de lótus, que permanece limpa em meio ao pântano.”

Segue-se um artigo sobre o Robert(o) Civita inglês:

“Rupert Murdoch debochou da democracia britânica. É preciso evitar outros como ele.”

Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 4 de maio de 2012

CartaCapital traz Veja na capa

Márcio Pochmann: Despolitizada, “nova classe média?” é desafio para partidos e sindicatos


“A estrutura fundiária do Brasil é hoje pior do que em 1920. Atualmente, 40 mil proprietários rurais concentram 50% das áreas agricultáveis do País. Também é preciso acabar com essa lógica perversa que impera, em que os mais pobres são exatamente os que pagam mais impostos”.
A frase acima, do economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), requer a coragem dos que remam contra a maré. O Brasil, afinal, é o país do agronegócio, onde o senso comum equivocado nos diz que os ricos vivem sufocados pela carga tributária do impostômetro. Ou seria impostura?
Pois agora Pochmann rema, de novo, contra a maré. No livro Nova Classe Média?, da Boitempo, o economista coloca uma interrogação que deixa com a pulga atrás da orelha aqueles que se orgulham de uma ascensão social que, muitos de nós acreditamos, enfim teria livrado o Brasil do estigma da pobreza.
Logo na apresentação, ele sapeca: “Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média”.
Em outras palavras, seriam os “remediados” da classe trabalhadora.
No livro, o presidente do Ipea faz uma comparação intrigante: coloca lado a lado a ascensão social promovida durante o governo Lula e a experimentada por setores da população durante o milagre econômico dos anos 70, em plena ditadura militar. Lá, acompanhada pela migração do campo para as cidades e influenciada fortemente pela Igreja Católica e suas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O bispo vermelho de Bauru, Dom Cândido Padin, que o diga. Eram as sementes que iriam eclodir plenamente mais adiante, com o PT e Lula, no ABC paulista dos anos 80.
Mas, agora, Márcio Pochmann diz que os partidos políticos e o sindicalismo, entre outros, não dão conta de lidar com a base despolitizada do lulismo. Mais um trecho da introdução: “Percebe-se sinteticamente que a despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesses para a classe trabalhadora ampliada. Isto é, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades de base, dos partidos políticos, entre outros.”
Temos, portanto, um dilema: mais ou menos Estado? Privataria ou ensino, saúde e outros serviços públicos universais e de qualidade para todos? É o que está em jogo.
Márcio já havia escrito, anteriormente, na Folha de S. Paulo, um artigo que refletia a encruzilhada brasileira. Reapresentamos o artigo, no Viomundo, com o título: Clássico brasileiro é Vaco vs. Fama.
O Brasil produzirá produtos de alto valor e conhecimento agregados (Vaco) ou ficará na combinação de fazendas, mineração e maquiladoras (Fama)?
Eu diria que o Fama está ganhando de goleada. Você vai ao porto de Suape e todos os guindastes são feitos na China. Você vai à moderníssima usina de energia eólica de Pedra do Sal, no Piauí, e toda a tecnologia é importada. Você percorre as novas fronteiras do agronegócio e descobre que a maior parte do lucro fica com a Cargill, a Bunge, a Monsanto, a Basf, a Massey Ferguson e outras. E, enquanto as crianças sul-coreanas baixam os livros didáticos de clouds em escolas públicas, no Brasil a banda larga é da Telefônica e o Carlinhos Cachoeira é empresário do ramo da educação superior.
Márcio Pochmann aponta para vários passos que podem reforçar o time do Vaco e, no clássico que ele mesmo inventou, diz que “a luta continua”.

Revista Veja, sempre uma piada pronta...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Veja, Folha e Globo contra você

O assunto é sério. Gravíssimo. E é hora de todo cidadão honesto ficar alerta. Os barões da mídia se uniram para que uma CPI não passe a limpo as relações criminosas do bicheiro Cachoeira e parte da chamada grande imprensa brasileira, principalmente a revista Veja.
O País não pode perder essa oportunidade de desmascarar aqueles que toda semana tentam mostrar nas bancas que são os reis da honestidade. Falam de ética, mas agem como traficantes da informação. Investigações da Polícia Federal já revelaram que Veja, revista da família Civita, agiu como porta-voz do bicheiro, preso desde o final de fevereiro, e manteve com ele uma clara troca de favores.
A relação fere, no mínimo, qualquer princípio do bom jornalismo. Evidências mostram que Veja se submeteu aos interesses do crime organizado, jogou a favor de um determinado grupo político por interesses desconhecidos e usou informações obtidas de forma ilegal para atacar seus inimigos.
O diretor de jornalismo da Veja em Brasília virou confidente, amigo íntimo, do bicheiro Cachoeira e de sua turma envolvidos até o pescoço com ações criminosas, como provam as centenas de ligações feitas com autorização judicial. Eles escolhiam até em qual parte da revista a informação "denunciada" seria publicada.
Quando as denúncias contra o senador Demóstenes Torres e seus negócios com o bicheiro Cachoeira ameaçavam trazer à tona toda sujeira, a revista dos Civita preferiu dedicar uma capa ao Santo Sudário. Bem diferente da cobertura dedicada ao Mensalão, que mereceu 27 capas desde maio de 2005. Repito: 27. Vinte e sete. No dia 18 de abril até ensaiaram tocar no assunto como matéria principal, mas fizeram com a palavra MENSALÃO impressa assim, em letras garrafais em meio a uma cortina de fumaça. Coisa que a Editora Abril parece conhecer bem.
Globo e Folha de S. Paulo fazem barricada para proteger Veja. É de dar calafrios quando essa turma se une. Onde estão as reportagens no Jornal Nacional citando a revista e a editora abertamente? Onde se escondeu o jornalismo "plural e independente" da Folha?
Querem proteger os que praticam um crime.
Na edição desta semana, Veja tenta intimidar os parlamentares que podem investigar as ligações de Cachoeira com a revista. “Vou explodir”, avisa Cachoeira da prisão, de acordo com uma chamada no alto da capa. Em entrevista a revista, Andressa Mendonça, mulher do contraventor, diz que o marido pode revelar tudo o que sabe. E agora, Veja?
O mais importante agora é ver a coragem dos parlamentares para levar de fato Roberto Civita, o dono da Veja, a sentar-se em uma das cadeiras da CPI e encarar as perguntas daqueles que estão lá como representantes do povo. O mesmo povo que a Veja tenta enganar todos os finais de semana.
Marco Antonio Araujo
No O Provocador

A EUROPA COMEÇA A DESPERTAR DO PESADELO CAPITALISTA

Crise econômica cria risco de 'primavera europeia' é o título de uma análise que devemos avaliar com máxima atenção (acesse íntegra aqui). 

Seu autor é Gavin Hewitt, editor de assuntos europeus da BBC News.

Aborda a crescente rejeição dos povos à criminosa diretriz capitalista de sacrificar gente para salvar bancos.

Nem é preciso dizer que, se aflorar um movimento de contestação à ditadura fiscal em toda a zona do euro, o castelo de cartas do capitalismo poderá começar a cair.

Só não concordo com qualificar tal possibilidade de  risco. Melhor seria dizer  chance.


Pois se trata da melhor novidade que eu poderia anunciar num 1º de maio: talvez a tão aguardada réstia de luz já esteja despontando no fim do túnel.

A Europa começa a despertar do pesadelo das duas últimas décadas, quando o capitalismo triunfante fez avançar a desumanização, a desigualdade e as injustiças sociais a patamares inauditos.

Mas, o homem não consegue viver indefinidamente sem compaixão. Então, a cada ciclo de submissão ao  mercado, com a consequente imposição de rigores e sacrifícios inúteis, segue-se um novo ascenso revolucionário. A História nunca tem fim.

Leiam e reflitam:


"A batalha pela Presidência da França é um precedente para a batalha pela Europa.

François Hollande - o candidato socialista e favorito para vencer as eleições da França - se colocou na vanguarda do primeiro movimento antiausteridade. Ao fazer isso desafiou Angela Merkel e a liderança alemã.


O candidato francês promete renegociar o chamado pacto fiscal (tratado que visa impôr a disciplina fiscal na zona do euro). Desde que a crise começou, não há tratado mais importante que esse para a chanceler (premiê) alemã.


Merkel disse no final da semana passada que ele 'não pode ser renegociado'. François Hollande deu uma resposta contundente: 'Não será a Alemanha que decidirá por toda a Europa'.


Se Hollande ganhar, dirá à Berlim: 'a sua estratégia não está funcionando e o povo francês tomou uma decisão'. Ele quer retomar a ênfase no crescimento econômico.

O primeiro encontro entre os dois líderes será tenso, para se dizer o mínimo.

A Espanha será o foco das atenções da França e da Alemanha. Segundo um ministro espanhol, o país está 'numa crise de enorme magnitude'. Ele comparou o país ao Titanic e alertou os alemães: 'se houver um naufrágio, até os passageiros da primeira classe se afogarão'.


Os mercados não acreditam que a Espanha conseguirá reduzir seu deficit para 5,3%. Seus bancos ainda estão se recuperando da perda de bilhões em 'empréstimos podres' da bolha imobiliária do país. Além disso, 367 mil trabalhadores perderam seus empregos nos três primeiros meses do ano.


A resistência à austeridade é crescente. No fim de semana aconteceram protestos contra os cortes na saúde e na educação.


Mais protestos estão marcados para 3ª feira em frente a um encontro do Banco Central Europeu em Barcelona. Além disso, os 'indignados' espanhóis podem repetir as ações do ano passado na metade deste mês de maio. Uma grande economia -que corresponde ao dobro das três economias já resgatadas- está prestes a necessitar ajuda.


No próximo domingo, os gregos terão eleições parlamentares. Eles ainda têm que implementar algumas medidas de austeridade que estavam entre as condições para a concessão de um segundo resgate negociado no mês passado.

É possível que a maioria dos parlamentares eleitos se oponha a cortes adicionais de gastos. A Grécia pode voltar a ficar em crise.
No final de maio, os irlandeses opinarão sobre o pacto fiscal em um referendo. Os italianos estão realizando eleições locais. A população europeia está tendo uma chance para julgar a questão da austeridade. Na semana passada dois governos - da Holanda e da Romênia - caíram por causa dela.

Uma grande falha está sendo exposta no pacto fiscal de Merkel. Ele não é democrático. Também deixa de mãos atadas os futuros governos - e essa, de fato, era a intenção do tratado, mas ele não impede que os eleitores se oponham a mais cortes.


Na zona do euro, déficits estão sendo reduzidos. Mas o débito - em muitos casos - ainda está aumentando. O crescimento econômico é praticamente inexistente. A recessão voltou a países como Espanha e Itália. A diferença entre as economias do sul da Europa e a alemã amplia-se cada vez mais.


Entre a cúpula da União Europeia cresce um temor de que a revolta contra a austeridade os atinja. Na semana passada, 30% dos franceses apoiaram partidos hostis ao bloco.


O resultado foi justificado como populismo - embora essa seja a explicação padrão para qualquer forma de crítica. Porém, aqueles eram os votos de pessoas reais.


O economista Nouriel Roubini descreveu a crise na eurozona como 'um descarrilamento em câmera lenta'.


Enquanto entramos em maio percebemos sinais de que a revolta contra a austeridade está ganhando força. Se isso acontecer será uma fase nova e imprevisível da crise europeia.
post Sintonia Fina

1º DE MAIO: O DISCURSO DA PRESIDENTE DILMA

Veja, indispensável?