sexta-feira, 8 de julho de 2016

A Globo e Cunha. O que o PT nunca entendeu


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Essa página dupla central da edição impressa do Globo, com a galeria de notáveis colonistas.
Só faltou o Marechal do Colonismo, o dos chapéus, esse historialista, que passa açúcar em Golpe - o de 1964 e o 2016.
E o jornal nacional:
Após 2 meses de afastamento, Cunha renuncia à presidência da Câmara.

A Globo, agora, depois da queda, tripudiou sobre o cadáver de Cunha.
Tem até um editorial velhaco: "Deputados têm o dever de recuperar a confiança do eleitor".
"Nova diretoria da Camara precisa ter biografia inquestionável"...
"A ingratidao é a inveja merecedora de todo o ódio".
(Padre Antonio Vieira, "Índice das coisas mais notaveis", organizado por Alcir Pécora, Editora Hedra, Sao Paulo, 2010)

"Adular é querer mal", do mesmo autor.
A Globo adulou, bajulou, purificou o Cunha.
Quando ele boicotou a Ley de Medios: só por cima do meu cadáver.
Defendeu os interesses da Globo, caninamente, na votação do Marco Civil da Internet e quando as telefônicas ameaçavam a Globo.
E, acima de todos os crimes, a Globo bajulou o Cunha, transformou-o num Péricles de Atenas, para promover o impeachment da Dilma.
São uns ingratos.
A Globo não perdoa.
A Globo não tem amigos, tem interesses.
Foi o que o PT e a Dilma ("use o controle remoto"...) nunca entenderam.
Acovardaram-se diante da Globo para comprar sua complacência - e por ela foram triturados.
O Requião conta sempre aquela conversa com o José Dirceu:
- Mas, Requião, você não entendeu nada! Nós já temos uma emissora de televisão! A Globo!

O Cunha certamente entendeu a liçao.
E a Dilma, se voltar?
O que é mais provável a cada dia...
Vai nomear o Paulo Bernardo Ministro das Comunicações?
PHA

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Bob Fernandes/ Avançam delações contra Aécio e Serra E manchetes duelam sobre Olimpíadas


Há fortes indícios, mas quem vai investigar Moro?

Quem vai investigar Moro? 
Alex Solnik

Há fortes indícios.

Se Dilma pode ser investigada.

Se Lula pode ser investigado.

Sergio Moro também pode ser investigado.

Não por receber propina, fazer lavagem de dinheiro, corromper ou ser corrompido.

Mas por aceitar colaboração decisiva dos Estados Unidos na Lavajato.

Tal como em 64, o golpe de 2016 também teria sido estimulado por Tio Sam.

Naquela época, os americanos apoiaram um golpe de estado para evitar que o Brasil aderisse à União Soviética.

Em 2016, um golpe econômico contra a Petrobrás e um golpe parlamentar contra os governos do PT que se recusavam a dividir o pré-sal com Obama.

Os Estados Unidos só respeitam países do clube da bomba.

Os demais, ou aderem ou sofrem as consequências.

Principalmente na América Latina.

Não há provas de que isso aconteceu ou acontece. Mas há indícios.

É difícil acreditar que um juiz de primeira instância de Curitiba, de quem nunca ninguém tinha ouvido falar tenha conseguido reunir tantas informações de movimentações financeiras de tanta gente importante contando apenas com recursos da Polícia Federal.

Desestabilizar os governos petistas de Lula e Dilma interessa a Obama.

Eles se afastaram da órbita dos Estados Unidos, escolhendo como principal parceiro a China.

E se uniram no BRICs que concorre diretamente com o poderio econômico americano.

O petróleo é a matéria-prima mais importante do mundo.

Com Dilma ou Lula no poder os Estados Unidos jamais teriam acesso ao pré-sal.

E por meio de eleições no Brasil, a CIA constatou, como qualquer analista constata o PT permaneceria no poder sabe-se lá até quando.

Dilma ficaria até 2018.

E Lula se elegeria de novo em 2018.

O caminho mais fácil para Obama chegar ao pré-sal seria derrubar os governos Dilma e Lula.

Nada melhor para alcançar esse objetivo do que a Lavajato.

Não que a Lavajato tenha começado com essa finalidade. Mas quando ficou claro a utilidade que ela teria para alimentar o império americano, Obama entrou na parada.

De uma penada só a Lavajato destruiu a Petrobrás e criou um caldo de cultura para retirar Dilma da presidência e criminalizar Lula e o PT.

E inviabilizar a candidatura de Lula em 2018.

E destruiu as maiores empreiteiras do país.

É curioso notar que, apesar de todas as propinas, enquanto rolou o esquema na Petrobrás a empresa teve perdas, mas funcionava e era gigantesca; só foi destruída quando suas vísceras foram expostas pela Lavajato.

Não por acaso o Wikileaks revelou que Obama estava grampeando Dilma.

Não por acaso o senador José Serra bolou um projeto que tira exclusividade da Petrobrás sobre o pré-sal e em seguida virou ministro das Relações Exteriores de Temer.

Apesar de sua pose de legalista e de bom moço Obama jamais contestou a farsa e a ilegalidade do impeachment à brasileira.

Jamais criticou o golpe de Temer.

Há fortes indícios.

Mas quem vai investigar Moro?

Moro vai peitar os Marinho?

PF vai atrás da Mossack Fonseca, aquela do triplex de Paraty

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Como se sabe, a Lava Jato queria ferrar o Lula num triplex que ele não comprou no Guarujá.
Mas, no triplex ao lado do que o Lula não comprou, deu de cara com a Mossack Fonseca, a empresa panamenha que "comprou" o triplex da família Marinho, em Paraty.
Aparentemente, o Moro tinha dito "não vem ao caso" para a Mossack Fonseca...
Será que mudou de opinião, amigo navegante?
Será que a Globo virou um tigre de papel, que só assusta o Traíra?
No G1:
Polícia Federal cumpre mandados da 32ª fase da Operação Lava Jato

Policiais federais estão nas ruas desde a manhã desta quinta-feira (7) para cumprir mandados judiciais referentes à 32ª fase da Operação Lava Jato em São Paulo, Santos e São Bernardo do Campo. Foram expedidos 17 ordens judiciais, sendo sete conduções coercitivas, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e 10 mandados de busca e apreensão.

(...) A atual fase identificou que o banco panamenho FPB Bank atuava no Brasil, sem autorização do Banco Central, com o objetivo de abrir e movimentar contas em território nacional e, assim, viabilizar o fluxo de valores de origem duvidosa para o exterior, à margem do sistema financeiro nacional. Um dos mandados de condução é contra Edson Paulo Fanton, que é representante do banco panamenho que atuava no Brasil.

(...) Há elementos, ainda segundo a PF, que o banco funcionava no Brasil como uma agência de private banking - uma espécie de serviço destinados a clientes milionários, normalmente com caráter individualizado. A instituição também tinha como produto a comercialização de empresas offshore, que eram registradas pela Mossak Fonseca. A empresa foi citada na 22ª etapa da operação. Os serviços disponibilizados pelo banco panamenho e pelo escritório Mossak Fonseca foram utilizados por pessoas e empresas ligadas a investigados na operação Lava Jato.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Continue criança.


Notícia de delação contra ministros de Tribunais Superiores provoca tensão


Marilena Chauí diz que Moro serve aos interesses dos Estados Unidos


Da folha:
Em vídeo publicado neste domingo (3), a filosofa Marilena Chauí, 74, afirma que o juiz federal Sergio Moro, da Operação Lava Jato, foi treinado pelo FBI —o equivalente à Polícia Federal nos EUA— para conduzir o caso.
Segundo ela, o objetivo da Lava Jato seria retirar do Brasil a soberania sobre o pré-sal. “Por que isso ficou claro para mim? Por que Sergio Moro foi treinado, nos Estados Unidos, pelo FBI.”
“Ele recebeu um treinamento que é característico do que o FBI fez no Macarthismo [política de perseguição anticomunista adotada pelos EUA nos anos 1950] e fez depois do 11 de setembro que é a intimidação e a delação”, afirma a professora da USP.
Segundo ela, os Estados Unidos teriam o objetivo de desestabilizar o Brasil. “A Operação Lava Jato é, vamos dizer, o prelúdio da grande sinfonia de destruição da soberania brasileira para o século 21 e 22.”
Ela criticou a gestão interina de Michel Temer e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e os acusa de quererem entregar a exploração do pré-sal para empresas norte-americanas e afirma que o governo está “destruindo a economia brasileira”.

O triângulo Cunha, Aécio e Andreia Sadi: as relações promíscuas entre a política e o jornalismo


Casada com um primo de Aécio e com uma antiga conexão com Cunha: Andreia Sadi
Casada com um primo de Aécio e com uma antiga conexão com Cunha: Andreia Sadi
O texto abaixo foi escrito por um jornalista de Brasília. Ele nos pediu anonimato.

Você quer saber o que Eduardo Cunha acha das acusações contra ele? Ou sua reação a mais uma acusação? Ou que dizem os seus assessores? Ou se ele está calmo ou nervoso? Os seus problemas acabaram! Basta assistir ao canal Globonews e a repórter Andreia Sadi vai contar tudo. Todos os dias, na Tv e no Twitter a repórter se esmera em contar o passo-a-passo, feito uma porta-voz. Nenhum político — nem mesmo Temer ou Meirelles que a Globo ama tanto — tem esse privilégio de um repórter exclusivo.
A tabelinha Cunha-Andreia já é conhecida dos leitores do DCM. Foi a repórter da Globonews que o presidente afastado da Câmara usou para informar que havia se encontrado com Michel Temer, uma clara demonstração de força que a turma do presidente interino preferiria ver escondida. A operação que protege Cunha, mas desinforma o público está toda contada aqui
A história de Cunha e Andreia vem de longe. Casada com um primo de Aécio Neves, a repórter começou na Folha de S. Paulo tendo Cunha e o primo postiço como fontes. Ganhou destaque quando noticiou que Renan Calheiros havia usado um jato da FAB para fazer seu exitoso implante de cabelos (informação passada por Cunha) e passou a ser a fiel reprodutora das informações de Cunha no jornal.
Se você digitar o nome dos dois no site da Folha Online, vai receber 502 textos _ uma quantidade absurda para quem não cobria Câmara. Quem se der ao trabalho de olhar vai enxergar Cunha como um homem corajoso, sem medo de bater no PT, de enfrentar Dilma e de jurar sua inocência das injustiças dos investigadores da Lava Jato. Nenhuma crítica, nada que possa parecer de longe com jornalismo.
Essa proximidade foi incomodando a direção da Folha, especialmente o editor-executivo Ricardo Balthazar, até que apareceu esta pérola: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1636170-filha-de-cunha-faz-marketing-politico-para-deputados-de-olho-em-2016.shtml. No texto, a filha do então presidente da Câmara, Danielle Cunha, é apresentada como uma publicitária que faz sucesso prestado serviços de marketing digital para deputados. Leia o texto, caro leitor, e enxergue como o jornalismo pode ser subalterno.
Pressionada pela editoria em São Paulo, o texto marcou Andreia que viu que sua carreira no jornal estava condenada. Ela apelou então para outro padrinho, o colunista do Globo Jorge Bastos Moreno. Através de Moreno, ela conheceu Ali Kamel e daí foi para a Globonews, onde voltou a fazer o que sabe melhor, noticiar o dia-a-dia de Cunha e informar Aécio o que se passa nos bastidores das redações.
Não por acaso, na coluna deste sábado, Moreno fez questão de publicar um desagravo à repórter, lhe dando o crédito de saber do encontro Temer-Cunha, como se a manobra não tivesse a malícia mostrada pelo DCM.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Globo pega Abdelmassih e blinda Gilmar

Não fosse o Leandrinho até hoje turbinava óvulo de paraguaia

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A Globo exibiu nesse domingo, 3/VII, gravíssima denuncia contra o criminoso Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos.
Além de estuprar as clientes, muitas vezes por ele dopadas, o queridinho do omisso Conselho Regional de Medicana de São Paulo e da elite paulista “turbinava óvulos” de clientes aparentemente estéreis.
Uma “tecnologia” proibida que, além do mais, não produzia resultados.
Há o caso de uma paciente que NÃO era estéril, mas pensava que era, e o Dr. Abdelmassih aplicou a “turbinagem”.
Ela teve gêmeos e um é QUATRO SEMANAS MAIS VELHO QUE O OUTRO!
E o mais novo é autista!
Inacreditável, amigo navegante?
Como se sabe, quem localizou e “prendeu” o insigne doutor em Assunçao, no Paraguai, foi o bravo produtor Leandro Sant'ana, do Domingo Espetacular.
E como é que esse criminoso conseguiu fugir e ir viver por tanto tempo no bairro mais chic de Assunção, com a nova mulher?
Como foi possível fugir, depois de condenado?
Isso a Globo omitiu.
Porque, num recesso – num recesso! - o ministro (sic) Gilmar (PSDB-MT) lhe concedeu um habeas corpus.
E, não fosse o Leandrinho, munido de um HC, o canalha estava até hoje “turbinando óvulos” de paraguaias…

domingo, 3 de julho de 2016

Al Jazeera dá uma surra no FHC

Ele só devia dar "entrevista" ao PiG...

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Mas, você também pedalou... (Reprodução: Al Jazeera)
Saiu no Blog do Esmael Moraes:
Em entrevista à Al Jazeera sobre o golpe, FHC fica sem argumentos

Em uma entrevista de dez minutos, o jornalista Mehdi Hasan da rede de televisão internacional Al Jazeera deixou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sem resposta algumas vezes.

O programa tinha o intuito debater sobre a situação política no Brasil e Hasan começou questionando se a presidenta eleita Dilma Rousseff teria sofrido um golpe.

Logo em uma das primeiras perguntas, Hasan começou questionando porque para o governo Rousseff o atraso em pagamentos seria um crime (as chamadas pedaladas fiscais – que uma perícia já provou não terem sido responsabilidade de Dilma) se ele próprio havia cometido o mesmo ato em 2001, quando era presidente.

“Ela manipulou o orçamento fiscal”, argumentou Fernando Henrique, ao que retrucou Hasan: “Mas você também”, criando um certo constrangimento.

O constrangimento aumentou quando o jornalista da rede de televisão internacional questionou se não existiria uma hipocrisia no fato do presidente interino Michel Temer (PMDB) também ser alvo de um pedido de impeachment, e de tanto ele quanto o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que lideraram o processo, terem sido citados em delações como beneficiários de propinas.

Ao que FHC considera que houve oportunismo por parte do PMDB e que eles se utilizaram dos protestos populares para derrubar uma presidente com base em outros interesses: “Eles têm outra razão, diferente da minha, para apoiar o impeachment”, alegou. “Mas você não vê ironia no fato de eles lideraram o impeachment?”, insistiu o jornalista, claramente indignado.

Hasan também notou que se o critério fosse a opinião popular, como defendeu FHC em uma das respostas, Temer também não teria legitimidade, já que uma pesquisa Datafolha de abril mostrava que 58% dos brasileiros queriam o impeachment do presidente golpista. Hasan então questionou se FHC seria a favor do impeachment também do interino: “Você apoia o impeachment de Temer pelas mesmas razões? 68% querem Temer impedido, segundo uma pesquisa. Se você ouve o povo, tem de apoiar.” Fernando Henrique alegou não ter conhecimento daquela pesquisa que o jornalista britânico citava. “Sim, é do Datafolha”, responde Hasan. “Você apoia o impeachment de Temer?”, insistiu, sem obter uma resposta clara.

Caso Petrobrás

O jornalista também lembrou que o próprio governo do FHC aparece em delações como beneficiário de propinas de desvios da Petrobrás em 2002. Ao que FHC, irritado, respondeu apenas que “é mentira”.

Logo depois, Hasan questionou se o áudio vazado em que Romero Jucá (PMDB) afirma que é necessário tirar Dilma para parar com as investigações da Operação Lava-Jato não seria uma prova de que todo o processo é um golpe. Ao que FHC apenas foge da pergunta e responde vagamente que “as investigações continuaram”.

sábado, 2 de julho de 2016

Brasil confunde grupo de extermínio com polícia

Matar crianças pobres em São Paulo é aceitável para a elite branca

Inversão de valores
Guilherme Boulos

Matar uma criança é o crime universalmente mais abominado. Correto? Depende. De quem morre e de quem mata.

No último mês as forças policiais de São Paulo mataram duas. Ítalo, de apenas dez anos, foi morto com um tiro na cabeça por policiais militares, no último dia 2, na zona sul da capital. E Waldik, de onze, foi assassinado por um guarda civil na semana passada na Cidade Tiradentes.

Ah, se fosse nos Jardins! Os assassinos estariam presos e milhares de pessoas teriam marchado na avenida Paulista com balões brancos. A sociedade se comoveria ante dois futuros ceifados e saberíamos hoje todos os detalhes de suas vidas, seus gostos e preferências. Seriam tratados, enfim, com o luto que se reserva às crianças mortas.

Mas nem todas as crianças têm direito a esse luto. Dois garotos pobres e mortos em "perseguições policiais" não parecem ser dignos de nossa empatia.

O que se sabe da história de Ítalo é uma sucessão de sofrimentos. Abandonado pelos pais, foi encontrado empinando pipa e pedindo comida na rua. Levado a abrigos, uma psicóloga que o acompanhou relata que, apesar das marcas de queimadura de cigarro pelo corpo, era alegre e ensinava as crianças a fazer pipa. Entre a revolta do abandono e a alegria infantil, alimentava o sonho de ser cantor.

Já Waldik vivia com a família e, como as crianças de sua idade, gostava de jogar bola e andar de bicicleta. Em uma de suas últimas fotos aparece sorridente na praça de alimentação do shopping, após ter ido ao cinema. "Vou sentir que ele morreu depois, que ele não vai estar mais na caminha dele", disse dona Orlanda, a mãe.

Duas crianças, nenhuma comoção. Mas o sinal de horror não está apenas na falta de empatia, numa certa indiferença social ao assassinato dos dois. Vai além disso, numa perversa inversão de valores.

Moradores do Morumbi, bairro onde Ítalo foi morto, organizaram um ato em defesa dos "heróis" da PM, em referência aos assassinos do menino. Nas redes sociais proliferaram postagens apresentando as duas crianças como elementos perigosos e comemorando as mortes.

A inversão consiste em apresentar as vítimas como vilões, ainda que sejam crianças de dez e onze anos. Dando voz institucional a isso, o deputado Coronel Camilo (PSD) apresentou um projeto para desmontar a Ouvidoria da Polícia de São Paulo, órgão de controle externo da atividade policial, após declarações do ouvidor em relação ao assassinato de Ítalo.

O ouvidor, Julio Cesar Fernandes Neves, afirmou ver indícios evidentes de irregularidade na ação policial e cobrou investigações. Disse o que qualquer pessoa sensata diria. E o que, aliás, ficou comprovado em perícia posterior, mostrando adulteração da cena do crime pelos policiais.

Mas, como se sabe, nenhuma situação é tão absurda que não possa piorar. O projeto do Coronel Camilo pretende acabar com a indicação da lista tríplice para a Ouvidoria por órgãos da sociedade civil e permitir a exoneração do ouvidor pelo governo antes do fim do mandato. Trata-se, de fato, de destruir qualquer autonomia do órgão.

A Ouvidoria divulgou recentemente o dado de que as forças policiais paulistas mataram 191 crianças e adolescentes nos últimos seis anos, revelando que os casos de Ítalo e Waldik não foram isolados. Mostrou ainda que 60% desses jovens são negros.

É compreensível que denúncias como essa incomodem uma instituição pouco acostumada à transparência e que parece ter salvo-conduto para matar.

O ouvidor está correto e precisa ser respaldado. A Ouvidoria deve ser fortalecida como instituição independente, ganhando inclusive mais prerrogativas na investigação dos crimes praticados por policiais.


Há algo de errado quando os policiais que mataram uma criança estão soltos e quem os denuncia é posto sob suspeita.

Golpe de 2016 é muito pior que o de 1964

Nilson Lage 

Quem me acompanha nesses posts do Facebook sabe que não costumo errar previsões porque não avanço além do que se pode inferir dos fatos.

Este golpe, o de 2016, é de outra natureza que o de 1964. 

Se não o pararem de alguma forma, o Brasil se desfaz.

Quem o aplica não é uma corporação convencida de que o país poderia ocupar espaço no mundo compatível com seus sonhos desde que vencesse alguns fantasmas pendurados diante dos olhos como a cenoura à frente do jumento - a subversão e a corrupção.

Agora se sabe que, no quadro das instituições atuais do Ocidente, nosso sonho não é permitido e nossa pátria é algo que precisam destruir. 

Quem dá este golpe, manipulado pelos mesmos interesses do anterior, é a pior gente do mundo: bacharéis gananciosos; executivos financeiros sovinas e insensíveis; políticos corrompidos; pastores cínicos; jornalistas vendidos e domesticados; policiais psicopatas. 

Restam o jumento e a cenoura.

terça-feira, 7 de junho de 2016

No Boston Globe, Rapoza anuncia a “venda do século”: Para as multinacionais, lei que exclui Petrobras do pré-sal “é mais sexy que uma festa de Carnaval”


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Da Redação
Por mero acaso, um articulista de nome Rapoza escreveu o texto. Uma coincidência significativa.
Rapoza trabalhou no Brasil para o Wall Street Journal/Dow Jones entre 2004 e 2010.
Rapoza agora trabalha para a Forbes.
Rapoza reproduz, portanto, o modo de pensar dos grandes executivos do petróleo norte-americanos, que salivam de olho no pré-sal.
Rapoza, no diário norte-americano Boston Globe, anuncia a venda do século.
É a venda do pré-sal a interesses estrangeiros.
Rapoza reproduz os mesmos argumentos entreguistas de José Serra, o corretor.
A Petrobras foi quebrada pelo PT. Pouco importa que os delatores mais importantes na Operação Lava Jato digam que o esquema de corrupção na estatal começou no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o tucano Delcídio do Amaral ganhou uma diretoria na estatal.
Pouco importa que a crise da Petrobras tenha relação direta com a vertiginosa queda internacional do preço do petróleo.
Pouco importa que a Petrobras seja vítima.
Pouco importa que a estatal brasileira tenha desenvolvido, graças a injeção de dinheiro público, todas as tecnologias de exploração em água profundas que agora pode ceder aos gringos, como uma prestadora de serviços de luxo.
Pouco importa que ao Brasil não interesse necessariamente acelerar o ritmo da produção de petróleo, o que beneficia especialmente os grandes consumidores internacionais de petróleo, Estados Unidos e China, ao pressionar para baixo o preço do barril.
Rapoza identifica com clareza a oportunidade e não tergiversa: “For Big Oil, this law is sexier than a Carnaval party”.
Para Big Oil, as grandes petrolíferas internacionais, “esta lei é mais sexy que uma festa de Carnaval”.
Fica implícito que alguém vai se foder na jogada. Certamente não são a Chevron, a Exxon, a BP e outras.
Rapoza reproduz frase da entrevista do CEO da Shell em 2015: “No momento, esta [o pré-sal] é provavelmente a área mais excitante da indústria do petróleo. Já estamos no Brasil, estamos felizes… mas queremos mais”.
Rapoza prevê que Michel Temer e José Serra, o autor da lei que retira da Petrobras a participação de 30% em todos os campos do pré-sal, serão capazes de cumprir o compromisso de ampliar a participação de estrangeiros na maior descoberta petrolífera das últimas décadas.
Ele vibra pelo fato de que a Petrobras poderá inclusive vender a participação que já detém em poços de águas profundas.
É o sonho de qualquer comprador. Um campo de petróleo sem qualquer risco: basta abrir a torneira e faturar com a riqueza alheia.
“O petróleo pertence ao Brasil”. Segundo Rapoza, é o que dirão alguns. Ele discorda: “A Petrobras já exporta petróleo. E o governo brasileiro lucra com as exportações”.
Rapoza, obviamente, não entra nos pormenores: se o governo brasileiro poderia lucrar mais ou menos dependendo do ritmo de produção que ditasse no pré-sal.
Ele também não menciona que o golpe pretende eliminar a obrigatoriedade de conteúdo nacional.
Isso é absolutamente necessário para acelerar a produção a custos mais baixos, que é o que buscam as Sete Irmãs: o compromisso delas é zero com o Brasil e 100% com os acionistas privados.
O pré-sal, assim, vai repetir o minério de ferro de Carajás: ritmo de exploração ditado de fora, um crime de lesa Pátria segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto.
Graças à lei Kandir, de Fernando Henrique Cardoso, o imposto sobre exportação de produtos não industrializados é zero.
No caso do minério de ferro, o Pará fica com alguns empregos gerados localmente, com o giro do comércio local e com os buracos da destruição ambiental. O grosso do lucro é internacional.
Feito aconteceu com o manganês da serra do Navio.
Para completar a ironia, tivemos no mesmo dia a versão do Raposa em O Globo: o diário brasileiro publicou de forma entusiasmada que a Petrobras corre o risco de perder uma ação de U$ 10 bilhões para investidores dos Estados Unidos, por conta da Operação Lava Jato.
Nem Rapoza, nem os irmãos Marinho, destacam que a estatal brasileira foi vítima de um esquema de corrupção, que começou no governo FHC e terminou agora.
As perdas dos acionistas da Petrobras são quase que exclusivamente atribuídas à corrupção, não à vertiginosa queda do preço internacional do petróleo.
Rapoza e O Globo parecem sintonizados na mesma missão: convencer os brasileiros de que o pré-sal é um fardo tão pesado que seria melhor se livrar dele entregando às multinacionais.
O objetivo de fundo do golpe sempre foi este: conquistar o pré-sal.
Rapoza e O Globo cantam vitória de forma entusiasmada.
Leia também:
Condenados na Argentina integrantes da Operação Condor; no Brasil, retrocesso