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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O grande mérito dos vídeos e fotos dos protestos feitos fora das empresas jornalísticas

O que vai na cabeça deles?
O que vai na cabeça deles?
O grande mérito dos vídeos e fotos feitos fora do âmbito das empresas jornalísticas foi desfazer a farsa de que as manifestações são uma “festa pacífica da família brasileira”.
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Não são.
Elas são um encontro do que há de mais obtuso, mas odioso, mais atrasado e mais lunático na sociedade brasileira.
E não venha dizer que os vídeos são forçações. Você vê que os documentaristas apenas captaram o que se passava nas ruas. Não tiveram que suar para encontrar malucos. (O melhor vídeo é o de um ‘reporter chileno’. Você pode ver aqui.)
Vou citar imagens ao acaso.
Pessoas rezando por um golpe militar. Uma velhinha lamentando que a ditadura não tenha matado “todos eles”. Outra senhora lamentando num cartaz que Dilma não tenha sido enforcada no Doi Codi. Um grupo reivindicando a volta da monarquia.
E mais figuras como que saídas de um hospício, fantasiadas de Capitão Brasil, Batman, Harry Potter, Coxinha e outras barbaridades.
Entrevistados nos vários vídeos realizados por pessoas independentes, os manifestantes demonstraram uma extraordinária dificuldade em articular uma frase coerente.
É como se eles vivessem numa alucinante realidade paralela, na qual enxergam comunistas perigosos em cada esquina, prontos a transformar o Brasil em Cuba.
Gritam, esperneiam, vociferam, vomitam incongruências tiradas de algum desvão obscuro do cérebro.
Me perguntei, depois de ver alguns vídeos, como vivem essas pessoas no mundo real.
Na segunda-feira, passado o piquenique, conseguem trabalhar? Conseguem conviver com gente normal? Ir ao emprego, cumprir tarefas?
Também fiquei curioso sobre onde buscam informações, ou pseudoinformações.
Está claro que a Veja é a fonte número 1 de notícias da maior parte dos manifestantes.
Isso quer dizer o seguinte: a Veja está formando imbecis raivosos em escala industrial.
Quando você trabalha numa revista, uma pergunta frequente que a equipe se faz, para ajudar a entender melhor a publicação, é a seguinte. “Se a revista fosse alguém, quem seria?”
As editoras de revistas femininas sempre gostaram de responder Madonna, ou Giselle, ou Meryl Streep.
A Veja é o Batman do Leblon, o Capitão Brasil e as velhinhas assassinas – tudo somado.
Não houvesse a internet, e dentro dela as vozes independentes, a narrativa dominante seria, repito, a de que os protestos são uma fraternal confraternização de brasileiros do bem, unidos na indignação contra a roubalheira.
Mas esta mentira não sobreviveu à realidade documentada por gente de fora das empresas jornalísticas.
Manifestações como a de domingo são um vexame nacional e internacional.
Estão absolutamente desmoralizadas.
E o responsável pela desmoralização foram os próprios participantes, ao serem expostos sem a pesada maquiagem cínica preparada pela imprensa.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O SUICÍDIO DO BRASIL




Direita prefere destruir o país a aceitar justiça social

Por Eduardo Guimarães no blog da Cidadania

"O biênio 2013 – 2015 ficará registrado na história como um período em que uma das maiores nações do mundo cometeu um literal suicídio. Com requintes de crueldade, tomada por um surto autodestrutivo que talvez jamais seja explicado.

Há míseros dois anos, o Brasil despontava como potência emergente – finalmente o país do futuro estava se tornando o país do presente.

A economia crescia pouco, mas crescia continuamente; a inflação estava alta por conta da forte demanda, mas estava controlada; a taxa de investimento privado vinha subindo; o desemprego caía mês a mês.

Enquanto o resto do mundo se contorcia em uma crise internacional interminável, então no quinto ano, com europeus e americanos à beira da convulsão social, o Brasil parecia uma ilha de prosperidade e estabilidade.

A nova classe média vivia um sonho dourado. Famílias viam seus filhos e netos se tornarem os primeiros universitários da linhagem, o sonho da casa própria se materializava, os salários tinham cada vez mais poder de compra.

Eis que surge, na maior metrópole do país, um movimento inexplicável. Com a renda em ascensão e o desemprego despencando, partidos de esquerda, professores universitários e estudantes desencadeiam uma guerra contra aumentos de passagens no transporte público.

As passagens de ônibus e metrô iriam subir 20 centavos. Em um momento de valorização dos salários e queda do desemprego, não era para tanto. Mas esses grupos radicalizados tinham uma proposta tentadora – para os incautos: em vez de aumentar o preço do transporte público, a endividada capital paulista deveria fornecer transporte de graça para todos.

Décadas de problemas no transporte público foram jogadas no colo do recém-empossado prefeito paulistano, Fernando Haddad.

Um prefeito que mal tomara pé da situação escabrosa da administração herdada de José Serra e Gilberto Kassab, obviamente que não tinha meios de atender à demanda surpreendente de, do nada, oferecer transporte público de graça para todos ou, ao menos, transferir para os cofres públicos, já combalidos, o custo dos reajustes contratuais com as empresas de ônibus.

Os grupos de ultraesquerda, porém, tinham um plano para pôr de joelhos o novo prefeito. Importaram uma tática de protestos conhecida como “bloco negro”, que se valia da destruição do patrimônio público e privado, com uso até de bombas incendiárias para parar a cidade, impedindo o trânsito nas principais vias e desesperando a população que tem que ir trabalhar e retornar para casa todos os dias.

A influência de “pensadores” de ultraesquerda sobre as mídias, sobretudo as mídias alternativas, romanceou aquele processo. Sem alguma razão lógica em um país que vinha se desenvolvendo a passos largos e distribuindo renda, aquele processo foi visto como positivo.

Eis que o governo paulista, controlado pela direita fundamentalista religiosa, opta pela violência como forma de conter os abusos contra o povo paulistano em vez de buscar diálogo. Da violência policial, brota, então, um fortalecimento do movimento radical.

Incrivelmente, os grupos radicalizados ditos “de esquerda” se voltam contra o prefeito em vez de culparem o governador, e o partido de Fernando Haddad vira a Geni das manifestações. Às dezenas de milhares, entre bandeiras de partidos como PSOL, PSTU, da Rede de Marina Silva e outros, os brados de “fora, PT!” ecoam pelos quatro cantos do país.

Agora, após a violência da ditadura tucana em São Paulo, as ruas de todo país são tomadas por centenas de milhares de congêneres dos bichos-grilos paulistas, aos brados de “Fora, PT!”. Com o Brasil vendo aquelas marés humanas bradando contra o partido que o governa, Dilma Rousseff torna-se depositária de uma revolta por vinte centavos.

Nesse momento, a extrema direita vê oportunidade que não encontrava havia mais de uma década. E sai à rua.

Todo lixo social do pais invade as ruas, agora transformadas em uma gigantesca rave em que cabiam de radicais de esquerda a neonazistas. A mídia corporativa vê a oportunidade que tanto ansiava e minimiza a insensatez que aumenta. E até a incentiva.

Eis que, em meados de junho de 2013, os autores esquerdistas daqueles protestos se dão conta de que pavimentaram as ruas para a ultradireita e se recolhem, após dobrarem os governos do Estado de São Paulo e da capital na questão dos aumentos das passagens.

Chega 2014 e a ultraesquerda tem outra ideia de jerico. Decide que a Copa do mundo era a culpada por todos os males nacionais e volta às ruas quebrando e incendiando, tentando impedir a realização do evento. O país perde a oportunidade de obter lucros altíssimos, pois o fluxo de turistas acaba sendo muito menor do que poderia.

Nas redes sociais, grupos organizados de extrema-direita e extrema-esquerda tratam de compor vídeos e memes em inglês para assustar os turistas estrangeiros, chegando a dizer que se viessem ao país correriam risco de vida devido à radicalização dos protestos contra a Copa.

Chega a eleição presidencial e Dilma Rousseff parece ter poucas chances de se reeleger. A economia já se combalia diante dos ataques pela esquerda e pela direita, que assustaram investidores e ensejaram uma progressiva paralisação da economia.

Enquanto isso, os dois candidatos de oposição mais competitivos ameaçam o país com reformas ultraliberais como privatização de bancos públicos, desvalorização do salário mínimo, independência do Banco Central.

A esquerda radical percebe que não poderia implantar o socialismo e, pior, que estava para ver surgir um regime ultraliberal que resultaria em graves retrocessos, sobretudo no que diz respeito ao processo de distribuição de renda que fizera o "índice de Gini" brasileiro melhorar como jamais ocorrera por aqui desde que fora criado para medir a concentração de renda das nações.

Por pouco, muito pouco, Dilma se reelege. Porém, o custo de quase dois anos de sabotagens da economia, com redução drástica de investimentos devido à insegurança gerada pela política, impõe que as políticas anticíclicas sejam abandonadas.

Não dá mais para renunciar a impostos para manter o ritmo da economia, do crescimento, dos salários e da queda do desemprego. Há que fazer um ajuste fiscal. Muito mais brando do que seria feito pelos principais candidatos a presidente derrotados por Dilma, mas, ainda assim, um ajuste duro, pois implicaria em um freio de arrumação na economia.

Sem novas sabotagens, porém, em alguns meses estaria tudo resolvido. A economia daria uma parada, mas, no segundo semestre – agora com os investidores mais confiantes devido ao equilíbrio entre receita e despesa –, o país recomeçaria a crescer, o emprego voltaria a subir, os salários a se valorizar e a desigualdade a cair.

Eis que a extrema-direita se recusa a aceitar o processo de soerguimento do país. Unindo-se à centro-direita tucano-midiática e a grupos radicais conservadores incrustados na Polícia Federal e no Ministério Público, desencadeia uma ofensiva “contra a corrupção” que paralisaria a economia ao emitir sentenças condenatórias contra grandes empresas antes do devido processo legal.

Já não é mais polêmico dizer que a política está destruindo a economia. Todos já reconhecem que a política está afundando o país.

Os grupos de ultradireita fazem a festa. Pouco lhes importa o futuro. Só a destruição da esquerda – inclusive daquela que tanto os ajudou – interessa. Saem à rua, agora sem pudor, e pedem nada mais, nada menos do que um golpe militar. A esquerda a tudo assiste impassível, em seu “mimimi” contra medidas econômicas sem as quais o país afundaria muito mais.

Esse é o resumo da ópera. A direita radical ataca por um lado, a esquerda radical ataca por outro e o país mergulha em um buraco político, econômico e institucional cujo fundo ainda não é possível vislumbrar.

Em breve, os próximos capítulos do suicídio do Brasil."

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães

terça-feira, 16 de março de 2010

Nicarágua barra golpista hondurenho.



O governo da Nicarágua frustrou os planos do ex-presidente de fato de Honduras Roberto Micheletti de visitar o país vizinho no próximo dia 21, a convite do oposicionista Partido Liberal Constitucionalista. O ministro do Exterior nicaraguense, Samuel Santos, afirmou que a decisão de seu país de impedir o ingresso de Micheletti é 'racional', uma vez que ele é um dos principais protagonistas do golpe de Estado, que desencadeou uma série de violações aos direitos humanos.

Em carta enviada pela diretora de Migração e Estrangeiros da Nicarágua, María Antonieta Noboa Salinas, ao departamento análogo em Honduras, o governo de Manágua diz que “o cidadão de nacionalidade hondurenha Roberto Micheletti Bain está impedido de ingressar em território nicaragüense e se encontra fichado pelas autoridades migratórias de nosso país em todos os postos de fronteira aéreos, marítimos e terrestres”.

Segundo o texto, o órgão “tomará as medidas correspondentes caso o cidadão mencionado se apresente em qualquer um dos postos migratórios do país”.

Micheletti foi convidado pelo PLC na condição de vice-presidente da Internacional Liberal (entidade que reúne partidos liberais do mundo inteiro) para participar de um ato em homenagem a Enrique Bermúdez, comandante da guerrilha Contra, assassinado no começo dos anos 1990. Na ocasião, Micheletti seria condecorado com a medalha José Santos Zelaya, distinção máxima do partido.

No entanto, dirigentes do PLC explicaram que o objetivo era também envolver o ex-presidente de fato de Honduras no esforço para conseguir a unidade dos liberais e organizar uma única frente de oposição, de olho nas eleições gerais de 2011.

“Há um grande mal-estar no PLC por causa desta decisão do governo. Vamos apelar à ministra de Governo, Ana Isabel Morales, e à diretora de Migração, para que nos expliquem por que foi negado o acesso do ex-presidente Micheletti ao nosso território”, disse ao Opera Mundi o ex-chanceler e atual presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do congresso nicaragüense, Francisco Aguirre Sacasa.

“Micheletti não cometeu nenhum crime na Nicarágua, muito menos em outros países”, afirmou. O ex-chanceler lamentou o fato de a carta não explicar de que tipo de crimes Micheletti é acusado. “É por isso que considero esta decisão incompatível com o espírito do Estado de Direito e da integração centro-americana”, concluiu, esquecendo que as instituições de Honduras ignoraram os apelos de líderes latino-americanos em defesa da restituição da democracia e pelo retorno do agora ex-presidente Manule Zelaya ao cargo.

Justificativa


A decisão foi explicada pelo ministro do Exterior da Nicarágua, Samuel Santos. “Para entender esta medida, é preciso relembrar os fatos. Micheletti é um golpista, condenado e repudiado pelo mundo inteiro por ser um dos principais protagonistas do golpe de Estado”, disse.

Para Santos, a decisão do governo “é racional”, porque, segundo ele, houve e continuam ocorrendo violações de direitos humanos em Honduras, contra “todos que se opuseram ao golpe e que defenderam o direito do povo hondurenho a decidir seu próprio destino”.

O chanceler da Nicarágua afirmou também que Micheletti sempre vai ser considerado um golpista por seu governo, “independentemente de uma possível futura normalização das relações entre Honduras e a comunidade internacional”.

Surpresa

Enquanto isso, em Honduras, o ex-presidente de fato se declarou surpreso com a decisão. “Estava contente porque nesse país vizinho eu começaria meu trabalho como vice-presidente da Internacional Liberal, mas [o presidente da Nicarágua, Daniel] Ortega me proibiu de entrar e eu respeito as leis", disse. Apesar da declaração, este mesmo Micheletti liderou o movimento que sequestrou o ex-presidente Zelaya do país, sob a mira de armas, ainda de pijamas - o que obviamente não é permitido pela lei hondurenha.

Roberto Micheletti negou as denúncias de entidades hondurenhas e internacionais que o responsabilizam pela repressão e assassinatos seletivos ocorridos durante seu regime de exceção. “Eu tenho a consciência tranquila de que não cometi nenhum crime”, alegou.

Para impedir qualquer futura tentativa de Micheletti entrar no país, o movimento nicaragüense “Outro Mundo é Possível” e outras entidades anunciaram que, nos próximos dias, apresentarão à Justiça da Nicarágua uma denúncia contra ele por crimes contra a humanidade.