O Brasil mudou, a mídia não!
Por Miguel do Rosário
"A gente que analisa o
dia a dia da política brasileira, num viés progressista, às vezes fica
muito preocupado com os rumos que as coisas parecem tomar.
Assistir a um monte de idiotas tomarem as ruas pedindo intervenção militar, em pleno 2015, é dose, por exemplo.
Assistir à mídia, em
pleno 2015, mergulhar numa histeria udenista ainda mais forte do que
aconteceu em 1964, manipulando como se não houvesse amanhã, é outra
coisa que nos angustia.
Entretanto, há um fator
político que deveria nos tranquilizar. Nasceu uma massa crítica no
Brasil. O artigo que reproduzo abaixo, da professora Ângela Carrato, da
Universidade Federal de Minas Gerais, é a prova disso.
As manipulações
midiáticas fazem enorme estrago no debate político, mas a quantidade de
pessoas tomando a pílula vermelha e pulando fora da matrix é algo que
também deveria ser motivo de orgulho.
E isso acontece
sobretudo nos meios mais críticos e mais inteligentes, nas
universidades. O discursinho de "Globo" e "Veja" não cola mais nesses
ambientes.
Jornalistas dos grandes
meios não podem mais botar os pés nos meios acadêmicos sem serem
amplamente vaiados pelos estudantes e, em silêncio, também pelos
professores.
Aliás, por isso a mídia quer voltar ao poder, para se vingar das universidades públicas, matando-as com falta de verbas.
Ou alguém acredita que a
mídia, quando governar o país através de seus fantoches tucanos, vai
deixar que a universidade brasileira continue produzindo massa crítica e
análises contrárias a seus interesses?
Leiam o artigo abaixo, por favor!
O GOLPE (1964-2015)
O Brasil mudou. A mídia, não
Por Ângela Carrato, do Observatorio da Imprensa.
"Em recente evento
cultural em Belo Horizonte, o fotógrafo Sebastião Salgado fez algumas
afirmações que não repercutiram na mídia. De acordo com ele, uma das
grandes mudanças, senão a maior, na cena brasileira, diz respeito ao
fato de “o governo federal não ser mais comandado por pessoas ligadas aos monopólios de comunicação”.
Esse é, inclusive, o motivo pelo qual, a seu ver, tantas denúncias de
corrupção estão vindo à tona, enquanto no passado foram ignoradas ou
abafadas. Ao contrário da maior parte da mídia brasileira, que
diuturnamente tem previsto o caos, ele avalia que “o Brasil já é um grande país e está cada vez mais sério”.
Salgado não é nenhum
ingênuo ou pessoa sobre a qual possam pesar suspeitas de interesses
menores. Por isso, não deixa de ser curioso observar a disparidade entre
sua visão (e a de dezenas de especialistas nacionais e internacionais)
e a que prevalece na mídia brasileira. Disparidade que leva qualquer
um, com informação e independência, a constatar que a mídia não viu (ou
não quer ver?) que o Brasil realmente mudou.
Se não fosse a referência aos governos petistas, o editorial “Momento de se reaproximar dos Estados Unidos”,
publicado pelo jornal "O Globo" na edição do domingo (29/03) poderia
ser confundido com tantos outros de cinco décadas atrás, às vésperas do
golpe civil-militar de 1964. Naquela época, os mais influentes jornais
brasileiros atendiam pelos nomes de "Diários Associados", "Jornal do
Brasil", "Correio da Manhã", "Tribuna da Imprensa", "Diário Carioca" e
"Última Hora". "O Globo" era uma publicação acanhada, de propriedade da
família Marinho que, até 1962, havia sido vespertina. A televisão vivia a
sua fase elitista, com o aparelho sendo considerado um luxo ao qual
apenas a elite econômica tinha acesso e o rádio era a mídia de massa.
À exceção de "Última
Hora" e da "Rádio Nacional", praticamente todos os demais estavam ou
ficaram contra o presidente João Goulart. As denúncias de que ele
pretendia implantar uma “república sindicalista” eram permanentes. Os
“barões” da mídia, adversários das “reformas de base” propostas pelo
governo, queriam ver Jango pelas costas e não mediam esforços para
alcançar seus objetivos. Os ataques mais contundentes partiam de Assis
Chateaubriand, o primeiro magnata do setor no país, e de Carlos Lacerda.
Roberto Marinho, mesmo longe do peso que viria a adquirir no futuro,
foi fundamental na desestabilização e derrubada de Jango, ao franquear
os microfones da sua "Rádio Globo" para os ataques golpistas e
destemperados de Lacerda.
O “bruto pigmeu”
Em fins de março de
1964, enquanto as demais publicações registravam as tentativas de
articulação de Jango contra a conspiração em marcha, os "Diários
Associados", de Chateaubriand, radicalizavam o noticiário, contribuindo
para a tomada de posição dos setores civis e militares favoráveis ao
golpe. Chateaubriand, em artigo de 26 de março, por exemplo, referia-se a
Jango como sendo “o bruto pigmeu”, dado ao “seu ódio contra o benemérito capital estrangeiro”.
Além de afirmar que Jango e seu governo trabalhavam de acordo com as
ordens do Partido Comunista, exaltava a necessidade de uma intervenção
por parte dos “setores de bom senso”. Leia-se: militares e aliados.
Vivia-se, naquela época,
o auge da Guerra Fria, com o mundo dividido entre as áreas de
influência dos Estados Unidos e as da União Soviética. A vitória de
Fidel Castro em Cuba e sua aliança com uma potência comunista foi
considerada intolerável pelos Estados Unidos, que reagiram à sua
maneira. A política externa norte-americana passa a atuar em dois
movimentos estratégicos simultâneos. Um, visível, através da "Aliança
para o Progresso", cujo objetivo era demonstrar a superioridade do
modelo norte-americano de livre iniciativa, democracia liberal e
individualismo sobre o socialismo, como a solução mais eficiente para o
subdesenvolvimento da região. O outro, encoberto, através do apoio a
ditaduras de direita, repressoras e violentas, como instrumentos de
eliminação de movimentos de esquerda e de seus dirigentes.
Lógica semelhante à do
movimento civil-militar que derrubou Jango no Brasil e se espraiou para a
Argentina, a Bolívia, o Uruguai e o Chile. Nesses países, dirigentes
eleitos foram alijados do poder com pleno apoio do governo “democrático”
dos Estados Unidos. Naquela época, os círculos intelectuais e de
propaganda norte-americanos criaram, para justificar as políticas
repressivas de combate à subversão, as teorias da "modernização".
Segundo essas teorias, os militares seriam os setores menos
comprometidos com as estruturas oligárquicas no continente sul, devendo a
eles, portanto, caber o destino dessas nações, logicamente
“supervisionados” pelo Tio Sam.
A ditadura brasileira
escondeu a participação dos Estados Unidos na derrubada de Goulart. A
prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em Londres, em outubro de
1998, possibilitou que grupos de direitos humanos e liberdade de
informação passassem a pressionar o governo Clinton para que os
documentos envolvendo essa sórdida história pudessem ser conhecidos. Nos
dias atuais, eles estão disponíveis para consulta, além de já terem
sido publicados em livros no Brasil e no exterior.
Afronta à inteligência
Não há como um jornalista – sobretudo o responsável por editoriais – desconhecer esse fato. No entanto, é esse “desconhecimento” que pode ser verificado no sintomático editorial “Momento de se reaproximar dos Estados Unidos”.
O texto defende que o Brasil abra mão da política externa independente
adotada a partir da chegada do PT ao poder e volte a cerrar fileiras com
os Estados Unidos. Numa retórica que afronta a inteligência do leitor, o
editorial frisa que a política externa brasileira perdeu espaço desde
2003, atribuindo esse “fato” à “ingerência petista na diplomacia”.
Mas que ingerência é
essa? A política externa brasileira está sendo feita a partir da visão
de mundo do partido que legitimamente venceu as eleições. Mutatis
mutandis, será que os Marinhos consideram igualmente ingerência a adoção
das premissas do Partido Democrático na política externa
norte-americana? Ou será que o governo brasileiro, segundo "O Globo",
deveria pautar-se pelos interesses norte-americanos na formulação de sua
política externa?
Sintomaticamente, o
editorial não faz qualquer menção à UNASUL e, sem base na realidade,
tenta minimizar a importância dos BRICS, duas entidades que estão
redesenhando a política externa na América do Sul e contribuindo para
alterar os próprios contornos da política mundial. A criação da UNASUL não
teria sido possível sem a habilidade e paciência da diplomacia
brasileira, tendo à frente o chanceler Celso Amorim, que materializou as
diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sentido de um
subcontinente integrado e atuando em prol de interesses próprios.
A recente diplomacia
brasileira deu contribuição das mais significativas para sepultar o
histórico de subimperialismo regional, além de contribuir para desfazer
divergências e rixas (a maioria estimuladas por potências externas) que marcam o passado da América do Sul.
Quanto aos BRICS, a
mídia brasileira, "O Globo" à frente, praticamente escondeu a
realização, em Fortaleza (CE), em julho do ano passado, da reunião que
criou o Banco de Desenvolvimento da entidade. Some-se a isso que não foi
dado qualquer destaque ao fato de caber ao Brasil a primeira
presidência do seu Conselho de Administração, cargo de fundamental
relevância, que definirá linhas e valores para projetos de
desenvolvimento. Em vez disso, o editorial prefere sentenciar que “o
esfacelamento do MERCOSUL e a desaceleração chinesa impõem ao Brasil se
reaproximar dos EUA, cuja economia deve acelerar a recuperação”.
O editorial, beirando a
má-fé, desconhece que o governo brasileiro anunciou, dois dias antes, na
sexta-feira (28/03), que fará parte do "Asian Infrastructure
Investiment Bank" (AIIB), o banco de desenvolvimento criado pela China,
de longe uma das mais importantes decisões dos últimos tempos. Mais do
que o Banco dos BRICS, ele deverá ser um dos principais competidores de
estruturas como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Dito
de outra forma, ao contrário do que afirma o editorial, quem está
perdendo força são os Estados Unidos.
Ainda sobre o editorial
de "O Globo", o curioso é que ele tenta recolocar em pauta, bem ao
estilo dos argumentos maniqueístas das décadas de 1960 e 70, rixas entre
Brasil e Argentina, além de defender a volta da política de vassalagem
em relação aos Estados Unidos. Pior ainda, procura reviver, através da
demonização do “bolivarianismo chavista e do Irã”, o antigo pavor
em relação ao comunismo. Pavor que, na prática, encobre o medo a
qualquer aprofundamento democrático no Brasil. Afinal, são os Estados
Unidos, e não o Brasil, que têm problemas com esses dois países.
A supremacia
norte-americana mostra-se cada dia mais discutível. Óbvio que o Tio Sam
ainda dispõe de capacidade quase ilimitada de destruição e que,
investindo-se, por conta própria da condição de xerife do planeta,
sente-se no direito de meter o bedelho em toda parte. As instituições
brasileiras, no entanto, depois da experiência nefasta de 21 anos de
ditadura e de mais de duas décadas de retorno ao estado de direito,
mostram-se maduras e fortalecidas o suficiente para conviver com
pressões de toda ordem, aí incluída uma mídia que mente, distorce os
fatos e, principalmente, desprovida de qualquer sentimento patriótico.
Denúncias engavetadas
O “mar de lama”
denunciado por uma histérica UDN (o PSDB da época), com o apoio da
mídia, mostrou-se decisivo para o suicídio de Vargas, em 1954 que,
agindo assim, abortou um golpe em marcha. Goulart, 10 anos depois, foi
vítima de golpe civil-militar, apoiado pela CIA. A autointitulada “Nova
República”, que pôs fim à ditadura, deixou visível, desde o primeiro
momento, que não seria fácil livrar-se dos filhotes dos “anos de
chumbo”.
Tancredo Neves,
presidente eleito via Colégio Eleitoral, morreu antes de tomar posse.
Seu vice, José Sarney, assumiu e deu posse ao ministério escolhido por
Tancredo, no qual figurava, como titular das Comunicações, ninguém menos
que Antônio Carlos Magalhães. ACM, como era conhecido, dominou a Bahia,
seu estado natal, por décadas e foi um dos políticos mais ativos nos
tempos da ditadura. Oficialmente, mudara de lado, mas não de métodos.
No governo Sarney, foi
aprovada uma lei que passava o poder de dar/retirar concessões públicas
para TV e rádio do presidente para o parlamento. Um dia antes de a lei
entrar em vigor, ACM e Sarney fizeram 100 concessões públicas para TV e
rádio, boa parte delas para afiliadas da TV Globo que, através do acordo
ilegal com o grupo norte-americano "Time-Life" e graças às benesses da
ditadura, já havia se transformado no maior conglomerado de mídia do
país. É importante lembrar que Sarney e ACM controlavam, eles próprios, a
maior parte dos veículos de comunicação em seus estados.
Fernando Collor, o
primeiro presidente eleito pelo voto popular depois do golpe de 1964,
chegou ao poder em grande medida através do apoio das "Organizações
Globo". Para a sua vitória, foi decisiva a edição manipulada do debate
entre ele e Lula, candidato do PT, em 1989. A manipulação, óbvia para
boa parte dos profissionais e pesquisadores da área, foi negada durante
22 anos, até que o ex-todo poderoso dirigente da emissora, José
Bonifácio Sobrinho, decidiu contar a verdade.
As "Organizações Globo"
não gostavam de Itamar Franco, o vice de Collor que assumiu a
presidência após o impeachment do titular do cargo. Rapidamente, Roberto
Marinho encontrou no chanceler, e depois ministro da Fazenda de Itamar,
Fernando Henrique Cardoso, um nome confiável. Quando a disputa
sucessória desenhou-se em torno de Fernando Henrique e de Luiz Inácio
Lula da Silva, era nítido o lado que jornais, revistas, rádios e TV
tomariam.
As afinidades dos
“barões” da mídia com o ideário neoliberal defendido por Fernando
Henrique Cardoso (PSDB) impossibilitaram que prosperasse qualquer
denúncia sobre corrupção no governo. As concessões de rádio e TV (RTV)
foram importante moeda de troca nesse processo. Até setembro de 1996,
foram outorgadas 1.848 licenças de RTV, das quais pelo menos 268
beneficiaram entidades controladas por 87 políticos (Lima &
Caparelli, 2004).
A "generosidade" de
Fernando Henrique coincidiu com a aprovação da emenda constitucional que
permitiu a sua própria reeleição. Ao longo de seus dois governos, além
das 539 emissoras concedidas por licitação, ele autorizou 357 concessões
“educativas” sem licitação. A maior parte dessa distribuição ficou
concentrada nos três anos em que o deputado federal Pimenta da Veiga
(PSDB-MG) esteve à frente do ministério das Comunicações e destinaram-se
a políticos do seu partido e a aliados.
Nem Fernando Henrique,
nem seu ministro sofreram quaisquer sanções, apesar da Constituição de
1988 determinar que cabe ao Congresso Nacional apreciar todos os atos do
Poder Executivo. O que inclui – mas nunca foi feito – a análise prévia da outorga ou renovação de concessões, permissão e autorização para serviços de radiodifusão.
A aprovação da emenda
que permitiu a reeleição foi marcada por denúncias de corrupção
envolvendo a compra de votos. O jornal "Folha de S.Paulo" levantou o
assunto e publicou, em 1997, trechos de gravações em que dois deputados
do PFL (atual DEM) do Acre afirmavam ter recebido R$ 200 mil cada (o
equivalente hoje a R$ 530 mil) para votar a favor da emenda patrocinada
pelo Palácio do Planalto. O então procurador-geral da República não se
interessou pelo caso, transformando-o em uma das centenas de denúncias
de corrupção que engavetou.
No segundo governo de
FHC/PSDB não faltaram denúncias envolvendo privatizações de empresas
estatais a preço de banana, das quais a mais eloquente foi a da
Companhia Vale do Rio Doce, vendida por R$ 3,3 bilhões, quando valia
perto de R$ 100 bilhões. Pouco depois, o polêmico jornalista Paulo
Francis, denunciou, no programa "Manhattan Connection", da TV Globo, que
os dirigentes da Petrobras mantinham contas secretas na Suíça, fatos
que via como indícios de corrupção na estatal.
Mídia e governo não lhe
deram ouvidos. A empresa entrou com ação indenizatória no valor de 100
milhões de dólares e, para muitos que conheceram Francis, esse foi o
motivo de sua morte prematura, em 1997, vítima de um ataque cardíaco
fulminante, aos 67 anos. O tempo viria dar razão às denúncias de
Francis.
Lula derrotou os
candidatos tucanos José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006, e
ainda conseguiu, em 2010, fazer de Dilma Rousseff sua sucessora. As
vitórias de Lula, como ele mesmo diz, aconteceram contra a mídia
tradicional que nunca teve dúvidas que o “sapo barbudo” e o ex-torneiro
mecânico, que não possui um dos dedos, não era dos seus. O mesmo pode
ser dito de Dilma Roussseff, a ex-guerrilheira contra a ditadura e
primeira mulher a chegar ao Palácio do Planalto.
Novos tempos
Nas eleições de 2010, a
mídia brasileira apostou novamente no tucano José Serra, convencida que o
peso do estado de São Paulo e os desgastes enfrentados pelo PT com as
denúncias de corrupção envolvendo o Mensalão seriam suficientes para
derrotar a candidata de Lula. Como não foram, a mídia partiu para o vale
tudo em 2014, disposta a fazer qualquer coisa para dar vitória ao
tucano Aécio Neves.
O tudo ou nada da
campanha eleitoral se manteve nestes primeiros 100 dias de governo
Dilma, com a mídia transformando-se em partido de oposição, insuflando e
cobrindo manifestações de protestos de “revoltados” a “favor do
impeachment”, do “Fora Dilma”, e de “intervenção militar constitucional”
(!). Enfim de qualquer arranjo ou casuísmo, inclusive com digitais
externas, que apeie o PT do poder ou o impeça de governar, por
intermédio da conhecida “fórmula para o caos”, outro nome para o constante sangramento de adversários no poder.
No dia 1º de setembro de
2013, as "Organizações Globo", por meio de editorial publicado no
jornal de sua propriedade, fez autocrítica, considerando “um equivoco” o
seu apoio ao golpe civil-militar de 1964. Mesmo sem muita convicção e
minimizando os fatos, uma vez que a empresa não apenas apoiou o golpe,
mas foi parte de sua articulação e vitória, alguns viram no gesto da
família Marinho (o patriarca já havia morrido) uma espécie de recomeço
em novas bases. Menos de dois anos se passaram para que a “autocrítica”
desse lugar a articulações semelhantes às dos idos de 1964. A resposta
de Dilma, um tanto lenta, veio através de suspensão de verbas para a "TV
Globo" e a revista "Veja" e a escolha do ex-deputado petista Edinho
Silva para dirigir a SECOM.
Há muito por fazer, a
começar pela democratização da verba de publicidade institucional do
governo e das empresas estatais. Em permanente queda de audiência, os
veículos das "Organizações Globo" continuam recebendo a maior parte
desses recursos, numa época em que as verbas em várias partes do mundo, a
começar pela Inglaterra, Canadá e Estados Unidos (que eles tanto
admiram), já migraram ou estão migrando para a mídia digital.
A crise e o caos
brasileiro, que a velha mídia apregoa, estão longe de ser realidade. O
Brasil mudou. Quem não mudou foi a mídia e ela, sim, está em crise. Aos
poucos, surgem histórias que ela gostaria de manter desconhecidas dos
respeitáveis telespectadores, ouvintes e leitores, como as contas
secretas de seus proprietários na agência suíça do banco HSBC e as
denúncias de propinas pagas pela "Rede Brasil Sul" (RBS), afiliada da TV
Globo. Tudo isso precisa e deve ser investigado, mas a velha mídia
parece não se dar conta das mudanças, aferrada a padrões do século
passado, quando mamatas e privilégios foram suficientes para garantir
tranquilidade a governos e dinheiro e poder aos seus proprietários."
FONTE: escrito
por Ângela Carrato, jornalista e professora do Departamento de
Comunicação Social da UFMG. em artigo publicado no blog "Estação
Liberdade". Transcrito e comentado por Miguel do Rosário no blog
"Tijolaço"