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sábado, 10 de setembro de 2011

O ESTADO NÃO “INCHOU” NO GOVERNO LULA. CESSOU A SUA DEMOLIÇÃO


Por Fernando Brito

“Imagine o caro leitor que o senhor ou a senhora seja dono de uma empresa com 53 funcionários e gasta com eles, digamos, 10% do seu faturamento bruto. Oito anos depois, a sua empresa tem 63 funcionários, que absorvem 9% de seu faturamento. Isso seria boa ou má administração? Lógico que a resposta seria: claro que a empresa cresceu, mas cresceu de forma saudável, aumentando sua eficiência.

“O Globo”, hoje, em sua manchete, recusa esse raciocínio simples e estampa: “Governo Lula contratou três vezes mais servidores do que Fernando Henrique”, com base em estudo divulgado quinta à tarde pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA.

É óbvio que, para um governo como o de FHC/PSDB, com o confessado objetivo de demolir o Estado brasileiro [Em prol de quem? Quem ficaria mais forte que o Estado e assumiria o comando, o governo? Foi determinação de "Forças" externas?], reduzir o funcionalismo era não apenas natural como parte do objetivo estratégico de enfraquecimento do poder público. O número de servidores civis na administração pública, nos dois mandatos tucanos, caiu 13,5%, como resultado –você vê no gráfico-, de muitas aposentadorias e poucas contratações que as substituíssem.

Aposentaram-se 134.654 servidores e foram admitidos 51.613. O quadro de servidores federais ativos encolheu 12,7% desde o fim do Governo Itamar até 2002, mesmo FHC já tendo assumido depois de quatro anos de contração (Collor e Itamar) onde não houve contratações, mas só demissões e aposentadorias.

Já no governo Lula, admitiram-se, por concurso, 155.534 servidores, contra 79.302 aposentadorias. O número de servidores federais ativos cresceu 11,9%, do final do Governo FHC ao final do governo Lula.

Em resumo, as admissões no governo Lula sequer chegaram a repor o estoque de servidores que Fernando Henrique encontrou e destruiu. Para ser exato, faltaram ainda 11.200 vagas.

Olhemos, porém, a questão de outra forma, para avaliar o que isso quer dizer. Imagine o caro leitor que a notícia fosse dada da seguinte forma: “Polícia Federal tem menos agentes que em 2003” ou “Universidades federais dobram matrículas e não contratam professor” ou “Número de ações duplica, mas União tem os mesmos advogados que em 2003”.

Pois é, a coisa ficaria muito diferente.

Mas a economia cresceu o suficiente para sustentar essa recuperação, ainda que limitada, nos quadros do funcionalismo federal? Espante-se, senhor leitor, mas os gastos da União com seus servidores caíram de 5% do Produto Interno Bruto, em 2002, para cerca de 4,5% do PIB. O ritmo de aumento de contratações no setor privado foi mais que o dobro do setor público.

O Brasil tem, segundo outro estudo do mesmo IPEA, um nível de emprego público que, ao contrário do que pensa muita gente, fica abaixo dos países desenvolvidos em matéria de proporção de servidores públicos sobre o número total de trabalhadores. O serviço público absorvia, em 2006, 12,5% dos empregos totais e, como a expansão do setor privado foi muito mais forte do que a do público, mesmo considerados Estados e Municípios, esse número já deve estar abaixo de 12%. Nos EUA, reconhecidamente um dos países menos “estatizados”, esta proporção era de 14,8% no mesmo ano.

A manchete de “O Globo”, portanto, agarra uma comparação que permite chocar aos incautos, mas não revela em nada o processo de saneamento do Estado brasileiro em matéria de pessoal, que não é o mesmo, ao contrário, do que destruir a capacidade de funcionamento do serviço público”.

FONTE: escrito por Fernando Brito e publicado no blog “Projeto Nacional”

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Servidores respondem à grande mídia e põem a Globo para correr.

post do vermelho.

O funcionalismo público do estado de São Paulo demonstrou à grande mídia que não aceitará calado à campanha de criminalização dos movimentos sociais e de proteção ao presidenciável tucano, José Serra. Milhares de servidores protestaram, nesta quarta-feira (31), contra o viés autoritário e manipulador dos principais veículos de comunicação na cobertura de manifestações.

As espontâneas reações foram um dos pontos mais inusitados do “bota-fora” promovido por 42 entidades sindicais para marcar a saída de Serra do governo paulista. Também na quarta-feira, o tucano se desincompatibilizou do cargo para disputar a Presidência da República. Sua última cerimônia como governador, por sinal, recebeu apaixonado respaldo da imprensa conservadora.

Os manifestantes começaram a responder à mídia já no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, onde milhares se pessoas se concentraram no “bota-fora”. Mas o protesto mais enfático ocorreu horas depois, em frente à Secretaria da Educação, na Praça da República, durante a assembleia dos professores da rede estadual.

Aos gritos de “Globo não!”, “Fora!” e “Abaixo a Rede Globo”, manifestantes expulsaram uma equipe da emissora carioca, que estava num link ao vivo. Como em tempos mais sombrios, a Globo buscou guarida da Polícia Militar ― e foi calorozamente acolhida. Servidores também lançaram palavras-de-ordem contra a Folha de S.Paulo e balançaram a câmera de um repórter da Folha Online.

As imagens foram registradas pela própria Folha (clique aqui para ver). A queixa maior do funcionalismo diz respeito à cobertura da greve do professorado. Desde o início da paralisação, em 8 de março, veículos como a Folha e O Estado de S.Paulo vêm ridicularizando o movimento, tachando-o de “político”, “petista” e “eleitoreiro”.

Reportagens, matérias, artigos e editoriais sobre a greve se furtam a analisar a justeza das reivindicações e a estimar a verdadeira adesão da categoria. Em vez disso, fazem coro com as declarações oportunistas de Serra e do secretário da Educação, Paulo Renato.

De São Paulo,
André Cintra.