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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Por que a esposa de Eduardo Cunha não é presa?

claudia cruz eduardo cunha

Por Renato Rovai, em seu blog
O juiz Sérgio Moro, que costuma ser muito rápido no gatilho ao investigar pessoas ligadas ao PT, tem nas mãos a possibilidade de mostrar que sua celeridade não é seletiva.
Documentos enviados por autoridades da Suíça apontam que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a sua esposa movimentaram contas bancárias no país que foram alimentadas por dinheiro sujo da operação Lava Jato.
Cunha, por ser deputado, tem fórum privilegiado. Ou seja, terá de ser julgado no Supremo. Já a sua esposa, jornalista e ex-apresentadora de jornais da TV Globo no Rio, Cláudia Cordeiro Cruz, não.
Ela pode ter sua prisão preventiva decretada por Moro, inclusive porque sua liberdade pode atrapalhar as investigações. Moro, os amigos devem se lembrar, prendeu a cunhada de João Vaccari, ex-tesoureiro do PT, por muito menos. A suposta prova era o saque de alguns reais em dinheiro num caixa 24 horas. Depois veio a se descobrir que a cunhada na verdade era a esposa de Vaccari. E a trapalhada a livrou da cadeia.
Não sem antes ser desmoralizada por toda a mídia nacional.
No caso da esposa de Cunha as provas são bem mais contundentes. Ela é sócia das contas e operou gastos milionários a partir delas.
O que Moro está esperando para agir? A prisão de Cláudia pode levar a uma delação das mais importantes. Ela tem condições de revelar como funcionava o esquema Cunha de aliciamento de deputados.
E isso pode garantir que a Lava Jato de fato faça uma limpa no Congresso. Cunha é só um deles. Talvez o líder atual desse que parece ser o verdadeiro esquema, mas só um.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Procuradores preparam-se para entregar a Petrobras aos EUA


fatorpetrobras_1
Procuradores preparam-se para entregar a Petrobras aos EUA, por André Araújo
 por André Araújo, no GGN
Os processos que a Petrobras pode enfrentar nos EUA – No programa PAINEL de hoje na GLOBONEWS, os debatedores acharam normalíssimo promotores americanos irem a Curitiba colher provas para processar a Petrobras e disseram que a Petrobras deve se preparar para pagar uma multa de US$ 1.6 bilhão para a SEC-Securities and Exchange Commission, a CVM americana, além de mais 16 ações cíveis de acionistas minoratários que querem indenizações da Petrobras e ainda o Departamento de Justiça pode pedir condenações criminais. Todos falaram como se o Brasil fosse a merreca do mundo, galinheiro onde qualquer um põe a mão, faz e acontece.
1.A PETROBRAS é uma empresa estatal, tem controle direto do Governo brasileiro, a corporação tem sede no Brasil, o fato de ter ações listadas em Nova York não estende automaticamente a jurisdição americana sobre o Rio de Janeiro, onde a Petrobras tem sede. Os americanos podem achar que tem jurisdição mundial mas isso é o que eles acham. Uma empresa estatal é uma EXTENSÃO do Governo brasileiro, que pode invocar imunidades para um ente do Governo. Uma multa de US$1,6 bilhões é absurda, os escritórios e outros investimentos da Petrobras nos EUA não valem isso, são esses ativos que podem ser tomados, que tomem, o Brasil tem ferramentas jurídicas e espero que as use para lutar com esse non-sense.
2.OS EUA são um País que NÃO ACEITA JURISDIÇÃO ESTRANGEIRA extra territorial sobre seus cidadãos e empresas, não faz parte de cortes internacionais exatamente para não ter risco de seus nacionais serem julgados por estrangeiros.
Os pilotos do LEGACY foram condenados no Brasil e nem tomaram conhecimento, nem o Departamento de Justiça americano quis cooperar com a Justiça brasileira. A CISCO, gigante americana de informática foi autuada por contrabando no Brasil e o Governo brasileiro não processou por isso a matriz americana da CISCO, a CHEVRON foi processada aqui por danos ambientais e nenhum promotor brasileiro foi aos EUA processá-la na matriz.
3.As ações coletivas civis são golpes de escritórios de advocacia “abutres” especializados em cooptar acionistas para extorquir indenizações, é um setor da advocacia americana de péssima reputação, tipo “advogado de porta de cadeia”!, são meia dúzia de escritórios bem conhecidos, tipo “venha aqui e nós podemos fazer você ficar rico”. Caçam clientes na rua para criar escândalo e cobrar um cala boca da empresa atacada.
Meu receio é que a PETROBRAS não esteja se defendendo com a artilharia de calibre suficiente, a Justiça americana é diferente da brasileira, exige LOBBY junto ao Departamento de Justiça, se deixar os promotores sozinhos vão criar confusão máxima e pelo que sei a PETROBRAS não contratou nenhum lobista para assunto tão sério, lobista em cima da SEC e em cima do DofJ, lá é PERFEITAMENTE LEGAL E ESPERADO. Aqui aparece o tradicional comentário idiota ” Ainda não fomos notificados”, o que não vale nos EUA, lá o acusado tem que agir MUITO ANTES DE SER NOTIFICADO, para não deixar o assunto criar raízes de modo a depois ser impossível, precisa matar no ninho.
Registro meu ESTARRECIMENTO de Procuradores brasileiros, que são pagos pelo Governo do Brasil, ajudarem Procuradores estrangeiros a processar e ao fim cobrar multas bilionárias do MESMO GOVERNO que lhes paga o salário. É como o filho ajudar alguém a processar seu pai para lhe extorquir dinheiro.
Segundo os entrevistados do PAINEL disseram, especialmente o Paulo Sotero, que mora em Washington, terça-feira próxima Promotores americanos estarão em Curitiba para recolher documentação contra a PETROBRAS, obviamente vão ser recebido com tapete vermelho.
Parece que esqueceram completamente a noção de ESTADO NACIONAL, mas os americanos nunca esquecem.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

NYT, Lava Jato e o programa nuclear brasileiro

Tereza Cruvinel 
:
O jornal americano The New York Times registrou com clara satisfação a prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva, presidente afastado da Eletronuclear, apontando-o como chefe de um programa nuclear clandestino durante a ditadura e um “militar nacionalista” resgatado do ostracismo em 2003 pelo governo do presidente Lula.
O programa nuclear brasileiro nunca foi clandestino, vinculando-se inicialmente a um acordo internacional com a Alemanha, que muito irritou os Estados Unidos. Foi o acordo que possibilitou a construção das usinas Angra I e Angra II. Mas Angra III já vem sendo construída com tecnologia nacional pela Eletronuclear,  tecnologia desenvolvida a partir das pesquisas estratégicas realizadas pela Marinha. Estas sim, tratadas como segredo de Estado, tanto quanto as empreendidas pelos países ricos nesta e em outras áreas. Othon teve papel relevante neste processo, do qual é considerado como principal líder intelectual.
Como escreveu o economista e jornalista José Carlos de Assis em artigo republicado pelo 247, “o almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia”. Foi sob sua coordenação que o projeto Aramar desenvolveu as super-centrífugas brasileiras que processam o urânio a custos 70% menores que outros países, inclusive os Estados Unidos, que sempre quiseram se apropriar da tecnologia brasileira.
O programa nuclear brasileiro foi metaforicamente detonado por Collor, quando fechou o “buraco da serra do Cachimbo”, depósito de dejetos nucleares do programa, em sinal de sua paralização. E por Fernando Henrique, quando deixou o projeto Aramar definhar por falta de verbas. Lula, depois de empossado, visitou o projeto e de fato resgatou o almirante Othon ao resgatar o programa e retomar os investimentos na construção da terceira usina nuclear.
O Brasil foi privilegiado pela natureza com um potencial invejável para a geração de energia hidrelétrica, limpa e relativamente barata. Mas esta fonte está se acabando, quase todos os rios já foram devidamente explorados, forçando a construção de novas usinas na região Norte. Em algum momento, a energia nuclear, bem como a de outras fontes, como a eólica, será fundamental para o desenvolvimento nacional.
A prisão do almirante Othon, um homem de 76 anos, tem uma relação direta com as questões acima. A Lava Jato não apresentou até agora provas de que os recursos na conta de sua empresa sejam oriundos de corrupção.   Ela presta serviços aos construtores das dezenas de pequenas hidrelétricas espalhadas pelo Brasil. Será preciso demonstrar a origem dos recursos.  Mas culpado ou inocente, por tudo o que ele sabe e representa, não pode ser submetido à sanha dos procuradores e delegados por delações premiadas. O Estado brasileiro tem grande responsabilidade por seu destino, ao qual estão vinculados segredos da política nacional de defesa.
Mas até agora, não se ouviu uma palavra do Governo.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Policial federal que acompanha presos da Lava Jato é alvo de processos por corrupção

Newton Ishii chegou a ser expulso da corporação
MURILO RAMOS E NONATO VIEGAS
Newton Ishii acompanha Marcelo Odebrecht (Foto: Geraldo Bubniak)
Sabe o agente da Polícia Federal que aparece em quase todas as fotos ao lado dos presos da Lava Jato que chegam à superintendência da PF em Curitiba? Pois é, o nome dele é Newton Ishii. Ingressou na corporação em 1976. Em 2003, sofreu um grande baque. Foi preso pela própria PF durante a Operação Sucuri, suspeito de integrar uma quadrilha que realizava contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai. Acusado de corrupção, chegou a ser expulso da PF. Ishii responde a processos criminal e civil, além de uma sindicância. Reintegrado, a Polícia Federal diz que Ishii goza de confiança da direção (!!) e é um excelente profissional (!!!).

quarta-feira, 1 de julho de 2015

'Dá para pegar ele'

De novo agora todos os latidos, mandíbulas, miras, gatilhos, patas, línguas espumosas, risos gordurosos, emboscadas e dardos convergem em sua direção.

por: Saul Leblon


Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Um juiz estala os dedos, a ordem se propaga pelo dispositivo midiático conservador.

A ordem é disseminada por um colunista especializado na arte dos ganidos demarcatórios.

‘(O juiz) acha que dá para pegar ele’, uiva entre espasmos de ansiedade e sofreguidão.

A mensagem ganha diferentes versões no dispositivo midiático.

Contra Getúlio, Juscelino e Jango era Lacerda principalmente quem dava a cadência das senhas golpistas.

Lacerda agora é o jornalismo; os colunistas, em especial, seu autofalante mais exclamativo.

Ao ‘salve geral’ narrativas são adaptadas ao sotaque de cada público específico. Desde a mais crua, às colunas especializadas em dizer o mesmo com afetação pretensamente macroeconômica ou jurídica.

A mensagem é a mesma: ‘Dá para pegar ele’.

‘Ele’ é o troféu mais cobiçado, a cabeça a ser pendurada no espaço central da parede onde já figuram outras peças  embalsamadas pelos taxidermistas a serviço da caçada ininterrupta do conservadorismo na história do país.

Mas falta a dele, uma cobiça acalentada pelos quase dez anos que remontam a 2005/ 2006.

‘Ele’?

Lula.

O metalúrgico que ascendeu ao posto de maior líder político do país desde Getúlio Vargas, e cuja morte política já foi uivada pela matilha um sem número de vezes.

De novo agora todos os latidos, mandíbulas, miras, gatilhos, patas, línguas espumosas, risos gordurosos, emboscadas e dardos convergem em sua direção.

Mas há uma novidade na sofreguidão dos latidos.

Erros cometidos em inéditos doze anos de poder do maior partido de trabalhadores da América Latina, emergiram com força do chão movediço da crise mundial, contra a qual os recursos da resistência do Estado brasileiro se esgotaram.

O problema principal não é o ajuste que sucedeu a isso.

Não é Dilma.

Seu governo, a composição, a política em curso refletem um flanco anterior mais grave que pode ser sintetizado no distanciamento orgânico entre ‘a caça’ e seu imenso entorno popular.

É esse distanciamento que o ajuste em curso espelha, ao mesmo tempo em que age para aprofunda-lo.

E é ele também que explica os ganidos em decibéis crescentes, o cheiro forte de urina demarcando o território conquistado no avanço ininterrupto do tropel.

Mas não sem dificuldade.

O ciclo iniciado em 2003 tirou algumas dezenas de milhões de brasileiros da pobreza; deu mobilidade a outros tantos milhões na pirâmide de renda.

A inclusão foi tão expressiva que sob a cortina de fogo impiedosa do monopólio midiático há quase uma década, acuado, ferido e enxovalhado noite e dia, sem espaço de resposta, Lula ainda figura como o nome que parte com 25% dos votos nas sondagens da corrida presidencial para 2018, contra 35% de Aécio Neves.

Mas a direita sabe que isso é pouco para ele reverter.

Com acesso diário à tevê hoje sonegado, ao rádio e ao debate num cenário econômico que dificilmente será pior do que o atual, os dez pontos da vantagem do tucano – segundo o Datafolha -- podem derreter em questão de dias.

Então é preciso liquidar a fatura hoje. Agora. Na janela de oportunidade entre o vácuo orgânico criado em torno da presa e a próxima temporada de imersão no oceano popular.

‘(O juiz) acha que dá para pegar ele’, telegrafa o colunista que alardeia intimidades com a caçada e objetivamente compõe o galope.

A disjuntiva ‘combate à corrupção’ versus ‘ impunidade’ serve para aspergir legalidade ao tiro ao alvo em marcha que busca a cabeça encomendada para figurar na parede dos abates ilustres de Getúlio, Jango, entre outros.

Passar a limpo a política brasileira?

Fosse essa a motivação a força-tarefa que hoje se esfalfa em caçar Lula cerraria fileiras para criar travas à presença do dinheiro grosso nas campanhas eleitorais.

Promoveria uma reforma capaz de dificultar siglas caça níqueis. Endossaria o clamor por uma democracia mais aberta à participação da população, ora resumida ao comparecimento esporádico às urnas.

Não, não é esse o objetivo.

A reforma de Cunha, talhada à sua imagem e semelhança, sacramenta a causa do apodrecimento da política e afastar o eleitor das decisões por intervalos maiores.

Ah, mas Lula fez lobby por empresas brasileiras...

Sim. E nisso o senador Roberto Requião foi definitivo enquanto os senadores do PT balbuciavam evasivas:

‘Criticam o Lula por trabalhar a favor de empresas brasileiras;  elogiam o Serra por querer entregar nosso petróleo a empresas estrangeiras’, fuzilou, tiro seco e letal, o bravo parlamentar.

O país precisa de uma macroeconomia mais consistente?

Por certo.

Mas qual?

A dos sábios tucanos, reunidos no departamento econômico do Itaú, o BC do PSDB? Ou aquela recauchutada na Casa das Garças, com os mesmos ingredientes de sempre. Desregulação do mercado de trabalho e livre comércio, em linguagem acadêmica. Ou para ser um tanto mais direto: arrocho e entreguismo.

'O trade-off  é mais liberalismo em troca de mais redistribuição', preferem os senhores elegantes de gravata italiana.

Pergunte-lhes onde foi que isso aconteceu?
Na Espanha? Na Grécia? Em Portugal? Nos EUA? Ou na Inglaterra, onde a gororoba é aplicada desde Thatcher (Blair incluso), e 250 mil foram às ruas no último sábado contra cortes em programas sociais promovidos pelo engomadinho  Cameron (37% dos votos em escrutínio com abstenção de 40%)?

Menos Estado em troca de mais distribuição?

Então por que o motor da economia mundial engazopou e não pega nem com o tranco de liquidez de trilhões de dólares despejados pelo Fed e, agora, pelo tardio BCE?

Trinta anos que não se faz outra coisa a não ser desregular mercados urbi et orbi, e as grandes corporações mundiais estão sentadas em trilhões de dólares de liquidez.

Não investem.

Quem diz é a OCDE, não propriamente um organismo bolchevique.

A produtividade patina e grandes corporações dos EUA já destinaram US$ 903 bilhões este ano à recompra das próprias ações ou a dividendos milionários pagos à república dos acionistas, invertendo-se a destinação majoritária do lucro que deveria expandir o investimento produtivo.

O que falta para lubrificar a engrenagem emperrada?

Falta o que o Brasil tem, mas a boa ‘ciência econômica’ aqui -- com o incentivo do bravo jornalismo econômico -- acha indispensável liquidar: mercado de massa, horizonte de demanda, distribuição de renda, de bens e de infraestrutura.

A desregulação do mercado de trabalho e a destruição do pleno emprego -- vendidas como o clorofórmio capaz de combater as impurezas da macroeconomia lulopopulista,  explicam no plano mundial  por que essa  é a mais longa, frágil e incerta convalescença de todas as crises capitalistas, desde 1929.

O massacre da desregulação do trabalho, na fórmula consagrada de empregos desqualificados, salários baixos e atrofia sindical, foi contrabalançado pelo inchaço do crédito nas últimas décadas.

Famílias assalariadas – a exemplo de Estados desidratados pelas reduções de impostos —foram buscar no endividamento aquilo que o emprego e a receita fiscal não mais proporcionavam.

Empréstimos às famílias cresceram três vezes mais rápido que o PIB no último meio século nos países ricos, diz a OCDE.

Criou-se uma contradição nos seus próprios termos: crédito em volume cada vez maior a tomadores cada vez mais descapacitados a pagá-lo.

Daí para as sub-primes que acenderam o pavio da explosão mundial era uma questão de tempo.

Quando o balão de oxigênio creditício travou, em 2008, sobrou o deserto do real.

Um imenso areal de mão de obra subempregada, trabalhadores em tempo parcial, dezenas de milhões de famílias endividadas, outros tantos milhões de lares sem condições sequer de prover o próprio sustento.

O mundo talhado pelo cinzel neoliberal abarca hoje mais de 200 milhões de desempregados –30 milhões adicionados só nesta crise; a fome está de volta à Europa; uma em cada quatro crianças vive em meio à pobreza na Inglaterra onde Cameron acaba de cortar mais 12 bilhões de libras dos programas sociais; 46 milhões de norte-americanos só comem com ajuda do governo, mas o Congresso neoliberal desautoriza Obama a elevar o salário mínimo, agora inferior ao da era Reagan.

Por isso a OCDE lamenta o onanismo de um capital que se autossatisfaz ejaculando com a recompra das próprias ações e distribuindo lucros celibatários a  acionistas e diretores rentistas.

É essa a eficiência estratégica que se persegue?  Um capitalismo que patina no próprio esperma, apartado da reprodução, alijado de ferramentas de Estado e de poder social para reconduzi-lo às finalidades sociais do desenvolvimento?

Os dados na mesa são claros.

Não há muito tempo para agir, nem são tantas as opções assim.

Há até algum consenso entre o mercadistas sensatos e a visão progressista.

Ambos concordam que o país vive o esgotamento de uma dinâmica econômica.

Há razoável convergência em relação ao motor que deve puxar o novo período: o investimento produtivo, um impulso industrializante liderado pelo pré-sal; os grandes projetos de infraestrutura.

Termina o espaço dos consensos.

O conservadorismo avalia que o legado recente é incompatível com o futuro desejado. Para nascer o ‘novo’ é preciso destruir o ‘velho’.

Parece schumpeteriano, é udenista puro.

A supremacia financeira deve purgar todo e qualquer vestígio de interesse nacional, público e social no manejo da economia.

O alvo da caçada, Lula, embolou tudo na última década.

Fortemente ancorada na ampliação do mercado de massa, a economia avançou apoiada em ingredientes daquilo que a emissão conservadora denomina ‘Custo Brasil’.

Um exemplo das dificuldades a retardar o avanço da matilha nessa frente?

A formalização da mão de obra.

Hoje ela encarece sobremaneira o lacto purga das demissões em massa, atrasando a purificação do metabolismo econômico.

O PSDB deixou o país com uma taxa de informalidade do emprego de 43,6%.

No ano passado esse percentual era de 29,5%.

Para demitir um operário com registro em carteira é preciso pagar todos os direitos legados por Vargas.

Eles foram limados parcialmente pela ditadura, mas fortalecidos na prática pelo ciclo de pleno emprego propiciado em 12 anos de governos do PT (que pegou o país com um desemprego tucano superior a 9%, quase 10% em 2003; cortou isso à metade).

É disfuncional. Custa caro faxinar a folha de pagamentos pós-PT.

Pior: ao recontratar, enfrenta-se o piquete de uma década de investimento para democratizar a educação.

Foram oito milhões de vagas do Pronatec e 1,6 milhão de vagas do Prouni e do Fies.

O avanço educacional barra o retrocesso significativo nas relações de trabalho: o jovem qualificado recusa a informalidade e o salário arrochado.

É preciso pendurar a cabeça do responsável por isso na parede; impedi-lo de retornar à Presidência ou o mercado não completará o longo ciclo de detox neoliberal requerido.

‘(O juiz) acha que dá par apegar ele’.

Essa é a determinação serviçal da Lava Jato, cuja mão de obra não se inibe em paralisar o país para entregar o serviço.

A paralisia do sistema econômico, na verdade, é um plus que acompanha o pacote e ajudar a acuar a caça.

O resto é farofa ética expressa no inimputável conforto desfrutado pelas lambanças do PSDB.

Romper o cerco dessa determinação canina exige coragem política de negociar o futuro do país com quem  ainda quer conversar sobre soluções coletivas -- até para tornar compreensível e tolerável as restrições do presente, que são reais.

Ou o campo progressista se une e mexe no tabuleiro do xadrez com as peças dispostas a permanecer no jogo democrático, e de lance em lance altera a rigidez das demais, ou ele próprio será tomado pela rigidez cadavérica que vai tomando conta do metabolismo econômico.

Lula criou um novo personagem histórico: o mercado de massa ancorado no pleno emprego formalizado.

Os novos protagonistas formam hoje a maioria da sociedade.

Mas ainda não constituem um protagonista histórico capaz de assumir o comando do desenvolvimento e do país, o que explica o seu distanciamento em relação à caçada em curso.

É um pouco esse paradoxo que espeta no governo a angustiante dubiedade de um refém de si mesmo.

Cria, também, a angustiante dissociação entre o gesto e o seu efeito.

Entre o apelo e o seu desdobramento.

Nesta 2ª feira, Lula, ‘a caça’, evocou a necessidade de uma revolução no PT, ‘para salvar nosso projeto, não a nossa pele’.

Nada.

Em diferentes momentos da história recente, mas sobretudo após a morte traumática do candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, em agosto do ano passado, o projeto progressista esteve emparedado, a ponto de muitos darem o jogo como perdido.

No final de agosto, o aluvião conservador era tão denso que expoentes do colunismo conservador degustavam precocemente a derrota irreversível do ‘lulopetismo’.

Em duas frases, Lula esquadrejou a areia movediça então e identificou um pedaço de chão firme onde instalar a alavanca da reação (bem sucedida, como se sabe):  ‘Temos que demarcar o campo de classe dessa disputa: é preciso levar a política à campanha’.

Se tivesse incorporado à evocação o debate de ajustes pontuais na economia, o eleitor provavelmente entenderia –desde que isso se fizesse acompanhar de salvaguardas, prazos e contrapartidas.

Um pouco o que o Syriza busca agora na Grécia para não ser cuspido do euro, nem lixiviar ainda mais uma sociedade escalpelada.

Errou o PT ao não fazê-lo.

Erra em dobro agora, ao insistir em terceirizar um ajuste necessário, mas que só resultará em reordenação progressista do desenvolvimento se for pactuado com os que precisam genuinamente apostar na democracia social brasileira.

Os riscos intrínsecos a uma decisão de renegociar o pacto do desenvolvimento não são maiores do que o caminho adotado agora.

A aposta na indulgência dos mercados levou o governo a uma ponte sem pilares que desembocou em um labirinto de areia movediça.

Em certa medida, é como se o PT desconfiasse da capacidade de engajamento do protagonista político que ajudou a revelar.

O criador escapou à criatura.

Ou dito de forma mais racional: é viável enfrentar as contradições de um ciclo de desenvolvimento como o atual, sem estreitar os canais de organização e comunicação com a principal força capaz de sustentar a continuidade do processo?

A matilha  late cada vez mais perto.

Contra a voracidade excitada pela silhueta da presa há resposta.

Talvez a única resposta nas horas que correm.

A unidade de ação do campo progressista e a determinação política inabalável de não escamotear a colisão de interesses em jogo. ‘Trata-se de salvar um projeto, não cargos’. A ver.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Imprensa conduz País ao fascismo, diz jurista

A mídia é a matriz do novo fascismo brasileiro.


Prisões são usadas para coagir, diz jurista

Para o advogado Bandeira de Mello, juiz Sergio Moro quer aparecer e usa delação de forma equívoca
De acordo com especialista, corrupção sempre existiu no país, mas imprensa sempre ficou calada
Falha de S. Paulo

Crítico da Operação Lava Jato, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, 78, diz que a imprensa "monta palco" para o juiz Sergio Moro, que conduz o processo no Paraná, e que, com a Olimpíada, "esse assunto vai morrer".

Professor da PUC-SP e um dos principais especialistas em direito administrativo no país, em 2013 foi um dos advogados que assinaram um manifesto pelo impedimento de Joaquim Barbosa, relator do mensalão. Hoje, afirma que as prisões estão sendo usadas para coação --ele não advoga para nenhum dos investigados da Lava Jato.
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O juiz

[Sergio Moro] é um juiz que quer aparecer. É evidente que há abuso e excesso. A delação premiada não é um instituto que existe para coagir. Você prende uma pessoa e a mantém presa até que faça uma delação? Isso é coação. Delação deveria ser espontânea.

As prisões

O que tem sido noticiado é empresário sendo preso e submetido a condições muito insatisfatórias. Vamos ser realistas, se você viveu numa favela, sua condição de vida é uma. Se você está acostumado a um mínimo de privacidade e o colocam numa cela que só tem um buraco [sanitário] sem porta, você está sendo torturado. Colocar alguém nessas condições é submetê-lo a tortura psicológica.

Papel da imprensa

Com o apoio da imprensa, o país está caminhando, a passos largos, para o fascismo. Se a imprensa não montasse um palco para esse juiz, isso não aconteceria. Tanto é assim que na hora que aparecer algum assunto novo, como a Olimpíada, esse assunto todo vai morrer. Corrupção sempre existiu, mas a novidade é a imprensa tratar disso como um verdadeiro escândalo.

A corrupção

É óbvio que [as revelações da Lava Jato] são muito graves. Mas corrupção sempre houve. Foi o governo FHC que flexibilizou a Lei de Licitações para as estatais, deixando o galinheiro sob o cuidado da raposa. Agora, esta é a primeira vez que vejo num governo tanto ataque à corrupção. Não é estranho que sempre tenha havido corrupção e a imprensa tenha ficado calada? Não tenho ilusão com a imprensa.


Estado de Direito

No Estado de Direito, existem certas regras. Num regime fascista ou ditatorial, outras. Com argumentos desse tipo [como pedir prisões para impedir destruição de provas], você pode torturar e matar. Se esse argumento do interesse maior da sociedade prevalecer, pode torturar e matar.

 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Moro recua até conseguir algum apoio para ir até o Lula


Lula-Moro-e-Figueiredo
Empresas sobem o tom contra Moro. Sentiram que o doutor pensa em recuar?

por Fernando Brito, no Tijolaço
Há uma mudança de comportamento nas partes em disputa na Operação Lava-Jato.
Depois da Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a OAS dão sinais de que também vão reagir à ofensiva do juiz Sérgio Moro.
Segundo Sonia Racy, do Estadão, a primeira vai publicar um comunicado nos jornais onde, segundo ela,   a empresa “considera inadmissíveis as prisões com base em presunções genéricas e depoimentos inverídicos.”
E “peita” a República de Curitiba, desqualificando as alegações da acusação, a que chama de “frágeis”.
E a OAS, por seus  advogados, endureceu jogo,  chamando  Moro de “justiceiro” e parcial; os advogados também acusaram os procuradores de usar “provas ilícitas” e a criação de um cenário de “condenação antecipada” para os cinco executivos da empresa que são réus, segundo a Folha.
Moro, por sua vez, sabe que suas ordens de prisão se sustentam menos por seus fundamentos jurídicos e mais pelo receio dos juízes dos tribunais superiores de serem expostos à exibição como “defensores de empreiteiros” e “coniventes com a corrupção”.
Mas isso tem – e Moro sabe disso – um limite. Que já foi, ao que parece, levado ao extremo.
É possível que Moro contasse com um efeito político maior da prisão de Marcelo Odebrecht e talvez tenha se surpreendido com a disposição do empresário e da empresa em “bancar” o enfrentamento.
Infelizmente, o que  deveria ser um processo judicial tornou-se, de forma evidente e escandalosa, um processo político.
Se Moro vai recuar e adotar novos métodos – que não seja o encarceramento até forçar a delação premiada – ou se vai, ao contrário, radicalizar ainda mais suas atitudes, é uma incógnita.
Minha opinião? Vai dar um passo atrás, até encontrar algum apoio para ir até onde quer ir.
Até Lula.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ministério Público pede ajuda aos EUA para destruir economia brasileira

 Brasil pede apoio aos EUA contra sua maior empresa                ( viralatismo de primeira)
Segundo informa o jornal Estado de S. Paulo, o Ministério Público Federal que atua na Operação Lava Jato decidiu pedir ajuda aos Estados Unidos, "onde está a mais eficiente rede de combate à corrupção do mundo", para investigar a Odebrecht, maior exportadora de serviços do País, com mais de 100 mil empregados; preso pelo juiz Sergio Moro, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, iniciou sua carreira nos Estados Unidos, onde a empresa construiu obras importantes, como o Aeroporto de Miami, deslocando concorrentes norte-americanos; Barack Obama agradece, até porque jamais pediria a outro país para levantar provas contra empresas americanas, como a Halliburton, que foi uma das financiadoras da invasão ao Iraque.

247 O Ministério Público Federal quer ajuda de autoridades norte-americanas para investigar a maior empresa brasileira. É esta a manchete desta segunda-feira do jornal Estado de S. Paulo, que defende o apoio formal à Lava Jato dos Estados Unidos, onde, segundo a publicação, está a "mais eficiente rede de combate à corrupção do mundo".

Uma investigação norte-americana contra a Odebrecht, que atua com êxito nos Estados Unidos há vários anos, pode ter efeitos devastadores para a companhia. Foi lá, por exemplo, que Marcelo Odebrecht, preso pelo juiz Sergio Moro na décima-quarta fase da Lava Jato, iniciou sua carreira, participando das obras do Aeroporto de Miami.

Caso seja carimbada como empresa corruptora, a Odebrecht pode ser afastada de licitações nos Estados Unidos e em outros países – o que já vem sendo tentado há vários anos por autoridades estadunidenses. Em 2012, por exemplo, um juiz da Flórida tentou impor sanções a empresas com atuação em Cuba e na Síria – era uma forma de impedir que a Odebrecht atuasse em Miami, tomando o espaço de construtoras norte-americanas.

Neste fim de semana, a Associação de Comércio Exterior do Brasil e a Associação Brasileira da Indústria de Base publicaram manifesto nos jornais, defendendo a atuação dos exportadores de serviços. Segundo a nota, o financiamento às exportações de serviços pelo BNDES, que tem a Odebrecht como protagonista, garantem 1,2 milhão de empregos no Brasil, na cadeia produtiva do setor de engenharia.

Destruir o Brasil antes de destruir o PT

No entanto, setores da direita brasileira hoje consideram que, para destruir o PT, vale até destruir o Brasil. Já entraram em recuperação judicial três alvos da Lava Jato: OAS, Galvão Engenharia e Alumini. A Queiroz Galvão ameaçou parar as obras da Rio 2016 e a Mendes Júnior colocou em marcha lenta a execução do Rodoanel. A UTC Constran, por sua vez, demitiu um terço dos seus empregados. Agora, com Odebrecht e Andrade Gutierrez na mira, duas empresas que serão rebaixadas pela Moody's, todas as obras do setor elétrico ficam ameaçadas. 

Com a ação contra a Odebrecht no exterior, as obras executadas por empresas brasileiras em outros países também ficam ameaçadas, colocando em risco, inclusive, um importante avanço geopolítico conquistado pelo Brasil nos últimos anos. Segundo a revista norte-americana Foreign Affairs, bíblia da geopolítica internacional, o Brasil se tornou um "global player" nos últimos anos, graças às posições conquistadas na África e na América Latina por suas construtoras (leia mais aqui).

O presidente americano Barack Obama agradece, até porque jamais pediria ajuda a outros países para investigar as práticas de empresas americanas como a Halliburton, que financiou a campanha de invasão ao Iraque para, depois de destruí-lo, reconstruí-lo.

Odebrecht descarta delação e opta pelo enfrentamento



Do 247:
Preso na última sexta-feira, o empresário Marcelo Odebrecht descartou fazer acordo de delação premiada na operação Lava Jato.
A empresa optou pelo enfrentamento e divulgou nesta segunda (22) um manifesto pago, em jornais, questionando os fatos usados pelo juiz Sergio Moro para decretar as prisões dos empreiteiros.
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Em trecho do texto, a companhia afirma que, no e-mail endereçado à Odebrecht, a palavra ‘sobrepreço nada tem a ver com superfaturamento, ou qualquer irregularidade. Representa apenas a remuneração contratual que a empresa propôs à Sete Brasil’.
Neste domingo, os advogados da Odebrecht entraram com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em nome de dois dos diretores da empresa presos na Lava Jato: Cesar Rocha e Rogério Araújo.
Os demais, inclusive do presidente, Marcelo Odebrecht, serão impetrados ao longo da semana.
(…) na peça, a defesa alega constrangimento ilegal, prisão baseada apenas nas palavras de um delator “pródigo em mentiras”, Alberto Youssef, e “equívocos cometidos” por parte de Moro “na análise de documentos essenciais”.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

OS GRANDES OBJETIVOS ESTRANGEIROS (e de seus prepostos daqui) POR TRÁS DA "LAVA JATO"



         Créditos da foto: jornalggn.com.br

As razões profundas da guerra movida contra o Brasil

"Se o vitorioso modelo chinês fosse implantado no Brasil, uma democracia de modelo ocidental, uniríamos o que há de melhor na economia e na política.

Por Ion de Andrade

A compra da "Delta" de Eduardo Cavendish pela "Essentium" espanhola por 450 milhões de reais encerra, no plano das consequências que gerou, uma primeira grande­ fase da "Operação Lava Jato" e permite enxergar o cenário do que produziu em sua totalidade.

Não vamos tecer, neste artigo, comentários sobre as intenções do Dr. Moro e do Ministério Público que atuam em equipe, mas dos resultados e significados, não no combate à corrupção, que já premiou o referido magistrado como personalidade do ano pela "Rede Globo", mas nos resultados referentes à geopolítica atual considerando o Petróleo como bem estratégico, a mudança do eixo de poder mundial com os BRICS e os desdobramentos para o futuro do Brasil que são extraordinários e estão em risco.

Metodologicamente, tentaremos enxergar nos resultados produzidos pela "Operação Lava Jato", decorrentes dos seus controvertidos métodos que emprestaram significado político à Operação, a oportunidade para a atuação de forças contrárias ao Brasil a que denominaremos "de Direita".


Senão, vejamos.

---Durante um certo tempo, muitos de nós acreditávamos que a "Operação Lava Jato" pretendia a derrubada do governo Dilma.

Após todos esses meses, podemos concluir que a intenção que enxergávamos nunca foi essa. A Direita visou produzir como efeito colateral da Operação, a desmoralização do governo. Buscou retirar-lhe a altivez e a desenvoltura, com o fito de torná-lo tímido e incapaz de levar adiante a sua missão estratégica, que diz respeito não somente ao Brasil, mas também à construção da unidade latino-americana e a de sustentação de uma nova ordem internacional. Desnecessitando do golpe paraguaio, produziu uma muito mais vantajosa mexicanização do governo. O governo sucumbiu, tornando-se fraco e sem tônus.

A tentativa de golpe paraguaio poderia ter produzido efeito oposto, fazendo emergir um governo mais forte e depurado; a derrubada do governo poderia dar lugar a um protagonismo militar que tampouco interessaria a essa direita ligada aos gringos. Seria uma preocupação nova no velho quintal... O medo do golpe, sim, foi usado, como mais um fator para instabilizar a política com o fantasma da derrocada da democracia.

Assim, em primeiro lugar, a Direita produziu um governo passivo perante a cena estratégica interna e externa, castrado quimicamente. Não o golpe paraguaio, mas a mexicanização do governo.

---O outro alvo da direita tocou especificamente à questão estratégica do Petróleo.

O objetivo aí só foi atingido parcialmente. O propósito era desmoralizar a Petrobrás ao ponto de torná-la alvo fácil ao desmembramento e à privatização (que chegaram a ser propostos), e de, numa mesma tacada, levar à falência as empresas nacionais pesadas detentoras de tecnologia, organização e experiência internacional, elementos cruciais para o exercício pleno da soberania de qualquer país.

A compra da "Delta" pela "Essentium" faz parte do lado negro desse cenário de desdentar o Brasil para os enfrentamentos estratégicos.

Se vierem os acordos de leniência e se as demais empresas resistirem, os resultados terão sido minimizados. A Petrobrás, ao que parece, conseguiu emergir desse mar de sangue.

Então, em segundo lugar, além de um governo fraco, a Direita visou também produzir um país fraco, débil, incapaz economicamente de ficar de pé e despido de autonomia no setor do Petróleo, que começa a construir um Brasil novo.

---O terceiro elemento tocou ao uso político pela Direita das prisões sistemáticas de empresários e políticos de forma explícita e sob humilhação pública, com ênfase para grandes empresários nacionais e personalidades nacionais do PT. Vejam bem, o que representam esses dois polos aparentemente distantes?

Vou explicar: o maior receio dos nossos irmãos do norte e da Direita que os representa aqui é que o Brasil se converta numa nova China. E o que é a China? Um país onde as grandes empresas prosperam e crescem por meio de vultosas e gigantescas encomendas estatais. O PAC é o primeiro ensaio desse modelo. Coincidentemente, as empresas da "Lava Jato" são precisamente aquelas que poderiam permitir ao Brasil, de forma autônoma, alcançar dinâmica produtiva similar à da China.

Mas o Brasil não é a China.

Se esse modelo vitorioso pudesse ser implantado no Brasil, isso estaria ocorrendo numa democracia de modelo ocidental. Estaríamos unindo o melhor do modelo asiático no plano econômico com o melhor do ocidente no plano político, orientando-nos aliás rumo a um Estado Social.

O terceiro elemento, portanto, é o de impedir ao Brasil o futuro extraordinário que ainda está em nossas mãos e que teria, caso se implantasse, gigantesco poder de influência no hemisfério ocidental e capacidade imensa de converter o nosso frágil Estado Social noutro muito mais pujante e comparável aos das mais avançadas democracia sociais da Europa em relativamente curto espaço de tempo.

---Finalmente, o quarto elemento é a emergência dos BRICS que mudam a geografia política e econômica do planeta.

O Banco dos BRICS é ameaça real às instituições de Bretton Woods; com ele inicia-se um novo ciclo econômico de caráter mundial e, pela primeira vez, para além da influência ocidental.

Enxergamos agora o que os nossos inimigos querem para nós: um governo fraco, um país anêmico e desdentado, uma economia caótica e desordenada onde o Estado e o grande empresariado não dialogam e não conseguem desenvolver sinergia para o desenvolvimento exponencial que pressentimos como possível e finalmente a quebra dos BRICS pela perda do Brasil.

É bom termos muita clareza disso tudo. É mostrando isso aos brasileiros que os entreguistas serão derrotados nas eleições que se aproximam."

FONTE: do portal "Carta Maior";

segunda-feira, 18 de maio de 2015

os crimes contra a petrobras


"ZELOTES", LAVARAM E ENXUGARAM A JATO!




ZELOTES, LAVARAM E ENXUGARAM A JATO!

Por RICARDO FONSECA

A imprensa golpista brasileira precisa ser impitimada. Onde estão os órgãos reguladores e fiscalizadores da Imprensa e da Justiça brasileira?

"Impressiona a forma dissimulada como o PIG trata a operação Zelotes, o bilionário e maior escândalo de sonegação fiscal da história. “Para o MP, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, tem um histórico de segurar processos por muito tempo e sem justificativas razoáveis, um comportamento que chama a atenção e deveria ser examinado de perto”, segundo foi veiculado na matéria do dia 13.05.2015 da revista "Carta Capital". Na mesma matéria, “Leite tomou uma série de decisões que atrapalharam as investigações. Entre outras coisas, ele negou a prisão temporária de 26 suspeitos de integrar o esquema, rejeitou o pedido de bloqueio de bens de certos investigados e recusa-se a quebrar o sigilo do processo.

Só no parágrafo acima já se encontra indícios para um lindo e cabeludo "processo de suspeição" na Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região, sediado em Brasília, contra o meritíssimo juiz.

Segundo Frederico Paiva, o principal Procurador da República na Operação Zelotes “o caso até agora não entusiasmou nem o Poder Judiciário nem a mídia – ao contrário do que aconteceu com a Operação Lava Jato.” Ou seja, a passividade dos holofotes midiáticos só alcançam os quadros da Lava Jato. Esse 'mise en scène' todo só demonstra o único e principal interesse deles - mídia golpista : atingir o Lula, PT e a presidenta Dilma.

Manobra essa que até os dias atuais, mesmo com ilações fantasiosas, ainda não chegaram nem por perto da rampa do palácio do Planalto. Transformaram criminosos em valiosos heróis delatores . Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, os corruptos confessos (não sabemos até que ponto são verídicos), são as madalenas arrependidas em busca da lei, da ordem e de um Brasil melhor do século XXI.

Enquanto isso, 74 processos, 26 suspeitos e até agora 19 bilhões de reais descansam livremente em berço esplêndido na Zelotes, a luz de um País atordoado com o outro e mais bem divulgado escândalo, o da Lava Jato, que em números se revela infinitamente menor. Somente 15 bilhões de reais separam a Zelotes da Lava Jato. Ou seja, enquanto na mídia todos os dias e em todos os telejornais, jornais e revistas brasileiras propaga-se os 4 bilhões desviados dos cofres públicos na Lava Jato, outros 19 bilhões são esquecidos e ignorados na Zelotes.

Não vemos ninguém batendo panelas ou muito menos manifestando nas ruas pela Zelotes. Mas todo mês, há pelo menos duas manifestações “A La Copa do mundo “ pela Lava Jato. A imprensa golpista brasileira precisa ser "impitimada". Onde estão os órgãos reguladores e fiscalizadores da Imprensa e da Justiça brasileira? Como podem tratar questões tão afins de formas diferentes? Ética é uma palavra que desapareceu (foi deletada) dos anais da imprensa brasileira, desde que ela assumiu a posição da direita conservadora. Isso me faz lembrar aquele imensurável e lindo episódio da "Reuters" com FHC: “Podemos tirar, se o senhor quiser”.

Essa frase reflete o pensamento retrógrado e hipócrita de uma imprensa fuleira, descomprometida com a verdade dos fatos e venal. Que os novos jornalistas não sigam o exemplo dessas velhas raposas do PIG que, longe de se preocupar com o Brasil, querem vender a desgraça e o caos para os grandes grupos econômicos, interessados em comprar o País. Como publicitário, sinto vergonha dessa imprensa golpista que, infelizmente, através dos veículos de massa, ainda influencia preguiçosos e desatentos brasileiros que, como robôs, acreditam em tudo que veem ou leem estampados em manchetes factoides. Tem que haver reforma política sim, reforma jurídica sim. Mas é necessário que haja também uma ampla, irrestrita e importante reforma midiática. Só assim iremos retomar a lei, a ordem e a ética na propagação de notícias justas e sérias. Lei de meios já, porque a Zelotes... essa lavaram e enxugaram a jato, que é pra nem deixar rastro. Mas estamos de olho e, iremos cobrar aqui ou ali, seja da imprensa ou da Justiça, de forma justa e limpa, o tratamento necessário para punir os bandidos que desviaram recursos dos cofres públicos, independentemente de partidos, cargos políticos ou status social. Mas se os senhores quiserem, a gente não pode e nem vai tirar nada."

FONTE: escrito por RICARDO FONSECA no portal "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/181183/Zelotes-Lavaram-e-enxugaram-a-jato!.htm).