quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Por que o sonho americano se transformou num pesadelo

Os americanos estão muito mais para isso que para Bill Gates

Morris Berman, 67 anos, é um acadêmico americano que vale a pena conhecer.
Recomendo a leitura de “Por Que os Estados Unidos Fracassaram”, dele. A primeira coisa que me ocorre é: tomara que alguma editora brasileira se interesse por este pequeno – 196 páginas — grande livro.
A questão do título é respondida amplamente. Você fecha o livro com uma compreensão clara sobre o que levou os americanos a um declínio tão dramático.
O argumento inicial de Berman diz tudo. Uma sociedade em que os fundamentos são a busca de status e a aquisição de objetos não pode funcionar.
Berman cita um episódio que viu na televisão. Uma mulher desabou com o rosto no chão em um hospital em Nova York. Ela ficou tal como caiu por uma hora inteira, sob indiferença geral, até que finalmente alguém se movimentou. A mulher já estava morta.
“O psicoterapeuta Douglas LaBier, de Washington, tem um nome para esse tipo de comportamento, que ele afirma ser comuníssimo nos Estados Unidos: síndrome da falta de solidariedade”, diz Berman. “Basicamente, é um termo elegante para designar quem não dá a mínima para ninguém senão para si próprio. LaBier sustenta que solidariedade é uma emoção natural, mas logo cedo perdida pelos americanos porque nossa sociedade dá foco nas coisas materiais e evita reflexão interior.”
Berman afirma que você sente no ar um “autismo hostil” nas relações entre as pessoas nos Estados Unidos. “Isso se manifesta numa espécie de ausência de alma, algo de que a capital Washington é um exemplo perfeito. Se você quer ter um amigo na cidade, como Harry Truman disse, então compre um cachorro.”
Berman
O americano médio, diz ele, acredita no “mito” da mobilidade social. Berman nota que as estatísticas mostram que a imensa maioria das pessoas nos Estados Unidos morrem na classe em que nasceram. Ainda assim, elas acham que um dia vão ser Bill Gates. Têm essa “alucinação”, em vez de achar um absurdo que alguém possa ter mais de 60 bilhões de dólares, como Bill Gates.
“Estamos assistindo ao suicídio de uma nação”, diz Berman. “Um país cujo propósito é encorajar seus cidadãos a acumular mercadorias no maior volume possível, ou exportar ‘democracia’ à base de bombas, é um navio prestes a afundar. Nossa política externa gerou o 11 de Setembro, obra de pessoas que detestavam o que os Estados Unidos estavam fazendo com os países delas. A nossa política (econômica) interna criou a crise mundial de 2008.”
A soberba americana é sublinhada por Berman  em várias situações. Ele cita, por exemplo, uma declaração de George W Bush de 1988: “Nunca peço desculpas por algo que os Estados Unidos tenham feito. Não me importam os fatos.” Essa fala foi feita pouco depois que um navio de guerra americano derrubou por alegado engano um avião iraniano com 290 pessoas a bordo, 66 delas crianças. Não houve sobreviventes.
Berman evoca também a Guerra do Vietnã. “Como entender que, depois de termos matado 3 milhões de camponeses vietnamitas e torturado dezenas de milhares, o povo americano ficasse mais incomodado com os protestos antiguerra do que com aquilo que nosso exército estava fazendo? É uma ironia que, depois de tudo, os reais selvagens sejamos – nós.”
Você pode perguntar: como alguém que tem uma visão tão crítica – e tão justificada – de seu país pode viver nele?
A resposta é que Berman desistiu dos Estados Unidos. Ele vive hoje no México, que segundo ele é visceralmente diferente do paraíso do narcotráfico pintado pela mídia americana — pela qual ele não tem a menor admiração. “Mudei para o México porque acreditava que ainda encontraria lá elementos de uma cultura tradicional, e acertei”, diz ele. “Só lamento não ter feito isso há vinte anos. Há uma decência humana no México que não existe nos Estados Unidos.”
Clap, clap, clap.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

O estranho caso do helicóptero engavetado


A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrelas
A mídia não quis investigar o caso do helicóptero dos Perrelas
Se você me pergunta qual foi o maior papelão da mídia brasileira em 2013 respondo com meia tonelada de motivos que foi o caso do helicóptero dos Perrelas.
Só no Brasil 500 quilos de cocaína não são notícia.
Na Indonésia, uma senhora britânica de 56 anos foi condenada à morte, por fuzilamento, por ser presa com cinco quilos de cocaína. Cem vezes menos, portanto.
Na mídia de Londres, ela é chamada de “Vovó Inglesa’, por ter netos. Sua defesa ainda luta para transformar a pena de morte em prisão perpétua.
Na Indonésia, como na China, a lei é extraordinariamente severa com o tráfico de drogas em consequência dos traumas sofridos no século 19, quando os britânicos impuseram, na base dos canhões, aos asiáticos o consumo de ópio. Essa página obscena do império britânico passaria à história como as Guerras do Ópio, sobre as quais escrevi algumas vezes no DCM.
Longe de mim sugerir rigor asiático no combate ao tráfico.
Mas, jornalisticamente, 500 quilos de cocaína não são nada? Pelo comportamento da mídia brasileira, não são nada.
Ninguém se esforçou, então, para trazer luz para o escândalo. Ao contrário, todo mundo tentou esconder a notícia, provavelmente para preservar Aécio Neves, amigos dos Perrelas e conhecido festeiro.
Todos sabem o que teria ocorrido caso os donos do helicóptero fossem amigos não de Aécio, mas de Lula, ou Dirceu.
Na ausência de qualquer esforço investigativo, o assunto foi minguando e hoje é quase nada.
O helicóptero foi, simplesmente, engavetado.
No futuro próximo, a internet terá recursos suficientes para bancar investigações que a mídia corporativa não quer fazer. Ou o crowdfunding – o financiamento da comunidade de leitores – ou a publicidade trará dinheiro que hoje é escasso.
Até lá, as pessoas interessadas em jornalismo independente e informação isenta terão que conviver com coisas estapafúrdias como este caso.
Notícia, para a mídia ‘livre’, é aquilo que é favorável a ela ou a seu grupo de amigos e parceiros, e desfavorável para seus desafetos.
Compare a cobertura dada ao helicóptero com a cobertura dada a uma oferta de emprego para Dirceu, e você vai entender o que move a mídia.
Por isso ela é tão desacreditada.
E por ser tão revelador do espírito bipolar das grandes companhias jornalísticas, o caso do helicóptero é o Fracasso do Ano da mídia brasileira.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pelo impeachment de bancos, empreiteiras, telefônicas, planos de saúde etc.



Chega ao Supremo Tribunal Federal um debate que pode mudar o país para muito melhor, ainda que, para tanto, seja preciso contar com a boa vontade de setores da sociedade que querem tudo menos que esse mesmo debate prospere, porque o financiamento de campanhas eleitorais, na forma como está estabelecido hoje, favorece a tais setores.
A rigor, parece literalmente impossível o país adotar uma forma de financiar a disputa democrática pelo poder que seja menos delinquente do que a atual. Os setores que têm poder de veto desse debate são os mesmos que têm a primazia de estabelecê-lo e, por razões óbvias, nunca estiveram interessados em desencadeá-lo. Por isso conseguiram postergá-lo por muito tempo.
Mídia, classe política e empresariado sempre estiveram unidos em torno do financiamento privado. E, a partir de 1994/1995, conseguiram criar uma legislação sobre o tema que torna o grande capital praticamente dono da política no país enquanto deixa os trabalhadores à margem do processo.
A a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096, de 1995) , entre outras, foi edificada em cima de uma farsa. Demonstra preocupação com as contribuições de entidades e governos estrangeiros ou que venham, direta ou indiretamente, do setor público. E libera a farra das empresas privadas.
Omissa – ou conivente – quanto ao liberou geral para financiamento partidário por empresas privadas com finalidade lucrativa, a legislação barrou que entidades de classe ou sindicais possam doar recursos a campanhas políticas.
No Brasil, portanto, enquanto bancos, empreiteiras, telefônicas e planos de saúde, entre outros, montam, descaradamente, bancadas no Congresso para defender seus interesses acima dos interesses dos consumidores, entidades sindicais ou de classe – muito mais representativas do que as empresas privadas – não podem doar recursos a campanhas eleitorais.
Ou seja: a atual legislação dá uma vantagem arrasadora para o capital e amarra e amordaça o trabalho.
E, com a colaboração da mídia, enorme parte da sociedade que é prejudicada por essa legislação a apoia ferozmente. Não é raro encontrar quem não é empresário e que sofre nas mãos das empresas privadas apoiando que elas continuem elegendo políticos para defender seus interesses.
O plano de saúde, a companhia aérea, a empresa de telefonia ou o banco o prejudicaram, leitor?
Você não entende por que a lei permite que um plano de saúde fique brincando com a sua vida ao negar o que você deveria ter direito?
O banco abusa das taxas, obriga o público a enfrentar filas quilométricas para não pagar salários para mais caixas?
A empresa de telefonia o está enlouquecendo com a musiquinha naquela longa espera para atendê-lo?
Tudo isso você deve agradecer ao financiamento privado de campanhas eleitorais. Com ele, as corporações elegem os políticos que se comprometem com defendê-las nos legislativos e até nos executivos. Por isso você sofre tanto nas mãos das grandes empresas.
Que políticos vão fazer leis contra quem lhes financiou a eleição? Nesse aspecto, não há diferença entre partido nenhum. Mesmo o PT, que, após o mensalão, tornou-se um defensor ferrenho do financiamento público e exclusivo de campanhas não pode brincar com as empresas que o financiam. Ou não tem financiamento e, assim, não tem como disputar eleições.
Argumentam que o financiamento exclusivamente público de campanhas fará “aumentar o caixa 2”. É uma piada. Sob esse argumento, liberem a venda de drogas e o contrabando, pois o combate a tais atividades estimula que sejam empreendidas nas sombras.
Ah, você não quer gastar dinheiro público com a política? Então, meu caro, você prefere que o dinheiro público seja entregue aos políticos pelas empresas que financiam as campanhas deles.
É óbvio que a mesma lei que vier a proibir que empresas doem recursos para campanhas eleitorais deve endurecer as penas a quem a infringir. Uma fiscalização real e dura será mais do que suficiente. Até porque, com a proibição desse tipo de financiamento ficará mais claro quando uma campanha usá-lo.
Hoje, a massa de recursos direcionados para campanhas eleitorais dificulta detectar quanto é legal e quanto é ilegal. Em campanhas mais baratas, com menos circulação de recursos, quem aparecer ostentando campanhas muito maiores estará automaticamente mostrando que recebeu financiamento ilegal.
Nesse aspecto, a posição de cada um sobre esse tema revela quem é quem. O debate no STF sobre o tema vai deixando cada vez mais claro que só com muita má fé é possível defender que mega corporações financiem políticos.
Note, leitor, que é reduzidíssimo o contingente de empresas que financiam campanhas eleitorais. Uma fração do universo empresarial restrita a algumas centenas de empresas – todas de grande porte – doa recursos com o objetivo evidente de, na melhor das hipóteses, fazer os políticos pensarem duas vezes antes de incomodar seus financiadores.
Não é por outra razão que a maioria dos políticos, das grandes corporações e da grande mídia defende o financiamento privado. Note-se, em relação à mídia, que está praticamente em peso bradando contra a proibição do capital privado nas eleições. Até porque, afeta seus maiores anunciantes…
Chega a ser ridículo, pois, discutir como é suspeito o financiamento de corporações a campanhas eleitorais. Basta um pouco de bom senso para entender que um banco não doa milhões para campanhas eleitorais por amor à democracia.
Qualquer pessoa que refletir 1 minuto sobre o assunto concluirá que um Bradesco, um Itaú ou uma Natura investem em política para ter influência sobre ela.
Mas e você, então, que não tem dinheiro para doar, como é que fica? Você que se relaciona com bancos, com planos de saúde, com empresas de telefonia etc., sabe muito bem como é que fica. Você sofre com esse relacionamento sem entender como a lei permite que aquela empresa o faça de gato e sapato.
E o que é pior: quando surge a oportunidade de puxar o tapete dessas empresas que o infernizam, um colunista malandro de jornal o convence a atirar no próprio pé ficando ao lado de quem o pisoteia cotidianamente. Como a mídia o convenceu a odiar o PT, você é capaz de se autoflagelar para não dar razão ao objeto do ódio que lhe foi inoculado.
Hoje, bancos, empreiteiras, telefônicas, planos de saúde etc. é que governam o país. Será que não chegou a hora de fazer o impeachment dessas corporações? Está nas suas mãos fazê-lo. Portanto, use a cabeça desta vez. Deixe de ser trouxa.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Orçamento: R$ 167 bi para pagar juros; para o mínimo, só R$ 6,90

Via Hora do Povo
Governo destina para a Educação apenas R$ 82,3 bilhões e para a Saúde somente R$ 106 bilhões no Orçamento 2014
SÉRGIO CRUZ
A proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o ano de 2014, aprovada pelo Congresso Nacional na última quarta-feira (18), prevê um aumento real do salário mínimo de 1%. Ou seja, o salário vai passar dos R$ 678,00 atuais para apenas R$ 724,00 em 2014. Descontada a inflação de 5,30% deste ano, o reajuste, que com um pequeno arredondamento, acabou ficando em 6,6%, acrescentará um ganho real de míseros R$ 6,90 ao mínimo atual. Uma ninharia que não dá para quase nada. E, para um país que está estagnado e que necessita urgentemente ampliar seu mercado interno para poder voltar a crescer, esse reajuste proposto pelo governo é um desastre.
O valor total do Orçamento da União para 2014 é R$ 2,48 trilhões. Deste total previsto para o próximo ano, R$ 654,7 bilhões serão destinados para o refinanciamento da dívida pública, enquanto para a Educação a previsão de recursos é de apenas R$ 82,3 bilhões e para a Saúde somente R$ 106 bilhões. Os recursos do Orçamento que serão desviados para os bancos vêm se mantendo nas alturas nos últimos anos - e não será diferente em 2014 -, mas, para saúde e a educação os valores estão muito abaixo do que é considerado um valor mínimo pela sociedade. Trabalhadores, estudantes, sindicatos, personalidades e entidades populares exigem que sejam destinados 10% do PIB para a educação e que 10% da receita corrente bruta da União sejam aplicados na saúde pública. Na verdade, o que foi aprovado na quarta-feira está muito longe disso. A proposta orçamentária do governo é recessiva.
Já a parte que é primariamente - isto é, antes de tudo - retirada da sociedade e reservada para juros, o chamado superávit do setor público, foi fixada em 3,17% do PIB. Isto significa um valor de R$ 167,3 bilhões só para o pagamento de juros, sem contar o refinanciamento e as amortizações da dívida. Desse total, R$ 116,1 bilhões correspondem à parcela da União e os outros R$ 51,2 bilhões caberão a estados e municípios. Estados e municípios estes que na semana passada invadiram o Congresso Nacional para exigir mais recursos para enfrentar a crise de falta de verbas. Mas, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), esse valor que vai para os bancos "é pouco". O ministro garantiu que o valor desviado do Orçamento para eles será muito maior.
Ele disse isso em entrevista, durante café da manhã com jornalistas na quarta-feira. Mantega prometeu que vai desviar mais dinheiro para atingir um "primário forte". "Para nós, é muito importante ter um resultado fiscal bom. Essa é uma questão crucial do governo", disse o ministro. "Um primário de 1,1% seria o mínimo, teria que ter uma catástrofe para ser esse número", acrescentou. "Certamente vamos perseguir patamares mais elevados que aquele que está lá na proposta orçamentária", prometeu.
Além de acenar que vai trabalhar duro para dar mais dinheiro aos banqueiros, Mantega voltou a garantir que haverá mais arrocho sobre a sociedade. Ele disse que o governo já está trabalhando para reduzir despesas, "como aquelas com abono salarial e seguro desemprego", e também para "baixar gastos com custeio". "Todas as outras despesas de custeio estão sob rígido controle", informou. "Os outros ministros estão nos xingando o tempo todo, primeiro xingam a mãe do Arno (Augustin, secretário do Tesouro) e depois a minha". "É assim mesmo, tem que ter recurso escasso. Reduzimos diárias, despesas de custeio, aluguéis, construções e essa política rigorosa vai se manter no próximo ano", disse.
No relatório do Orçamento, que foi aprovado pela Comissão Mista do Orçamento, houve redução da previsão inicial na proposta original do governo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A previsão inicial para 2014 era de 4,5%, mas foi reduzida para 3,8%. O Orçamento prevê ainda que o Brasil fechará 2014 com inflação de 5,8%. A taxa de câmbio média projetada para 2014 é de R$ 2,30 por dólar, também maior do que a estimativa inicial do Executivo.
Para Mantega, a estagnação econômica do país, que começou no início de 2011 e vem se mantendo em 2013, não estaria relacionada com os cortes nos investimentos públicos - feitos por ele - e nem pelas altas seguidas nas taxas de juros - também decididas pelo governo. Muito pelo contrário, segundo Mantega, os problemas com o baixo crescimento foram causados, pasmem, pela queda nos juros. "Uma crise de confiança", segundo ele, "foi provocada pela queda nos juros". "Houve um mau humor de parte do mercado, que passou a ter menos rentabilidade com a redução das taxas de juros no país", explicou.
"Este ano, tivemos dificuldades com a questão da confiança. Houve setores que ficaram de mau humor com o Brasil. Acho que houve exageros em relação a isso. (...) Algum mau humor se deveu porque reduzimos os juros em 2012 e a rentabilidade da arbitragem. Quem estava fazendo arbitragem perdeu dinheiro e não deve ter gostado", acrescentou. Diante disso, está muito claro para quem Mantega dedica constantemente suas preocupações e ações. É para o "mercado", isto é, para o setor mais parasita da sociedade, os banqueiros e especuladores de todos os matizes.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MÍNIMO DE R$ 724 GANHA DE ALTA DO DÓLAR E DA INFLAÇÃO

Congresso aprova proposta do governo de elevar salário mínimo, a partir de 1º de janeiro, dos atuais R$ 678 para R$ 724; reajuste de 6,6% mantém ganhos reais sobre a taxa de inflação; desde 2003, remuneração da base da economia deu salto de quase 500% sobre variação do dólar, saindo de US$ 56,50 para cerca de US$ 330 ao longo deste ano; velho terrorismo econômico de que mínimo fortalecido quebraria empresas e prefeituras jamais se confirmou

concordo plenamente

“Os malas sem alça do ano”


A Internet tem o dom de amplificar a estupidez das pessoas. Vivemos uma era em que, a cada dia, um panaca fala ou faz alguma besteira. Em homenagem a essas pessoas especiais, criamos a lista dos Maiores Malas de 2013. Queremos agradecer à equipe de especialistas que nos ajudou a chegar a esses nomes que trouxeram diversão e arte ao Brasil. Vamos a eles:

feliciano

Marco Feliciano

O deputado pastor chamou atenção para uma comissão que ninguém sabia que existia, mas pelas razões erradas. Homofóbico, obtuso, oportunista, vaidoso, simonista, ele saiu da obscuridade para a obscuridade. Faz chapinha e canta. Firmou-se como a nova estrela da direita evangélica e da Teologia da Prosperidade, uma seita que usa a Bíblia para justificar que enriquecer é divino, especialmente roubando o dinheiro dos fieis. Começou o ano dizendo que o continente africano era amaldiçoado e terminou declarando que Mandela “implantou a cultura da morte” na África do Sul por causa das leis do aborto. Ainda teve tempo de pedir, num culto, um carro para a filha, na maior cara de pau. Foi atendido por Jesus, na pessoa de um pobre coitado que lhe presenteou com o carro da mulher.

Um problema nacional

Joaquim Barbosa

Com sua eterna dor nas costas (por que não se trata?), o presidente do STF foi um espetáculo de arrogância, hipocrisia e sede de vingança. Pegou avião da FAB para ver jogo no Maracanã no camarote de Luciano Huck, chefe de seu filho; comprou apartamento em Miami em circunstâncias mal explicadas; pediu cabeça de repórter; o diabo. Além de tudo, JB é o tipo de sujeito que se compraz com o sofrimento de suas vítimas. Na definição precisa do jurista Celso Bandeira de Mello, professor da PUC há 40 anos: “É um homem mau, com pouco sentimento humano.” É um homem mau.

eike

Eike Batista

O homem mais rico do Brasil era uma bolha e explodiu. Foi uma falência espetacular, depois de anos prometendo entregar o que não existia — tudo emoldurado por frases de efeito de “vencedor”, fotos do Porsche na sala de estar e aquela indefectível peruca italiana. Sua fortuna derreteu de estimados 10 bilhões de dólares para 73 milhões. Há algumas semanas, saiu para jantar com Ronaldo Fenômeno e alguns amigos e o pessoal fez questão de pagar a conta. A Forbes o comparou ao Rei do Camarote.

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Rei do Camarote

Alexander Augusto de Almeida foi apresentado ao mundo pela Veja São Paulo. Ele contava que tinha uma Ferrari e gastava até 50 mil reais numa balada. Tudo lindo. Mas de onde vinha esse dinheiro todo? Alexander é um zangão do Detran, que trabalha para os bancos ferrando as pessoas que não conseguem pagar as prestações do carro. Devia 55 mil reais de IPTU. Alçado à condição de subcelebridade, deu entrevistas na televisão, protagonizou um vídeo que se tornou viral e já voltou à condição de babaca anônimo.

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Justin Bieber

A criança mais chata do showbizz veio ao Brasil “cantar” para fãs que dormiram em barracas montadas na fila dos ingressos. Foi a um lupanar no Rio de Janeiro, fez xixi na rua, dormiu com uma garota de programa que depois fez um vídeo, pichou o muro enquanto os seguranças olhavam, saiu do hotel onde estava hospedado porque não deixaram que ele brincasse de submarino na piscina. Na Argentina, limpou o chão com a bandeira do país e foi declarado persona non grata. A boa notícia é que avisou que vai se aposentar. A má é que é mentira.

Ele

Lobão

Depois de lançar o livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, o músico aderiu às hostes de Olavo de Carvalho e descobriu que o Brasil é uma ditadura comunista-chavista-gayzista dominada pelas FARCs. Trocou a obsessão por Herbert Vianna, a quem reputava ter arruinado sua carreira, por Lula, Dilma e o PT. Mente descaradamente, como quando falou que passou onze anos numa lista negra do “doutor” Roberto Marinho na Globo. Ganhou uma coluna na Veja e ainda vai dar muito trabalho para si mesmo.

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Danilo Gentili

O ex-comediante teve um ano inesquecível. Não fez uma piada decente, um esquete divertido, uma tirada inteligente, mas conseguiu ofender negros, homossexuais e uma mulher que doava leite para hospitais. Quando é processado, reage dizendo que é perseguido pelo governo e que foi censurado. A única censura real que teve foi em sua emissora, que vetou seu especial de fim de ano, mas sobre isso ele corajosamente se cala. Diz que seu humor débil mental e covarde é politicamente incorreto — não é, é apenas débil mental e covarde. Seu último grande lance foi chamar uma moça que o criticou de “puta” no Twitter e insuflar seus seguidores para que a linchassem. Gosta de plantar notinhas sobre supostos convites de outras emissoras. Um bom nome para substituir Regina Cazé no “Esquenta”.

pm

A polícia nas manifestações

Sem treino, sem estratégia, sem paciência, sem noção, mas com muita vontade de partir para a porrada, a polícia de todos os estados deu demonstrações de que não tem a menor condição de lidar com protestos como os ocorridos a partir de junho. Fotógrafos cegos com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, cacetadas em casais sentados em bares — essa foi a língua utilizada pela PM para dialogar com os manifestantes. A violência foi útil para levantar a discussão acerca da desmilitarização da força policial. Gente de todas as esferas deu sua opinião. Especialistas do Brasil e de fora discutiram o tema. Como era de se esperar, não deu em nada.

Inútil

Roger do Ultraje

Veja Danilo Gentili.

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Miley Cyrus

Ela cresceu, não é mais a Hannah Montana e quer muito que as pessoas saibam disso. Muito. E entseguiu o script de Britney Spears e outros antigos ídolos teens: pirou. Fez um clipe nua balançando numa bola de ferro, lambeu um martelo (!?), se apresentou num prêmio da MTV se esfregando no cantor Robin Thicke. Como presente de Natal para os fãs, tirou uma foto de topless agradecendo a Nova York por ser um dos “poucos estados a libertar o mamilo”.

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Roberto Carlos

O Rei proibiu um livro sobre a Jovem Guarda porque não gostou das ilustrações, mas aquele era só o prenúncio do que viria. Mentor do grupo Procure Saber, que lutou pela não autorização das biografias não-autorizadas, RC acabou dando um nó em seus colegas de MPM ao aparecer no “Fantástico” todo pimpão numa postura aparentemente mais moderada. Destituiu Paula Lavigne, colocou no lugar o advogado dele, Kakay, e levou a briga para os corredores escuros de Brasília. A boa notícia é que, neste ano, não lançou nenhuma canção nova. “Esse Cara Sou Eu” manterá preenchida sua cota de porcarias por mais alguns anos.

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Os jurados do The Voice

Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Lulu Santos e Daniel são a hidra de quatro cabeças do novo sucesso da Globo, o programa de calouros “The Voice”. Eles são jurados e técnicos dos rapazes e moças que tentam a sorte cantando como Christina Aguilera — o chamado oversinging, com muito vibrato, inventando notas onde elas não existem e fingindo que aquilo é feeling. Todos os juízes se amam e se completam: Claudia Leitte é a boazinha; Daniel é o bocó; Lulu é o professor; Brown é o Brown. Se a música brasileira estava sob a ameaça do sertanejo, do funk e do pagode, a situação complicou de vez com a ajuda do quarteto.

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Dinho Ouro Preto

Recordemos o discurso imortal do nosso tiozinho no Rock In Rio: “Vamos usar a cabeça, cara. Esse Natan Donadon, esse cara, nosso primeiro presidiário congressista, cara. O próprio Congresso, cara, por ter mantido o cargo desse sujeito, falou, cara. Então, cara, cada um de vocês pode fechar os olhos de vocês, cara, e escolher o seu preferido, cara, eu prefiro, cara, dedicar ao parlamento brasileiro pelo conjunto da obra. Tá ligado, véio (aeee!). Eu tenho a seguinte impressão, cara, quando neguinho olha lá de cima, de Brasília, para o resto do Brasil, cara, olha para baixo, cara, para a planície, eles olham 200 milhões de cidadãos assim, ó. (Coloca um nariz de palhaço). Essa aqui é pra Brasília, essa aqui se chama Saquear Brasília, e vai assim, cara”. Dito isto, cremos ter dito tudo.

Os Perrellas

Os Perrellas

Aliados de Aécio em Minas, amigos torcedores do candidato do PSDB à presidência, o senador Zezé Perrella e seu filho, o deputado estadual Gustavo, estão entre as maiores fortunas do estado. Gustavo tinha sob seu nome o helicóptero apreendido com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo. Ele contratou o piloto, que era funcionário da Assembleia Legislativa. É óbvio que nenhum deles sabia de nada. Como poderiam saber, é ou não é? O delegado da Polícia Federal responsável pela apreensão já descartou a participação dos Perrellas — sobrenome, aliás, “emprestado” da família de imigrantes italianos cujo frigorifico Zezé comprou nos anos 70.

serrabebeu

José Serra

O Careca continua causando. Fez que ia mudar de partido, desistiu, acabou ficando no PSDB. Já avisou que desistiu de concorrer à presidência. Os “amigos” tentam convencê-lo a sair para deputado federal. Com o escândalo do metrô em São Paulo, sua antiga imagem de “bom gerente” — seja lá o que isso queria dizer — também foi para o ralo. Um annus horribilis para JS, a mala eterna do PSDB. De uma coisa podemos estar certos: os artigos de fundo perpetrados por uma das cabeças mais brilhantes de sua geração continuarão sendo publicados no “Estadão”.

FLUMINENSE X GUARANI

O Fluminense e o STJD

A campanha medíocre do time carioca foi salva no tapetão pelo STJD, que atirou a Portuguesa à série B. Foi o desfecho fúnebre de um campeonato desorganizado e suspeito, com cenas de guerra civil nos estádios. Com a decisão, o STJD ajudou o Flu a se tornar o time mais odiado do Brasil. Torcedores foram hostilizados nas ruas. O atacante Rafael Sobis foi xingado no Galeão. O ano que vem promete para o Tricolor carioca.

Ela

Rachel Sheherazade

A musa neoconservadora bíblica bateu em toda e qualquer ameaça à família e aos bons costumes: em gays, em “abortistas”, na legalização da maconha no Uruguai, nos “arruaceiros” que invadiram os shoppings, nos índios, nos “liberais”, no Mais Médicos, no Genoíno etc. O único poupado em suas catilinárias é Joaquim Barbosa, chamado por ela de “Paladino da Justiça”. Deu também conselhos para o papa sobre como modernizar a Igreja. Rachel sabe de tudo. É a prova viva da grande máxima de Bertrand Russell: “O problema com o mundo é que os idiotas são cheios de certeza e os sábios cheios de dúvidas.”

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As atrizes da Globo em luto pelo Brasil

Parece que a ideia foi da atriz Bárbara Paz. Como deu errado e virou motivo de piada no país inteiro, a ideia ficou órfã. Mas foi o seguinte: ela e suas colegas de novela ficaram chateadas por causa dos embargos infringentes. Bárbara, Carol Castro, Rosamaria Murtinho, Nathalia Timberg e Susana Vieira, então, se vestiram de preto, fizeram uma cara entre a indignação, o banzo e a constipação, mandaram o office boy tirar fotos e as postaram no Instagram. Em minutos várias versões surgiram na Internet, muito melhores que as originais — e mais fieis à fanfarronice que elas perpetraram.

selfie

Pessoas que fazem fotos de comida e selfies no Instagram

Parem. Apenas parem.

Referendo na Suíça votará renda mínima até para desempregados

Defensores do projeto espalharam 8 milhões de moedas diante do Parlamento suíço, em Berna
Defensores do projeto espalharam 8 milhões de moedas diante do Parlamento suíço, em Berna
O texto abaixo foi publicado na BBC Brasil.
A Suíça, um dos países mais ricos do mundo, está engajada em um processo intenso de exame de consciência. O motivo? Dinheiro.
Só neste ano foram realizados dois referendos nacionais sobre a redução de salários de grandes executivos, um dos quais aprovou limites para os tamanhos dos bônus que eles recebem.
Agora, duas novas propostas de referendos estão sendo avaliadas. A primeira diz respeito à introdução de um salário mínino; e a segunda, mais polêmica, é sobre a garantia de uma renda básica universal, que pode chegar a 2.500 francos suíços (R$ 6,6 mil) por mês para todos os residentes legais do país, trabalhadores ou desempregados.
A ideia de uma renda básica universal pode parecer radical, mas não é nova. Thomas More já havia feito essa proposta em seu livro Utopia, do século 16.
Para o suíço Enno Schmidt, um forte defensor da renda universal, o país é o lugar perfeito e 2013 e a hora certa para lançar uma campanha do tipo.
“A Suíça é o único lugar na Europa, e talvez no mundo, onde as pessoas têm o direito de fazer algo se tornar realidade por meio da democracia direta”, diz.
O sistema de democracia direta significa, por exemplo, que, se quisessem, os suíços poderiam votar para obter cerveja de graça. Para realizar um referendo popular, basta reunir 100 mil assinaturas. Feita a votação, o resultado deve ser automaticamente aplicado.
O debate sobre salários e sobre a justiça desses pagamentos foi inflamado no país quando veio à tona a notícia de que muitos de seus bancos, como o UBS, continuaram pagando altos bônus a seus maiores executivos, enquanto a instituição em si amargava grandes prejuízos.
Diante isso, não foi difícil reunir 100 mil assinaturas para levar o referendo sobre a renda universal adiante, e se espera que o governo anuncie em breve a data da votação.
Alguns empresários suíços não gostaram da ideia e a apelidaram de “terra feliz”, inferindo que a proposta seria produto de uma geração mais jovem, que nunca experimentou uma grande recessão econômica ou onda de desemprego.
Muitos também sugeriram que a proposta pode desestimular as pessoas de trabalhar, algo que pode ser um problemas para empresas suíças que já enfrentam dificuldades para recrutar funcionários.
Schmidt nega que isso possa acontecer, alegando que o valor da renda mal daria para se sustentar. Ele afirma ainda que uma sociedade em que as pessoas trabalham somente porque precisam ganhar dinheiro “não é melhor do que um sistema de escravidão”.
Ele argumenta que a renda universal daria às pessoas mais liberdade para decidir o que querem fazer.
“A lógica não é a de que as pessoas vão trabalhar menos. As pessoas serão mais livres para decidir se trabalham mais ou menos.”
Este argumento encontrou muito entusiastas entre o eleitorado jovem. Eles lançaram uma campanha curiosa, reunindo 8 milhões de moedas de cinco centavos que viajaram o país, como um símbolo de que a Suíça pode arcar com uma renda universal para seus 8 milhões de habitantes.
Che Wagner apoia a ideia. Aos 25 anos, ele é estudante da Universidade de Zurique e trabalha para um empresa que entrega pizzas.
“Eu tenho uma filha”, diz. “E claro que faço tudo por ela, mas é uma luta. Eu tenho que trabalhar para vivermos com certo conforto.”
“Eu acho que com uma renda básica eu ainda teria de trabalhar, mas também poderia dizer de vez em quando: vou passar uma semana com minha filha.”
E quando Wagner e seus colegas despejaram as moedas diante do Parlamento suíço, em Berna, os políticos que lá estavam não ignoraram a campanha.
“A ideia faz um pouco de sentido”, diz Luzi Stamm, parlamentar de direita do Partido Popular da Suíça. Mas, segundo ele, seria arriscado para a Suíça colocar em prática essa proposta. “Fazer isso em um país rico e com suas fronteiras abertas seria suicídio.”
No entanto, no espectro político da esquerda, o economista e ex-parlamentar social-democrata Rudolf Strahm apoia a ideia de um salário mínimo. Ele, no entanto, se diz contra uma renda universal, por acreditar que ela mina a tradicional ética trabalhista do país.
“Não haverá nem incentivos para os jovens aprenderem uma profissão ou estudarem.”
Mas de quanto deveria ser esse salário?
Ninguém está sugerindo valores exatos. Mas apesar de não estar sendo muito debatido se a Suíça pode bancar essa renda, parece haver um consenso de que, financeiramente, o esquema é totalmente possível.
Impostos não necessariamente teriam de ser reajustados, mas poderia haver um aumento entre 20% e 30% em taxas que recaem sobre os salários.
Segundo os líderes da campanha, a longo prazo, poderia haver inclusive economia de dinheiro, porque a renda universal substituiria benefícios sociais já em vigor.
No entanto, a principal motivação por trás da campanha não é econômica, mas, sim, cultural – é uma tentativa de fazer as pessoas pensarem mais sobre a natureza da vida e do trabalho.
Wagner afirma que esse debate pode deixar algumas pessoas desconfortáveis, por apresentar possibilidades que até então eram inimagináveis.
“A ideia é chegar a uma questão pessoal: o que você está fazendo com a sua vida, é realmente isso que você quer?”

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

retrospectiva miriam leitão


Como mostrar ao povo a origem da corrupção se a oligarquia controla a mídia?

Por Luiz Carlos Azenha e Padu Palmério
Sobre o julgamento do mensalão, na entrevista exclusiva ao Viomundo o jurista Fábio Konder Comparato fez a pergunta que está no título deste post. E os corruptores?
Para ele, a Justiça brasileira é a justiça dos ricos. Exemplo?
Comparato aguarda uma decisão do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que foi instado por ele a provocar no Supremo Tribunal Federal uma decisão a respeito da condenação, imposta pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, à Lei de Anistia.
O Brasil foi condenado nessa decisão pelo desaparecimento das pessoas que participaram da Guerrilha do Araguaia e, portanto, pela violação dos direitos ao reconhecimento da personalidade jurídica (artigo 3º), à vida (artigo 4º), à integridade pessoal (artigo 5º) e à liberdade pessoal (artigo 7º), bem como pela violação dos direitos às garantias judiciais (artigo 8º) e à proteção judicial (artigo 25º), em decorrência da leitura interpretativa dada à Lei da Anistia, que impediu a investigação dos fatos e a punição dos responsáveis pelas condutas indicadas, e da lentidão na tramitação da Ação Ordinária n° 82.0024682-5.
Aparentemente, as violações das disposições da Convenção Americana sobre Direitos Humanos ocorreram, e a Corte determinou, com louvor, que o Estado deve adotar medidas para determinar o paradeiro das vítimas desaparecidas e, se for o caso, identificar os seus restos mortais e oferecer tratamento psicológico ou psiquiátrico às vítimas, mediante requerimento, custeado pelo Estado. Além disso, determinou-se ainda a publicação da íntegra da decisão no Diário Oficial e em um sítio eletrônico do Estado, devendo ficar disponível na internet pelo período de um ano. A decisão deve ser disponibilizada, em formato de um livro eletrônico, também em um sítio do Estado. O resumo oficial da sentença proferida pela Corte deve ser publicado em um jornal de ampla circulação nacional. Essas providências de divulgação da sentença devem ser adotadas no prazo de seis meses, contados da data de notificação do Estado.
[...]
O Estado deve, ainda, adotar, em um prazo razoável, providências para tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoas, em conformidade com os parâmetros fixados pela sentença. Enquanto isso não for cumprido, ele deve adotar medidas para o julgamento e a punição dos responsáveis pelos fatos, utilizando os mecanismos já existentes no direito brasileiro.
No caso acima citado, Comparato acredita que a pressão política dos empresários será intensa, já que a revisão da Lei de Anistia poderia significar que alguns deles, financiadores da ditadura militar e da tortura, poderiam eventualmente ser punidos.

Afinal, quem é que doou grandes quantias para financiar a repressão?
Quem é que emprestou veículos para as campanas da Operação Bandeirantes, que operava o maior centro de torturas do Brasil?
Neste caso, sabemos que foi a Folha de S. Paulo (acima, um dos veículos queimados em retaliação dos guerrilheiros).
[Para saber quem fez o papel de cão de guarda da ditadura militar, clique aqui].
[Para saber mais sobre a Folha e a ditadura, clique aqui. Ou aqui. E também aqui].
Aliás, Fábio Konder Comparato contou, depois da entrevista, que perdeu nas duas instâncias a ação que moveu contra o jornal, por danos morais, depois do famoso episódio da “ditabranda”.
Relembrando algo que publicamos na época:
REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitraria e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiros que lutaram pela redemocratização do país. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota da Redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.
Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.
Pois bem, enquanto a Justiça brasileira protege o andar de cima — será que a Folha convocou algum desembargador para representá-la na segunda instância? –, condena os pobres ao encarceramento em massa:
Mas, para não terminar numa nota pessimista, perguntei a Comparato o que ele achava das recentes manifestações populares no Brasil.
Teriam sido um sinal de que o povo está abandonando a passividade?

O Brasil seria um país muito melhor se Jango não tivesse sido derrubado

Pobre Jango
Pobre Jango
João Goulart, reabilitado enfim, foi um presidente acidental.
Jango era vice de Jânio quando este renunciou, em 1961. Não pertenciam à mesma chapa, curiosamente. Naqueles dias, você podia votar num presidente numa chapa e num vice numa outra.
Jango, uma espécie de filho de Getúlio, teve mais votos que o vice de Jânio, Mílton Campos.
O vínculo com Getúlio, e portanto com o sindicalismo, fez de Jango um objeto imediato de sabotagem da direita brasileira.
Jango estava em visita à China quando Jânio renunciou, provavelmente com o objeto de voltar com mais força.
Os militares tramaram para que ele não assumisse. Não conseguiram isso. Mas deram um jeito de diminuir-lhe o poder. Impuseram um regime parlamentarista que cortava as unhas de Jango no poder.
A gambiarra não funcionou, e em 1963 um plebiscito devolveu a Jango os poderes do regime presidencialista.
Recrudesceu então a caça direitista que culminaria em sua deposição, em abril de 1964.
Jango tinha contra ele muita coisa: a elite civil, ciosa da preservação de privilégios que o presidente pretendia reduzir com ações como uma reforma agrária e um aumento no imposto dos ricos. A imprensa, sempre ela, na vanguarda do atraso, agredia-o selvagemente: Lacerda, os Mesquitas, Roberto Marinho estavam na primeira fila entre os golpistas.
Militares anticomunistas viam nele um fantasma a ser abatido. E, se não bastasse isso tudo, os Estados Unidos queriam repetir no Brasil o que já tinham feito na Guatemala, nos anos 1950: derrubar um governo popular e colocar gente subserseviente a seus interesses econômicos.
Tudo isso foi demais para Jango.
No final de março de 1964, ele soube que unidades do Exército estavam marchando para o Rio, então sede do governo, para depô-lo.
Como último recurso, ele ligou para o general Amaury Kruel, chefe do Exército em São Paulo. Se São Paulo não aderisse ao levante, este fracassaria.
A conversa que Jango e Kruel travaram mostra a integridade da alma de Jango. Kruel disse que ficaria a seu lado desde que ele rompesse com a CGT, central sindical.
Jango disse que isso, romper com os sindicatos, ele jamais faria. Ali ele acabava como presidente.
Assessores seus como Darcy Ribeiro queriam que ele resistisse. Seu cunhado Leonel Brizola também insistia na resistência.
Jango achou que, sem apoio militar, haveria uma carnificina. Monitorado por espiões americanos, foi visto se encaminhando no carro presidencial para o aeroporto. Mas no meio do caminho voltou ao Palácio das Laranjeiras.
Depois, acabou indo para o aeroporto. Voou para Brasília, mas sem que a viagem tivesse nenhuma consequência prática. De lá, nos primeiros dias de abril, partiu para o Uruguai, um destino comum, então, para perseguidos políticos.
Era um homem discreto. Um tombo de cavalo tornara-o manco. Chamava particularmente a atenção quando estava acompanhado de sua mulher, Maria Thereza, provavelmente a mais linda primeira dama da história do Brasil. A renúncia de Jango não impediu que jorrasse sangue numa ditadura que acabaria durando mais de vinte anos.
É curioso notar como agiram personagens que posteriormente, e ainda agora, teriam imenso relevo.
Em seu excelente livro De Castelo a Tancredo, o brasilianista Thomas Skidmore fala extensamente de Delfim. Delfim, jovem prodígio na época do golpe, seria o grande nome da economia na ditadura e depois se tornaria um interlocutor contumaz de Lula.
Delfim disse, pouco tempo depois da queda de Jango, que a “Revolução” – como a direita chamava o golpe – fora uma “unanimidade nacional”. O povo, segundo Delfim, clamava pela queda de Jango. Roberto Marinho, no Globo, repetiria isso exaustivamente.
Pobre povo, usado tão desonestamente para justificar horrores como a ditadura militar brasileira. Pobre Jango, escorraçado do poder por forças interessadas em manter esse povo sob uma coleira – ao mesmo tempo em que acumula moedas, e moedas, e moedas.

sábado, 14 de dezembro de 2013

"A tortura continua existindo no País", diz Dilma

Em cerimônia marcada por protestos contra a violência do Estado, presidenta lembrou da tortura na ditadura e foi cobrada pela desmilitarização polícia
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff e Nilmário Miranda Fernandes
Presidenta Dilma Rousseff cumprimenta o deputado Nilmário Miranda Fernandes, vencedor na categoria "enfrentamento à tortura" durante cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2013
A presidenta afirmou que seu governo está empenhado em garantir “condições para que a Constituição, que proíbe qualquer cidadão de ser submetido à tortura ou a tratamento desumano, seja respeitada”. “Esta é a razão para celebrarmos a regulamentação da lei que instituiu o sistema nacional de prevenção e combate à tortura. O Estado brasileiro não aceita nem aceitará práticas de tortura contra qualquer cidadão."
A cerimônia foi marcada pela entrega de 25 prêmios a personalidades, como Maria da Penha, cuja história de violência doméstica deu origem à legislação que protege mulheres da mês; o jornalista André Caramante, que sofreu ameaças depois de denunciar a existência de grupos de extermínio constituídos por policiais e ex-policias; e Debora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio. A fala de Dilma foi acompanhada quase todo o tempo por frases de protestos como “Chega de alegria, a polícia mata gente todo dia” e “Não acabou, tem que acabar, quero o fim da Polícia Militar”, proferidas por manifestantes que estavam entre os cerca de 2 mil presentes no auditório principal do Centro Internacional de Convenções do Brasil.
O discurso de Dilma foi feito logo depois da fala de Debora Maria da Silva, cuja rede de mães, famílias e amigos de vítimas milita contra a violência do Estado, em especial aquela cometida por agentes de segurança pública de São Paulo. “A voz dessa mãe é a voz das mães das vítimas do Estado brasileiro. Não é uma mera coincidência eu receber esse troféu que não é nosso, mas sim de todas as vítimas do Estado brasileiro, da mão do ministro da Justiça. Essa justiça que não aparece para nós pobres, negros, periféricos”, proclamou antes de ser aplaudida. “Quando a gente tem democracia com a polícia militarizada temos uma falsa democracia. A gente comemora o fim da ditadura, mas esqueceram de avisar para a polícia que a ditadura acabou.”
O evento, organizado pela Secretaria de Direitos Humanos, teve tom de comício de campanha eleitoral durante a fala inicial da ministra Maria do Rosário. “Antes mesmo do nosso governo, através do presidente Lula dissémos ao mundo que a lógica do Estado mínimo, que naturaliza a pobreza e a exclusão, a morte e a violência, não servem aos povos e não servia ao povo brasileiro. Hoje somos milhões vivendo uma nova realidade”, relembrou.
Dilma citou o líder antiapartheid Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul morto na semana passada, e defendeu as políticas do governo petista. “Falar do Mandela nos lembra valores como tolerância e pluralismo, nos compromete com a construção de uma sociedade livre com todas as formas de violência”, disse. Dilma frisou a importância de políticas afirmativas para enfrentar preconceitos e desigualdades que marcam a sociedade brasileira. “Estamos construindo um Brasil onde os direitos humanos estejam garantidos, onde a tolerância seja regra, onde o respeito ao principio da vida seja básico e fundamental.”

Como é que empresa devedora da Receita renova uma concessão pública ?



2002: A Globo Sonega os Impostos Referentes à Copa do Mundo
2006: A Globo Recebe Multa da Receita Federal, e fica devendo mais de 600 Milhões aos Cofres Públicos
Janeiro de 2007: O Processo da Receita Misteriosamente, Desaparece!
Outubro de 2007: A Globo Renova Sua Concessão Pública, com um CNPJ diferente do qual estava devendo à Receita Federal!!
2013: Somente Agora Estas Informações foram Vazadas, e Contamos com VOCÊ para divulgar: A CONCESSÃO DA GLOBO É ILEGAL, pois foi renovada em 2007 por uma empresa devendo desde 2002 !

Como pode uma Concessão Ilegal Ficar Tanto Tempo na Ativa? Por Que Ninguém, Ninguém, Ninguém fala nada disso ????

O caso do IPTU de SP mostra como é duro fazer coisas pelos pobres no Brasil

Não é fácil
Não é fácil
É difícil fazer coisas para os pobres no Brasil.
O 1% não gosta. Não deixa.
Getúlio criou as leis trabalhistas. Impediu a exploração de menores pelas empresas. Estabeleceu férias. Tornou secreto o voto, o que acabou com a farra dos patrões que acompanhavam seus funcionários na cabine eleitoral para checar se eles escolhiam quem era para eles escolherem. Fora isso, GV estendeu o voto às mulheres.
Getúlio terminou morto.
Jango, como ministro do Trabalho de GV, no começo dos anos 1950, acabou com a prática segundo a qual greve era coisa de polícia. Obrigou as empresas a negociar com os sindicatos em caso de confronto.
Mais tarde, como presidente, criou o 13.o salário, tratado pelo Globo numa manchete antológica como um grave risco ao país.
Jango terminou deposto.
As coisas não mudaram tanto assim.
Veja, por exemplo, o “IPTU dos Pobres”, que Haddad vem tentando com imensas dificuldades emplacar em São Paulo.
Os moradores dos 25 bairros mais pobres de São Paulo pagariam menos IPTU. No Parque do Carmo, por exemplo, o imposto se reduziria em 12%.
Os moradores dos bairros mais “nobres” pagariam mais pela excelente razão de que podem mais.
Mas quem tem voz não são as pessoas da periferia. São os privilegiados.
E então começou uma monstruosa resistência contra o IPTU dos Pobres. A Justiça de SP, absolutamente alinhada aos privilegiados, acabou vetando o projeto.
Agora a prefeitura deve recorrer ao STF.
Mas um momento: como você espera que vai votar Gilmar Mendes, classificado pela jornalista Eliane Cantanhede, num perfil bajulador escrito tempos atrás para uma revista da Folha, como “muito tucano”?
Ou Joaquim Barbosa? Ou Fux?
Com quem eles estão? Com os desvalidos? Bem, pausa para gargalhadas.
O ponto positivo, aí, é a insistência de Haddad. Você não faz nada pelos desvalidos sem lutar, lutar e ainda lutar contra grupos extraordinariamente acostumados a mamatas do Estado.
Por coisas assim, considero o Mais Médicos a coisa mais importante deste ano. Como sempre, houve uma reação formidável contra o projeto.
Médicos que jamais iriam pensar em trabalhar em cidadezinhas remotas se ergueram contra o programa.
A mídia corporativa fez seu habitual papel abjeto de defensora dos privilégios, e não do interesse público. Lideranças médicas infestaram as páginas de jornais e revistas para tentar matar o Mais Médicos.
Mas o governo – ao contrário de outras ocasiões, em que hesitou diante da resistência conservadora – foi adiante.
Os médicos cubanos hoje são amados pelos desvalidos brasileiros. Não apenas eles têm alguém que os atenda mas também se sentem queridos pelos médicos cubanos, um sentimento jamais despertado pelos doutores brasileiros, subtraídas as exceções de sempre.
Não.
Não é fácil ajudar os pobres no Brasil.
Torço, daqui de meu canto, para que o IPTU dos Pobres afinal triunfe, ainda que todas as probabilidades apontem para a direção oposta.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AÉCIO CRITICA "ATIVISMO" DO STF E DEFENDE DOAÇÕES