quinta-feira, 17 de junho de 2010


Nada justifica a alta concentração da riqueza !
Por João Pedro Stedile

A sociedade brasileira é uma das mais injustas e desiguais do planeta. Em termos estatísticos perdemos para poucos. Somos um povo trabalhador. Produzimos muitas riquezas. No período de 1930-1980, fomos a economia que mais cresceu, em média. Vivemos num território que, provavelmente, seja o mais pródigo em riquezas naturais do mundo. Temos todos os climas e biomas. Estamos construindo uma civilização caracterizada pela mescla de culturas e povos originários da Ásia, Europa e África, com os nativos deste território. Não há sociedade similar que tenha se constituído com tamanha diversidade.

Como diz a piada sobre a criação do universo, até os anjos reclamaram dos privilégios que teríamos recebido. Aos quais, Deus teria justificado que, em troca teríamos os piores governos do planeta... E parece que os desígnios divinos se realizaram, porque nesses 500 anos de Brasil foram raros os períodos de democracia e de governos comprometidos com os interesses da população.
E com tantas riquezas naturais e um povo tão batalhador nossa sociedade ainda sofre muitas mazelas inaceitáveis.

Nada justifica a elevada concentração da riqueza, da propriedade dos bens e da renda, que beneficiam apenas os 10% mais ricos. E essa concentração de renda e riqueza continua crescendo, como parte da lógica perversa do sistema econômico. O governo Lula contribuiu para distribuir melhor a renda entre os que vivem do trabalho. Mas, na distribuição da riqueza total produzida na sociedade, o capital aumenta a cada dia sua parcela em detrimento dos rendimentos do trabalho, que nunca estiveram tão baixos, como agora. Melhoramos muito as oportunidades de emprego, em relação ao período neoliberal, mas ainda apenas 50% dos trabalhadores têm carteira assinada e seus direitos sociais e previdenciários garantidos.

Nossa economia é cada vez mais dependente do exterior e do capital financeiro. O Estado brasileiro transformou-se no acumulador da poupança nacional e repassa todos os anos mais de 250 bilhões de reais (25% de toda a receita) na forma de juros ao sistema financeiro, com as inaceitáveis teses de superávit primário, que nenhum país desenvolvido pratica. O povão compra tudo a prestação, iludindo-se com um poder de compra sem renda suficiente e paga duas vezes. Uma para a loja e outra para o sistema financeiro, com as maiores taxas de juro do mundo, que em media chegam a 48% ao ano. O capital estrangeiro vem aqui nos explorar e reenvia seus lucros livremente.

Temos uma dependência tecnológica. Investimos uma ninharia em pesquisa e tecnologia. O capital internacional controla nossas riquezas naturais: minérios (basta saber que 52% dos acionistas da poderosa Vale, agora moram no exterior), água, hidrelétricas, petróleo (ao redor de 30% dos acionistas da Petrobras são estrangeiros) e ultimamente até o setor sucroalcooleiro se desnacionalizou, em 33%, em apenas três anos.

É mais importante, até por administrar maior volume de recursos, hoje, ser presidente da espanhola Telefónica do que ser prefeito da cidade de São Paulo. Nossa burguesia, como advertira o saudoso Florestan Fernandes, abandonou há tempos a proposta de um projeto de desenvolvimento nacional, mesmo capitalista. É uma lúmpen-burguesia, que se contenta em superexplorar seu povo para repartir as taxas do lucro com o capital internacional. Agora cada vez mais controlado pelo capital financeiro e pelas grandes corporações globalizadas.

Os índices de concentração da propriedade da terra, um bem da natureza que deveria estar a serviço de todos, nunca estiveram tão concentrados. O último Censo Agropecuário do IBGE revelou que a concentração fundiária em 2006 é maior do que em 1920, quando havíamos recém-saído da escravidão e que se praticava quase um monopólio da propriedade da terra. A produção agrícola está cada vez mais baseada na monocultura, no uso intensivo de venenos e na expulsão da mão de obra do campo. Nos transformamos no maior consumidor mundial de venenos agrícolas, que destroem a natureza, desequilibram o meio ambiente e contaminam os alimentos que todos comemos.

As grandes cidades se transformaram em conglomerados humanos, onde os problemas só aumentam em termos de transporte público, habitação e meio ambiente. Temos um déficit de mais de 10 milhões de moradias. Ou seja, temos 10 milhões de famílias (!!!) que vivem em condições subumanas, insalubres, ainda penduradas em morros e mangues, como denunciava nosso querido Lupicinio Rodrigues. Por causa disso, somos, talvez, um dos poucos países onde se morre “de chuva!” E não é por falta de cimento, areia, tijolo ou pedreiros. O programa Minha Casa Minha Vida, que previa a construção de 1 milhão de moradias, esgotou as inscrições em apenas uma semana.

O transporte público é uma vergonha. E a imprensa, porta-voz dos interesses das empresas automobilísticas, orgulha-se dos recordes de vendas. A média de tempo perdido para ir ao trabalho aumenta a cada dia, em condições cada vez piores. Com um custo social impressionante. O transporte individual e poluente como temos só beneficia meia dúzia de empresas transnacionais, não o povo!

Na educação, vivemos uma tragédia. Aumentamos as vagas para o ensino fundamental e secundário, alcançando quase a universalização. Mas a qualidade desse ensino é vergonhosa. Que o digam os analistas das provas de vestibulares, sobre o nível de conhecimento dos que querem entrar na universidade. E aí, apesar dos esforços inéditos do governo Lula, que quase duplicou as vagas, apenas 10% de nossa juventude pode ingressar no ensino superior.

Não há nenhuma razão para isso. Sociedades com economias mais pobres, como a Coreia do Sul, colocam 97% de sua juventude na universidade e formam mais de 200 mil engenheiros por ano. A Bolívia, economia mais pobre do continente, garante 65% de seus jovens na universidade. E nós? Quantos engenheiros e médicos formamos? Temos mais de 500 municípios sem médicos, até na Grande São Paulo. Há mais jovens negros brasileiros estudando Medicina em Cuba, pela generosidade daquele povo, do que em todas as faculdades do Brasil. Temos também uma dívida com a população mais pobre. Cerca de 16 milhões de trabalhadores adultos não sabem ler e escrever. E ninguém faz nada para ajudá-los. Precisamos urgente de uma campanha nacional, como sonhara Paulo Freire, uma verdadeira guerra cívica de ajuda aos nossos irmãos cegos das letras. Os programas atuais são ridículos.

Padecemos de outro mal, sempre escondido da opinião pública. A concentração da propriedade dos meios de comunicação. Meia dúzia de grupos econômicos controlam toda informação que circula nas televisões, revistas semanais e jornalões. Paulo Henrique Amorim, com toda a sua experiência, adverte que com três telefonemas se decide qual será a principal informação que todos os brasileiros terão de ler ou de ser “manipulados” na semana. Isto é uma vergonha! (que nunca foi denunciada nem pelo jornalista que tem raiva de garis...). A informação deixou de ser um direito público, como determina a Constituição, e passou a ter uma dupla face. De um lado, é fonte de lucro e enriquecimento abastecido por polpudas verbas do dinheiro público. E, de outro, a mídia transformou-se no grande partido de reprodução da ideologia da classe dominante insensível aos problemas do povo.

Sabe-se que as raízes de todos esses problemas são estruturais e do modelo econômico adotado. Primeiro, foi o modelo agroexportador no período colonial. Depois, ao longo do século XX, implantamos uma industrialização dependente do capital estrangeiro. E agora somos reféns do capital financeiro internacional.
Segundo, tivemos quase sempre governos servis, subalternos aos interesses econômicos estrangeiros. Mesmo o governo Lula conseguiu apenas em parte frear as políticas neoliberais e ajudou a distribuir o bolo entre os mais pobres. Mas, por sua composição de classe e partidos, não teve força suficiente para enfrentar os problemas estruturais da sociedade brasileira.

Esses problemas são graves e tendem a se agravar mais ainda. Nos movimentos sociais, acreditamos que eles serão resolvidos somente quando tivermos em nosso país uma conjugação de forças populares, que se mobilizem em aliança com um governo popular. E assim se façam as mudanças legislativas no poder público e, sobretudo, a mudança do modelo econômico, para construir de fato um projeto popular, ou seja, a serviço do povo no Brasil. Como sonhara Paulo Freire.

E, apesar da apatia e pasmaceira social nesse período de nossa história, não se iludam, o povo voltará a se mobilizar e a se organizar por mudanças estruturais.

Le Monde: herdeira de Lula se projeta no mundo

Dilma é recebida por Sarkozy no Palácio do Eliseu, em Paris

Enquanto a mídia brasileira se esforçou para desqualificar a visita de Dilma à Europa, onde está sendo recebido por chefes de Estado e de governo, o jornalismo sério do Le Monde a tratou com deferência em matéria sob o título “De Paris, a herdeira de Lula se projeta sobre a cena internacional.”

Lula é hoje, possivelmente, o político mais popular do mundo e respeitado em todos os continentes. Em sua visita à Europa, Dilma procura mostrar que é a candidata de Lula e que vai levar além um projeto de crescimento com distribuição da riqueza.

“O Brasil está vivendo um momento muito especial, podemos passar da condição de país emergente para a de uma nação desenvolvida”, explicou ela ao jornal francês. Isso, supondo-se que durante a próxima presidência (2011-2014) seja mantida uma taxa de crescimento de 5,5% a 6% ao ano.

O Le Monde destacou a criação de 14 milhões empregos nos oito anos do governo Lula e apontou como desafio para o país desenvolver um ensino de qualidade. “A integração das regiões pobres do Nordeste e do Norte exige uma mão de obra mais qualificada, seria preciso uma escola técnica em cada cidade com mais de 50 mil habitantes”, disse Dilma. O jornal lembrou que o atual governo brasileiro dobrou o número de escolas técnicas existentes e criou quatorze universidades.

“O Brasil não se tornou um grande produtor de alimentos só por causa da qualidade de seus solos e das virtudes de seu clima, mas porque nossa excelência em matéria de pesquisa agrícola permitiu que escolhêssemos os cultivos adequados”, acrescentou Dilma. “Da mesma forma, imensas jazidas de petróleo em águas muito profundas sob uma crosta de sal [pré-sal] foram descobertas graças à competência da empresa pública Petrobras”.

O Le Monde destaca que para superar o ponto de estrangulamento da infraestrutura, o governo Lula lançou em 2007 um amplo programa de aceleração do crescimento (PAC). Além disso, Dilma Rousseff foi apresentada pelo chefe do Estado como “a mãe do PAC”, por sua responsabilidade na gestão de todo o programa.

O jornal destaca que Dilma não se deixa abalar quando se mencionam as relações do presidente Lula com Raúl Castro ou Mahmoud Ahmadinejad. “Não se faz diplomacia interferindo nas questões internas de outros países. As ameaças, o isolamento ou as sanções não levam a nada de construtivo”, disse ela sobre Cuba e a recente iniciativa da Turquia e do Brasil na questão nuclear iraniana.

Segundo o Le Monde, Dilma Rousseff aproveitou a Copa do Mundo para se projetar no cenário internacional. “Foi em Paris que a candidata do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, designada pelo Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda) para a eleição presidencial (cujo primeiro turno está marcado para 3 de outubro), assistiu à primeira partida da equipe do Brasil, na terça-feira (15). Ela vestia a camisa verde-amarela da Seleção.”

Brizola Neto

Depois de 15 anos de PSDB no governo... O desespero dos paulistanos.(leia na integra)

Desgoverno, caos e sofrimento humano na degradada São Paulo

- por Mauro Carrara*

Você também não agüenta mais viver em São Paulo? Não vê retorno nos altíssimos impostos pagos ao Governo do Estado e à Prefeitura?

Você já se cansou de passar horas e horas no trânsito? Já não suporta ver semáforos quebrados ou desregulados? Já se indigna com a indústria de multas?

Já precisa tapar o nariz para andar pelas ruas lotadas de lixo?

Já teme perder seu carro numa enchente relâmpago?

Já se apavora ao saber que a cidade praticamente não tem mais polícia, e que são suas orações que protegem seus familiares nos trajetos urbanos?

Já se questiona se o suor do trabalho não é suficiente para lhe garantir um mínimo de eficiência nos serviços públicos?

Já se pergunta por que a imprensa nunca lhe dá respostas?

Já nota que o jornal e o portal de Internet nunca lhe fornecem a explicação que você procura?

Talvez, então, você esteja no grupo dos 57% de paulistanos que deixariam a capital caso pudessem, conforme apurou o Ibope.

Talvez, esteja no time dos 87% que consideram São Paulo um lugar completamente inseguro para se viver.

Mas, afinal, como chegamos a esta situação caótica na maior cidade do Brasil?

Analisaremos questões específicas (enchentes, trânsito, segurança, entre outras) do processo de degradação da qualidade de vida em São Paulo.

Porém, comecemos pelo geral.

1) Sua angústia, paulistano, tem basicamente três motivos:

a) A incompetência, a negligência e a imperícia dos grupos que, há muitos e muitos anos, se apoderaram da máquina pública no Estado de S. Paulo. Aqui, o “capitão da província” é sempre da mesma tropa.

b) O sistema desonesto de blindagem e proteção dessas pessoas pelos veículos de comunicação, especialmente a Folha de S. Paulo, o Estadão, a Rede Globo e a Editora Abril, aquela que publica a Veja.

c) A vigência de uma filosofia de gestão pública que nem de longe contempla as necessidades humanas. O objetivo da máquina de poder, hoje, em São Paulo, é privilegiar uma pequena máfia de exploradores do Estado e da cidade. O governo dos paulistas e dos paulistanos exige demais, mas oferece de menos.

2) Em pleno século 21, os velhos políticos ainda administram São Paulo como coronéis de província. São tão arrogantes quanto preguiçosos.

a) Não temos um plano coordenado de construção de “qualidade de vida” na metrópole, que coordene ações na área de saúde, educação, cultura, transporte e moradia. Todas as outras 9 grandes cidades do mundo têm, hoje, grupos multidisciplinares trabalhando duramente em projetos desse tipo.

b) Não temos um projeto sério, de longo prazo, para reestruturação e racionalização da malha viária.

c) Não temos um sistema de transporte coletivo decente. Entre as 10 maiores cidades do mundo, São Paulo é aquela com o menor número de quilômetros servidos por metrô.

3) Por que a doce chuva virou sua grande inimiga?

a) Porque os governantes de São Paulo não pensam em você quando autorizam a construção de novos condomínios e habitações. Onde havia terra e árvores, passa a existir concreto. O solo não absorve a água, que corre desesperadamente para o Tietê.

b) Porque a prefeitura simplesmente abandonou os trabalhos de construção dos piscinões. Você tem medo de morrer afogado no Anhangabaú? Pois bem, os recentes dramas no túnel teriam sido evitados se José Serra e Gilberto Kassab tivessem seguido o projeto de construção dos reservatórios de contenção nas praças 14 Bis e das Bandeiras. Até o dinheirinho já estava garantido, com fundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas os dois chefões paulistas consideraram que as obras não eram necessárias. Agora, você paga por este descaso.

c) Lidar com água, uma das mais importantes forças da natureza, exige pesquisa e conhecimento. Em São Paulo, as obras são feitas de acordo com o humor dos governantes, muitas vezes em regime de urgência. Na pressa, o resultado quase sempre é desastroso. No Grajaú, por exemplo, os erros de engenharia na canalização de córregos acabaram por gerar entupimentos, enchentes e destruição. As famílias da região perderam móveis, eletrodomésticos, roupas e alimentos. Ou seja, obra sem planejamento gera mais prejuízo que benefício.

d) São Paulo tem a sua Veneza. É o Jardim Romano, que vai afundando a cada enchente. Como se trata de periferia, a prefeitura simplesmente abandonou os projetos de drenagem e captação de águas. O resultado é água imunda dentro das casas, doença e morte. Para minimizar o problema, o governo do Estado resolveu lançar um “carro anfíbio”, apresentado com pompa pelo bombeiros. Será que, não satisfeitos com o estrago, ainda querem rir da cara do cidadão?

e) O descaso com a cidade pode ser provado facilmente. Um levantamento técnico mostra que o número de pontos de alagamento aumenta assustadoramente de ano para ano. Em 2007, a cidade tinha 9 pontos fixos de alagamento. No ano seguinte, já eram 43. Atualmente, há 152 lugares por onde o paulistano pode perder seu carro durante uma chuva. É isso aí mesmo: 152! Sem dúvida, anda chovendo bastante. Mas não se pode negar que problemas de escoamento estão gerando o caos em áreas antes seguras. É o caso da Avenida Brasil com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins. Quem podia imaginar que até mesmo a região nobre de São Paulo sofreria com alagamentos, lama e fedor insuportável?

f) O dinheiro que a Prefeitura gasta em câmeras, multadores automáticos e propaganda na imprensa poderia muito bem servir à erradicação de alguns desses problemas. No entanto, o drama da população parece não sensibilizar o prefeito nem o governador. Veja o caso dos alagamentos da Marginal Pinheiros com a Ponte Roberto Rossi Zuccolo. O problema já é grave, mas as obras nem foram contratadas, como admite a prefeitura. No caso da Zachi Narchi com Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, a prefeitura limita-se a dizer que há um “projeto para futura implantação”. Tudo muito vago. Nenhuma pressa. No caso da Alcântara Machado (Radial Leste) com Guadalajara, a confissão oficial de incapacidade é assustadora: “as interferências não configuram possibilidades de obras para solucionar o caso de imediato”.

4) Por que São Paulo fede?

a) Porque a gestão Serra-Kassab simplesmente reduziu em cerca de 17% o investimento em varrição e coleta de lixo, especialmente na periferia. Aliás, limpeza urbana é algo que não se valoriza mesmo em São Paulo, vide as declarações do jornalista Boris Casoy sobre os garis.

b) Porque os projetos de coleta seletiva e de usinas regionais de reciclagem foram reduzidos, desmantelados ou sumariamente engavetados.

c) Porque a política de “higienização social” tem dificultado extremamente o trabalho dos catadores e recicladores.

d) Nem é preciso dizer que o lixo que se amontoa nas ruas da cidade vai parar nos bueiros. Vale notar que, nas enchentes, boa parte do lixo boiando está devidamente ensacado. Trata-se de uma prova irrefutável de que o “porco” nesta história não é o cidadão paulista, mas aquele que o governa.

5) Padarização: por que São Paulo é tão insegura?

a) O governo Serra praticamente sucateou o sistema de Segurança Pública. Paga mal os agentes da lei e ainda fomenta a rivalidade entre policiais civis e militares.

b) Em seu ímpeto privatista, o governo paulista incentiva indiretamente os empreendimentos de segurança particular.

c) Mal pagos, mal aparelhados e mal geridos, os policiais paulistas são o retrato da desmotivação.

d) Criou-se informalmente um sistema de “padarização” das patrulhas. Normalmente, os agentes da lei se mantêm na porta de uma padaria ou mercado, reduzindo drasticamente as rondas pelas áreas internas dos bairros. De certa forma, acabam se tornando uma guarda particular dos comerciantes locais. Esse fenômeno atinge não somente a periferia da Capital e de outras grandes cidades, mas também os bairros de classe média.

e) Essa mesma polícia invisível nas ruas, entretanto, ocupou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) durante ato em defesa do Programa Nacional dos Direitos Humanos. Exigiam explicações sobre o encontro… Ora, que terrível bandido se esconderia ali? Ou será que voltamos à época da Operação Bandeirantes, que visava a perseguir os inimigos do regime militar?

f) Cabe dizer: o pouco que restou da Segurança Pública é resultado do esforço pessoal de policiais (militares e civis) honestos, dedicados, que ainda arriscam a vida para proteger o cidadão. Esses, no entanto, raramente são premiados por suas virtudes.

6) Politicalha na calçada, trânsito, impostos e desrespeito ao cidadão.

a) Sem qualquer fiscalização da imprensa, o governante paulista julga-se hoje acima da lei. Não precisa dar satisfações a ninguém.

b) É o caso da Calçada da Fama, já apelidada de Calçada da Lama, no bairro de Santa Cecília. Inspirada na homônima de Hollywood, foi condenada por todos os moradores locais. Mesmo assim, a prefeitura colocou 18 homens da Subprefeitura da Sé para trabalhar na obra (afinal, eles não têm bueiros para limpar). Cabe lembrar que os “testes” de homenagens foram realizados com a colocação de duas estrelas. Uma delas tinha o nome do ex-governador Geraldo Alckmin. A outra, do atual, José Serra, o único governador do Brasil que, entre amigos, se gaba de acordar ao meio-dia.

c) Para obras desse tipo, supõe-se, o prefeito Kassab busca um “aumentaço” no IPTU, tanto para imóveis comerciais quanto residenciais.

d) Cedendo ao cartel das empresas de ônibus, Kassab também decretou aumento nas passagens, de R$ 2,30 para R$ 2,70. A poucos metros da Câmara dos Vereadores, com bombas de efeito moral e balas de borracha, a polícia de Serra reprimiu violentamente os estudantes que tentavam se manifestar contra a majoração. Agressão desse tipo, aliás, já tinha sido vista na USP, em episódio que lembrou a invasão da PUC-SP por Erasmo Dias, em 1977.

e) Se o trânsito é cada vez mais caótico em São Paulo, raras são as ações destinadas a reformar a malha viária, revitalizar o transporte público e constituir um sistema inteligente e integrado de locomoção urbana. Os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego ainda planejam suas ações conforme modelos da década de 60. A obsolescência no campo do conhecimento é a marca da gestão da CET.

f) Se o tráfego paulistano é um horror, confuso e mal gerido, o mesmo não se pode dizer da indústria de multas. Em 2009, foram arrecadados R$ 473,3 milhões, valor maior do que o orçamento de cinco capitais brasileiras. Só 62 municípios do Brasil recebem, entre todos os tributos, aquilo que o governo paulistano obtém com esse expediente punitivo.

g) Com esse valor, seria possível instalar 2 mil semáforos inteligentes (raros aqueles em perfeito funcionamento na cidade) e 40 terminais de ônibus.

h) Curiosamente, se falta dinheiro para a reforma dos equipamentos de controle de trânsito, sobra para a compra de radares e aplicadores de multas. Foram 105 novos aparelhos em 2009. E a prefeitura projeta a instalação de pelo menos mais 300 em 2010.

i) Se os radares estão atentos ao motorista, dispostos a lhe arrancar até o último centavo, também é certo que não há olhos para as máfias de fiscais nas subprefeituras, especialmente na coleta diária de propinas nas áreas de ambulantes. Em 2008, membros da alta cúpula da subprefeitura da Mooca foram protagonistas de um escândalo, logo abafado pela imprensa paulistana. Hoje, os esquemas de cobrança ilícita seguem firmes e fortes. Faturam milhões, à luz do dia, na região do Brás, da Rua 25 de Março e da Lapa, entre outros, conforme denúncias dos próprios camelôs.

7) Até para fugir, o paulistano pagará caro… Dá-lhe pedágio!

a) Alguns governantes tornam-se conhecidos por construir estradas. Outros, por lotá-las de pedágios e fazer a festa de seus apoiadores de campanha. É o caso de José Serra. Em média, um novo pedágio é implantado em São Paulo a cada 30 dias. O ritmo de inaugurações deve crescer em 2010. Somente nas estradas do litoral, o governador quer implantar mais dez pedágios.

b) José Serra desistiu temporariamente de sua ideia obsessiva de implantar pedágios também nas marginais do Tietê e do Pinheiros. O desgaste político poderia inviabilizar, de uma vez por todas, seu projeto de ocupar a presidência da República.

c) Fora dos centros urbanos, entretanto, a farra do pedágio continua. Em Engenheiro Coelho, na região de Campinas, por exemplo, uma família já precisa pagar pedágio para se deslocar de um lado a outro de seu sítio, cortado pela rodovia General Milton Tavares de Souza (SP-332). Agora, para cuidar do gado, os sitiantes precisam pagar a José Serra e seus amigos da indústria do pedágio. Nessa e em outras cidades, o cerco dos pedágios deixam “ilhados” moradores da zona rural e de condomínios habitacionais. Nem mesmo o “direito de ir e vir” é respeitado.

Por um Brasil ainda Melhor...

Com o Serra o Joãozinho está perdido: papai e professora têm o P(ior) S(alário) D(o) B(rasil)!

PiG vai ajudar a pagar aumento de aposentado!

post do conversa afiada.

Falam mal dos aposentados, mas não pagam o que devem a eles

Saiu no blog ‘Os Amigos do Presidente Lula’ (clique aqui para acessar):

Ministro da Previdência quer acelerar cobrança do calote da Globo e do PIG

O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, comentando sobre o reajustes de 7,72% nas aposentadorias do INSS de quem ganha acima do salário mínimo, disse que pretende compensar o pagamento a mais com a cobrança sobre devedores da previdência. Ele disse que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem R$ 400 bilhões em dívida que podem cobradas.

No início do ano, algumas das empresas mais caloteiras com a previdência, eram:

- Infoglobo (das Organizações Globo) com dívidas de R$ 17.664.500,51

- Editora Globo S.A.: R$ 2.078.955,87

- Editora Abril: R$ 1.169.560,41

- Rádio e Televisão Bandeirantes: R$ 2.646.664,15

– Folha da Manhã S.A. (Folha de São Paulo): R$ 3.740.776,10

– O Estado de São Paulo (Estadão): R$ 2.078.955,87


quarta-feira, 16 de junho de 2010

A dupla moral dos EUA!

erça-feira, 15 junho, 2010 às 21:03

O criminoso nazista Klaus Barbie aproveitou a vida em liberdade graças aos EUA

Os Estados Unidos pressionam o mundo por sanções contra o Irã, alegando que o programa nuclear de Teerã ameaça a paz no Oriente Médio e o Estado de Israel. Ahmadinejad é pintado como o demônio, que não reconhece o holocausto, e seria como um novo Hitler para o povo judeu. Mas enquanto o Irã jamais fez qualquer mal aos judeus, os EUA não só protegeram como contrataram para trabalhar em seu serviço de inteligência um dos maiores criminosos nazistas, o carniceiro de Lyon, Klaus Barbie.

Barbie foi oficial da SS e chefe da Gestapo, em Lyon, onde mandou para a câmara de gás 44 crianças judias, entre 3 e 14 anos, que estavam refugiadas em um abrigo de órfãos. Tinha um prazer mórbido em torturar prisioneiros, muitas vezes os levando à morte. Pois este monstro, condenado e procurado pela Justiça francesa, foi recrutado pelo exército dos Estados Unidos após a guerra e trabalhou como agente secreto por dois períodos. Ou seja, foi contratado, dispensado e depois recontratado, provavelmente pela qualidade de seus serviços.

Os EUA não apenas usaram os serviços de Barbie, como auxiliaram sua fuga para a Bolívia, evitando seu julgamento na França. Como assinalou o assistente especial para a Procuradoria Geral dos EUA, Allan Ryan, em memorando de 1983, “representantes do governo dos Estados Unidos foram diretamente responsáveis por proteger uma pessoa procurada pelo governo da França por acusações de crime e por providenciar sua fuga da lei. Como resultado direto dessa ação, Klaus Barbie não compareceu ao julgamento na França, em 1950, passou 33 anos como um homem livre e fugitivo da justiça”, e só foi enviado para julgamento na França, muitos anos depois, pela cooperação direta entre os governos da França e da Bolívia.

As ações de Barbie como espião americano não são totalmente conhecidas, por razões óbvias, mas no combate promovido à guerrilha de Che Guevara na Bolívia, a CIA recontratou seus serviços. O carniceiro nazista ajudou a organizar a polícia secreta da Bolívia e a montar milícias de direita em Santa Cruz de La Sierra, onde se encontram atualmente os setores mais conservadores do país, que tentaram derrubar o governo de Evo Morales.

Essa é a dupla moral americana. Condenam uma suposta ameaça a Israel, evitando negociações de paz, e protegem um criminosos de guerra nazista condenado por um país aliado. Barbie morreu preso na França sem demonstrar um pingo de arrependimento por seus crimes e eternamente gratos aos EUA pelos bons anos em que viveu livre e ainda recebeu por isso.

FHC impediu a criação de centenas de escolas técnicas!

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A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, acusou nesta quarta-feira (16) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter assinado uma lei que "impediu que fossem criadas centenas de escolas no Brasil". Ao comentar a criação de escolas técnicas, a petista disse, em seu programa de rádio "Fala Dilma", que o governo do tucano errou na formulação da lei voltada para esta área e que o governo Lula fez em oito anos "muito mais do que fizeram em cem anos".

Para Dilma, as escolas técnicas precisam ser não só construídas, mas também mantidas com ajuda do governo federal. Segundo a candidata, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma revolução no setor e "tirou o atraso".

"Na época do Fernando Henrique Cardoso, fizeram uma lei, em 1998, (...) que dizia o seguinte: o governo federal constrói a escola técnica, mas quem tem a obrigação de manter a escola são os governos dos Estados ou as prefeituras ou a iniciativa privada. Por isso, não se fazia escolas profissionalizantes. (...) Os Estados e municípios mais pobres, que têm poucos recursos, não têm como manter as escolas. (...) Na prática, mesmo, para valer, a lei do Fernando Henrique impediu que fossem criadas centenas de escolas no Brasil", disse.

Em relação às escolas técnicas, Dilma disse no programa que entre 1909 e 2003 foram construídas 140 escolas técnicas e que o PT em oito anos deixará 214 unidades. "É, de fato, é consertando um erro. (...) De 2003 até o fim do desse ano, o governo do presidente Lula vai entregar 214 novas escolas. Portanto, nós fizemos, em oito anos, muito mais do que fizeram em cem anos", disse.

‘Minha Casa’ dobra valor de terrenos em periferias. Bye bye Serra 2010


Moradia para a nova classe média faz isso mesmo: dobra valor do terreno



Saiu na Folha (clique aqui para ler):


‘Minha Casa’ dobra valor de terrenos em periferias

Programa federal de habitação popular, o Minha Casa, Minha Vida acirrou a disputa por terrenos em periferias e fez até dobrar os preços em áreas no entorno de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Fortaleza.

Segundo Daniel Ruman, presidente da construtora Bairro Novo (braço popular da Odebrecht), há três anos a empreiteira comprava terrenos nessas regiões a R$ 10 o metro quadrado. Hoje, não sai por menos de R$ 20.

“Não havia concorrência nem interesse por esses terrenos. Agora, existe”, afirma.


terça-feira, 15 de junho de 2010

A mídia que ser “dona” da Dilma?


O Globo, hoje, sem algo que tivesse para explorar contra Dilma, resolveu “cozinhar” e ampliar o chororô da Folha sobre o cancelamento da participação da candidata do Lula na tal “sabatina” que o jornal paulista vai fazer com os candidatos. Mesmo sabendo que Dilma está iniciando uma viagem para a Europa – e por isso cancelou sua participação – o jornal dos Marinho parte daí para dizer que ela “cancelou entrevistas que já estavam confirmadas e partiiu nesta segunda feira à noite para uma viagem”.

A matéria é tão desonesta que basta ler com mais atenção para ver a armação, construída para tentar mostrar que Dilma estaria acuada, se escondendo.

Quais eram “as entrevistas que já estavam confirmadas”? Nenhuma, à exceção da tal sabatina.

Pois não pode haver nada confirmado se o próprio jornal diz que ela “tem se recusado a conceder entrevista para a GloboNews, além do programa “CQC”, da TV Bandeirantes. Ela também não confirmou ainda participação na rodada de entrevistas dos presidenciáveis para o programa “Roda Viva”, da TV Cultura, embora sua assessoria diga que ela poderá ir à emissora no fim de junho, sem fixar data”.

O que estava confirmado, senhor redator de O Globo?

Mas a ânsia de provar a “tese” que construíram é tão grande que se produz esta pérola:

Coordenadores da campanha da petista dizem que ela não está fugindo do confronto direto com os adversários e que ela vai para a Europa porque foi convidada, mas assessores de líderes europeus disseram que os encontros foram pedidos pela candidata.

Primeiro, é obvio que os encontros foram – e só poderiam ser – pedidos por Dilma. Já imaginaram se fosse o contrário, os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso; e os primeiros-ministros da Espanha, José Luis Zapatero, e de Portugal, José Sócrates ligando para Dilma e dizendo para ela dar “um pulinho lá” para tomarem um café?

Segundo, porque ao encontrar-se com chefes de Estado e de Governo, qualquer pessoa vai fazer a agenda de acordo com o que eles podem, e não o que se quer. Imaginem o diálogo:

- E aí, Sarkozy, tudo em cima?

- Parle, Dilmá, toute legal?

- Tô querendo dar um pulinho no Palácio do Eliseu, pode ser?

- Clarô, Dilma, Chegue na heure que vous quisê. En la quarta-feirá, c´est bon?

- Quarta eu não posso porque vou gravar o CQC e vou ser recebida por Lord Merval Pereira, na Globonews…

- Globo o quai?

-Deixa, é no Palais du Jardin Botanique

- Enton viens na sèxte, que je suis com temps livrê.

E o que me impressiona mais é que tem uns manés que se preocupam em “desmentir” a sério uma historinha ridícula destas.

O Globo (e a Folha) precisam entender que existem políticos que não podem ser chamados estalando os dedos.

Brizola Neto

Lula mantém reajuste de 7,7% a aposentados!

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu nesta terça-feira (15) vetar o fim do fator previdenciário e sancionou o reajuste de 7,72% aos aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo. A anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião de Lula com ministros da área econômica.

Mantega explicou que o presidente autorizou a equipe econômica a mandar para o Congresso, se necessário, emendas para manter a solidez das contas públicas. O ministro ressaltou que a preocupação central é manter o equilíbrio fiscal do governo.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que acompanhou Mantega, defendeu que a decisão não se baseou nas eleições, mas em uma demanda popular. “Foi criada uma expectativa muito grande. Mas não prevaleceu nenhuma decisão política. Não tem nada a ver com as eleições. [Se fosse vetado] teria de se fazer uma nova medida provisória, que só seria votada em agosto", falou.

Petrobrás de Lula aumenta compras no Brasil em US$ 18 bi.

Olha o que o Globo (clique aqui para ler) escondeu na edição desta segunda feira:

“Petrobrás faz no país 75% de suas compras.”

“O índice de nacionalização de encomendas da Petrobrás subiu de 57% para 75%, um salto de US$ 18 bilhões, em seis anos”.



Navalha

No Governo FHC/Serra, a Petrobrás comprava navios em Cingapura.

O Globo de hoje diz que os “críticos” (deve ser a urubóloga) consideram isso “excessivamente nacionalista” e pode gerar “reserva de mercado”.

No Governo FHC/Serra, excessivamente entreguista, não havia esse perigo.

A reserva de mercado seria em Cingapura.

Em tempo: saiu no Valor, primeira página (clique aqui para ler) :

“Brasil vai puxar a produção agrícola. O Brasil terá de longe o mais rápido crescimento da produção agrícola do mundo nos próximos dez anos, com expansão superior a 40%, o dobro da média mundial, segundo relatório que a FAO e a OCDE divulgarão amanhã. O país se firmará como o grande celeiro do mundo …”

Que horror !

Paulo Henrique Amorim

Relatório do Banco Central: PIB vai crescer 7%. Que horror !

Olha o que o Lula fez com o tsunami da urubóloga

Leia, amigo navegante, a péssima notícia que a newsletter do Bradesco acaba de divulgar, com comentários sobre a pesquisa Focus do Banco Central:

Relatório Focus: expectativas para o PIB em 2010 mostraram elevação para 7,0%

As projeções de mercado das principais variáveis mostraram correções importantes em relação à semana anterior, segundo o Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, referente à semana até 11 de junho.

O destaque desta divulgação ficou para a elevação da expectativa para o crescimento do PIB.

em 2010, que passou de 6,6% para 7,0%, e se mantendo estável em 4,5% para 2011. Já a expectativa para o IPCA para 2010 registrou novamente uma leve queda, passando de 5,64% na semana anterior para 5,61%. Para 2011, a expectativa para a infl ação ao consumidor ainda se manteve em 4,80%.

Já para a taxa de câmbio de final de período, houve estabilidade das expectativas para 2010, em R$/US$ 1,80, sendo que, para 2011, as expectativas medianas passaram de R$/US$ 1,85 para R$/US$ 1,86.

Por fim, as expectativas para a meta da taxa Selic, para final de 2010, se mantiveram em 11,75%, enquanto mostraram elevação de 11,50% para 11,75% para 2011.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

É isso que você quer para o Brasil?

Ganhar R$ 1,8 tri em reservas é um azar sem tamanho.

post do sakamoto.

Se já estava difícil para as forças armadas dos Estados Unidos e sua coalisão de países amigos deixarem o Afeganistão, agora é que elas não saem mesmo.

Foram “descobertas” reservas de lítio, ferro, cobre, nióbio, cobalto, ouro, entre outros minerais, no país asiático estimadas em R$ 1,8 trilhão (isso mesmo, trilhão). Segundo autoridades dos Estados Unidos, isso pode transformar o país em uma Arábia Saudita do lítio, material usado na fabricação das baterias recarregáveis que estão nos nossos celulares e notebooks. O “achado” foi resultado do trabalho de uma equipe de oficiais do Pentágono e geólogos americanos, que usaram como referência mapas da década de 80 elaborados por soviéticos e escondidos durante a guerra civil e o regime talibã.

(Essas “descobertas” são ótimas! São do gênero: “quando estiver por lá, prenda Bin Laden, acabe com o Talibã e verifique as reservas minerais do país”. Ou pelo menos: “já que estou aqui mesmo, deixar eu dar uma chafurdada em baixo da terra”.)

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo de hoje, “empresas internacionais de contabilidade com experiência em contratos de mineração foram contratadas para prestar consultoria junto ao Ministério de Minas do Afeganistão. Informações técnicas estão sendo preparadas para serem entregues a multinacionais de mineração e a outros investidores”.

Fui procurar a matéria original no New York Times, que noticiou a história. Diante da alegria do Pentágono diante do fato noticiado, a leitura foi ficando pesada. O dinheiro oriundo da exploração dessas jazidas poderia significar tirar da miséria um país de 34 milhões de pessoas e expectativa de vida abaixo dos 45 anos e garantir um futuro melhor. O impacto desse montante por lá seria bem maior que o pré-sal por aqui. Mas isso é ficção, não vai acontecer.

A maior parte do dinheiro ficará na mão de uma elite local e de estrangeiros, mais especificamente de multinacionais dos setores de mineração e financeiro, além de empresas de segurança privada – para garantir que tudo funcione dentro dos conformes. Está sendo assim com países como o Iraque ou mesmo Angola, por que lá seria diferente?

Afinal de contas, o Ocidente não pode deixar os bárbaros com o controle de uma riqueza dessas. Esses homens das cavernas vão querer construir armas de destruição em massa com os royalties ou gastar tudo com seu fanatismo religioso. Por isso, o melhor é que os estrangeiros administrem tudo, atendendo às necessidades da população até que ela possa andar com suas próprias pernas em uma democracia que seja nossa aliada e amiga. Que pode nunca chegar, mas quem se importa?

Tem vezes que ser abençoado com riqueza é uma desgraça sem tamanho.

Os chineses e as ferrovias do Sul.

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Paraná inicia acordo com a China para executar projetos da Ferrosul

A Ferrosul foi o objeto da primeira reunião do Governo do Estado com representantes da maior construtora de ferrovias da China e do banco de desenvolvimento chinês, na tarde de ontem (11), no Palácio das Araucárias, em Curitiba. O motivo do encontro é iniciar uma parceria para dar encaminhamento aos projetos de expansão da Ferrosul, companhia de integração ferroviária que interligará os quatro estados da região Sul do Brasil (PR, SC, RS e MS) e países vizinhos.

A estatal China Railway Construction Corporation Limited (CRCC), empresa do governo chinês, autorizada pelo Ministério das Ferrovias a participar de projetos no Brasil, estudou os planos de construção da Ferrosul e mostrou grande interesse em participar do projeto. A CRCC disputa o direito de construir o trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo e participará da licitação da Ferrovia Leste-Oeste na Bahia, projeto de responsabilidade da Valec, empresa federal vinculada ao Ministério dos Transportes, e sócia minoritária da Ferroeste.

Durante o encontro, os executivos da Ferroeste foram convidados pelos empresários e pelo banco de desenvolvimento chinês para visitar as instalações e as ferrovias daquele país. Na oportunidade, o secretário Domingos Porilho anunciou que o governador Orlando Pessuti tem agendada uma viagem à China no dia 14 de julho, em comitiva da qual participarão também o secretário dos Transportes e executivos da Valec.

O objetivo é continuar as negociações com a China. O grupo programou visitas às cidades de Xangai e Beijing.A partir da reunião, a parceria entre a CRCC e a Ferroeste/Ferrosul entrou na agenda da viagem.