terça-feira, 15 de novembro de 2011
Disque denúncia só serve para preto, pobre e p…
O Bom (?) Dia Brasil deste feriado exibiu reportagem de Edney Silvestre sobre o papel decisivo do Disque Denuncia na reconquista da Rocinha.
O Disque Denúncia nasceu no Rio e, hoje, recebe 600 ligações por dia.
O telefone é 21-2253 1177.
O Disque Denúncia, no momento, ajuda a localizar esconderijos de armas e drogas na favela.
O Disque Denúncia ajuda a prender criminosos.
O Disque Denúncia informou que o Nem ia sair da favela naquela noite.
O sistema integra o cidadao à luta pela Lei e a Ordem.
E foi copiado pelo Brasil afora.
Que beleza, não, amigo navegante ?
Qual nada !
O Disque Denúncia só serve para prender pobre, preto e p…
Porque, quando o suspeito é branco, rico e especialmente se tem olhos azuis, aí, amigo navegante, esqueça.
O Disque Denúncia não presta.
Veja, por exemplo, o que foi feito do diligente trabalho do destemido Desembargador Fausto De Sanctis.
Depois de mandar para a cadeia o banqueiro condenado Daniel Dantas – e Gilmar Dantas (*) solta-lo duas vezes em 48 horas com HCs Canguru – De Sanctis dedicou-se à Operacao Castelo de Areia.
Que desvendou as relações espúrias entre a empreiteira Camargo Correia e políticos (do PSDB de São Paulo).
A Polícia Federal e De Sanctis chegaram ao âmago da lavagem de dinheiro através de uma denúncia anônima, depois corroborada por investigações que independiam da informação original.
Pois não é, amigo navegante, que o Superior Tribunal de Justica jogou a Castelo de Areia no lixo ?
É como se – mal comparando – o Beltrame ignorasse a denúncia anônima e deixasse o Nem escafeder-se.
Mas, não, com pobre, preto e p…, aí a Lei é dura e implacável.
O STJ achou que a denúncia anônima da Castelo não prestava.
Estabeleceu-se ai a Súmula Vinculante em vigor neste país: rico não pode ser sequer investigado, quanto mais, preso.
Foi uma decisão estarrecedora
Onde já se viu prender criminoso de colarinho branco !
Com quem você pensa que está falando?
Com a mesma Súmula Vinculante, o STJ , depois, rasgou a Satiagraha.
Outro espanto !
A Castelo de Areia e a Satiagraha estão, agora, nas mãos do brindeiro Procurador Geral, Roberto Gurgel.
Cabe a ele mandar um Procurador recorrer ao Supremo para voltar a dar vida à Castelo de Areia e à Satiagraha.
Aparentemente, o brindeiro Procurador tenta preservar o Supremo de uma página conzenta de sua cinzenta história recente: rasgar duas investigações policiais que entraram no câncer do sistema político brasileiro.
Viva o Brasil !
(O brindeiro Gurgel deve concordar com o prefeito Bloomberg, de Nova York: achar que desocupar o Zuccotti Park, em Wall Street, a cacetadas, sufoca a ansia por Justica !)
Paulo Henrique Amorim
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Um pregador de golpes de Estado
| Noriega, mais um canalha ao alcance da Veja |
Publicado em 13/11/2011por Mário Augusto Jacobskind
![]() |
| Zuenir Ventura, outro |
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Enquanto PM brinca de ditadura na USP, bandidagem se esbalda
duguim no Blog da Cidadania
O elevador para em um dos andares inferiores enquanto descia para a garagem. A vizinha embarca de cabeça baixa, emite um bom dia quase inaudível e permanece de perfil para nós. Geralmente simpática, está equidistante. A patroa puxa papo. A mulher não tem como deixar de se voltar para responder. Aí entendemos a razão da esquiva.
Um Band-aid se estende espalhafatosamente pela face esquerda. Tina, espontânea como de costume, espanta-se e solta um gemido, ao que a cutuco pedindo discrição. A vizinha baixa os olhos e, inevitavelmente, fica constrangida. A curiosíssima e indiscreta companheira não deixa por menos:
– Meu Deus! Está tudo bem?
Cutuco de novo, em vão. A curiosidade da companheira é tão grande quanto o coração. Seu tom carinhoso e solidário, porém, solta a língua da vizinha.
– Aconteceu alguma coisa, querida? A gente pode ajudar?
– Eu… Fui assaltada ontem, no trânsito.
– Nossa! Mas onde? Te agrediram?
– Ali no fim da Frei Caneca, no semáforo. Comecei a chorar e ele me espetou com o canivete. Quase pega no olho…
A esta altura, a voz da mulher já está embargada e os olhos, rasos d’água. A Tina a abraça e lhe acaricia os cabelos, pedindo “calma, calma, calma…”.
O elevador para no térreo e desembarcamos com a vizinha, apesar de que estávamos indo para a garagem. Sentam-se no sofá do hall do prédio e continuam a conversa.
– Você deu queixa?
– Pra que? Pra nada… Fui cuidar do machucado. Eu acho, acho que… E se ficar marca?
A mulher volta a chorar, agora copiosamente.
Não há vaga para estacionar. A universidade em frente à casa em que fica meu escritório consome cada vaga em um raio de pelo menos uns 500 metros ao redor. Começo a percorrer a redondeza e, surpreendentemente, encontro vaga menos distante do que de costume quando chego tarde.
Quando começo a manobrar para estacionar, minha passageira de todas as manhãs me adverte que pare porque a vaga está cheia de “cacos de vidro”. Paro o carro e desço para olhar. Não são cacos de um vidro qualquer, são cacos de um para-brisa ou de qualquer outra janela de um veículo.
A cena é comum em São Paulo. É difícil que alguém que possua um veículo nunca tenha sido vítima desse tipo de depredação de seu patrimônio. Não há semana em que não se encontre cacos de vidro de automóveis espalhados pela rua. O roubo de toca-fitas ou do próprio veículo é uma praga que só faz aumentar, por aqui.
Não há policiamento, em São Paulo. Por conta disso, até na principal avenida da cidade os paulistanos podem ser vitimados por ataques de gangues, assaltos etc. É comum encontrar alguém consumindo drogas tranquilamente, por ali. Dia desses, passei por um casal que fumava um verdadeiro charuto de maconha despreocupadamente.
Quando se olha para os contingentes imensos que a Polícia Militar paulista costuma deslocar para reprimir manifestações de professores ou de alunos, por exemplo, a questão vem à mente: onde fica toda aquela polícia, no resto do tempo? Para desocupar a USP, cerca de QUATROCENTOS policiais. Helicópteros, viaturas, um verdadeiro aparato de guerra.
A imprensa, em vez de denunciar a falta de polícia para proteger os cidadãos, une-se ao pequeno exército de policiais militares que o governo tucano de São Paulo mobilizou para produzir cenas como a da imagem que encima este texto. Apontar um trabuco desses para um estudante… O governo paulista enlouqueceu. Seria ridículo, se não fosse trágico.
E os repórteres da grande imprensa hostilizando os estudantes? É papel da imprensa insultar manifestantes? A repórter do SBT que chamou os estudantes da USP de “maconheiros” estava lá para colher informações ou para ajudar a polícia que desguarneceu ainda mais as ruas para combater os “perigosos” garotos e garotas que ocuparam a reitoria da universidade?
Não dá para criticar os estudantes da USP. Pouco importa se o método que escolheram para protestar contra o aumento do efetivo da PM no campus foi equivocado. Quando o governo monta uma operação de guerra com um contingente policial desse tamanho enquanto a cidade pena nas mãos dos bandidos, tudo mais perde o sentido.
Esse episódio simboliza à perfeição o massacre que a educação sofre no Estado de São Paulo por obra dos governos fascistas do PSDB. E a polícia tucana, em vez de policiar a cidade, só dá as caras contra “perigosos” mestres ou alunos que ocupam o lugar dos criminosos nas mentes reacionárias que governam este Estado decadente.
—–
Charge
sábado, 5 de novembro de 2011
PHA: na Comunicação, o Brasil é a ditadura perfeita
Este ansioso blogueiro participou de seminário promovido pela Ajuris, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul e o blog Carta Maior, nesta quinta-feira.
Entre os expositores, o desembargador Claudio Baldino Maciel – clique aqui para ler Liberdade de imprensa não é bem assim , Pascual Serrano (do site Rebelión, da Espanha), Juremir Machado, Breno Altman (Altercom), prof. Venicio Lima, Bia Barbosa (Intervozes), deputada Luiza Erundina (líder da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação, e membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, que não consegue discutir a renovação das concessões das redes de televisão), e o ex-Ministro Franklin Martins.
Clique aqui para ler “Ley de Medios: não se pode esperar nada do Governo ou do Congresso”
Clique aqui para ler “Franklin e a Ley de Medios: tudo dentro da Constituição”
A seguir, trechos – não literais – da exposição deste ansioso blogueiro:
A Globo tem um pouco menos que 50% da audiência da televisão brasileira.
E mais do 70% de toda a verba da publicidade da televisão brasileira.
A televisão detém 50% de toda a publicidade brasileira.
Do tijolinho para vender uma moto usada em Joboatão ao break do jornal nacional.
Tudo somado, a tevê fica com 50%.
Logo, a Globo, a família Marinho, com 50% da audiência e 70% da verba, põe no bolso R$ 0,35 de cada R$ 1 investido na publicidade da sexta (ou quinta) economia do mundo.
A Globo é uma empresa fechada, que explora uma concessão de serviço público, o espaço eletro-magnético, que pertence ao povo brasileiro.
Póóóde ?
Agora, a Globo quer impedir uma segunda opinião sobre a audiência em tevê.
Ela só quer o IBOPE
O que isso significa para a democracia brasileira ?
Em 1998, na eleição para governador de São Paulo, o IBOPE, aqui também chamado de Globope, fechou para o cliente Paulo Maluf, uma pesquisa que o colocava à frente da Marta Suplicy.
Essa mesma pesquisa o jornal nacional divulgou na sexta-feira, na ante-véspera da eleição no primeiro turno.
Com Maluf na frente da Marta.
Só que, na sexta-feira, a Marta já tinha ultrapassado o Maluf e ela é que ia para o segundo turno com Mario Covas.
Com o Globope do jornal nacional, muitos eleitores da Marta preferiram o “voto útil” e votaram no Covas, para derrotar o Maluf.
Maluf foi para o segundo turno com Covas e assim Covas se elegeu governador de São Paulo.
Na segunda feira, este ansioso blogueiro, apresentador do Jornal da Band, entrevistou o deputado federal mais votado, José Genoino, do PT.
E nos bastidores avisou que ia perguntar sobre a patranha do Globope contra a Marta.
Genoino reagiu enfaticamente: não, sobre isso eu não falo !
Na Argentina – ah!, que inveja da Argentina ! – a Cristina Kirchner comprou o “Brasileirão” da Globo (Clarin) e exibiu no horário nobre da TV Educativa.
E distribuiu o sinal para que outras emissoras exibissem quando lhes desse na telha.
Aí, a Cristina descobriu que o IBOPE argentino dava para o “Brasileirão” da TV Educativa uma audiência muito menor do que quando era da Globo (Clarin).
O que fez a Cristina ?
(Ah!, que inveja da Cristina !) ?
Rompeu o contrato com o IBOPE e pôs uma empresa independente, supervisionada por acadêmicos de diversas universidades, para medir a audiência.
O IBOPE da TV Educativa ficou parecido com o que o “Brasileirão” dava na Globo (Clarin).
Sabe quem era o IBOPE da Argentina ?
O IBOPE do Brasil !
O mesmo !
Só que lá era conhecido como IBOPÍN …
O nobre deputado gaúcho Henrique Fontana, relator do projeto da Reforma Política, informa que, com menos de R$ 500 mil não se elege um deputado estadual no Rio Grande do Sul.
E com menos de R$ 1 milhão ninguém se elege deputado federal.
(Por isso ele defende o financiamento publico exclusivo, mas o PSDB e o PMDB são contra Por que preferem o Caixa Dois, que é a alternativa ao financiamento público ?)
E o que tem o Globope com isso ?
Porque se um partido sai mal nas pesquisas do inicio da campanha, babau.
Não tem grana.
Globope e Datafalha, que dão invariavelmente o Cerra na frente nas pesquisas iniciais, são uma chave para abrir o cofre dos financiadores: empreiteiros, industria farmacêutica, educação privada, tabaco …
O que isso tem a ver com a democracia ?
Tudo !
Daqui a pouco, os parlamentares vão se vestir como piloto de Fórmula Um: cobertos de patrocinadores.
O que isso tem a ver com uma Ley de Medios ?
Tudo !
A Globo é o elefante na sala da Democracia.
Nos últimos três anos, caiu a audiência da Globo.
Mas, ela não perde espectador nem um centavo de publicidade para os concorrentes.
Perde para si própria.
Perde audiência para os que vão para a internet e seus diferentes portais; para o cabo e o satélite e assistem à programação nacional controlada pela Globo; ou compram o “Brasileirinho” no pay-per-view.
Três famílias controlam a mídia de um país de 200 milhões de almas.
Os Marinho (e seus donatários, como a RBS), os Frias, e os Mesquita, que sub-locaram o Estadão aos bancos estrangeiros credores.
Essas três famílias e seus donatários controlam tevê, rádio, jornal, revistas, agencias de noticias e portais na internet.
E num mesmo mercado – e tome propriedade cruzada !
(Clique aqui para ler Venicio Lima sobre a propriedade cruzada nos EUA (lá não pode !) e aqui )
Nenhuma nova democracia no mundo toleraria essa concentração de poder.
“Novas democracias” são Portugal, Espanha, Argentina, México, Chile, Uruguai.
Essa é uma jabuticaba brasileira.
Antonio Carlos Magalhães dizia: se não saiu no jornal nacional não aconteceu.
Caetano, antes de trabalhar na Globo, dizia que assistia ao jornal nacional para saber o que o jornal nacional queria que ele pensasse que aconteceu.
O Ricardo Teixeira diz que enquanto a Globo não falar mal dele, nada lhe acontecerá.
Hoje, fica assim: se saiu no jornal nacional, NÃO aconteceu.
E isso tende a se perpetuar, até que a televisão morra para dentro de sua própria obsolescência tecnológica.
O Presidente Lula não fez e a Presidenta Dilma não fará uma Ley de Medios.
O Ministro Bernardo adiou a discussão sobre o assunto para 2012.
Para que o PiG (*) não diga que a discussão ficou prejudicada pelas Festas do Natal.
Em 2012, pondera-se, tem o Carnaval, a Semana Santa e as eleições para prefeito.
2013 fica muito perto da eleição de 2014 e o PiG vai dizer que é manobra para censurar o PiG.
2014, nem pensar.
Quem ousará tocar na Globo num ano de eleição !
Aparentemente, o Governo Dilma tem uma visão temo-tecnicista da liberdade de expressão.
“Temo”, porque teme a Globo.
“Tecnicista”, porque acredita que a banda larga vai promover a democracia.
É como acreditar que o copo determina a qualidade do vinho.
Outro ingrediente dessa “democracia” brasileira no campo da liberdade de expressão, é a reprodução, aqui, de manobra que não deu certo nos estados Unidos.
Calar os independentes com processos judiciais.
Censurar pelo bolso.
Tentar manipular a Justiça.
É o caso da perseguição aos blogs que o Padim Pade Cerra chamou de “sujos”.
No Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé, temos notícia de dezenas de blogueiros perseguidos na Justiça do interior do Brasil por prefeitos, vereadores e empresários suspeitos de corrupção.
Juca Kfouri é o campeão nessa prova.
Ricardo Teixeira move contra ele 50 ações judiciais.
Nassif, Azenha e Rodrigo Vianna são vítimas da mesma estratégia.
Devo ser o vice-campeão.
Costumo afirmar no Conversa Afiada, “diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és”.
Ou como dizia o ínclito presidente Itamar Franco, fundador do Plano Real e do programa de genéricos, “quem melhor me define são meus inimigos e, não, meus amigos”.
Sofro, provisòriamente, 40 ações, com a recente entrada de Paulo Preto no elenco
Treze das ações são de autoria do banqueiro condenado Daniel Dantas.
Também sou homenageado por Gilmar Mendes (autor de dois HCs em 48 horas para tirar Daniel Dantas da cadeia), Heráclito Fortes, Eduardo Cunha, Naji Nahas e outros da mesma estirpe.
É uma galeria que me honra.
Mas, acima de tudo, é uma agressão à liberdade de expressão.
É a tentativa de manipular a Justiça para censurar jornalistas pelo bolso.
(No caso deste ansioso blogueiro, a tentativa é inútil.)
Acabo de voltar do México, onde se acredita que o Partido Revolucionário Institucional, o PRI, vai voltar ao poder na eleição presidencial do ano que vem.
Segundo o Premio Nobel Mario Vargas Llosa, em entrevista ao jornal Excelsior, da cidade do México, o PRI vai voltar ao poder, para fazer um acordo com o narco-trafico.
Foi Vargas Llosa quem disse que, nos 70 anos em que esteve no poder, o PRI construiu uma “ditadura perfeita”.
Por fora, uma democracia.
Por dentro, uma ditadura.
“Ditadura perfeita” – é o Brasil no campo da liberdade de expressão.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Falando de gatunagem,
e as privatizações?
Do exercício cotidiano sobre a abordagem da velha, conhecida, crescente e impune corrupção, seria muito oportuno tentar situar e arranjar melhor este assunto. Toda hora que vejo as notícias sobre a corrupção no Brasil, fico a indagar porque deixamos de falar das privatizações FHC/PSDB. Esta, por si só, comparativamente às outras, situa as demais corrupções a zero, tendo em conta as siderais perdas do Estado decorrentes das privatizações.
Para se ter uma idéia dessa gigantesca drenagem de riquezas dos cofres públicos (em curtíssimo espaço de tempo), se contabilizadas todas as perdas, a valores de hoje, já ultrapassariam a R$ 10 trilhões. Isso, sim, que é perda. Ir a fundo no assunto das privatizações FHC/PSDB é indispensável e não pode ser mais postergado. Só não consigo entender, porque ainda não aconteceu. A sangria desta sideral monta de dinheiro da Nação, em quantidade jamais imaginada e vista, acabou ficando por isso mesmo. Esquecido pela grande imprensa ”livre,” pelas autoridades e pelo povo, sob o manto do silêncio. Muito estranho.
Por outro lado, a grande dificuldade em exercer o efetivo combate aos inúmeros atos e formas de roubalheiras, das pequeninas às gigantes, reside na essência do sistema capitalista, que possibilita acumular riquezas sem o equivalente trabalho. Essa mecânica, tão pertinente ao sistema, desperta nas pessoas a fantasia de ganhar muito dinheiro, sem trabalho e em pouco tempo. Muitas manobras são permitidas e aceitas no sistema capitalista como “honestas”, oportunas e espertas, mas na verdade são jogadas para se apossar da riqueza alheia. Não fosse assim, toda a classe de trabalhadores, no mundo inteiro, estaria bem de vida, vivendo com conforto e dignidade, pois que a riqueza é um produto do trabalho, e trabalho é com os trabalhadores.
Mas no sistema capitalista, os trabalhadores ficam com muito pouco da riqueza que produzem. Em sua grande maioria, continuam pobres e marginalizados, vivendo muito mal, com bilhões morando em favelas e guetos, mundão a fora. A grande parcela da riqueza produzida termina concentrada em mãos dos donos dos meios de produção e do capital. Essa concentração de riquezas é mais escandalosa e imoral em países pobres e emergentes. Nos países ricos, essa concentração é menor, por algumas razões, dentre elas, a existência de grandes transferências de riquezas dos países pobres, via indústria automobilística, medicamentos, informática, telecomunicações e muitos outros produtos tecnológicosou não, vendidos aos pobres e emergentes a preços de ouro.
Por tudo isso, fica evidente o desinteresse do sistema capitalista em dar efetivo combate aos diversos atos de desonestidades. Só não vê, quem não quer. Dentre as muitas provas, vejam as brandas e difíceis punições para os poderosos ladrões, quase sempre impunes, livres e ricos, acima das leis e de tudo. Há evidente resistência das elites em proporcionar a devida transparência econômica, financeira e bancária, para a Receita, de todas as pessoas situadas em posições que possam decidir, influenciar ou participar da gestão e dos destinos do dinheiro público, a começar pelos funcionários de estatais, funcionários públicos, políticos, magistrados, ministros, síndicos, comerciantes, empreiteiros, empresários, banqueiros e outros mais.
Outra prova da má vontade do sistema capitalista para com o exercício da honestidade é que em nenhuma escola, universidade e meios de comunicações, existe qualquer programa para sistematicamente demonstrar os desastres da desonestidade e da roubalheira. Assim sendo, combater a trapaça e a gatunagem, em todo o mundo capitalista, tornou-se jogo de faz de conta.
STF julga ação da oposição contra valorização do salário mínimo
A relatora da ação, ministra Carmen Lúcia, deve se manifestar contra a aceitação do pedido, levando em conta pareceres do Senado, da Câmara e da Advocacia Geral da União (AGU) que não veem qualquer ilegalidade na forma como será reajustado o salário mínimo. A Lei 12.382, de fevereiro deste ano, é fruto de acordo entre o Palácio do Planalto e as centrais sindicais para manter a política de valorização estabelecida ainda no governo Lula, que prevê que o mínimo seja reajustado levando em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos 12 meses anteriores e o crescimento da economia brasileira de dois anos antes.
Para os opositores, o artigo 7º da Constituição prevê que apenas uma lei aprovada pelo Legislativo pode definir o valor do mínimo. “O que se verifica na espécie nada mais é do que uma indisfarçada delegação de poderes à Excelentíssima Senhora Presidente da República”, alega a ação. “Tal delegação contrasta a mais não poder com a mais elementar concepção de separação de Poderes.”
A Advocacia Geral da União, que representa a Presidência da República, manifestou ao STF que não vê este problema, uma vez que basta ao Legislativo determinar a eventual revogação da lei e a edição de uma nova, desde que assim deseje. A AGU acrescenta que não há inconstitucionalidade porque o aumento salarial está regido pela lei aprovada este ano no Congresso, e que cabe ao Poder Executivo simplesmente declarar o novo valor, sem qualquer função regulatória. Para o órgão, a lei garante um sentido de “gradualidade, estabilidade e continuidade na promoção desse instituto social”, que passa a ser consolidado por uma política de Estado, em substituição a eventualidades de governos.
A aprovação do projeto foi fruto do primeiro grande embate entre a oposição e o governo Dilma Rousseff no Congresso. Enquanto PSDB, DEM e PPS alegavam que era preciso debater a situação ano a ano, os partidos da base aliada ao Planalto apontavam que o único anseio dos opositores seria criar uma janela para discursos que visem a criar atritos entre o governo e a opinião pública.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Banco Central: autonomia de quem, cara pálida?
Os rentistas de plantão internos e externos exigiram do Presidente Lula, mesmo antes das eleições de 2002, que o levou ao posto máximo da república, a se comprometer com uma política macroeconômica amplamente desfavorável ao país, a famigerada carta aos brasileiros. A exigência do mercado tinha como um dos pilares justamente a manutenção da política monetária praticada ao longo do governo Fernando Henrique. A receita do mercado consistia, basicamente, na utilização de juros elevadíssimos, um dos maiores do mundo, como forma de atrair capitais internos e externos para financiar a economia nacional. Contudo, a remuneração dos papeis da dívida pública brasileira, transacionados nos últimos anos, elevou a dívida interna dos seus 68 bilhões de reais no início do governo FHC para um trilhão e quinhentos bilhões no final do governo Lula.
Conforme o economista Márcio Pochmann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, apenas vinte mil famílias brasileiras têm em poder parte desses papéis, o restante, é claro, está em mãos dos grandes grupos financeiros espalhados pelo mundo afora. É importante frisar que a política monetária em vigor, além de proporcionar um aumento estratosférico da dívida pública interna, tem efeitos colaterais extremamente negativos para o dia a dia da população.
Primeiro porque impõem que 20% da carga tributária seja deslocada para rolagem da dívida interna em detrimento da saúde, educação, segurança; segundo porque o aumento dos juros restringe o crédito para a economia real, reduzindo a capacidade de crescimento da economia, o que implica em menos emprego, menos salários e menos desenvolvimento; terceiro porque utiliza da política monetária para controle da inflação, impondo ao conjunto da população metas inflacionárias que em muitos momentos favorecem mais o capital especulativo que a economia real.
É importante lembrar que o mesmo Deus-mercado que exige a autonomia do Banco Central em relação ao governo, é o mesmo mercado que exigiu a completa desregulamentação do mercado de derivativos, que levou as principais economias do planeta a mais profunda crise estrutural do sistema capitalista, desde os anos trinta do século passado. Analistas de mercado afirmam que Estados Unidos e Europa já torraram vinte e cinco trilhões de dólares com o objetivo de controlar a crise. Estão previstos ainda dezenas de trilhões de dólares para recolocar a economia das principais potências no eixo do crescimento novamente.
O debate em torno da política monetária ganhou maior dimensão há mais ou menos cinquenta dias. Naquela ocasião, o Banco Central, analisando a crise externa, seus impactos na economia brasileira, a desaceleração do crescimento interno, a desindustrialização de setores da economia, os juros exorbitantes praticados desde o início do governo Dilma, resolveu, de forma soberana, reduzir os juros da taxa Selic em 0,5%. A gritaria foi ensurdecedora. O mercado que fica com um olho no gato e outro no rato, ou seja, com um olho nos rendimentos dos papéis e no quanto a inflação come esta rentabilidade, decretou solenemente o fim da autonomia do Banco Central e conforme seus agentes e articulistas a intervenção “desastrada” da Presidenta Dilma na política monetária.
Passados cinquenta dias e mais um recuo de 0,5% na taxa Selic, que dessa vez foi previamente absorvido pelo mercado, ficou demonstrada a justeza da posição do Presidente do Banco Central e da Presidenta Dilma. Agora, passada a primeira batalha, é preciso o governo brasileiro definir de forma definitiva quem controla o Banco Central: ou o governo eleito por milhões de brasileiros ou o mercado que não teve um único voto e se arvora em controlar o Banco Central e a política monetária do país. Passou da hora, depois de quase duas décadas de Banco Central controlado e presidido por agentes do mercado financeiro interno e externo, em dar seu grito de liberdade e autonomia. Seu grito de independência ou morte.
Nesse cenário de crise internacional, com perspectiva de diminuição do crescimento global, com restrição das exportações, com desconfiança generalizada entre países e povos é que o governo brasileiro deve mudar de forma profunda a política macroeconômica. O primeiro passo é dizer ao povo brasileiro que, a partir de agora, o Banco Central do Brasil terá ampla autonomia e independência em relação ao mercado financeiro interno e externo e seus especuladores; que as políticas monetária, cambial e fiscal são de responsabilidade do governo federal, da Presidenta Dilma e de seus ministros. Enfim, que os interesses do mercado serão colocados em segundo plano.
Nesse cenário de muitas dificuldades externas e internas é preciso que o governo diga ao povo brasileiro que necessitamos de mais desenvolvimento, mais saúde, mais educação, mais emprego, mais renda para quem trabalha e produz. É hora de mostrar ao povo brasileiro e ao mundo, para além dos discursos, que os maiores responsáveis pela crise internacional que abateu milhões de trabalhadores pelo mundo afora tem um responsável: o mercado financeiro autônomo, independente e irresponsável. Deu no que deu, é hora de mudar! Gilson Reis *
* Presidente do Sinpro - MG - Sindicato dos Professores e dirigente nacional da CSC.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Wikileaks: Waack, três vezes informante dos Estados Unidos
Saiu no JB:


