quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Petrobras, a “ineficiente”, leva o Brasil ao topo

A Folha publicou: Brasil é o país que mais avaçou em petróleo no mundo entre 2001 e 2010. Subiu 60% nossa produção, e quase sem contar nesse total as reservas do pré-sal. Saímos de 18º lugar, com 1,3 milhão de barris/dia para o 13º, com 2,1 milhão debarris/dia.

E quem fez essa proeza? A arcaida, a ineficiente, a “jurássica” Petrobras. E não venham dizer que foi a privatização da exploração de petróleo que nos levou a esse ponto, porque é da estatal que vem 91% deste petróleo. Das outras, só vem alguma coisinha porque a Chevron e a Shell pegaram os bons campos de Frade e de Ostra, respectivamente, ambos na faixa de 60 mil barris diários.

É, mas a Petrobras só é mencionada uma vez, lá no finzinho da matéria.

E isso que o jornal registra é apenas o começo de uma escalada que vai quase triplicar nossa produção, até 2020.

A luta, agora, é para vencermos as pressões de quem não quer que se invista num grande parque de refin de petróleo, que nos torne exportadores de derivados, com valor agregado, e sim meros vendedores de petróleo bruto.

Essa gente não descansa, mas a Petrobras é um muro no qual costumam “quebrar a cara”.

post do tijolaço


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Presidenta vai lançar mega plano de irrigação

Bezerra Coelho: Vidas Secas só como obra de ficção

No Entrevista Record Atualidade, que vai ao ar nesta terça feira às 22h15, logo após o Heródoto Barbeiro, este ansioso blogueiro entrevistou o Ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho sobre o programa “Água para Todos”.

Ele anunciou que a Presidenta Dilma Rousseff vai lançar este mês ou no inicio de setembro um programa para irrigar 200 mil hectares no interior do Nordeste.

Hoje, no Brasil, há 400 mil ha irrigados, sendo 200 mil na região de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA).

Este mega plano se associa ao Água para Todos, para o semi-árido, onde vivem 20 milhões de brasileiros.

O Água para Todos – veja o que o Conversa Afiada já disse sobre este “Sede Zero” – vai construir 750 mil cisternas e 2 mil pequenas barragens em 4 anos.

E se liga ao conjunto de obras que nascem da Transposição do rio Sao Francisco.

As obras da Transposição nunca pararam – disse o Ministro.

(Apesar da feroz oposição do PiG (*).)

Hoje, há 4,3 mil trabalhadores nos canteiros de obras.

Nenhum trecho licitado foi glosado pelo Tribunal de Contas.

As divergências – explicou Coelho – se devem à queda de braço entre o Governo e empreiteiros que querem aditivar acima dos 25%, como fixa a Lei.

Dois milhões de brasileiros vivem no Agreste de Pernambuco, a área mais seca do Brasil.

Pobre não é pobre só porque não tem renda, disse Coelho.

Pobre é pobre também porque não tem acesso a serviço público.

E é isso o que o Governo Dilma pretende: universalizar o acesso à água.

Dentro do esforço de construir um Brasil sem Miséria.

Ela pretende visitar um canteiro de obras no São Francisco ainda em setembro.

E concluir os dois eixos – o Leste, que vai a Pernambuco; e o Norte, que desemboca no Ceará.

Em 2014.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DILMA, A NOVA FASE

Para Lembo, a presidente "tem componentes diferentes dos operadores políticos de todos os tempos" (foto Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação)

Por Cláudio Lembo, no "Terra Magazine"

“Em todos os ambientes, quando se fala em política, coloca-se uma pergunta: como vai o governo Dilma? É natural a indagação. No presidencialismo, mais que no parlamentarismo, a figura do supremo mandatário tem importância expressiva.

O Parlamento, por mais que mostre vocação cívica, jamais consegue atingir o espaço de expressão do Executivo. O Judiciário, apesar do atual ativismo, ainda é poder que exige provocação para agir.

O Executivo, ao contrário dos demais poderes, está sempre presente na vida do cotidiano das pessoas. A cidadania acompanha com acuidade todos os atos do mandatário. Eles repercutem no dia-a-dia de cada cidadão, mesmo que não incidam diretamente sobre os seus interesses imediatos.

Dilma Rousseff atingiu a Presidência da República como reflexo de uma personalidade carismática e bem sucedida. Mais ainda. Respeitada por todas as classes sociais, salvo poucas exceções.

Suceder a Luiz Inácio Lula da Silva seria tarefa difícil para o mais experiente político, mais dificuldade encontra um quadro técnico acostumado à direção direta de seus subordinados e definição precisa dos objetivos.

A política é caleidoscópio. Jamais é possível aquilatar a próxima imagem. Tudo é mutável e a volubilidade das vontades humanas se apresenta no cenário político com enervante constância.

Compreensível, pois, a idas e vindas dos primeiros meses do atual governo. Só encontrou situações complexas. Lula, o líder sindical, é homem de conflitos e acordos transitórios.

Uma técnica, que sempre ocupou cargos administrativos, não pode utilizar o mesmo meio de convicção. Não possui tradição política e nem sequer atrativo para falar sem atingir conclusões.

Daí as pequenas crises, particularmente no trato dos assuntos ministeriais. Agiu mal, cai. Esta forma de atuar não era hábito no período presidencial anterior e nem sequer faz parte dos hábitos políticos brasileiros.

O costume -diga-se de passagem, secular- é transigir e conciliar. Tudo acontece mediante conciliação. Nunca se vai às últimas consequências. Dilma rompeu a maldição.

É claro que determinados segmentos se encontram incomodados. No entanto, é possível que a presidenta esteja inaugurando um novo ciclo na política nacional.

Colocar as coisas no devido lugar. Fazer com que os fatos se tornem claros, as falcatruas expostas e seus autores exonerados é novidade que deixa perplexa muita gente.

O erro dos políticos tradicionais é nítido. Esqueceram de examinar a trajetória da presidenta Dilma. Ela sempre mostrou liderança e lutou, de maneira inequívoca, pela democracia e moralidade administrativa.

Ofereceu, em seu passado, em holocausto à dignidade humana, o seu próprio sacrifício pessoal. Sofreu em sua a integridade física e perdeu a liberdade. Permaneceu com seus princípios.

Erram, pois, os políticos, inclusive os mais experientes que, em governos passados ocuparam cargos relevantes nos poderes da República, em procurar agredi-la -e a seu governo- com palavras ou bravatas.

Dilma tem componentes diferentes dos operadores políticos de todos os tempos. Possui coragem e destemor. Não é carreirista. Quer exercer com dignidade seu mandato.

Se tudo isso não fosse suficiente, a democracia plena em que se vive não permite a presença da imoralidade administrativa e nem das velhas técnicas de desestabilização dos governantes.

A opinião pública sabe diferenciar com precisão os bons e os maus atos dos administradores. As boas e as más condutas dos políticos. Terminou a fase do quem pode leva.

Hoje, é preciso respeitabilidade para o exercício das funções públicas. A sociedade é implacável e acompanha cada movimento dos detentores de cargos nos três poderes da República.

Dilma age como quer a maioria da cidadania: preserva a dignidade do cargo e afasta firmemente os de conduta frágil. Tudo isso é novidade. Daí alguma perplexidade de seus adversários e dos analistas deformados pela paixão ou interesses.”

FONTE: escrito por Cláudio Lembo, advogado e professor universitário

BRASIL ALCANÇA PACÍFICO VIA ‘TRANSOCEÂNICA’


COM CAMINHO ASFALTADO, BRASIL ALCANÇA PACÍFICO VIA TRANSOCEÂNICA


“Lima, Cuzco e Puerto Maldonado - Foi preciso domar os caprichos da natureza para transformar em realidade o sonho de pavimentar o caminho do Brasil ao Oceano Pacífico. Mas, para tirar definitivamente do papel a Transoceânica, faltava construir uma pequena ponte sobre o Rio Madre de Dios, no Peru. Inaugurada, enfim, no último dia 15, a ponte se tornou um marco dessa complexa, singular e desafiadora rodovia, cujo megaprojeto binacional é assinado por um pool de empreiteiras brasileiras: Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

Pensada para ser um corredor de ‘commodities’, ainda não se sabe, contudo, se a rodovia vai realizar o sonho acalentado por anos pelo ex-presidente Lula. Talvez ela funcione mais como ferramenta de integração regional, incorporando áreas isoladas do Peru, e menos como uma estrada para escoar para a Ásia, via Pacífico, produtos do Centro-Oeste brasileiro, como carne, minério e soja. Isso porque a rodovia é estreita, sinuosa e remota, o que aumenta os gastos com combustível e manutenção dos caminhões.

- ‘A integração física poderia ser também comercial, se fosse assinado acordo de livre comércio entre os dois países’ - avalia o diretor de Sustentabilidade da Odebrecht Peru, Delcy Machado Filho, comentando que o megassonho de um corredor de commodities talvez não se realize, mas o fato de o Brasil já ter acesso irrestrito ao Pacífico é, sem dúvida, mais uma porta que se abre aos itens ‘made in Brazil’.

Se a origem for Santos (SP), para se chegar ao Pacífico pela estrada é preciso percorrer 2,6 mil quilômetros até os portos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan de Marcona, todos à beira do oceano.


A Odebrecht investiu US$ 1,25 bilhão para explorar por 25 anos o maior trecho da estrada, batizado de ‘Interoceânica Sul’. São 710 km de asfalto no pedaço que começa em Cuzco, passa por Puerto Maldonado, na região de Madre de Dios, e chega a Assis Brasil, no Acre. É nesse ponto, na fronteira entre os dois países, que foi preciso levantar a ponte Billinghurst [foto acima] sobre o Rio Madre de Dios, que desemboca no Brasil com o nome de Madeira.

Ao custo de US$ 32 milhões, a enorme estrutura metálica da Billinghurst, de 722,9 metros de extensão e altura correspondente a um prédio de 25 andares, era o último elo que faltava para concluir um negócio que começou a ser discutido nos anos 2000, durante a Cúpula dos Presidentes da América do Sul.”

FONTE: O Globo.com

sábado, 30 de julho de 2011

O Estado (mínimo) a que chegamos

O PONTO A QUE CHEGAMOS:
O MUNDO NAS MÃOS DO TEA PARTY
Os republicanos querem manter Obama sob rédea curta e aprovar uma elevação do endividamento público dos EUA suficiente para mais seis meses à base de pão e água. Depois, negociam mais meia cuia de água. Assim por diante, até Obama chegar às eleições de 2012 como um cachorro velho, mudo e sem dente. Um cão arrastado pelo rabo. Mas a extrema direita do partido, meia centena de membros do Tea Party, acha pouco e entornou o caldo da votação do pacote conservador na Câmara, deixando as finanças do mundo de cabelos em pé. O Tea Party quer recolher Obama/'a gastança' na carrocinha. já.

Um clamor uníssono de vozes cortou a narrativa dominante do Financial Times ao Globo, qualificando os indômitos seguidores de Sarah Palin de demenciais. É preciso cautela. O Tea Party pode ser tudo, mas não é um hospício encastoado na alavanca republicana que embalou Bush, concluiu a desregulação das finanças até o colapso de 2008, dizimou o Iraque, retalhou o Afeganistão e agora incendeia a Líbia, entre outras miudezas do ramo. O neonazista norueguês que encravou balas dum-dum nas vísceras de um pedaço da juventude progressista do seu país tampouco é um demente, como querem rapidamente resolver o caso certos veículos e personagens do conservadorismo urbi et orbi.

Tea Party e Andres Behring Breivik são um produto refinado da história. De anos --décadas-- de ódios e pregação conservadora contra o Estado, contra a justiça fiscal; contra o pluralismo religioso; contra os valores que orientam a convivência compartilhada. Sobretudo, o princípio da igualdade e da solidariedade que norteia a destinação dos fundos públicos à universalização do amparo aos doentes, à velhice, aos desempregados, aos famintos, aos loosers brancos ou negros, nacionais ou imigrantes. Breivik e o Tea Party assimilaram o cânone. Se agora escapam ao criador, louve-se a competência da madrassa neoliberal. Na crise, ambos apenas confirmam a esférica densidade da formação que receberam e investem contra a sociedade. Com fé no mercado e o dedo no gatilho.


"CAPETÃO" AMÉRICA


Como dizia o Silvio Santos (aquele cujo cunhado quebrou seu banco, "sem ele saber"): "Eu não ví o filme, mas minha filha viu, e disse que é muito bom!"

Pois bem, eu não ví o Capitao América. Talvez até vá assistir, porque não convém ripar alguém ou alguma coisa sem conhecer, mas francamente. Capitão América, em 2011?

Sobre que bases o personagem vai atuar? Vai dizer que a América defende a liberdade, como quiseram fazer durante a Guerra Fria, época em que o personagem foi criado?

O que ele fará? Vai esconder as torturas de Abu Graib? Os assassinatos de inocentes no Iraque, Afeganistão e Líbia? Vai esconder que o Tio Sam financiou e treinou milicias cruéis para assassinar civís e depor presidentes em toda a América Latina?

Vai negar que seu país entrou no Oriente Médio tão somente para roubar o petróleo e recursos naturais daqueles países atormentados?

Vai esqucer que Bush privatizou a ajuda do governo aos atingidos pelo furacão Katrina, e que dessa ajuda terceirizada, não chegou nem 15% aos verdadeiros necessitados, ficando o grosso da grana com os amigos e os amigos dos amigos?

Vai esquecer que as quadrilhas que tomaram o poder depois da Segunda Guerra quebraram o país de um jeito que nem falsificando balanços da dívida o país se livrou da quebradeira e hoje, no século 21, está a dois anos de dar o maior calote governamental de todos os tempos em todo o planeta Terra?

Ou será que o "capetão", o capeta mór, vai fazer um mea culpa e reconhecer que seu país vive há mais de cem anos da mera publicidade e da enganação, que não defende liberdade alguma e pouco se lixa para o povo, inclusive de seu próprio país?

Vamos assistir para saber qual é!
post do anais politicos

PETROBRAS IMPLEMENTA O MAIOR PLANO DE INVESTIMENTOS DO MUNDO'


PETROBRAS INVESTE US$ 224 BILHÕES E IMPLEMENTA O MAIOR PLANO DE NEGÓCIOS DO MUNDO'

“Com o governo Dilma Rousseff, a Petrobras dá continuidade ao cronograma de investimentos iniciados em 2003 com o governo do PT e aliados e vai investir US$ 224 bilhões entre este ano e 2015, constituindo o "maior plano de negócios do mundo".

A informação foi dada pelo presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, em entrevista publicada na edição do jornal “Valor Econômico” de ontem, sexta-feira. "Esse plano é mais do que o governo americano teve de orçamento em dez anos para levar o homem à lua, mais do que os aliados investiram durante a Segunda Guerra Mundial", afirmou o executivo.

O “Plano de Negócios 2011-2015” prevê a aplicação de 95% dos investimentos (US$ 213,5 bilhões) nas atividades desenvolvidas no Brasil e 5% (US$ 11,2 bilhões) nas atividades do exterior, contemplando total de 688 projetos. Em relação ao total dos investimentos, 57% se refere a projetos já autorizados para execução e implementação.

Para efeito de comparação, o governo do PSDB e DEM (ex-PFL), no segundo mandato de FHC (1999-2002), assegurou à Petrobras investimentos de apenas US$ 31,2 bilhões. O governo FHC também privatizou parte da empresa, oferecendo [para estrangeiros] cerca de um terço das ações da estatal em bolsas de valores no exterior.

Com 688 projetos acima de US$ 25 milhões com maturidades diferentes, o plano mantém o horizonte mais longo até 2020. Muitos dos projetos serão cimentados apenas no fim da década, incluindo o início da produção em grande escala no pré-sal, quando a companhia planeja pular dos atuais 2,1 milhões de barris de petróleo/dia para quase 5 milhões de barris/dia em 2020, dos quais 2 milhões de barris no pré-sal. Esse processo vai exigir extraordinário esforço de construção de sondas, plataformas de produção de diversos tipos e barcos de apoio. É, também para 2020, que Gabrielli aponta ao defender as novas refinarias.

"Sem as [novas] refinarias, a importação [do país] seria de 40% do mercado. E a Petrobras não é suicida. Não vamos perder 40% do nosso mercado", enfatizou.

Gabrielli mostra números que justificam o plano que, segundo ele, não teve nenhum atraso, apesar de ter sido apresentado três vezes ao conselho de administração. "É pura intriga. Não tem ‘o vai e vem’. Estamos falando no maior plano de negócios do mundo. Ninguém vai aprovar sem olhar com cuidado o que está fazendo. O processo de aprofundamento naturalmente tem aproximação entre diretoria e conselho de administração, que estão sempre interagindo. Estamos com um plano grande, depois de crescer muito."

O executivo falou, também, sobre os efeitos, na Petrobras, da política industrial que o governo promete divulgar em breve, lembrando o tamanho da frota de embarcações que a estatal vai ter em 2020. Cita, por exemplo, as encomendas de 65 sondas de perfuração em águas profundas, acima de 2 mil metros de lâmina d´água, quando, atualmente, a frota mundial é de 70 sondas do tipo. E diz que quem tem uma escala desse tamanho pode, e deve, abrir e expandir a indústria nacional. No total, a empresa vai adicionar 658 embarcações, de porte e complexidade diversos, à frota até 2015 e, em 2020, esse número terá aumentado para 810 embarcações.

O executivo ressalta, ainda, o "potencial gigantesco" de produção no pré-sal e as vantagens trazidas pelo salto na produção para a companhia desenvolver um parque de fornecedores nacionais. "

FONTE: site “Liderança do PT/Câmara”.

Santayana: assim nasceu a manipulação das massas

Bernays e o Tea Party americano (no Brasil também tem)

O Conversa Afiada publica artigo de Mauro Santayana, extraído do JB online:


Os assaltantes da consciência


Mauro Santayana

Muitos cometemos o engano de atribuir a Goebbels a idéia da manipulação das massas pela propaganda política. Antes que o ministro de Hitler cunhasse expressões fortes, como Deutschland, erwacht!, Edward Bernays começava a construir a sua excitante teoria sobre o tema.


Bernays, nascido em Viena, trazia a forte influência de Freud: era seu duplo sobrinho. Sua mãe foi irmã do pai da psicanálise, e seu pai, irmão da mulher do grande cientista. Na realidade, Bernays teve poucas relações pessoais com o tio. Com um ano de idade transferiu-se de Viena para Nova Iorque, acompanhando seus pais judeus. Depois de ter feito um curso de agronomia, dedicou-se muito cedo a uma profissão que inventou, a de Relações Públicas, expressão que considerava mais apropriada do que “propaganda”. Combinando os estudos do tio sobre a mente e os estudos de Gustave Le Bon e outros, sobre a psicologia das massas, Bernays desenvolveu sua teoria sobre a necessidade de manipular as massas, na sociedade industrial que florescia nos Estados Unidos e no mundo. O texto que se segue é ilustrativo de sua conclusão:


“ A consciente e inteligente manipulação dos hábitos e das opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível, o verdadeiro poder dirigente de nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas idéias sugeridas amplamente por homens dos quais nunca ouvimos falar. Este é o resultado lógico de como a nossa “sociedade democrática” é organizada. Vasto número de seres humanos deve cooperar, desta maneira acomodada, se eles têm que conviver em sociedade. Em quase todos os atos de nossa vida diária, seja na esfera política ou nos negócios, em nossa conduta social ou em nosso pensamento ético, somos dominados por um relativamente pequeno número de pessoas. Elas entendem os processos mentais e os modelos das massas. E são essas pessoas que puxam os cordões com os quais controlam a mente pública”.


Bernays entendeu que essa manipulação só é possível mediante os meios de comunicação. Ao abrir a primeira agência de comunicação em Nova Iorque, em 1913 – aos 22 anos – ele tratou de convencer os homens de negócios que o controle do mercado e o prestígio das empresas estavam “nas notícias”, e não nos anúncios. Foi assim que inventou o famoso press release. Coube-lhe também criar “eventos”, que se tornariam notícias. Patrocinou uma parada em Nova Iorque na qual, pela primeira vez, mulheres eram vistas fumando. Contratou dezenas de jovens bonitas, que desfilaram com suas longas piteiras – e abriu o mercado do cigarro para o consumo feminino. Dele também foi a idéia de que, no cinema, o cigarro tivesse, como teve, presença permanente – e criou a “merchandising”. É provável que ele mesmo nunca tenha fumado – morreu aos 103 anos, em 1995.


A prevalência dos interesses comerciais nos jornais e, em seguida, nos meios eletrônicos, tornou-se comum, depois de Bernays, que se dedicou também à propaganda política. Foi consultor de Woodrow Wilson, na Primeira Guerra Mundial, e de Roosevelt, durante o “New Deal”. É difícil que Goebbels não tivesse conhecido seus trabalhos.


A técnica de manipulação das massas é simples, sobretudo quando se conhecem os mecanismos da mente, os famosos instintos de manada, aos quais também ele e outros teóricos se referem. O “instinto de manada” foi manipulado magistralmente pelos nazistas e, também ali, a serviço do capitalismo. Krupp e Schacht tiveram tanta importância quanto Hitler. Mas, se sem Hitler poderia ter havido o nazismo, o sistema seria impensável sem Goebbels. E Goebbels, ao que tudo indica, valeu-se de Bernays, Le Bon e outros da mesma época e de idéias similares.


A propósito do “instinto de manada” vale a pena lembrar a definição do fascismo por Ortega y Gasset: um rebanho de ovelhas acovardadas, juntas umas às outras pêlo com pêlo, vigiadas por cães e submissas ao cajado do pastor. Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos pelas oligarquias financeiras. Ela anestesia as pessoas – mediante a alienação – ao invadir a mente de cada uma delas, com os produtos tóxicos do entretenimento dirigido e das comunicações deformadas. É o que ocorre, com a demonização dos imigrantes “extracomunitários” nos países europeus, mas, sobretudo, dos procedentes dos países islâmicos. Acossados pela crise econômica, nada melhor do que encontrar um “bode expiatório”- como foram os judeus para Hitler, depois da derrota na Primeira Guerra - e, desesperadamente, organizar nova cruzada para a definitiva conquista da energia que se encontra sob as areias do Oriente Médio. Se essa conquista se fizer, há outras no horizonte, como a dos metais dos Andes e dos imensos recursos amazônicos. Não nos esqueçamos da “missão divina” de que se atribuía Bush para a invasão do Iraque – aprovada com entusiasmo pelo Congresso.


É preciso envenenar a mente dos homens, como envenenada foi a inteligência do assassino de Oslo – e desmoralizar, tanto quanto possível, as instituições do Estado Democrático – sempre a serviço dos donos do dinheiro. Quem conhece os jornais e as emissoras de televisão de Murdoch sabem que não há melhor exemplo de prática das idéias de Bernays e Goebbels do que a sua imensa empresa.


São esses mesmos instrumentos manipuladores que construíram o Partido Republicano americano e hoje incitam seus membros a impedir a taxação dos ricos para resolver o problema do endividamento do país, trazido pelas guerras, e a exigir os cortes nos gastos sociais, como os da saúde e da educação. Essa mesma manipulação produziu Quisling, o traidor norueguês a serviço de Hitler durante a guerra, e agora partejou o matador de Oslo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O JORNALISMO INDUSTRIAL-MILITAR DE MURDOCH


Por Robert Koehler, jornalista e escritor, de Chicago-EUA

Blair telefonou para Murdoch repetidas vezes antes de comprometer as tropas britânicas na guerra do Iraque, em 2003, a qual foi fortemente apoiada pelos jornais de Murdoch em todo o mundo. Isso aumenta esse escândalo milhões de vezes. Temos um chefe de estado democraticamente eleito articulando com seu benfeitor secreto para trazer a guerra ao planeta.

Esse é o jornalismo industrial-militar, é o conluio na guerra para fazer dinheiro. Esse escândalo não é sobre Murdoch, mas sobre todos os que praticam o jornalismo. É hora de nos perguntarmos: de quem, afinal, somos aliados?

O artigo é de Robert C. Koehler, no “Common Dreams”

De repente ficou claro para todo mundo. Grampear o celular de uma adolescente desaparecida? Deletar chamadas, interferir na busca desesperada por seu paradeiro?

Fazer grampo de telefones das vítimas de terrorismo, de soldados mortos? Que tipo de cultura de sala de redação poderia valorizar fofocas sobre a intimidade das pessoas, obtidas de modo tão indefensável e lamentável? Que tipo de organização chamaria a isso de “notícias”? Mesmo aqueles dentre nós que há muito se enojam com a marca Murdoch tiveram seu momento de choque diante dessa notícia, deixando o cinismo de lado e cedendo. Parece que alguma coisa se mostrou aberta e exposta, à medida que os detalhes vinham à tona: não apenas a falta de ética, mas uma destituição ética absoluta em seu desprezo por nossas vidas. E esse desrespeito é o fundamento de um império midiático. Murdoch não é somente um traficante sórdido. É uma das pessoas mais ricas e poderosas no planeta –e tem uma agenda política que lhe importa mais, eu imagino, do que um bilhão qualquer em dinheiro, aqui ou ali.

A silenciosa virulência de sua influência nos acontecimentos públicos, mais do que manchetes sensacionalistas e escândalos e o comércio da calúnia que inflige sobre nós, é minha verdadeira preocupação.

Tão grande como Murdoch é nos EUA, com sua rede de propaganda de direita ‘Fox News’, ele é na Grã Bretanha, onde é mais poderoso que a família real. “Ele é frequentemente referido como o membro permanente do país no Gabinete [do Primeiro Ministro]”, escreveu Beth Fouhy, recentemente, para a ‘Associated Press’. Desde a época de Margareth Tatcher, ele tem sido o poderoso chefão dos primeiro ministros britânicos, capaz de lhes oferecer coisas que esses não puderam recusar. Quando o escândalo dos grampos foi jogado no ventilador, David Cameron, o atual primeiro ministro, vem lutando para desligar sua imagem da de Murdoch.

Mas não há escapatória para o fato de que o ex-porta voz de Cameron, Andy Coulson, foi editor de jornalismo do jornal ‘News of the World’ antes de se juntar à equipe do primeiro ministro e uma das 10 pessoas presas no caso. Eu não sei se o império de Murdoch, a ‘News Corp’, emergirá do escândalo intacta e virulenta como nunca ou se terá de ser renomeada para ‘News Corpse’ [cadáver] (pode-se apenas torcer para que isso ocorra). Mas a explosão de suas operações é momento chocante o suficiente para nos ensinar, uma chance para se repensar o papel dos jornalistas e o sentido das notícias.

Como ponto de partida, eu situo lado a lado os dois extremos da exagerada influência de Murdoch em nossas vidas, nossos políticos e nossas ideias a respeito de nós mesmos. O que deu origem ao escândalo foi a revelação, pelo repórter do ‘The Guardian’, Nick Davies, de que funcionários do ‘News of the World’ tinham grampeado o telefone de Milly Dowler, uma menina de 13 anos que foi sequestrada próximo de Londres, na volta para casa da escola, em 2002. Meses depois, seu corpo foi descoberto; ela teria sido assassinada. Antes dessa descoberta, quando só havia o temor insuportável e a esperança louca dos familiares e amigos de Milly, os subordinados de Murdoch minaram a tragédia, valorizando seu aspecto sexual, futricando as pitadas de “interesse humano” para ostentar em seu jornal.

Esse é o jornalismo completamente devotado à compaixão humana –jornalismo, eu diria, do lado errado da raça humana. A coisa tem interesse zero em contribuir para uma sociedade informada ou para criar coesão social. É ‘junk food’ tóxica, um tipo bizarro de “reality show” de abastecimento dos espectadores entediados e isolados, com nenhum outro propósito que mantê-los consumindo o produto. Isso tornou Murdoch rico além da conta. Eis aqui o outro extremo: da história de Fouhy, da AP [Associated Press], descrevendo a influência de Murdoch na política britânica: “Murdoch teria mudado sua relação de apoio a Tony Blair, o Primeiro Ministro de 1997 a 2007. Blair telefonou para Murdoch repetidas vezes antes de comprometer as tropas britânicas na guerra do Iraque, em 2003, a qual foi fortemente apoiada pelos jornais de Murdoch em todo o mundo”. Para mim, isso aumenta esse escândalo milhões de vezes. Aqui está um chefe de estado democraticamente eleito articulando com seu benfeitor secreto para trazer a guerra ao planeta.

Esse é o jornalismo industrial-militar, é o conluio na guerra para fazer dinheiro, manipulando políticos de acordo com o seu interesse no fortalecimento de seu sucesso financeiro, ao espalhar a sordidez. O vazio ético de Murdoch não é limitado por seu império midiático ‘trash’. Ele é um ‘player’ na paz e na guerra. Esse é um jornalismo fora de controle –o oposto exato da ideia de minha profissão. Em vez de manter relação adversária frente ao poder e representar os interesses daqueles de fora da sua esfera, mantém relação adversária com a humanidade. No Mundo de Murdoch, somos todos abstrações, quer tenhamos um nome (Milly Dowler) ou meramente uma marca de identificação massiva (os iraquianos). O jornalismo pode se dirigir ao poder, tornar-se seu cachorrinho e até, como as revelações da ‘News Corpse’ tem demonstrado, tornar-se o próprio poder, um ditador por trás das cenas ou dos acontecimentos, manipulando o mundo segundo os seus próprios interesses.

Mas os verdadeiros jornalistas espalham o poder ao dizerem a verdade, como Davies e o ‘The Guardian’ tomaram a frente nas revelações sobre o ‘News of the World’. Esse escândalo, finalmente, não é sobre Murdoch, mas sobre todos os que praticam o ofício do jornalismo. Chegou o momento de nos perguntarmos: "de quem, afinal, somos aliados?

FONTE: escrito por Robert Koehler, jornalista e escritor, de Chicago, Estados Unidos

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Boa parte da crise do etanol está no porto

Lembra daquela história da chuva, da seca, da florada da cana e tudo o mais que você ouviu como justificativa para o preço do etanol estar lá em cima, em plena safra?

Não são mentiras, é claro. Mas são apenas parte da explicação para o fato de, em plena safra, subirem os preços do etanol e pressionarem a inflação.

O açúcar fechou ontem a 39,94 centavos de dólar por libra-peso, em Nova York. Ano passado,nesta época, valia 16,52 centavos de dólar por libra-peso.

Ano passado, o preço do açúcar já estava alto e todos os jornais noticiaram o “engarrafamento” de navios no porto de santos, a espera de produto para embarcar. A China, aliás, expande como nunca suas compras aqui.

Este ano, a coisa ia pelo mesmo caminho. Em junho, enquanto a produção de etanol capengava aqui, a de açúcar ia muito bem, obrigado.

Em junho, as exportações de açúcar pelos portos de Santos e de Paranaguá cresceram 26%, para 2,67 milhões de toneladas em comparação com igual mês de 2010. Este mês, vão se manter no mesmo patamar de 2010, porque o mercado mundial ressentiu-se de tamanha alta, que só neste julho acumulava uma variação de 12,57%.

As usinas dizem que a safra está sendo ruim, por isso produzem menos etanol. Será que o açúcar destinado à exportação é feito de que, de beterraba?

É lógico que, para as usinas, como para qualquer atividade privada, vale a regra do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

O lucro dos exportadores de açúcar cresce, enquanto é a Petrobras, por seu compromisso com o país, que tem de segurar a elevação do preço da gasolina – em razão do aumento do petróleo – e vender quantidades muito maiores, porque a frota flex abandonou o etanol, por conta dos altos preços.

Se o Estado brasileiro foi bem vindo, ao intervir para criar a demanda por etanol, viabilizando a expansão dos investimentos do setor privado em sua produção, porque não é bom, agora, para dizer que ele tem, também, um compromisso com o abastecimento?

post do tijolaço


GOVERNO REAGE AOS DRIBLES DO MERCADO


GOVERNO REAGE AOS DRIBLES DO MERCADO E PODERÁ TAXAR EM 25% AS OPERAÇÕES ESPECULATIVAS COM DÓLAR

“Volumes tsunâmicos de capitais continuam a ingressar na economia brasileira por todos os poros. O governo dificultou alguns, outros se abriram. O governo anunciou um IOF de [até] 25% -antes era de 6%- sobre operações com derivativos que reúnem apostas especulativas sobre a cotação futura do dólar.

É uma tentativa indireta de conter um atalho encontrado pelo mercado para contornar as medidas disciplinadoras tomadas anteriormente nessa área. Um desses atalhos é o crédito intercompanhias. Fluxos enviados das matrizes para filiais brasileiras -mas também de filiais brasileiras para o departamento financeiro da sede- inundam o mercado e derretem a cotação do dólar, que, na 3ª feira (26) recuou ao nível mais baixo em 12 anos.

A operação intercompanhias ajuda a maquiar em investimento as operações de ‘carry trade’. Ou seja, o ingresso de recurso tomado lá fora a juro zero para a engorda rápida no pasto rentista mais nutritivo do mundo, a juro de 6,8% reais ao ano.

A avalanche impulsiona as importações com dois efeitos contraditórios: arrefece a inflação com o ingresso de mercadoria barata na economia, mas transfere emprego e produção para o exterior. É um ‘corner’ estratégico para o qual não existe resposta estritamente técnica. No fundo, trata-se de escolha sobre a sociedade que se quer construir no Brasil.

Esta semana, o empresário Jorge Gerdau, de cujas convicções conservadoras não se deve duvidar, defendeu abertamente limites ao ingresso de capital externo.

Há 15 dias, metalúrgicos do ABC fizeram uma greve inédita, cuja palavra de ordem era "contra a desindustrialização". Leia-se, contra o desemprego e baixos salários.

Alguns economistas de esquerda mostram-se céticos. Acham que o país perdeu o ‘timming’ para agir na medida em que permitiu valorização cambial tão grande. Reverter a roda agora trará custos e riscos -inflacionários, por exemplo- proporcionais ao exagero registrado em sentido contrário.

Cabe à política, portanto, encontrar os contrapesos de que se ressente a lógica econômica estrita. No vácuo, o rentismo dará as cartas. Uma opção seria uma ofensiva propositiva de sindicatos e empresários sobre o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro. A desordem cambial reflete desarranjo mais amplo nos preços básicos da economia -entre os quais a taxa de juros se sobressai como um aspirador que suga recursos ao rentismo, em detrimento de outras prioridades. Reordenar essa equação requer negociação política mais ampla. O antídoto ao rebote da inflação, por exemplo -ameaça embutida no caso de um controle cambial que encareça subitamente as importações- está na repactuação das bases do crescimento. Na equação ortodoxa, não tem saída: é desindustrialização ou inflação.”

FONTE: cabeçalho do site “Carta Maior”

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Crime contra a humanidade: OTAN destrói suprimento de água líbio

arte de Carlos Latuff
Infâmias


por Chico Villela


Numa demonstração de covardia, impunidade e sanha criminosa, a OTAN acaba de destruir o sistema e as instalações de abastecimento de água e a indústria de equipamentos do maior sistema de irrigação do mundo, criado pelo governo Gaddafi.

A destruição, que nega as falsas postulações de uma ONU emasculada e fútil de “proteção da população civil”, compromete o futuro do país e de mais de 70% da população líbia, que recebe água desse sistema.

Os atentados na Noruega atingiram um governo que apóia causas nobres mundo afora, prometeu reconhecer o Estado Palestino e vem retirando de sua planilha de investimentos as empresas israelenses responsáveis por construir colônias em ocupações em território palestino. Foi obra de ativistas de extrema-direita, que odeiam islâmicos e fazem reverências a Israel.

Mas a Noruega também está presente com tropas no Afeganistão, entre outros Estados membros da OTAN. Essa dubiedade vem acompanhando todas as manifestações armadas de uma Europa mergulhada em crises e que nem sequer dá conta mais de seus próprios terroristas.

O crime cometido agora pela OTAN na Líbia certamente será responsável por centenas de milhares de mortes. A carência de água é hoje a principal causa de mortes, por exemplo, de crianças em todo o planeta, seja pela sua simples falta, seja pelo uso que se passa a fazer de fontes de água contaminadas e impróprias para uso humano e das doenças que acarretam.

Os fatos abrem novas janelas sobre a atual Europa. Devastada por duas guerras gigantescas provocadas por seus próprios povos no século passado, a Europa, hoje alinhada a um império exponencialmente assassino e em acelerada decadência, mostrou-se incapaz de encontrar caminhos novos após sua trajetória colonial genocida, suas práticas militaristas assassinas e suas instituições corrompidas.

Os atentados em Oslo e na ilha vizinha em nada se diferenciam da última cartada genocida e repelente da OTAN, da qual a Bélgica, anote-se mais uma vez, faz parte. Criminosos loiros de olhos azuis estão nos dois lados dos crimes. O norueguês assassino de seu povo acha-se entre grades, será processado e condenado. Os criminosos loiros de olhos verdes que chefiam a OTAN ainda estão soltos, mas apenas matam povos não europeus. Ora, esses são “matáveis” sem dores de consciência e sem imprensas. Mas seus crimes são muito, muito, muito mais hediondos que os dos amadores solitários que matam menos de 100 pessoas. No Iraque já morreram mais de 1 milhão 400 mil pessoas.

Quem são os terroristas do século XXI?


Fonte: NovaE

terça-feira, 26 de julho de 2011

DILMA SANCIONA LEI QUE AMPLIA EM 60% FÔLEGO FINANCEIRO DO BNDES


“A presidenta Dilma Rousseff sancionou na última quinta-feira (21) lei que permite ao governo tomar, neste ano, até R$ 55 bilhões emprestados do “mercado”, vendendo títulos públicos, para injetar no ‘Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social’ (BNDES) e manter linha especial de crédito a empresas, criada durante a crise financeira mundial de 2008/2009.

A lei aumenta em 60% o orçamento de 2011 do BNDES, que de janeiro a maio emprestou R$ 43 bilhões, segundo dados divulgados pelo banco na quinta-feira. A maior parte dos empréstimos foi para os setores de infraestrutura (40%) e industrial (32%). Agropecuária, comércio e serviços dividiram o restante.

A nova lei, que não teve nenhum ponto vetado por Dilma, foi publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (22). Nasceu de medida provisória (MP) que o governo editara em março por entender que, neste ano, ainda haveria incertezas sobre a economia mundial que poderiam atrapalhar a indústria brasileira. Reforçar o caixa do BNDES garantiria às empresas que elas teriam onde buscar financiamento para continuar investindo.

O governo estima que, neste ano, o BNDES receberá pedidos de empréstimos que somam R$ 145 bilhões. Com o orçamento de cerca de R$ 90 bilhões, não seria possível atender a todos –40% teriam de ser negados. Daí, a necessidade de complemento.

O dinheiro é obtido pela Secretaria do Tesouro Nacional com a venda de títulos públicos ao “mercado”. O Tesouro providenciou, em junho, R$ 30 bilhões, dos R$ 55 bilhões que pode fornecer ao BNDES.

Alguns adversários do governo criticam esse tipo de operação porque ela ajuda a aumentar a dívida pública e causa certo prejuízo financeiro à União, produzindo, na opinião deles, efeitos duvidosos. Quando o governo vende o título, paga taxa de juros ao comprador mais alta do que aquela que o BNDES vai cobrar da empresa para a qual emprestar o dinheiro.

Essa forma de capitalizar o BNDES foi criada em meio à crise financeira mundial, porque os bancos privados pararam de fazer empréstimos às empresas do setor produtivo. A saída [bem sucedida] adotada pelo governo para preencher a lacuna foi intensificar a atuação dos bancos públicos.

Em 2009 e 2010, o governo injetou no BNDES R$ 134 bilhões em recursos tomados no “mercado”, reforçando a instituição como a maior do planeta em termos de financiamento ao desenvolvimento. No ano passado, o BNDES emprestou R$ 168 bilhões, sete vezes mais do que em 2000 e algo em torno de 4% do produto interno bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas pelo país.

Na década, o lucro do BNDES também teve crescimento expressivo. Saiu de R$ 867 milhões, em 2000, para R$ 9,9 bilhões no ano passado. Desde 2006, o lucro tem estado sempre acima de R$ 5 bilhões.”

FONTE: site “Carta Maior”.

MAIS DESINDUSTRIALIZAÇÃO: BRASIL TEM PIOR ÍNDICE ENTRE 13 PAÍSES


“O fenômeno da desindustrialização avança no Brasil —e já se torna uma ameaça para status obtido pelo país no governo Lula (2003-2010). Graças à absurda sobrevalorização do real, a indústria brasileira tem apresentado o pior desempenho entre os grandes mercados emergentes.

Os bens fabricados no Brasil estão ficando mais caros em relação ao que é produzido fora —o que torna o setor industrial do país menos competitivo em relação a seus pares. O chamado “Índice de Gerentes de Compras” (PMI, na sigla em inglês) —um indicador baseado em entrevistas feitas com executivos— apontou tendência de contração do setor no país em junho.

O PMI tenta prever o comportamento da indústria com base em informações como nível de estoques, ritmo de novas encomendas e contratações. Entre as 13 nações emergentes para o qual o índice é calculado, o Brasil foi o único a registrar queda no mês passado, embora outros países também tenham exibido tendência de desaceleração. Na média dos últimos 12 meses, o Brasil também teve expansão mais fraca que a de outras nações.

Para Fabio Akira, economista-chefe do ‘JP Morgan’ no Brasil, a fraqueza da indústria medida pelo PMI reflete, principalmente, o desempenho dos setores exportadores, mais afetados pelo câmbio valorizado. "Isso contribui para uma redução da produção industrial", diz Constantin Jancso, economista do HSBC. O HSBC, em parceria com a 'consultoria Markit', calcula o ‘Índice de Gerentes de Compras’ para um grupo de mercados emergentes (conhecido pela sigla EMI, em inglês).

Dados de produção industrial confirmam a debilidade relativa do Brasil. Entre os dez emergentes que estão no G20 (grupo que reúne importantes economias), a produção industrial brasileira em maio só teve desempenho melhor que a da África do Sul. Registrou expansão em relação ao mesmo mês de 2010 de 2,7%, ante 13,3% da China, 5,6% da Índia, 4,1% da Rússia e 6,3% da Argentina.

Segundo o economista Claudio Frischtak, da ‘InterB Consultoria’, o real forte prejudica a indústria —mas aumenta o poder aquisitivo da população. Produtos importados estão mais baratos. Porém, no longo prazo, o câmbio valorizado —resultado em parte de juros altos que atraem capitais de fora— limita o crescimento.

Em agosto, o governo deve lançar medidas de estímulo à exportação de produtos manufaturados. Segundo especialistas, incentivos pontuais ajudam setores específicos —mas não atacam a perda de competitividade do setor.”

FONTE: portal “Vermelho”,

quarta-feira, 20 de julho de 2011

As respostas que O Globo preferiu não aproveitar

Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

19 de julho de 2011

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações — privataria — e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos — tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal — ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato — também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes — como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve com a devolução do dinheiro roubado…

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF –- por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF — que acabam naturalizando a impunidade junto a população.