domingo, 6 de março de 2011

Hillary Clinton: "Estamos perdendo a guerra da informação"


No dia 2 de março, diante de um comitê de Política Externa do Congresso, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o país está perdendo a "guerra da informação". "A Al Jazeera está ganhando", resumiu. Muito citados nos últimos meses, Wikileaks, Twitter e Facebook tornam-se quase insignificantes em comparação com o papel exercido pela Al Jazeera no Oriente Médio. A Al Jazeera em inglês está suprimida para os usuários de tv a cabo nos EUA, com exceção dos que estão em Toledo, Ohio; Burlington, Vermont e Washington DC. Isso não impede, é claro que tanto Obama como a senhora Clinton critiquem a censura no Irã. O artigo é de Alexander Cockburn.

Nem mais nem menos do que a própria secretária de Estado dos EUA rendeu um incômodo tributo a Al Jazeera no dia 2 de março. Diante de um comitê de Prioridades da Política Externa dos EUA, o senador Richard Lugar pediu a Hillary Clinton que apresentasse seus pontos de vista sobre em que medida o país está promovendo sua mensagem em todo o mundo. Clinton disse de imediato que os EUA estão envolvidos em uma guerra da informação e estão perdendo. “A Al Jazeera está ganhando”, acrescentou.

“Falemos francamente em termos de realpolitik”, prosseguiu a secretária de Estado. “Estamos em uma imensa competição por influência global e mercados globais. China e Rússia lançaram redes de televisão funcionando em várias línguas, quando os EUA faz cortes nesta área. “Estamos pagando por um preço elevado por desmantelar redes de comunicação internacional depois do fim da Guerra Fria. Nossos meios privados não podem preencher essa brecha”.

Como temos assinalado durante a última quinzena, há uma florescente pequena indústria da internet que afirma que a derrubada de Mubarak ocorreu por cortesia do comando Twitter-Facebook dos EUA. O New York Times publicou numerosos artigos sobre o papel do Twitter e do Facebook enquanto ignora ou vilipendia ao mesmo tempo Julian Assange e Wikileaks. Por certo, em qualquer discussão sobre o papel da internet na convocação dos levantes no Oriente Médio, deveria se dar o maior crédito a Wikileaks. Mas Wikileaks, junto com Twitter e Facebook, tornam-se quase insignificantes em comparação com o papel exercido pela Al Jazeera.

Milhões de árabes não podem tuitar e não estão familiarizados com o Facebook. Mas a maioria vê televisão, o que significa que todos assistem à Al Jazeera que detonou o “artefato explosivo improvisado” que estourou sob a Autoridade Palestina, a saber, o conjunto de documentos conhecidos como os Palestine Papers.

Houve imensas ironias na confissão de Clinton diante do senador Lugar e seus colegas. Ao final dos anos setenta, os radicais nas Nações Unidas promoveram com entusiasmo a necessidade de uma “Nova Ordem Mundial da Informação” (NWIO, em sua sigla em inglês) para se contrapor ao controle sobre as comunicações mundiais da propaganda por parte dos países ricos, EUA na frente deles.

Ronald Reagan, em sua campanha para a presidência ao final dos anos setenta, denunciava quase que diariamente a visão da NWIO, fazendo-a parecer como um braço particularmente sinistro da conspiração comunista internacional. Sob este ataque, as Nações Unidas abandonaram o NWIO e se dedicaram ao negócio do Aquecimento Global, investindo fortemente no Grupo Intergovernamental de Especialista sobre a Mudança Climática (IPCC) como meio de restaurar o peso da ONU em todo o mundo. No que diz respeito à informação, o mundo sintonizou a CNN de Ted Turner, fundada em 1980, que se converteu precisamente no veículo de propaganda em escala global contra o qual os países do Terceiro Mundo tinham se queixado nas Nações Unidas.

E então aparece o emir do Qatar, o xeique Hamad bin Khalifa, patrono fundador e financiador da Al Jazeera, em 1996. O colaborador de CounterPunch, Afshin Rattansi, ex-BBC, foi o primeiro jornalista em idioma inglês que trabalhou na rede de televisão. Foi um momento de grande importância na história do Oriente Médio. Seu poder foi reconhecido tacitamente há algum tempo pelo governo dos EUA que pressionou as empresas de tv a cabo dos EUA para que não transmitissem suas emissões.

Nos primeiros dias da rebelião no Egito, os telespectadores nos EUA tiveram a experiência algo surrealista de ver a Al Jazeera, transmitida em um dos monitores da sala de Obama, ainda que a Al Jazeera em inglês esteja suprimida para os usuários de tv a cabo nos EUA, com exceção dos que estão em Toledo, Ohio; Burlington, Vermont e Washington DC. (Isso não impediu que tanto Obama como a senhora Clinton criticassem a censura no Irã).

Pobre senhora Clinton. Ela imagina uma vasta rede imperial de comunicações que dissemine propaganda sofisticada ao estilo estadunidense. Insinua que deveria ser financiada com fundos públicos, uma versão reforçada da “Voz da América” que seguia com devoção o público por trás da Cortina de Ferro há meio século. O modelo de propaganda é o “Poderoso Wurlitzer”, como chamavam o aparato de propaganda comandado por Frank Wisner, da CIA.

Mas o mundo seguiu adiante. Basta olhar a televisão estadunidense durante dez minutos para concluir que os comunicadores dos EUA já não têm os recursos intelectuais nem a capacidade política para montar uma propaganda exitosa bem informada. O Canal Fox é para idiotas em casa. Além disso, o que poderiam alardear os propagandistas subvencionados pelo Estado? Os ataques dos drones Predator (aviões não tripulados) no Afeganistão? Guantánamo? Trinta milhões de pessoas com trabalho precário ou desempregadas nos EUA? Os EUA já não são o que eram quando a taxa de crescimento econômico estava em alta e o capitalismo parecia capaz de cumprir suas promessas.

O 2 de março foi um dia muito atarefado. O Exército dos EUA apresentou 22 novas acusações contra o soldado Bradley Manning, suspeito de passar informação confidencial para Wikileaks. As acusações incluem “ajuda ao inimigo”, um delito capital. Essas acusações coincidiram com o pedido de desculpas do general Petraeus, também no 2 de março, ao dirigente títere afegão Karzai pelas mortes, por fogo de metralhadoras dos helicópteros Apache, de 9 crianças que recolhiam lenha em uma área montanhosa do oeste do Afeganistão. Uma décima criança ficou ferida. O general disse que sentia muito e que “lamentavelmente parece ter ocorrido um erro entre a informação sobre a localização de insurgentes e o envio dos helicópteros de ataque que realizaram as operações subsequentes”.

Entre o material entregue a Wikileaks - e que integra a acusação contra Manning – estão as sequências de ataques de helicópteros Apache em Bagdá. A internet ficou petrificada quando no dia 5 de abril de 2010, Wikileaks apresentou no Youtube um vídeo de 38 minutos e uma versão editada de 17 minutos, realizado do interior de um helicóptero Apache do Exército dos EUA, que disparou contra um grupo de iraquianos em Bagdá, na esquina de uma rua, em julho de 2007. Morreram doze civis, incluindo um fotógrafo da Reuters, Namir Noor-Eldeen, de 22 anos, e um motorista da Reuters, Saeed Chmagh, de 40 anos.

Dois mortíferos ataques de helicópteros, dois resultados diferentes para os que os divulgaram. Petraeus recebeu um tapinha nas costas por seu rápido esforço de controle de danos. Manning enfrente acusações que implicam a pena de morte.

Um de meus vizinhos, aqui em Petrolia, é o doutor Dick Scheinman, que escreveu o seguinte para a sua lista de email’s:

“Recentemente li um artigo horripilante no New York Times sobre o Afeganistão e não pude deixar de escrever a meus representantes. Talvez vocês possam fazer o mesmo. Nos aproximados da data de pagamento das nossas contribuições e a resistência ao pagamento de impostos é uma opção. Queria chamar a atenção de vocês sobre um artigo de 2 de março do New York Times intitulado “Nove crianças afegãs que buscavam lenha assassinados por helicópteros da OTAN”.

“Eu vivo com meu neto de 12 anos e, para ganharmos a vida, entre outras coisas, recolhemos e vendemos lenha. Nathan recebe 25 dólares para carregar e descarregar um punhado de lenha de nosso caminhão. Quando li esse artigo não pude deixar de pensar na pura sorte que converteu Nathan em um saudável menino estadunidense que pode recolher lenha e ganhar dinheiro, em lugar de ser um pobre menino afegão cuja vida foi destruída por homens (mulheres?) da OTAN (estadunidenses?) em um helicóptero a milhares de quilômetros de suas casas. Meu coração está repleto de amargura”.

“David Petraeus pediu desculpas. Talvez tenha filhos e netos. Talvez devesse enviar seus filhos ao Afeganistão para que recolham lenha para as irmãs destes meninos durante o resto de suas vidas com o fim de expiar esse indignante assassinato a sangue fio (“mataram os meninos um depois do outro”). Talvez os homens do helicóptero devessem fazer o mesmo. Talvez as duas filhas de Barack Obama pudessem ajudar. Talvez devessem vestir alguns trapos, beijar seus pés e pedir perdão. Mas o mínimo, o mínimo que vocês poderiam fazer é não votar nunca, jamais, que haja mais dinheiro para continuar esta guerra”.


Como disse, não é muito difícil compreender por que os EUA está perdendo a guerra da propaganda.

(*) Alexander Cockburn escreve sobre temas de segurança nacional e outros relacionados. Seu livro mais recente é: “Rumsfeld: His Rise, Fall and Catastrophic Legacy”. É co-produtor de “American Casino”, o documentário longa metragem sobre o atual colapso financeiro. Contato: amcockburn@gmail.com.

Fonte: http://www.counterpunch.org/cockburn03042011.html

Tradução: Katarina Peixoto

sexta-feira, 4 de março de 2011

Gésio Passos: a TV Globo e o golpe no futebol brasileiro









Este mês será lembrado como marco do retrocesso do futebol brasileiro. Será mais um símbolo da força que a Rede Globo exerce sobre o povo brasileiro. E poderia não ser dessa maneira. Se o futebol brasileiro fosse tocado por pessoas sérias, fevereiro de 2011 poderia simbolizar a guinada ao primeiro mundo do futebol.

Por Gésio Passos, no blog Escrevinhador

A capitalização do futebol pelos recursos da disputa pelo direito de transmissão do Campeonato Brasileiro significaria um novo período de bonança para os clubes de futebol: manutenção e retornos dos craques, atração de estrangeiros (principalmente dos craques latinos), a internacionalização do nosso futebol e a concorrência contra os gigantes clubes europeus. Isso tudo viria da organização do futebol brasileiro para seu desenvolvimento.

E é claro que vale ressaltar que isso só poderia ser possível depois que o Estado brasileiro impediu a continuidade do monopólio das transmissões de futebol. No final do ano passado, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – órgão responsável por coibir abusos de poder econômico) acabou com a exclusividade da Globo sobre o contrato de transmissão dos jogos, obrigando o Clubes do 13 a abrir uma concorrência pública para os direitos de transmissão nas mais diversas mídias.

Tudo caminhava de maneira bem transparente, os clubes prepararam um edital, ouviram os interessados e esperavam arrecadar uma soma bilionária para os campeonatos de 2012 a 2014. Mas as coisas não seriam tão simples. A Rede Globo não aceita que seus interesses sejam contrariados, nunca aceitou. E isso não é só no esporte, é na política, na economia, na cultura nacional.

Em conluio com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ela acaba de destruir o Clube dos 13. Agindo nas sombras, sabe-se lá com quais métodos de “convencimento”, a Globo impediu que a “união dos grandes clubes brasileiros” pudesse democraticamente promover a concorrência e a livre negociação do seu maior produto, o Campeonato Brasileiro.

Um pouco de história

A Globo não aceita perder sua influência na vida dos brasileiros. A Rede Globo rejeita a democracia, rejeita a legalidade, rejeita os interesses públicos. E isso não é de hoje. É bom nesse momento recordar a forma com que a Globo construiu seu império midiático.

A Globo só chega hoje onde ela chega, com seu “padrão de qualidade”, influenciando a vida de todos os brasileiros, porque ela se aproveitou de todas as benesses de quem teve o poder no Brasil. A Globo só deixou de ser um grupo pequeno carioca (com um jornal e uma rádio) para se agigantar com a ditadura militar.

De forma ilegal, ela se aliou ao grupo americano Time Life para a construção da TV Globo em 1962, com um aporte de US$ 6 milhões (até 2002, era proibida a presença de capital internacional nas empresas de comunicação brasileiras). Depois de descoberta a maracutaia, a Globo desfez o acordo, mas já era tarde para a concorrência. Com o apoio dos militares, a Globo fez parte do projeto de integração nacional pelas telecomunicações, construindo a sua rede nacional de emissoras e chegando a todo país. A Globo foi um dos pilares para os 20 anos de ditadura militar no Brasil.

No processo de redemocratização do país, a Rede Globo só “abraçou” a mobilização popular quando a queda dos militares era iminente. A emissora não cobriu as diversas mobilizações pelas “diretas já”, chegando até o clássico caso do comício que reuniu milhões na Praça da Sé, em São Paulo, e a Globo noticiou que estava acontecendo uma comemoração do aniversário da cidade, enquanto os outros canais entravam com flash ao vivo das manifestações.

Este foi um dos motivos da existência da palavra de ordem “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Isso sem contar outros casos como a manipulação do debate entre Lula e Collor em 1989, o apoio às privatizações e ao governo FHC e o ataque sistemático ao governo Lula.

Além disso, a Globo nega e impede qualquer proposta de regulação pública e debate público sobre as comunicações no país. Ela agiu contra a criação da Ancinav (agência que regularia o audiovisual brasileiro) em 2004, se negou a participar da Conferência Nacional de Comunicação e rejeita qualquer mudança na caduca legislação do setor. E assim a Globo mostra como ainda é uma das instituições mais poderosas do país. Apesar de que, ao longo dos anos, ela vem perdendo sua audiência e a influência na população brasileira.

A desmoralização das instituições

Hoje a Rede Globo está em confronto aberto com a Rede Record e seu mantenedor, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A Globo ainda se vê cada vez mais acuada pela convergência das mídias, com as jamantas das empresas de telecomunicações avançando pela TV por assinatura, internet e distribuição de conteúdos. E, nesse cenário, porque ela iria respeitar uma determinação antimonopolista do Cade?

Para a Globo, a lei, a regulação, o interesse público sempre foram detalhes a serem esquecidos. E a atual disputa pelos direitos de transmissão é um caso notório. A Globo e o Clube dos 13 assinaram um Termo de Compromisso de Cessação em outubro de 2010 concordando com o fim da preferência na compra do campeonato e a venda separada por mídias. O Clube dos 13 cumpriu sua obrigação, mas a Globo não. Ela preferiu, à sua maneira corriqueira de agir, com um golpe. E sem nenhum constrangimento.

Em nota oficial, a Globo afirma que é contra o edital do Clube dos 13, alegando que a existência da concorrência entre as emissoras e a separação do edital por mídia (TV aberta, TV por assinatura, PPV, internet, celular) inviabilizaria seu modelo de negócio. A Globo ainda publicou anúncios em todo país afirmando que está agindo em respeito ao torcedor. Ela desmoraliza o acordo com o Estado brasileiro e ainda tripudia da população.

Mas a emissora da família Marinho não aceita perder o jogo. Sua jogada é simples: rachar o Clube dos 13 e negociar individualmente com os clubes, em uma clara tentativa de manobra do acordo com o Cade. Corinthians, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Coritiba, Grêmio e Palmeiras e Santos já se submeteram ao poder Global e anunciaram não aceitar as negociação realizada pelo Clube dos 13.

Apenas São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional resistem até a abertura dos envelopes dos editais, em 11 de março. Em reunião com o presidente do Clube dos 13, nesta última terça-feira, o presidente do Cade, Fernando Furlan, disse que um provável acordo entre os clubes e a emissora poderá ser alvo de um outro processo no órgão.

Enquanto isto, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 ainda insiste em dizer que a entidade ainda tem a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão de seus associados. Oficialmente, apenas o Corinthians confirmou sua retirada do C13. A desmoralização do futebol brasileiro segue em ritmo acelerado.

* Gésio Passos é jornalista e militante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social


Hage diz que STF facilita corrupção. Gilmar vestiu a carapuça

Saiu no Blog Amigos do Presidente Lula:

STF facilita a corrupção, diz ministro da CGU


Na posse de Luiz Fux como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, acusou a Corte de, indiretamente, acabar por beneficiar criminosos de colarinho branco.


“O STF tem alguns entendimentos a meu ver extremamente conservadores na linha de um garantismo exagerado que facilita a vida dos réus de colarinho branco. Espero que o STF evolua em alguns entendimentos, especialmente naqueles relacionados ao princípio da presunção da inocência… Não pode ser a presunção da inocência a presunção da versão do réu. Depois de duas versões dadas pelo Poder Judiciário (…) ainda assim prevalece a versão do réu”


Hage deposita esperança em Fux, como defensor da diminuição de recursos e sobre a celeridade em condenações judiciais:


“É um magistrado de carreira que sabe da importância de se reduzirem os obstáculos para os processos chegarem ao final para que os corruptos possam afinal ir para a cadeia”, declarou.


Gilmar Mendes destoa e diz que tribunal é “garantista” com os corruptos


“Sempre há esse juízo sobre tal ou qual tema. Não estou seguro que o Tribunal seja bonzinho com o réu de colarinho branco. O Tribunal é garantista. O Tribunal não permite terrorismo, não permite um Estado policial” – disse Gilmar Mendes, na contra-mão das críticas.


Mendes foi “garantista” ao extremo quando fez cerão até meia-noite no STF para garantir, no mesmo dia, um habeas-corpus de soltura do banqueiro Daniel Dantas da prisão. (Com informações do Terra)

post do conversa afiada

IMPERIALISMO PREPARA CARNIFICINA NA LÍBIA


“Os povos da Tunísia e do Egito derrubaram duas cruéis ditaduras apoiadas política, econômica e militarmente pelas potências imperialistas dos EUA e da União Europeia. Fizeram-no através de movimentos insurrecionais maciços, com marcada tendência revolucionária democrática e anti-imperialista. Na Líbia, o anseio por democracia está sendo atropelado pela guerra civil e a ameaça de agressão externa.

Por José Reinaldo Carvalho

A experiência foi pedagógica e logo a oposição aos regimes retrógrados, contida a ferro e fogo durante décadas, se alastrou por todo o Magreb e Mashrek. Palavras como dignidade, liberdade, democracia, justiça social, independência nacional, soberania popular, morte aos tiranos, passaram a ser gritadas e cantadas como salmos no belo e sonoro idioma árabe. Uma jornada revolucionária que marca uma época, faz história e certamente muda qualitativamente o destino de milhões de pessoas.

Os meios de comunicação ligados às potências imperialistas fazem grande alarde sobre a rebelião árabe, aparentemente a apoiam, mas na prática, ao evidenciar o supérfluo e esconder o essencial, aplicam a velha tática do Leopardo, de mudar algo para que tudo fique na mesma. Atraem a atenção do público para o pitoresco e, no máximo, para manobras políticas no quadro da criação de um regime liberal-burguês.

Certamente, as palavras gritadas pelos manifestantes e insurretos em todo o norte da África e no Oriente Médio não têm o mesmo significado quando interpretadas pelas forças revolucionárias e progressistas, que apoiam a emancipação dos povos, e os imperialistas, que visam perpetuar o jugo.

"NOVO ORIENTE MÉDIO"

Por isso, nesta hora todo cuidado é pouco com o emprego de conceitos e expressões. Não é de hoje que o imperialismo estadunidense introduziu na cena política a luta pela "reestruturação" e a "democratização" da região, das quais surgiria o "novo Oriente Médio". Ninguém menos do que George W. Bush transformou essa meta no mantra dos seus dois mandatos. Há dez anos o mais facínora de todos os mandatários do mundo moderno iniciou, pelos meios mais bárbaros, o combate pela "democratização do Oriente Médio", fazendo uma guerra de terra arrasada no Afeganistão.

Menos de dois anos depois, atacou o Iraque, de onde as tropas norte-americanas ainda não se retiraram. Massacraram o povo e cometeram magnicídio. Em 2006, quando o Líbano ardia em chamas, sob os bombardeios da aviação dos sionistas, bandidos financiados e armados pela Casa Branca e o Pentágono, a então secretária de Estado de Bush, Condoleezza Rice, disse que das cinzas nasceria o novo (sic!) Oriente Médio.

Na época, os falcões de Washington não podiam imaginar que a onda de rebeliões poria em cheque as repúblicas ditatoriais e as monarquias retrógradas dos seus acólitos: Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Barein, Jordânia, Marrocos, Iêmen et caterva. O objetivo eram os Estados inquinados como "bandidos": Irã e Síria. Quando se referiam a outras regiões esses alvos eram acrescidos pela Coreia do Norte, na Ásia, e por Cuba e Venezuela na América Latina.

PARA NÃO PERDER O CONTROLE

Bush não está mais à frente da Casa Branca, mas essencialmente a política militarista não mudou, embora muitos se iludam, como o professor José Luís Fiori. Em artigo recentemente publicado, defende que “o projeto do presidente dos Estados Unidos pode revolucionar a geopolítica mundial”.

Os Estados Unidos e demais potências imperialistas não mudam na essência, mas fazem seu jogo tático. Procuram adaptar-se à nova situação. Se a rebelião e a insurreição das massas são inevitáveis, se os tronos balançam e as cabeças coroadas periclitam, os Estados Unidos e seus aliados buscam diferentes formas de transição, experimentando juntas militares pacificadoras, novas constituições e toda a sorte de arranjos liberais, com o objetivo de que a situação não escape do seu controle.

É nessa perspectiva que se deve analisar os acontecimentos na Líbia. Tal como nos demais países, a Líbia também viveu um breve momento de ebulição democrática. Mas, diferentemente de todos os demais países em que estão em curso rebeliões, os acontecimentos subsequentes mostraram que não era de manifestações democráticas nem de uma insurreição popular que se tratava.

As manifestações foram a gota d´água para o início de uma guerra civil e a montagem de pretextos para a intervenção militar estrangeira. O noticiário dos últimos dias está repleto de fatos comprovadores de que muito ao contrário de uma revolução popular, está em curso na Líbia uma operação pré-ordenada, em que se mancomunaram interesses internos com externos.

Kadafi, antigo líder de uma revolução anticolonial, está sendo demonizado. Durante três décadas ele se compôs com forças progressistas e anti-imperialistas no mundo. Ultimamente, fez alianças espúrias com o imperialismo mas não se converteu, como em seu tempo Sadat e depois Mubarak, em fantoche. Não exercendo qualquer controle sobre a Líbia de Kadafi, diante do menor sinal de instabilidade política, os EUA e as potências europeias se movimentam pressurosamente para se apoderar do país e de suas riquezas energéticas.

PRETEXTOS DE TODO O TIPO

A democracia na Líbia é questão urgente a resolver. Mas não virá pelos tanques e porta-aviões dos EUA e da OTAN. A luta democrática é indissociável da soberania nacional e da soberania popular. A agressão armada viola os princípios da Carta das Nações Unidas.

Em nome do interesse das grandes potências de açambarcar o petróleo da Líbia, estão sendo invocados pretextos de todo tipo: milhares de mortos, uma centena e meia de milhar de refugiados, proteção a estrangeiros residentes no país, crise humanitária. Nenhum desses pretextos se sustenta. Os mortos e refugiados resultam da guerra civil. O exército se dividiu, uma parte aderiu à oposição. Os dois lados disparam, ferem, matam, provocam êxodo. Quanto aos estrangeiros residentes no país, não se registra qualquer ocorrência. Somente a China repatriou em poucos dias 30 mil trabalhadores sem incidentes.

Nada justifica a intervenção armada dos Estados Unidos e da OTAN. A ONU não deve autorizá-la sob pena de ser responsabilizada por mais uma carnificina. O sistema multilateral, ainda que precário, tem mecanismos que podem ser acionados para ajudar na estabilização da Líbia. A humanidade deve estar vigilante e solidária com os povos da Líbia, de todo o norte da África e do Oriente Médio, na luta pela democracia e em defesa de sua soberania. Os movimentos de solidariedade e os governos democráticos e progressistas não devem permitir que se repita a agonia de um país sob o tacão da OTAN, como ocorreu há mais de uma década na ex-Iugoslávia.”

FONTE: escrito por José Reinaldo Carvalho, Editor do portal “Vermelho”

BRASIL JÁ É A 7ª ECONOMIA DO MUNDO


MANTEGA: COM PIB RECORDE EM 2010, BRASIL JÁ É A SÉTIMA ECONOMIA DO MUNDO

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que, com o PIB recorde de 7,5% divulgado quinta-feira (3) pelo IBGE, a economia brasileira ultrapassou a da França e do Reino Unido em paridade de poder de compra e é agora a 7ª maior economia mundial.

Entre os países do G20, o crescimento [em 2010] do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro foi o quinto maior, ficando atrás de China, Índia, Argentina e Turquia.

De acordo com Mantega, esse crescimento não sinaliza um superaquecimento da economia. Para ele, os dados mostram que já há um desaquecimento no último trimestre. Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,675 trilhões em 2010. "Isso mostra a capacidade produtiva da economia brasileira, o potencial que vem sendo realizado nesses últimos anos. Mostramos nossa capacidade de crescer cada vez mais", afirmou Mantega.

O ministro disse ainda que o crescimento significativo do investimento mostra a qualidade do crescimento brasileiro, já que está havendo expansão na capacidade produtiva brasileira. "Isso nos habilita a continuar o crescimento nos próximos anos e crescimento equilibrado com mais oferta de produto afastando problemas de abastecimento e de inflação", completou.

O percentual [de crescimento] do PIB é o maior desde 1986, quando houve a mesma alta. No entanto, a metodologia da série foi modificada em 1996.

Com o crescimento mais arrefecido na parte final do ano, o PIB subiu 0,7% no quarto trimestre de 2010, em relação aos três meses imediatamente anteriores. Na comparação com o período de outubro a dezembro de 2009, a economia registrou alta de 5,0%.”

FONTE: portal do PT
via democracia e politica

quinta-feira, 3 de março de 2011

Emir Sader: Pensamento crítico contra pensamento único

Emir Sader


por Emir Sader*

O maior debate de ideias do nosso tempo é aquele que opõe o pensamento crítico ao pensamento único. A hegemonia neoliberal impôs o pensamento único e o Consenso de Washington como formas dominantes de enfocar a realidade e orientar as formas de vida das pessoas. Apologia do mercado, desqualificação dos Estados, taxação das políticas sociais como “populismo”, tentativas de desmoralização de tudo o que diferisse do capitalismo e do liberalismo, criminalização dos movimentos sociais e das suas lutas, entre outras fórmulas, foram disseminados pela mídia, pelas grandes editoras, ocupando espaços conquistados pelas grandes empresas monopolísticas.

Governos como os de Collor, Itamar, FHC, foram expressões do pensamento único e do Consenso de Washington. Consideravam que só havia uma política possível, aquela centrada nos ajustes fiscais e na estabilização monetária como eixo central dos governos. Governaram com programas similares aos de Menem, Fujimori, Carlos Andrés Perez, Salinas de Gortari, segundo as fórmulas do FMI, da OMC e do Banco Mundial.

A imprensa e as editoras difundiram esse discurso como o único possível, produzindo nova geração de best-sellers e de personagens da imprensa escrita, radial e televisiva, que se valiam do monopólio das empresas que os empregavam para repetir, mecanicamente, sem nenhuma criatividade, os mesmos jargões do pensamento único.

Os jornais foram perdendo interesse, todos se parecendo entre si, como se fossem escritos pela mesma pessoa, sem inventividade e defasados da realidade concreta. Os noticiários da TV foram sendo povoados por personagens grotescos, que banalizavam qualquer análise, vulgarizando os temas, sem qualquer informação ou análise concreta. Tudo isso foi desmoralizando a imprensa e fazendo com que os best-sellers esgotassem sua vigência conforme as crises seguintes fossem tirando-os de moda. Enquanto foi aparecendo a imprensa alternativa, hoje centrada na internet, que os derrota cotidianamente, de forma democrática, pluralista, inovadora, com ironia e criatividade.

A década que termina foi aquela que foi enterrando o pensamento único, esses personagens folclóricos na mídia e as forças políticas que os representam. A América Latina, principal vítima do neoliberalismo, foi quem mais fortemente reagiu, derrotando a imprensa monopolista e seus esquemas de pensamento.

Quando praticamente toda a mídia atacou Lula ao longo dos 8 anos do seu mandato, mas Lula terminou-o o com 87% de apoio e só 4% de rejeição – o que foi conquistado da opinião pública por essa mídia -, estava dada a derrota do pensamento único, do Consenso de Washington e dos seus porta-vozes. O mesmo aconteceu em muitos outros países da América Latina.

O debate atual sobre um simples projeto de promoção de debates de interesse geral para o Brasil de hoje em um centro de caráter público gerou uma resistência feroz da parte dos porta-vozes do pensamento único, que acreditam que ainda gozam do monopólio de formação da opinião publica. Será que não se dão conta de que suas ideias foram derrotadas nas últimas três eleições presidenciais? Que esses órgãos da mídia, que apoiaram a ditadura, foram perdendo leitores, credibilidade, viabilidade, foram sendo abandonados pelos jovens, pelos que preferem o pensamento crítico ao pensamento único?

É uma triste – e muito dura para eles – decadência, irreversível. Os brasileiros demonstram, no apoio que deram e dão ao Lula, atacado por eles todos os dias, como se autonomizaram desses meios que tentavam fazê-los pensar todos iguais, pela cartilha dos organismos internacionais.

Jornalistas mais jovens foram ocupando lugares nessa imprensa e envelhecem rapidamente, não conseguem ter sensibilidade popular para sentir como os governos Lula e Dilma triunfam porque se opuseram a seus clichês, porque derrotaram e derrotam cotidianamente suas opiniões. Os mesmos órgãos que repetem esses clichês ficam implorando para que escrevamos para eles. Eu lhes respondo que um texto dos “blogueiros sujos” – como o seu candidato nos chamava – tem milhares de vezes mais leitores do que um texto na sua mídia, que vende cada vez menos, cada vez é menos lida, cada vez mais é reduzida à intranscendência.

Hoje os grandes pensadores brasileiros são os que exercem ativamente o pensamento crítico contra o pensamento único. Pensadores como Marilena Chauí, Maria Conceição Tavares, José Luiz Fiori, Maria Rita Kehl, Wanderley Guilherme dos Santos, Leonardo Boff, Marcio Pochmann, Tania Bacelar – para mencionar apenas a alguns – desenvolvendo suas formas distintas de pensamento em uma lógica oposta aos dogmas do pensamento único, que continua a orientar a velha mídia. Por isso são cada vez menos lidos, não são mais levados em conta, constituem a útima geração de jornalistas desse tipo, de uma mídia monopolista que perdeu importância e viabilidade. Sobram para eles personagens grotescos, muitos deles ex-esquerdistas, que se penitenciam a vida inteira por ter sido de esquerda e repetem os mesmos clichês de todos, para poderem ter algum espaço nos jornais, revistas e programas de televisão.

O Brasil mudou e derrotou tudo isso que representa o Brasil do passado, aquele que fez do nosso país o mais desigual da América Latina e um dos mais desiguais do mundo. Aqueles que reclamam dos espaços de pensamento alternativo – na internet, nos centros de debate, nas publicações novas – são os mesmos que reclamam que os aeroportos se parecem a rodoviárias, os que reagem brutalmente para tentar impedir que a massa da população brasileira tenha acesso a bens fundamentais, até há pouco reservado a eles. São os que perderam e seguem perdendo as eleições, porque estão sem sintonia com o novo país. Usam ainda o monopólio privado da mídia para tentar sobreviver um pouco mais.

Todas as agressões que me reservam, eu as recebo como condecorações ao pensamento único. Não tive medo da ditadura, de processos que tentaram me silenciar, resisti, como tanto outros, a toda essa engrenagem e saímos vitoriosos, com a vitória do Lula e da Dilma. Grave seria se me exaltassem, eu esperava isso, porque conheço a direita brasileiro e seu ranço elitista. Porém o Brasil para todos os condena a falar para si mesmos, enquanto um novo Brasil surge, apesar de tudo isso e contra o pensamento único e o Consenso de Washington.

Os projetos propostos não serão brecados por essa barreira de intolerância e de neo-bushismo, dos saudosos de outras épocas em que dominavam a esfera pública. Esses projetos serão realizados – em um ou outro espaço público, disso não tenham dúvidas – e esperam contar com o apoio de todos os que preferem o pensamento crítico ao pensamento único. Eles passarão, nós passarinhos.

* Emir Sader é sociólogo e professor de Ciência Política, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

PS do Viomundo: O sociólogo Emir Sader deveria assumir esta semana a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. Porém, caiu antes. Foi após críticas à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, numa entrevista à Folha de S. Paulo. A informação foi publicada hoje no portal de O Globo.

Lula sobre Dilma: vai levar a Classe C para a Classe B


Para os tucanos de São Paulo, a Classe C fica entre a Primeira e a Executiva


O Conversa Afiada reproduz post do blog Amigos do Presidente Lula:

Em palestra na LG, Lula diz: pelo que conheço da companheira Dilma, … a classe C logo vai para a classe B


Na palestra para a LG, Lula foi apresentado por um executivo da empresa afirmando que o bom momento da empresa devia-se ao resultado da política econômica conduzida por Lula em oito anos.


A palestra teve 15 minutos iniciais aberto à imprensa, quando Lula leu alguns números da empresa. Uma das exigências de Lula foi que os jornalistas não ficassem até o final sob o argumento de que só voltará aos holofotes depois do carnaval. Após a saída dos jornalistas, o presidente incluiu improvisos em sua palestra.


Ele recebeu um valor estimado de R$ 200 mil pela palestra (ninguém divulgou o valor exato).


Segue alguns trechos da fala de Lula:


Apoio e confiança em Dilma


“Esse é o país que nós queremos continuar construindo… Confio plenamente na integridade, no compromisso, na ideologia da companheira Dilma… E tenho certeza, pelo que conheço da companheira Dilma, esse país vai permitir que a classe C logo vá para a classe B.” – disse Lula.


Marolinha


“As pessoas diziam nos jornais: ‘Quero ver se o Lula agora vai conseguir governar com a crise’. O mundo até então estava crescendo, eles diziam que era sorte. Quando [então] veio a crise, eu disse que era uma marolinha. Por conta da marolinha, eu fui achincalhado, diziam que eu estava menosprezando a crise”, afirmou Lula.


Lula disse ainda que foi um ato de “coragem” ter feito em rede pública de televisão o que chamou de “apologia do consumo”. “Eu fiz uma coisa que poucos políticos tiveram coragem de fazer. Quando começou essa história de que o povo estava com medo de comprar, eu chamei o Franklin (Martins, ex-ministro da Comunicação Social), e disse: ‘Se prepara que eu vou à TV fazer pronunciamento fazendo apologia do consumo’.”


Ele disse então que foi criticado dentro do próprio governo. “Tinha gente que não queria que eu fosse porque era arriscado. Mas eu acho que ajudou a resolver.”


Para Lula, a política de “diminuição da desigualdade e distribuição de renda foram importantes para reduzir os impactos [da crise]. (…) Não foi por força de qualquer mágica que superamos a crise.”


História de bastidores da crise provoca risos na platéia


Lula relatou um momento durante a crise que arrancou risos da plateia. “Quando vi que as montadoras estavam entrando em crise, chamei o Banco do Brasil e disse: ‘Preciso que o banco financie carro’. Me disseram: ‘Mas o BB não tem expertise’. Falei: ‘Mas quanto tempo precisa para que a gente forme essa tal expertise?’. E me responderam que em uns dois anos. Eu falei: ‘Então vamos comprar essa tal expertise. E compramos o Votorantim.”


Acesso ao consumo de eletro-eletrônicos


Lula destacou a importância do crescimento econômico do país, a criação de 15 milhões de empregos com carteira assinada, os 20 milhões de pessoas saíram da pobreza, os 36 milhões entraram para a classe média, o Luz para todos, como indutores para a indústria eletrônica.


“É mais gente trabalhando e consumindo”, disse, para defender o acesso de todos aos eletro-eletrônicos, como os da LG. “Não basta a gente ter um terço da população com acesso à tecnologia, é preciso que a gente tenha toda a população brasileira”, afirmou.


Fim da submissão colonial demo-tucana


Lula disse também como era antes de seu governo (no governo FHC): “O Brasil sempre teve problema de autoestima. Havia quem dissesse que tinha complexo de inferioridade. Nelson Rodrigues dizia que tinha complexo de vira-lata… Como diz Chico Buarque, a gente não fala grosso com a Bolívia, mas também não fala com os Estados Unidos como os outros faziam. A gente fala manso e respeitosamente com todos”, completou.


Antes de encerrar, usou o slogan muito usado durante seu governo: “sou brasileiro e não desisto nunca”. (Com informações do Ig, G1, Ag. Estado)

Ivan Valente: O debate interditado sobre os juros da dívida


por Luiz Carlos Azenha

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) resume a situação, grosseiramente, assim: os bancos mandam no governo, os bancos mandam na oposição, os bancos mandam na mídia.

Por isso, o debate sobre a dívida pública brasileira (de 2 trilhões de reais) e os juros e amortizações pagos em função dela (380 bilhões de reais em 2009) inexiste.

A partir da CPI da Dívida Pública, que teve baixíssima repercussão na mídia brasileira, Valente produziu um relatório de 870 páginas que apresentou ao Ministério Público Federal, propondo que haja uma auditoria das irregularidades e ilegalidades. “A grande mídia não tinha interesse nesse debate”, afirmou.

Motivo? Qualquer debate sobre o assunto pode causar “instabilidade no consenso conservador” que se formou entre o governo Lula e a oposição.

Valente também acha importante que se debata o custo que as reservas internacionais de cerca de 300 bilhões de dólares tem para o Brasil. Três quartos delas são em títulos do Tesouro americano que pagam juros baixíssimos, quando pagam. Em compensação, os títulos públicos que o Brasil emitiu para sustentar as reservas custam “até 14% de juros”. É como reservar o salário pagando com cheque especial.

O deputado diz que a dívida pública é “o grande gargalo” que impede os investimentos em saúde, educação e infraestrutura.

Na educação, diz que o PT “absorveu ideologias do tucanato”: o papel do governo, via ENEM, por exemplo, seria apenas o de avaliar, não de investir maciçamente em educação pública para todos, em todos os níveis.

Ele lembra que o Congresso aprovou em 2001 o investimento mínimo de 7% do PIB na educação, projeto vetado pelo então presidente FHC. O veto foi mantido ao longo de todo o governo Lula, com a taxa de investimento na educação chegando aos 5% apenas agora, em 2010.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O deputado que está dando o que falar


Enfim, surge na política nacional uma esperança de político ficha-limpa, preparado e defensor da ética. Conheça José Antonio Reguffe, o deputado proporcionalmente mais votado do País.

Carlos Newton

na Tribuna da Imprensa, sugestão da Sandra Prazeres (por e-mail)

Como se trata de um exemplo de austeridade e comportamento político, vale a pena reproduzir aqui uma reportagem do “Jornal da Comunidade”, de Brasília, mostrando que nem tudo está perdido. É um deputado federal de 39 anos, idealista, filiado ao PDT, cuja carreira pode surpreender favoravelmente a opinião pública. Chama-se José Antonio Reguffe, é economista e jornalista. A entrevista com ele foi feita pelo repórter Luis Ricardo Machado.

“Em meio à onda de escândalos no cenário político de Brasília em 2010, fato que gerou a queda do governador, secretários de estado e alguns deputados distritais, o discurso pela ética e pela honestidade na política ganhou eco nas eleições da capital federal.

Sem utilizar recursos milionários e atuando da mesma forma que foi eleito deputado distrital em 2006, José Antônio Reguffe (PDT) obteve 266.465 mil votos, 18,95% dos votos válidos a deputado federal, e tornou-se o novo fenômeno da política nacional. Respeitando as proporções do coeficiente eleitoral, Reguffe foi o candidato proporcionalmente mais votado em 2010 à Câmara dos Deputados.

Estreou na Câmara fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Geral da Casa. Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para apenas R$ 4.600.

Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.

“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

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VEJA AGORA O QUE PENSA REGUFFE

Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Reguffe fala desta votação expressiva, dos próximos planos para o futuro, de quem apoiará ao governo do Distrito Federal e dos projetos que defenderá na Câmara em prol da moralização da política.

Como o senhor explica o número expressivo de votos obtido nestas eleições, o que proporcionalmente foi o maior do país?

Eu penso que isto é um reconhecimento ao meu mandato como deputado distrital. Creio que por ter cumprido todas as promessas que fiz durante a campanha, fato que para muitos seria impossível, o eleitor se sentiu respeitado. Prometi abrir mão dos salários extras que os deputados recebem, reduzi minha verba de gabinete, eliminei 14 vagas de assessores no meu gabinete e só com isso economizei aos cofres públicos mais de R$ 53 mil por mês, dinheiro que deveria estar na educação, saúde, segurança pública, e não para os deputados terem assessores em excesso. A economia total foi de mais de R$ 3 milhões nos quatro anos de mandato através dessas iniciativas.

Que projetos o senhor conseguiu aprovar nestes quatro anos como distrital?

Consegui aprovar alguns projetos, como por exemplo o da água que concede bônus-desconto de 20% ao consumidor que conseguir reduzir seu consumo, tomando como base o mesmo mês do ano anterior. Este projeto inclusive está sendo copiado por várias assembléias legislativas do Brasil inteiro. Outro exemplo importante é o projeto que incentiva o uso da bicicleta exigindo a instalação de bicicletários em centros comerciais e bancos. Além de projetos é preciso salientar que no meu mandato apresentei várias denúncias e fiz um trabalho de fiscalização de gasto do dinheiro público.

Pelo número de votos, o senhor está sendo um destaque da política de Brasília. Pretende apoiar o novo governador?

Primeiro eu gostaria de dizer que votei na Marina (Silva) no primeiro turno para presidente. Agora no plano local vou apoiar o Agnelo Queiroz para o governo, apesar de não me sentir representado pelo PT.

Quais motivos o levaram a apoiar o Agnelo?

O Roriz já teve a chance de governar a cidade por 14 anos e o Agnelo representa um novo caminho, uma outra alternativa. Acho que Brasília precisa desta alternativa nova, apesar de preferir que fosse algo diferente do PT e do Roriz. Mediante a estas duas alternativas no segundo turno em Brasília, meu voto e meu apoio foram para Agnelo.

Nas eleições presidenciais o senhor apoiou algum dos candidatos no segundo turno?

Eu não me sentia representado nem pelo PT nem pelo PSDB e por isto não tinha como pedir voto para algo que não acreditava.

Eleito deputado federal, quais projetos e propostas defenderá na Câmara dos Deputados?

Acho que a primeira coisa que precisamos debater no Congresso Nacional é a questão da reforma política. Este país precisa urgentemente de uma reforma política profunda e urgente. As pessoas hoje não se consideram representadas na classe política e há um poço que separa representantes de representados. Nós vivemos em um Estado Democrático de direito, mas não vivemos em um Estado Democrático de fato. Há uma crise na nossa democracia representativa que é culpa dos personagens, dos desvios éticos inaceitáveis, mas também é culpa do sistema.

E como poderíamos definir esta reforma política?

Eu elenquei durante a campanha cinco pontos de uma proposta para a reforma política que vou apresentar e defendo. O primeiro deles é o fim da reeleição para cargos executivos e a proibição de mais do que uma única reeleição para cargos legislativos. É preciso oxigenar a política constantemente, quebrar vícios e renovar a política de uma forma constante.

Qual as outras propostas?

A instituição do voto facultativo no Brasil e o fim do voto obrigatório. O resultado do voto obrigatório é o Tiririca. O Tiririca com o voto facultativo não seria eleito. Além disto, o voto obrigatório dá margem a todo tipo de influência do poder econômico. É preciso trazer mais consciência ao gesto de votar. A terceira proposta é o voto distrital. Hoje há uma distância enorme entre representantes e representados, e precisamos diminuir esta distância. A política tem de se tornar mais acessível. Os candidatos têm de fazer campanha no Distrito Federal todo, se tornando muito caro. Se diminuir a área geográfica da campanha você acaba barateando. A quarta é a instituição de um sistema de revogabilidade de mandatos parlamentares. Uma pessoa para ser candidata a um cargo, teria de registrar o panfleto de campanha na justiça eleitoral com seus compromissos de campanha e a justiça colocaria isto em seu site. Uma vez eleito, qualquer eleitor, tendo votado nele ou não, poderia entrar na Justiça e pedir o mandato dele de volta se o candidato não cumprir qualquer um dos compromissos de campanha. E, por último, a proibição de doações privadas e a instituição do financiamento exclusivamente com fundo de campanha. Hoje há uma promiscuidade enorme entre público e privado, e esta nova regra daria uma chance maior de uma pessoa de bem disputar uma eleição menos desigual.

E qual seria a sua proposta de financiamento de campanha?

A minha proposta de financiamento de campanha é diferente da que está tramitando atualmente no Congresso Nacional. A que defendo é que o TSE e os TREs fariam uma licitação e a gráfica que ganhasse imprimiria os panfletos de todos os candidatos com o mesmo tamanho, número e formato para todos. Assim tamém seria feito com a produtora que ganhasse. Ela gravaria a propaganda para todos. Desta forma daria igualdade de condições entre os candidatos.