quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Elite bandida é a causa da imagem horrível de todos os brasileiros no exterior

Ficção...

...ou realidade. O que é pior no Brasil?
Humberto Capellari 
"Brasileiro" mal-educado

Quem cresceu durante os anos 70, 80 e 90 lembra: a fama do "brasileiro" no exterior era de alguém mal-educado, falador, gritalhão, cheio de querer levar vantagem em tudo, desonesto, e por aí vai. Eu vivia escutando aquelas piadas nas quais, no final, o brasileiro ou pisava na grama onde era proibido, ou entrava pra nadar onde era proibido. A imagem ( e a auto-imagem ) do "brasileiro" era das piores, a ponto de escolherem o Ayrton Senna como o "brasileiro respeitado lá fora".

Mas tinha uma pegadinha. 

Quando o FHC ou alguém da imprensa falou que, com o Real, até a empregada doméstica finalmente viajou pela primeira vez pro exterior. 

Ou seja, A PARTIR DALI, pobre ia pro exterior. Eia! Sus!

Mas pera lá!

Se "o brasileiro" era motivo de vergonha nos estrangeiro, e só a partir dos anos 90 os pobres começaram - era o que se dizia - a ter a possibilidade de ir pro exterior, quem raios era o tal "brasileiro" que era nosso tal motivo de vergonha?

A resposta é óbvia e econômica: apenas quem tinha dinheiro para fazer isso, oras.

Então, até o Zé do Pé Sujo, que nunca tinha pego avião nem pra ir visitar os pais noutro Estado, estava sendo responsabilizado - durante décadas - pela má-educação e outras qualidades negativas e vergonhosas de seus conterrâneos que tinham recursos para nos fazer passar vergonha lá junto aos gringos?

Sim, Exatamente isso.

É aquilo que chamam "o todo pela parte".

Pra piorar, era justamente a parte com recursos financeiros, a parte que viajava e que formava a imagem negativa do país lá fora é que ficava aqui dentro reclamando de como "o brasileiro" era malvisto no outros países. E contando as piadas de "brasileiro" mal-educado a que me referi.

Ou seja, o papagaio com grana comia o milho e o periquito Zé do Pé sujo levava a fama, e o porra do papagaio com grana reclamava do periquito!

E quem será que está nos estádios olímpicos agora vaiando ( com ou sem razão ) Deus e o mundo?
O "brasileiro", claro.

Não mudou nada nessa merda de Bananestown

Reinaldo Azevedo, guru da direita delirante, é o retrato da indigência moral dos golpistas

O rottweiler virou poodle
Guilherme Boulos


Nem sequer Michel Temer foi efetivado como presidente da República, mas sua interinidade já foi o suficiente para ocasionar curiosas metamorfoses no comportamento de muita gente, até mesmo no reino animal.

Reinaldo Azevedo, guru da direita delirante, tornou-se conhecido por ataques raivosos, cheios de ranço e impropérios, contra o governo petista. Isso lhe rendeu o apelido de "rottweiler". Pouco rigoroso, é verdade, já que dos rottweilers Reinaldo possui apenas a raiva, deixando de lado a força e coragem.

Agora, três meses passados do afastamento de Dilma Rousseff, nem a raiva ficou. É difícil encontrar em seus textos uma só crítica ao governo do interino. A agressividade de outrora deu lugar à bajulação. Temer domesticou o "rottweiller".

Logo no primeiro dia, Reinaldo derreteu-se ante o fraquíssimo discurso inicial do vice, qualificando-o de "impecável na forma e no conteúdo" e dizendo sentir-se, depois de muito tempo, perante uma autoridade que inspirava respeito por encarnar os "bons valores da institucionalidade". Comovente. Chegou a encantar-se até mesmo com as mesóclises.




A vergonha alheia seguiu seu rumo. Veio o primeiro escândalo do governo interino Michel Temer, com as gravações de Sérgio Machado. Nelas, o então ministro Romero Jucá relaciona sem rodeios o impeachment a um pacto para barrar a Lava Jato. O mesmo Machado, pouco depois, confessou em delação ter repassado R$ 10 milhões em caixa dois para o PMDB a pedido do próprio Michel Temer.

Foi aí que o "rottweiller" perdeu de uma só vez os dentes e a vergonha. Contemporizou. Ele disse que não havia nada de relevante na fala de Jucá. Tentando manter algum resquício de dignidade, defendeu que Temer o demitisse por razões "políticas", não "legais".

Já em relação aos R$ 10 milhões foi além, alegando que não há nenhuma referência à origem ilícita do dinheiro e que "não há como acusar o presidente de coisa nenhuma". Claro, Madre Temer de Calcutá se encontrou com um diretor de estatal e conhecido operador de propinas, num galpão de aeroporto, para tratar de doações legais e outros assuntos republicanos. Triste de se ver.

Mas a conversão de Reinaldo Azevedo é retrato de uma hipocrisia maior. A cobertura de boa parte da imprensa tornou-se subitamente mais "compreensiva", restituindo na opinião pública o que Celso Rocha de Barros, colunista da Folha, definiu como o benefício da dúvida em favor de Michel Temer.

As panelas também reencontraram seu lugar no armário. Silenciosas nos sucessivos escândalos que derrubaram três ministros. Silenciosas também nas manobras gritantes de Eduardo Cunha para evitar a cassação e a prisão, até aqui vitoriosas. Elas não são mais necessárias. Nem os paneleiros. Nem as marchas cívicas na avenida Paulista. Não por acaso seus verdadeiros artífices abandonaram-nas à própria sorte, resultando no fiasco do último dia 31, a despeito de alguns garotos que acreditaram estar fazendo história.

Reinaldo Azevedo é retrato desta indigência moral. Mas também pode, ironicamente, tornar-se sua vítima. Se confirmado o afastamento de Dilma, seu ofício perde o sentido. Seu nicho de mercado diminuirá na mesma proporção que sua função social. Tende a tornar-se tão descartável quanto Cunha, os meninos do MBL (Movimento Brasil Livre) e as panelas.

Como sinal dos tempos, o semanário que o emprega já botou na rua dois da mesma turma, Rodrigo Constantino e Marco Antônio Villa. No desespero, é de se esperar que Reinaldo procure novos alvos e carregue no tom de baixaria sensacionalista, mas apenas para esconder a bajulação servil. O "rottweiler" virou poodle.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Serem ladrões é o de menos

Francisco Costa 

Se há um consenso na opinião pública mundial é o de que o governo brasileiro sofreu um golpe por uma quadrilha de salteadores do dinheiro público, para livraram-se da justiça.

Acabou-se o tempo em que censores direcionavam o que ser tornado público, agora as redes sociais cuidam da verdade, e os estrangeiros, além dos seus serviços de inteligência, têm a disposição a Wikipédia, o Youtube, os grupos de direita e esquerda, o Google Tradutor, e os ladrões ainda podem se livrar da justiça, mas não da execração, do opróbrio, do nojo coletivo.

Basta examinar as biografias ou, melhor, as folhas corridas dos golpistas.

Até aqui mal menor, mais um capítulo de uma história de pirataria e saque, a que nos acostumamos, desde que o primeiro português chegou aqui com espelhinhos e contas de vidro para trocar por ouro, pedras preciosas e pau Brasil com os índios, até o roubo de merenda escolar, Lava Jato e congêneres.

A desgraça é maior, bem maior, e extrapola fronteiras.

Quando Eduardo Cunha acatou o pedido de impeachment da presidenta Dilma, antes mesmo de se iniciar a tramitação do processo, o ainda não interino, o ladrão da hora, de prontidão no poder, começou a escolher o seu ministério, a dos notáveis segundo um dos seus membros, por se notabilizarem na desonestidade, talvez.

Nesta ocasião o PSDB, posto avançado do Federal Reserve-FMI-Cia no Brasil, fechou questão: nenhum tucano no governo! 

Não que fossem honestos, democratas, contra golpes. O projeto deles era claro: cassada Dilma, partiriam para a cassação de Temer, não menos ladrão que Cunha. Cassado Temer, o presidente da Câmara, provavelmente um tucano, assumiria a presidência.

Só cometeram um erro: protelaram a cassação de Cunha, com medo da língua dele, e o arquivo aumentou ainda mais a sua influência no balcão de negócios, e o PMDB dominou tudo.

Então o plano era esse: tucanos longe do Temer, mas veio a ordem de Washington: queremos estar no governo sim, e com o nosso funcionário mais eficiente, o bastante para Serra se apresentar a Temer, sendo aceito imediatamente, à revelia do PSDB, e justo com o cargo de Ministro das Relações Exteriores, para promover o realinhamento diplomático e comercial do Brasil, fazendo-nos colônia novamente.

Houve um início de rebeldia, nas hostes tucanas, contra Serra, mas a máfia do tucanato paulista, que têm as chaves dos cofres do partido e do estado mais rico da União, liderados por Serra e FHC, acomodaram a situação.

Não é necessário ser bem informado, aliás, nem medianamente informado, para saber que Serra é um agente norte americano infiltrado no Brasil, atendendo aos interesses dos seus patrões.

Abundam postagens reproduzindo documentos norte-americanos endereçados a Serra e de Serra para lá, entre eles o comprometimento de Serra, na campanha presidencial, de entregar o Pre-Sal à Chevron (aos coxinhas: consultem o Wikileaks ou o New York Times), caso Aécio vencesse.

Célebre se tornou também o e-mail enviado pelo consulado norte americano, em São Paulo, dando esporro em Serra, porque a recuperação econômica da Petrobras feria interesses norte-americanos (é só a coxada ir ao Youtube, está tudo lá, a reprodução da documentação toda). 

A Petrobras é tão forte que todos os esforços de Serra e Moro não conseguem destruí-la.

A missão de Serra é óbvia: tirar o Brasil dos Brics, enfraquecendo-o; atrelar o Mercosul aos Estados Unidos, ou inviabilizá-lo; tirar o apoio do Brasil à Venezuela, enfraquecendo ainda mais aquele país, política e economicamente e privatizar tudo.

Através de um golpe semelhante ao brasileiro, Lugo foi afastado, no Paraguai, substituído por um Serra de terceira linha.

Através da mídia argentina, Macri elegeu-se, e ambos já fizeram convênio com os Estados Unidos, para que esse país construa uma mega base aérea na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), próximo de Foz do Iguaçu, praticamente ao lado da Usina de Itaipu e sobre o Aquífero Guarani, a maior reserva de água potável subterrânea do mundo.

O plano norte americano? Não tendo dominado territorialmente o Oriente Médio, para ter fontes seguras e regulares de petróleo, volta-se para a ocupação da América do Sul e Caribe.

Só que Serra é um jumento. Primeiro mandou correspondência desaforada para um monte de países, agora tentou usar o método tucano de fazer política nas relações exteriores também: ofereceu dinheiro, propina, aos uruguaios, para que fechassem com a posição brasileira, mais um escândalo internacional protagonizado pela República Tupiniquim, Terra dos Papagaios, aqui vulgarmente chamados de coxinhas, força auxiliar dos Estados Unidos.

STF piada de mau gosto!

feicibuqui Malu Aires

Quando Teori fala em "obstrução de justiça" no caso de Lula que, se Ministro, seria investigado pela Suprema Corte e não pela comarca do Tucanistão da Globo do Sul, ele carimba a incompetência do STF em fazer Justiça.

Procurar o Supremo em caso de flagrante abuso de autoridade, é obstrução da Justiça?

Denunciar o Moro pro Comitê de Direitos Humanos da ONU é obstrução da Justiça, também?

A Justiça está acima da Lei, desde quando, Teori? Pelo que acompanho das aventuras do nosso STF, desde o mensalão Justiça e Novela da Globo são a mesmíssima coisa.

Se entregar processos à Suprema Corte é obstrução da Justiça, prendam o juiz, o advogado e todo o MPF!

E mais... do que Lula é culpado? De não ter um sítio ou de não ter um triplex no Guarujá?

"Pão duro, esse tal Lula! Prendam esse pobretão!"

Se hoje Teori aceita um crime de Estado como prova (grampos de juiz de 1ª instância contra Presidentes da República), em breve ele estará aceitando tortura física para delação (tortura psicológica já estão aceitando).


Quando um juiz da Suprema Corte interpreta as Leis como Feliciano interpreta a Bíblia, já estamos todos condenados.

POBRE PAÍS IDIOTIZADO PELA MÍDIA


midiota
Por Bepe Damasco, em seu blog:
Está ficando difícil ser otimista quanto ao futuro do Brasil.
O que esperar de um país onde boa parte de sua população vive a repetir, tomando como verdades absolutas, as idiotices, manipulações, mentiras e canalhices divulgadas pelo monopólio da mídia?
O que esperar de um país cujo déficit de consciência democrática faz com que um golpe de estado tramado e executado pela bandidagem da política seja assistido passivamente pela maioria da sociedade?
O que esperar de um país cujos trabalhadores permanecem inertes, mesmo diante do brutal corte de direitos e conquistas históricas, já anunciado como prioridade pelo governo golpista, que fará o país retroceder quase 100 anos em termos de bem-estar social?
O que esperar de um país no qual expressiva parcela dos beneficiários dos programas sociais e e inclusivos dos governos Lula e Dilma não se cansa de matraquear o discurso conservador criminalizando o PT?
O que esperar de um país doente de ódio e intolerância inoculados no organismo social pela mídia venal e inconsequente?
O que esperar de um país em que as classes média e alta (incultas e preconceituosas) cultivam valores escravagistas, xenófobos, racistas, sexistas e homofóbicos?
O que esperar de um país com instituições apodrecidas pela politização e pelo golpismo, tais como Congresso Nacional, TCU, Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário?
O que esperar de um país cuja Suprema Corte trai sua função republicana de zelar pela Constituição e adere a um golpe midiático- judicial-parlamentar que rasga a própria Carta Magna?
O que esperar de um país dotado de um sistema de justiça que persegue adversários da plutocracia, enquanto protege os que se dedicam à defesa dos ricos e poderosos?
O que esperar de um país que oferece terreno fértil que para que viscejem políticos e líderes religiosos que defendem ditadura, tortura e estupro?

De babaca, o Pokemon Go não tem nada…

pikachu
O Tales Faria, ótimo repórter, publica hoje que as Forças Armadas proibiram o uso do joguinho Pokemon Go em suas instalações:
Os Divergentes revelaram esta manhã que a Marinha proibiu que se jogue Pokémon Go em suas instalações. Mas, a partir desta notícia, a coluna recebeu informações de que a proibição não se restringe à Marinha. Há pelo menos dez dias, unidades também do Exército e da Aeronáutica têm recebido ordens de proibir o joguinho. Vide acima aviso afixado no Depósito de Suprimentos do Exército, em Triagem, no Rio de Janeiro. A proibição é, na verdade, uma ordem geral que deverá chegar a todas as chamadas OMs (Organizações Militares).
Paranóia?
Alguns dias atrás, Sam Biddle publicou no The Intercept  que  o Pokémon Go, da Niantic Labs, “é gerenciado pelo homem responsável pela equipe que dirigiu, literalmente, o maior escândalo de privacidade na Internet, em que os carros do Google, no percurso realizado para fotografar ruas para o recurso “Street View” dos mapas online da empresa, copiou secretamente os tráficos de internet de redes domésticas, coletando senhas, mensagens de e-mail, prontuários médicos, informações financeiras, além de arquivos de áudio e vídeo”.
Por via das dúvidas, fizeram bem, porque o joguinho transmite fotos georreferenciadas de tudo o que aparece na frente do celular. Basta inserir as coordenadas e a elevação e puff…
Quem diria que o Pikachu ia trabalhar para a CIA…

Sérgio Fernando Moro já passou dos limites, tem a periculosidade do seu homônimo, o Beira-Mar

Francisco Costa

Que este golpe norte-americano vem sendo planejado há pelo menos dez anos não resta dúvida. Enquanto Obama estava chamando Lula de “o cara”, Sérgio Moro estava lá, fazendo o primeiro curso, discípulo da Cia e do Ministério Público norte-americano, aprendendo a adaptar as leis antiterrorismo à lavagem de dinheiro, para pegar os políticos brasileiros e selecionar os que convém punir, desmoralizar, matar politicamente.

Depois os instrutores ianques vieram ao Brasil e repetiram o curso, no Rio de Janeiro, não estou lembrado se na ACM ou no CCBB, desta vez para procuradores do Ministério Público, todos, hoje, da equipe do Moro.

E começou a Operação Lava Jato, com dupla finalidade: aniquilar a esquerda brasileira e dar um baque na nossa economia, atacando o setor energético, a partir das espionagens norte americanas, que custaram o esporro da Dilma em Obama, na ONU.

A Lava Jato, via empreiteiras, atacou a Petrobras e a usina de Angra, prendeu um dos maiores especialistas em energia nuclear, do mundo, o que nenhum país faria, e se prepara para investigar as hidrelétricas.

Como o setor energético é a força motriz de qualquer economia, os planos ianques vão sendo bem-sucedidos.

Depois veio a caça a Lula. Tanto o triplex quanto o sítio foram denúncias feitas pelo Ministério Público, e não por beneficiários de delações premiadas, por procuradores ligados ao curso mencionado, um deles de São Paulo, e que não tem nada a ver com a Lava Jato, o que confundiu Engels e Hegel, o medíocre.

Nada podendo provar, sacaram um juiz que estava afastado, por obstrução da justiça, já que aliviava tucanos e empresas, na Operação Zelotes, a troco pode-se imaginar quanto, e ele indiciou Lula também por obstrução da justiça.

O procurador do Ministério Público, que se empenhou pessoalmente no indiciamento de Lula, vem candidato a prefeito do Município de Niterói (RJ), pelo PSDB.

Na comissão de impeachment o presidente é do PMDB, de Temer e Cunha, e o relator, do PSDB.

A mulher de Moro presta serviço para o PSDB e para a Shell (embora ela e o marido neguem, não deixaram que houvesse quebra do seu sigilo bancário, para ver de onde vêm os seus honorários), o pai de Moro foi o fundador do PSDB em Maringá(PR), e no escândalo do Banestado, de MEIO TRILHÃO, o juiz era Moro, o doleiro era Youssef e terminou tudo em pizza.

Como a Lava Jato se pauta pela espionagem norte americana, pela tevê Globo e redes sociais, surgiram denúncias de que petistas se locupletaram com a Lei Rouanet, o bastante para Moro correr atrás, de dentes à mostra como um pit Bull hidrófobo.

Pediu a listagem dos cem maiores beneficiários, e nenhum petista.

Estavam lá Fundação Roberto Marinho, Abril Cultural (revista Veja), Itaú Cultural e um monte de artistas da Globo, que coincidentemente têm contas no HSBC suíço, o que nos remete a laranjas dos Marinhos, e Moro mandou arquivar tudo.

Não nos esqueçamos que correndo atrás do “triplex do Lula”, a Polícia Federal chegou no triplex dos Marinho, em nome de uma offshore, a Mossak, para ocultação de patrimônio, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Moro abandonou o caso.

E depois de duas condenações de Marcelo Odebrecht e outros executivos da mesma empreiteira, com a finalidade de chantagem, fazê-los pedirem o benefício da delação premiada, finalmente eles cederam, para felicidade do trêfego rábula de primeira instância, esperando denúncias contra petistas, agindo como se ministro do supremo, subordinando-os.

E Marcelo falou: dei dez milhões de reais na mão de Temer, no Palácio Jaburu, em espécie, tenho o recibo (a certeza da impunidade, no Brasil, é tão grande que os calhordas passam recibos de propinas) e cinco milhões, também em espécie, ao Padilha, Ministro da Casa Civil de Temer.

Dei 23 milhões ao Serra, Ministro das Relações exteriores, e também tenho o recibo, e foi denunciando todo mundo: dei a fulano, a beltrano, a sicrano... E nenhum petista

Agora Moro anunciou que não homologará a delação de Marcelo Odebrecht, é como se ele não tivesse prestado depoimentos.

Aécio Neves já foi delatado 43 vezes, por 6 depoentes diferentes.

Enquanto isso Eduardo Cunha diz que se for preso vai denunciar mais de 150 deputados, pelo menos 20 senadores, sete ministros e vai entrar para a história como o homem que derrubou dois presidentes.

Amigos íntimos de Cunha afirmam que ele tem três dossiês, de três empreiteiras diferentes, capazes de colocar Temer na cadeia por muitos anos.

Consequência? A votação do impeachment de Dilma foi antecipado para antes do julgamento de Cunha, em plenário, por motivo óbvio: o presidente da república só pode ser responsabilizado por crimes cometidos na vigência do seu mandato, se Temer assumir em definitivo, tudo o que Cunha falar cairá em exercício findo.

Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, marcou a votação para dia em que não haverá quórum, e Cunha acabará não sendo cassado, um freio em sua língua.

Como Cunha foi adiante e afirmou que tem muitos nomes do judiciário para dançar também, Moro deu ordens à Polícia Federal para que não encontrem a mulher de Cunha no apartamento funcional, em Brasília, e na mansão, no Rio, na Barra da Tijuca.

A polícia federal não sabe onde ficam esses endereços, apesar de já terem feito operações de busca e apreensão nesses locais, mas devem não ter anotado, esqueceram-se e nenhum policial sabe voltar lá.

Finalmente, em uma das palestras de Moro nos Estados Unidos, sempre assessorado pelo Ministério público de lá, um jornalista perguntou a ele porque não prende gente da oposição também, ao que ele respondeu nunca ter recebido uma denúncia, indo adiante, afirmando que acha muito difícil alguém da oposição ter recebido propinas, esquecendo-se que Youssef falou, a dois metros da orelha dele, que deu cento e cinquenta milhões de dólares a FHC (o vídeo existe, é só baixar do Youtube) por comissão de uma refinaria, na Argentina, comprada pela Petrobras.

Este é o ídolo dos coxinhas, o principal agente do golpe, um servil vassalo dos americanos.

E não adianta os companheiros me pedirem moderação, preocupados. Ser preso por ordem de alguém do quilate de Moro engrandece qualquer biografia.

Nazismo é uma questão polêmica, melhor não opinar

Gregorio Duvivier

Hoje a gente vai falar sobre a SUPOSTA escravidão que teria ocorrido no Brasil no século 19.

Oi, Marquinho? Por que "suposta"? Porque há controvérsias, há quem prefira chamar de mão-de-obra gratuita, e se eu chamar de escravidão, eu vou estar tomando partido contra a escravidão, e eu sou professora, não to aqui pra tomar partido.

Sim, Marquinho, bem lembrado. Muita gente como você afirma que teria sido um processo cruel, que envolvia muita violência, mas essa apenas é uma OPINIÃO, mesmo que compartilhada por muita gente. Enquanto você tem essa opinião, Marquinho, outros defendem, e eu sou obrigada por lei a lembrar, que foi graças à escravidão que o Brasil cresceu como nunca, então esse é um assunto polêmico no qual eu prefiro não entrar. Não vou entrar nesse mérito.

Não vou dizer o que acho, Jéssica, você não me obrigue a tomar uma posição sobre um assunto espinhoso desses. Escravidão é um assunto que divide o Brasil e eu não quero entrar nesse fla-flu.

É tudo muito controverso, igual essa coisa do ASSIM CHAMADO golpe de 64.

Pra muita gente foi revolução, Jéssica. Se foi golpe ou revolução? Se você é de esquerda foi golpe, se é de direita revolução.

Sim, teria havido tortura. Dizem. Mas se foi merecida ou não, isso não cabe a mim julgar.

Sim, há fontes que afirmam que a presidentx teria sido torturada.

Marquinho, Presidentx é a forma correta pra uma professora, porque quem gosta chama de presidenta e quem não gosta chama de presidente. E eu não posso tomar partido. Então é presidentx que sofreu um golpeachment. Assim todo o mundo fica feliz.

Eu? Não sou de direita nem de esquerda, Marquinho. Minha tarefa aqui é escrever data no quadro. Não sou paga pra ter opinião.

Não, nem sobre o nazismo, Jessica. Sim, ALGUNS historiadores afirmariam que teria acontecido um SUPOSTO Holocausto e que talvez tenha morrido muita gente, mas se eu disser que aconteceu, ou que foi ruim, eu vou estar tomando partido contra o nazismo, e eu não sou louca de fazer isso, porque se eu tomar partido eu perco meu emprego.

Não, isso não significa que eu simpatize com o nazismo, significa que eu simpatizo com meu emprego, e que eu sou professora de História, e História não é futebol. Agora todo o mundo cala a boca e abre o livro de História do Brasil. Não, o outro. O do Alexandre Frota.

Como ser infeliz a vida inteira e morrer abandonado e esquecido por todos


Reinaldo Del Dotore

Imagem obtida de uma (muito boa) matéria, publicada na revista Você S&A. A imagem me levou a algumas reflexões. 

Não critico, de forma alguma, o profissional que se sujeita às "pressões", nem tampouco os superiores que pressionam. Todos estão jogando o jogo posto. Peço apenas ajuda dos amigos para avaliar o que segue:

1) "Entregar resultados sob pressão": 

O que é que foi feito do mundo nesses últimos 200 anos? Que tipo de vida é esta que nós "vivemos", em que, diariamente, somos compelidos, "sob pressão", a "entregar resultados"? 

Qual a lógica em consumir patologicamente nossos corpos e relações ao longo de uma vida "sob pressão", com o objetivo de construir patrimônio (pessoal e, especialmente, alheio), ou mesmo de apenas sobreviver?

2) "Mercado em crise":

Mas, afinal, que ente fantasmagórico, ectoplásmico, é esse "mercado"? O que é um "mercado em crise"? É um mundo em que pessoas não compram inutilidades (ou até necessidades) porque não têm dinheiro suficiente?

Mais do que isso: o que seria um mercado "sem crise"? Seria uma realidade em que bilhões de "pressionados" lutam para "entregar" bens e serviços (na maioria das vezes, desnecessários) a outros bilhões (igualmente "pressionados" a adquirir esses bens e serviços)?

3) "Inteligência emocional":

É claro que não defendo que devamos sair esfaqueando colegas ou parentes. Mas... Essa tal "inteligência emocional" é um imperativo ético (válido, repito) adaptado para causar "parestesia" nas reações dos "pressionados"?

Em suma:

a) Acorde cedinho (quem acorda tarde não é respeitado).
b) Engula seu café e saia correndo.
c) Enfrente horas de trânsito.
d) Passe o dia todo "pressionado", no trabalho, a "entregar".
e) Enfrente novamente o trânsito na volta.
f) Chegue em casa extenuado, sem ânimo para viver o que a vida tem de melhor.
g) Repita os passos "a" a "f" durante todo o mês.
h) No final do mês, receba sua justa remuneração de cidadão respeitável.
i) Ao longo de todo este processo, não reclame: tenha "inteligência emocional".

O Ministério Público tem sido o grande representante do Fascismo na sociedade brasileira


A única consequência possível de um povo que vibra com sangue e ódio é o adoecimento de suas instituições. Uma delas é o Ministério Público, o qual, em tese, fala pela sociedade brasileira supercampeã em desigualdade social, discriminação racial, de gênero e outras mais variadas formas.

Como porta-voz dessa sociedade nas relações processuais, o MP tem prestado um excelente serviço em todos escalões - de Cabrobó até Brasília, o posicionamento da instituição caminha no sentido de ser o mais reacionário possível, inclusive em respostas exigidas nos concursos para ingresso na carreira[1]. 

Não são raras as vezes que o Ministério Público opta pelo senso comum que repudia a diferença. Um exemplo paradigmático foi quando, no julgamento da descriminalização das drogas, o chefe da instituição Rodrigo Janot naturalizou o chorume de comentários na rede social e foi além de todos que se posicionaram contra: passou a inventar dados. Disse, entre outras desinformações, que 90% das pessoas que fumam maconha se viciam; não satisfeito, segundo ele, basta fumar uma vez para que a pessoa se torne dependente química. Parece brincadeira de péssimo gosto, mas foi o argumento encontrado pela autoridade máxima da instituição.

Quando a desinformação e autoritarismo rendem aplausos, as prioridades mudam. Em tempos de chacina de 19 pessoas pela polícia, o ouvidor da corporação paulista do Estado elencou alguns motivos para que a PM assassinasse tanta gente com tamanha naturalidade. Um deles: policiais acusados de matarem são sistematicamente alvos de pedidos de absolvição pelo Ministério Público. A mesma conclusão foi da Human Rights Watch, a qual analisou a atuação policial no Rio de Janeiro e percebeu que “há má vontade do Ministério Público em investigar esses casos e que normalmente as investigações só avançam quando há interesse social e pressão por parte da mídia”

O Delegado de Polícia Orlando Zaccone percebeu a mesma coisa e foi na sua tese de Doutorado pesquisar como promotores e promotoras fundamentavam o pedido de arquivamento de casos em que quem está no banco dos réus não é um dos p’s (pobre, preto e puta), mas sim um policial. Em entrevista ao Justificando, ele esclareceu, basicamente, os porquês dessa benevolência:

O fundamento basicamente tem a grande pergunta do auto de resistência: não como a polícia agiu, mas quem ela matou. Então, completada a figura do inimigo, isto é, o traficante de drogas, e esse fato ocorrendo dentro de favelas, de guetos, isso é colocado na escrita dos promotores de justiça como elementos a justificar a morte.

Então é o seguinte: o Ministério Público é benevolente apenas e tão-somente com policiais militares, pois entende que por trás de cada assassinato há algo que o justifique, ou, ainda que não haja, "matar bandido" é necessário. Uma das premissas fascistas é o arbítrio e a naturalidade com as quais as instituições lidam com a violação maciça de direitos humanos, em especial, se o alvo for um inimigo público. E em um país desigual e racista, não há inimigo maior do que o jovem negro da periferia.

Se esses jovens não são violados pela omissão do Ministério Público no controle da polícia que mais mata no mundo, são enviados para nossos presídios, a masmorra contemporânea, muito por conta de uma lei de drogas racista, cuja principal razão de existir é encarcerá-los, sob o protagonismo do Ministério Público de acusar e brigar pela prisão a todo custo, contra qualquer forma de liberdade.

Fascismo vive de inimigos a serem combatidos. O Ministério Público sabe disso melhor do que ninguém

Pela unidade da nação, que entrega sua liberdade em nome de um bem maior, a existência de um inimigo interno é a melhor coisa que uma instituição que descambou para o fascismo poderia desejar. Atualmente, além do jovem pobre, o inimigo atende pelo nome de político corrupto.

O termo é uma pegadinha, na verdade. Não são corruptos todos os políticos que percebem uma vantagem financeira indevida, mas especificamente políticos de um determinado partido - o PT. É curioso que o partidarismo do MP seja sempre rebatido por analistas simpáticos à instituição toda vez que um cacique do PSDB sofre um processo judicial. Tá vendo? - desafiam. Para eles, digo que falta o recorte de classe na análise: promotores e promotoras de justiça vêm de famílias elitizadas, além de perceberem um salário de classe média alta. São pessoas que reproduzem a opinião política majoritária na elite econômica, filiada no país ao PSDB. 

Por isso promotores são tão vorazes contra "corruptos" do PT e políticos de demais partidos que representem a imagem e o voto do pobre, do evangélico, do incauto; em parceria com a magistratura, que sofre do mesmo mal, conseguem a liminar para prejudicar os planos do partido em um dia (alguém lembra do pedido de prisão baseado em Marx e Hegel?). Contudo, quando um helicóptero cheio de cocaína é descoberto, bem, aí não acontece nada mesmo - há outras razões para o partidarismo, além do recorte de classe. Processo em face de tucanos rende menos mídia e menos tapinha nas costas nas confraternizações, por exemplo.

Então está feito o disclaimer. Político corrupto é uma categoria bem específica, mas é capaz de "unir" o país a ponto de milhões de pessoas ocuparem as ruas nas mais variadas cidades e aplaudirem quem está combatendo esse inimigo. No caso do Judiciário, Sérgio Moro e os Procuradores do Ministério Público Federal ganharam tamanho empoderamento e capital político a ponto de reunir duas milhões de assinaturas pelas 10 medidas contra a corrupção.

Um pouco diferente da batalha contra o jovem periférico, a guerra contra a corrupção esconde outra motivação preocupante: o sequestro da política pelo poder Judiciário - entendidos nesse contexto como magistratura e ministério público. A Judicialização da política é ainda mais preocupante quando os juristas não escondem uma preferência partidária, muito menos o gosto agridoce do poder.

Voltando, 10 medidas contra a corrupção é, de fato, um ótimo nome para um projeto de lei. Quem seria oposição a 10 medidas contra a corrupção? O Procurador que percorre o país na defesa delas é bem arrumado, tem gel no cabelo penteado para o lado e sorriso bobo. Verdadeiro menino bom. Ocorre que por trás de tanta bondade, reside um projeto de lei que rebaixa o Habeas Corpus, legaliza prova ilícita, reduz a prescrição, cria crimes cuja prova deve ser feita pelo réu e demais arbítrios que destroem a Constituição Federal. A crítica não é apenas a Deltan Dallagnol, mas sim, a toda carreira, ante o simbolismo e representatividade de sua atuação.

"Contra o político corrupto vale tudo, o que não aguentamos mais é impunidade" - dirá o mantra da nação, empunhando suas bandeiras por um Brasil melhor contra-tudo-que-está-aí. Todavia, o procurador de sorriso bobo e o Ministério Público são incapazes de fazer, por terem submergido ao fascismo, a constatação de que estamos no pódio de países que mais prendem no mundo. Impunidade aqui é piada e qualquer projeto, qualquer um mesmo, que venha a arrancar mais garantias das pessoas, endurecer mais uma instituição já autoritária e empoderada, vai piorar o que já está péssimo. Vai prender o político corrupto? Vai, mas vai prender MUITO o jovem pobre também - fora que, convenhamos, violar a Constituição para cumprir a lei é um contrassenso tão grande que não vale nem adentrar no assunto.

Tatue na testa para não esquecer: quem vai pagar essa conta de oba-oba contra a corrupção é o pobre, o negro, o jovem, a mulher, o político corrupto, o honesto, ou quem mais não os agrade. Por isso, muita gente séria tem se levantado contra a perda dos direitos e garantias individuais, pela Constituição e se opondo a olhar no cárcere solução para o que quer que seja. É a lógica do anti-punitivismo, que, infelizmente, não vende jornal, nem passa às 20h na tela da Globo. Para quem quiser conhecer a opinião de renomados estudiosos de todo país desconstruindo, medida a medida, esse absurdo de marketing institucional, sugiro a leitura do boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.

Pelos aplausos, poder de investigar e serem o salva-guarda da nação, o MP rebaixa o Estado de Direito no país - já tão baixo. Para quem ainda não entendeu, o problema não é ser contra ou a favor da corrupção - acredito que é até tosco imaginar alguém a favor. O cenário complica quando alguém, ou alguma instituição, acredita ser a personificação da moral e da ética, quando, a bem da verdade, é só a personificação do fascismo mesmo.

Brenno Tardelli é diretor de redação do Justificando

[1] Há exceções de promotores e promotoras compromissados com a Constituição Federal. Ocorre que, além de serem cada vez mais raros, são perseguidas dentro da própria carreira e servem como prova de que a regra é outra, muito mais sórdida.

O Papel do STF no Impeachment | Jogos de Poder


Fica, Temer!

Desisto do "Fora Temer"! Quero mais é que fique até 2018 e implante todas as medidas impopulares prometidas à FIESP, à mídia e ao PSDB.
Aposentadoria aos 65, ótimo!

Fim da CLT, perfeito! Férias, 13°, FGTS, PIS, é coisa de comunista, o povo da direita não precisa disso!

Universidade Pública paga? Isso mesmo! Quem pagou escola a vida toda pode pagar a faculdade, é só adiar a compra do carro novo ou aquela viagem!

Fim dos Programas Sociais, merecido: os favorecidos por eles não defenderam nem os programas e muito menos quem os implantou, então danem-se!!

Privatizações, agora sou a favor, assim como os pedágios e telefonia mais cara do planeta, o brasileiro vai ver o que é combustível e energia caros quando privatizarem tudo!

Dólar baratinho e abertura econômica ? Maravilha!! Quando não sobrar mais indústrias e emprego, poderão passar o tempo caçando Pokémons!

Corrupção liberada, coisa linda! Quer coisa melhor que ser roubado e nem ficar sabendo ou porque a mídia abafou ou porquea justiça engavetou?

FICA, TEMER! 
Só assim pro Brasil entender em quem foi o golpe!

O que está sob ataque não é um mandato, mas a democracia

Nilson Lage

Numa sociedade de classes, a democracia é um pacto sutil que depende de regras bem estritas porque, na essência, o poder real é da classe dominante.

Quando uma casta burocrática - bacharéis ignorantes e verborreicos, militares boçais e picaretas avulsos - resolve apossar-se da palavra, não há como fingir que a democracia sobrevive.

O que o Jânio está dizendo é o que o rei está nu.

Por Janio de Freitas 

Em nome da democracia

"Isso é democracia". Não é, não. Um dos componentes essenciais e inflexíveis da democracia é o respeito às regras que a instituem. As regras existem no Brasil, precisas e claras na Constituição, mas o respeito é negado onde e por quem mais deveria fortalecê-las. O que está sob ataque não é mandato algum, são as regras da democracia e, portanto, a própria democracia que se vinha construindo.

Não há disfarce capaz de encobrir o propósito difundido por falsos democratas instalados no Congresso e em meios de comunicação: reverter a decisão eleitoral para a Presidência sem respeitar as exigências e regras para tanto fixadas pela Constituição e pela democracia. Há mais de nove meses, a cada dia surge novo pretexto em busca de uma brecha –no Congresso, em um dos diferentes tribunais, nas ruas– na qual enfim prospere o intuito de derrubar o resultado eleitoral.

O regime democrático é tratado na Constituição como "cláusula pétrea", que se pretende com solidez granítica. O que não significa ser impossível transgredi-lo. Mas significa que quem o faça ou tente fazê-lo comete crime. E quem o comete criminoso é de fato, haja ou não a condenação que assim o defina. Tal é a condição que muitos ostentam e outros tantos elaboram para si.

A pregação de parlamentares identificáveis como um núcleo de agitação e provocação atenta contra a democracia. A excitação de hostilidades que esses parlamentares propagam pelo país é indução de animosidade antidemocrática –sem que isso suscite reação alguma, o que é, por si mesmo, indício da precária condição da democracia e da Constituição.

O que se passa hoje na Câmara, como método e objetivos da atividade, não é próprio de Congresso de regime democrático. Em muitos sentidos, restaura a Câmara controlada e subserviente da ditadura. Em outros aspectos, assume presunções autoritárias, de típico teor antidemocrático, ao ameaçar até aprovações do Senado de punitivas suspensões da sua tramitação.

Afinal, um dos focos da corrupção é arrombado. Os procuradores e juízes do caso receberam tarefa de importância extraordinária. Mas não é garantido que estejam plenamente respeitados nessa tarefa os limites das regras democráticas. À parte condutas funcionais que não cabe considerar neste sobrevoo do momento do país, é notória no grupo, e dele difundida, uma incitação a ânimos não condizentes com investigações e justiça na democracia. Pôr-se como salvadores da pátria, a partir dos quais "o Brasil agora será outro", não é só um equívoco da ingenuidade. É uma ameaça, senão já algumas práticas, de poderes e atitudes exacerbados que fogem às regras.

Um exemplo que recebeu tolerância incompatível com sua importância: difundir informações inverídicas e sensacionalistas à imprensa, e ao país, "para estimular mais informantes" –como feito e dito por um procurador–, não é ético nem democrático. É autopermissão abusiva. E incitação a ânimos públicos que já recebem das realidades circundantes o bastante para serem exaltados.

O espírito antidemocrático não é alheio nem ao Supremo Tribunal Federal. É nele que um juiz pode impedir a conclusão de um julgamento tão significativo como o financiamento das eleições dos governantes e congressistas. Ou seja, dos que determinam os destinos do país e de seus mais de 200 milhões habitantes. Se alguém achar que é deboche, não vale a pena contestar. Mas convém lembrar que é uma evidência perfeita da prepotência primária, apenas ilusoriamente culta, que sobreviveu muito bem à ruína do seu sistema escravocrata.

Movimentos de ocupações urbanas e rurais são acusados de violar a democracia. É engano. Ilegais, sim, mas não são democráticos nem antidemocráticos. Sequer estão incluídos na democracia, desprovidos que são, todos os padecentes de grandes desigualdades econômicas sociais, de meios democráticos para obter os direitos que a Constituição lhes destina.

E os jornais, a TV, as revistas, o rádio –na verdade, os jornalistas que os fazem– nesse país que concebe a democracia como uma bola, tanto a ser chutada sempre, como a oferecer grandes e efêmeras euforias? Agradeço à sogra de um jogador de futebol, Rosangela Lyra, que me dispensa de alguns desagrados. Disse ela, à Folha, das pequenas e iradas manifestações que organiza pela derrubada do resultado da eleição presidencial: "As redes sociais amplificam e a mídia quintuplica". Entregou. Delação de dar inveja aos gatunos da Petrobras.

"Isso é democracia" como slogan de antidemocracia só indica que o Brasil ainda não é ou já não é democracia.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

As Águas do Temer!

"São ratos de esgoto, tucanos no ninho..."

Estão se fechando, mais uma vez, as portas do país ao povo brasileiro


Estão se fechando, mais uma vez, as portas do país ao povo brasileiro Estão se fechando, mais uma vez, as portas do país ao povo brasileiro
Estão se fechando, mais uma vez, as portas do país ao povo brasileiro.

É disso que nos falam os anúncios que fazem as bolsas subir e os editoriais baixarem o tom.

Falam de cruzar ferrolhos e trancas, erguer tapumes, barreiras, falam de cortes, sacrifícios e retrocessos; falam em adiar, entregar e de chamar o ‘Choque’. Aos que povoam as bordas não será suficiente conter o curso.

Será necessário recuar, adverte-se.

Não há como manter o mínimo disponível, esse que carece de tão mais.

Não há, justifica-se.

Por vinte anos não haverá.

Faltarão novos pratos à fome, novos leitos aos doentes, novas escolas às crianças, novos amparos aos idosos, nova esperança aos jovens.

É tudo o que a aliança da escória com a mídia e o dinheiro tem a propor para o futuro da oitava maior economia da terra, segundo maior exportador de alimentos do planeta, maior planta industrial do Ocidente em desenvolvimento.

O vento frio de agosto fustiga o Brasil, de novo, em uma esquina histórica.

A exemplo daquela enfrentada por Getúlio Vargas, há sessenta e dois anos, a dobra seca cobra um esforço hercúleo de superação e reconstrução.

A tarefa da resistência democrática só terá êxito engatada na repactuação de um novo projeto de desenvolvimento.

Um ciclo se esgotou; outro precisa ser erguido.

É a hora das matilhas: foi assim em 32, em 54, em 64, em 88, em 2002...

A gravidade desta transição se expressa na ruptura institucional liderada por interesses que deixaram de lado o pejo e a focinheira para impor reformas que alteram o pacto da sociedade, sem consulta-la.

Se o nome disso não é golpe será preciso inventar um outro mais forte.

A usurpação regressiva avança a contrapelo dos ares do mundo.

A supremacia global do neoliberalismo estrebucha.

As notícias chegam à revelia do filtro midiático.

Dão conta de um esgotamento imerso em capacidade excedente, comércio internacional anêmico, ressurgências xenófobas, cinturões de ferrugem e legiões de descartados que já flertam com salvadores da pátria pura.

Trump pode perder, mas o trumpismo sobreviverá, sibila o establishment norte-americano.

Estados aparvalhados e uma epidemia de juros negativos denunciam a eutanásia, não do rentista, mas do seu arcabouço.

Sobra dinheiro especulativo no mundo: há US$ 13 trilhões enjaulados em juros negativos.

A busca de pastos frescos pode inundar o Brasil --e não há nada mais perigoso do que isso na vida de uma nação, dizia Celso Furtado.

Promover a combustão do PT e da CLT , e permitir que o câmbio dispare o tiro de misericórdia na indústria nacional, e dobre o fastígio brasileiro em Miami, disso se alimenta a fogueira na qual o anacronismo pretende defumar o país para encaixotá-lo no esquife neoliberal.

Cinquenta e quatro milhões e quinhentos mil votos da Presidenta Dilma ardem nas labaredas de extinção de direitos e privatização de riquezas nacionais, imolados para que os patos gordos da Fiesp continuem a deslizar em lagos e contas suíças, a salvo de uma justiça tributária que sustente o investimento público e induza a produção privada.

Lula, Dilma e o PT , a exemplo de Getúlio em 54, subestimaram a necessidade de se ancorar a luta pelo desenvolvimento em uma organização popular da envergadura do estirão que interliga a CLT à Petrobrás, ao BNDES, à Eletrobrás, ao salário mínimo, ao Fome Zero, ao Bolsa Família, aos PACs, ao Prouni, à soberania no pré-sal, ao conteúdo nacional, ao Mercosul, ao banco dos BRICS, à valorização real de 70% do salário mínimo...

A resposta foi o cerco asfixiante das elites.

Do Catete, Vargas só não saiu deposto porque decidiu entrar para a história conduzindo a alça do próprio caixão. E ali perpetua uma influência ainda inexcedível no imaginário popular.

Torniquete de interesses semelhantes espremeu o ciclo Lula desde do seu início, em 3 de janeiro de 2003, quando anunciou o programa Fome Zero.

A simples menção ao termo maldito foi recebida com a sublevação da elite que não queria se ver num espelho composto de 56 milhões de pobres (33,6% da população então, conforme o Ipea), sendo 24,7 milhões de indigentes e mais de 30 milhões de famintos e subnutridos.

A segunda volta no torniquete veio em 2009, com a regulação soberana das maiores reservas de petróleo descobertas no século XXI.

O pre-sal foi corretamente entendido e direcionado pelo governo como o derradeiro impulso industrializante do país, capaz de faze-lo crescer com empregos de qualidade, produtividade e renda para financiar a universalização da cidadania brasileira.

O cerco se estreitaria de forma asfixiante em 2012, já no primeiro mandato da Presidenta Dilma Rousseff.

A senha da vez foi a tentativa de derrubar spreads e juros, com a indução dos bancos estatais, e taxar operações para impedir que o pernoite do dinheiro barato tomado lá fora, rendesse lucros obscenos aos párias daqui e de fora.

A busca de indulgencias no seu segundo mandato, com a deflagração de um ajuste fiscal desastroso, longe de aplacar aguçou a crise: abriu de vez o flanco ao assalto das matilhas até chegarmos neste agosto de 2016.

Reverter as expectativas de longo prazo dos detentores da riqueza, reconduzir o dinheiro aos trilhos da produção e do emprego não é tarefa técnica.

Desenvolvimento é transformação, é superar velhas estruturas e criar outras novas, uma audaciosa operação de economia política que não prospera sem um sujeito social que a conduza.

O enredo exige o discernimento engajado de amplas camadas para negociar os conflitos e repactuações do caminho.

Nos governos Lula e Dilma, 30 milhões de brasileiros saíram de pobreza extrema, outros tantos ascenderam na pirâmide de renda.

Formam hoje a maioria da sociedade.

Mas ainda não o sujeito da própria história.

Hoje, como ontem, o cacho de forças contrariadas pela vitória esmagadora de Getúlio em 1950 --as de Lula em 2002 e 2006, e as de Dilma, em 2010 e 2014-- preservou intacta a supremacia de sua voz junto à opinião pública.

A rigor, em todo esse período, a ubiquidade do jogral da elite só foi afrontado por um veículo diário de marcada presença nacional: o jornal Última Hora, no segundo governo Vargas, cuja tiragem chegou a 800 mil exemplares (a Folha, hoje, não vende a metade disso).

A solitária trincheira não existe mais. Mas o cerco persiste ao Catete.

A qualquer Catete que dentro tenha um representante do povo disposto a assumir a tarefa que o mais mítico de todos eles deixou inconclusa.

Porém agendada.

O estampido e a carta testamento de 24 de agosto de 1954 ainda hoje ecoam a esperança em um Brasil desenvolvido, soberano, justo e democrático que o país nunca foi.

Mas que poderá ser.

A evocação desse repto varguista causa calafrios na alma dos golpistas de todos os tempos – os de ontem e de agora.

A cada estirão de conquistas populares o rebote conservador cuida de preveni-lo, dobrando a aposta nas muralhas institucionais para fustigar os intrusos de uma sociedade pensada para 30% da população.

Quando os negros conquistaram a liberdade, o senhorio os expulsou para a miserável existência periférica, apartada da riqueza fundiária, mantida intocada.

Quando Vargas ameaçou fundir direitos trabalhistas a um projeto soberano de desenvolvimento, o assalto que o levou à morte operou obstinadamente por uma década até atingir seu intento no golpe de 1964.

A democracia, e com ela o povo, uma geração de lideranças e conquistas foram postos na ilegalidade, esmagados e banidos por mais de duas décadas.

Com Lula e Dilma o armistício durou enquanto o crescimento permitiu conciliar a política de expansão de consumo e crédito, com forte geração de empregos e combate às desigualdade, com os interesses cristalizados.

Quando o lubrificante fiscal minguou, a fricção progrediu rapidamente em conflito aberto.

Esse que catalisa novos e velhos adversários e recupera a bandeira sempre desfrutável da luta contra a corrupção, vendida como requisito para outras reformas que na verdade se quer protelar.

O país real não cabe numa equação fiscal que destina 8% do PIB ao pagamento de juros aos rentistas --e enfrenta a sublevação da Fiesp a uma tributação justa e progressiva da riqueza.

A ‘purga’ emerge como fatalidade no monólogo de uma mídia que interdita o debate de uma transição para a qual não existem respostas prontas.

Transição de desenvolvimento é uma operação essencialmente política. Irrealizável , numa chave popular, sem democracia ativa e Estado indutor.

A motivação verdadeira do golpe em curso é justamente impedir que essa travessia se dê no campo aberto da democracia, do voto e da rua.

A opção é devolver a pasta de dente ao tubo, reverter avanços sociais de dimensões épicas -- a exemplo da erradicação da insegurança alimentar, que caiu de 10% da população para 1%, a da miséria, que recuou para 2,5% e a do consumo de massa, que ganhou escala de um mercado para caber no G-20.

É preciso desmontar esse trunfo condicionador do desenvolvimento.

A demolição do Estado que abriga os interesses do povo é a nova locomotiva de um Brasil em marcha à ré.

A mutação se completa transformando direitos em serviços vendidos a ‘preços populares’, como quer o lobista da medicina privada lotado no ministério da Saúde.

Tudo o que não for mercado é corporativismo e gastança.

São suspeitos todos os laços que podem induzir a um projeto compartilhado de nação.

Não faltam colunistas a entoar a Marselhesa à universidade paga -- ‘os mais rico devem pagar pelos mais pobres’.

Não ocorre aos robespierres do cinismo cobrar impostos dos ricos para injetar recursos a todos os serviços essenciais que só o Estado tem condições de prover.

A exemplo de outras vezes em que ferrolhos e trancas foram mobilizados, será preciso colocar o pé na porta e forçar a dobradiça.

A hora, porém, não é de heróis.

A resposta ao golpe de agosto de 2016 deve ser buscada na superação do flanco que se tornou ostensivo.

O Brasil precisa do engajamento organizado do seu povo.

Mais que a carta de 24 de agosto de 54, é preciso ouvir o recado de Vargas aos trabalhadores reunidos no estádio do Vasco da Gama, no Rio, no 1º de maio daquele ano.

O povo brasileiro precisa assumir o comando do seu destino -- foi o que disse, em outras palavras, um presidente em cerimônia de adeus.

Era assim, também, que Celso Furtado se referia a um projeto de desenvolvimento soberano e democrático.

E é em torno desse repto colossal que a resistência ao golpe terá que cerrar fileiras agora.

Vença ou perca a votação do impeachment no Senado.

Chegou a hora de se colocar o pé na porta e de uma vez por todas entronizar o país que patina na soleira, do lado de fora do Brasil.

Foi essa a evocação de Vargas, no discurso ao lado de Jango, três meses e vinte e quatro dias antes de atirar contra o próprio peito para, quem sabe, dar tempo ao povo de cumprir a predestinação abrigada em suas palavras.

Hoje, como ontem, elas mantem sua lancinante atualidade:

"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo’ (Vargas, 1º de maio de 1954)


*Editor Carta Maior