terça-feira, 9 de julho de 2013

Parceiros da Globo preocupados com o ato do dia 11 em SP


do Intervozes, sobre o ato do dia 11, em São Paulo (aqui, a página do Facebook que convoca)
POR QUE UM ATO NA FRENTE DA GLOBO?
MONOPÓLIO
O cenário na televisão brasileira é de quase monopólio. Na TV aberta, a Globo controla 73% das verbas publicitárias, embora tenha 43% da audiência. A Globosat participa de 38 canais de TV por assinatura e tem poder de veto na definição dos canais da NET e da SKY, que juntas controlam 80% do mercado. No Rio de Janeiro, o grupo controla os principais jornais, TVs e rádios, situação que seria proibida nos Estados Unidos e em vários países da Europa, onde há regulação democrática da mídia.

#OcupeaMidia
PROMISCUIDADE POLÍTICA
Várias das afiliadas da Globo pelo Brasil são controladas por políticos de direita envolvidos em inúmeros escândalos. A família Sarney controla a TV Mirante (GLOBO) no Maranhão e Fernando Collor controla a Gazeta (GLOBO) em Alagoas. A Globo construiu seu império a partir da relação promíscua com o regime militar, que lhe garantiu o acesso a toda a estrutura da Telebrás e a expansão nacional do seu sinal.

#GloboSemBigode
#GloboSemCollor
CORRUPÇÃO
A corrupção é marca da Globo desde a fundação. Seu crescimento na década de 60 se deu a partir de um acordo técnico ilegal com o grupo Time-Life, que mereceu uma CPI, mas foi abafado. Recentemente, veio à tona uma operação fraudulenta da empresa para sonegar impostos na compra dos direitos de exibição da Copa do Mundo de 2002. Além disso, a empresa vende espaços editoriais para divulgação de filmes e artistas, numa verdadeira grilagem eletrônica que a faz absorver recursos incentivados do cinema nacional.
MANIPULAÇÃO
A emissora opera como um partido político, direcionando o noticiário jornalístico a partir de suas opiniões conservadoras (seu ‘programa político’) e buscando definir a agenda pública a partir de entrevistados que têm visões alinhadas. A mudança na abordagem dos protestos simboliza bem a transição entre a deslegitimação e a tentativa de cooptação a partir de sua própria pauta. Momentos grosseiros de manipulação, como o das diretas já ou a eleição de Collor, ainda existem, mas perdem espaço para uma manipulação mais sutil, sofisticada e cotidiana.
Leia também:

Exclusivo: Funcionária da Receita Federal foi condenada por sumir com processo da Globopar; câmera flagrou a retirada



por Luiz Carlos Azenha (com TC)
A funcionária da Receita Federal Cristina Maris Meinick Ribeiro foi condenada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por, entre outras coisas, dar sumiço nos processos que eram movidos pela Receita Federal contra a Globopar, controladora das Organizações Globo.
Um dos processos resultou numa cobrança superior a 600 milhões de reais — 183 milhões de imposto devido, 157 milhões de juros e 274 milhões de multa.
A existência da cobrança foi primeiro revelada pelo blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário, que publicou algumas páginas da autuação.
Desde então, blogueiros e internautas se perguntavam sobre o andamento do processo, cujo último registro oficial data de 29/12/2006. Consultas ao site da Receita revelam que ele está “em trânsito”.
Em nota oficial divulgada logo que circularam as primeiras denúncias de sonegação, a Globo disse que não tem dívidas pendentes com a Receita Federal relativas à compra dos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006.
Os documentos publicados pelo blogueiro Miguel do Rosário indicam que a emissora foi autuada sob a acusação de simular investimento numa empresa das ilhas Virgens britânicas, um refúgio fiscal; desfeita a empresa, o capital foi utilizado pela Globo para pagar pelos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. Segundo a Receita, a manobra tinha o objetivo de sonegar impostos.
Não se sabe, por enquanto, a data em que a Globo criou a empresa Empire (Império, em inglês) nas ilhas Virgens britânicas. Investigação sobre corrupção na FIFA feita por um magistrado de Zug, na Suiça — que acabou afastando do futebol tanto João Havelange quanto Ricardo Teixeira, ambos por receber propina — indica que as detentoras dos direitos de rádio e TV para as Copas de 2002 e 2006 no Brasil, identificadas apenas como “companhia 2/companhia3″, fecharam contrato para a compra no dia 17.12.1998, por U$ 221 milhões. Curiosamente, a empresa que intermediava a venda dos direitos da FIFA e que pagou propina tanto a Teixeira quanto a Havelange, na casa dos milhões de francos suiços — ISMM/ISL — também operava na ilhas Virgens britânicas, de acordo com documentos da promotoria do cantão de Zug.

De acordo com dados disponíveis no site da Justiça Federal, a sentença do juiz Fabrício Antonio Soares para a funcionária da Receita é de 23 de janeiro de 2013 (trecho, acima). O sumiço físico dos documentos relativos à Globopar se deu no dia 2 de janeiro de 2007 e foi registrado por câmera de segurança. Gozando de férias, Cristina Ribeiro foi ao local de trabalho e saiu com objetos volumosos. Colegas de escritório testemunharam contra ela.

Denunciada pelo MPF, a funcionária da Receita teve a prisão preventiva decretada no dia 12 de julho de 2007. Os cinco advogados de Cristina foram até o STF com o pedido de habeas corpus (trecho, acima), que foi concedido por unanimidade no dia 18 de setembro, quando ela deixou a prisão. O relator do caso foi o ministro Gilmar Mendes.
Cristina foi condenada a 4 anos e 11 meses de prisão pelo sumiço da papelada e por beneficiar indevidamente outras empresas. O juiz também decidiu pela perda do cargo público. Ela recorre em liberdade.
Ninguém sabe se o processo que ela retirou da Receita foi destruído.
[Quer outras reportagens investigativas? Ajude-nos assinando o Viomundo]
O blogueiro Rodrigo Vianna, depois de manter contato com duas fontes que acompanham de perto o caso, no Rio de Janeiro, especulou que o vazamento da investigação da Receita Federal poderia revelar detalhes embaraçosos sobre os negócios da família Marinho, uma “bomba atômica”.
Leia abaixo a íntegra da sentença conforme publicada no Diário Oficial (clique em cada página para ampliar):









Leia também:
Rodrigo Vianna: Processo da Globo pode ter “bomba atômica”
Leia os documentos revelados pelo Cafezinho e o livro Afundação Roberto Marinho
Parceiros da Globo preocupados com o ato do dia 11 em São Paulo

segunda-feira, 8 de julho de 2013

SEQUELAS DA PRIVATARIA TUCANA: porta arrombada para a Cia, ANS, Mossad e todos os demais serviços de arapongagem

Facebook Milton Temer
"Satélites são vitais aos sistemas nacionais de comunicações, tanto quanto as redes de fibras óticas em cabos submarinos. O Brasil não possui nenhum, mas aluga oito, todos do tipo geoestacionário ".
Pois é. O Brasil, há décadas, possuia satélite e fibra ótica (que transportava as telecomunicações da América do Sul para a Europa). Controlados pela Telebrás e pelas Forças Armadas.
Agora, privatizados pela mandarinato FHC, com participação de multinacionais poderosas - mais poderosas do que o Ministério de Comunicações de Dilma -, viram espaço de terceirização facilmente ocupáveis pela ANS e pela CIA, as agências de espionagem fora de controle mundial que os EUA operam em todo o mundo. Rever esses contratos de concessão em telecomunicações é obrigação mínima que esse governo deve assumir, pelo menos para compensar a vilania com que se comportou em relação à proteção de Edward Snowden, o agente que revelou todos esses crimes internacionais.

OS QUE DOMINAM O MUNDO

“O que há são interesses políticos, comerciais, industriais e na agricultura. O “terrorismo” é disfarce. Dilma é um fiasco, uma tragédia de incompetência e os que querem sucedê-la piores ainda, pois são os que entregaram o País.”
Laerte Braga
O jornalista Josias de Sousa revelou que os Estados Unidos mantiveram uma base secreta de espionagem no Brasil, em Brasília, até 2002, último ano do governo de Fernando Henrique. A denúncia foi feita no jornal O GLOBO por dois jornalistas Roberto Kaz e José Casado.
A base, autorizada pelo presidente da República coletava dados de outros países através de satélites também de outros países e era operada pela CIA – Agência Central de Inteligência e NSA (Agência de Segurança Nacional). Milhões de telefonemas e e-mails foram vasculhados pela base, com conhecimento do governo do Brasil, hoje uma das mais importantes colônias norte-americanas dentro do plano chamado Grande Colômbia, que controla os países latino-americanos, principalmente os setores que se opõem aos EUA e Israel.
Os documentos, oficiais, foram vazados por Edward Snowden para Glenn Greenwald, jornalista do THE GUARDIAN. Snowden era empregado de uma agência privada que trabalhava para o governo de Washington e tinha acesso aos documentos. Hoje, apesar do asilo concedido pela Venezuela é caçado no aeroporto de Moscou onde está e a ordem de Obama é prendê-lo vivo ou morto.
Na semana passada se revelou que os norte-americanos vasculhavam telefones e e-mails de brasileiros. O governo de Dilma Roussef quer explicações (é caso de rompimento de relações, intervenção nos negócios internos de um país e prisão de FHC por alta traição)
Esperto e matreiro o terrorista Barack Obama afirmou que não dará explicações públicas, mas apenas diplomáticas.
A presença de espiões americanos em Brasília é citada num documento de 2002. Nele, a NSA descreve o modo como operava -ou ainda opera- a rede montada em conjunto com a CIA. Busca-se do “converter sinais de inteligência captados no exterior a partir de estabelecimentos oficiais dos EUA, como embaixadas e consulados.” Não se sabe se a base brasiliense continuou operando depois de 2002.
Agentes disfarçados de diplomatas (como o general Vernon Walthers que comandou as forças golpistas de 1964) manuseavam os documentos.
Ao declarar que não dará explicações públicas o terrorista Barack Obama ignora milhões de brasileiros que têm o direito de conhecer os fatos e releva o governo Dilma, de quinta categoria, a sexta. A estação no Brasil era a única na América do Sul e foi explicitamente autorizada por FHC com conhecimento das forças armadas (não existem forças armadas brasileiras, mas policiais especiais para manter o controle norte-americano e israelense).
Ao contrário do que se dizia os satélites captavam informações para indústrias e bancos, favorecendo o processo de entrega do governo FHC. Como todo marido enganado o governo de Dilma é o último a saber, é claro, o chanceler Anthony Patriot é funcionário norte-americano casado com uma operadora do Plano Grande Colômbia e de nacionalidade norte-americana.
Dizem que Dilma está irritada, vamos ver até que ponto. É direito dos brasileiros conhecer detalhes do caso.
No Egito os militares israelenses (não existe força armada egípcia é paga com soldo dos EUA e Israel) mataram 49 manifestantes que protestavam contra o golpe militar no país. Já chega a cem o número de assassinatos, passa de mil o número de presos e não se calculou o número dos milhares de feridos pelos boçais fardados.
Obama comandou o golpe e agora delegou poderes a Benjamin Netanyahu para complementar o trabalho.
Não existe país soberano hoje, os norte-americanos e sionistas vasculham tudo e vão se apossando de tudo tal e qual está acontecendo no Brasil. Daí o valor de presidentes como o da Bolívia, da Venezuela e do Equador, além dos líderes de Cuba e Nicarágua.. Mesmo assim são espionados.
Quem pensa que os investimentos de Eike Batista estavam à deriva desconhecem a manobra para que isso acontecesse e estrangeiros disfarçados de grupos nacionais venham a assumir setores estratégicos da economia.
No Norte, Nordeste e Centro Oeste do Brasil a maior parte das terrras é grilada e com documentos falsificados em cartórios, onde os donos são latifundiários. O governo não tem respaldo e nem coragem para enfrentar o desafio de apurar os fatos.
Nossas forças armadas são em sua esmagadora maioria dominadas por norte-americanos. A sabotagem do satélite brasileiro em Alcântara anos atrás continua do mesmo tamanho. Falta estatura ao governo para enfrentar o problema, levantar os acontecimentos e acusar os EUA de sabotagem. Não querem satélites e nem foguetes brasileiros. Isso foi com FHC que entregou e autorizou a base e Lula e Dilma silenciam sobre o assunto. Dilma vai ter que falar agora, pois o assunto veio a público e talvez esteja ai a não concessão do asilo a Snowden. Obama mandou.
A luta travada nas ruas não se esgota em passeatas e nem em uma semana, mas num processo de organização e direção que resgate o Brasil e promova um novo Independência ou Morte, pois voltamos a ser colônia, só que agora dos EUA.
O que há são interesses políticos, comerciais, industriais e na agricultura. O “terrorismo” é disfarce. Dilma é um fiasco, uma tragédia de incompetência e os que querem sucedê-la piores ainda, pois são os que entregaram o País.
É hora do povo tomar o Brasil em suas mãos. E a mídia privada tem que ser um dos alvos principais, pois é o veículo dos donos, mesmo que faça denúncias como essa. Não tinha jeito, estava em todos os cantos. Acidente de trabalho.
Você está sendo espionado em sua casa pelos norte-americanos autorizados pelo governo banana do Brasil, ou alguém acha que a base deixou de existir, no máximo mudou de lugar.
Um helicóptero levou Sérgio Cabral, com dinheiro público, para um fim de semana em Mangaratiba. Na volta, como a mulher do governador tivesse esquecido um vestido, o helicóptero, com o nosso dinheiro voltou para pegar o vestido.
E ainda falam em plebiscito. Bobagem, não decidimos nada que mude nada como diz Chico Oliveira e esses caras continuam, inclusive Marco Feliciano, “gay curado”. Ou Gildevan Fernandes, pregador da palavra divina e estuprador. E são dos menores. Nem falo de Álvaro Dias, ou Geraldo Alkimin, Antônio Anastasia e outros e agora temm Joaquim Carlota Barbosa ao custo de 580 mil .e um filho na GLOBO.(vou pedir asilo a coreia do norte)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

BARBOSA: FILHO NA GLOBO E VIAGENS PAGAS PELO STF

Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi contratado pela Globo; ele atua no programa Caldeirão do Huck, do apresentador Luciano Huck; no fim de semana, Barbosa viajou, com recursos do Supremo Tribunal Federal, para assistir a um jogo da seleção brasileira no camarote de Huck e de sua esposa Angélica; cogitado como presidenciável, Barbosa não tem demonstrado o mesmo rigor que cobra dos outros na sua vida pessoal
5 DE JULHO DE 2013 
247 - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tem um filho, Felipe Barbosa, que acaba de ser contratado pela Rede Globo. É o que informa a jornalista Keila Jimenez, da coluna Outro Canal, da Folha. Leia abaixo:
Reforço O mais novo contratado da produção do "Caldeirão do Huck" (Globo) é Felipe Barbosa, filho do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa.
Reforço 2 A Globo e fontes na produção da atração negaram para a coluna a recente contratação do rapaz. Disseram que ele foi apenas fazer uma visita ao Projac, no Rio.
Reforço 3 Mais tarde, a emissora confirmou que Felipe fora mesmo contratado para um trabalho de pesquisa temporário no programa de Luciano Huck. O jovem é formado em comunicação social.
Talvez para comemorar a contratação, Barbosa e Felipe tenham ido juntos a um jogo da seleção brasileira, no camarote de Huck e Angélica. Barbosa viajou com as despesas pagas pelo STF.
Leia abaixo notícia anterior do 247 sobre a viagem de Barbosa ao Rio, bancada pelo STF:
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, teve as despesas de sua viagem para assistir ao jogo Brasil e Inglaterra no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 2 de junho, pagas pela Corte.
Os voos de ida e de volta foram feitos em aviões de carreira. O STF alega que a viagem foi paga com a cota que os ministros têm direito.
Segundo informações do Estadão, na agenda do ministro não havia nenhum compromisso oficial no Rio de Janeiro durante o final de semana do jogo no Maracanã.
Ele assistiu à partida ao lado do filho Felipe no camarote do casal de apresentadores da TV Globo Luciano Huck e Angélica.
Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo publicada no dia 20 de maio revela, com base nos dados que estavam publicados no site do STF, conforme determina a Lei de Acesso à Informação, que em quatro anos (de 2009 a 2012), o total de recursos públicos gasto em passagens pelos ministros e suas esposas foi de R$ 2,2 milhões, sendo que R$ 1,5 milhão foi usado em viagens internacionais. No período, foram destinados R$ 608 mil para as mulheres de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski - ainda na corte -, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso e Eros Grau - já aposentados.
Cotado como presidenciável, Barbosa não tem demonstrado, em sua vida pessoal, o mesmo rigor que cobra dos outros. Recentemente, soube-se que a reforma do banheiro do seu apartamento funcional, em Brasília, custou mais de R$ 90 mil (leia aqui).

25 verdades sobre o episódio Morales/Snowden

 

pragmatismo político

Caso Evo Morales/Edward Snowden mostra que União Europeia é um engodo político e diplomático, sempre subserviente às exigências de Washington

Por Salim Lamrani
O caso Edward Snowden está na raiz de um grave incidente diplomático entre a Bolívia e vários países europeus. Por ordem de Washington, França, Itália, Espanha e Portugal proibiram o avião presidencial de Evo Morales de sobrevoar seus territórios.
1 – Depois de uma viagem oficial à Rússia para assistir a uma cúpula de países produtores de gás, o presidente Evo Morales pegou seu avião para voltar à Bolívia.
2 – Os Estados Unidos, pensando que Edward Snowden, ex-agente da CIAe da NSA, autor das revelações sobre as operações de espionagem de seu país, estava no avião presidencial, ordenou que quatro países europeus – França, Itália, Espanha e Portugal – proibissem que Evo Morales sobrevoasse seus respectivos espaços aéreos.
3 – Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autorização de sobrevoo de seu território, que havia outorgado à Bolívia em 27 de julho de 2013, enquanto o avião presidencial estava a apenas alguns quilômetros das fronteiras francesas.
4 – Assim, Paris colocou em perigo a vida do presidente boliviano que, por falta de combustível, precisou fazer uma aterrissagem de emergência na Áustria.
5 – Desde 1945, nenhuma nação do mundo impediu um avião presidencial de sobrevoar seu território.
6 – Paris, além de desatar uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplomática absoluta da qual todo chefe de Estado goza.
7 – O governo socialista de François Hollande atentou gravemente ao prestígio da nação. A França aparece diante dos olhos do mundo como um país servil e dócil que não vacila um instante sequer para obedecer as ordens de Washington, contra seus próprios interesses.
8 – Ao tomar tal decisão, Hollande desprestigiou a voz da França no cenário internacional.
edward snowden evo morales
Edward Snowden nunca esteve no avião de Evo Morales (Imagem: Reprodução)
9 – Paris também se tornou alvo de piada no mundo inteiro. As revelações feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espiavam vários países da União Europeia, entre os quais a França. Diante dessas revelações, François Hollande pediu pública e firmemente a Washington que parasse com esses atos hostis. Ainda assim, por debaixo dos panos, o Palácio do Eliseu seguiu fielmente as ordens da Casa Branca.
10 – Depois de descobrir que se tratava de uma informação falsa e que Snowden não estava no avião, Paris decidiu anular a proibição.
11 – Itália, Espanha e Portugal também seguiram as ordens de Washington e proibiram Evo Morales de sobrevoar seu território, antes de mudar de opinião, quando souberam que a informação não era verídica, e permitir que o presidente boliviano seguisse sua rota.
12 – Antes disso, a Espanha até exigiu revistar o avião presidencial, violando todas as normas legais internacionais. “Isto é uma chantagem; não vamos permitir por uma questão de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necessário”, respondeu o presidente boliviano. “Não sou um criminoso”, declarou Evo Morales.
13 – A Bolívia denunciou um atentado contra sua soberania e contra a imunidade de seu presidente. “Trata-se de uma instrução do governo dos Estados Unidos”, segundo La Paz.
14 – América Latina condenou unanimemente a atitude da França, Espanha, Itália e Portugal.
15 – A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) convocou em caráter de urgência uma reunião extraordinária após esse escândalo internacional e expressou sua “indignação” por meio de seu Secretário-Geral, Ali Rodríguez.
16 – A Venezuela e o Equador condenaram “a ofensa” e “o atentado” contra o presidente Evo Morales.
17 – O presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou “uma agressão grosseira, inadequada e não civilizada”.
18 – O presidente equatoriano, Rafael Correa, expressou sua indignação: “Nossa América não pode tolerar tanto abuso!”.
19 – A Nicarágua denunciou “uma ação criminosa e bárbara”.
20 – Havana fustigou o “ato inadmissível, infundado, arbitrário que ofende toda a América Latina e o Caribe”.
21 – A presidente argentina, Cristina Kirchner, expressou sua consternação: “Definitivamente, estão todos loucos. O chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode haver esse grau de impunidade”.
22 – Por meio de seu Secretário-Geral José Miguel Insulza, a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenou a decisão dos países europeus: “Não existe justificativa alguma para cometer tais ações em detrimento do presidente da Bolívia. Os países envolvidos devem dar uma explicação das razões pelas quais tomaram essa decisão, particularmente porque isso colocou em risco a vida do primeiro mandatário de um país-membro da OEA”.
23 – A Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) denunciou “uma flagrante discriminação e ameaça à imunidade diplomática de um Chefe de Estado”.
24 – Em vez de outorgar o asilo político à pessoa que lhe permitiu descobrir que era vítima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a França, não vacila em criar uma grave crise diplomática com o objetivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.
25 – Esse caso ilustra que, se a União Europeia é uma potência econômica, é também um engodo político e diplomático incapaz de adotar uma postura independente em relação aos Estados Unidos.
* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista (Opera Mundi)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Para onde?


[*] Adriano Benayon – 01.07.2013
1. Por que milhões de pessoas vão às ruas manifestar-se, mesmo sem ter tido conhecimento dos passos mais recentes dados pelos poderes do Estado no sentido da destruição do País?
2. Claro que para revoltar-se nem precisam estar bem informados. Basta sentir os sofrimentos decorrentes de problemas que continuam agravando-se :
1.      transporte público insuportável e, além disso, nas grandes cidades, transporte particular inviabilizado pelo excesso de veículos;
2.     acesso  difícil ou inexistente a serviços públicos de saúde e de educação, de alguma qualidade, além de, no âmbito privado, preços absurdos sem qualidade correspondente;
3.     salários baixos;
4.     preços elevados, em mercados dominados por empresas e bancos concentradores;
5.     impostos e taxas numerosos e custosos.
3. Credita-se ter desencadeado a faísca ao Movimento do Passe Livre (MPL), baseado em São Paulo e outras cidades, organizado há anos e voltado para objetivos justos, embora limitados
4. O momento em que surgiram os protestos devidos ao aumento das passagens de ônibus em São Paulo, coincidiu com os jogos da Copa das Confederações, a qual expôs os superfaturamentos e outros absurdos ligados à construção dos estádios.
5. É compreensível que associem esses gastos suntuários às carências no atendimento das necessidades da população.
6. Falta, porém, elevar mais o número dos manifestantes e motivá-los a lutar pela erradicação das verdadeiras causas das desditas do povo. Para isso é urgente disseminar, para dezenas de milhões de brasileiros, as informações econômicas e políticas relevantes.
7. Dizer-lhes, por exemplo:
Os gastos com a dívida pública absorveram 43,98% dos recursos federais em 2012. Mais de R$ 750 bilhões. Para a saúde foram destinados somente 4,17% desses recursos;3,34% à educação; 0,7 aos transportes; 0,39% à segurança e 0,01% à habitação.  
8. Os R$ 750 bilhões para a dívida equivalem a quase o total dos investimentos públicos e privados no mesmo ano. Significa que se esse dinheiro fosse investido produtivamente, em vez de dilapidado em despesas financeiras, poderiam ser dobrados os gastos realizados na produção e na geração de empregos.
9. Desde 1988 foram gastos 10 trilhões de reais com a dívida pública. Um trilhão é mil vezes um bilhão, e um bilhão é mil vezes um milhão, que é mil vezes mil.
10. De onde veio isso: A indústria e os mercados são controlados por empresas estrangeiras, que remetem dinheiro ao exterior de mais de quinze modos. Os bens e serviços que vendemos são subfaturados, e os que compramos são superfaturados.
11.Então se acumulam as dívidas. O produto de nosso trabalho, os nossos minérios, a produção agrícola, tudo é mandado para o exterior por quase nada, e o governo ainda premia os exportadores e os isenta de ICMS e contribuições sociais.
12.Por que é assim? Os políticos recebem dinheiro das empresas e bancos concentradores para as eleições e dependem também das TVs comerciais e imprensa, tudo ligado aos concentradores financeiros.
13.Por isso o problema dos investimentos produtivos não é só serem poucos, mas serem mal escolhidos e realizados. Tudo é desenhado, orientado para o ganho dos concentradores: transportes, educação, saúde, telecomunicações e energia.
14. E também: O transporte está ruim? Lógico, as ruas estão entulhadas com veículos produzidos por montadoras estrangeiras, às quais o governo federal, os estaduais e os municipais dão prêmios e isenções de centenas de bilhões de reais. E não construíram linhas de metrô. Por isso o trabalhador se desgasta durante cinco horas por dia dentro das conduções. Não se fazem tampouco hidrovias nem ferrovias para transportar passageiros e cargas.
15. A corrupção tem efeitos muito mais graves que os percebidos pela grande maioria dos brasileiros. Esta se indigna diante dos casos de enriquecimento, na ordem de milhões de reais, dos políticos e agentes públicos, que a grande mídia resolve expor, poupando os corruptos mais ligados aos interesses estrangeiros.
16. O povo não protesta, ainda, com a devida força, contra as lesões praticadas pelo atual governo ao patrimônio público nos leilões de petróleo - trilhões de dólares entregues praticamente de graça a petroleiras estrangeiras - nem contra a gradual destruição da Petrobrás.
17. Ainda por cima Executivo e Legislativo fazem demagogia decretando que 75% dos royalties do petróleo sejam carreados para a educação e 25% para a saúde. Ora, esses percentuais incidem sobre praticamente nada, além de a produção ainda demorar, os royalties são 10% das receitas subdeclaradas (o governo não controla o que sai).
18. Ainda se manifesta pouco contra as concessões de ferrovias, portos e aeroportos financiadas pelo BNDES. Igual com os empréstimos de grande vulto para empresas concentradoras e para as parcerias público-privadas nos investimentos de infra-estrutura, em que o setor privado tem lucros garantidos pelo Estado, sem sequer investir.
19. Não se mostra ao povo de que modo os bancos obtêm ganhos colossais. Apenas três bancos privados - Itaú, Bradesco e Santander - somam lucros anuais de R$ 30 bilhões, emprestando e aplicando dinheiro dos depositantes. E o art. 164 da Constituição obriga o Banco Central a financiar somente os bancos, proibindo-o de financiar o próprio Tesouro Nacional.
20. Ignoram-se, ainda, os prejuízos de trilhões de reais que resultaram das privatizações de FHC, como a da Vale, a do BANESPA, dado ao Santander e as das siderúrgicas. E as de serviços públicos extorsivos e deficientes, como a eletricidade e as telecomunicações.
21. Nem falam das antigas estradas construídas com dinheiro público, mal conservadas e entregues a concessionárias, que se cevam através de absurdos pedágios. E ninguém constroi novas.
22. Está, pois, na hora de o povo ser informado do que precisa saber para exigir instituições que revertam a lastimável situação do País.
23. Conscientizá-lo de que a luta é árdua. A mídia condenará as manifestações quando focarem no que interessa, e recrudescerá a repressão policial, inexistente para vândalos e assaltantes.
24. Mas o povo terá de enfrentar isso tudo, se não quiser, mais uma vez, servir de massa de manobra para os interesses que o têm mantido sem perspectivas de se libertar. Libertar-se das imposições de potências estrangeiras, brutais embora ocultadas.
25. Em suma, ter-se-á de ir ao fundo da questão: exigir autodeterminação, só possível num sistema político em que os governantes não sejam escolhidos, cooptados, corrompidos nem acuados pelos concentradores.
26. Os obstáculos são muitos. Um dos principais é o tradicional jogo do império anglo-americano, de incitar o ódio ideológico. Para vencê-lo, os brasileiros têm de se unir em torno de questões concretas pautadas pelo interesse nacional.
27. Por exemplo, os manipuladores qualificam o governo de socialista ou neocomunista, quando as políticas dele privilegiam a oligarquia financeira imperial. Enquanto isso, partidos governistas espalham o mito de serem de esquerda.
28. O programa de reconstrução do Brasil deve priorizar a reindustrialização sob capital nacional e dar ênfase à defesa do País. O oposto do que acabam de fazer lideranças da Câmara dos Deputados desengavetando o acordo que cede aos EUA, potência balística, nuclear e imperial, a base de lançamento de foguetes em Alcântara.


[*] Adriano Benayon Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica tecnológica. Depois, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Quem agita o Brasil e por quê

1/7/2013, Nil NIKANDROV, Strategic Culture  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Nil Nikandrov
Os protestos de rua no Brasil continuam. A maioria dos que se manifestam não pertencem a qualquer partido político e não são liderados por ninguém com quem as autoridades possam negociar para encaminhar solução para as demandas. Tudo começou com um grupo de descontentes da classe média e residentes das periferias mais pobres, ante um aumento anunciado nas tarifas do transporte público. As tarifas já eram altas e o novo aumento disparou a indignação de usuários de transportes públicos nas grandes cidades.
No Brasil, os transportes públicos são objeto frequente de muitas críticas. Muitos brasileiros consomem um total de 5-6 horas diárias para ir trabalhar e voltar para casa. O descontentamento popular foi estimulado pela divulgação pelas redes sociais, como movimento que pareceu organizado, de muito material de propaganda sobre “gastos milionários de dinheiro público” para a construção dos locais e eventos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014; e dos Jogos Olímpicos (de verão) em 2016. 

Protestos no Brasil
Cartazes escritos à mão apareceram nas manifestações, dizendo que nem todos os brasileiros vivem para o futebol e recordes olímpicos: “Queremos transporte público moderno, educação de qualidade, serviços de saúde e garantia de emprego”. Ouviram-se também gritos de luta contra a corrupção. O boom “esportivo” aparece quase sempre associado, na opinião pública, com corrupção no governo e “conexões mutuamente vantajosas” para membros do governo e empresas construtoras e círculos financeiros e empresariais em geral. Segundo as primeiras estimativas, as manifestações começaram com algo entre 300 e 500 pessoas que se manifestaram em torno de um “Movimento Passe Livre” (MPL). E os protestos prosseguem. (...)
A convocação para os protestos surgiram em páginas anônimas de Facebook, que “mobilizavam” usuários de transporte público. A origem dessas páginas está sendo investigada, mas ainda não há informação segura, embora haja várias conjecturas. Por exemplo, no dia 19/6, a página brasileira de uma comunidade de “Direitos Humanos” publicou foto em que se via o proprietário da empresa, Mark Zuckerberg, exibindo um cartaz em que se lê “Não são os 20 centavos!” #ChangeBrasil!”.
Mark Zuckerberg (dono do Facebook)
São bem conhecidos os laços que unem o início da carreira empresarial de Zuckerberg e a CIA. Os contatos foram muitos e sabe-se que a CIA financiou o início de seu negócio. Zuckerberg tem também contatos estreitos com a Agência de Segurança Nacional dos EUA [orig. U.S. National Security Agency (NSA)], os quais não são segredo para ninguém. Difícil acreditar que Zuckerberg tenha-se envolvido por iniciativa sua nos protestos no Brasil (e ainda mais difícil, que tenha passado, repentinamente, a preocupar-se com o preço dos transportes públicos por lá).
Slogans de “luta para mudar” sempre são bem-sucedidos em campanhas em universidades e instituições de ensino superior. Estudantes sempre se apresentam como vanguarda na luta por direitos sociais e políticos. De novidade, agora, no caso do Brasil, que os manipuladores que operam nesses setores não conseguiram, até agora, criar lideranças centralizadas, em nenhum dos protestos de rua.
Edward Snowden
Mas o modo como a inteligência dos EUA opera, esse sim, acaba de ser revelado por Edward Snowden: tudo faz crer que a atividade no Brasil e em vários outros países já esteja em andamento, tratada como os EUA tratam o que definem como “ameaça de nível elevado”.
A contrainteligência brasileira e os serviços de investigadores policiais já trabalham para identificar quem se teria infiltrado nos movimentos do Brasil. Também se investiga o “uso hostil” das redes sociais. Mais de 80 milhões de pessoas são usuários de internet no Brasil; e 140 milhões usam telefones celulares. É claro que slogans construídos para desestabilizar o quadro sociopolítico no Brasil circulam nessas redes. E há também ONGs e agentes que operam através da embaixada dos EUA, como, igualmente, dos escritórios da USAID no Brasil – exatamente como em todo o mundo. Blogueiros brasileiros interessados em estudar as tendências das manifestações já observaram que só houve grandes concentrações populares em cidades nas quais operam escritórios de representação diplomática ou comercial dos EUA – na capital, Brasília; no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, dentre as principais.
Thomas Shannon
Hoje, como se sabe, está operando no Brasil uma das maiores bases organizadas da CIA e da inteligência militar dos EUA, do mundo. O coordenador político dessas operações no Brasil é o Embaixador Thomas Shannon. [1] Pode-se tomar como fato absolutamente verdadeiro que o embaixador Shannon está ocupado em tempo integral com o “despertar o gigante sul-americano”.
Os protestos de junho continuarão pelo mês de julho e, em grande medida, já começam a afetar a imagem que o Brasil oferecia ao mundo, de país bem-sucedido em seu projeto de desenvolvimento com orientação social.
Em outubro de 2014 haverá eleições presidenciais no Brasil; a atual presidenta Dilma Rousseff é candidata a um segundo mandato. Nesse contexto, qualquer ação para desestabilizar seu governo é apresentada como tentativa dos adversários políticos, com olhos nas eleições: “Estão nos testando”.
De início, as autoridades de alguns estados responderam com extrema dureza aos manifestantes. A presidenta Rousseff condenou o “uso de força excessiva” pelas Polícias Militares dos estados.
Há muitos no Brasil que se opõem a “governos de esquerda” e sentem que, nos dez anos dos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff “o regime corrompeu-se” e que, por isso, tem de ser mudado. Não admitem continuar afastados do poder federal por mais quatro anos.
Dilma Rousseff
Ao analisar os eventos em curso no Brasil, mais de um cientista político brasileiro já comentou que a presidenta e seu governo foram colhidos de surpresa pelos eventos; que a presidenta teve de cancelar uma visita programada ao Japão. Depois de várias reuniões, com ministros e especialistas, a presidenta Rousseff adotou a única via de ação possível: uma rota de conciliação, não confrontacional que aqueceria ainda mais as paixões. Disse, essencialmente, que apóia os manifestantes. Em pronunciamento ao país, por televisão, disse que se orgulha de tantos brasileiros desejarem lutar por um futuro melhor para o país. Enfatizou que em nenhum caso admitiria que se realizassem eventos esportivos internacionais a custa de dinheiro público retirado de programas sociais.
Na tentativa para conter a onda de protestos, Dilma Rousseff sugeriu que se realize um “plebiscito” cujas decisões orientarão uma reforma política de fundo a ser feita no país. O plebiscito deve levar, em momento posterior, à convocação de uma Assembleia Constituinte, com poderes para alterar amplamente a Constituição vigente. Todos esses planos enchem de preocupações as elites financeiras brasileiras. A oposição à presidenta Rousseff entende que “o projeto Lula-Dilma de modernização sociopolítica” nos levará na direção de um “regime populista” semelhante ao de Hugo Chavez.
O governo Obama já está fazendo tudo que esteja ao seu alcance para impedir tal desenrolar.
Hoje, está criando a Aliança Pacífica, [2] unindo quatro países da região – México, Colômbia, Peru e Chile – sob comando dos EUA. Do ponto de vista de Washington, a Aliança Pacífica, dentre outros efeitos, ajudará a limitar a influência do Brasil no hemisfério ocidental e criará “um poderoso contrapeso geoestratégico à expansão do Brasil”. Sob vários pretextos, o Pentágono está organizando exercícios armados conjuntos com países vizinhos do Brasil – Trinidad e Tobago, Suriname, Guiana e Peru. Na essência os EUA estudam um futuro teatro de operações militares. A 4ª Frota dos EUA patrulha as regiões do Oceano Atlântico próximas dos depósitos de petróleo da plataforma continental brasileira. Os EUA farão todos os esforços para enfraquecer os aliados e parceiros do Brasil na região, a começar por Venezuela, Equador, Nicarágua e Cuba. A reaproximação entre OTAN e Colômbia também se explica em parte como projeto para criar mais um “fator de pressão” sobre o Brasil.
Os protestos continuam. Começam a aparecer também detalhes sobre as condições desumanas em que vivem as populações em torno dos estádios (dos antigos e dos que estão sendo construídos) e sobre a violência das “desocupações” e operações para “limpar” as áreas dos elementos considerados “perigosos”, com imagens sobre como as casas dos mais pobres estão sendo demolidas para construção de novas edificações, sem a necessária indenização aos proprietários anteriores. O governo central está tendo de responder por ações de governadores e prefeitos, autoridades locais.
Os eventos no Brasil estão sendo acompanhados pela mídia ocidental em todos os detalhes. Cientistas políticos avaliam a ação das empresas locais de imprensa como operação deliberada para comprometer a imagem do Brasil e a capacidade do país para organizar grandes eventos esportivos internacionais. Não faltou sequer quem dissesse que a Copa do Mundo de futebol devesse ser cancelada, por o país não poder dar garantias de vida aos jogadores e torcedores.
O que se viu agora, na “Copa das Confederações” pode ser considerado como ensaio geral do que se verá acontecer em futuros eventos esportivos no Brasil. Tudo para pressionar o país, em questões e interesses que nada têm a ver com esportes...

Notas dos tradutores

[1]
Sobre o embaixador Thomas Shannon e seus contatos no Brasil ver, dentre outros muitos telegramas Wikivazados:

segunda-feira, 1 de julho de 2013

E eles ainda querem liberdade de expressão !



Os protestos e as manobras da direita 

Bernardo é o Ministro do plim-plim

Só a direita reacionária tem certezas.


O Conversa Afiada reproduz artigo de Mino Carta na Carta Capital:

Copa, hipocrisia, dinheiro e política: tudo a ver


Certo dia, logo que o Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014, no já longínquo ano de 2007, num programa esportivo da antiga parceria que o Estadão havia feito com a ESPN/Brasil para manter a sua emissora de rádio, escutei uma rara unanimidade: todos os que dele participavam soltaram o verbo, indignados com a escolha.
Os argumentos, daquela vez e desde então, em praticamente todos os meios de comunicação, contra a Copa no Brasil, se mantiveram.
Vai ser uma roubalheira, o governo (sempre o federal, é claro), deveria destinar os bilhões que vai gastar para construir escolas e hospitais, os políticos vão roubar como nunca, blá-blá-blá.
Foi, naquele instante, na extinta Estadão/ESPN, um desfile de críticas pesadíssimas ao torneio, o maior evento esportivo-midiático do planeta, que qualquer país, do Timor Leste à Alemanha, sonha receber.
Se não todos, pelo menos a maioria dos jornalistas esportivos se engajaram numa campanha difamatória contra o evento, demagogicamente, sem nenhum embasamento racional, centrado em números ou na lógica, na linha do "entretenimento" proporcionado à massa desinformada por um, digamos, Datena da vida, esse tipo de profissional que quer valer seu ponto de vista por meio do berro.

O mais interessante é que nem com o cronograma das obras sendo cumprido, apesar das dificuldades impostas pela sua magnitude, as críticas suavizaram. 
Como fazem diuturnamente em seu trabalho, essas pessoas, inteiramente vestidas com a camisa da turma do contra, continuaram agindo como torcida organizada, não dos clubes de coração que fazem questão de esconder do público, mas do "quanto pior, melhor".
O secretário da Fifa falou contra a organização da Copa?
Oba, que legal, isso quer dizer que o Brasil é uma porcaria!
O Maracanã está concluído?
Peraí!!! Tem mutreta nisso, foi superfaturado, pode cair a qualquer momento!!!
Foi assim o tempo todo.
E mesmo agora, quando o "aperitivo" a Copa se concluiu com brilho, em meio à tempestade promovida no país pela moda das manifestações contra tudo e contra todos (mas muito mais contra o governo trabalhista do PT e aliados), esse pessoal ainda insiste nessa cantilena viralatística de que a Copa do Mundo é maravilhosa lá fora e uma droga no Brasil.
O caso é que, nesses anos todos de pregação anticopa esses veículos de comunicação, principalmente da chamada mídia eletrônica, não deixaram de cobrir todos os eventos da seleção brasileira e correr atrás de gordos patrocínios publicitários para faturar com o torneio.
É uma atitude hipócrita, baixa, burra, indecente até, que mostra o grau de engajamento partidário da imprensa brasileira, que chega até a arriscar a oportunidade de fazer um excelente negócio somente para sabotar uma ação que pode render alguns pontos favoráveis ao seu inimigo.
Tal é o nível da guerra política em curso no país...
Números preliminares do Ibope em São Paulo dizem que a transmissão de Brasil e Espanha, jogo final da Copa das Confederações, rendeu 34 pontos de audiência para a Rede Globo, número que representa 54 % dos aparelhos ligados no horário. 
Se confirmado, será a maior audiência da emissora no ano com futebol. 
A Band também marcou um ótimo resultado, registrando 10 pontos, mais que a soma dos seus dois concorrentes, SBT (com 5) e Record (com 4). 
Somando as audiências de Globo e Band, cerca de 70% dos aparelhos estavam sintonizados na partida.
Será que nem com esses números nas mãos os manda-chuvas desses impérios de comunicação darão trégua à organização da Copa?
Será que rasgarão uma montanha de dinheiro agora pela possibilidade de ganhar mais no futuro, quando tiverem escorraçado os trabalhistas do governo?