segunda-feira, 16 de maio de 2016
“A volta do gigante bobo”: a estreia de Serra nas Relações Exteriores
“Por muito tempo, o Brasil foi o gigante bobo da América do Sul, um país que só seguia os passos dos norte-americanos e europeus. Aí vieram Lula e Dilma, e o Brasil virou um gigante extraordinário com luz e voz próprias. Temer e seus aliados querem que o Brasil volte a ser o gigante bobo”.
Bastaram 55 palavras para a deputada venezuelana Ilenia Media, líder do partido Pátria para Todos, definir com precisão a destemperada medida de José Serra de abrir guerra aberta aos países bolivarianos 12 horas após tomar posse como ministro das Relações Exteriores do governo de Michel Temer.
Serra, como esperavam os que o conhecem, agiu por impulso, pensando em garantir a sua já tradicional notinha de rodapé na Folha e no Estadão logo na primeira edição do pós-golpe.
Novamente se deu mal: não passou 24 horas teve de engolir que não apenas os bolivarianos mas também o Uruguai não tem intenções de reconhecer Temer (PMDB) como chefe de Estado brasileiro.
E que o governo do Chile igualmente demonstra preocupação – para não dizer da desconfiança generalizada mundo afora com a instabilidade política no país.
Ok, era natural que, sendo um cético inveterado, Serra se recusasse a aceitar um ministério como a Saúde ou a Educação, por exemplo. Dão trabalho e há pouco a fazer em pastas tão caóticas num governo que nem o ambulante da Esplanada acredita muito.
O ministério da Fazenda, como ele queria e se chegou a cogitar, seria impensável, pois Michel Temer tem lá seus defeitos, mas bobo não é: Serra é literalmente odiado por 10 entre 10 dos maiores empresários do país.
Mas era mesmo necessário confiar a ele a diplomacia brasileira, num momento como este?
Para fugir do lugar comum do vinho que tomou na cara recentemente de Kátia Abreu, após um comentário deselegante numa festa em Brasília, puxei pela memória fatos que provam que Serra pode ser tudo, menos um homem afável, qualidade mínima que se espera de um diplomata.
Fui ao youtube e lá está o vídeo de quando era ministro da Saúde e condenou Xuxa pela gravidez.
Palavras dele, José Serra: “Eu fico imaginando quantas adolescentes não se influenciaram pela produção independente de Xuxa com a Sasha”.
Por telefone, falando ao Jornal Nacional, a apresentadora lembrou que, mesmo não sendo casada, tinha condições de criar a filha.
Disse ainda que o que lamentava era a condição do povo, sempre vítima de “políticos que preferem dar entrevistas de impacto invés de tomar decisões que melhorem a vida das pessoas”.
A melhor definição para o imbróglio veio do finado Antônio Carlos Magalhães.
“Só faltava o Serra brigar com a Xuxa”, caçoou o então senador baiano. “Agora, não tem mais ninguém. Ele já brigou com todo mundo”.
Serra já brigou com Felipão, recentemente com Tasso Jereissati e vive as turras com Deus e o diabo. É uma unanimidade: ninguém nunca fica do lado dele.
Nem com criança consegue ser agradável.
Virou meme na web a cena num campinho de terra na periferia de São Paulo em que ele, furiosamente, investe na cobrança de um pênalti contra um menino de 10 anos – assustado, o garoto pega a bola, mas o sapato do então candidato vai parar no fundo da rede.
“Eu não estava com um sapato bom”, foi o comentário de Serra após o ridículo.
Apenas a título de comparação: você imagina o prefeito Fernando Haddad fazendo um comentário desses? E Geraldo Alckmin?
Os críticos dizem que Serra optou pelo ministério das Relações Exteriores, após Temer ter-lhe negado a Fazenda e o Planejamento, porque considera que a pasta lhe dará certa visibilidade, sem uma cobrança por resultados no dia a dia.
Ou seja, pouco serviço e a chance de fazer o que mais gosta: intriga e garantir notinhas de rodapé nos jornais.
Salvo eu esteja muito enganado, a síntese da deputada venezuelana é a que vai prevalecer: o gigante bobo voltou.
Informante dos EUA ganha o mundo!
Cerra, pede ao FHC para reclamar do Le Monde...
Russia Today:
O presidente em exercício do Brasil costumava ser informante para a inteligência dos EUA
AFP:
Wikileaks revela reunião de Temer com funcionários dos EUA
Yahoo:
Temer do Brasil fez relatórios para diplomatas americanos no passado
La Jornada (México):
Temer foi informante dos EUA
Pravda (Rússia):
Temer foi informante do governo dos EUA, revela Wikileaks
Süddeutsche Zeitung (Alemanha):
Wikileaks acusa o chefe de estado brasileiro Michel Temer
Diário de Notícias (Portugal):
Wikileaks acusa Michel Temer de ser informante dos EUA
Huffington Post / Le Monde (França):
Segundo Wikileaks, Michel Temer passou informações à inteligência americana
Sputnik News (Rússia):
Notícia da colaboração de Temer com segurança nacional dos EUA repercute no Brasil
O presidente em exercício do Brasil costumava ser informante para a inteligência dos EUA
AFP:
Wikileaks revela reunião de Temer com funcionários dos EUA
Yahoo:
Temer do Brasil fez relatórios para diplomatas americanos no passado
La Jornada (México):
Temer foi informante dos EUA
Pravda (Rússia):
Temer foi informante do governo dos EUA, revela Wikileaks
Süddeutsche Zeitung (Alemanha):
Wikileaks acusa o chefe de estado brasileiro Michel Temer
Diário de Notícias (Portugal):
Wikileaks acusa Michel Temer de ser informante dos EUA
Huffington Post / Le Monde (França):
Segundo Wikileaks, Michel Temer passou informações à inteligência americana
Sputnik News (Rússia):
Notícia da colaboração de Temer com segurança nacional dos EUA repercute no Brasil
quinta-feira, 12 de maio de 2016
A República Plutocrática tem que ser exemplarmente derrubada
por : Paulo Nogueira
A República Plutocrática tem que ser derrubada. E tem que ser
derrubada exemplarmente para que no futuro a plutocracia não ouse fazer o
que está fazendo agora.O Brasil deveria se encaminhar para se tornar uma sociedade escandinava. Igualitária, com oportunidades iguais para todos, sem os contrastes indecentes de riqueza de poucos e misérias de tantos.
Mas o sonho da Escandinávia foi atropelado pela realidade paraguaia. Com o golpe, viramos um imenso Paraguai, e agora o que se deve esperar é uma política econômica que vá aprofundar as já colossais desigualdades brasileiras.
Com Temer, é como se o thatcherismo, repudiado e morto nas sociedades avançadas pela brutal concentração de renda que trouxe, estivesse no auge do vigor.
Isso mostra a mentalidade anacrônica, obsoleta, míope da plutocracia nacional. O mundo pede menos desigualdade. A plutocracia que obliterou 54 milhões de votos trará ainda mais desigualdade para o Brasil.
O dinheiro público vai ser transferido em quantidades indecentes para mãos particulares. Os plutocratas brasileiros vivem não de seu engenho, de sua capacidade de empreender e inovar. Vivem do dinheiro público.
As empresas jornalísticas sabem que poderão contar com a mão do governo amigo para enfrentar as dificuldades trazidas pela Era Digital.
São carroças diante do carro. Mas Temer vai abarrotá-las de recursos do contribuinte por vários meios, o principal dos quais é a publicidade.
Temer vai fazer o que nem Lula e nem Dilma jamais fizeram, em seu republicanismo suicida e desastrado: aparelhar a Secretaria da Comunicação, a Secom, que cuida da publicidade federal.
Só receberá verbas a mídia plutocrática: Globo, Abril, Folha, Estado e por aí vai. É extraordinário que, na Era PT, essas mesmas companhias ganharam bilhões em publicidade oficial, mesmo com audiências em constante declínio graças à internet.
O PT financiou seus algozes até seu último momento no Palácio do Planalto, um dos erros mais espetaculares e incompreensíveis cometidos pela dupla Lula e Dilma.
As companhias jornalísticas não tiveram que correr sequer o risco de retaliação ao optar por abandonar o jornalismo e fazer descaradamente propaganda anti-PT.
O que a mídia plutocrática não conseguirá fazer é o milagre de dar legitimidade e algum vigor a um governo que nasce sem votos e com enorme rejeição.
Não há nada que faça Temer, com sua consagrada mediocridade septuagenária, se transformar em estadista. Nada também será capaz a imagem criminosa de Eduardo Cunha como o grande arquiteto do golpe.
Temer se instalará no poder sob uma rejeição maciça dos movimentos sociais. Toda nova presidência desperta esperança e algum entusiasmo nos seus primeiros tempos. Temer já chega despertando ódio e descrença.
Ele não pode durar. Tem que ser combatido a cada instante, para que o golpe seja derrotado. As ruas não podem sossegar enquanto este governo espúrio estiver no Planalto.
A República Plutocrática, repito, tem que ser varrida. Golpistas devem virar párias na sociedade.
Só assim nos livraremos da maldição de sermos sempre a terra desoladora da plutocracia predadora, canalha, capaz de qualquer coisa para destruir a democracia.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Trabalhadores fecham o Brasil
Trabalhadores sem teto fecharam a avenida 9 de Julho, em São Paulo (Foto - Lina Marinelli/Jornalistas Livres)
O Brasil amanheceu nesta terça-feira (10) com protestos de trabalhadores e movimentos sociais contra o Golpe.
Os manifestantes ocupam ruas de ao menos dez Estados e do Distrito Federal. As faixas criticam o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e acusam a mídia, em especial a Globo, de apoiar o Golpe.
SÃO PAULO
Na Avenida 23 de Maio


Av. Marginal Tietê, em SP, fechada contra o Golpe.

PERNAMBUCO
Em Recife manifestantes contra o golpe travaram a BR 101.



BAHIA
BR 101 amanheceu travada na região do Recôncavo Baiano.


RIO DE JANEIRO
Rodovia Rio Santos travada no interior do Rio de Janeiro.


A Rodovia BR101, eixo litorâneo do Brasil, teve diversos pontos paralisados.


RIO GRANDE DO SUL
Na BR 290, próximo a Porto Alegre, o Levante Popular da Juventude, o Movimento Kizomba, o MST e MTD realizaram o fechamento dos dois sentidos da rodovia.


DISTRITO FEDERAL
Brasília em Luta: BR 020 foi travada em manifestação contra o Golpe


PARANÁCuritiba amanheceu repleta de balões e corações contra o ódio e em defesa da democracia!



ESPÍRITO SANTOVitória também amanheceu ocupando ruas e estradas no dia nacional de mobilização contra o golpe e em defesa da democracia


PIAUÍ
A cidade de Picos, no Piauí (PI), também amanheceu paralisada.

MATO GROSSO DO SUL
Em Mato Grosso do Sul, a chuva forte não foi impedimento para a BR 267 amanhecer trancada.

PARAÍBA
João Pessoa amanheceu paralisada e com as saídas para outras cidades bloqueadas.

Mais imagens e cobertura: https://www.facebook.com/midiaNINJA
Fotos: Mídia Ninja, CUT e Frente Brasil Popular
Os manifestantes ocupam ruas de ao menos dez Estados e do Distrito Federal. As faixas criticam o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e acusam a mídia, em especial a Globo, de apoiar o Golpe.
SÃO PAULO
Na Avenida 23 de Maio


Av. Marginal Tietê, em SP, fechada contra o Golpe.

PERNAMBUCO
Em Recife manifestantes contra o golpe travaram a BR 101.



BAHIA
BR 101 amanheceu travada na região do Recôncavo Baiano.


RIO DE JANEIRO
Rodovia Rio Santos travada no interior do Rio de Janeiro.


A Rodovia BR101, eixo litorâneo do Brasil, teve diversos pontos paralisados.


RIO GRANDE DO SUL
Na BR 290, próximo a Porto Alegre, o Levante Popular da Juventude, o Movimento Kizomba, o MST e MTD realizaram o fechamento dos dois sentidos da rodovia.


DISTRITO FEDERAL
Brasília em Luta: BR 020 foi travada em manifestação contra o Golpe


PARANÁCuritiba amanheceu repleta de balões e corações contra o ódio e em defesa da democracia!



ESPÍRITO SANTOVitória também amanheceu ocupando ruas e estradas no dia nacional de mobilização contra o golpe e em defesa da democracia


PIAUÍ
A cidade de Picos, no Piauí (PI), também amanheceu paralisada.

MATO GROSSO DO SUL
Em Mato Grosso do Sul, a chuva forte não foi impedimento para a BR 267 amanhecer trancada.

PARAÍBA
João Pessoa amanheceu paralisada e com as saídas para outras cidades bloqueadas.

Mais imagens e cobertura: https://www.facebook.com/midiaNINJA
Fotos: Mídia Ninja, CUT e Frente Brasil Popular
Povo na rua: Manifestações tomam estradas de todo o país para tentar barrar o golpe
Estradas de todo o país estão sendo bloqueadas nesta terça-feira (10) por manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
A Polícia Militar usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.
Quem ia para o Aeroporto de Internacional de Guarulhos também encontrou manifestações e bloqueios a partir da Dutra.
Em Minas Gerais, os manifestantes em defesa da democracia bloquearam com árvores e pneus as BRs-135, em Buenópolis, e 251, em Padre Carvalho, com a participação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e dos Geraizeiros.
A Rodovia Rio-Santos também foi interditada na altura de Itaguaí (RJ), causando um congestionamento de 4 km. A Via Dutra também foi ocupada, mas, segundo o Centro de Operações da prefeitura do Rio, foi rapidamente liberada.
Também são registrados protestos na Paraíba, no Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Sul, Ceará e Amazonas.
Leia mais: http://br.sputniknews.com/brasil/20160510/4523250/manifestacoes-barram-estradas-todo-pais-contra-golpe.html#ixzz48G3iusmQ
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Nunca é tarde para abrir os olhos
Em 1997, quando a reeleição de
Fernando Henrique foi comprada no Congresso, eu estava muito ocupado
jogando Nintendo 64. Devo ter passado uns dois anos na última fase de 007 Contra GoldenEye. Estouraram uma dúzia de escândalos, mas meus amigos e eu estávamos obcecados em grudar bombas nas paredes de um bunker soviético.
Quando Lula, já eleito, se aliou à bancada evangélica e ao agronegócio
para garantir a tal governabilidade, eu estava muito ocupado tentando
transar. Lula não fez reforma agrária, mas eu tampouco estava transando
–e isso era muito mais preocupante para mim.
Quando Eduardo Paes ganhou eleições trucadas contra Gabeira, eu estava
muito ocupado tentando aprender a dançar forró –em vão. O preço da
passagem de ônibus aumentava todo mês, mas eu ia pro ballroom de bike. Não fazia diferença.
Passei minha escolaridade à margem das questões políticas –embora
motivos para a revolta não faltassem. Vi, de canto de olho, o país ser
pilhado, as favelas serem militarizadas, vi assédios, vi chacinas –era
tudo estranho, mas natural. Sempre foi assim, diziam, e sempre vai ser.
Acreditei.
Tomei um susto quando vi a primeira ocupação dos estudantes –uma mistura
de fascínio com culpa por não ter feito isso na minha adolescência.
Talvez seja por isso que me emociono quando vejo estudantes tomando as
ruas, ocupando a Alesp, talvez seja por isso que choro quando vejo a
menina Carol botando o dedo na cara do Coronel Telhada. Era isso que a
geração dos meus pais tentou fazer e foi silenciada. Era isso que a
minha geração nem sequer tentou fazer porque achou que não faria
diferença. É claro que os estudantes de hoje também estão ocupados com
videogame, sexo e forró –não necessariamente nessa ordem. Mas perceberam
que nada disso é incompatível com a luta política. Muito pelo
contrário.
Caro Alckmin, você viveu uma ditadura militar sangrenta. Vereador pelo
MDB, você poderia ter feito alguma diferença. No entanto, enquanto
presos morriam torturados nos porões da ditadura, você estava ocupado
escrevendo uma carta ao Médici em que rasgava elogios ao presidente,
destacando sua "sensibilidade às questões sociais".
Espero que, hoje, o senhor tenha se informado um pouco mais sobre o
regime que admirava. Nunca é tarde para abrir os olhos. Caso queira
aprender, os estudantes têm muito a ensinar. Aposto que eles vão te
receber de braços abertos. Mas leva comida que eles estão sem merenda.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Novo líder da Câmara é aliado de Cunha e investigado pela Lava Jato
Da BBC:
Com o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seu aliado Waldir Maranhão (PP-MA), o primeiro vice-presidente, assume o comando da Casa interinamente. Ele também é investigado na Operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras.
Seu mandato tende a ser curto, no entanto. Se o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a decisão liminar do ministro Teori Zavascki, Maranhão terá que convocar novas eleições para escolha do novo presidente da Casa. A assessoria da Câmara, porém, não soube informar imediatamente quais seriam os prazos para realização do novo pleito, pois isso ainda dependerá da decisão definitiva do Supremo.
Após mais de quatro meses do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zavascki soltou nesta manhã uma decisão liminar determinando que Cunha fique afastado do cargo de presidente e do seu mandato de deputado federal, sob a justificativa de que o peemedebista usa suas prerrogativas parlamentares para atrapalhar investigações contra si.
O plenário do STF deve analisar a questão nesta tarde. Já estava marcado para esta quinta-feira o julgamento de outro pedido semelhante apresentado pela Rede, de modo que é provável que as duas ações sejam julgadas em sequência – denifição que caberá aos ministros na abertura da sessão.
Maranhão faz parte da tropa de choque de defesa de Cunha na Câmara. Como vice-presidente da Câmara, ele já tomou algumas decisões que contribuíram para retardar o processo contra o peemedebista no Conselho de Ética. Esse julgamento, no limite, pode levar à cassação de Cunha.
Em dezembro, por exemplo, Maranhão acatou recurso apresentado pelo deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), outro forte aliado de Cunha, para destituir o primeiro relator da denúncia no Conselho de Ética, deputado Fausto Pinato (PP-SP). A decisão fez a análise da denúncia retornar praticamente a estaca zero.
Já em abril, o vice decidiu que as investigações do conselho deveriam se limitar à acusação de que Cunha mentiu na CPI da Petrobras sobre possuir contas no exterior, proibindo o órgão de apurar as acusações de que ele recebeu propina.
Antes disso, ainda no ano passado, Maranhão já havia tomado também algumas decisões que resultaram no adiamento de sessões do conselho, contribuindo para a lentidão do processo.
Em seu terceiro mandato como deputado federal, o vice-presidente é alvo de inquérito aberto pela PGR, dentro da Operação Lava Jato. O parlamentar foi citado pelo doleito Alberto Youssef como um dos deputados do PP beneficiados por propinas de contratos da Petrobras. Seu partido é o que tem mais políticos investigados.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Para rir: Temer é ficha-suja e está inelegível por 8 anos, diz Procuradoria Eleitoral. Riu?
Do Estadão:
Condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por doações de campanha acima do limite legal, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), está inelegível pelos próximos oito anos, contados a partir da última terça-feira, 3. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), condenações iguais à do vice podem ser enquadradas na Lei Ficha Limpa, que prevê a inelegibilidade de políticos condenados por órgãos colegiados, como é o caso do TRE-SP.
“A Lei da Ficha Limpa estabelece, no seu artigo 1º, I, alínea p, a inelegibilidade de candidatos como consequência da condenação em ação de doação acima do limite proferida por órgão colegiado ou transitada em julgado”, diz nota emitida pela PRE-SP no início da noite desta quarta-feira.
A nota é genérica, não cita especificamente o caso de Temer, mas foi feita em resposta a questionamentos sobre as consequências da decisão tomada na véspera pelo TRE-SP.
Temer foi condenado na terça por unanimidade no plenário do TRE-SP a pagar multa de R$ 80 mil por ter feito doações acima do limite imposto pela legislação eleitoral na campanha de 2014, na qual o peemdebista concorreu na chapa da então candidata Dilma Rousseff.
Segundo a representação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral, Temer doou ao todo R$ 100 mil para dois candidatos do PMDB do Rio Grande do Sul a deputado federal, Alceu Moreira e Darcísio Perondi, que receberam R$ 50 mil, cada um.
O valor é 11,9% do rendimento declarado pelo vice em 2013. Naquele ano, Temer declarou ter tido rendimentos de R$ 839.924,46. O peemedebista não poderia, portanto, doar quantia superior a R$ 83.992,44. A lei eleitoral impõe teto de 10% do rendimento declarado pelo doador no ano anterior.
A assessoria do vice-presidente afirmou que ele pretende pagar a multa com recursos próprios e que isso, por si só, já o livraria de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e extinguiria a inelegibilidade.
O argumento, no entanto é questionado pelo advogado e ex-juiz eleitoral Marlón Reis, um dos redatores da Lei da Ficha Limpa, para quem o pagamento da multa não livra o vice-presidente de ficar inelegível por oito anos.
Segundo Reis, Temer só terá poderá concorrer em eleições se o TSE revogar a decisão ou se forem transcorridos os oito anos estabelecidos pela lei da Ficha Limpa. “A lei é clara em estabelecer que a inelegibilidade decorre da condenação e nada tem a ver com o pagamento da multa”, disse.
terça-feira, 3 de maio de 2016
domingo, 1 de maio de 2016
Banco dos Brics: a primeira pedra que Serra vai desmanchar para os EUA
Por Fernando Brito · 30/04/2016
Fiquei penalizado, ontem, lendo o artigo do corretíssimo Paulo Nogueira Batista Jr. sobre os avanços do Banco dos Brics, integrado, além do Brasil, por Rússia, India, China e África do Sul. Batista é o diretor brasileiro, com mandato de dois anos e Serra, a esta altura, deve estar analisando a possibilidade de substituí-lo ou de “renunciá-lo”.
Gente do calibre de John Craig Roberts, economista, colunista do The Wall Stret Journal e ex-dirigente da Secretaria do Tesouro americano não usa meias palavras para descrever o interesse americano nisso: Washington está se movendo para colocar no poder político de um partido de direita que Washington controle, a fim de encerrar as crescentes relações do Brasil com a China e a Rússia.
A inviabilização do Banco dos Brics é uma peça chave para a imposição da política de “Aliança Transpacífico” dos Estados Unidos para manter seu controle sobre o comércio internacional e, acima de tudo, o poder incontrastável do dólar no padrão monetário internacional.
Para quem não sabe, o fato de poder emitir sem gerar inflação interna – porque dois terços dos dólares circulam fora de suas fronteiras – e poder manter sua moeda sobrevalorizada – foi uma das chaves da hegemonia norte-americana desde o pós-guerra e qualquer pacto multinacional que trabalhe fora do padrão-dólar é perigoso a ele.
José Serra, portanto, fará o possível e o impossível para melar os Brics, com ou sem a prudência necessária para não criar um mal-estar. E melar a trajetória – ainda tímida – de sucesso, na nova instituição, que nogueira Batista Jr. descreve abaixo, inicialmente focada na área de energia sustentável.
O ataque aos direitos dos trabalhadores será rápido e feroz
Por Fernando Brito · 01/05/2016
Diante da percepção cada vez mais generalizada de que vem aí uma carga de cavalaria contra os direitos trabalhistas, Michel Temer manda seu cortesão Wellington Moreira Franco ao Estadão para dizer que – pasmem! – “O PMDB tem tradição trabalhista e social” que “está no seu DNA” (pausa para uma gargalhada olhando o peemedebista Skaf) e que portanto não há risco para os trabalhadores.
Muito bom, muito bonito. Mas veja, na matéria, que ele elenca e especifica o que não está em risco: a carteira assinada, as férias e o 13º salário.
Ponto. Para aí a lista. Ora, Moreira, estes nem a ditadura militar de 1964 colocou em risco e nem por isso não foi um período de saque devastador sobre a classe trabalhadora.
Lembra aquela piada do sujeito que estava tendo um caso homossexual e, interpelado pela esposa, jurou: meu bem, eu não toco em nenhuma outra mulher! Ninguém poderia dizer que ele estava mentindo, não é?
Dizer que não estão em discussão direitos de mais de meio século é uma forma de dizer que estão na berlinda todos os outros.
Como aliás, já foram exigirr a temer a própria Fiesp e a CNI.
A ofensiva será feroz. Vai abarcar logo de cara coisas como a multa do FGTS, o seguro desemprego – hoje uma das mais pesadas fontes de gastos do Tesouro, as normas de segurança no trabalho – que demandam despesas e limites severos para as empresas e a “flexibilização” da condição de menor-aprendiz, permitindo que se finja que existe formação profissional enquanto eles trabalham no chão-de-fábrica como trabalhadores sub-remunerados e com menos encargos.
Em um ano no Ministério do Trabalho, foram estas as pressões que vi, continuamente, às quais se resistiu-se a duras penas. Estas e mais – nisso Moreira Franco tem razão – as tentativas de suprimir um bendito dogma da CLT, o que não pode haver acordo que renuncie a direitos previstos na lei.
E, nisto, não posso dizer que Moreira mente – Moreira não mentir é um momento raro, que devemos sempre registrar – quando diz que setores da CUT -os maiores e mais poderosos sindicatos, defendiam “a prevalência do negociado pelo legislado”.
Pode funcionar muito bem para categorias organizadas e fortes, que podem fazer acordo onde pequenas concessões impliquem ganhos maiores, mas é uma devastação para trabalhadores dispersos, desorganizados – por várias razões e nem sempre por não serem combativos, mas serem poucos em cada local de trabalho e por terem baixo nível de especialização.
Ou seja, arrisco dizer, para a maioria dos trabalhadores.
Sei que as propostas feitas então -baseadas num sistema alemão, onde não há escravos, como aqui – tinha mecanismos de salvaguarda para prevenir isso. Besteira. Se penetrar na muralha da CLT, o patronato começará a destruí-la por dentro, pedaço por pedaço, até que não sobrem seque as três conquistas que Moreira, generosamente, diz que não serão tocadas: a carteira assinada, as férias e o 13º salário.
Estão garantidas. Mas por enquanto apenas, porque logo aparecerá quem diga que o trabalho é uma relação livre entre particulares, onde se ganha pelo que efetivamente se produz e que o mês, afinal, só tem 12 meses.
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