sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

“A grande mídia imprime no inconsciente coletivo uma visão deformada do mundo”

Livro Latifúndio midiota, do jornalista Leonardo Severo, foi lançado no Fórum Social Temático, em Porto Alegre (RS)

- por Vivian Fernandes, no Brasil de Fato

A crítica à manipulação da sociedade feita pelos grandes meios de comunicação e o papel democrático que cumpre o jornalismo alternativo. Com o debate sobre essa dupla face da mídia, o jornalista Leonardo Severo lançou seu novo livro. Sob o título Latifúndio midiota: crise$, crime$ e trapaça$, a obra traz artigos e matérias nacionais e internacionais sobre temas da luta dos trabalhadores e movimentos sociais.

Com extensa trajetória no jornalismo de resistência, Leonardo é redator do jornal Hora do Povo, assessor na área de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de colaborador do jornal Brasil de Fato. O livro inaugura o selo do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

O lançamento ocorreu em 27 de janeiro durante o Fórum Social Temático, em Porto Alegre (RS). Outro lançamento está marcado para 7 de fevereiro, em São Paulo (SP), a partir das 18:30, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509). O livro pode ser adquirido nas livrarias ou pela internet.

Como Leonardo salienta, sua obra é acima de tudo um livro militante, comprometido com a defesa do Brasil, de seu povo e da classe trabalhadora.

Leonardo, você poderia fazer uma breve apresentação do que os leitores irão encontrar no seu livro?

Leonardo Severo – Latifúndio midiota é um livro que faz uma reflexão sobre os descaminhos e a manipulação da mídia em nosso país. São conglomerados de comunicação que imprimem no inconsciente coletivo uma visão deformada do mundo. Na nossa visão, jogam para cultuar valores egocêntricos e individualistas, banalizando a violência, a mulher e as relações sociais, no sentido de manter a dominação de uma casta – que é o setor financeiro ao qual ela serve. Então, Latifúndio midiota reúne artigos publicados sobre Venezuela, Bolívia, Cuba, Paraguai e sobre o próprio Brasil no âmbito da construção de uma postura mais social e coletivista.

O que na sua experiência como jornalista o levou até a construção dessa obra?

A minha experiência indica que esses artigos que foram publicados na internet mereciam ser melhor trabalhados e debatidos. E que nesse momento de discussão do novo marco regulatório da comunicação era uma oportunidade para debater determinados temas. O livro dialoga com a necessidade de nós fortalecermos o papel protagônico do Estado – na indução ao desenvolvimento, no estímulo à empresa nacional, ao emprego e ao fortalecimento dos salários. Com isso, nós damos visibilidade a análises críticas que não aparecem nos meios de comunicação da grande mídia. O livro é uma forma que eu encontrei de sistematizar essa denúncia e de fazer uma conclamação. É um livro militante.

Qual dos artigos e matérias você destacaria como representativo do livro?

Um dos artigos que eu gosto muito é um no qual eu sistematizei uma visita que fi z à Palestina em 2001, onde me encontrei com [Yasser Arafat (1929-2004), então presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)]. Na época a ministra de Educação superior palestina, Hanan Ashrawi, falava que as principais vítimas das balas de aço revestidas com borracha dos israelenses eram os olhos das crianças palestinas. O livro traz fotos dessas balas, do que elas faziam no cérebro das crianças. Era uma coisa bastante cínica, que era para cegar e não matar. Isso era o resultado da segunda Intifada do levante popular árabe-palestino. Essa é uma das reportagens que eu acho que dá bastante visibilidade a um tema que é totalmente manipulado pelos grandes meios de comunicação.

Você poderia relatar também alguma matéria brasileira presente no livro?

Uma matéria que nós fizemos sobre o Marcos Antonio Pedro, que foi um indígena de etnia Terena, na cidade de Sidrolândia, no interior do Mato Grosso do Sul, onde ele foi literalmente moído dentro de um frigorífi co avícola da multinacional Cargil. Esse trabalhador foi acusado de ter se suicidado. Ele caiu [em uma máquina] porque não havia as mínimas condições de segurança. A empresa, de uma hora para outra, modificou todo o local do crime. Quando ele caiu, nós temos relatos de que disseram “bom, vamos abrir por baixo [do equipamento] para tentar socorrê-lo”, mas o fiscal da empresa disse: “não, porque isso vai parar a produção”. A partir disso, nós nos dirigimos até a aldeia de onde ele era proveniente. Conseguimos reconstituir as últimas horas [de vida dele] e comprovar que na verdade Marcos tinha um grande apego pela vida. Conversei com a companheira dele, com as fi lhas. Eu tenho um orgulho muito grande do livro porque ele procura abrir espaço aos que não têm voz. (Radioagência NP)


SERVIÇO
Título: Latifúndio midiota: crime$, crise$ e trapaça$
Autor: Leonardo Wexell Severo
Editora: Papiro
Nº de páginas: 136
Preço: R$ 20,00
post do tudo em cima

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os novos cães de guarda


Halimi escreveu “Os novos cães de guarda” (Jorge Zahar, no Brasil), na coleção de combate dirigida por Pierre Bourdieu, para atualizar o fenômeno, que tornou-se um fenômenos essencialmente midiático nos nossos dias. A mercantilização neoliberal arrasou o campo midiático: “A informação tornou-se um produto como outro qualquer, comprável e destinado a ser vendido...”

Halmim faz um livro devastador, porque simplesmente retrata como são produzidas as informações e as interpretações a favor do poder e da riqueza. “Reverência diante do poder, prudência diante do dinheiro...”- resume ele, que revela as tramas de cumplicidade e de promiscuidade entre a velha mídia e os poderes economicos e políticos. E, também, como esses empregados das empresas de comunicação se promovem a si mesmos, alegremente, numa farsa de fabricação de opinião publica – expressão de Chomsky – de forma oligárquica e elitista.

Quem ousa romper com o consenso dominante é desqualificado como “populista”, “demagogo” pelos “cardeais do pensamento único”, que nos venderam suas mercadorias como a única via possível de “governos responsáveis”, afirmações pelas quais nao respondem hoje, quando essas certezas revelam suas misérias e os sofrimentos que causam para os povos cujos governos ainda se guiam por esses dogmas.

“Mídias cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação cada vez mais medíocre”, conclui Halimi. Perguntado pela razão de que a velha mídia não se reforma, não se renova, o ex-ministro da educação da França, Claude Alegre, político de direita, respondeu com franqueza: “Eu vou lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que nunca fui marxista: porque eles não têm interesse... Por que os beneficiários dessas situação não têm o menor interesse em mudá-la.”

O livro de Halimi foi transformado em documentário e é o filme mais interessante para se ver em Paris atualmente, com o mesmo titulo do livro: “Os novos cães de guarda”. Dirigido por Gilles Balbastre e Yannick Kergoat, com a participação do próprio Halimi no roteiro, o filme poderia ser transporto mecanicamente para o Brasil, a Argentina, a Veneuela, o México, qualquer país latino-americano, apenas mudando os nomes dos jornalistas, dos donos das empresas midiáticas e dos supostos especialistas entrevistados, representantes da riqueza e do poder nas nossas sociedades.

Entre outras informações sonegadas pela velha mídia, cada vez que alguém é entrevistado ou chamado para alguma reunião na velha mídia, aparecem os créditos da pessoa: seu cargo nas empresas privadas, sua participação em outras, as ações que dispõem, etc. Para que se saiba quem está falando, sem disfarçá-lo na qualidade de “especialista”, grande economista, etc, etc.

Mais informações sobre o filme podem ser obtidas em www.lesnouveauxchiensdegarde.com .

Postado por Emir Sader às 16:05

Mike Whitney leu a sentença de morte da Grécia

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Qual é o Conteúdo das Novas “Medidas de Austeridade”

A Sentença de Morte da Grécia

Por Mike Whitney, no CounterPunch, em 13.02.2012

Tradução de Heloisa Villela

“Nós estamos diante da destruição. Nosso país, nossas casas, estão a ponto de pegar fogo. O centro de Atenas está em chamas”. (Costis Hatzidakis, parlamentar conservador)

No domingo, o Parlamento grego aprovou uma nova rodada de medidas de austeridade que vão aprofundar ainda mais os cinco anos de depressão e dilacerar as últimas fibras da coesão social. Para assegurar um empréstimo de 130 bilhões de euros, os líderes políticos gregos concordaram em se dobrar ao “Memorando de Entendimento” (MOU) que não somente vai intensificar os sacrifícios dos trabalhadores comuns mas também vai, efetivamente, entregar o controle da economia da nação aos bancos e corporações estrangeiros.

O Memorando é um documento calculado e mercenário como jamais algo foi escrito. E enquanto o foco está nos cortes profundos nas pensões, no salário mínimo e nos salários do setor privado; existe muito mais nesse mandado oneroso do que se enxerga à primeira vista. O documento de 43 páginas deve ser lido do começo ao fim para que se possa compreender todo o vácuo moral das pessoas que ditam a política na zona do Euro.

A Grécia terá de provar que atingiu todas as metas antes de receber um centavo do dinheiro alocado no programa de socorro financeiro. O Memorando destaca, com muitos detalhes, todas as metas – de redução de gastos com remédios que salvam vidas a “remoção de barreiras à venda de produtos restritos, como comida de bebê”.

Isso mesmo; de acordo com os autores do memorando obscuro, a única maneira através da qual a Grécia poderá sair do buraco é envenenando as crianças com alimentos banidos.

O MOU exige um corte de 10% nos salários do funcionalismo público, cortes nos “fundos de seguro social e nos hospitais”, e mais privatização dos bens públicos. Tudo isso vai reduzir ainda mais o PIB.

Sobre a privatização: “O governo está pronto para oferecer à venda o que ainda possui de controle em empreendimentos estatais, se necessário para atingir os objetivos da privatização. O controle público será limitado a casos de redes críticas de infraestrutura.”

No lugar de fornecer auxílio fiscal para que a Grécia possa cumprir suas metas orçamentárias e se reerguer, a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) está usando a crise para tomar bens vitais do estado e entrega-los às corporações amigas. O MOU está abrindo novas avenidas de exploração e pilhagem. E tem mais:

“O governo não vai propor nem implementar medidas que possam infringir as regras de livre movimentação de capitais. Nem o estado ou entidades públicas fecharão acordos com acionistas com a intenção ou efeito de barrar a livre movimentação de capitais ou influenciar a administração ou o controle das empresas. O governo não vai dar início nem apresentar qualquer proposta de teto de votação ou aquisição, e não vai estabelecer qualquer direito de veto desproporcional e não justificável ou qualquer forma de direito especial nas empresas privatizadas.”

Bem, fica muito claro: o capital manda. Os interesses das corporações e dos bancos terão precedência sobre os das pessoas. A proclamação dos limites do papel do governo a um aprovador das ações predatórias dos especuladores, cujo interesse exclusivo é engordar a carteira de seus acionistas.

Também existe um longo capítulo sobre “Reformas Estruturais para Incentivar o Crescimento” que nunca explica como a economia deve se expandir quando as medidas de austeridade estão reduzindo o consumo e os investimentos. Ao contrário, o Memo foca com precisão na remoção de barreiras alfandegárias e no corte de salários. Aqui vai um exemplo:

“Dado que o resultado do diálogo social para promover o emprego e a competitividade deixou a desejar, o governo vai tomar medidas para rapidamente ajustar o custo da mão-de-obra para combater o desemprego e restabelecer o custo de competitividade, assegurar a eficácia das recentes reformas do mercado de trabalho, alinhar as condições trabalhistas das empresas que pertenciam ao estado às condições do restante do setor privado e tornar os acordos sobre a jornada de trabalho mais flexíveis. Esta estratégia deve ter como meta a redução nominal do custo da unidade de mão de obra na economia em 15% entre 2012-2014. Ao mesmo tempo, o governo deve promover suaves negociações trabalhistas em vários níveis e combater a economia informal.”

Você não acha, querido leitor, que se você tivesse recomendado políticas que resultassem em dois anos de recessão severa e desemprego recorde (o desemprego na Grécia, agora, está no pico, em 20,6%), que você ficaria caladinho e admitiria que você decididamente não sabe do que está falando?

Não se você fosse ministro das finanças da União Europeia. Você prescreveria as mesmas políticas que falharam em toda parte; as políticas que reduziram o consumo, encolheram a arrecadação do governo, incrementaram o desemprego e aprofundaram a crise. Esse é o tipo de idiotice que se passa como política na zona do euro.

O Memorando também contém uma seção esclarecedora sobre “ambiente de negócios”, que vai de todas as benesses para a indústria ao livre comércio. Aqui, um exemplo típico:

“…[que o governo grego] pare de destinar as cobranças não recíprocas calculadas sobre o preço do combustível em favor do Fundo Mútuo de Distribuição dos Operadores de Prospecção de Combustíveis Líquidos”.

Tilim! Mais boquinhas para os empresários. O documento todo é, assim, um favor às corporações atrás do outro.

“Implementação da lei 3982/2011 sobre a aprovação rápida de licenças para profissões técnicas, atividades manufatureiras e parques de negócios e outras provisões”.

O que isso tem a ver, você perguntaria?

Não tem. Simplesmente mostra o que o MOU realmente é. Uma “lista de desejos” das corporações; uma mistura de políticas punitivas de aperto de cinto para a classe trabalhadora e benesses para as grandes empresas de petróleo, gás, eletricidade, aviação, estradas, comunicações, etc. “Autorização rápida de licenças” e “comida de bebê” não tem nada a ver com ajudar a Grécia a atingir suas metas orçamentárias. É uma piada. Olhe isso:

Memo: “De acordo com os objetivos da política expressa na lei 3919/2011 sobre a regulamentação das profissões, o governo remove todas as barreiras do mercado de táxis… de acordo com as práticas internacionais.”

Então, até mesmo os motoristas de táxi ganham um lugar no balaio? Isso não parece um pouco irrelevante?

Nada disso tem algo a ver com ajudar a Grécia. É apenas pilhagem corporativa desvairada. A Grécia é uma grande piñata que rachou e abriu e todo mundo está se acotovelando para encher a mão de balas.

Memo: “O governo cria uma força tarefa (para) rever a …a administração judicial, incluindo a possibilidade de remover casos inativos dos registros dos tribunais…Seguindo a entrega do plano de trabalho para a redução do acúmulo de casos relativos à cobrança de impostos em todos os tribunais administrativos e tribunais de apelação em janeiro de 2012, o que providencia alvos intermediários para a redução do acúmulo de até 50% até o fim de junho de 2012, ao menos 80% até o fim de dezembro de 2012; para acabar com todo o acúmulo de casos até o fim de julho de 2013, o governo apresenta seu plano até o fim de maio de 2012.”

Se a Grécia quer incrementar a arrecadação, por que restringir a caça à sonegação de impostos? Isso não é contraproducente? Esse é apenas mais um sinal de que o Memo foi desenhado por homens poderosos que operam por trás da capa de seus lacaios políticos.

Memo: “O governo lança o Decreto Presidencial da reforma dos magistrados da justiça criando uma nova estrutura, ocupando postos vagos com formandos da Escola Nacional de Juízes e realocando juízes e pessoal administrativo com base em recursos existentes disponíveis no judiciário grego e na administração pública. [Q4-2012] O governo lança, em conjunto com o corpo de especialistas externos, um estudo dos custos de litígios civis, seu aumento recente e seu efeito no volume de trabalho dos tribunais civis, com recomendações devidas até o fim de Dezembro de 2013.”

Claro; simplesmente deixe grandes financeiras e a elite corporativa “enxugar” o acúmulo de trabalho dos tribunais com seus machados e os processos serão cortados pela metade. O que isso diz a respeito dos homens autores deste texto?

Você pode perceber a farsa que esse chamado Memorando de entendimento realmente é. Ele não vai ajudar a Grécia a sair da depressão em que se encontra, e não vai levar a uma maior integração da zona do Euro. É apenas mais uma refeição para as hienas corporativas.

O que a Grécia precisa é de uma reestruturação radical de suas dívidas. Precisa dar calote nos credores privados, recapitalizar seus bancos e incrementar o auxílio fiscal até que a economia se recupere. Outro pacote de empréstimo não vai ajudar a atingir essas metas. Simplesmente vai adiar o dia do acerto de contas. Seria melhor para todo mundo se o país declarasse uma moratória rapidamente e começasse o processo de sair do buraco agora — e não mais tarde.

Mike Whitney mora no estado de Washington. Ele contribuiu para o livro “Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion”, que sairá pela AK Press.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Melhor definição de Capitalismo que já li

"O capitalismo é um sistema de roubo planetário exacerbado. Pode-se dizer que o capitalismo é uma ordem democrática e pacífica, mas é um regime de depredadores, é um regime de banditismo universal. E digo banditismo de maneira objetiva: chamo bandido a qualquer um que considere que a única lei de sua atividade é seu próprio proveito. Mas um sistema como este que, por um lado, tem a capacidade de se estender e, por outro, de deslocar seu centro de gravidade é um sistema que está longe de estar moribundo". - Alain Badiou, filósofo francês comunista

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Brasil passará a tratar espanhóis como eles nos tratam

Brasil fará a espanhóis exigências iguais a de brasileiros na Espanha
A partir de 2 de abril, Brasil exigirá passagem com data de volta marcada, reserva de hotel e quantia mínima de dinheiro

iG São Paulo

A partir do dia 2 de abril, o Brasil aplicará o princípio da reciprocidade em relação aos viajantes espanhóis que queiram entrar no País, impondo-lhes as mesmas exigências que têm de ser acatadas por brasileiros que passam pela imigração do país europeu.

De acordo com a decisão do Ministério de Relações Exteriores, serão exigidos dos espanhóis, além do passaporte válido, passagem de volta com data marcada, comprovação de reserva em hotel ou alojamento e dinheiro suficiente para se manter no país pelo período declarado.

Caso o turista fique na casa de parente ou amigo, terá de apresentar uma carta de quem o convidou informando quantos dias o visitante permanecerá no Brasil. A carta terá de ser assinada pelo anfitrião com firma reconhecida em cartório.

Com relação ao dinheiro, o valor mínimo exigido pelo governo brasileiro é de R$ 170 por dia de permanência no país.

Os cidadãos brasileiros não precisam de visto para entrar na Espanha caso a permanência no país não exceda 90 dias. Contudo, os critérios para admissão de estrangeiros não foram definidos pelo governo espanhol, mas sim pelos países signatários do Acordo de Schengen, que estabelece requisitos em comum de imigração.

Para entrar no país, as autoridades espanholas podem exigir passaporte com validade mínima de seis meses; passagem de avião nominal, intransferível e com data marcada de retorno; comprovante de que o viajante tem recursos financeiros para se manter no país equivalentes a R$ 147 reais por pessoa por dia de permanência ou, no mínimo, R$ 1,3 mil para período de estada entre um e nove dias.

*Com Agência Brasil


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Altamiro Borges: Dilma rasga o discurso de campanha

O erro da privatização dos aeroportos

Por Altamiro Borges, em seu blog

Em um ano de governo, a presidenta Dilma Rousseff mostrou-se pouco ousada, mas não bancou retrocessos de maior gravidade. Nesta segunda-feira (6), porém, ela macula o seu mandato com o leilão para a “concessão” de três dos mais rentáveis aeroportos do país – Guarulhos, Campinas e Brasília. O seu discurso antiprivatista de campanha, que acuou os tucanos, será jogado pelo ralo.

Os argumentos usados para justificar a privatização não convenceram os trabalhadores do setor, os movimentos sociais e vários estudiosos desta matéria estratégica. Fala-se da ausência de recursos públicos para modernizar os aeroportos e da urgência de investimentos para atender a crescente demanda do setor. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são apontadas como motivos da pressa no leilão.

A desculpa da falta de recursos

Como já apontou o economista Paulo Kliass, a desculpa da falta de verbas para os investimentos necessários não tem consistência:

Recursos sobram no Orçamento! O problema é a prioridade definida pelas autoridades para a sua utilização. Encerradas as contas de 2011, por exemplo, apurou-se que o Estado brasileiro forçou a geração de um superávit primário no valor de R$ 130 bilhões ao longo do ano. Uma loucura! Mais de 3% do PIB destinados exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública.

Agora basta uma simples comparação. A operação de privatização desses três aeroportos vai render R$ 240 milhões por ano aos cofres da União. Ou seja, se houvesse destinado apenas minguados 0,2% do superávit a cada ano para esse importante compromisso, não precisaria transferir a concessão dos aeroportos ao capital privado.

A cobiça das empresas “privadas”

O que justifica, então, privatizar este importante patrimônio público? Construídos com dinheiro do povo, estes três aeroportos são responsáveis por 30% do total do transporte de passageiros, 57% do total das cargas e 19% das aeronaves que circulam em todo o país. Eles sempre foram alvo da cobiça de poderosas empresas “privadas”, nacionais e estrangeiras.

Com o crescimento da demanda no setor, decorrente do aquecimento do mercado interno e da melhoria do poder aquisitivo dos brasileiros, este apetite cresceu ainda mais. As corporações empresariais enxergam nestes aeroportos verdadeiras minas de ouro. Para forçar a privatização, elas contam com ajuda da mídia privatista, que faz terrorismo com os chamados “apagões aéreos”.

Cedência à pressão dos monopólios

Alguns “calunistas” da mídia parecem condenar as pessoas de baixa renda pelo “caos” nos aeroportos, amplificando a visão preconceituosa das elites. Durante o governo Lula a aviação comercial teve um crescimento vertiginoso no país – com a expansão de 118% nos últimos oito anos. Em 2011, pela primeira vez na história deste país, as viagens de avião ultrapassaram as realizadas em ônibus interestaduais. Daí a violenta gritaria da mídia pela privatização do setor.

Diante desta violenta pressão e dos reais gargalos do setor, que decorrem da falta de investimentos nas três últimas décadas e do seu longo processo de sucateamento, Dilma Rousseff resolveu ceder. A presidenta parece ter pressa. Ela teme o caos, com as filas e a gritaria midiática, principalmente por ocasião dos dois eventos esportivos. Mas quais as conseqüências da privatização?

Soberania nacional corre riscos

Entre outros efeitos negativos, a entrega à iniciativa privada dos aeroportos põe em risco a própria soberania. É preocupante que áreas estratégicas, consideradas de segurança nacional, sejam invadidas por empresas que visam somente o lucro, que não têm qualquer compromisso com a nação. Este temor é que explica a histórica resistência da cúpula da Infraero, formada por militares.

Não é para menos que a maioria dos aeroportos do mundo está sob controle do Estado, inclusive nos EUA – nação tão paparicada pelas mentes colonizadas e entreguistas. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o governo ianque inclusive reforçou este controle. Até as empresas terceirizadas passaram a ser mais fiscalizadas.

Desmantelamento da malha aérea

Além da razão política, a privatização terá conseqüências danosas para a sociedade. É bom lembrar que este sistema é interligado. A Infraero gerencia 66 dos 67 aeroportos no território brasileiro. Eles representam 97% do movimento do transporte aéreo regular, o que corresponde a 2,6 milhões de pousos e decolagens, transportando mais de 155 milhões de passageiros por ano.

Neste sistema interligado, os aeroportos mais rentáveis ajudam a manter os mais deficitários, de menor fluxo de passageiros, mas decisivos para o transporte regional. Ao privatizar Guarulhos, Campinas e Brasília, estes perderão importante fonte de recursos, o que levará ao desmantelamento de toda a malha aérea – a exemplo do que já ocorreu com a privatização do setor ferroviário.

O usuário será prejudicado

Como explica Francisco Lemos, dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), “o modelo da Infraero é muito parecido com a relação de alguns estados da federação, onde os mais rentáveis subsidiam os mais deficitários. A arrecadação é centralizada e redistribuída para manter o sistema. A privatização deixará no esquecimento aqueles aeroportos deficitários mais longínquos”.

Ela dá um exemplo hipotético sobre o risco da desintegração da malha aérea. “Você se desloca de São Paulo para um aeroporto deficitário, vamos supor, em Juazeiro. Não se sabe em que condições o avião pousará lá, como estará sua pista, seu atendimento. As companhias não vão mais querer fazer determinadas rotas. E quem sentirá realmente o prejuízo será o usuário”.

Menos manutenção e segurança

Indignado, ele lembra que a Infraero é altamente lucrativa e foi considerada no início de 2011 a segunda melhor empresa gestora de aeroportos do mundo. Nada justifica, portanto, ela ser minoritária nos aeroportos privatizados. “Ela é muito eficiente em seu produto final. É cobiçada por vários países, que tentam firmar acordo com o Brasil para que ela administre os seus aeroportos”.

Além do desmantelamento da malha aérea, nada garante que os três aeroportos privatizados serão modernizados, melhorando o atendimento aos usuários. Pela lógica do sistema, os capitalistas visam o lucro. Será que investirão a contento na segurança ou na manutenção dos aeroportos? Eles não cortarão custos, inclusive demitindo trabalhadores, para elevar sua rentabilidade?

Demissões e precarização do trabalho

O dirigente da Sina não vacila nas respostas. Para ele, a tendência é que muitos funcionários da Infraero, “com todo o seu know-how e experiência, serão descartados. Quando se vê o perfil do pessoal da Infraero, nota-se que é um profissional mais antigo, com mais de 30 anos. Nas empresas privadas que atuam no setor predomina a garotada de 20 anos, com salários menores”.

Outro grave problema é que as regras para a “concessão” são um presente para os poderosos monopólios privados. No leilão de hoje, Guarulhos tem um lance mínimo de R$ 3,4 bilhões, com concessão de 20 anos. Viracopos tem um valor inicial estipulado em R$ 1,5 bilhão e prazo de uso de 30 anos. Brasília teve o lance mínimo arbitrado em R$ 582 milhões, com prazo de uso de 30 anos.

O contrato cria a chamada Sociedade de Propósito Específico (SPE) com o objetivo de gerir o negócio, onde o capital privado fica com 51% dos votos e a Infraero com 49%. Devido à urgência das obras, a tendência é que a SPE receba empréstimos do BNDES. O edital também não fixa as contrapartidas, como a responsabilização do consórcio ganhador pelos aeroportos de menor fluxo.

PS do Viomundo: O Plano Nacional de Banda Larga, tocado para beneficiar as empresas de telefonia primeiro e os usuários depois, deu o tom de como seria a relação do governo Dilma com o setor privado. A lógica é a mesma de sempre: onde houver lucro entram as empresas privadas; onde houver prejuízo fica o estado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A História da Água Engarrafada

Um esclarecedor vídeo que mostra a importância da água enquanto bem público. Como bem contextualiza Emir Sader: "Antes, quando dávamos exemplo de um bem que tem valor de uso e não valor de troca, usávamos a água. O neoliberalismo acabou com isso. Privatiza a água, que se tornou uma mercadoria como outra, apesar de ser bem essencial à sobrevivencia das pessoas."

Dilma enfrentou motim na Bahia

(Foto de Almiro Lopes - Jornal Correio)

O Conversa Afiada reproduz texto de amigo navegante baiano, vítima dos amotinados:

Desde a terça-feira feira, que as ruas de Salvador e das principais cidades do interior da Bahia começaram a esvaziar, tomadas pelo medo que assusta a população por conta da greve de parte dos policiais militares do estado.


O motim é fruto da “revolta” de apenas uma associação de praças da PM, entre as quase 30 que existem no estado. Esta minoria foi às ruas e está acampada na Assembléia Legislativa da Bahia. O que chama a atenção é que em vez de faixas e gritos de ordem, eles usam armas, apontam-nas para cima, ameaçam e amedrontam a população, usam o seu “poder de armados” (porque isso não é polícia) para fechar avenidas e gerar pânico.


O que era para ser uma causa trabalhista, uma greve como acontece com médicos e qualquer outro funcionário público, tornou-se uma causa nacional. Por causa deste pequeno grupo que tenta aterrorizar Salvador, o Governo Federal agiu rapidamente. Preocupado em manter a ordem pública na Bahia, a presidenta Dilma Rousseff já enviou, até este sábado, mais de dois mil militares do exército, quase quinhentos homens da Guarda Nacional de Segurança Pública, além de solicitar apoio da Marinha, Força Aérea e Polícia Rodoviária Federal. O General Gonçalvez Dias, que comanda as ações no estado, disse que se for preciso, mais homens virão, para que a população não seja prejudicada.


O líder dos Policiais que estão em greve é o ex-soldado Marco Prisco, que foi exonerado da corporação em 2002 por causa da atuação abusiva na última greve da PM, em 2001. Sites da Bahia noticiam que ele é filiado ao PSDB e que foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições pelo PTC. Enquanto a população está com medo, a oposição ao governo de Jaques Wagner tentar ganhar espaço político, mas é abafada com as decisões rápidas do governo Dilma.


Hoje, chega a Salvador o Ministro da Justiçam José Eduardo Cardozo, que vai falar das ações das Forças Armadas para tranqüilizar as pessoas. Qualquer reivindicação salário é válida, ainda mais quando se trata da Polícia Militar, instituição fundamental para o crescimento da sociedade. O que não dá para suportar é um motim contra o governo, feito por uma minoria, assustando a população, levantando armas, cenas que vão ao encontro do processo de democracia e respeito à legislação.



Em tempo: sempre com a mão de gato do PiG (*), serão os mesmo arruaceiros, que, no Ceará, também queriam derrubar a Dilma ? – PHA

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Programa habitacional do PSDB


Brasil precisa de um Hugo Chávez




Para quem se envolveu emocionalmente com o martírio de milhares de famílias atacadas violentamente pelo Estado brasileiro foi duro ser esbofeteado daquele jeito pela Globo e por seu despachante Geraldo Alckmin ontem (1º de fevereiro) à noite.

Por Eduardo Guimarães, em Blog da Cidadania


Dá para imaginar como aquelas famílias massacradas pelo carrasco que dirige São Paulo a serviço de alguns poucos bilionários se sentiram ao vê-lo expor novamente seu conceito de democracia.

Torna-se imperativa, assim, a reflexão de que se há uma coisa que não existe no Brasil é democracia. Como pode ser democrático que milhares de homens, mulheres, crianças e idosos sejam expulsos de suas casas a toque de bombas em benefício exclusivo de uma empresa privada?

O governador de São Paulo poderia ter tido a decência de dizer que o capitalismo é assim mesmo, um sistema econômico em que, como diz o nome, prevalece o capital em detrimento do homem, e que não tem culpa por o Brasil ter escolhido viver sob tal sistema.

Alckmin confunde regime político com sistema econômico. Na democracia, prevalece a vontade da maioria e no capitalismo, da minoria. Na democracia, quem decide é muita gente e no capitalismo são poucos os que tomam decisões que todos têm que acatar.

O Estado usar tropas para tirar milhares de pessoas de suas casas usando violência e depois jogá-las na rua ou em abrigos imundos a fim de beneficiar um grupo de ricaços que não lota um elevador é mero resultado do capitalismo, não da democracia.

Ah, mas foi apenas cumprimento da lei. Nem isso é verdade: havia conflito entre instâncias do Judiciário (estadual e federal). E se esse Judiciário não é capaz de observar que na democracia não pode atender ao interesse de poucos massacrando a muitos, tampouco é democrático.

É a segunda vez, em curto período, que Alckmin associa democracia a ações violentas da Polícia Militar, mesmo que o principal paradigma do regime democrático seja o de substituir a violência pelo diálogo.

Foi uma bofetada na democracia o Jornal Nacional levar ao ar a invenção absurda de que os moradores do Pinheirinho teriam sido obrigados por lideranças a ficarem ali no dia do despejo. Centenas de flagelados depuseram por escrito, assinaram o depoimento e nenhum relatou semelhante coisa.

De um lado, então, há milhares de pessoas com nome, sobrenome e imagem dizendo que não tentaram resistir por força de liderança alguma, mas porque simplesmente não tinham para onde ir; de outro, há uma gravação de alguém sem nome, sem rosto e que pode até ser falsa.

Há, ainda, um homem sem caráter que diz que antes os flagelados viviam em moradias precárias e que agora vivem em moradias dignas e uma emissora que divulga isso sem reparo algum, sem mostrar que agora é que estão vivendo em moradias precárias, para dizer o mínimo.

Quem defenderá este povo? A mídia inventa, mente, distorce, omite e não há um só político de peso (ao qual não se possa negar espaço) para desmascarar uma farsa que não resiste a trinta segundos de contraditório.

O povo brasileiro, que em grande parte vive em condições pouco melhores do que aquela em que viviam os flagelados do Pinheirinho antes de virarem moradores de rua, está indefeso diante da sanha do capitalismo selvagem.

Este país precisa de um líder feito de carne, osso e sangue nas veias e que seja capaz de se indignar ante aquela vergonha, ante aquele crime de lesa-humanidade que foi a nova aula de “democracia” de Geraldo Alckmin. O Brasil precisa mesmo é de um Hugo Chávez.

Assista, abaixo, à “aula de democracia” que Geraldo Alckmin deu em 1º de fevereiro de 2012 na concessão pública que transmite o Jornal Nacional.

Globo Ignora Greve de Fome na Sua Portaria

e Destaca Morte por Greve de Fome em Cuba

Desde segunda-feira, o jornalista Pedro Rios Leão está fazendo greve de fome em frente à sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro. A ação não é apenas um protesto, mas uma reivindicação. Pedro busca a compreensão de algum jornalista funcionário da Globo da importância de cobrir com transparência a expulsão de 6 mil pessoas da comunidade de Pinheirinho, no interior de São Paulo. Há indícios que tenha havido morte de moradores na invasão da Polícia Militar que retirou as centenas de famílias do local para devolver o terreno ao especulador condenado Naji Nahas.

Pedro Rios viajou para São Paulo para acompanhar de perto a angústia dos moradores de Pinheiro. “O governo federal tentou intervir e foi expulso a tiros e o governador Geraldo Alckmin usa a PM como uma gangue, cometendo crimes como se ele fosse o rei da cidade” disse
– Eu chorei três vezes na cidade … a partir do momento em que você está em uma cidade que evidentemente a PM age por seu impeto e em uma cidade que a PM explusa o governo federal a tiro você fica muito nervoso.
Pedro saiu do Rio de Janeiro perturbado quando viu que o Pacto Federativo havia sido quebrado em nome de Naji Nahas, que é um empresário que atua como comitente de grande porte na área de investimentos e especulação financeira, nasceu no Líbano e chegou ao Brasil no começo da década de 1970 com US$50 milhões para investir e montou um conglomerado de empresas que incluía fábricas, fazendas de produção de coelhos, banco, seguradora e outros, mas tornou-se nacionalmente conhecido depois de ter sido acusado como responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989. “Eu não sei se as pessoas de São José sabem quem é Naji Nahas, mas isso me deixou bastante inervado como deixaria inervado qualquer cidadão do Rio de Janeiro que conheça esse homem” afirmou Pedro.


A Rede Globo segue em silêncio, e é contra esse silêncio que Pedro Rios se revoltou. O sistema político-econômico parece começar a enfraquecer e da mesmo forma o sistema midiático brasileiro começa a ser questionado cada vez com mais veemência.
Pedro afirma que houve mortes na reintegração de posso do terreno em Pinheirinhos e essas noticias não estão sendo divulgadas e diz que tanto o Naji Nahas, como governador Geraldo Alckmin e o banqueiro Daniel Dantas representam um risco a sociedade e deveriam ser presos em flagrante por violação dos direitos humanos e apoia que as pessoa devem denunciar no Tribunal Penal Internacional. ” A Justiça não vai fazer nada, eu estou em frente a Globo porque é o último ponto de resistências deles, e o máximo que eles vão fazer é abafar o caso”.
Quando perguntado sobre o que faria ele parar a greve de fome, Pedro Rios foi direto dizendo que uma intervenção do Governo Federal e a retratação dos fatos como realmente eles aconteceram.
Opinião dO Cachete corroborada pelo Amoral:
Vão esperar o Pedro Rios morrer para dar destaque??? Hipócritas!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A escolha do PSDB: o horror e a opção preferencial contra os pobres

Existem muitas explicações para a truculência, a desumanidade, a destituição do direito de cidadania aos pobres pelo poder público paulista.

- por Maria Inês Nassif, colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

É o horror. Nada mais precisa ser dito para descrever a operação de despejo de Pinheirinho, em São José dos Campos, e a ação policial contra os usuários de crack no centro da capital, na chamada Cracolândia. Mas existem muitas explicações para a truculência, a desumanidade, a destituição do direito de cidadania aos pobres pelo poder público paulista.

A primeira delas é tão clara que até enrubesce. Nos dois casos, trata-se de espantar o rebotalho urbano de terrenos cobiçados pela especulação imobiliária. O Projeto Nova Luz do prefeito Kassab, que vem a ser a privatização do centro para grandes incorporadoras, vai ser construído sob os escombros da Cracolândia, sem que nenhuma política social tenha sido feita para minorar a miséria ou dar uma opção séria para crianças, adolescentes e adultos que se consomem na droga.

O terreno desocupado com requintes de crueldade em São José dos Campos, de propriedade da massa falida do ex-mega-investidor Naji Nahas, que já era de fato um bairro, vai ser destinado a um grande investimento, certamente. O presente de Natal atrasado para essas populações pobres libera esses territórios antes que terminem os mandatos dos atuais prefeitos, e o mais longe possível do calendário eleitoral. Rapidamente, a prefeitura de São Paulo está derrubando imóveis; a prefeitura de São José não deve demorar para limpar o terrreno de Pinheirinho das casas - inclusive de alvernaria - das quais os moradores foram expulsos.

Até outubro, no mínimo devem ter feito uma limpeza na paisagem, o que atenua nas urnas, pelo menos para a classe média, a ação da polícia. A higienização justifica a truculência policial. A "Cidade Limpa" de Kassab, que começou com a proibição de layouts na cidade, termina com a proibição de exposição da pobreza e da miséria humana.

A segunda é de ordem ideológica. Desde a morte de Mário Covas, que ainda conseguia erguer um muro de contenção para o PSDB paulista não guinar completamente à direita, não existe dentro do partido nenhuma resistência ao conservadorismo. Quando Geraldo Alckmin reassumiu o governo do Estado, em janeiro de 2011, muitas análises foram feitas sobre se ele, por força da briga por espaço político com José Serra dentro do partido, iria trazer o seu governo mais para o centro. A referência tomada foi o comando da Segurança Pública, já que em seu mandato anterior a truculência do então secretário, Saulo de Castro Abreu Filho, virou até denúncia contra o governo de São Paulo junto à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

O fato de ter mantido Castro fora da Segurança e se aproximado do governo federal, incorporando alguns programas sociais federais, e uma relação nada íntima com o prefeito da capital, deram a impressão, no primeiro ano de governo, que Alckmin havia sido empurrado para o centro. O que não deixava de ser uma ironia: um político que nunca escondeu seu conservadorismo foi deslocado dessa posição por um adversário interno no partido, José Serra, que, vindo da esquerda, tornou-se a expressão máxima do conservadorismo nacional.

Isso não deixa de ser uma lição para a história. Superado o embate interno pela derrota incondicional de José Serra, que desde a sua derrota vinha perdendo terreno no partido e foi relegado à geladeira, depois da publicação de "Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, Alckmin volta ao leito. O governador é conservador; o PSDB tornou-se orgânicamente conservador, depois de oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) e oito anos de posição neoudenista. A polícia é truculenta - e organicamente truculenta, já que traz o modelo militar da ditadura e foi mais do que estimulada nos últimos governos a manter a lei, a ordem e esconder a miséria debaixo do tapete.

O nome de quem faz a gestão da Segurança Pública não interessa: está mais do que claro que passou pelo governador a ordem das invasões na Cracolândia e em Pinheirinho.

Outra análise que deve ser feita é a da banalização da desumanidade. Conforme a sociedade brasileira foi se polarizando politicamente entre PSDB e PT, a questão dos direitos humanos passou a ser tratada como um assunto partidário. O conservadorismo despiu-se de qualquer prurido de defender a ação policial truculenta, de tomar como justiça um Judiciário que, nos recantos do país, tem reiterado um literal apoio à propriedade privada, um total desprezo ao uso social da propriedade e legitimado a ação da polícia contra populações pobres (com nobres exceções, esclareça-se).

Para os porta-vozes desses setores, a polícia, armada, "reage" com inofensivas balas de borracha à agressão dos moradores que jogam pedras perigosíssimas contra escudos enormes da tropa de choque. No caso de Pinheirinho, a repórter Lúcia Rodrigues, que estava na ocupação, na sexta-feira, foi ela própria alvo de duas balas letais, vindas da pistola de um policial municipal. Ela não foi atingida, mas duvida, pela violência que presenciou, das informações de que tenha saído apenas uma pessoa gravemente ferida daquele cenário de guerra.

Estadão rosna contra o Pinheirinho

Quando os abolicionistas se rebelaram contra a escravidão, o Estadão defendeu o “direito sagrado de propriedade” dos senhores de escravo. Hoje, ele defende o direito sagrado de propriedade do banqueiro-bandido Naji Nahas e a ação fascistóide do tucano Geraldo Alckmin. O jornal não mudou nada neste longo período histórico!

- Por Altamiro Borges, em seu blog

O oligárquico jornal O Estado de S.Paulo, que na sua origem no final do século 19 publicava anúncios sobre a venda de escravos, considera a propriedade privada um direito sagrado. Ele nunca tolerou as greves ou protestos contra os proprietários capitalistas. Não poderia ser diferente agora no lamentável episódio da desocupação violenta dos moradores do Pinheirinho.

Em editorial, o Estadão manifestou o seu apoio à decisão da Justiça de São Paulo e à bárbara operação do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Para o jornal, os manifestantes é que provocaram o confronto – como se alguém gostasse de apanhar e de ver seus filhos desesperados, chorando. A truculência do Estadão não fica nada a dever à violência da PM de Geraldo Alckmin.

“Manchetes e visibilidade política”

“A desocupação de uma área de 1,3 milhão de metros quadrados em São José dos Campos, determinada pela Justiça estadual e realizada na manhã de domingo pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), seguiu rigorosamente o roteiro elaborado pelos movimentos sociais para ganhar as manchetes dos jornais e obter visibilidade política”, afirma o repugnante editorial.

O jornal até cita que “a área pertence à massa falida da empresa Selecta”, mas não diz uma única palavra contra o Naji Nahas, o agiota que já foi preso e é acusado por crimes financeiros e outras maracutaias. A propriedade privada do bandido é “sagrada”. Já as 2 mil famílias carentes que ocuparam o terreno ocioso e irregular em 2004 são rotuladas de “invasoras”, “violentas”.

Famiglia Mesquita desrespeita as famílias

Elas seriam as únicas responsáveis pelas cenas de violência. “Para dificultar o acesso ao local, os invasores ergueram barricadas com paus, que depois incendiaram, e colocaram idosos, grávidas e crianças na primeira linha de resistência”. A fascistóide famiglia Mesquita realmente não merece ser tratada como família! Na sua defesa da propriedade, ela não respeita nem grávidas ou crianças!

O editorial é uma apologia da ação da polícia, que “empregou na operação um blindado, além de 220 viaturas, 100 cavalos, 40 cães e 2 helicópteros”. Já os movimentos sociais seriam oportunistas, que usaram a internet para divulgar o “massacre de pobres e desabrigados”. O jornalão também aproveita para elogiar o governador Alckmin e para atacar o PT e outras forças de esquerda.

A mentalidade do senhor de escravos

“Por trás desse lamentável episódio, estão dois partidos que há muito tempo se digladiam para desalojar o PSDB das principais prefeituras do Vale do Paraíba, região onde Alckmin iniciou sua carreira política. Um deles é o PT. Não foi por acaso que, entre as pessoas feridas com escoriações, uma se apresentou como assessor da Presidência da República... O outro partido é o PSTU”.

Quando os abolicionistas se rebelaram contra a escravidão, o Estadão defendeu o “direito sagrado de propriedade” dos senhores de escravo. Hoje, ele defende o direito sagrado de propriedade do banqueiro-bandido Naji Nahas e a ação fascistóide do tucano Geraldo Alckmin. O jornal não mudou nada neste longo período histórico!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cordel que deixou Rede Globo e Pedro Bial indignados


Antonio Barreto


Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil.

Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.

Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.

Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.

Vários trabalhos em jornais, revistas e antologias, tendo publicado aproximadamente 100 folhetos de cordel abordando temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.

Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.

BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL


Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já se tornou imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

FIM
post do lotus egipcio

Por que só Eliana Calmon enxergou os R$ 283 milhões no Tribunal do primo de Marco Aurélio?



O Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) identificou 3.426 magistrados e servidores do Judiciário que fizeram movimentações fora do normal no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O auge foi em 2002, quando uma única pessoa movimentou R$ 282,9 milhões. O nome sob sigilo está ligado ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª região, no Rio de Janeiro ( TRT-RJ), segundo o COAF.

Esse Tribunal ocupou as páginas policiais durante a CPI do Judiciário, no Senado, em 1999, assim como aconteceu com o Tribunal equivalente paulista, onde presidiu o juiz Nicolau dos Santos Neto.

http://goo.gl/AQoZf e http://goo.gl/MEqz2 e http://goo.gl/QZYm9

Sobre o TRT-RJ pesou graves denúncias, desde licitações fraudadas, passando por venda de sentenças e venda de nomeações, nepotismo, tráfico de influência, uso da máquina para campanha eleitoral do governador tucano, abuso de autoridade, quando o Juiz José Maria de Mello Porto o presidiu, entre 1993 e 1994. Há gravações envolvendo outros membros do Tribunal e onde ele era citado.

Em 2007, o TRT/RJ aparece em denúncias envolvendo o irmão de outro magistrado do STJ (Paulo Medida).

Mello Porto era primo do ministro do STF Marco Aurélio de Mello e do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Morreu assassinado durante um suposto assalto em 2006, como desembargador deste Tribunal, sem qualquer condenação (que se saiba). Processou diversos jornais e jornalistas e até procuradores da República que fizeram denúncias contra ele, e ganhou indenização em muitos casos, pelo menos nos tribunais cariocas (não sei o que aconteceu nos recursos).

Agora, coincidentemente, aparece a notícia da movimentação atípica de R$ 283 milhões por uma única pessoa neste tribunal em 2002. Não cabe fazer ilações sobre nomes, sem provas, como costuma fazer a revista Veja. Mas alguém movimentou essa fortuna de forma atípica lá, onde choveram denúncias de irregularidades pelo menos desde 1994.

E a pergunta que fica ao Dr. Gurgel, Procurador Geral da República é: por que o Ministério Público Federal não fez o dever de casa, e não investigou desde 2002 um alerta do COAF deste tamanho?

Será que é porque não saiu na revista Veja?

Não fosse a resistência e coragem da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, a impunidade estaria garantida.

Detalhe: Durante a CPI do Judiciário, Mello Porto era corregedor do TRT/RJ.
O fato recomenda ao Dr. Peluso (presidente do STF) repensar sobre sua insistência em deixar as investigações sobre malfeitos para as corregedorias dos próprios tribunais.

Matéria publicada aqui na Rede Brasil Atual