sexta-feira, 15 de março de 2013

IDH do Brasil sobe 24%

Brasil é um dos protagonistas da política de crescer e incluir



Saiu na Agência Brasil:

Brasil está entre os 15 países que mais reduziram déficit de IDH, diz Pnud


Luciano Nascimento
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Com um crescimento de 24% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desde 1990, o Brasil está entre os 15 países que mais conseguiram reduzir o déficit no índice que mede o desenvolvimento humano de cada país. Os dados estão no relatório de Desenvolvimento Humano 2013, lançado hoje (14) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e levam em conta dados do ano de 2012.

O Brasil manteve a mesma colocação em 2011, ficando em 85º lugar, entre os 187 países avaliados. A posição coloca o Brasil entre os países com desenvolvimento humano elevado, com IDH de 0,730. Noruega, Austrália e Estados Unidos são os primeiros colocados. Na outra ponta aparecem, a República Democrática do Congo, destruída por conflitos internos, e o Níger, como os países com menor pontuação no IDH. O ranking avalia o desenvolvimento humano dos países em 3 dimensões: vida longa e saudável, acesso à educação e padrão decente de vida.

O relatório destaca a ascensão dos países do Sul, com destaque para Brasil, Chile, Índia e China. De acordo com o estudo, estes países estão “remodelando a dinâmica mundial no contexto amplo do desenvolvimento humano”.

“O relatório mostra que alguns países adotaram modelos de desenvolvimento com maior destaque para a participação do Estado e políticas de transferência de renda que tiveram um resultado histórico”, disse o representando do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, que classificou o Brasil como um dos protagonistas dessa mudança.

Edição: Denise Griesinger

quarta-feira, 13 de março de 2013

Argentino colaborador da ditadura é escolhido papa

CartaCapital


O argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, eleito nesta quarta-feira 13 para suceder o papa Bento XVI, é um jesuíta austero, de tendência moderada e que leva uma vida discreta. Sua designação para ocupar o trono de São Pedro é a primeira das Américas para dirigir a Igreja Católica, que também jamais esteve a cargo de um representante da Companhia de Jesus.
Arcebispo de Buenos Aires e primaz da Argentina, este homem tímido e de poucas palavras goza de um grande prestígio entre seus seguidores, que apreciam sua total disponibilidade e sua forma de vida, afastada de qualquer ostentação.
Bergoglio nasceu no dia 17 de dezembro de 1936 no seio de uma família modesta da capital argentina, filho de um funcionário ferroviário de origem italiana e de uma dona de casa. Frequentou a escola pública, onde se formou como técnico de química, e aos 22 anos se uniu à Companhia de Jesus, onde obteve uma licenciatura em Filosofia.
Depois de entrar para o ensino privado, começou seus estudos de Teologia e foi ordenado sacerdote em 1969. Aos 36 anos foi designado responsável nacional dos jesuítas argentinos, cargo que desempenhou durante seis anos.
Papel na ditadura
Na ditadura argentina (1976-83) Bergoglio atuou para manter a unidade do movimento jesuíta e combateu a Teologia da Libertação (tentativa de unir o marxismo e o catolicismo) sob o lema de "manter a não politização da Companhia de Jesus".
Na tentativa de manter os jesuítas unidos, Bergoglio teria, segundo acusações, entregado dos padres jesuítas Orlando Yorio e Francisco Jalics às forças do regime argentino. Os dois teriam ficado cinco meses detidos em 1976. 
Diante de um grande público, no qual se encontravam membros da Igreja Católica e de outras confissões, foi apresentado nesta sexta-feira o livro "El jesuita: Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio", dos jornalistas Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin. 
Carreira no Vaticano
Depois da ditadura, Bergoglio viajou à Alemanha para obter seu doutorado e, em seu retorno, retomou a atividade pastoral como simples sacerdote de província na cidade de Mendoza (1.100 km a oeste de Buenos Aires). Em maio de 1992, João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Buenos Aires e começou a escalar rapidamente a hierarquia católica da capital: foi vigário episcopal em julho deste ano, vigário-geral em 1993 e arcebispo coadjutor com direito de sucessão em 1998.
Converteu-se posteriormente no primeiro jesuíta primaz da Argentina e, em fevereiro de 2001, vestiu finalmente a púrpura de cardeal. De acordo diversos relatos da imprensa, Bergoglio teria ficado em segundo lugar no conclave de 2005, que elegeu Joseph Ratzinger como sucessor de João Paulo II. 
Bergoglio teve vários cargos na Cúria Romana, como na Congregação para o Clero e na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Ele goza de prestígio geral por seus dotes intelectuais e dentro do Episcopado argentino é considerado um moderado, a meio caminho entre os prelados mais conservadores e a minoria progressista.
Em um país de maioria católica, se opôs de forma tenaz em 2010 à aprovação da lei que consagrou o casamento homossexual, a primeira na América Latina. "Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política; é a pretensão destrutiva ao plano de Deus", disse Bergoglio pouco antes da sanção da lei. Também se opôs a uma mais recente lei de identidade de gênero que autorizou travestis e transsexuais a registrar seus dados com o sexo escolhido. Bergoglio é também contrário ao aborto e à eutanásia. (Com informações da AFP)

Indústria volta a rodar

Como diria o Mauricio Dias, “quanto melhor pior” para a oposição.

Saiu no site do IBGE:

Produção industrial cresce em nove dos 14 locais pesquisados em janeiro



O aumento no ritmo da produção industrial nacional na passagem de dezembro de 2012 para janeiro de 2013, série com ajuste sazonal, foi acompanhado por nove dos 14 locais pesquisados, com destaque para a expansão mais acentuada assinalada pelo Paraná (11,3%), recuperando parte da perda de 9,2% acumulada nos meses de novembro e dezembro. Ceará (9,3%), Rio Grande do Sul (7,1%) e Rio de Janeiro (3,1%) também apontaram crescimento acima da média nacional (2,5%), enquanto Amazonas (1,9%), Minas Gerais (1,6%), São Paulo (1,6%), Santa Catarina (0,6%) e Região Nordeste (0,3%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas. Por outro lado, Goiás (-4,9%), Pará (-3,1%), Bahia (-2,1%), Pernambuco (-1,0%) e Espírito Santo (-0,5%) registraram as quedas nesse mês.

Clique aqui para ver a pesquisa completa.

(…)


Em tempo: apesar do crescimento da produção industrial, a Urubóloga trouxe o jornalismo do “mas”:

Produção maior em 9 locais, mas analista vê nova queda



(…) Mas o economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, acha que ainda é cedo para se falar no começo da recuperação da indústria, que teve um ano difícil em 2012, porque o dado de fevereiro pode, novamente, ser negativo, já que os indicadores antecedentes vieram ruins.

terça-feira, 12 de março de 2013

A história se repete?


A capa da revista Veja com Collor protagonizando o "Caçador de Marajás" pertence à história. Resumiu o que foi a eleição presidencial de 1989, que levou ao segundo turno o alagoano e o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva - o anjo contra o demônio, o moderno contra o atrasado, o incorruptível versus o corrupto, o poliglota se encontrando com o analfabeto.
O jogo pesadíssimo das elites dominantes do país se escancarou naquela eleição. Tudo, absolutamente tudo, foi feito, por todos os meios de comunicação, para favorecer a candidatura Collor.
O modus operandi tornou-se paradigmático. Em todas as outras eleições de que participou para a presidência, Lula teve de enfrentar não só os óbvios adversários, mas toda a máquina de propaganda homiziada naquilo que se costuma chamar de "grande imprensa".
A situação, hoje, pode parecer diferente das anteriores. Quem, porém, perder só uns minutinhos para dar uma espiada no noticiário político e econômico solto por aí vai ver que nada mudou.
O país que se apresenta ao distinto público não é o Brasil real, é outro distante anos-luz do nosso, pairando numa esfera inatingível para os cidadãos comuns.
Acuado, o governo trabalhista tenta fazer o que dele se espera, ou seja, governar.
E até se sai bem na maioria das ações que empreende.
Mas falha miseravelmente quando depõe as armas para o império midiático oligopolizado que tem assumido, nesses anos todos, a face mais visível e feroz da oposição.
Rende-se, covardemente, às chantagens e às mentiras que diariamente essa imprensa divulga.
Torna-se, assim, cúmplice inocente dessas forças que pretendem levar o país novamente aos tempos de total submissão ao Consenso de Washington, à mais tosca cartilha neoliberal, que deixou na miséria bilhões de pessoas em todo o mundo e afundou o planeta na mais grave crise econômica-social desde o Crash de 29.
Agora, há a tentativa de antecipar a eleição de 2014. Três nomes estão na mesa da oposição: Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Campos.
Os dois primeiros parecem tão anêmicos, tão sem substância, que já estão sendo deixados de lado.
As fichas vão para o governador pernambucano, que tanta ajuda recebeu de Lula e, até outro dia, era defensor radical do governo trabalhista, honrando a herança de seu avô, Miguel Arraes.
De todas as formas, as forças conservadoras tentam tirar Campos de seu confortável ninho para levá-lo a outras moradas distantes e desconhecidas.
Nem imagino o que devem estar oferecendo a ele neste instante.
Todos os movimentos, porém, me lembram do infatigável "caçador de marajás" que se revelou um blefe notável.
Foi Marx quem disse que a história se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa.
A decisão sobre como ela será escrita para Eduardo Campos só depende dele.

sexta-feira, 8 de março de 2013

EMPRESAS TRANSNACIONAIS DETERMINAM AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL

ESTADO E DESENVOLVIMENTO
Por Adriano Benayon (no blog Redecastorphoto)
“01. O Estado costuma ser regido pela classe dominante. Nos países ditos desenvolvidos, a grande burguesia ganhou essa condição, graças a políticas de Estado voltadas para o engrandecimento do poder nacional.
02. O poder do Estado foi usado para fortalecer empresas estatais e privadas de capital nacional, desenvolvendo tecnologias próprias. Os capitalistas já tinham no Estado um instrumento para erguer seu próprio poder, embora ainda não tivessem completa ascendência sobre aquele, nem sobre seus quadros civis e militares.
03. Os grandes bancos e empresas industriais foram formando um sistema de poder controlado por poucos potentados, todos com “investimentos” em todas essas áreas, além de estreitos vínculos interempresariais.
04. Concentrado assim, o capital “privado” passou a predominar inquestionavelmente sobre as autoridades do Estado, bem como sobre os tecnocratas e as forças armadas.
05. Esse processo foi acompanhado pela propagação da ideologia liberal e por instituições de aparência democrática, tais como eleições periódicas, suposta divisão dos poderes do Estado.
06. Tais formas perderam todo conteúdo democrático que pudessem ter tido, através do controle das eleições por meio das campanhas alimentadas por quantias somente accessíveis aos concentradores de capital, também comandantes diretos ou indiretos dos meios de comunicação.
07. Essa é realidade política e econômica dos países centrais, a qual levou aos absurdos da financeirização, culminando com o Estado a passar aos banqueiros dezenas de trilhões de dólares das receitas tributárias e da emissão de moeda e de títulos, além de suscitar a emissão também pelos bancos centrais e pelos próprios bancos privados.
08. Assim, o Estado endividou-se para favorecer grandes bancos, cujos controladores e executivos já se haviam locupletado enormemente durante os anos da proliferação dos ativos financeiros que criaram e que se revelaram, mais tarde, títulos podres.
09. Notavelmente, exigem sacrifícios de trabalhadores, aposentados e da grande massa dos produtores e consumidores.
BRASIL
10. Os concentradores mundiais, há séculos, projetam seu poder em numerosos países de todos os continentes, dominando-os diretamente ou através de grupos locais. No Brasil, desde há séculos, aliaram-se a proprietários de terra e/ou mineradores, servindo-se deles para penetrar na sociedade local e obter elevados ganhos comerciais, e como banqueiros credores e concessionários de serviços públicos.
11. Isso se deu, primeiro, através do comércio, tornando a burguesia local dependente da exportação para ter acesso ao padrão de vida dos ricos das economias centrais.
12. No Brasil, segmentos locais - burguesia industrial, estamentos militar e burocrático, trabalhadores - aspiraram, na primeira metade do Século XX, a tornar o Estado instrumento da autonomia nacional, livrando o País da condição de zona de exploração, administrada em função dos interesses de empresas estrangeiras.
13. Até 1930, o Estado foi, em geral, governado por representantes da burguesia “compradora”: grandes fazendeiros de café, produto cujas receitas de exportação eram, em grande parte, absorvidas pelo serviço da dívida externa e cuja comercialização era controlada por casas comerciais estrangeiras.
14. Ainda assim, formou-se apreciável industrialização, graças à falta de divisas para importar e à proteção involuntária, através da taxa de câmbio desvalorizada.
15. Apesar de ter introduzido mudanças estruturais importantes, a Revolução de outubro de 1930 contemplou os interesses dos cafeicultores, determinando a queima de estoques de café e emitiu moeda para pagar os produtores, com o que atenuou os efeitos internos da brutal queda do preço e da quantidade exportada, desde o eclodir da depressão nos EUA.
16. Isso, junto com a falta de divisas para importar, fortaleceu a industrialização. Além disso, foram aprovadas leis para colocar o subsolo sob a autoridade da União e aparelhar o Estado, organizando carreiras no serviço público civil, através de concursos e da formação de quadros e técnicos.
17. Ao mesmo tempo, foram criadas instituições de pesquisa tecnológica, inclusive nas Forças Armadas. Ademais, foi instituída a legislação trabalhista, e criados os Institutos de Previdência, autarquias e estatais para fomentar produções essenciais e estratégicas. Foi fundada a primeira siderúrgica integrada e a Fábrica Nacional de Motores.
18. Não admira que, terminada a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas, tenha sido, em 1945, defenestrado pelos interesses imperiais. Seguiu-se o interregno entreguista do Marechal Dutra (1946-1950). Vargas, eleito em 1950, foi nova e definitivamente derrubado por conspiração dirigida por serviços secretos estrangeiros, em agosto de 1954, após difíceis avanços em seu projeto de construção nacional.
19. Apesar de esses [avanços] terem ocorrido desde o início do Século XX, e se intensificado na Era Vargas, não foram suficientes para tornar o País capaz de resistir à pressão imperial. Daí em diante, o País voltou a sofrer o aumento das dependências cultural, financeira e tecnológica.
20. Isso aconteceu desde o governo militar-udenista (1954-1955) e prosseguiu com JK, que abraçou a dependência tecnológica como política de governo, ampliando os subsídios instituídos desde 1954 em favor das empresas transnacionais. 
21. Seguiu-se a instabilidade, agravada pela ação das agências dos governos imperiais no quadro da Guerra Fria, os quais investiram no anticomunismo para alinhar, ainda mais que antes, as elites locais às potências anglo-americanas. O primeiro dos governos militares, em 1964, entregou a economia a Roberto Campos, e este instituiu políticas que destruíram grande parte das empresas de capital nacional.
22. Os governos militares seguintes, tal como JK, tentaram promover o desenvolvimento, sem entender que este é incompatível com as dependências financeira e tecnológica.
23. Assim, os saldos negativos nas transações correntes ganharam vulto maior, devido às transferências das multinacionais ao exterior e ao endividamento do Estado, empenhado em investir na infraestrutura e indústrias básicas, em apoio às multinacionais, com projetos regidos pelo Banco Mundial e financiados por bancos estrangeiros.
24. Daí a explosão da dívida externa (segunda metade dos anos 70), a qual se tornou poderoso instrumento adicional da subordinação do País.
25. Esgotaram-se os recursos para a infraestrutura, ficando tudo subordinado ao serviço da dívida. Além disso, a entrada de investimentos diretos estrangeiros para “equilibrar” o balanço de pagamentos redundou na desnacionalização quase completa da economia, realimentando os déficits externos e o crescimento das dívidas externa e interna.
26. A desnacionalização nesse grau implica regressão em relação à República Velha (1889-1930), quando os interesses estrangeiros ainda precisavam da intermediação das elites locais.
27. A partir de FHC [PSDB/DEM], as empresas transnacionais determinam diretamente as políticas públicas e constituem a classe dominante, inclusive por controlarem diretamente quase toda a estrutura produtiva e financeira.

 28. O investimento direto estrangeiro é o veículo da periferização por dentro, muito mais profunda que a antiga, através só do comércio exterior.”
FONTE: escrito por Adriano Benayon, doutor em economia e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”.

Elefante na sala

 
Luis Fernando Veríssimo - O Estado de S.Paulo

A única maneira de conviver com um elefante na sala é fingir que ele não está ali. Ignorá-lo. Se algum visitante desavisado perguntar o que um elefante está fazendo na sua sala, a resposta padrão deve ser "Que elefante?". No Brasil nos acostumamos a conviver com elefantes na sala. Exemplo: só quase 30 anos depois do fim do período de exceção inaugurado em 1964 uma comissão começa a procurar a verdade sobre o que realmente aconteceu durante o período. Por quase 30 anos este elefante específico não mereceu atenção e viveu entre nós como um parente apenas vagamente incômodo. A tal comissão não vai punir, antes tarde do que nunca, os desmandos da época. Os criminosos de então estão anistiados, mesmo identificados não sofrerão castigo ou sequer reprimendas da sua própria corporação. Mas pelo menos o elefante está sendo reconhecido. E citado.

Outros elefantes continuam ignorados, e continuam na sala. Hoje não há nenhuma dúvida de que o cigarro mata e o fumo é a principal causa do câncer no Brasil e no mundo. No caso do Brasil só o volume de impostos que a indústria do fumo paga ao governo explica que não haja um combate mais aberto e decisivo ao vício assassino. Em alguns casos a indústria tem até vantagens fiscais. Já o volume de impostos não pagos pelas religiões organizadas explica a proliferação de Igrejas e seitas no País e a presença de pastores evangélicos brasileiros nas listas dos mais ricos do mundo. Mas a isenção dada ao negócio da religião é um dos assuntos intocáveis do País, um elefante enorme cuja presença na sala nem a imprensa nem ninguém se anima a reconhecer. 

Potência. Contam que o Stalin, avisado de que determinada decisão iria desagradar ao Vaticano, teria perguntado "E quantas divisões tem o papa?". Descontando-se a Guarda Suíça, que só existe para fins decorativos, o papa, como se sabe, não tem tropas. Mas o Stalin se espantaria com a demonstração de poder do Vaticano dada pela cobertura da renúncia do papa e das especulações sobre o seu sucessor. Páginas e páginas de jornal, horas e horas de televisão - um triunfo de potência desarmada. A União Soviética tinha as divisões. Não tinha as relações públicas da Igreja. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Manifesto denuncia: Proposta do governo pode acabar com o SUS


FRENTE NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE, via e-mail
Manifesto de Repúdio à Proposta do Governo Federal de Subsidiar os Planos Privados de Saúde
A Frente Nacional contra a Privatização da Saúde repudia o conjunto de medidas que, segundo notícia veiculada na Folha de S. Paulo em 27/02/2013), o Governo Federal prepara desde o início do ano e que amplia a trilha da privatização da saúde em curso, através da radicalização do favorecimento já amplo ao mercado de planos e seguros de saúde.
Na reportagem é relatado que a própria Presidenta, pessoalmente, vem negociando com grandes empresas que atuam no mercado de planos privados de saúde – a maioria controlada ou com grande participação do capital estrangeiro e grandes doadoras da campanha presidencial de Dilma Rousseff – um pacote de medidas que transferirão mais recursos públicos para suas já vultosas carteiras através de redução de impostos, novas linhas de financiamento e outros subsídios a expansão do seu mercado.
Tal proposta consistiria na prática em universalizar o acesso à saúde das pessoas através de planos e seguros privados, e não através de serviços públicos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O preceito constitucional da saúde como direito é ferido mortalmente, ao ser substituído por uma abordagem da saúde como mercadoria a ser mais amplamente consumida, especialmente para as chamadas classes C e D, para impulsionar o atual modelo de desenvolvimento.
Esta pode ser a formalização final para a instituição de um seguro saúde e criação de um Sistema Nacional de Saúde integrado com o setor privado, tendo como consequência acabar com o SUS ou torná-lo um sistema focalizado, consagrando o processo de universalização excludente que vem ocorrendo desde os anos 1990 com a saída dos trabalhadores melhores remunerados que foram impulsionados à compra de serviços no mercado privado devido ao sucateamento do SUS.
Esse movimento faz parte do mesmo processo de aprofundamento da subordinação do país ao grande capital financeiro, atrelado aos interesses do imperialismo. Contra fatos não há argumentos: há um crescimento no número de usuários de planos de saúde de 34,5 milhões, em 2000, para 47,8 milhões, em 2011, tendo o Brasil se tornado o 2º mercado mundial de seguros privado, perdendo apenas para os Estados Unidos da América.
A referida medida que beneficia os planos privados é anunciada poucos meses depois da venda de 90% da AMIL, maior operadora de planos privados de saúde do Brasil, para a empresa norte-americana United Health, e do anúncio do seu fundador, Edson Godoy Bueno, um dos maiores bilionários brasileiros, da meta destes planos atingirem 50% da população brasileira, ou seja, duplicar a sua cobertura para 100 milhões de brasileiros. A estratégia anunciada pela United Health para o Brasil é crescer entre o público de baixa renda.
Tal política não responde aos interesses da maioria da Nação: sistemas de saúde controlados pelo mercado são caros, deixam de fora idosos, pobres e doentes, são burocratizados e desumanizados, pois as pessoas são tratadas como mercadorias. Se o SUS hoje não responde aos anseios populares por uma saúde universal de qualidade de acordo com a Constituição de 1988 não é pelas deficiências do modelo – há modelos de sistemas universais como Reino Unido e Cuba, amplamente bem considerados pela população e com indicadores de saúde melhores dos que o sistema de mercado da nação mais rica do planeta, os EUA – mas porque os governos não alocam recursos suficientes, não cumprem a legislação e porque a democracia, expressa no controle da sociedade sobre o sistema de saúde, não é respeitada.
O que se constata é que o Estado está cada vez mais mínimo para o SUS e máximo para o mercado. A privatização desta vez não é de forma travestida de modernização da gestão, como no caso dos “novos” modelos de gerenciamento: Organizações Sociais (OSs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), Fundações Estatais de Direito Privado (FEDPs), Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e Parcerias Público-Privada (PPPs). Ou mesmo na forma da complementariedade invertida, em que a rede privada em vez de ser complementar à pública, tem absorvido 62% dos recursos públicos destinados aos procedimentos de alta e média complexidade, através de convênios e contratação de serviços da rede privada pelo SUS.
A atual inflexão, se confirmada, vaticina uma total derrota do Movimento da Reforma Sanitária, que na 8ª Conferência Nacional de Saúde defendia uma progressiva estatização do setor, pois o inverso é que se materializaria. Tornar- se-ia absoluta, e em níveis nunca antes vistos nesse país, a tendência da nossa história recente de alocar cada vez mais os fundos públicos para o setor privado da saúde em detrimento da ampliação do setor público para a garantia do direito de todos à saúde e do dever do Estado de prestar serviços à população.
Por que o governo tem recursos para subsidiar o setor privado e não tem para ampliar a rede pública de saúde? Por que o governo não atende às demandas dos movimentos sociais, das Conferências Nacionais de Saúde e dos Conselhos de Saúde para destinar 10% da receita corrente bruta da União para a saúde pública? Por que a regulamentação da Emenda 29 não trouxe recursos novos para o SUS como estava previsto? Por que se aprofunda a precarização da força de trabalho na saúde e a terceirização dos serviços de saúde? Por que se mantém a DRU (Desvinculação das Receitas da União)? Porque há uma Lei de Responsabilidade Fiscal draconiana e nenhuma lei de responsabilidade sanitária ou social? Por que não se respeita o controle social?
A Frente Nacional contra a Privatização da Saúde tem empreendido lutas contra todas as formas de privatização que vem ocorrendo após os anos 1990. Contra o desmonte do SUS público estatal e às medidas do atual governo de fortalecimento do setor privado de saúde, a Frente reafirma suas bandeiras:
• Defesa incondicional do SUS público, estatal, universal, de qualidade e sob comando direto do Estado.
• Contra todas as formas de privatização da rede pública de serviços: OSs, OSCIPs, Fundações Estatais de Direito Privado, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares; e Parcerias Público Privadas.
• Contra a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), impedindo a terceirização dos Hospitais Universitários e de ensino federais.
• Pela Inconstitucionalidade das Leis que criam as Organizações Sociais (OSs) e a EBSERH.
• Defesa de investimento de recursos públicos no setor público.
• Pela gestão e serviços públicos de qualidade
• Defesa de concursos públicos RJU e da carreira pública no Serviço Público.
• Contra todas as formas de precarização do trabalho.
• Pelo fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU).
• Exigência de 10% da receita corrente bruta da União para a saúde.
• Defesa da implementação da Reforma Psiquiátrica com ampliação e fortalecimento da rede de atenção psicossocial, contra as internações compulsórias e a privatização dos recursos destinados à saúde mental via ampliação das comunidades terapêuticas.
• Pela efetivação do Controle Social Democrático.
• Por uma sociedade justa, plena de vida, sem discriminação de gênero, etnia, raça, orientação sexual, sem divisão de classes sociais!
FRENTE NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE
Março/2013
Leia também:
Governo Dilma, quem diria, faz a privataria do SUS
Cebes denuncia: Pacote de estímulo a planos privados de saúde é mais um golpe no SUS
Abrasco: Proposta do governo para ampliar planos privados de saúde é engodo e extorsão

quarta-feira, 6 de março de 2013

AS OBRAS PARA LEVAR ÁGUA PARA O NORDESTE


Trecho do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco

DILMA FALA SOBRE AS OBRAS EM CURSO PARA LEVAR ÁGUA PARA TODO O NORDESTE

Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff, em 04/03/2013, na Rádio Nacional:
 Luciano Seixas: Olá, bom dia! Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um ‘Café com a Presidenta Dilma’. Bom dia, presidenta!
Presidenta: Bom dia, Luciano! E bom dia para você que nos acompanha aqui no Café!
Luciano Seixas: Presidenta, a senhora tem viajado pelo Nordeste para inaugurar e visitar obras que aumentam a oferta de água para a região. Hoje, inclusive, a senhora está indo para a Paraíba. Conta para a gente como estão os investimentos nessas obras.
Presidenta: Olha, Luciano, nós estamos fazendo obras em todo o Nordeste. Essas obras, Luciano, são para ampliar a oferta de água, tanto nas grandes cidades como nos pequenos municípios da região do semiárido, que são aqueles que mais sofrem com a seca. O meu governo está investindo, até 2014, mais de R$ 24 bilhões em adutoras, em barragens, fazendo canais, estações de tratamento e redes de abastecimento de água. Muitos recursos, sabe, Luciano, estão sendo investidos também na integração da Bacia do São Francisco, uma obra fantástica, que vai mudar para sempre a realidade do Nordeste.
Todas essas obras nós chamamos, Luciano, de obras estruturantes e elas fazem parte do ‘Programa de Aceleração do Crescimento’, o PAC. Além delas, Luciano, nós estamos investindo mais R$ 5 bilhões só no programa chamado ‘Água para Todos’, para levar cisternas e poços aos lugares mais distantes do semiárido. Veja só se a gente somar todos esses investimentos, nós chegamos a quase R$ 30 bilhões e, com eles, vamos ampliar a oferta de água para toda a população do Nordeste.
Luciano Seixas: Presidenta, a senhora falou de obras estruturantes. Explica para gente por que são “estruturantes”.
Presidenta: Olha, Luciano, a gente chama de obras estruturantes aquelas que aumentam de forma definitiva a oferta de água em vários municípios. Lá no Nordeste, a maior dessas obras é a integração da Bacia do Rio São Francisco e a minha determinação, Luciano, é que essa obra seja acelerada, aceleradíssima. Nós vamos entregar a obra etapa por etapa, Luciano, e cada uma dessas etapas vai beneficiar cidades inteiras até que, no final de 2015, toda a obra estará pronta. Mas, além da integração da Bacia do Rio São Francisco, Luciano, estamos fazendo muitas outras obras em todo o Nordeste. Olha só, para cada real que investimos na integração da Bacia do Rio São Francisco, nós temos mais dois reais aplicados em barragens e adutoras espalhadas pela região.
Luciano Seixas: E como estão essas obras, presidenta?
Presidenta: Ah, Luciano, você sabe que eu gosto de acompanhar cada obra bem de perto para saber como as coisas estão indo. Hoje, por exemplo, estou indo à Paraíba para ver direitinho as obras do “canal das Vertentes Litorâneas”:


Esse canal, Luciano, para você ter uma ideia, vai levar as águas do Rio São Francisco para 38 municípios. Outra grande obra é o “Eixão das Águas”, lá no Ceará, que pega água no Castanhão, o maior açude do Brasil, para levar água até Fortaleza. É uma distância, Luciano, de 260km. Veja só, essa obra é fundamental, porque ela evita colapso no abastecimento de água lá em Fortaleza.

 Eixão das Águas

 Aliás, eu fui lá na Bahia recentemente para inaugurar a primeira parte da “Adutora do Algodão”, que já está beneficiando mais de 100 mil moradores na região de Guanambi. E ainda, Luciano, também estive no Piauí visitando as obras do “Sistema Piaus”, que está quase pronto.
Luciano Seixas: Quantas obras, hein, presidenta?!
Presidenta: E não parou por aí, não. Tem mais. Nas próximas semanas, eu vou a Alagoas ver o “Canal do Sertão Alagoano”, que vai levar as águas do São Francisco para o sertão por um canal que já tem 78km em obras.

Ponte das águas do Canal do Sertão Alagoano

 Também, Luciano, eu vou a Pernambuco ver de perto a adutora que estamos construindo em pleno Sertão do Pajeú, um das regiões mais secas do nosso Nordeste. Essa adutora, Luciano, a “Adutora do Pajeú”, já está levando água para a Serra Talhada, para alegria de 80 mil pessoas que lá moram.

Trecho da Adutora do Pajeú

 A Dona Regina dos Santos, por exemplo, quase não acreditou quando saiu água limpa da torneira da casa dela. Por muitos anos, a água que chegou na casa da Dona Regina, lá na periferia de Serra Talhada, era pouca, era barrenta, impossível de beber. E a Dona Regina era obrigada a comprar, toda semana, pelo menos um balde com 50 litros de água limpa para dar de beber a seus quatro filhos. Veja como a vida da Dona Regina mudou.
Luciano Seixas: E como estão os investimentos do “Água para Todos” que a senhora falou no início do Café?
Presidenta: Olha, Luciano, foi bom você voltar a esse tema. Desde o início do meu governo, nós já instalamos 260 mil cisternas nas casas e nos povoados do semiárido. E vamos instalar, para você ter uma ideia, mais 240 mil cisternas só este ano. Essas cisternas, sabe, Luciano, são importantíssimas, porque elas permitem que as famílias armazenem a água da chuva ou mesmo armazenem a água recebida de carros-pipa sem ter que andar, às vezes, quilômetros e quilômetros para buscar água e carregá-la em baldes ou em latas.
Luciano Seixas: Há, também, medidas emergenciais, não é, presidenta?
Presidenta: Tem, sim, medidas emergenciais, Luciano. Nesse momento em que o Nordeste passa por uma seca, das mais intensas das últimas décadas, a nossa maior preocupação é diminuir o sofrimento das famílias. Por isso, Luciano, estamos fazendo a maior “Operação Carro-Pipa” já vista nesse país. Veja você que 4.624 carros-pipa, Luciano, contratados pelo governo federal, estão distribuindo água sob a coordenação do Exército Brasileiro em 750 municípios do semiárido. Os governos estaduais, Luciano, também estão mobilizados. Eles contrataram quase 2 mil carros-pipa. E com isso, Luciano, esses carros-pipa dos governos estaduais e aqueles que nós contratamos estão garantindo água para o consumo de mais de 3 milhões de pessoas.
Luciano Seixas: Presidenta, infelizmente, a nossa conversa está chegando ao fim.
Presidenta: Antes de terminar, eu quero dizer que todo o nosso esforço é para enfrentar esse desafio importantíssimo para o nosso país, que é o de universalizar o acesso à água. Porque eu sei, Luciano, que assim como a luz, quando chega em uma casa, transforma para sempre a vida das pessoas, a água também, Luciano. E para muito melhor. Obrigada, Luciano. E uma boa semana para você e para os nossos ouvintes!
Luciano Seixas: Obrigado, presidenta. Uma boa viagem! Você que nos ouve pode acessar o “Café com a Presidenta” na internet. O endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!”
FONTE: Blog do Planalto

AS OBRAS PARA LEVAR ÁGUA PARA O NORDESTE


Trecho do projeto de transposição de águas do Rio São Francisco

DILMA FALA SOBRE AS OBRAS EM CURSO PARA LEVAR ÁGUA PARA TODO O NORDESTE

Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff, em 04/03/2013, na Rádio Nacional:
 Luciano Seixas: Olá, bom dia! Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um ‘Café com a Presidenta Dilma’. Bom dia, presidenta!
Presidenta: Bom dia, Luciano! E bom dia para você que nos acompanha aqui no Café!
Luciano Seixas: Presidenta, a senhora tem viajado pelo Nordeste para inaugurar e visitar obras que aumentam a oferta de água para a região. Hoje, inclusive, a senhora está indo para a Paraíba. Conta para a gente como estão os investimentos nessas obras.
Presidenta: Olha, Luciano, nós estamos fazendo obras em todo o Nordeste. Essas obras, Luciano, são para ampliar a oferta de água, tanto nas grandes cidades como nos pequenos municípios da região do semiárido, que são aqueles que mais sofrem com a seca. O meu governo está investindo, até 2014, mais de R$ 24 bilhões em adutoras, em barragens, fazendo canais, estações de tratamento e redes de abastecimento de água. Muitos recursos, sabe, Luciano, estão sendo investidos também na integração da Bacia do São Francisco, uma obra fantástica, que vai mudar para sempre a realidade do Nordeste.
Todas essas obras nós chamamos, Luciano, de obras estruturantes e elas fazem parte do ‘Programa de Aceleração do Crescimento’, o PAC. Além delas, Luciano, nós estamos investindo mais R$ 5 bilhões só no programa chamado ‘Água para Todos’, para levar cisternas e poços aos lugares mais distantes do semiárido. Veja só se a gente somar todos esses investimentos, nós chegamos a quase R$ 30 bilhões e, com eles, vamos ampliar a oferta de água para toda a população do Nordeste.
Luciano Seixas: Presidenta, a senhora falou de obras estruturantes. Explica para gente por que são “estruturantes”.
Presidenta: Olha, Luciano, a gente chama de obras estruturantes aquelas que aumentam de forma definitiva a oferta de água em vários municípios. Lá no Nordeste, a maior dessas obras é a integração da Bacia do Rio São Francisco e a minha determinação, Luciano, é que essa obra seja acelerada, aceleradíssima. Nós vamos entregar a obra etapa por etapa, Luciano, e cada uma dessas etapas vai beneficiar cidades inteiras até que, no final de 2015, toda a obra estará pronta. Mas, além da integração da Bacia do Rio São Francisco, Luciano, estamos fazendo muitas outras obras em todo o Nordeste. Olha só, para cada real que investimos na integração da Bacia do Rio São Francisco, nós temos mais dois reais aplicados em barragens e adutoras espalhadas pela região.
Luciano Seixas: E como estão essas obras, presidenta?
Presidenta: Ah, Luciano, você sabe que eu gosto de acompanhar cada obra bem de perto para saber como as coisas estão indo. Hoje, por exemplo, estou indo à Paraíba para ver direitinho as obras do “canal das Vertentes Litorâneas”:


Esse canal, Luciano, para você ter uma ideia, vai levar as águas do Rio São Francisco para 38 municípios. Outra grande obra é o “Eixão das Águas”, lá no Ceará, que pega água no Castanhão, o maior açude do Brasil, para levar água até Fortaleza. É uma distância, Luciano, de 260km. Veja só, essa obra é fundamental, porque ela evita colapso no abastecimento de água lá em Fortaleza.

 Eixão das Águas

 Aliás, eu fui lá na Bahia recentemente para inaugurar a primeira parte da “Adutora do Algodão”, que já está beneficiando mais de 100 mil moradores na região de Guanambi. E ainda, Luciano, também estive no Piauí visitando as obras do “Sistema Piaus”, que está quase pronto.
Luciano Seixas: Quantas obras, hein, presidenta?!
Presidenta: E não parou por aí, não. Tem mais. Nas próximas semanas, eu vou a Alagoas ver o “Canal do Sertão Alagoano”, que vai levar as águas do São Francisco para o sertão por um canal que já tem 78km em obras.

Ponte das águas do Canal do Sertão Alagoano

 Também, Luciano, eu vou a Pernambuco ver de perto a adutora que estamos construindo em pleno Sertão do Pajeú, um das regiões mais secas do nosso Nordeste. Essa adutora, Luciano, a “Adutora do Pajeú”, já está levando água para a Serra Talhada, para alegria de 80 mil pessoas que lá moram.

Trecho da Adutora do Pajeú

 A Dona Regina dos Santos, por exemplo, quase não acreditou quando saiu água limpa da torneira da casa dela. Por muitos anos, a água que chegou na casa da Dona Regina, lá na periferia de Serra Talhada, era pouca, era barrenta, impossível de beber. E a Dona Regina era obrigada a comprar, toda semana, pelo menos um balde com 50 litros de água limpa para dar de beber a seus quatro filhos. Veja como a vida da Dona Regina mudou.
Luciano Seixas: E como estão os investimentos do “Água para Todos” que a senhora falou no início do Café?
Presidenta: Olha, Luciano, foi bom você voltar a esse tema. Desde o início do meu governo, nós já instalamos 260 mil cisternas nas casas e nos povoados do semiárido. E vamos instalar, para você ter uma ideia, mais 240 mil cisternas só este ano. Essas cisternas, sabe, Luciano, são importantíssimas, porque elas permitem que as famílias armazenem a água da chuva ou mesmo armazenem a água recebida de carros-pipa sem ter que andar, às vezes, quilômetros e quilômetros para buscar água e carregá-la em baldes ou em latas.
Luciano Seixas: Há, também, medidas emergenciais, não é, presidenta?
Presidenta: Tem, sim, medidas emergenciais, Luciano. Nesse momento em que o Nordeste passa por uma seca, das mais intensas das últimas décadas, a nossa maior preocupação é diminuir o sofrimento das famílias. Por isso, Luciano, estamos fazendo a maior “Operação Carro-Pipa” já vista nesse país. Veja você que 4.624 carros-pipa, Luciano, contratados pelo governo federal, estão distribuindo água sob a coordenação do Exército Brasileiro em 750 municípios do semiárido. Os governos estaduais, Luciano, também estão mobilizados. Eles contrataram quase 2 mil carros-pipa. E com isso, Luciano, esses carros-pipa dos governos estaduais e aqueles que nós contratamos estão garantindo água para o consumo de mais de 3 milhões de pessoas.
Luciano Seixas: Presidenta, infelizmente, a nossa conversa está chegando ao fim.
Presidenta: Antes de terminar, eu quero dizer que todo o nosso esforço é para enfrentar esse desafio importantíssimo para o nosso país, que é o de universalizar o acesso à água. Porque eu sei, Luciano, que assim como a luz, quando chega em uma casa, transforma para sempre a vida das pessoas, a água também, Luciano. E para muito melhor. Obrigada, Luciano. E uma boa semana para você e para os nossos ouvintes!
Luciano Seixas: Obrigado, presidenta. Uma boa viagem! Você que nos ouve pode acessar o “Café com a Presidenta” na internet. O endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira. Até lá!”
FONTE: Blog do Planalto

terça-feira, 5 de março de 2013

UM PROGRAMA DE OBRAS PARA RELANÇAR O DESENVOLVIMENTO


Análise de J. Carlos de Assis

 

       "O governo deverá anunciar formalmente, em breve, um programa de investimento em infraestrutura da ordem de R$ 600 bilhões em quatro anos, na forma de PPP, ou seja, “Parcerias Público-Privadas”. É o mais ambicioso projeto de inversões públicas desde o “II Plano Nacional de Desenvolvimento” do governo Geisel, nos anos 70. Poderá, efetivamente, tirar a economia brasileira da letargia em que se encontra desde os anos 80 – o crescimento de 2006 e de 2010 foram meros suspiros.
É a melhor notícia que se poderia esperar para formar ambiente favorável à retomada acelerada do desenvolvimento sustentável. A despeito, porém, das condições favoráveis – os investimentos serão integralmente financiados pelo BNDES a uma taxa de juros anual de 5,5% –, temos que esperar a resposta do setor privado para verificar sua efetivação. Além disso, é necessário discutir as repercussões da taxa de retorno interna oferecida – de 9 a 15% – nos custos futuros da infraestrutura.

Os empresários parecem eufóricos pelo que se sentiu na reunião com o diretor do DNIT há cerca de duas semanas na “Confederação Nacional da Indústria”. Não é para menos. Serão de longuíssimos – 30 a 35 anos – os prazos de concessão, só ao fim dos quais os investimentos realizados retornam ao Estado. O fato é que as condições gerais do programa foram substancialmente melhoradas depois que as últimas licitações de concessões, prevendo taxas de retorno de 6,5%, ficaram desertas.

O programa representa mudança radical no conceito de investimento público no Brasil. É uma confissão implícita da incapacidade do Estado de realizar grandes obras de infraestrutura. O governo tinha duas opções: ou fazer uma profunda reforma do Estado de forma a recuperar sua capacidade de execução, o que poderia demandar anos, ou contornar as objeções ao “privatismo” mediante algum expediente de maior eficácia de garantisse as obras já, como é o caso do PAC.


A questão da incompetência do Estado para realizar obras diretamente já foi abordada nesta coluna. Na verdade, construiu-se um sistema de suposta prevenção de corrupção que, na prática, inviabiliza a construção em tempo regular de obras públicas. Obras sofrem interferência, desde a licitação, pelo Tribunal de Contas da União, pela Corregedoria Geral da União, pelo Ministério Público, por agências reguladoras, pelo Judiciário, por índios, por quilombolas, por órgãos ambientais, e assim por diante.

Não estou entrando no mérito dessas intervenções, pois muitas delas são justas. Mas é injusto para a sociedade que grandes obras públicas em andamento sejam paralisadas. Os controles teriam que ser posteriores, na prestação de contas, quando, diante de irregularidades verificadas, deveriam ser impostas pesadas multas. Contudo, é uma questão de fato que, para retomar obras paralisadas, o setor público tem muito maiores dificuldades de que o setor privado. Em geral, o resultado são elefantes brancos, ou seja, investimentos desperdiçados ou perdidos.

A PPP é uma forma de contornar, pelo menos em parte, essas dificuldades. E convenhamos que é uma forma mais inteligente de construir obras públicas novas do que simplesmente privatizar empresas estatais já construídas como se deu nos governos Collor e FHC. Para se entender bem isso, deve-se levar em conta duas premissas: primeiro, que, a despeito da taxa de juros baixa, o empresário assume obrigação de pagamento futuro; portanto, não é uma doação; segundo, que, a despeito de longo prazo de concessão, ao fim dele o ativo financiado vem para o Estado.

Esse sistema me lembra do fantástico programa de financiamento de obras públicas praticado pelo genial banqueiro de Hitler, Hjalmar Schacht, para contornar as restrições de aumento de dívida pública na Alemanha dos anos 30. Diante da falta de credibilidade do Estado de lançar títulos de dívida (não é o nosso caso), ele fez com que quatro grandes grupos empresariais alemãs, cujas iniciais formaram a sigla MEFO, lançassem títulos privados, com garantia pública, sendo o dinheiro daí obtido usado no pagamento de obras públicas. Os ministérios realizavam as obras e pagavam o financiamento no tempo compatível com a maturação das dívidas.

Portanto, no esquema Schacht, o setor privado viabilizava (aparentemente, porque a garantia dos títulos MEFO era pública) o financiamento, e o setor público realizava fisicamente as obras. No esquema que está sendo posto em marcha, o governo financia com recursos do Tesouro, operados pelo BNDES, e o setor privado executa as obras fisicamente. Ao final, o esquema brasileiro é socialmente mais vantajoso, porque os ativos construídos retornam às mãos do Estado ao fim das concessões.

Há duas possíveis restrições. Primeiro, por que, no caso brasileiro, o setor público, que oferece o financiamento, não faz a obra? Afinal, o impacto na dívida pública, nos dois casos, é neutralizado pela construção dos ativos. E a resposta já foi dada acima: com a estrutura atual do Estado, é impossível fazer grandes programas de obras públicas no Brasil. Segundo, e esta é a restrição mais séria, com a taxa de retorno interna prevista no programa, o custo de algumas obras de infraestrutura no Brasil pode tornar-se proibitivo. 

Entretanto, uma taxa menor pode não atrair as empresas. A única saída, a meu ver, é que o governo lance, paralelamente, um programa inteiramente público para construir obras de infraestrutura, sobretudo rodovias, de menor retorno. Do contrário, seremos todos esmagados por pedágios e taxas portuárias. Caso isso exija uma minirreforma do Estado, para remover obstáculos burocráticos, que se faça imediatamente em nome do interesse social.”

FONTE: análise é de J. Carlos de Assis, economista, professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outras obras de economia política, de “A Razão de Deus”. Publicada no site “Carta Maior”

Chávez, morre o homem e nasce o mito

Renato Rovai

Hugo Chávez morre, em Caracas, aos 58 anos. A notícia vem acompanhada de uma fala dura do vice-presidente Nicolas Maduro que lança a suspeita de que ele possa vir a ter sido envenenado, como Yasser Arafat. Maduro diz que pretende instalar uma comissão de cientistas para investigar a causa da morte do ex-presidente. A simples suspeita de que isso possa ter ocorrido já é em si uma tragédia. Mas se algo vier a ser comprovado, acabaram-se os limites que garantem algum nível de estabilidade democrática em nosso Continente.
Nos últimos anos várias lideranças políticas de esquerda foram vítimas de câncer na região. Entre elas, Chávez, Lula, Lugo e Dilma Rousseff. Mas isso pode ter sido apenas uma coincidência. E será melhor para todos que sim. Porque senão líderes de todas as partes do mundo que não fizerem o jogo do império e das grandes corporações passam a estar ameaçados. E se isso vier a ocorrer, a democracia será menos do que uma falácia.
A liderança que Chávez exerceu durante seus anos à frente do governo venezuelano incomodou por demais os EUA e seus parceiros. Também porque a Venezuela é um importante país exportador de petróleo, mas não só por isso. Principalmente porque ao conquistar o governo ele ousou estimular líderes de outros países a radicalizarem seus discursos nas disputas locais. E foi fundamental para vitórias de candidatos mais à esquerda na Bolívia, no Equador, no Peru, na Nicaraguá, entre outros.
Chávez sabia que não podia ficar isolado. Precisava fazer com que os EUA perdessem força no Continente para que seu governo pudesse se desenvolver com algum nível de independência. Em 2002, quando Lula disputava a presidência da República, já tinha visitado por três vezes a Venezuela e mantinha contato frequente com pessoas próximas do governo. Quase todas avaliavam que se Lula perdesse, Chávez teria muita dificuldade em continuar no poder.
O ataque mais forte a Chávez foi em abril de 2002, mas depois da eleição de Lula, a Venezuela teve o paro petroleiro. Naquela ocasião o governo brasileiro colocou técnicos à disposição para operar na PDVSA. E contribuiu fortemente contra o apagão no país.
Chávez foi uma liderança fantástica. Seu carisma é difícil de ser entendido pelo brasileiro padrão. Mas cansei de ver venezuelanos chorando enquanto ele discursava. Ao mesmo tempo, ouvi todos os tipos de agressão daqueles que não o suportavam. Chávez sempre ganhou eleições com aproximadamente 55% dos votos. Ele nunca reinou absoluto, mas desde que se candidatou, sempre venceu. Quase sempre pelo mesmo placar.
Hoje milhares de pessoas devem estar chorando sua morte em todas as partes da Venezuela. Nos cierros de Caracas, a desolação deve ser total. Mas em muitas casas, em geral as mais nobres, certamente a noite vai ser curta para as comemorações. Nos Vales, há celebração.
Qual vai ser o destino da Venezuela sem Chávez? Há muitas possibilidades. Mas mesmo no limiar da morte, Chávez fez um movimento que indica que a unidade, ao menos nesta primeira fase, está garantida. Ele indicou Maduro como seu sucessor. E se houver eleição, Maduro repetirá algo próximo dos 55% históricos de Chávez.
Essa é a tendência, mas não é uma certeza. E mesmo vitorioso dificilmente Maduro conseguirá repetir Chávez. A liderança de Chávez era contestada, discutida e criticada, mas ninguém ousava menosprezá-la.
A Venezuela perde muito com sua morte. A América Latina idem.
Mas Chávez morre sem ser derrotado pelos seus adversários. Pode até ter sido assassinado por eles, mas derrotado não. E por isso, ao que tudo indica, morre o homem e nasce o mito.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Imprensa brasileira vira caso para estudo nos EUA. Corre boato que a mídia brasileira é motivo de chacota no mundo inteiro.

4 de Março de 2013 às 17:02
247 – Reportagem do jornal americano Los Angeles Times publicada neste domingo 3 destaca que, mesmo com uma popularidade de 78%, a presidente Dilma Rousseff não tem o apoio da imprensa no Brasil. Intitulada "Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, é popular, mas não na mídia", a matéria afirma: "Nenhum grande veículo a apoia, sendo que alguns jornais e revistas são particularmente duros em suas críticas".
O texto começa fazendo um resgate histórico, citando que houve comemoração por parte da maioria da mídia, controlada por poucas famílias, quando o presidente esquerdista João Goulart foi deposto pelo governo militar, em 1964. Nos anos de ditadura que se seguiram, porém, o regime militar censurou a imprensa. Agora, que o País é governado desde 2003 pelo PT, que deixou a mídia em paz, os veículos, das mesmas famílias, são críticos a ele.
Isso ocorre, lembra a reportagem, mesmo diante de um governo cuja aprovação da população chega a 78%. "É uma situação única", diz Laurindo Leal Filho, especialista em mídia na Universidade de São Paulo. Segundo ele, a imprensa "ainda reflete os valores da velha elite", ao contrário de uma parcela da população, que aprendeu a conviver, segundo ele, com a outra parcela menos favorecida, que antes era excluída, mas agora ascendeu socialmente.
Enquanto isso, continua a reportagem, a presidente, que foi torturada na ditadura por suas atividades de esquerda, assumiu no tranco a crítica dos meios de comunicação, reafirmando periodicamente sua crença na liberdade de expressão. Segundo o ex-presidente Lula, que falou por telefone com o jornal, "todos que viajam ao Brasil vê que o País mudou. A Globo distorce a verdade, mas isso não é tão ruim. Quem se importa? Eles podem dizer o que bem entenderem".