sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

OPOSIÇÃO E MÍDIA CONTRA PETROBRAS PARA ATINGIR GOVERNO

"O deputado Fernando Ferro (PT-PE) ocupou a tribuna na terça-feira (5) para desmitificar mais uma bravata da oposição. Desta vez, o discurso orquestrado busca atingir a Petrobras e alardeia sobre a queda 36% no lucro líquido da empresa. Na verdade, o lucro líquido anunciado pela estatal foi superior a R$ 7 bilhões. “A euforia com que falam, é como se a empresa tivesse tido prejuízo”, ironizou Fernando Ferro .

O deputado acredita que a manifestação da oposição e de setores da mídia faz parte de uma campanha para desacreditar um patrimônio nacional como a Petrobras e atingir o governo da presidenta Dilma Rousseff . “Do que é que eles reclamam? Queriam um lucro menor?”, questionou Ferro, “deveriam estar comemorando porque teve lucro, e não pegando pelo negativo” disse o deputado, que considera que, por trás disso tudo, exista uma ação política e ideológica de setores da mídia que querem fazer esse tipo de enfrentamento com o governo. Fernando Ferro lembrou que recentemente essa mesma mídia anunciou com estrondo o colapso energético no Brasil “praticando um terrorismo irresponsável, sem conhecer as condições do sistema elétrico brasileiro”.

Mídia e oposição querem o retorno dos bons tempos tucanos, que muito agradaram as empresas petrolíferas estrangeiras 
Para o deputado, como a realidade dos fatos desmontaram o discurso oposicionista, “a energia elétrica saiu do cenário, o que é que entra agora? A Petrobras. O tombo do gigante”, disse o deputado se referindo à chamada feita pelo jornal "O Globo". De fato, os dados divulgados pela estatal dão conta de que o lucro líquido no 4º trimestre aumentou 39% em relação ao trimestre anterior; a meta de produção estabelecida para o ano foi alcançada com a produção total de petróleo e gás natural de 2 milhões 598 mil barris de óleo equivalente por dia. Além disso, a Petrobras manteve, pelo 21º ano consecutivo, o Índice de Reposição de Reservas (IRR) acima de 100% e bateu, em agosto de 2012, recorde de processamento de petróleo (2 milhões 101 mil barris/dia). No ano, a produção de derivados foi de 1 milhão 997 mil barris/dia e as vendas no mercado brasileiro de 2 milhões 285 mil barris/dia.

Outro recorde diário batido pela Petrobras em 2012 foi de geração de energia, de 5.883 MW em 26 de novembro, e de entrega de gás nacional, de 49,6 milhões m3/dia em 11 de outubro. O deputado Fernando Ferro concluiu seu discurso alertando a população para “filtrar os comentários dos políticos e da imprensa que criticam com o objetivo único e principal de destruir, fazendo uma crítica desonesta, um mau jornalismo, que não ajuda a democracia e o povo brasileiro” disse.”

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Procurando emprego pro filho...

Richard Jakubaszko



O filho termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade. É a realidade brasileira. O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:
- Ah!, não quer estudar? Então tá perfeito! Vadio dentro de casa eu não mantenho, então vai trabalhar...
O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega de escola, muito tempo atrás:
- Rodrigues!!! Meu velho amigo!!! Você se lembra do meu filho? Pois é, terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar. Será que você não consegue nada pro rapaz não ficar em casa vagabundeando?
Depois de 3 dias, Rodrigues liga:
- Zé, já tenho. Assessor na Comissão de Saúde no Congresso, é R$ 13.700,00 por mês, prá começar.
- Tu tá louco!!! O guri recém terminou o colégio, não vai querer estudar mais, consegue algo mais abaixo...
Dois dias depois:
- Zé, consegui como secretário de um deputado, salário modesto, R$ 9.800,00, tá bom assim?
- Nãooooo, Rodrigues, algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois... Consegue outra coisa.
Mais dois dias:
- Zé, não sei se ele vai aceitar, mas tem um cargo de assessor da câmara, que é só de R$.6.500,00...
- Não, não, ainda é muito, aí que ele não estuda mais mesmo.
- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, R$ 3.800,00 por mês e nada mais...
- Rodrigues, isso não, por favor, consiga alguma coisa de 1.000,00 a 1.200,00 no máximo.
- Isso é impossível Zé!
- Mas, por quê?
- Porque com este salário aí só tem vaga pra professor ou médico, e aí precisa de CURSO SUPERIOR, MESTRADO, até DOUTORADO... aí é difícil, e ainda precisa passar em concurso!

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO:
A piada é velhíssima, era contada nos anos 1970, adaptada naquela época para outra do mesmo teor lá nos anos 1960, só atualizaram os valores e os cargos, pois a metodologia do jeitinho brasileiro continua a mesma, independentemente dos políticos e partidos.

Lula e Dilma vão perder. O PiG vai fazer a cabeça

A Globo não ganha eleição, mas dá o Golpe !
Saiu na primeira página do Valor, o PiG (*) cheiroso:

Petrobras reduz dividendos para reforçar caixa e poder investir


de Fernando Torres, Karla Spotorno e Claudia Schuffner

A mudança na distribuição dos lucros pela Petrobras, anunciada na segunda-feira, incomodou analistas e investidores e contribuiu para a desvalorização das ações ON (ordinárias, com direito a voto) no pregão de ontem (dia 5).

(…)

A conduta tradicional da companhia era remunerar de forma mais generosa do que prevê a política de dividendos, que diz que o valor mínimo a ser distribuído é de 25% do lucro líquido ajustado. Em 2009, a Petrobras distribuiu 31,5% dos resultados. Em 2010, o percentual ficou em 28%. E, em 2011, subiu para 34,3%.

(…)

Depois de ressaltar que as diferenças nas regras de dividendo mínimo entre as classes de ações sempre foram divulgadas de forma clara, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que essa opção de pagamento diferente foi usada neste momento “por um bom motivo, pelo caixa que a companhia preserva” com a medida. “Sempre que possível, é claro, a melhor alternativa é pagar igual. Mas as condições nesse momento requerem a decisão que foi tomada”, acrescentou.

“Estamos fazendo os ajustes onde são possíveis de se fazer”, acrescentou o executivo, ao explicar por que houve corte no dividendo, mas não na despesa de capital.

(…)

A presidente da Petrobras, Graça Foster, reforçou o argumento para a decisão, dizendo que o dinheiro economizado com dividendos permite, por exemplo, a construção de uma plataforma para aumentar a produção diária de petróleo em 150 mil barris por dia, o que propicia ao acionista um “retorno melhor”.

A Petrobras prevê investir R$ 98 bilhões em 2013, mesmo se não houver reajuste dos combustíveis.

Navalha
Se o amigo navegante fosse um administrador zeloso, o que faria ?
Distribuía dividendos ou garantia o caixa da empresa para continuar a investir ?
Para construir uma plataforma adicional e produzir 150 mil b/d ?
Foi a opção do Governo Dilma.
Quem mais se prejudicou ?
A União, você, amigo navegante, portador de ações ON, com direito a voto ?
Não, não foi você, porque você vai se beneficiar da politica de longo prazo da Petrobras, de explorar mais – e gerar mais lucros, no futuro.
Clique aqui para ler “Compre Petrobras. O lucro superou as expectativas”.
Então, amigo navegante, a Dilma pisou no calo de quem, para gerar tanta gritaria ?
Pisou no calo dos espertinhos que, em 1999, compraram ações ON da Petrobras a preço de banana, na Bolsa de Nova York.
No Governo de quem ?
Do Farol de Alexandria.
No Governo do Farol de Alexandria, a Petrobras era preparada para ser a Petrobrax e ser passada nos cobres pela Chevron, do Cerra – clique aqui para ver a consumação da patranha no WikiLeaks.
Como Presidente, o Farol, primeiro, construiu um gasoduto para a Bolívia, um dos mais desastrados contratos da história da Petrobras, sob medida para beneficiar a Enron e a Repsol.
Como Presidente, o Farol, tentou, em 1996, quebrar o monopólio estatal do petróleo, ao dar a propriedade (100%) a quem o produzisse.
Lula, como se sabe, na prática, revogou a desestatização da Petrobrax.
Em 1997, o Farol criou a ANP e entregou ao genro, David Zylberstajn, um campeão de privatização, desde que trabalhou na Secretaria de Minas e Energia de São Paulo e deu a Eletropaulo a uma empresa americana, AES, com dinheiro do BNDES.
Em 1999, o Farol de Alexandria nomeou presidente da Petrobras Philip Reichstuhl, administrador profissional, que se tornou inesquecível por sua passagem no comando das Organizações Globo.
Reichstuhl criou a marca “Petrobrax” e vendeu ações ordinárias da Petrobrás em Nova York.
Foi o maior negocio da China em Wall Street.
Por irrisórios US$ 5 bilhões, o Farol de Alexandria vendeu 20% e depois 16% das ON da empresa.
Essa é a rapaziada que, hoje, chia através de seus instrumentos no PiG (*).
São os portadores e ONs, que, ao fim do dia, no happy-hour em Wall Street, tomam um dry Martini em homenagem ao Fernando Henrique Cardoso.
E caem na gargalhada !
Outra obra do Farol, pelas mãos de Reichite, foi fatiar a Petrobrax em 40 “unidades de negócio”, por sugestão do banco Credit Suisse First Boston, com o óbvio objetivo de facilitar a venda das fatias.
Nesta quarta-feira, o PiG vocifera o fracasso da Petrobras, por causa do anúncio dos resultados na véspera.
Diz que a culpa é da Dilma, porque interfere demais.
A culpa, enfim, é do monopólio estatal do petróleo, que levou Vargas ao suicídio.
O jornal nacional desta terça-feira celebrou ritos fúnebres para a Petrobras com a liturgia do Zorra Total.
A Globo quer que a Dilma aumente o preço da gasolina, para depois acusá-la de incendiar a inflação.
Depois do mensalão, o do PT, o Golpe se armou com o apagão da energia.
Teve o desgaste Golpista da eleição do Renan e do Alves.
Nesta quarta-feira, o afundamento da Petrobras.
E tem a crise institucional que se avizinha por conta do mandato do Genoíno (devidamente aguçada pelo jn do Gilberto Freire com “i”(**). (Clique aqui para ver a resposta que Rodrigo Vianna deu ao “com i” e à Folha (***). )
Dia a dia, a Falange montada na Casa Grande, no PiG e seus representantes no Supremo cerca o Governo trabalhista.
Água mole em pedra dura tanto bate que até fura.
Como disse Gilberto Carvalho, na importante entrevista à Carta Capital:
Eu considero um milagre a gente ter ganho o governo, ter conseguido governar, fazer uma reeleição e depois uma eleição da Dilma. É um milagre ante o bombardeio diário que a gente sofre. Esse milagre só ocorreu pela transformação do País. Agora, há um limite. A persistência desses movimentos ideológicos pode fragilizar nossa relação com o povo, a compreensão do nosso projeto e o apoio ao nosso projeto.
Há um limite, é claro.
Esse limite foi ultrapassado.
Como diz o José Dirceu sobre a condenação no Supremo construída, antes, no PiG (*): os trabalhistas perderam a batalha.
Perderam a batalha política – diz o Dirceu.
E a batalha das mentes, diz o ansioso blogueiro.
Perdeu a batalha pelo que Gramsci chama de “hegemonia”.
A possibilidade de levar à “sociedade civil” uma proposta de Governo.
Convencê-la.
Mostrar em que difere da proposta alternativa.
Achar que os benefícios materiais falam por si próprios e neutralizam o efeito do Golpe da Falange – é um equívoco.
Achar que os beneficiados não assistem à Globo ou não lêem o Globo – outro equívoco.
O Gilberto Freire “i” (**) e seus instrumentos tem o poder de fazer a agenda.
Impor a ordem dos trabalhos.
E redigir a ata.
Precisa de um exemplo ?
A inacreditável conversão do Big Ben de Propriá – clique aqui para ler “o prefácio de Ayres Britto é imoral”.
Lula e Dilma vão perder a batalha das mentes.
Cedo ou tarde.
Correm o risco de isso ocorrer antes da eleição de 2014.
Quem vai contar a história da Petrobrax aos netinhos ?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Imprensa desqualifica o Congresso para engessar o desenvolvimento do Brasil e imobilizar o Governo"

Por Davis Sena Filho




Todo mundo sabe, até um recém-nascido, que a imprensa de negócios privados e ideologicamente de direita combate o desenvolvimento do povo brasileiro, porque não quer a sua emancipação e, consequentemente, sua autonomia, bem como a autodeterminação do Brasil e de qualquer país cujo governante questione a ordem estabelecida pelos grandes trustes internacionais.
 




Isto acontece porque no Brasil, ao contrário do que acontece nos países considerados desenvolvidos e em países a exemplo de Argentina, Venezuela e Equador, o monopólio no setor econômico de comunicação dominado pela oligarquia midiática composta por apenas seis famílias, que tratam o povo brasileiro como inapto e incompetente, além de considerarem o Brasil de 200 milhões de habitantes e dono de um PIB que ultrapassa os R$ 4 trilhões como se fosse o quintal da casa delas.



As estratégias calculistas dos órgãos de comunicação comerciais e privados de desvalorizar e desqualificar os políticos e as instituições nacionais são sistematicamente e incansavelmente difundidas e repercutidas junto à população. O propósito desse processo perverso é o de subverter a ordem institucional e enfraquecer o papel do cidadão eleito pelo povo e nomeado para exercer a autoridade que lhe é conferida e por isso constitucional. A imprensa burguesa quer intervir nas instituições republicanas e, por conseguinte, pautar a vida política e jurídica do País e dessa forma ter seus interesses políticos e ideológicos atendidos, bem como seus negócios financeiros concretizados.



Sei que muita gente não concorda comigo por questões meramente ideológicas e até mesmo pessoais quando sou ofendido por leitores que criticam até mesmo meu aspecto físico, o que é uma bobagem e insensatez, porque o que está a ser discutido é o que queremos para o Brasil e o que não queremos. Contudo, volto a dizer: a imprensa de negócios privados e cartelizada não tem e nunca terá compromisso com o Brasil, porque se trata de um setor alienígena, ou seja, sem pátria e mancomunado com o establishment, que no decorrer dos séculos efetivou um processo de desconstrução das identidades nacionais, baixou a estima dos povos menos desenvolvidos, financiou a repressão aos movimentos de libertação e até mesmo reivindicatórios, além de quando necessário invadir militarmente os países cujos governantes não compartilharam de sua cartilha, geralmente de conteúdo econômico e ideológico.



E a imprensa oligopolizada, de forma recorrente e por isso inquestionável, sempre serviu como porta-voz das classes dominantes e dos grupos capitalistas hegemônicos, que financiam e definem as receitas econômicas de espoliação impostas pelo FMI e o Bird, e, indubitavelmente, se necessário, a guerra. Simplesmente a guerra, modus operandi de países como a Inglaterra, os EUA e a França, que, em vez de respeitarem as leis internacionais, preferem jogar na sarjeta o respeito ao diálogo e às decisões da ONU e optar pela diplomacia do porrete, a fim de rapidamente terem seus interesses geopolíticos e econômicos inapelavelmente concretizados.



Esses fatos e realidades acontecem também em âmbito doméstico — nacional. E foi exatamente dessa forma que a imprensa alienígena deste País se conduziu. Os barões dessa mídia historicamente golpista tentaram desqualificar e judicializar o processo eleitoral do Congresso Nacional, a dar sempre uma conotação de ilegalidade, a fazer ilações maldosas e corrosivas aos candidatos às presidências do Senado e da Câmara.
 



Chegou-se a um ponto de incongruência e desfaçatez dessa péssima imprensa que eu pensei que o senador Renan Calheiros e o deputado Henrique Alves em vez de assumirem seus respectivos cargos, pois eleitos pela grande maioria de seus pares, fossem imediatamente para a prisão, já que a os barões da imprensa e seus sabujos que ficam a falar por eles e pelos cotovelos eram contrários às candidaturas dos dois políticos integrantes do PMDB e por causa disso aliados do Governo e do PT em termos nacionais.



A imprensa das seis famílias formadoras de cartel e que combatem a autodeterminação do Brasil e a democratização dos meios de comunicação por intermédio da efetivação de um marco regulatório para as mídias faz oposição ao Governo Federal no lugar dos partidos políticos oposicionistas como, por exemplo, o PSDB — o partido que vendeu o Brasil e ninguém foi preso. Os barões da imprensa, para quem não sabe, apoiaram e foram cúmplices da ditadura mais cruel e longa que aconteceu neste País: a ditadura militar (1964-1985) e hoje posam de democratas e paladinos da liberdade de expressão e de imprensa. Seria cômico se não fosse trágico.



A verdade é que esses grupos lutam pela preservação da liberdade de expressão e de imprimir deles, o que não tem nada a ver com a democracia e com o estado democrático de direito. E tem mais: sem dar direito de resposta e sem se preocupar com o contraditório, ou seja, ouvir os lados envolvidos em qualquer causa, acontecimento ou incidente. Essa gente gosta de bater, mas não quer ser criticada e questionada. Derrotamos a ditadura militar e vivenciamos a ditadura da imprensa.


Os barões midiáticos e seus bate-paus podem enganar setores da sociedade brasileira por algum tempo e até mesmo por um longo tempo, mas não podem enganar e distorcer a realidade para sempre. A imprensa privada desqualifica as eleições do Congresso para engessar as ações de desenvolvimento para o Brasil e o seu povo, além de ter por objetivo maior imobilizar o Governo.

Globo quer fechar o Congresso. A Dilma, não ! E o Miro ?

Diante da Privataria e da compra da reeleição, o Alves e o Renan são pecadores provinciais.
Saiu no Estadão:

Dilma vê ‘política vilipendiada’ e exalta Congresso



TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff encaminhou ontem mensagem ao Congresso, na abertura do ano legislativo, com elogios ao Senado e à Câmara dos Deputados, (…) Dilma saiu em defesa da atividade política, que considerou estar sendo “vilipendiada”.

“Nesse momento em que a atividade política é tão vilipendiada, faço questão de registrar nesta mensagem o meu sincero reconhecimento ao imprescindível papel do Congresso Nacional na construção de um Brasil mais democrático, justo e soberano”, disse a presidente.

“Essa parceria, construída sobre a legitimidade conferida pelo voto popular, assegura que as ações governamentais sejam, além de tecnicamente sólidas, fortalecidas pela vontade política plasmada em mandatos representativos.”

Ela emendou: “sem tal vontade, a razão técnica não tem direção e propósito. Os que viveram sob regimes autoritários sabem muito bem dos perigos da dissociação entre técnica e política”.

Navalha
Com a autoridade de deter o 12º voto no Supremo, o Globo publicou uma manchete sobre as eleições de Henrique Alves e Renan Calheiros:
“Tudo dominado”!
“Tudo dominado”, como qualquer carioca sabe, é a expressão que se atribuía aos chefes do tráfico – quando as favelas do Rio pareciam com a “Tropa de Elite “do José Padilha – quando “dominavam” um ponto de comércio.
Geralmente, depois de um tiroteio.
(Quando é que o Padilha vai fazer um filme sobre o Delegado Beltrame ?)
Ou seja, a hegemonia do PMDB sobre o Congresso, segundo o Globo, equivale ao controle do tráfico sobre a favela.
Renan seria o Nem e o Alves o Marcinho VP ?
O que é que o Globo quer ?
O Globo e a Urubóloga, na edificante companhia do Ataulfo Merval de Paiva (*), parecem preferir o Congresso fechado.
Preferem substituí-lo por uma Falange composta de:
- o Supremo, onde a Casa Grande tem maioria e dispensa o voto (com exceção do Ministro Fux, eleito com mais votos que o Genoíno) – clique aqui para ler “Quem julga o mandato de Genoíno é a Câmara”, segundo Alves;
- os “especialistas” do PiG (**) que entram nas reportagens para dar um cunho “técnico” à ideologia escravocrata da Casa Grande;
- e o Instituto Millenium que, como se sabe, reúne mais sábios do que o conjunto dos Enciclopedistas do Século XVIII.
O objetivo do Globo é suprimir a política.
Ou seja, o voto popular.
Ou, como fazem os enciclopédicos tucanos de São Paulo, reduzir o peso do voto popular, quando não é possível evitá-lo completamente.
Os tucanos de São Paulo preferem o voto distrital e o Parlamentarismo: ou seja, querem mandar sem voto.
Henrique Alves foi eleito deputado federal por 11 vezes.
Agora, descobriram que o Alves é o Alves.
O Renan é culpado de pecados que, como se sabe, não grudam na biografia do Grão-Tucano Fernando Henrique Cardoso, o nosso Tartufo.
Clique aqui para ler “Fernando Henrique, Marx, Gabeira e André Lara Resende”.
Mas, sobre Alves e Renan não pesa nada tão volumoso quanto a compra de votos para uma reeleição presidencial, nem uma Privataria mais escandalosa e volumosa do que qualquer outra na Latino-America.
Diante do clã do Cerra e da compra da reeleição, Alves e Renan são pecadores veniais, provinciais.
O moralismo dos mervais tucânicos é uma senha para Golpe.
O “mar de lama” do Vargas, “o petebo-sindicalismo” do Jango … tudo expressão do mesmo problema: falta de voto.
Como disse a Dilma: “parceria, construída sobre a legitimidade conferida pelo voto popular”.
Ou como diz o Dirceu, mais desinibido: quem fala pelo povo brasileiro é o Congresso e, não, o Supremo.
Porque, o resto, a gente sabe: a Globo não ganha eleição.
Globo dá Golpe.



Em tempo: as fotos da “maciça” manifestação contra o Renan em Brasília tem a mesma característica das manifestações tucanas e Millênicas pelo Brasil afora: não tem um negro !

Em tempo2: a coluna de Ilimar Franco, na página 2 do Globo, atribui a Miro Teixeira a seguinte frase: “Pior que este Parlamento só um Parlamento fechado”.  Miro, que foi Brizolista, talvez se referisse a outra frase, do Baby Bocayuva, esse, sim, janguista e brizolista, cuja biografia o Miro deixou de emular. Sempre que a UDN se estrebuchava contra o Congresso – dominado por outros partidos que, não, a UDN – o Baby dizia: “pior que um Congresso só um Congresso fechado”.
É mais inteligente, e defende o Congresso – qualquer Congresso! Coisa que o Miro e o Globo não se interessam por fazer. Não se faz mais um Brizolista como o Baby.


Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Se os tubarões fossem homens






 
Bertold Brecht*

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. 

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos, com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas sempre tivessem água renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana; imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas; nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de poder encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo, os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si, a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre eles e os peixinhos de outros tubarões, existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo por isso impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos, da outra língua de peixinhos silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores, e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos, sob seus acordes, a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões, sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria, essa religião, que só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam, inclusive, comer os menores; isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam, assim, mais constantemente, maiores bocados para devorar, e os peixinhos maiores, que deteriam os cargos, valeriam pela ordem, entre os peixinhos, para que estes chegassem a ser professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso: só então haveria civilização no mar. Se os tubarões fossem homens.

* Escritor e dramaturgo alemão (1898-1956), escreveu obras com forte cunho político-social. Foi perseguido pelos nazistas.
*

A educação durante os anos do Apedeuta

Número de brasileiros com ensino superior aumenta mais de quatro vezes em dez anos 
Documento obtido pela Rede Brasil Atual antecipa dados do Censo mostrando que a população com graduação completa foi de 5,5 milhões a 25,5 milhões

Por: Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual


O número de brasileiros com ensino superior completo mais que quadruplicou nos últimos dez anos, passando de 5,5 milhões em 2000 para 25,5 milhões em 2010. Os dados são do último Censo Demográfico do IBGE e foram organizados pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e cedidos à Rede Brasil Atual pela organização social Educafro.
Percentualmente, o país passou de 2,7% da população com ensino superior para 13,39% nos últimos dez anos. O número de mestres e doutores também aumentou, passando de 0,18% para 0,83%, de acordo com os dados. Apesar do crescimento, o percentual ainda é considerado baixo e pode ser um entrave para o projeto de desenvolvimento do país, de acordo com a especialista em políticas públicas educacionais Maria Beatriz Luce. “Precisamos aumentar a escolaridade geral dos brasileiros para garantir acesso a novas tecnologias”.
O novo Plano Nacional de Educação – que foi aprovado esta semana pela Câmara dos Deputados e será encaminhado para o Senado – prevê chegar a 30% da população com ensino superior em dez anos, sendo 50% desse total de jovens entre 18 e 24 anos. O documento prevê, ainda, o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor dentro de uma década. “É uma meta bem mais ambiciosa, principalmente porque tem como foco expandir o acesso ao ensino superior garantindo qualidade”, avalia Maria Beatriz, que é professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A especialista avalia o crescimento no percentual de graduados como “bastante expressivo” e o atribui a políticas de expansão da oferta do ensino superior. “Passamos por um processo grande de interiorização das universidades federais, que deixaram de estar concentradas nas grandes cidades. Isso evita que os jovens tenham que se deslocar e permite a população adulta, que já trabalha, conseguir estudar”.
Iniciativas como o Sistema de Seleção Unificada (SISU) e o Programa Universidade para Todos (ProUni) – que oferece bolsas de estudo de 100% e 50% em faculdades particulares – também colaboraram. “O primeiro permitiu que todas as vagas ofertadas nas universidades federais fossem preenchidas e o segundo que a população de baixa renda tivesse acesso ao ensino superior.”

Surge em Havana um Lula menos cordato

Como Dilma alguns dias atrás, Lula parece ter, enfim, perdido a paciência.
Lula mais ênfático
Lula mais ênfático
Lula governou apanhando calado das viúvas do Antigo Regime, representadas pelas grandes corporações de mídia.
Ele fez uma opção, desde o início, pela conciliação. Na Carta aos Brasileiros, garantiu ao 1% que nada de substancial mudaria.
Fez questão de comparecer ao enterro de dois barões da imprensa de grande destaque no Antigo Regime, Octavio Frias e Roberto Marinho.
Chegou ao ponto – lastimável – de decretar três dias de luto em memória de Roberto Marinho, a quem numa nota pública fez um panegírico sem apoio nenhum na realidade dos fatos.
Não fez nada em relação aos limites da mídia. A velha Inglaterra se movimentou primeiro, e sob um governo conservador com fortes vínculos com Rupert Murdoch.
O relatório Leveson, o conjunto das propostas de mudança na regulação da mídia britânica, foi o reconhecimento do governo de David Cameron de que a sociedade está acima dos jornais – propriedade de empresários como Murdoch para os quais o interesse pessoal vem na frente do interesse público.
Ponto.
Lula sequer discutiu a abjeta, repulsiva reserva de mercado para as empresas de jornalismo. Tão ávidas em falar de competição, elas se agarram a uma legislação esclerosada que impede o estabelecimento no Brasil de empresas estrangeiras.
Perde o país, porque o jornalismo brasileiro melhoraria sob a concorrência. E perde a decência, pela perenidade de um privilégio sem sentido.
Em sua política de boa vizinhança, Lula sequer chegou a mexer no destino da multimilionária conta publicitária do governo e das estatais. Isso foi dar numa bizarrice: a Globo mesmo com a pior audiência de sua história em 2012 continuou a faturar em cima do governo como se dominasse, como na era pré-internet, o mercado brasileiro de forma avassaladora.
Nada disso impediu que  Lula fosse atacado de forma cada vez mais feroz por aqueles diante de quem contemporizava e, em certas ocasiões, até recuava.
A mídia brasileira se transformou, nos últimos dez anos, numa fábrica uniformizada de colunistas dedicados a caçar Lula. Bater em Lula deu emprego e espaço a nulidades como Villa, Azevedo e Mainardi. Todos eles inexpressivos em seus campos de atuação antes de Lula, ganharam depois os holofotes interesseiros apenas por atirar em quem o Antigo Regime queria ver sangrando.
Lula jamais reagiu, e isso talvez tenha lhe dado a aura de perseguido e ajudado a construir a formidável popularidade que ele tem diante do povo brasileiro.
Mas ao mesmo tempo a contemporização o tolheu: quando Lula disse, repetidas vezes, que os grandes empresários jamais tinham ganhado tanto dinheiro como sob ele, estava tristemente certo.
Como a riqueza nacional é um bolo só, se um grupo está ganhando muito dinheiro – a família Marinho retornou agora à lista dos bilionários da Forbes — os demais terão que se contentar com o que sobrar. Não é um dado auspicioso para um país com tamanha desigualdade.
O silêncio de Lula diante das pancadas ininterruptas não o ajudou sequer depois do Planalto. Como já foi notado, Lula se transformou no primeiro ex-presidente cuja derrubada é tramada, sonhada e tentada.
Tudo isso posto, é interessante notar as palavras de Lula em Havana, onde ele esteve nestes dias para a celebração do herói cubano José Marti e também para visitas a Fidel e ao adoentado Chávez.
Lula falou mais alto do que de costume, como Dilma alguns dias antes dele num pronunciamento transmitido pela televisão brasileira.
Disse o óbvio, mas este óbvio não tinha sido jamais expresso publicamente antes com tamanha clareza. O Antigo Regime, notou ele, o persegue não pelos erros – que não são poucos, de resto, como o Diário tem constantemente lembrado, a começar pelo fracasso no choque ético prometido na política e a continuar pela baixa velocidade na escandinavização do Brasil – mas pelos acertos.
O cordato Lula mudou?
Veremos. Mesmo a paciência de alguém forjado nas disputas sindicais, em que você xinga e é xingado a cada assembleia, tem limites.
Mas não é este o ponto.
Lula parece ter entendido, fora do poder, que para que a sociedade brasileira seja menos absurdamente injusta você não pode permitir que uma pequena casta mimada ganhe mais dinheiro que nunca.
Caso isso aconteça, estarão sendo indiretamente lesados milhões de brasileiros que foram simplesmente abandonados no Antigo Regime, iniciado no golpe militar de 1964.
Lula parece ter carregado a ilusão de que poderia fazer a reforma social que o Brasil demanda com urgência recebendo tapinhas nas costas dos defensores e beneficiários da velha ordem.
Não é bem assim.
Se é para Lula ser agredido incondicionalmente como é, que pelo menos ele aja sem ansiar por afagos que jamais virão.
Os brasileiros ganharão.

Trabalhadores dos EUA: “Se o Lula foi presidente no Brasil, porque um trabalhador norte-americano não pode se candidatar aqui?

Uaw! Agora é que a Casa Grande pira de vez. Lula nos Estados Unidos pedindo engajamento político dos trabalhadores. Essa semana não vai prestar, vai ter colunista babando de raiva. 


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula 
O ex-presidente Lula discursou na tarde deste domingo na cerimônia de abertura do Congresso Nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística e Aeroespacial dos EUA, a UAW. Lula falou de improviso diante de uma plateia de cerca de 1200 pessoas e foi aplaudido diversas vezes durante as quase duas horas de seu discurso na cidade de Washington, nos EUA.
Para baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.
Lula estimulou os trabalhadores norte-americanos a buscarem uma maior participação política em seu país. “Em 30 anos, construímos o maior partido de esquerda da América Latina”, disse Lula. E foi apoiado por Bob King, presidente da UAW.”
“Se o Lula virou presidente, por que não podemos concorrer a mais cargos eletivos?”. Bob King apresentou Lula usando uma camisa do Corinthians, que recebeu de presente do ex-presidente pouco antes da Conferência e se disse orgulhoso por receber o ex-presidente. “Esta noite para mim é uma honra parecida com receber Nelson Mandela na UAW”, completou.
Durante seu discurso, Lula lembrou da importância da organização dos trabalhadores em todo o mundo.
“Na era da globalização, precisamos globalizar os direitos dos trabalhadores” e reforçou que a união de trabalhadores não deve ser só por salário, mas também por direitos. “Os trabalhadores precisam defender a si mesmo, não [delegar a] políticos que nunca estiveram num chão de fábrica. Ninguém mais vai defender os trabalhadores, e vocês sabem disso” .
E comentou sobre a tentativa de uma fábrica da Nissan, em Mississipi, de bloquear a atividade do sindicato: “Não podemos deixar isso acontecer”.
Lula recordou que a UAW o apoiou quando ele foi preso pelo regime militar. O ex-presidente lembrou momentos de sua carreira como político e como trabalhador. Contou, por exemplo, da conversa que teve com Bush, quando o então presidente americano buscava apoio para a guerra contra o Iraque. “Presidente, meu inimigo não é o Iraque, mas a fome do povo brasileiro”.
O evento foi transmitido ao vivo em inglês e em português pela internet. Outras informações sobre a conferência no Twitter, com a hashtag #uawcap e no facebook do ex-presidente: www.facebook.com/Lula

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

70 anos da Batalha de Stalingrado



Mal. Von Paulus
Faz exatos 70 anos. No dia 31 de janeiro de 1943, o marechal Friedrich Von Paulus, comandante do VI Exército alemão, comunicava sua capitulação incondicional ao general Vassili Chuikov, comandante do Exército Vermelho em Stalingrado.

Estava encerrada a mais feroz, a mais encarniçada, a mais renhida e sangrenta, a mais comovente, a mais obstinada e violenta, a mais cruenta e impetuosa das batalhas militares que a História da humanidade conheceu.

Estava quebrada a espinha dorsal da poderosa máquina de guerra nazista e do Terceiro Reich. A Segunda Guerra Mundial sofria, naquele momento, dramática guinada.

A humanidade deve aos heróicos soldados do Exército Vermelho ter se livrado das trevas do nazi-fascismo. Todo ser humano, defensor da democracia, da liberdade, da fraternidade, tem o dever de ressaltar sempre e em cada momento o significado desta epopéia.

A Alemanha nazista era poderosa e intensa a sua influência política. Se tivesse derrotado o Exército Vermelho, a sombra do nazismo pairaria por muitas e muitas décadas sobre povos e nações do mundo inteiro, com todo o seu horror ideológico e racial. 

Assistam a seguir o filme "Stalingrado - A batalha final" (legendado em português) e o excelente resumo histórico do Max Altman.
 
 
 
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Stalingrado salvou a humanidade da sanha nazi-fascista
Por volta de setembro de 1942, a soma das conquistas de Hitler era estarrecedora. O Mediterrâneo havia se tornado praticamente um lago do Eixo, a Alemanha nazista e a Itália fascista dominando a maior parte da costa setentrional, desde a Espanha até a Turquia e a costa meridional da Tunísia até cerca de 100 quilômetros distante do rio Nilo. As tropas da Wehrmacht mantinham guarda desde o cabo setentrional da Noruega, no Oceano Ártico, até o Egito; da ocidental Brest no Atlântico até a parte sul do rio Volga, às bordas da Ásia Central. Regimes fascistas pré-existentes e governos fantoches faziam o jogo do Reich nazista. França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, os Bálcãs, a Grécia e outras mais já haviam sido engolidas pelas Panzer Divisionen.

Em fins do verão de 1942, Adolf Hitler parecia estar em esplêndida situação. Os submarinos alemães estavam afundando 700.000 toneladas por mês de barcos britânicos e americanos no Atlântico, mais do que se poderia substituir nos estaleiros navais dos Estados Unidos, Canadá e Escócia, então em franco progresso.
As tropas nazistas do 6º Exército do marechal Friedrich von Paulus haviam alcançado o Volga, exatamente ao norte de Stalingrado em 23 de agosto. Dois dias antes, a suástica tinha sido hasteada no monte Elbruz, o ponto mais alto das montanhas do Cáucaso (5.642 metros). Os campos petrolíferos de Maikop, que produziam anualmente 2,5 milhões de toneladas de petróleo, haviam sido conquistados em 8 de agosto. No dia 25, os blindados do general Kleist chegaram a Mozdok, distante apenas 80 quilômetros do principal centro petrolífero soviético, nas imediações de Grozny e a cerca de 150 quilômetros do mar Cáspio. 

No dia 31 de agosto, Hitler ordenou que o marechal-de-campo List, comandante dos exércitos do Cáucaso, reunisse todas as forças existentes para o assalto final a Grozny, a fim de se apoderar de todos os ricos campos petrolíferos da região.

Determinou que o 6º Exército e o 4º Exército Panzer se lançassem para o Norte, ao longo do Volga, cercando e sufocando Stalingrado, num vasto movimento envolvente que lhe permitisse avançar de leste e de oeste contra o centro da Rússia, tomando, finalmente, Moscou. Ao almirante Raeder, no final de agosto, Hitler dizia que a União Soviética "era um 'lebensraum' (espaço vital), à prova de bloqueio" o que lhe ensejava voltar-se para os ingleses e americanos que "seriam obrigados a discutir os termos da paz".

Com essas conquistas vitais o "Reich de mil anos" estaria garantindo sua subsistência e permanência: as vastas estepes da Ucrânia, ubérrimas, a fazer brotar um infindável celeiro dourado de trigais; os abundantes campos de ouro negro a besuntar de energia a máquina bélica e industrial alemã.

As imagens mais longínquas de minha meninice datam dessa época. Registram meu pai, cercado de amigos, debruçados sobre um mapa da Europa estendido sobre a mesa, lupa em punho, rádio em ondas curtas. Esta mesma cena provavelmente estaria se repetindo em milhões de outros lares pelo mundo afora. Anos mais tarde, meu pai, um jovem revolucionário imbuído de ideais socialistas, que no começo dos anos 1930 tinha abandonado a Polônia de governo pró-nazi e anti-semita para vir ao Brasil, relatava a agonia e o horror com que acompanhavam a expansão irrefreável do império nazista.
Quando os cabogramas anunciaram que a infantaria alemã havia atravessado o Don silencioso em direção a Stalingrado, o assombro se instalou. E se a Alemanha nazista derrotasse a União Soviética?

A ideologia da supremacia racial ariana de Hitler se abateria sobre grande parte do mundo.

Negros, eslavos, indígenas, árabes, mestiços, mulatos, amarelos, sub-raças e escória social, trabalhariam sob o tacão de ferro do nazismo, como semi-escravos, para a glória da raça superior. Povos inteiros, judeus, ciganos, seriam aniquilados em nome da limpeza étnica. Comunistas, socialistas e liberais seriam confinados em campos de concentração e de lá não sairiam vivos.

O colonialismo na África e Ásia ganharia alento. As liberdades seriam espezinhadas e governos lacaios em todos os quadrantes se encarregariam de organizar gestapos em cujos porões um elenco monstruoso de torturas ao som da Deutschland Über Alles seria levado a cabo contra os inimigos do regime. As conquistas sociais dos trabalhadores estariam esmagadas.

O progresso, as artes, as ciências sofreriam abalo. Além do que, Werner von Braun e seus assistentes em Penemunde estariam aperfeiçoando as mortíferas bombas voadoras de longo alcance com ogivas nucleares e outras máquinas bélicas de alta tecnologia a pender como espada de Dâmocles sobre qualquer país que ousasse desafiar o Reich alemão. E se alguma nação pretendesse enfrentar os interesses do Grande Império Germânico novas ondas de panzers ou de bombas V1 e V2 desencadeariam blitzkriegs preventivas para aniquilar pelo terror qualquer tentativa.


Quando o jovem general Konstantin Rokossovsky, levando a cabo as instruções táticas da Operação Uranus ordenadas diretamente de Moscou e arquitetadas pelos generais Alexander Vasilievsky e Vasily Volsky, conseguiu romper, em 19 de novembro, o anel de aço que cercava Stalingrado, a esperança reacendeu. No entanto, a cidade estava sitiada, os seguidos bombardeios da Luftwaffe haviam-na reduzido a escombros.

Dia após dia o cerco se apertava e em fins de novembro a zona urbana era invadida. Veio a ordem terminante: defender a todo custo as fábricas Outubro Vermelho e Barricadas que produziam os carros de assalto, a Fábrica de Tratores que construía os blindados T-34 e a estação ferroviária central onde as matérias primas eram desembarcadas.

Iniciou-se então a mais feroz, a mais encarniçada, a mais renhida e sangrenta, a mais dramática das batalhas militares que a História da humanidade conheceu.

O terreno coberto de destroços impedia qualquer ação de blindados, a proximidade dos contendores tornava impraticável a cobertura aérea. Só restava calar baionetas e passar a travar a luta casa a casa, corpo a corpo, em cada centímetro de chão. Para ilustrar a tenacidade com que se combatia, basta lembrar que a plataforma semidestruída da estação de trens mudou de mãos sete vezes num único dia. Os operários da Outubro Vermelho empunharam armas e estabeleceram uma muralha de fogo em torno da fábrica. Jamais se havia visto tantas cenas de heroísmo, bravura e coragem, de lado a lado, naquele cenário lúgubre das ruínas da cidade. Nunca antes soldados haviam lutado com tanto denodo para conquistar e defender.

Em 30 de janeiro de 1943, décimo aniversário da subida de Hitler ao poder, o führer fazia uma solene proclamação pelo rádio: "Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a Batalha de Stalingrado com reverência e respeito, e se lembrarão que a despeito de tudo, a vitória final da Alemanha foi ali decidida". 

Mal. Von Paulus (último à direita) assina rendição diante do Gen. Chuikov e oficiais russos

Três dias depois, em 2 de fevereiro, o marechal-de-campo Von Paulus assinava diante do general Vassili Chuikov, comandante das tropas do Exército Vermelho em Stalingrado, a rendição do 6º Exército alemão.

A transmissão da capitulação foi feita em Berlim, através da rádio alemã, pelo general Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht (OKW) precedida do rufar abafado de tambores e da execução do segundo movimento da Quinta Sinfonia de Beethoven.

A maior e a mais épica das batalhas da 2ª Guerra Mundial que tivera início em 26 de junho havia chegado ao fim. Foram feitos prisioneiros pelos soviéticos 94.500 soldados alemães dos quais 2.500 oficiais, 24 generais e o próprio marechal Von Paulus. Mortos cerca de 140.000 soldados da Wehrmacht e 200.000 homens do Exército Vermelho. Os soviéticos tomaram do exército inimigo 60.000 veículos, 1.500 blindados e 6.000 canhões. A espinha dorsal do exército nazista e do Terceiro Reich estava irremediavelmente quebrada.

Os mesmos milhões de lares que tinham vivido momentos de apreensão e pavor explodiram de emoção.

Hitler havia mordido o pó da derrota.

Corações e mentes voltaram-se para glorificar os heróis combatentes do Exército Vermelho e honrar os que tombaram no campo de batalha pela liberdade. A admiração pela extraordinária façanha impunha a pergunta: o que levou aquele contingente de centenas de milhares de jovens a lutar com tal fúria e obstinação? Certamente o apelo da Grande Guerra Patriótica, livrar o solo pátrio do invasor.

Havia mais. A leitura das lancinantes cartas aos familiares escritas no front deixava evidente a determinação de defender as conquistas da Revolução de Outubro por cuja consolidação seus pais, 25 anos antes, haviam derramado sangue enfrentando e derrotando o exército branco e tropas invasoras de catorze países mobilizados para sufocar no nascedouro a revolução bolchevique.

A partir daí o Exército Vermelho arrancou impetuoso rumo a capital do Reich nazista, abrindo em sua passagem os portões macabros de Auschwitz-Birkenau.

As tropas anglo-americanas desembarcam na Normandia em 6 de junho de 1944. No dia 2 de maio de 1945, soldados do destacamento avançado do general Ivan Koniev hasteiam a bandeira soviética no mastro principal do Reichstag.

Cinco dias depois, numa pequena escola de tijolos vermelhos em Reims, França, na madrugada de 8 de maio de 1945, o almirante Friedeburg e o general Jodl assinam, em nome do que restou da máquina de guerra nazista, diante do general Ivan Susloparov pela União Soviética, e do general Walter Bedell Smith pelos aliados, a rendição incondicional.

Os canhões cessaram de troar e as bombas deixaram de cair. Um estranho silêncio pairou sobre o continente europeu pela primeira vez desde 1º de setembro de 1939.

O mundo estava livre da sanha nazi-fascista.


Max Altman* é jornalista, estudioso das questões internacionais, membro do Coletivo da Secretaria Nacional de Relações Internacionais do Partiudo dos Trabalhadores, coordenador geral do Comitê Brasileiro pela Libertação dos 5 Patriotas Cubanos.