domingo, 20 de janeiro de 2013

Keynes, a hegemonia e os zumbis da história

Da Carta Maior - 19/01/2013 

 Saul Leblon



Um afoito exército está à espera de ordens nas redações. Enerva-se nas baias.

Adestrado, cevado no cocho neoliberal, quer trotar seus dotes; reclama serviço.

'É preciso travar Lula!" --antes que ele destrave o país, os investimentos, os empresários... etc.

As ventas cospem impaciência.

Ressentem-se do ginete que lhe afrouxe a brida mas conduza a rédea. Sem o quê os coices se espalham a esmo.

Não raro no próprio traseiro.

O recente fiasco da 'emergência elétrica', por exemplo.

Desmoralizado nas páginas da economia e da meteorologia, mostra o estrago dos arranques sem rumo, sem discernimento, nem apuro.

Coisa de mula sem cabeça --e a metáfora traz o desconfortável visgo da pertinência.

O conservadorismo brasileiro detém os meios -- as baias ressoam sofreguidão; faltam-lhe os fins, o discurso claro, convincente; a meta crível, o projeto pertinente que conquiste os corações do país.

O 2014 tucano está sendo programado pelos professores-banqueiros do PSDB. Banqueiros --como seria o novo Brasil dos banqueiros?

Clareza e votos são imiscíveis neste caso e nessa hora.

Melhor não levar as convicções ao campo aberto.

No escrutínio da história, o saldo da desordem neoliberal escancara perdas econômicas e danos sociais inexcedíveis desde 1929.

Um fardo.

A transparência, ao contrário, favorece o governo, autoriza a agenda progressista a avançar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Mas para isso é preciso debater certas questões de forma clara e democrática.

É incontornável dispor de canais para discutir a densidade das perguntas e pactuar a hierarquia das prioridades.

Não é tema que se esgote na lógica mercadista.

O que é preciso para completar a cidadania de quem saiu da soleira da porta, do lado de fora do país, abriu conta em banco, ingressou no mercado de consumo e quer ir além?

A transparência da crise afrouxa os interditos ao debate e amplia o horizonte à reordenação que ele enseja.

Mas essa vantagem cobra um preço justo para o seu desfrute: não ter medo da história.

O desassombro hoje é um requisito da confiança da sociedade no governo.

Como confiar em quem hesita diante dos próprios trunfos?

'Confiança' é a palavra-ônibus que catalisa a disputa política nos dias que correm.

O conservadorismo embarca seus interesses nesse veículo complacente. E as manchetes ecoam prestimosas..



Por exemplo:

"Baixo investimento reflete rejeição ao intervencionismo estatal, não há confiança no ambiente de negócios" (com R$ 45 bi em isenções fiscais em 2012 e R$ 53 bi previstos em 2013; ademais da ampla desoneração prevista nas folhas de pagamento?);

"O superávit primário foi maquiado" (mas a relação dívida/PIB de 36% não é uma das mais baixas do mundo? E não é fato que pode ser mantida assim com um superávit à metade do perseguido atualmente, de 3% do PIB?);

"O nível dos reservatórios prenuncia um apagão iminente" (chove acima da média no Rio, SP, MG, ES, TO E DF, segundo o Cptec);

"A inflação está sem controle" (preços recuam no atacado e sinalizam tendência futura, diz a FGV);

"O juro terá que subir em algum momento" (é negativo em boa parte do mundo e a taxa real do país, mesmo no seu menor patamar histórico, ainda é das mais altas);

"Os fundos internacionais (NR: os especulativos) batem em retirada do país" (o Brasil recebeu US$ 60 bi em investimentos produtivos em 2012, explica o BC);

"O 'tripé' ficou manco, o câmbio não flutua" (o dólar livre e alto é a festa dos operadores rentistas que fazem arbitragem e a desgraça da indústria local afogada em importações)

"País tende à estagflação, com preços em alta e demanda em queda" (fatos: vendas de automóveis crescem 26,7% na primeira quinzena de janeiro na comparação anual , diz a Fenabrave; Brasil terá a maior expansão de vagas entre as dez maiores economias do mundo em 2013; 71% das empresas pretendem ampliar seu quadro, anuncia a CareerBuilder; vendas de passagens aéreas devem crescer 9,5% no país em 2013, informa a Abear; consumo das famílias cresce há três anos consecutivos, mostra o IBGE; indústria brasileira inverte tendência de queda e cresce 2,5% em novembro de 2012, sinaliza a CNI).



Se essa é a qualidade do combustível conservador, por que, afinal, o investimento patina, abaixo dos 25% do PIB, o mínimo requerido a um crescimento rápido?

Excesso de Estado?

O Estado brasileiro investia 11% do PIB, em média, entre os anos 60 até meados dos anos 70.

Hoje, a União investe 1,5% do PIB.

O aparelho público de precariedade imaginável daquele período regrediu no cepo neoliberal até naquilo que reconhecidamente fazia bem.

Desaprendeu a planejar e a executar grandes obras de infraestrutura, inclusive nas especialidades em que o país já foi referência mundial, caso de hidrelétricas, por exemplo.

Das 28 hidrelétricas em construção hoje, 20 estão com atraso.

Não é um problema específico da esfera federal.

O setor público foi programado para não funcionar em todo o país.
Seu controle (asfixia?) foi sofisticado. Amarras e interditos exacerbados. A eficiência foi deliberadamente exposta a uma corrosão abrangente, material, funcional e ideológica. Favorável aos interesses mercadistas e privatistas. Deletéria ao país.

Autoproclamada eficiente, a gestão tucana em SP, há 18 anos no poder, não consegue, por exemplo, fazer mais que 1,9 km de metrô por ano. São Paulo tem 74,3 kms de rede metroviária-- a menor entre as grandes capitais do mundo; a da Cidade do México tem 210 kms.

Cálculo da BBC: com 402 kms o metrô de Londres cresce em média 2,68 km por ano; mantido esse ritmo --e a 'eficiência' tucana, levaria 172 anos para São Paulo alcançar Londres.

Em frente.

O aparelho público que a ortodoxia abomina, assim como o mercado interno de massa que seus colunistas desdenham, representam, na verdade, as duas grandes turbinas capazes de afrontar o contágio da estagnação mundial no Brasil.

Mas tudo passa --esbarra, por enquanto-- pela conquista da confiança do capital privado, cuja participação é indispensável num novo ciclo de crescimento.

Confiança, bem entendido, significa para o capitalista o seguinte: a certeza de colocar seu dinheiro num projeto com retorno futuro superior ao das aplicações financeira; acrescido de um bônus pela liquidez inferior do investimento em longo prazo.

O governo Dilma tem espetado importantes estacas para reverter a 'preferência mórbida pela liquidez' consagrada nos anos liberais de FHC, Malan, Armínio e Selic de até 42% reais...

Sob coices e advertências das redações, derrubou a Selic de 12,5% para 7,25% entre agosto de 2011 e outubro de 2012.

Desmontou o piso da poupança e tem pressionado a banca a reduzir o spread e a ampliar o crédito usando os bancos públicos como guincho e alavanca.

Concedeu o equivalente a 1% do PIB em incentivos fiscais à produção no ano passado.

Anunciou um pacote adicional de infraestrutura de R$ 133 bilhões, incluindo rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Está fazendo o certo.

Rédea curta nos juros, mantidos em patamares mínimos para não rivalizar com as expectativas de retorno da aplicação produtiva.


Um processo de redistribuição de renda persistente (aumento do salário mínimo, programas sociais, pleno emprego etc) para acelerar o encolhimento dos estoques industriais. Isso realimenta o ciclo de expansão, evita seu esgotamento precore. Gera um ambiente encorajador à expansão da capacidade produtiva.

O que falta, então, para conquistar a confiança do capital privado e as coisas acontecerem?

Falta audácia, por exemplo, para exercer a nova legitimidade do Estado indutor num mundo fraturado pela desordem neoliberal.

Mas, sobretudo, talvez, a questão principal não esteja na palavra confiança. Ou talvez aquilo que o keyenesianismo chama de confiança tenha uma tradução mais completa na palavra hegemonia.

Hegemonia não se conquista apenas com a boa gestão econômica.

A 'obsessão mórbida pela liquidez' naturalmente lê jornais e acompanha a luta política.

A mídia nativa e a forânea, irmanadas nos mesmos ideais, como se pode observar em episódios recentes, a exemplo do polêmico ajuste do superávit de 2012, asperje densa neblina de incerteza na sociedade: a macroeconomia do governo não tem coerência, não há consistência no tripé, tampouco viabilidade no longo prazo.

A começar pela alavanca do mercado interno de massa, que se desqualifica e se minimiza. Um fenômeno assistencial 'insustentável', cravam os sábios tucanos e seus aprendizes de orelha e holerite.

A confiança, vista desse mirante, não é um saldo cumulativo de incentivos fiscais, mas um campo conflagrado.

Nada que se contabilize de forma pacífica, linear, como parece acreditar o governo na sua gradual rotina de anúncios e medidas.

A confiança é uma das esferas da luta pela hegemonia. Uma queda de braço bruta, e sem volta, estampada e vocalizada em espiral ascendente pelo dispositivo midiático conservador.

É sobretudo nessa frente que o desempenho de Brasília deixa a desejar.

Desde setembro de 2008, certas coisas ficaram ostensivamente disfuncionais no mundo e na macroeconomia dominante.

Vivemos o esgotamento de um ciclo histórico.

A força da ideologia, porém, ainda mantém a vigência de certos anacronismos no mundo dos vivos, confundindo-se com eles.

O noticiário dispensa-lhes tratamento equivalente e respeitoso. Como se a ordem das coisas permanecesse inalterada, depois que o cemitério do desemprego recebeu as carcaças de 50 milhões de vítimas, dificilmente ressuscitáveis, de um serial killer chamado 'mercados autorreguláveis'.

Vulgo, vale tudo neoliberal.

Os artífices e instrumentos da matança persistem no mundo dos vivos como zumbis históricos e nisso reside o seu maior perigo.

Zumbis são mortos que matam.

No caso brasileiro, extraem a força letal do medo que os vivos tem de ocupar seu papel na história.

E, sobretudo, de erguer a partir daí uma nova hegemonia, capaz de irradiar a confiança num novo ciclo de desenvolvimento.

DILMA MANDA RECADO PARA MIRIAM LEITÃO E ARAUTOS DO CAOS - O BRASIL VAI CONTINUAR CRESCENDO !

é fazer oposição séria e competente, é apresentar crítica ao governo, propor outros caminhos, fiscalizar as ações de governo. Uma outra coisa é o papel da imprensa, fundamental na denúncia das irregularidades ou possíveis irregularidades, fazendo sempre a distinção entre o que é ou aquilo que pode ser, além de apresentar no seu noticiário diário o que acontece, o que é fato, o que se faz de bom ou não no país.

Infelizmente nós não temos oposição no Brasil, ao menos oposição política, que atue e se faça respeitar. No momento, os que representam a oposição e por ela falam, são um grupo de políticos e ex-governantes fracassados, despeitados e boa parte deles, cujo passado condena, envolvidos em escabrosos casos de corrupção ou suspeitas de corrupção.

Aí então a imprensa partidarizada resolve fazer oposição, e resolve esconder o que o governo faz de bom, resolve distorcer números, fazer projeções alarmistas, pedir demissão de ministro, divulgar boatos de apagão, reuniões que não existiram e se posicionar sempre ao lado dos poderosos e contra os interesse do povo brasileiro.

Ainda bem que o Brasil, que não tem oposição e tem uma imprensa que não cumpre de forma honesta seu papel, tem governo e, faz-se necessário destacar, UM BOM GOVERNO.


Dilma: Apesar dos pessimistas, Brasil vai crescer em 2013
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Ao participar hoje (18) de uma cerimônia em Teresina, no Piauí, a presidenta Dilma Rousseff disse que, “apesar dos pessimistas”, a economia brasileira vai crescer em 2013. Segundo ela, “o Brasil em 2012 se preparou para crescer em 2013. Podem ter certeza”. De acordo com a presidenta, o país vai gerar mais empregos e “procurar todas as oportunidades”.

Depois de crescer 2,7% em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar menos de 1% em 2012, segundo estimativa do mercado. Em dezembro, a presidenta disse que queria um “pibão” para 2103. Mais cedo, também no Piauí, Dilma declarou que o país terá um “crescimento sério, sustentável e sistemático” em 2013, mas que ainda será "um ano em que vamos plantar mais do que colher".

Segundo a presidenta, a descoberta de novas fontes de petróleo de gás poderá assegurar o crescimento. “Nós já achamos o pré-sal. Agora é importante que achemos sobretudo gás nas bacias sedimentares do continente brasileiro. E quando a gente fala em bacia sedimentar, a gente fala da Bacia do Parnaíba (PI)”, ressaltou.

O governador do Piauí, Wilson Martins, que discursou antes de Dilma, informou que a presidenta autorizou hoje a realização de leilões a fim de iniciar a pesquisa para exploração de gás na região da Bacia do Parnaíba.

Após entregar unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Teresina, e 25 retroescavadeiras a municípios do interior do Piauí, Dilma reafirmou o compromisso de seu governo de acabar com a pobreza extrema no Brasil, meta que, segundo ela, meta deve ser alcançada no começo do próximo ano.

“Vamos acabar com a pobreza extrema na maioria dos estados do Brasil ainda em 2013 e vamos completar esse processo no início de 2014. Isso é possível e vai ser feito”, disse a presidenta. “No passado se achava que era possível o país crescer e desenvolver e as pessoas ficarem para trás. Nós achamos que o país vai crescer se as pessoas crescerem junto com ele”, ressaltou.

Contrabando de Nióbio estaria financiando Rede Globo Minas

Apesar de boa parte da população brasileira não saber do que se trata, a venda e exploração do Nióbio no município mineiro de Araxá é objeto de desejo de países como Estados Unidos e Japão e de investigação pelo Ministério Público em Minas Gerais, que começa a se preocupar cada vez mais com a exploração do metal raro cuja incidência de 98% das jazidas estão no Brasil, único país que o fornece ao mundo. O minério é usado para a fabricação de turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais elétricas e super aços. A suspeita é de subfaturação e a evasão de divisas na venda do mineral.

O Ministério Público de Minas Gerais estuda a apuração dos episódios relativos à exploração das jazidas de Araxá e o promotor Leonardo Barbabela afirma que “não pode faltar um aprofundamento para se saber com clareza quem explora e se isto pode ferir de alguma forma a soberania nacional”. Para ele, o fato da secretária de Estado norte americana, Hilary Clinton, haver declarado que Araxá é área de interesse estratégico dos Estados Unidos da América do Norte acendeu a luz vermelha em torno da exploração do Nióbio.

Para Barbabela, em se tratando de um metal raríssimo que só o Brasil pode fornecer para o mundo, o essencial é que os preços a serem cobrados pela venda “sejam justos, de acordo com o real valor do metal, estabelecidos pelo Brasil, com muita verdade sobre a forma como ele é alienado ou explorado e sem perdas de valores”. Além do MP, o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar os diretamente envolvidos no “Caso do Nióbio” por crime de lesa-pátria.

CBMM - Não são só os EUA que estenderam suas garras para o Nióbio brasileiro. Numa operação bilionária e ilegal, segundo denúncia do NovoJornal, a empresa estatal japonesa, Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um fundo de investimento coreano que representa os interesses da China comprou os direitos de exploração. O valor da venda de 15% da CBMM foi de US$ 2 bilhões de dólares, após dois anos de negociações com a anuência através da omissão e o silencio do governador Antônio Anastasia, coroando negociações iniciadas em 2002, no governo do atual senador Aécio Neves.

Segundo a denúncia publicada por NovoJornal, durante a gestão de Neves, a condução das principais decisões e atividades econômicas do Estado de Minas foi confiada a Oswaldo Borges da Costa, que assumiu a função estratégica de presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG). Criou um governo paralelo, onde as principais decisões sobre obras e investimentos das estatais CEMIG, COPASA, DER/MG, DEOP e das autarquias de MG ficaram a cargo de “Oswaldinho”.

Foi na sede da CODEMIG que nos últimos 10 anos estiveram os investidores internacionais que tinham interesse no Estado de Minas, inclusive os que queriam investir na extração do mineral raro. Nesse caldeirão, estão disputas familiares, políticas e o envolvimento da Rede Globo de Minas.

Leia abaixo os detalhes desta negociata na íntegra da denúncia do NovoJornal, que vem publicando uma série de reportagens sobre o tema.

Briga entre as famílias Neves e Faria provoca crise institucional ao eliminar a soberania nacional sobre o mineral mais estratégico e raro do mundo

O Nióbio, riqueza que poderia significar a redenção da economia mineira e nacional, foi entregue, através de operação bilionária e ilegal, a empresa estatal japonesa, Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um fundo de investimento coreano que representa os interesses da China. Este é o final de um ruidoso conflito instalado no centro do Poder de Minas Gerais que vem sendo, nos últimos dois anos, de maneira omissa e silenciosa, testemunhado pelo governador Antônio Anastásia.

Desde 2002 o então governador e atual senador Aécio Neves entregou a condução das principais decisões e atividades econômicas do Estado de Minas a Oswaldo Borges da Costa, que assumiu a função estratégica de presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG). Criou um governo paralelo, onde as principais decisões sobre obras e investimentos das estatais CEMIG, COPASA, DER/MG, DEOP e das autarquias de MG ficaram a cargo de “Oswaldinho”.

Para sede da CODEMIG, caminharam nos últimos 10 anos investidores internacionais que tinham interesse no Estado. O Palácio da Liberdade transformou-se apenas em cartão postal e símbolo de marketing publicitário de milionárias campanhas veiculadas na mídia. Por trás deste cenário artificial operou um esquema de corrupção, que contou com a cumplicidade até mesmo da Procuradoria Geral de Justiça, que impedia a atuação do Ministério Público Estadual.

Foi necessária esta longa introdução, uma vez que à imprensa mineira jamais foi permitido tocar neste assunto para que se entenda o que agora, uma década depois, está ocorrendo.

Após a morte do banqueiro Gilberto Faria, casado em segunda núpcias com Inês Maria, mãe de Aécio, iniciou uma disputa entre a família Faria e a mãe de Aécio, sob a divisão do patrimônio deixado. Oswaldo Borges da Costa, casado com uma das herdeiras de Gilberto Faria, passou a comandar inclusive judicialmente esta disputa.

Diante deste quadro beligerante, as relações entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa acabaram, o que seria natural, pois Aécio fatalmente ficaria solidário com sua mãe. Mais entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa é público que existia muito mais, desta forma deu-se início a divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável.

No meio desta divisão estaria “a renda” conseguida e a conseguir através da diferença entre a venda subfaturada e o valor real no exterior do Nióbio. Peça chave neste esquema, a CBMM pertencente ao Grupo Moreira Salles, que sem qualquer licitação ou custo renovou o contrato de arrendamento para exploração da mina de Nióbio de Araxá pertencente ao Governo de Minas Gerais por mais 30 anos. Meses depois venderia parte de seu capital a um fundo Coreano, que representa investidores, não identificáveis.

Para se ter idéia do que significou, em matéria de ganho, a renovação para Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que tem com atividade exclusiva a exploração da mina de Nióbio de Araxá - sem a mina cessa sua atividade - depois da renovação a empresa vendeu 15% de suas ações por R$ 2 bilhões, ou seja, levando em conta apenas o valor de suas ações a empresa valeria hoje R$ 28 bilhões, R$ 4 bilhões a menos que o Estado de Minas Gerais arrecada através de todos os impostos e taxas em um ano. Mas esta operação já havia causado desconfiança principalmente nas forças nacionalistas que acompanhavam de perto a movimentação.

“A CBMM tem o capital dividido entre o "Grupo Moreira Sales" e a "Molybdenium Corporation - Molycorp", subsidiária da "Union Oil", por seu turno, empresa do grupo "Occidental Petroleum - Oxxi", muito embora seja fácil deduzir a prevalência do grupo alienígena, pelo histórico do banqueiro Walther Moreira Sales, tradicional "homem de palha" de capitalistas estrangeiros, inclusive de Nelson Aldridge Rockefeller, que tanto se intrometeu na política do Brasil”, afirmou à reportagem do Novojornal o Contra-Almirante Reformado Roberto Gama e Silva.

Acrescentando: “Circula por aí versão segundo a qual só as jazidas de nióbio dos "Seis Lagos" valem em torno de 1 trilhão de dólares. Necessário esclarecer que por sua localização e facilidade de exploração a jazida de Araxá vale muito mais que a “Seis Lagos”.

Evidente que o Ministério Público mineiro já está investigando esta renovação do arrendamento celebrado pela CODEMIG, porém, ela nada significa perto do crime praticado contra a soberania nacional que foi a venda de parte das ações da CBMM, dando poder de veto a uma empresa estatal japonesa. Foi uma operação cheia de irregularidades com a questionável participação de órgãos que deveriam fiscalizar este tipo de operação como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), subordinado ao Ministério da Justiça.

A operação foi aprovada em prazo recorde e com base em um parecer de folha única, que desrespeitou toda legislação existente no País. A menor das irregularidades cometidas foi conceder “Confidencialidade” aos termos da operação aprovada. Foi desrespeitada a determinação legal para que não ocorra a cassação da autorização da sociedade estrangeira funcionar no País; esta deverá tornar público todos os seus dados econômicos, societários e administrativos, inclusive de suas sucursais (art. 1.140, CC).

E mais, conforme constante do artigo 1.134 do Código Civil, se faz necessária para que a sociedade estrangeira possa funcionar no território brasileiro prévio exame da legitimidade de sua constituição no exterior e a verificação de que suas atividades não sejam contrárias a ordem pública no Brasil.

O Poder Executivo poderá, ou não, conceder a autorização para uma sociedade estrangeira funcionar no Brasil, estabelecendo condições que considerar convenientes à defesa dos interesses nacionais (art. 1.135, CC). Segundo a assessoria de imprensa do CADE, na tramitação da analise foi-se observado o regimento, evidente que um regimento não pode se sobrepor a lei.

Nada disto foi observado e agora, a exemplo da briga instaurada entre as famílias Faria e Neves, o divorcio entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa fatalmente se transformará num dos maiores escândalos da historia recente do País e poderá levar Minas Gerais a perder a propriedade sobre a jazida de Nióbio.

Principalmente as Forças Armadas veem promovendo gestões para federalizar, a exemplo da Petrobras, a exploração de Nióbio. Relatórios confidenciais da Abim e da área de inteligência do Exército demonstram como operou o esquema criminoso de subfaturamento montado pela CODEMIG/ CBMM, através da Cia de Pirocloro de Araxá. A assessoria de imprensa da CBMM, da CODEMIG e do senador Aécio Neves foram procuradas e não quiseram comentar o assunto.

O assunto “Nióbio” é amplo, não tendo como esgotá-lo em apenas uma matéria, desta forma Novojornal publicará uma série de reportagens ouvindo as diversas áreas envolvidas no tema.

Nota da Redação (atualizado às 15:26 de 21/12/2012)

O valor da venda de 15% da CBMM, ao contrário dos R$ 2 bilhões de reais, constante na matéria, foi de US$ 2 bilhões de dólares. Desta forma, 100% das ações da CBMM equivalem a US$ 28 bilhões de dólares, levando em conta que a arrecadação total anual do Estado de Minas Gerais é de R$ 32 bilhões de reais, o valor das ações da CBMM representa quase o dobro do arrecadado.

(US$ 28 bilhões de dólares x R$ 2 reais = R$ 56 bilhões de reais)

Exploração

O Ministério Público de Minas Gerais já estuda a apuração dos episódios relativos à exploração das jazidas de nióbio em Araxá, informou o promotor Leonardo Barbabela, acrescentando que “não pode faltar um aprofundamento para se saber com clareza quem explora e se isto pode ferir de alguma forma a soberania nacional”.

Para o promotor mineiro, o fato da secretária de Estado norte americana, Hilary Clinton, haver declarado que Araxá é área de interesse estratégico dos Estados Unidos da América do Norte “por si só não é um problema. O Brasil também tem interesses estratégicos voltados para diversos países da América Latina e do continente africano”.

Para Leonardo Barbabela, em se tratando de um metal raríssimo que só o Brasil pode fornecer para o mundo, o essencial é que os preços a serem cobrados pela venda “sejam justos, de acordo com o real valor do metal, estabelecidos pelo Brasil, com muita verdade sobre a forma como ele é alienado ou explorado e sem perdas de valores”.

- Aparece aí a necessidade do Ministério Público, que estuda a questão, adotar alguma medida em relação a tal fato.

Leonardo Barbabela defende a criação, de acordo com o Artigo 173 da Constituição Brasileira que diz: “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”, de um “organismo federal nos moldes da Petrobrás destinado a exploração do nióbio em qualquer parte onde ele exista no território brasileiro”.

Para ele, os recursos obtidos com uma venda a preço justo e sem ferir a soberania brasileira de um metal tão valioso para o futuro, inclusive da humanidade, pois sem o nióbio não podem ser fabricados foguetes para a exploração espacial, turbinas de aviões e outros artefatos, “devem obrigatoriamente servir ao coletivo do povo brasileiro melhorando todas as suas condições de vida”.

O promotor Leonardo Barbabela explica que o contexto “conduz para uma forte atração para o âmbito do governo federal”, mas ressalva achar “de muita importância” que qualquer ação futura neste sentido “tenha a participação do Ministério Público de Minas Gerais junto ao Ministério Público Federal”.

Além do mais, o promotor Leonardo Barbabela entende que a questão deve ser amplamente discutida com o envolvimento de todos quantos possam contribuir para a elaboração de uma decisão adequada, entre outras sugestões propondo ouvir cientistas, as principais universidades brasileiras, representantes das Forças Armadas e o pessoal do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Conflitos previstos - Em meados da década de 70 recebi uma pauta do extinto “Jornal de Minas” para cobrir a exploração da hematita da Serra do Curral por parte da Minerações Brasileiras Reunidas – MBR – na Serra do Curral, agora tombada pelo patrimônio histórico e símbolo de Belo Horizonte, a Capital dos mineiro. Na verdade, o maior outdoor do mundo, pois a confirmar que “a fé remove montanhas” e “se Maomé não vem à montanha, a montanha vai a Maomé”, a MBR sucessora da Hanna Corporation e da Bethlehem Steel veio à montanha e, ferindo interesses brasileiros, a removeu para grupos econômicos estrangeiros situados fora do País.

Ao cumprir a minha pauta fui tomado pela mão pelo professor Osório da Rocha Diniz que se transformou, além de amigo, em pai, professor e guru, iniciando-me a respeito dos assuntos ligados com a espoliação das riquezas brasileiras iniciada com o comércio do Pau Brasil, passando pelo Ciclo do Ouro até chegar à vedete da hora, o nióbio. O assunto rendeu e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais instaurou uma CPI da MBR, requerida pelo então deputado estadual Jorge Orlando Flores Carone (MDB), que concluiu que os governos brasileiro e mineiro tomavam muitos prejuízos, inclusive a extinta Estrada de Ferro Central do Brasil chegando a pagar para transportar o minério, o que consta do relatório da CPI elaborado pelo ex-deputado Gerardo Renault (Arena). As previsões do professor Osório da Rocha Diniz, inexplicavelmente cassado pelo golpe civil militar de 64, ele, um dos responsáveis pela criação da Petrobrás, da implantação da Refinaria Gabriel Passos, em Betim, e igualmente um dos fundadores da Faculdade de Economia da UFMG e da Escola de Engenharia Kennedy, nacionalista de peso ao lado de Bauptista Vidal e tantos outros, agora ganham corpo na blogosfera.

Do blog do desembargador paulista Laércio Laurélli, retiramos para postagem um texto sobre o tema publicado pelo site carioca “Tribuna da Imprensa” em toda a sua íntegra:

“Nióbio, o metal que só o Brasil fornece ao mundo. Uma riqueza que o povo brasileiro desconhece, e tudo fazem para que isso continue assim.

Recebemos do comentarista Mário Assis Causanilhas este artigo sobre o nióbio, sem a menção do órgão de comunicação, site ou blog de onde foi extraído. Por sua importância, decidimos postá-lo aqui na Tribuna da Imprensa, para conhecimento de nossos comentaristas e leitores. (Carlos Newton, editor do blog)

Júlio Ferreira

A cada vez mais no dia-a-dia, o tema é abordado em reportagens nas mídias escrita e televisiva, chegando a já ser alarmante. Como é possível que metade da produção brasileira de nióbio seja subfaturada “oficialmente” e enviada ao exterior, configurando assim o crime de descaminho, com todas as investigações apontando de longa data, para o gabinete presidencial?

Como é possível o fato do Brasil ser o único fornecedor mundial de nióbio (98% das jazidas desse metal estão aqui), sem o qual não se fabricam turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais elétricas e super aços; e seu preço para a venda, além de muito baixo, seja fixado pela Inglaterra, que não tem nióbio algum?

EUA, Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro. Como é possível em não havendo outro fornecedor, que nos sejam atribuídos apenas 55% dessa produção, e os 45% restantes saíndo extra-oficialmente, não sendo assim computados.

Estamos perdendo cerca de14 bilhões de dólares anuais, e vendendo o nosso nióbio na mesma proporção como se a Opep vendesse a 1 dólar o barril de petróleo. Mas petróleo existe em outras fontes, e o nióbio só no Brasil; podendo ser uma outra moeda nossa. Não é uma descalabro alarmante?

O publicitário Marcos Valério, na CPI dos Correios, revelou na TV para todo o Brasil, dizendo: “O dinheiro do mensalão não é nada, o grosso do dinheiro vem do contrabando do nióbio”. E ainda: “O ministro José Dirceu estava negociando com bancos, uma mina de nióbio na Amazônia”.

Ninguém teve coragem de investigar… Ou estarão todos ganhando com isso? Soma-se a esse fato o que foi publicado na Folha de S. Paulo em 2002: “Lula ficou hospedado na casa do dono da CMN (produtora de nióbio) em Araxá-MG, cuja ONG financiou o programa Fome Zero”.

As maiores jazidas mundiais de nióbio estão em Roraima e Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Raposa – Serra do Sol), sendo esse o real motivo da demarcação contínua da reserva, sem a presença do povo brasileiro não-índio para a total liberdade das ONGs internacionais e mineradoras estrangeiras.

Há fortes indícios que a própria Funai esteja envolvida no contrabando do nióbio, usando índios para envio do minério à Guiana Inglesa, e dali aos EUA e Europa. A maior reserva de nióbio do mundo, a do Morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), é conhecida desde os anos 80, mas o governo federal nunca a explorou oficialmente, deixando assim o contrabando fluir livremente, num acordo entre a presidência da República e os países consumidores, oficializando assim o roubo de divisas do Brasil.

Todos viram recentemente Lula em foto oficial, assentado em destaque, ao lado da rainha da Inglaterra. Nação que é a mais beneficiada com a demarcação em Roraima, e a maior intermediária na venda do nióbio brasileiro ao mundo todo. Pelo visto, sua alteza real Elizabeth II demonstra total gratidão para com nossos “traíras” a serviço da Coroa Britânica. Mas, no andar dessa carruagem, esse escândalo está por pouco para estourar, afinal, o segredo sobre o nióbio como moeda de troca, não está resistindo às pressões da mídia esclarecida e patriótica.

Cada um que tire suas conclusões…”
via Carlos Campos
Nióbio: População brasileira desconhece o tema, mas governos do Japão e dos EUA não
www.brasiliaempauta.com.br
Apesar de boa parte da população brasileira não saber do que se trata, a venda e exploração do Nióbio no município mineiro de Araxá é objeto de desejo de países como Estados Unidos e Japão e de investigação pelo Ministério Público em Minas

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A guerra no Mali

O país é um Eldorado de urânio, ouro, petróleo e minerais estratégicos
por R. Teichman
O governo francês declarou que:
... enviaria 2500 soldados para apoiar a tropa do governo do Mali no conflito contra rebeldes islamistas. A França já deslocou cerca de 750 soldados para o Mali e aviões franceses chegaram a Bamako na manhã de terça-feira ... 
Continuaremos a instalação de forças no terreno e no ar ...
Temos um objetivo. Assegurar que quando deixarmos [o país], quando finalizarmos nossa intervenção, o Mali está seguro, tem autoridades legítimas, um processo eleitoral e não há mais terroristas a ameaçar o seu território... [1]
Avião cargueiro inglês transportando tropas francesas para o Mali (Foto Russia Today)
Assim, esta é a narrativa oficial da França e daqueles que a apoiam. E naturalmente isto é amplamente relatado na imprensa-empresa. 
A França é apoiada por outros membros da OTAN. O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, confirmou que os EUA estava fornecendo inteligência às forças francesas no Mali. [2]
Blindado francês transitando no Mali (Foto Russia Today)
O Canadá, a Bélgica, a Dinamarca e a Alemanha também apoiaram publicamente a incursão francesa, prometendo apoio logístico no esmagamento dos rebeldes. [3] 
Soldados franceses preparam munição no Mali (foto Russia Today)
Se acreditarmos nesta narrativa seremos enganados mais uma vez acerca das razões reais. Uma olhadela aos recursos naturais do Mali revela do que realmente se trata.  
Recursos naturais do Mali [4]  
Ouro: O Mali é o terceiro maior produtor da África, com exploração em grande escala em andamento. O país é famoso pelo seu ouro desde os dias do grande Império Maliano. Na peregrinação a Meca do Imperador Kankou Moussa, em 1324, a sua caravana transportava mais de 8 toneladas de ouro! O Mali portanto tem sido um país mineiro durante mais de meio milênio. 
Atualmente há sete minas de ouro em operação no Mali, as quais incluem: Kalana e Morila no Sul do país, Yatela, Sadiola e Loulo no Ocidente, e minas que recentemente recomeçaram a produzir, nomeadamente Syama e Tabakoto. Projetos de exploração avançada incluem: Kofi, Kodieran, Gounkoto, Komana, Banankoro, Kobada e Nampala.  
Urânio: sinais encorajadores e exploração em plena atividade. A exploração está sendo executada por várias companhias com indicações claras de depósitos de urânio. O potencial de urânio localiza-se na área de Falea, a qual abrange 150 km2 da bacia Falea-Guiné do Norte, uma bacia sedimentar neoproterozoica assinalada por anomalias radiométricas significativas. Pensa-se que o potencial de urânio em Falea é de 5000 toneladas. O Projeto Kidal, na parte Nordeste do Mali, com uma área de 19.930 km2, abrange uma grande província geológica cristalina conhecida como L'Adrar Des Iforas. O urânio potencial no depósito Samit, só na região de Gao, é estimado em 200 toneladas.  
Diamantes: O Mali tem potencial para desenvolver sua exploração de diamantes. Na região administrativa de Kayes (Região mineira 1), foram descobertos trinta (30) filões quimberlíticos dos quais oito mostram traços de diamantes. Cerca de oito pequenos diamantes foram encontrados na região administrativa Sikasso (Sul do Mali).
Pedras preciosas:
-Círculo de Nioro e Bafoulabe: Granadas e minerais magnéticos raros
-Círculo de Bougouni e Bacia Faleme: Pegmatite
-Le Gourma: granadas e coríndons
-L'Adrar des Ilforas: pegmatite e minerais em metamorfose
-Zona Hombori Douentza: quartzo e carbonatos  
-Minério de ferro e manganês: Recursos significativos mas ainda não explorados. Segundo estimativas o Mali tem mais de 2 milhões de toneladas de reservas potenciais de minério de ferro localizadas nas áreas de Djidian-Kenieba, Diamou e Bale.
-Bauxita: as reservas são estimadas em 1,2 milhão de toneladas, localizadas em Kita, Kenieba e Bafing- Makana. Traços de manganês foram encontrados em Bafing-Makana, Tondibi e Tassiga.
-Depósitos de rocha calcárea: 10 milhões de toneladas est. (Gangotery), 30 milhões est. (Astro) e Bah El Heri (Norte de Goundam) 2,2 milhões de toneladas est.  
-Cobre: potencailidades em Bafing Makan (Região Ocidental) e Ouatagouna (Região Norte)
-Mármore: Selinkegny (Bafoulabe) 10,6 MT de reservas estimadas e traços em Madibaya
-Gesso: Taoudenit (35 MT est.), Indice Kereit (Nord de Tessalit) 0,37 MT est.
-Caulim: Potential de reservas estimadas (1MT) localizado em Gao (Região Norte)
-Fosfato: Reserva localizada em Tamaguilelt, produção de 18 mil t/ano e um potencial estimado de 12 milhões de toneladas. Há quatro outros depósitos potenciais no Norte, de 10 milhões de toneladas.
-Chumbo e zinco: Tessalit na Região Norte (1,7 MT de reservas estimadas) e traços em Bafing Makana (Região Ocidental) e Fafa (Norte)
-Lítio: Indicações em Kayes (Região Ocidental) e potencial estimado de 4 milhões de toneladas em Bougouni (Região Sul)
-Xisto betuminoso: Potencial estimado em 870 milhões de toneladas, indicações encontradas em Agamor e Almoustrat na Região Norte.
-Linhita: Potential estimado em 1,3 milhão de toneladas, indicações encontradas em Bourem (Região Norte)
-Sal gema: Potencial estimado de 53 milhões de toneladas em Taoudenni (Região Nore)
-Diatomite: Potencial estimado de milhões de toneladas em Douna Behri (Região Norte)
O potencial petrolífero do Mali já atrai interesses significativos de investidores  
O potencial petrolífero do Mali tem sido documentado desde a década de 1970 quando pesquisa sísmica e perfurações esporádicas revelaram indicações prováveis de óleo. Com o crescente preço mundial dos recursos de petróleo, o Mali avançou a sua promoção e pesquisa para a exploração, produção e potencial exportação do petróleo. O Mali também poderia proporcionar uma rota de transporte estratégica para as exportações de petróleo e gás sub-saarianas para o Ocidente e há a possibilidade de conectar a bacia Taoudeni ao mercado europeu através da Argélia. 
Já começaram trabalhos de reinterpretação de dados geofísicos e geológicos efetuados anteriormente, centrando-se em cinco bacias sedimentares no Norte do país incluindo: Taoudeni, Tamesna, Ilumenden, Ditch Nara e Gao.  
O que há realmente
Não importa o que seja dito na imprensa-empresa: o objetivo desta nova guerra não é outro senão despojar mais um país dos seus recursos naturais, assegurando o acesso aos mesmos das corporações internacionais. O que está a ser feito agora no Mali através de bombas e balas está sendo feito à Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha através da escravização pela dívida.  
Mapa com os locais bombardeados pela França-OTAN

O povo sofre e morre  
O The Guardian-UK - informou há dois dias [5]:
“O custo humano ainda não foi calculado, mas um comunicado lido na televisão do estado sábado passado diz que pelo menos 11 malianos foram mortos em Konna.
Sory Diakite, o presidente da municipalidade de Konna, afirma que entre os mortos havia crianças afogadas depois de se lançarem a um rio numa tentativa de escapara às bombas.
Outros foram mortos nos pátios das suas casas, ou fora delas. O povo tentava fugir à procura de refúgio. Alguns afogaram-se no rio. Pelo menos três crianças lançaram-se ao rio. Tentavam nadar para o outro lado. E tem havido danos significativos da infraestrutura”, disse o presidente, que fugiu da cidade com a sua família e agora está em Bamako.
Quem sabe qual será hoje o total de mortes?  
Deus ajude o povo de qualquer país com recursos naturais a serem explorados.
Mali bombardeado 
17/Janeiro/2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

91% se sentem inseguros.

17 anos de tucanato

Quem é o poste que vai se eleger na Chuíça (*) em 2014 ?

Faz 17 anos que os tucanos governam a Chuíça.

E não têm uma política de Segurança Pública.

Mantiveram a política do “pau neles” do regime militar.

Tem Pior Salario Do Brasil, o “salário PSDB” de policiais.

Deu nisso.

Clique aqui para ler “Homicídios caem no Rio. Chuíça (*) prende PMs”.

Note, amigo navegante, que a “corrupção da polícia” da Chuíça (*) é a maior causa de insegurança.

E que o Governo Federal é a instituição em que a população mais confia.

O Governo tucano vem em quinto.

Até um poste verdadeiramente poste ganha em 2014 !

Saiu no Jornal Flit Paralisante, com informações da pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo:

Insegurança aumenta e 91% acham pouco seguro viver em São Paulo



por Marina Novaes

Direto de São Paulo

O aumento da criminalidade em São Paulo, registrado nos últimos meses, fez com que a sensação de insegurança do paulistano atingisse seu maior nível desde 2008. De acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo (ONG criada para buscar melhorias para a capital paulista), divulgada nesta quinta-feira, 91% dos entrevistados consideram pouco ou nada seguro viver na capital paulista – em 2008, eram 87%, sendo que o menor índice foi em 2010 (84%).

O dado faz parte dos Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), que avalia anualmente vários aspectos que impactam sobre a qualidade de vida dos moradores da maior capital do país. Segundo o coordenador executivo da organização não governamental, Maurício Broinzi Pereira, o grau de satisfação com a segurança foi o que caiu, em um ranking que avalia 25 aspectos.

“A pesquisa captou o momento que São Paulo vive. O resultado reflete os impactos dos acontecimentos dos últimos meses”, avaliou o coordenador executivo. Ao todo, 46% classificaram a capital paulista como “pouco segura” e outros 45% a avaliaram como “nada segura” – no ano anterior, esse índice era de 35%. Apenas 9% dos entrevistados disseram se sentir seguros, sendo que a opção “muito segura” não passou de 0%.

Questionados sobre do que mais têm medo, 71% dos entrevistados responderam a “violência em geral”; 63% disseram temer “roubos e assaltos” e 41% afirmaram ter medo de “sair à noite”. Já ao serem questionados sobre quais medidas deveriam ser feitas para diminuir a violência, a resposta mais citada foi “combater a corrupção na polícia e nos presídios”, seguida por “criar oportunidades de trabalho para jovens de baixa renda” e “aumentar o número de policiais nas ruas”.

O aumento da sensação de insegurança e a crescente onda de crimes e assassinatos no Estado motivaram a ONG a elaborar um manifesto, entregue ao prefeito Fernando Haddad (PT), pedindo o combate à violência “na raiz de suas causas”. Embora o texto aborde a relação entre a Polícia Militar (e outros órgãos de segurança) e a sociedade, o manifesto foca o debate na geração de oportunidades de educação e trabalho e na falta de estruturas de lazer, cultura e esporte na periferia o que, na avaliação do movimento, são a “base” do problema.

“As periferias de São Paulo sofrem com um total vazio de equipamentos culturais, lazer e de educação, principalmente do ensino médio, e com a falta de oportunidades de trabalho. (…) Mais de 250 mil jovens entre 15 e 19 anos estão fora do ensino médio, e o índice de desemprego entre 15 e 24 anos é elevado. (…) Isso é a base do problema. O que nós propomos são medidas – de curto, médio e longo prazo -, para enfrentar a violência na raiz de suas causas, e não focar só no combate à criminalidade, para que os jovens tenham mais alternativas que não sejam o crime”, explicou o coordenador executivo da ONG.

A Rede Nossa São Paulo já solicitou ao governo de São Paulo e ao Ministério da Justiça audiências com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o ministro José Eduardo Cardozo para entregar o mesmo manifesto e discutir outras ações para reduzir a violência no Estado.

Vontade de mudar A amostra também revela que piorou, de modo geral, a percepção dos paulistanos em relação à qualidade de vida. Ao todo, apenas 38% disseram que a vida melhorou pouco – no ano anterior, esse percentual era de 44%. Mais da metade (56%) ainda afirmou que, se tivesse oportunidade, sairia de São Paulo – esse índice vem se mantendo estável.

Ao todo, oito em cada 10 paulistanos estão insatisfeitos com a qualidade de vida na cidade – o maior índice pior desde 2009. Dos 169 itens avaliados, 28 receberam nota acima da média, dois deles estão na média e 139 ficaram abaixo da média, segundo a pesquisa.

Também diminuiu a satisfação dos paulistanos em relação à saúde. Um dos pontos mais críticos foi em relação ao tempo de espera para consultas e exames nos serviços públicos: para consultas, o tempo de espera passou de 52 para 66 dias; para exames, de 65 para 86 dias; para procedimentos mais complexos (internações e intervenções cirúrgicas), de 146 para 178 dias.

O levantamento também mediu a satisfação com a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), sendo que 17% consideraram a administração municipal ótima ou boa; 48% a avaliaram como regular e 35% a consideraram ruim ou péssima. A Câmara Municipal também foi mal avaliada: 46% a avaliaram como ruim ou péssima, 39% como regular e apenas 11% como ótima ou boa.

O instituto ouviu 1.512 moradores de São Paulo entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2012. Ao todo, 58% dos entrevistados nasceram em São Paulo e, dos 42% que não nasceram, 82% moram há mais de 10 anos na cidade. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos


Clique aqui para ver a íntegra da pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nova São Paulo

Tabela da pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo (página 68)

Tabela da pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo (página 71)


Tabela da pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo (página 82)


O que a elite pensa sobre o resto da humanidade

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cotistas são 44% do Sisu. Que horror!

Pobre “passou no Vestibular”! A Casa Grande treme!



Saiu na Agência Brasil:

Cotistas são 44% dos inscritos no Sisu


Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Levantamento do Ministério da Educação (MEC) aponta que quase metade dos candidatos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) se inscreveram por meio da Lei de Cotas, aplicada pela primeira vez no sistema. Do total de 1.949.958 inscritos, 864.830 optaram pelas vagas destinadas a cotas raciais e socioeconômicas. O número corresponde a 44% dos inscritos no Sisu.

Entre os estudantes inscritos no Sisu pelas cotas, 349.904 candidatos se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e 193.238 alunos se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas – independentemente do critério da renda familiar. Baseado no critério da renda familiar abaixo de 1,5 salário mínimo, foram 168.243 alunos inscritos. No critério referente apenas aos estudantes que fizeram o ensino médio na rede pública, foram inscritos 153.445 candidatos.

Com a reserva progressiva de vagas em quatro anos, a Lei de Cotas destina, este ano, 12,5% do total de vagas do ensino superior para estudantes que concluíram o ensino médio na rede pública, alunos com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, além de garantir o acesso aos alunos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Em 2014, o percentual de reserva sobe para 25% do total. Em 2015, serão 37,5%. O prazo para o cumprimento total da lei termina em 30 de agosto de 2016, quando 50% das vagas serão reservadas para as cotas.

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o número de inscritos no sistema de cotas “foi um salto extraordinário”. “Oitenta por cento dos alunos que concluem o ensino médio são da rede pública, eles terem feito quase metade das inscrições no Sisu é um passo bastante importante”, disse.

De acordo com Mercadante, o desempenho dos cotistas foi semelhante ao dos alunos inscritos na ampla concorrência. A nota de corte dos alunos cotistas em medicina (geral) ficou em 761,67 pontos, enquanto a nota de corte da ampla concorrência foi 787,56 pontos. Para pedagogia, por exemplo, a nota de corte dos cotistas ficou em 591,58, e a da ampla concorrência, 598,08 pontos. Em licenciatura, a nota de corte dos cotistas foi 606,45 pontos e a registrada pela ampla concorrência ficou em 627,51 pontos.

Liberdade no capitalismo...

Como funciona o poder judiciário

Laerte

Documentário: O veneno nosso de cada dia


Você sabia que anualmente milhões de pessoas tem intoxicações agudas e que mais de 200 mil pessoas morrem anualmente devido ao uso de agrotóxicos em nossos alimentos? Os produtos químicos estão elencados como os principais causadores de doenças como Parkinson e Alzheimer, vários tipos de cãncer, assim como doenças do sistema nervoso, imunológico e reprodutivo.
O pior de tudo é que os estudos que definem quais os índices diários aceitáveis de agrotóxicos em nossa alimentação estão sob a influência de corporações que fabricam os mesmos.
Da mesma forma, outros produtos químicos, como o aspartame e o glutamato monossódico, colocados em nossos alimentos são aprovados, pondo em risco a saúde humana em nome dos enormes lucros das corporações, que possuem estreitas relações financeiras com os agentes públicos que deveria regulá-los.. 





Mentira em massa

Bolsa Familia é um fracasso. No PiG

A educação e a saúde melhoraram. A mortalidade infantil diminuiu. A Fome acabou. Isso é que é ser “refém” !


O Cebrap era um centro de análise e planejamento – até que o Farol de Alexandria, seu fundador, assumiu a Presidência.

Aí, o Cebrap confundiu-se com os diversos tons de cinza e treva que ofuscaram o Governo do Farol.

Agora, pretende ressurgir da letargia.

Sempre com a tarefa de fornecer ideias ao Farol – aquele que iluminava a Antiguidade e se extinguiu num terremoto chamado Lula.

Neste domingo, o Estadão dedica e capa e três páginas ao Bolsa Família, ancorado em pseudo-analises de planejamento do Cebrap.

É um ataque em pinça, o do Estadão.

Uma equipe foi a Guaribas, no interior do Piauí, onde o Nunca Dantes lançou programa, em 2003.

Outra foi ao jazigo do Cebrap.

Em Guaribas, a Panzer-Division fez uma descoberta extraordinária: a cidade de 4 mil habitantes ganhou água encanada, agências bancárias, uma unidade básica de saúde (que horror !), mais escolas (que horror !), ruas calçadas, os índices de mortalidade infantil e analfabetismo caíram (que horror !), o aproveitamento escolar das crianças subiu (que horror !), e a fome desapareceu (assim não dá ! Isso é uma desgraça !).

Mas, mas, é o “mas” da editoria “o Brasil é uma m…” que infesta o PiG (*) e especialmente o jornal nacional.

Mas…

Mas, diz o Estadão, falta emprego.

E, por isso, Guaribas “permanece refém dos programas e renda”.

“Refém”!

Refém do fim da fome, do cuidado à saúde e à educação.

“Refém”, segundo o Houaiss, tem uma conotação militar e outra, que deve ser a dos jênios do Estadão:

- “em situações extremas, aquele que fica, contra a sua vontade, em poder de outrem, como garantia de que alguma coisa será feita.”

Aí entra um jênio do Cebrap, para dar consistência ideológica à ofensiva dos blindados do Estadão contra os pobres de Guaribas.

Diz Alexandre de Freitas Barbosa, responsável por uma pesquisa do Cebrap sobre a miséria que assola o pobre do Bolsa Familia.

“O Governo concentra (sic) recursos neles (programas de transferência de renda) porque é a linha de menor resistência (resistência de quem, cara pálida ? – PHA): garante estatísticas positivas (o amigo prefere “negativas”? ) e DIVIDENDOS ELEITORAIS”.

( Ênfase do ansioso blogueiro.)

Ou seja, o Cebrap não passa de uma extensão, chic, da mulher do Cerra, a notável estadista chilena que foi à Baixada Fluminense, na vitoriosa campanha de 2010, dizer que o Bolsa Família é o Bolsa Vagabundagem.

A malandragem não trabalha, vive às custas do Governo e vota no Governo parece ser a conclusão da “análise e do planejamento” fernandino.

Barbosa reconhece que a pobreza diminuiu e, mais importante, que nos governos do Nunca Dantes e da Dilma houve uma significativa redução do Índice de Gini, ou seja, da desigualdade.

Isso, ele admite.

E, aí, vem a jenial sugestão, o que fazer.

Ah, o Cebrap sabe !

“É preciso mudar o atual padrão de desenvolvimento para outro que permita acumular mais capital, mais produtividade, e permitir que os ganhos do trabalho avancem à frente dos ganhos do capital.”

Jenial !

Então, o Barbosa sugere uma revolução comunista em Guaribas: o Estado acumular capital e tirar dinheiro dos banqueiros para dar aos pobres.

Sensacional !

O Farol de Alexandria fez a volta completa: acabou no comunismo, no sertão do Piauí !

É fácil.

Para acabar com a vil dependência dos moradores de Guaribas, pau nos bancos !

Muito fácil.

Foi exatamente o que fez o Fernando Henrique – o de juros de 45 %.

Sobre a vil dependência, cabe recorrer a estudos recentes, no próprio Piauí, do respeitado professor Otávio Velho, que mostrou como os programas de transferência de renda libertam os pobres dos coronéis políticos.

Outro, que mostrou como o Bolsa Família combate o machismo.

Sem esquecer da consideração de amigo navegante: como exige carteira de identidade e titulo de eleitor pra receber o benefício, o Bolsa Família estimula o analfabeto a votar.

Isso não é uma maravilha ?, amigo navegante ?

Não !

Para o Cebrap, bom é quando o pobre não vota.

E o regime, de preferência, é o parlamentarismo – outra pérola que brotou do Cebrap, quando o Padim Pade Cerra aparecia por lá.

Pobre não tem nada que votar.

Lugar de pobre é na cozinha.

Em tempo:
na primeira página também, o Globo (o 12o. voto do STF) lança uma bomba de nêutron sobre os pobres: “brasileiro é cético sobre o Bolsa Familia”. Tanto assim que, segundo o próprio Globo, 73% deles acham que o Bolsa Familia não deve acabar… A propósito dos elevados propósitos do Globo em relaçao aos pobres, não deixe de ler: “A Globo não conseguiu destruir o Rio”.

Paulo Henrique Amorim

domingo, 13 de janeiro de 2013

A bolha chinesa e a luta desesperada dos banqueiros


por Luiz Carlos Azenha
Richard Duncan é autor do livro The Dollar Crisis, lançado em 2003, que anteviu a crise financeira global deflagrada em 2008 com a implosão do banco de investimentos Lehman Brothers nos Estados Unidos. Em entrevista à revista New Left Review, ele define o capitalismo em que vivemos como a era do “creditismo” e prevê que qualquer regulamentação do sistema financeiro resultará num colapso econômico global, por revelar as falcatruas nas quais o sistema hoje se sustenta. Ele identifica a origem da crise atual na decisão dos Estados Unidos de abandonar o padrão-ouro, que exigia que o país tivesse depositados 25 centavos em ouro para cada dólar impresso pelo Tesouro.
Sugiro a leitura da entrevista completa, muito interessante. Em inglês, aqui.
Trechos que elegemos traduzir:
Primeira parte
Segunda parte
Terceira parte
Quarta parte
New Left Review: Em 2003 você disse que a economia chinesa era uma bolha esperando para estourar. Como você a vê hoje?
Richard Duncan: Uma bolha ainda maior esperando para estourar. Quando eu escrevi The Dollar Crisis, o superávit da China com os Estados Unidos era de U$ 80 bilhões; agora é de U$ 300 bilhões, mas os Estados Unidos não podem continuar a expandir seus déficits comerciais, o que significa que o superávit da China vai cair, criando um ambiente muito mais difícil. Em 2009, quando o superávit chinês foi corrigido significativamente, a manchete foi: 20 milhões de operários perdem o emprego e voltam para casa para plantar arroz.
Aquilo quase estourou a bolha. A resposta do governo chinês foi deixar os bancos chineses aumentarem o total de empréstimos em 60% nos dois anos seguintes. Como resultado deste estímulo maciço, todo mundo emprestou dinheiro e os preços das propriedades dispararam. Mas agora, três ou quatro anos depois, ninguém consegue pagar de volta, o sistema bancário pode estar próximo de um colapso — embora, oficialmente, a taxa de inadimplência seja extremamente baixa — e terá de ser resgatado pelo governo.
Todo o modelo chinês está em dificuldades sérias: eles tem expandido sua produção industrial em 20% por ano faz décadas, e agora há capacidade excessiva de produção em todos os setores. Os norte-americanos já não podem comprar a produção e 80% dos chineses ganham menos de 10 dólares por dia, assim não conseguem comprar o que eles produzem em suas próprias fábricas. Se eles continuarem a expandir sua capacidade industrial, o problema vai apenas piorar. Penso que eles vão ser obrigados a seguir o modelo do Japão, que tem grande déficits de orçamento para evitar que a economia desabe numa depressão; se eles fizerem isso agressivamente, num bom cenário a China talvez tenha crescimento médio de 3% pelos próximos dez anos.
NLR: De qualquer forma, há um potencial mercado para a primeira geração que vai comprar automóveis e máquinas de lavar, em escala maciça — centenas de milhões de pessoas? Não está adiante de nós?
Richard Duncan: Não necessariamente, a não ser que os salários chineses aumentem — gente que ganha 10 dólares por dia não pode comprar uma máquina de lavar; mesmo que pudesse, o apartamento não seria suficientemente grande para caber uma máquina. O desafio é, se os salários chineses atingirem a quantia astronômica de 15 dólares por dia, existem 500 milhões de pessoas na Índia que trabalham por 5 dólares/dia e os empregos vão se mudar para lá. Então, há o risco de uma corrida para o salário mais baixo, a não se que a gente concorde em criar um salário mínimo global.
NLR: Como você vê o estado atual do setor bancário dos Estados Unidos? Em agosto o New York Times soou o alarme sobre o fato de que o cartel de grandes bancos era o único regulamentador do mercado de derivativos de U$ 700 trilhões, mas depois disso parece que se calou.
Richard Duncan: Uma forma de ver o problema é que quem cria a riqueza tem o poder político. Sob o feudalismo, o poder estava nas mãos da aristocracia que tinha terra. Sob o capitalismo industrial, os capitães da indústria controlavam o poder político. Mas nas últimas décadas a riqueza nos Estados Unidos vem da criação de crédito. Quando os bancos criaram mais e mais riqueza, os banqueiros se tornaram influentes politicamente, de forma crescente; no fim dos anos 90 se tornaram incontroláveis. Primeiro repeliram a [lei] Glass-Steagall [que, entre outras coisas, separava os bancos de consumo dos bancos de investimento] e, no ano seguinte, aprovaram uma coisa chamada Commodity Futures Modernization Act, que removeu as regulamentações dos mercados de derivativos e permitiu a eles vender os papéis no varejo quase sem nenhuma regulamentação. Desde 1990, o total de contratos de derivativos aumentou de U$ 10 trilhões, que já era um número grande, para U$ 700 trilhões — o equivalente a 100 mil dólares por pessoa no planeta, ou o PIB global combinado dos últimos 10 anos. Não há nada no mundo que você pode oferecer em garantia para estes contratos de derivativos; o sistema está se tornando cada vez mais surreal. Você pode imaginar o lucro que os bancos conseguem a partir dos U$ 700 trilhões — primeiro criando os derivativos, depois vendendo e usando os papéis para finança estruturada.
Os derivativos são usados basicamente como veículos de jogatina: você pode apostar na direção das taxas de juros ou das commodities, ou qualquer outra coisa. Mas a maior parte dos negócios não é entre setores reais da economia; dois terços são entre os próprios bancos. Noventa por cento dos contratos de derivativos são vendidos no varejo, o que significa que nenhum regulador sabe o que está acontecendo; mas 10% são vendidos em bolsas, portanto sabemos algo sobre eles. Da última vez que olhei, o movimento daqueles 10% — em dinheiro que troca de mãos, todos os dias — era de U$ 4 trilhões. Agora, se os outros 90% venderem da mesma forma — pode ser mais, menos, não sei — isso seria alguma coisa perto de U$ 40 trilhões por dia.
Se houvesse mesmo um imposto bem pequeno nestas transações de derivativos o governo teria uma enorme fonte de renda, imposto que outras pessoas não teriam de pagar. A maior parte dos negócios é fechada em Londres e Nova York, assim não há o risco de mudança — a ameaça de que todo esse negócio mudaria para a China; os chineses não deixariam seus bancos fazerem estas loucuras. Todos os grandes escândalos de contabilidade dos últimos vinte anos —Fannie Mae, Freddie Mac, General Electric — envolveram finança estruturada, com os culpados usando derivativos para manipular seus portfólios e evitar a cobrança de impostos; os bancos ganham grandes tarifas com isso.
Dado o que sabemos sobre mercados desregulamentados e o incentivo da indústria bancária para promover finança estruturada, parece difícil que nestes U$ 700 trilhões não haja todo tipo de fraude acontecendo. Se você fosse um país do Golfo Pérsico, produtor de petróleo — sem dar os nomes — por que você não manipularia o preço do petróleo, com a ajuda de um dos grandes bancos de investimento dos Estados Unidos/ou uma das grandes multinacionais do petróleo, quando ninguém vê o que você está fazendo?  Você fecha contratos que empurram o preço do petróleo para cima e o preço futuro do petróleo empurra para cima o preço à vista. A maioria das commodities é provavelmente manipulada desta forma, sendo o petróleo a mais óbvia.
NLR: O objetivo da lei Dodd-Frank não era acabar com a venda de derivativos no varejo?
Richard Duncan: A Dodd-Frank exigia que os bancos colocassem todos os derivativos em bolsas até a metade de 2011 — mais de um ano atrás. Mas a data foi empurrada para o futuro, sem especificar quando. Em algum momento os reguladores devem ter se dado conta de que, se você colocar tudo à venda nas bolsas, revelaria tamanha fraude e corrupção que todo o sistema implodiria. O valor real dos bancos poderia se revelar algo como menos U$ 30 trilhões — é por isso que não falem, são muito grandes para falir porque estão muito falidos para o governo ser capaz de absorvê-los.
Os bancos deveriam ser obrigados a fazer negócios com derivativos nas bolsas e ter margens de segurança dos dois lados, da mesma forma que quando uma pessoa tem uma conta com um corretor de ações; é ok emprestar dinheiro, mas é preciso ter uma certa margem de segurança; e então, se alguém enfrenta um problema, tem margem suficiente para cobrir as perdas e cair fora. Da forma como é hoje, não é feito através de bolsas, não tem transparência — ninguém sabe quem está fazendo o que — e não há margem de segurança. A indústria reclama que adotar margens sairia muito caro, vai prejudicar os negócios. É como dizer que ter de pagar por seguro de saúde ou seguro da casa própria prejudica meu negócio — mas é o preço da segurança. Se não houver seguro de graça, tem de pagar.
Naturalmente que a indústria está lutando com unhas e dentes, porque já não pode mais criar crédito, já que o setor privado não pode mais assumir dívida; se eles forem forçados a abandonar o proprietary trading nas suas próprias contas, como a regra Volcker exige; se forem forçados a negociar os derivativos em bolsas — então não serão mais a grande fonte de criação de riqueza e seu controle e exercício do poder político será grandemente diminuídos. Eles estão desesperadamente tentando manter sua capacidade de criar riqueza em um ambiente muito difícil. O creditismo é muito menos estável ou sustentável que o capitalismo industrial — e parece estar bem próximo do abismo.
NLR: Então não há esperança de que legislação financeira reforme o setor? Você argumentaria em defesa de sustentar o sistema bancário, porque seria um desastre global se fosse reestruturado?
Richard Duncan: Não diria que não tenho nenhuma esperança nisso, mas é muito difícil, porque teriam de encontrar uma forma de reestruturar o sistema bancário sem causar seu colapso completo e não sei se existe tal fórmula. Não sei o que vai acontecer com o sistema bancário. Não está claro como eles vão continuar lucrando se não podem aumentar a oferta de crédito e não podem expandir a porção sem regulamentação do mercado de derivativos na mesma taxa exponencial. O problema é que se o sistema bancário falir, vai destruir tanto crédito que tudo o mais desabaria, da mesma forma que desabou quando os meios de pagamento foram destruídos em 1930 e 1931. Agora é a oferta de crédito que os formuladores de política estão determinados a impedir que se contraia, pela mesma razão.
Não penso que vão deixar qualquer banco europeu falir. Em novembro de 2011 houve muita conversa sobre a falência dos bancos franceses, mas estava claro que o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional iriam resgatá-los. Caso contrário, o Banco Central dos Estados Unidos socorreria, por exemplo, o Société Générale — se o Soc Gen falir, o Deutsche Bank cai e, em seguida, o J.P. Morgan. Vão todos falir juntos. Então seria o caso de resgatar o Soc Gen — ficaria mais barato que o Banco Central dos Estados Unidos resgatar todo mundo. Não há escolha. Não deu outra, o Banco Central Europeu deu uma cambalhota [mudando sua posição], imprimiu um trilhão de euros e salvou todo mundo. É o que vão continuar a fazer enquanto for possível, porque sabem que do contrário haverá o colapso dos anos 30.
NLR: Trabalhar as formas positivas e negativas do creditismo — parece ser o essencial do que você defende. É o sistema que temos, mas devemos assumir o controle dele, adotar programas de perdão de dívida e estratégias de investimento racional que prometam ser produtivas.
Richard Duncan: Exatamente. Penso que da próxima vez poderemos fazer melhor.