sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os EUA falam grosso, o Brasil não se acovarda


Às vésperas das eleições presidenciais, o governo americano resolveu engrossar com o Brasil e pediu que o país volte atrás na sua decisão "protecionista" de elevar tarifas de importação de bens industrializados, o que poderia gerar perdas para os exportadores americanos. Em carta ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o representante de Comércio Exterior do Executivo americano, Ron Kirk, argumentou que as medidas "vão contra os esforços mútuos" de liberalizar o comércio no âmbito mundial, "erodem" as negociações comerciais multilaterais e prejudicariam "significativamente" as exportações americanas em áreas "cruciais" da sua pauta de exportações.
E ameaça: "Os aumentos de tarifa significativamente restringem o comércio a partir dos níveis atuais e claramente representam medidas protecionistas. Historicamente, tais ações frequentemente levaram os parceiros comerciais a responder na mesma moeda, o que amplificaria o impacto negativo [das medidas]."
O governo brasileiro elevou, em média 12% para 25%, as tarifas pagas sobre cem produtos importados para que entrem no Brasil. Este aumento será aplicado no fim do mês e outra lista de produtos está sendo preparada para outubro. Os aumentos ficam abaixo do teto de 35 % estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). As elevações têm por objetivo proteger a indústria nacional de importados que continuam a entrar no mercado brasileiro, um dos mais atrativos em meio ao passo lento da economia global.
Entretanto, para Ron Kirk, o caráter temporário das medidas "não mitiga o seu efeito prejudicial". O representante americano lembrou que o comércio de produtos industrializados entre o Brasil e os EUA vem ganhando importância. "Para sublinhar este ponto, nossa análise comercial mostra que, no ano de 2011, as exportações de produtos industrializados para do Brasil para os EUA foram mais de cinco vezes maior que as suas exportações de bens agrícolas para os EUA."
A resposta do governo brasileiro foi dura. O chanceler Antonio Patriota reagiu com uma nota em que ironiza o americano, por ter "reconhecido a legalidade" das medidas brasileiras. Ele afirma que o Brasil não abrirá mão de adotar todas as medidas que a OMC permitir e acusa os EUA de ser o real causador de danos ao comércio internacional, com "subsídios ilegais" à agricultura, que causam impactos no Brasil e nos países mais pobres da África. O ministro acusa também os EUA de prejudicar as negociações comerciais na OMC com "medidas protecionistas".
Também o ministro da Fazenda, Guido Mantega, bateu fortemente nos EUA: "O Brasil é chamado de protecionista. Isso não é correto. Não somos”, disse. “Argentina, Reino Unido, Estados Unidos e China o são”, comparou em discurso que fez em Londres, num evento da revista "The Economist". Depois, em entrevista coletiva disse: “É um absurdo os Estados Unidos chamarem o Brasil de protecionista”. Segundo Mantega, os EUA são muito mais protecionistas que o Brasil, especialmente porque tomaram não apenas medidas claras nesse sentido, mas também porque suas rodadas de afrouxamento quantitativo desvalorizam o dólar e beneficiam as exportações americanas.
A troca de acusações entre Brasil e Estados Unidos mostra como a diplomacia evoluiu nesses últimos anos de governo petista e a autoestima do país se elevou. Fosse antes, nos tempos neoliberais de FHC e sua turma - os mesmos que agora tentam um golpe branco para voltar ao Palácio do Planalto -, a coisa toda já estaria resolvida - a favor dos americanos, é claro.
Pensando bem, não haveria a menor chance de haver um conflito, já que a turminha neoliberal já teria acabado com o Mercosul e revivido a Alca ou então assinado um tratado comercial com os Estados Unidos, no qual o Brasil se encarregaria de fornecer a mão de obra barata para os "empreendedores" de lá se fartarem de lucros.
Alguém tem saudades daquela época? 
post do cronicas do mota

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dilma enfrenta os bancos mas não enfrenta o PiG

Por que o Lula e a Dilma ganham a eleição e não tomam o Poder ?

Numa mesa de restaurante no Rio, dois renomados jornalistas italianos, dois igualmente renomados jornalistas brasileiros e um professor de Ciência Política.

Era uma tentativa inútil de explicar aos visitantes como Lula e  Dilma ganham eleição mas não tomam o Poder.

Uma comparação com a Itália de Massimo D’Alema, mas o caso brasileiro é mais complexo.

D’Alema está longe de ser a figura carismática e popular do Lula.

E os tucanos de São Paulo – o centro do Golpe – estão longe ter as raízes que Berlusconi deitou na classe média italiana.

A conversa marchava em direção a nada, até que o professor de Ciência Política resolveu ir embora.

E, antes de se levantar, disse:

A Dilma enfrenta os bancos mas não enfrenta o PiG (*).

Paulo Henrique Amorim

Milho transgênico tratado com herbicida aumenta incidência de câncer em ratos


sugerido pela Ana Reis, no Facebook, que nos ofereceu link para o Le Nouvel Observateur

Transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer em ratos

Estudo revelou que ratos alimentados com milho geneticamente modificado morreram mais rápido. Cientistas afirmam que resultados de pesquisa são alarmantes
AFP | 19/09/2012 12:21:16 – Atualizada às 19/09/2012 12:26:09
do IG
Os ratos alimentados com organismos geneticamente modificados (OGM) morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência do que os demais, destaca um estudo publicado nesta quarta-feira (19) pela revista “Food and Chemical Toxicology”, que considera os resultados “alarmantes”.
“Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos”, explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.
Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.
Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto.
Durante o estudo, o milho fazia parte de uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar nos Estados Unidos.
“Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e maior durante o consumo dos dois produtos”, afirmou Seralini, cientista que integra ou integrou comissões oficiais sobre os alimentos transgênicos em 30 países.
“O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)”, explica o cientista.
Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.
Os pesquisadores descobriram que 93% dos tumores das fêmeas são mamários, enquanto que a maioria dos machos morreu por problemas hepáticos ou renais.
O artigo da “Food and Chemical Toxicology” mostra imagens de ratos com tumores maiores do que bolas de pingue-pongue.
“Com uma pequena dose de Roundup, que corresponde à quantidade que se pode encontrar na Bretanha (norte da França) durante a época em que se espalha este produto, são observados 2,5 vezes mais tumores mamários do que é normal”, explica Seralini.
O diretor do estudo disse ainda que os transgênicos agrícolas são organismos modificados para resistir aos pesticidas ou para produzi-los e lembrou que 100% dos transgênicos cultivados em grande escala em 2011 foram plantas com pesticidas.
“Pela primeira vez no mundo, um OGM e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo do que haviam feito até agora as agências de saúde, os governos e as indústrias”, disse o coordenador do estudo.
Segundo Seralini, os efeitos do milho NK603 só foram analisados até agora em períodos de três meses. Alguns transgênicos já foram analisados durante três anos, mas nunca até agora com uma análise em tal profundidade, segundo o cientista.
Também é a primeira vez, segundo Seralini, que o pesticida Roundup foi analisado em longo prazo. Até agora, somente seu princípio ativo (sem seus coadjuvantes) havia sido analisado durante mais de seis meses.
“São os melhores testes que podem ser realizados antes dos testes em humanos”, explicou ainda.
O estudo foi financiado pela Fundação CERES, bancada em parte por cerca de 50 empresas, algumas delas do setor da alimentação que não produzem OMG, assim como pela Fundação Charles Leopold Meyer pelo Progresso da Humanidade.

De golpe em golpe, a Casa Grande se perpetua

 
Escrito por Paulo Metri   
Qui, 20 de Setembro de 2012

Até que enfim o Brasil está destravando. Agora, vai ser para valer. Depois do julgamento do mensalão, teremos o do mensalão mineiro, aqueles derivados das operações Satiagraha, Castelo de Areia, Vampiro... Operações da Polícia Federal, até hoje sem conseqüências judiciais, mas cheias de descobertas escabrosas, não faltam. O Ministério Público Federal e a Procuradoria Geral da República vão ter muito que fazer nas suas áreas de competência, pois cuidarão de diversos processos para encaminhar aos Tribunais. Os potenciais fichas-sujas, que sempre estiveram escondidos nos trâmites burocráticos, coloquem suas barbas de molho, pois seus períodos de impunidade estão prestes a terminar.

Quem sabe se, agora, o réu confesso Ronivon Santiago não vai conseguir a paz? Ele queria, salvo engano, expiar sua culpa, pois confessou ter vendido por R$ 200.000 seu voto parlamentar em troca de apoiar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo reportagem da Folha de São Paulo de 13/5/1997. Os preços mínimos e o modelo de privatização, que levaram as empresas estatais a serem privatizadas por preços muito baixos no período FHC, podem ser investigados. Aliás, para este caso, o livro “Privataria Tucana” pode vir a ser útil.

Há pouco tempo, circulou na internet um correio com uma extensa lista de escândalos sem solução do Brasil nos últimos anos. Assim, muitos dos processos, que dormem em pilhas há anos, com o beneplácito dos “engavetadores”, vão ser acordados. Depois desta “passada a limpo”, não haverá mais denúncia sem a devida averiguação e a eventual abertura de processo.

Neste ponto do sonho, me acordam e jogam contra mim a dura realidade, que chega a doer. Existirá tão somente este julgamento, o do suposto mensalão. Portanto, não é um processo global de respeito à Justiça. É um julgamento único, que também deve existir, e como em todos os julgamentos, nele, a justiça também deve prevalecer. Aliás, a eventual culpa dos que podem estar comprometendo todo um belo projeto de libertação dos miseráveis deve ser punida.

Entretanto, espantos relevantes existem. Só este processo? Julgado exatamente no presente momento, quando se está próximo da eleição municipal, que certamente irá influenciar os rumos da campanha presidencial de 2014? Com razoável celeridade, por sinal bem vinda, mas incomum na nossa Justiça?

Pode-se até dizer que, para certos grupos políticos, este julgamento veio a calhar, pois os ajuda de montão. As más línguas chegam a lançar versões venenosas, dizendo que é um julgamento encomendado. Não compartilho de tamanha agressão, pois, nesta versão, grupamentos políticos estariam utilizando a justiça como instrumento para chegar ao poder.

Contudo, é verdade que, toda vez que classes menos favorecidas têm alguma melhoria de vida significativa, alguma mais valia deixa de ser usurpada e classes abastadas ficam ligeiramente menos ricas. O prejuízo nem é tão grande, mas, para criar exemplos, este horror precisa ser contido.

Neste momento, os donos do capital chamam, dependendo do momento histórico e do local, forças diversas para socorrê-los. No Brasil, em 1964, foram chamados os militares para auxiliar na perpetuação da má distribuição de renda, que aceitaram a proposta em troca do mando da nação, exceto em qualquer área que comprometesse a lucratividade das classes mais ricas. Ocorreu, assim, um golpe militar.

Recentemente, no Paraguai, foram chamados os próprios representantes da classe dominante, que compõem a quase totalidade dos integrantes do Congresso. Foi um golpe legislativo. Em alguns países, os donos de capital locais se aliam até com forças estrangeiras para dominar seus compatriotas, que não se subjugam à exploração. Tem-se, assim, um golpe militar com apoio de forças estrangeiras.

O golpe dos integrantes da Casa Grande em processo no Brasil, hoje, é tão ardiloso que quem o denuncia é rotulado como pertencente ao PT ou corrupto interessado no perdão dos culpados (assim definidos a priori). Nunca será visto como interessado na continuidade do processo de inclusão social em curso há dez anos. Ou alguém tem dúvida que a paralisação desta inclusão é o passo seguinte após as vitórias eleitorais do grupo conservador, se isto ocorrer?

É óbvio que não podemos retirar os créditos merecidos da mídia caluniosa. As televisões, onde a grande massa brasileira obtém informações, não divulga os verdadeiros fatos, deforma a realidade com versões deturpadas, ludibria, mente, enfim, prejudica a sociedade e está sempre a serviço do capital. Na mídia, existem exceções honrosas, como, por exemplo, a revista Carta Capital. Mas, todo golpe tem suporte midiático.

Sobre este ponto, não me esqueço da imagem recente de um articulista sofrível colocado para ser comentarista de um grande canal de televisão, que falava sobre o mensalão. Assim, tendo que desenvolver o raciocínio que lhe ordenaram, sem grande afinidade com questões jurídicas, era uma figura estranha. Mas não existia inocência nele, pois seu salário certamente é muito alto. Era uma mensagem para o grande público sobre a culpa de José Dirceu, mas com o intuito de constranger os ministros do Supremo, uma vez que os votos destes não poderão fugir ao óbvio ensinado, sob pena de ser algo “muito errado”.

Há esperança de que, mais uma vez, um desenvolvimento tecnológico esteja quebrando um monopólio de controle das mentes. A Igreja perdeu este controle, detido através dos monges copistas, quando publicava só o que era de seu interesse, à medida que Gutemberg inventou a prensa para produção de impressos em série. Atualmente, a internet seria o desenvolvimento tecnológico que permite à população ter acesso a diferentes versões para o que acontece, ou seja, ela mostra um novo mundo escondido pela mídia convencional e corrupta. Afinal de contas, estou sendo lido, agora, graças à internet.

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros e do Clube de Engenharia.
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Marcelo Zero: O ódio irracional a Lula chega aos jogos infantis


O Exterminador do Passado
por Marcelo Zero
Lula terminou seus oito anos de mandato com um nível estratosférico de popularidade, 81%, uma verdadeira façanha política, inédita no Brasil.
Fez por merecer. Em seu governo, o país cresceu bem mais que nos períodos históricos recentes. Foram gerados cerca de 15 milhões de empregos formais, o salário mínimo aumentou 58,4% e houve substancial distribuição de renda. Cerca de 20 milhões de brasileiros saíram da miséria extrema, e outros 33 milhões passaram a consumir bens antes restritos a nossa pequena classe média tradicional.
Ampliaram-se significativamente as oportunidades ofertadas aos que antes eram excluídos. Em agudo contraste com o período anterior, deixamos de depender do FMI e nos tornamos credores dessa instituição. Acumulamos reservas que nos permitem pagar toda a nossa dívida externa e nos dão certa tranquilidade, na atual crise internacional. Lula entregou a sua sucessora um país mais justo e mais forte.
A imensa maioria da população reconheceu essas inegáveis e amplas melhorias e recompensou Lula com índices muito elevados de popularidade. Infelizmente, o mesmo não aconteceu com seu antecessor.
Após assumir o governo com níveis altos de aceitação, graças aos efeitos distributivos de curto prazo do Plano Real, FHC terminou seus oitos anos de mandato com minguados 37% de popularidade. Fez também por merecer, ou desmerecer. Entregou ao seu sucessor um país quase quebrado.
Entretanto, isso não o impediu de, recentemente, escrever um artigo acusando Lula de deixar uma “herança pesada para Dilma”. Qualquer semelhança com o mecanismo psicológico da transferência não é mera coincidência. A presidenta divulgou nota pondo as coisas em sua real perspectiva e, por sua vez, acusou FHC de tentar reescrever a história com ressentimento.
Reescrever a história, eis aí uma atividade em que os setores conservadores estão se esmerando. Com efeito, a julgar pelo que líamos ou ainda lemos sobre o governo Lula nos meios conservadores e dominantes do país, esse período foi o pior da história do Brasil. Nem mesmo a ditadura, perdão, a “ditabranda”, teria produzido, segundo essa ótica distorcida e alienada, resultados tão desastrosos. Os 81% seriam resultado de estupidez coletiva.
Mas não basta reescrever a história. Parece que há também tentativas de simplesmente apagá-la.
Descobri isso de modo surpreendente, brincando com um inocente joguinho para crianças, bastante popular na internet e com presença ubíqua em tablets, smartphones e computadores. Trata-se do Akinator. Nesse jogo, as crianças respondem às perguntas dirigidas de um “gênio da lâmpada”, que acaba, dessa forma, “adivinhando” os personagens famosos nos quais elas estão pensando.
Normalmente, as crianças pensam em personagens fictícios, como heróis de histórias em quadrinhos. Ao final de algumas perguntas, o “gênio”, por um processo de eliminação simples, acaba adivinhando o personagem, que aparece numa imagem. A gurizada acha o máximo.
No entanto, apurei que há personagens reais no banco de dados do jogo, inclusive políticos e personagens históricos. Por curiosidade, induzi o “gênio” a “adivinhar” o Lula. Porém, ao final das perguntas, em vez de aparecer o nome e a imagem do ex-presidente, fui brindado com a seguinte mensagem: “Sei o que (sic!) você está pensando, mas acho que as crianças não devem jogá-lo”.  Levei um susto. Mas como o jogo estava com a opção de proteção infantil ativada, pensei que tal proibição aplicava-se também a outros políticos e personagens reais.
Tentei, então, FHC. Para minha surpresa, o “gênio” mostrou o nome e a imagem sorridente do ex-presidente. Tentei Sarney. Tudo certo, nenhuma restrição. Fiz a experiência com Demóstenes Torres, recentemente cassado. Tudo bem, lá apareceu ele. Resolvi “pegar pesado”. Tentei Mussolini, Hitler e Stálin. Nenhum problema, surgiram todos.
Fiquei estupefato. Os beócios que fizeram a versão brasileira do jogo acham que as crianças do país podem saber quem foram FHC, Sarney, Demóstenes e até mesmo Hitler, Stálin e Mussolini, mas não podem ter conhecimento do Lula. Não devem “jogá-lo”, como dizem autoritariamente em seu péssimo português. Inacreditável.
O gozado é que, quando o joguinho é jogado sem a proteção infantil, o nome de Lula aparece, mas em letras pequenas e sem nenhuma imagem, ao contrário dos outros políticos e personagens aqui mencionados. Qualquer semelhança com a técnica stalinista de apagar as fotografias de desafetos não é mera coincidência.
Parece bobagem, mas não é. Se o ódio irracional a Lula chegou até mesmo a inocentes jogos para crianças, é porque a coisa é muito séria.
Pode-se, é claro, gostar ou não de Lula. Mas querer negar as óbvias realizações de seu governo, ou ainda pior, impedir que seu nome e imagem sejam divulgados, é mais do que alienação. É mais do que revisionismo histórico. É demência política perigosa. Essa demência, nos mostra a História, geralmente conduz aos regimes autoritários e à violência política. Será que é essa a aposta dos que cultivam o ódio a Lula e ao PT?
Brigar com a realidade é muito ruim. Deixar-se levar por ódios e ressentimentos, também. E tentar exterminar o passado e a História, como parecem querer os programadores brasileiros do Akinator, a Veja e outros, é pior ainda. Com toda certeza, isso não dará um futuro melhor às crianças brasileiras. Afinal, quem apaga o passado extermina o futuro.
Me pergunto se o Akinator é popular no Supremo. Espero que não.
*Marcelo Zero, sociólogo, é assessor da bancada do PT no Senado Federal

Kamel foi promovido. Agóóóra a Dilma cai !

Kamel e a Globo estão na contra-face do Brasil.

Saiu no Valor:

Organizações Globo anunciam mudanças na diretoria geral da TV

Por Heloisa Magalhães | Valor
RIO - As Organizações Globo informaram hoje  que Carlos Henrique Schroder assumirá a direção geral da TV Globo a partir de 1º de janeiro de 2013. Segundo o comunicado, Schroder acompanhará o atual diretor-geral Octávio Florisbal na gestão do grupo até assumir o cargo.
Também foi definida a ampliação da atuação da área comercial, com Willy Haas acumulando a Direção de Negócios e de Comercialização da TV Globo, com o propósito de apoiar o desenvolvimento do modelo brasileiro de publicidade. Willy substituirá Schroder em caso de ausência.
O atual diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, sucederá Schroder na Direção Geral de Jornalismo e Esportes e o novo titular da CGJ será anunciado nos próximos dias.
Octávio Florisbal passa, em janeiro, a integrar o Conselho de Administração das Organizações Globo, que passará por uma reformulação e terá seus membros indicados pela assembleia dos acionistas. A sucessão vem sendo discutida entre Octávio e Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, nos últimos anos.
(Heloisa Magalhães | Valor)
Navalha
Este Conversa Afiada sempre disse que o Ali Kamel era o mais poderoso Diretor de Jornalismo da História da Globo.
A Dona do Brasil (em parceria com o Daniel Dantas).
O ansioso blogueiro sabe, porque trabalhou com os outros três.
Este cargo, Diretor Geral de Jornalismo e Esportes, por exemplo, sempre foi a secreta pretensão do Armando Nogueira.
Foi demitido sem conseguir.
A promoção de Kamel é politicamente mais importante do que qualquer articulação no Congresso nacional, no Governo ou na Oposição.
Kamel tem um peso político maior do que qualquer maioria absoluta no Congresso.
Portanto, Kamel vale mais do que os três ministros do Supremo que a Presidenta Dilma nomear.
Afinal, a Globo tem um poder incomensurável sobre o Judiciário brasileiro.
Basta a ver o calendário que a Globo impôs ao Supremo para julgar o mensalão (o do PT).
A promoção significa que, quando o ansioso blogueiro derrota o Kamel na Justiça, derrota, por extensão, a Globo, também.
Clique aqui para ler na aba “Não me calarão”.
Significa, também, que, quando o Kamel move ação na Justiça contra blogueiros sujos, como o Azenha e o Rodrigo Vianna, que o conhece como a palma da mão – clique aqui para ler a carta com que Rodrigo mandou Kamel às favas – por extensão, é a Globo quem o faz.
Kamel é a Globo nua e crua.
Para ajudar a entender a História Contemporânea do Brasil, o Conversa Afiada se propôs publicar uma “Antologia da Treva” – http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/03/13/quem-faz-a-cabeca-da-globo-nao-somos-racistas-nem-brancos/ – , uma seleção de artigos de Ali Kamel.
E começou com um artigo sobre a tese que repousa no coração de Kamel: não somos racistas.
Depois, o Supremo, por 10 a 0, derrotou Kamel e a Globo, com a legitimação da política de cotas raciais nas universidades.
Depois, ainda, o Supremo legitimou a política de reservar 50% das vagas nas universidades públicas a alunos de escolas públicas e, nessa metade, cotas raciais, por região, tem de ser respeitadas.
Ou seja, Kamel e a Globo estão na contra-face do Brasil.
Até a do Brasil que se senta no Supremo !
Mas, não interessa, porque a Globo manda no Brasil.
Ela escreve a sua própria jurisprudência (clique aqui para ler as meditações do Vasco sobre de onde vem o dinheiro privado do Marcos Valeriodantas) .
Logo, não há racismo no Brasil.
O Brasil não precisa do Bolsa Família – outro tema caro ao Kamel.
Como diria meu chefe na Interpress, o Tarso de Castro, agóóóra a Dilma cai !
Paulo Henrique Amorim

Viana: o PSDB é o pai do mensalão. Golpe, não !


Quem vai dar voz ao Lula ?

Porque o PT e as forças que apoiaram o PT por dez anos foram incapazes de fazer uma Ley de Medios e criar meios de divulgação.



O ansioso blogueiro fez essa pergunta quando Lula terminou o segundo mandato: e, agora, quem vai dar voz ao Lula, quando ele apanhar ainda mais ?

Ele não tinha mais o púlpito da Presidência.

Ia ter que apanhar calado.

Porque o PT e as forças que apoiaram o PT por dez anos foram incapazes de fazer uma Ley de Medios e criar meios de divulgação.

Queriam combater o PiG (*) sem uma rádio, um jornal, uma emissora de tevê.

Deu nisso: o Supremo cita o Thomas Jefferson a torto e a direito, quando é para enforcar o Lula.

Quando ele diz que não houve mensalão, ninguém cita.

Aí, o  pecado capital do PT, extraido do Viomundo do Azenha: o  maior pecado do PT

Beto Almeida: O pecado capital do PT




por Beto Almeida, no Independência Sulamericana

Qualquer movimento popular que chega ao poder, pelas armas ou pelo voto, tem como preocupação central expor ao povo as razões de sua luta, suas motivações, suas energias fundamentais, seus propósitos, suas alianças, seus programas, suas estrategias e, principalmente, suas ações práticas, voltadas para atender os pressupostos básicos de sua filosofia política, em atendimento evidente à realidade segundo a qual a luta política é, essencialmente, luta de classes, que se expressa no controle político do Estado.

Por isso, a providência imediata do movimento político antes e depois de chegar ao poder é o lançamento de sua própria publicação, tornando-a mais visivel possível no plano da comunicação pública, de modo a disputar, no mercado das idéias, o seu lugar, engajando-se na luta ideológica.

É uma ingenuidade imaginar que se chega ao poder e nele se possa permanecer sem que as ideias que chegaram ao poder não disponham de um canal essencial para que sejam difundidas, em vez de esperar que essa tarefa seja realizada pela mídia sustentada, fundamentalmente, pelo capital bancário especulativo, por exemplo, como é o caso brasileiro, ao longo de toda a Nova República, substituta do regime militar, sob orientação do Consenso de Washington, ainda, predominante, nas suas formulações ideológicas.

Essas idéias são antigas e foram elas que levaram Getúlio ao suicídio, em 1954, como alternativa política para lutar contra a desnacionalização econômica.

O lulismo-dilmismo, no poder, tenta manter uma estratégia nacionalista, utilizando os bancos estatais como porta-estandarte, que, agora, os próprios europeus, em colapso econômico, buscam imitar, como demonstra o reporter Assis Moreira, no Valor Econômico, nessa segunda feira.

Igualmente, Barack Obama, no início da bancarrota financeira, em 2008, tentou o mesmo, defendendo um banco de fomento americano para reverter a financeirização econômica desregulamentada, para salvar a economia sufocada pela especulação bancocrática privada.

Por não ter controlado o sistema financeiro e imposto uma estatização do crédito, para sustentar a produção e o consumo, o colosso capitalista imperialista se encontra em apuro total.

Vale dizer, a solução de Getúlio Vargas, que criou o BNDES e o colocou a serviço dos investimentos no capitalismo nacional, continua sendo a luz pela qual os cegos se buscam pautar, enquanto a grande mídia anti-nacional, entreguista, bancocrática, insiste na sua loucura antinacionalista, tentando anular, politicamene, os agentes dessa estratégia, como foi o caso de Lula e, agora, de Dilma.

Getúlio Vargas é solução global no plano econômico e político.

Cadê a imprensa nacionalista que o PT não criou para fazer o que a ULTIMA HORA, criada por Getúlio e editada por Samuel Wainer, fez em defesa dos interesses populares?

Tremendo vacilo histórico da esquerda. Infelizmente, o PT não entendeu até hoje que O PODER POPULAR EXIGE UM JORNAL POPULAR, maior lição de comunicação deixada por Getúlio, que jamais pagou para apanhar.

Uma suposta reportagem da Veja, na qual o publicitário Marcos Valério, sem dar entrevistas, “revelaria” seus segredos em que “incriminaria” Lula como o responsável pelo chamado  mensalão — uma grosseira montagem — faz surgir novamente, com força,  a necessidade de um jornal popular, democrático, de massas.

Sem ele, as forças progressistas ficam reféns, inertes e sem qualquer capacidade de resposta diante da verdadeira campanha de demolição de Lula, do PT e dos valores políticos defendidos pelas forças populares.

Nos países em que há governos populares na América Latina, foram criados mecanismos de comunicação popular, seja com nova leis de comunicação, como na Argentina, Venezuela e Equador, fortalecendo a TV e o rádio públicos, mas também houve  o florescimento de jornais populares com capacidade de fazer a batalha de idéias com a imprensa conservadora sistematicamente sintonizada com as ideologias e os interesses dos EUA, e dos oligarcas nativos.

No Brasil já houve um jornal, cuja criação foi estimulada pelo Presidente Vargas, o Última Hora, que foi  sufocado após o golpe de 1964.

A decisão recente da Secom de inverter a política de distribuição descentralizada das verbas publicitárias federais da era Lula, que alcançavam numerosas cidades, veículos, inclusive os de menor porte, é um retrocesso. Favorece  os conglomerados de mídia que estão em campanha permanente, sonhando com a desestabilização do governo Lula e agora da Dilma, e também com a inviabilização definitiva de Lula, com a novela do mensalão.

É pagar para apanhar.

Enquanto isso, não se fortalece a comunicação pública e estatal, prevista na Constituiçao, pois o governo não avança na aplicação do artigo 224 da Constituição.

Nem é preciso esperar um novo marco regulatório para isto, é preciso aplicar o princípio constitucional na distribuição de novas concessões de rádio e tv que privilegie a comunicação pública, visando claramente alcançar o equilíbrio com a comunicação privada, escandalosamente predominante, seja em número de concessões, seja no maior bocado de verbas publicitárias — recursos públicos — que o governo lhe presenteia.

São exatamente estes conglomerados, representantes do capitalismo informativo/desinformativo, que querem golpear a Voz do Brasil, programa que enorme audiência, talvez o único a fornecer informações sem o crivo deformado do mercado para uma grande massa de brasileiros, em todos os grotões deste país, massa que é praticamente proibida da leitura de revistas e jornais.

É preciso apoiar a decisão da Liderança do PT na Câmara Federal, que retirou este projeto apadrinhado pela ABERT da pauta de votações.

Sua aprovação seria grave retrocesso no direito de informação do povo brasileiro e um golpe contra uma experiência positiva e concreta de regulamentação informativa hoje em prática no país.

Para completar, TVs e Rádios comunitárias são impedidas do acesso a mídias institucionais.

Porém, havendo decisão política, o sonho de um novo jornal como o Última Hora, não é algo tão inalcançável.

Aliás, os congressos do PT já aprovaram a construção de um jornal de massas. Só falta aplicar. Quem elege três vezes um presidente da república, tem força e apoio para esta nova empreitada democratizadora, indispensável, urgente.

"Acorda, esquerda brasileira!" .


por Célvio Brasil Girão

Está mais do que na hora da esquerda mostrar os dentes. Chega de levar

bordoadas sem rebater. Chega de engordar carrascos e alisar inimigos. A direita

joga de forma suja, na base do vale-tudo.

O País, com Getúlio e depois com Jango, sofreu por anos com esta canalha.

A oposição e a mídia golpista precisam levar umas cotoveladas pra se recolherem

aos seus devidos lugares:

- Já passa do tempo de se implantar uma Ley de Medios e de rever os custos com

publicidade com os órgãos do PIG;

- está na hora de impor a ida do Civita e do Policarpo na CPI do Cachoeira;

- urge pressionar o STF para julgar o mensalão tucano;

- a "Privataria Tucana", tem que deixar de ser apenas um livro e virar uma peça

acusatória da maior roubalheira que este país conheceu em sua história.

- é tempo de se preparar para "colocar o bloco na rua" e estar pronto para o que

der e vier quando necessário.

Acorda, Dilma. Acorda PT. Acorda esquerda brasileira!

Não querem deixar o Lula fazer política

O objetivo do artigo mentiroso publicado por Veja é afastar Lula das eleições de 2014 e 2018.
Saiu no Vermelho:

O ataque de Veja contra Lula: a mentira e a mistificação



O objetivo do artigo mentiroso publicado por Veja não é a moralidade ou a ética, mas criar condições jurídicas para afastar Lula das eleições de 2014 e 2018.

Por José Carlos Ruy

Aqueles que, credulamente, ainda pensam que os jornais e revistas do PIG (Partido da Imprensa Golpista) têm o objetivo de informar e debater questões públicas relevantes, podem encontrar, na edição desta semana do panfleto direitista chamado Veja, um desmentido para estas esperanças e farto material pedagógico sobre a maneira como agem. São instrumentos da luta de classes dos ricos contra os pobres, onde os cães de guarda dos interesses dominantes investem contra os setores progressistas, democráticos e nacionalistas num combate político cuja arma é a mentira e a difamação.

O repórter, autor da matéria, e o diretor da revista afirmam ali, candidamente, que as graves denúncias feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão baseadas no ouvir dizer, em “revelações de parentes, amigos e associados” do empresário Marcos Valério, que extravasaria a eles seu inconformismo por sua condenação no processo do chamado “mensalão”. Acusação ouvida do próprio Marcos Valério – e esse é o critério não só do bom jornalismo, mas também da boa investigação criminal – nenhuma! Aliás, o próprio advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, prontamente desmentiu as mentiras da revista da família Civita e afirmou que seu cliente não conversou com nenhum jornalista.

O artigo calunioso sustenta que Lula teria se encontrado com o publicitário Marcos Valério, quando presidente da República, para acertar detalhes do chamado “mensalão”, que envolveria uma quantia muito maior do que a atribuída no julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal, alcançando R$ 350 milhões.

Não é a primeira vez que Veja é pega na mentira, que tem sido a norma da revista nos últimos anos e não apenas em matérias políticas mas também em outras áreas. Há um ano, no início de setembro de 2011, ela divulgou uma matéria de capa sobre um medicamento para diabetes que, assegurava, levaria seus usuários a emagrecimento em tempo recorde; foi um escândalo tamanho, de repercussões negativas sobre a saúde pública, que a Anvisa precisou intervir e obrigar a revista a se desmentir. Os ecos da matéria mentirosa e da intervenção da Anvisa foram ouvidos inclusive em academias de ginástica onde pessoas ainda crédulas se manifestavam indignadas com a irresponsabilidade e as mentiras da revista.

A série de mentiras é longa; ela envolve, só para lembrar algumas, o acolhimento das acusações feitas por um bandido contra o ministro do Esporte Orlando Silva Jr (e, em consequência, contra o PCdoB) ou a fantasiosa “revelação” de que Lula teria pressionado o ministro Gilmar Mendes, do STF, pelo adiamento do julgamento do chamado “mensalão”, que foi imediatamente desmentida pela terceira pessoa que participou do encontro durante o qual a pressão, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

São antecedentes mentirosos que não contam para os paladinos do conservadorismo e do neoliberalismo na mídia comercial. Um dos mais notáveis deles, o comentarista Merval Pereira, de O Globo, foi logo para o ataque afirmando a possibilidade de uma denúncia contra Lula, com base nas acusações falsas de Veja. Outros – como Ricardo Noblat – foram na esteira dele, e no mesmo tom.

É a volta do coro conservador e neoliberal, com um objetivo muito claro e definido. Desde a crise de 2005 estes comentaristas sabem que não conseguem enganar o povo. Foram derrotados pelo voto popular nas eleições de 2006 e depois em 2010, e seus partidos e candidatos enfrentam dificuldades imensas nas eleições municipais desde então. O PSDB minguou e a voz de seus caciques, ouvidas nos salões chiques de São Paulo, Rio de Janeiro, Londres ou Nova York, não repercutem mais ali onde de fato interessa: no meio do povo, que vota e escolhe os governantes.

A tática que parecem adotar, perante este quadro de dificuldades eleitorais para seu renegado programa neoliberal e para aqueles que o representam, é tentar inviabilizar juridicamente uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2014 ou 2018. Para aqueles que aceitavam apenas um mandato para Lula – o primeiro, de 2003 a 2006 – o quadro que se apresenta é politicamente aterrador ao indicar a quase inexorável perspectiva de um domínio de mais de vinte anos das forças democráticas, progressistas e patrióticas sobre a Presidência da República.

Daí a ideia “genial”: condenar Lula como o chefe do chamado “mensalão” e ganhar, no tapetão, aquilo que não conseguem alcançar no voto, a exclusão do líder sindical e operário de futuras disputas eleitorais.

É difícil que tenham êxito, como mostra a reticência dos presidentes dos dois principais partidos da direita neoliberal — o PSDB e o DEM –, Sérgio Guerra e José Agripino, diante de qualquer iniciativa jurídica contra Lula a partir de bases tão frágeis quanto a mentira relatada por Veja.

A luta é política; é luta de classes, e a direita (com seus cães de guarda da mídia) investe – nunca é demais repetir – na única e esfarrapada bandeira que alega sustentar, a defesa da moral e da ética. O caráter mentiroso dessa defesa fica claramente exposto quando se vê o comportamento dessa mesma mídia diante de acusações mais graves e sólidas contra o tucanato e seus governos, como se viu no eloquente silêncio a respeito das denúncias feitas no livro A Privataria Tucana, no qual o jornalista Amaury Ribeiro Júnior denuncia as falcatruas do governo de Fernando Henrique Cardoso, ou diante do acúmulo de denúncias do envolvimento do jornalista Policarpo Jr, diretor de Veja em Brasília, com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Para a mídia e para os tucanos o objetivo não é alegada moralidade, mas a criação de condições para sua volta ao poder. Como se fosse possível no Brasil de hoje!

O poder da mídia conservadora é inegável, e grande. É o poder da classe dominante brasileira, fortalecido inclusive com contribuições do próprio governo federal. Dados divulgados na semana passada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República mostram que, dos R$ 161 milhões gastos em publicidade desde o início do governo de Dilma Rousseff, R$ 50 milhões foram apenas para a TV Globo; a Editora Abril recebeu R$ 1,6 milhão (R$ 1,3 milhão para publicidade em revistas e R$ 300 mil na internet).

Esse poder se defronta hoje com um protagonismo popular mais acentuado; os velhos “formadores de opinião” claudicam ante o despertar do povo brasileiro e, sem propostas claras e objetivas, amparam-se em mentiras e na calúnia. Precisam olhar a história: em batalha semelhante, na década de 1950, a mídia conservadora e antidemocrática investiu contra o presidente Getúlio Vargas com a mesma fúria com que hoje ataca as mesmas forças democráticas, progressistas e patrióticas que dirigem o governo federal.

O fracasso daquela investida ficou clara na derrocada da principal revista da época, O Cruzeiro, notável pela mesma capacidade de mentir e caluniar hoje protagonizada por Veja. Em outubro de 1954, logo depois do suicídio de Vargas, a tiragem de O Cruzeiro ainda era de 700 mil exemplares; poucos meses depois, em fevereiro de 1955, caiu para 660 mil e seguiu em queda livre até 1965, quando ficou na faixa dos 400 mil exemplares, e continuou caindo (os dados estão num livro cujo título é apropriado: Cobras Criadas: David Nasser e O Cruzeiro, do jornalista Luiz Maklouf Carvalho).

A direita e os conservadores precisaram de um golpe militar, em 1964, para impor suas teses e massacrar a democracia que se fortalecia.

Os tempos mudaram e a direita, hoje, mantém o poder do dinheiro e da mídia mas perdeu a capacidade de mobilização popular e de respaldo dos quartéis para seus projetos anacrônicos, antidemocráticos e antipatrióticos. Restam a ela, como armas, a mentira e a mistificação.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Rodrigo Vianna: Dilma, a ilusão de um acordo com a mídia






por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador
Já nos primeiros meses de governo, tudo estava claro. O governo Dilma significou um movimento rumo ao centro. Parecia uma estratégia inteligente, como escrevi na época aqui: Lula tinha já o apoio da “esquerda” tradicional – com sindicatos, movimentos sociais e também a massa de eleitores de baixa renda beneficiados pelos programas sociais. Dilma avançou para o centro, com acenos para a classe média que preferira Serra e Marina em 2010. A agenda “técnica” e a “faxina” são a face visível desse giro ao centro. Não é à toa que Dilma alcançou mais de 80% de aprovação.
Mas ela não fez só isso. Abriu mão de conquistas importantes dos anos Lula: houve retrocessos na Cultura e na área Ambiental, pouca disposição para dialogar com os movimentos sociais, nenhuma disposição para qualquer avanço na área de Comunicações. São apenas alguns exemplos.
Concentro-me nesse último ponto:  o Brasil tem uma legislação retrógrada e um mercado de mídia dominado por meia dúzia de famílias. Não é só um problema de falta de concorrência, mas um problema político – na medida em que essas famílias  impedem a diversidade de opinião e interditam o debate no país.
No segundo mandato, Lula percebeu a necessidade de mexer nessa área; convocou a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) e encomendou a Franklin Martins um novo Marco Regulatório para o setor. Dilma preferiu o silêncio, mandou o ministro Paulo Bernardo guardar o projeto de Franklin numa gaveta profunda.
Dilma foi a festinhas em jornais e TVs, logo após a posse, e aceitou as pressões da velha mídia para  barrar a investigação da “Veja” e de Policarpo na CPI do Cachoeira. O governo foge do confronto. Ao mesmo tempo, entope de anúncios – e de dinheiro- as empresas que são as primeiras a barrar qualquer tentativa de avanço no país – como escreveu Paulo Henrique Amorim.
A turma que cuida da Comunicação no governo Dilma parece dividir-se em duas: uma tem medo da Globo e da Abril,a outra quer garantir empregos na Globo e Abril quando terminar o mandato.
Dilma segue popular. Mas a base tradicional lulista está ressabiada.
A velha mídia e os tucanos perceberam a possibilidade de abrir uma cunha entre Dilma e o lulismo. A estratégia é simples: poupa-se Dilma agora, concentra-se todo o ódio no PT e em Lula. Com PT e Lula fracos, ficará mais fácil derrotar Dilma logo à frente.
A presidente, pessimamente aconselhada na área de Comunicações, parece acreditar na possibilidade de uma “bandeira branca” com a mídia. Não percebe que ali está o coração da oposição.
A velha mídia, derrotada por Lula em 2006 e 2010, mostra que segue fortíssima com esse episódio do “Mensalão”. Colunistas de quinta categoria pautaram os ministros do STF, capas da “Veja” e manchetes do “JN” empurraram o julgamento para as vésperas da eleição municipal. O STF adota uma linha “nova” para o julgamento, que rompe com a jurisprudência adotada até aqui, e  aceita indícios como elementos para a condenação.
Evidentemente que – nesse episódio do chamado “Mensalão” - dirigentes do PT erraram feio: está claro que a rede de promiscuidade e troca de favores entre agências de publicidade, bancos privados e entes públicos precisava ser investigada e punida. Não era “mensalão”, mas era ilícito.
O que chama atenção é o moralismo seletivo da Justiça e da velha mídia. Querer transformar o arranjo mambembe – e desastrado – feito pelo PT de Delúbio Soares no  “maior escândalo da história republicana” é quase uma piada.
O fato é que a velha mídia ganhou esse jogo até aqui. Outro fato: ninguém acredita que “indícios” serão suficientes para condenar mensalões tucanos, nem banqueiros ou publicitários que tenham se lambuzado em operações com outras forças políticas. Não. O roteiro está preparado para condenar o PT. E só isso. É parte da estratégia de retomar o Estado brasileiro.
No dia em que o julgamento começou, Dilma anunciou o tal “pacote de concessões” para a iniciativa privada, na área de infra-estrutura. Não foi à toa. Era como se a presidenta tentasse se desvincular: o “velho PT” vai pro banco dos réus; ela não, é “moderna” e confiável. Hum…
Imaginem Zé Dirceu condenado. Na manhã seguinte, o alvo será Lula. Consolidado o ataque a Lula, as baterias estarão voltadas contra Dilma. Rapidamente, a sucessora de Lula perceberá que a ilusão de um trato “republicano” com a velha mídia brasileira não era nada além disso: ilusão.
Será que Dilma deu-se conta do erro que é apostar na lua-de-mel com os conservadores? Afinal, bateu pesado em FHC, quando este último escreveu sobre a “herança” pesada que Lula teria deixado pra ela. Mas e a relação com a mídia? Preocupante saber que Dilma teria confirmado presença no Congresso da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Trata-se de uma espécie de  Instituto Millenium, maior e mais articulado em todas as Américas. FHC e Marina estarão lá na SIP. Se Dilma também for,  o círculo estará fechado.

sábado, 15 de setembro de 2012

Implosão neoliberal ressuscita o fascismo


"Coisa que passa, qual é o teu nome"?

Setembro de 2012:


1) A 'Falange', organização de extrema direita, criada em 1933 por Primo de Rivera, uma milícia que serviu como capanga do franquismo, está de volta às ruas naquela que é a sua especialidade histórica: provocar a violência contra os movimento sociais. Os fascismo espanhol programou uma manifestação para este sábado, em Madrid, no mesmo dia em que organizações sociais e sindicatos fazem um ato público contra o 'ajuste' imposto pelo governo do PP. A palavra de ordem da Falange é: 'O nome da crise é Democracia'.
2) Inspetores do comissariado do euro e do FMI desembarcam em Atenas para exigir do governo grego a adoção da semana de trabalho de seis dias, com liberalidade para o patronato impor uma carga diária de 11 horas.
3) A direita no poder em Portugal corta a contribuição previdenciária dos patrões e eleva a dos empregado de 11% para 18%, em média; a manobra equivale, na prática, à expropriação do 13º salário dos trabalhadores.
4) O Banco Central Europeu não mede recursos e malabarismos para garantir liquidez à banca ,mas o facão da austeridade na zona do euro ameaça os 204 bancos de alimentos que garantem comida de 19 milhões de europeus em pleno século XXI.
5) 116 milhões de europeus vivem atualmente na ante-sala da pobreza: 2 milhões mais que em 2010.
6) A democracia no pós-guerra, ao contrário do que diz a palavra de ordem macabra da Falange, deu a solução para a crise ao disciplinar os mercados para abrir espaço aos direitos sociais. O desmonte progressivo do Estado do Bem-Estar Social, a partir dos anos 70, com Tatcher , e a rendição socialdemocrata generalizada (indagada sobre a sua maior obra, a dama-de-ferro respondia: 'Tony Blair'), terceirizou o destino da economia e da sociedade à lógica rentista, origem da crise atual.
7) A Falange, como acontece às vezes com o fascismo e o nazismo, acerta na problemática, mas erra na causalidade e na solução. A democracia, de fato, é a questão central da crise. Mas não porque seja a origem dos problemas gerados pelo capitalismo. Ela é o núcleo do impasse exatamente por ter se enfraquecido a ponto de não servir mais como contrapeso aos impulsos suicidas dos ditos livres mercados.
8) Desarmada pelo conluio entre o conservadorismo político, a ganância financista e a socialdemocracia adestrada no chicote neoliberal, a democracia representativa deixou de ser o canal de transmissão da vontade popular no interior do aparelho de Estado e, sobretudo, na condução da política econômica.
9) As sucessivas rupturas entre os programas sufragados nas urnas e o emparedamento dos eleitos pela 'governabilidade financeira' anularam o poder soberano da democracia representativa, sequestrado pelos bancos, os acionistas, os fundos especulativos, as tesourarias das grandes corporações; enfim, endinheirados em geral que orbitam em torno do capital a juro.
10) O esfarelamento da Falange e dos partidos fascistas no ciclo de alta da financeirização, dos anos 70 até a crise de 2008, decorre justamente dessa substituição do papel coercitivo exercido pelas milícias pela institucionalização do golpe de Estado branco do capital financeiro contra governos, urnas, direitos econômicos e sociais.
11) O ressurgimento da extrema direita agora --e, num certo sentido, a retomada do discurso udenista extremado em terras tropicais-- evidencia o movimento inverso: a implosão desse arranjo que já não consegue subordinar a sociedade aos seus desígnios sem conflitos recorrentes, quase diários,cada vez mais externos a parlamentos obsequiosos, congestionado ruas e praças do mundo.
12) A volta da Falange em provocação aberta ao protesto massivo marcado pelos sindicatos e movimentos sociais para este sábado, em Madrid, certamente não tem o peso e o significado observado nos anos 30. Da mesma forma, o lacerdismo júnior em ação na campanha municipal de São Paulo não se nivela ao titular e ao que ele representou nos anos 50/60. Mas são vapores de um cargueiro que já cruzou alinha do horizonte e apita para se anunciar.
13) O nome da crise é Democracia; mas o sobrenome é capitalismo, turbinado pela intrínseca hegemonia financeira que distingue a sua particularidade universal em nosso tempo; e cuja 'reprodução consensual' entrou em parafuso.
Postado por Saul Leblon

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ESTADOS UNIDOS ATACAM SOBERANIA COMERCIAL BRASILEIRA

“O governo imperialista dos Estados Unidos atacou duramente o Brasil, acusando a política comercial do País de “protecionista”. Para o decadente império, epicentro da crise econômica e financeira mundial, as medidas adotadas pelo governo brasileiro de estabelecer algumas barreiras comerciais são “inconsistentes com os compromissos assumidos pelo Brasil”. A Casa Branca emitiu comunicado assinalando estar “perplexa” com o caminho adotado por Brasília.

O ataque foi feito pelo embaixador dos Estados Unidos para a “Organização Mundial do Comércio”, Michael Punke, um dos principais negociadores comerciais da Casa Branca.

Na semana passada, o Brasil elevou tarifas de importação para cem produtos. Legalmente, o Brasil não violou nenhuma regra. Na OMC, o Brasil tem o direito de elevar tarifas até 35% e, hoje, mantém média de impostos aplicados de cerca de 12%. Segundo a decisão da CAMEX, as tarifas foram colocadas em cerca de 25%.

O jornal “O Estado de S.Paulo”, cujo entreguismo é notório, estampou manchete em sua edição “on line’ na quarta-feira (12) referindo-se ao ataque estadunidense ao Brasil. Praticamente, o jornal da família Mesquita dá razão às acusações do país do Tio Sam, dizendo que o governo Obama ataca o “protecionismo brasileiro”.

O diário paulista informa que os negociadores comerciais consultados por sua reportagem na “Organização Mundial de Comércio” (OMC) alertam que o problema é que o Brasil sinaliza que está indo “na direção contrária” ao que se esperava com a abertura de mercados e das próprias promessas feitas pelo governo no G-20. Pior, informa o jornal, poderia servir de exemplo para outros emergentes, tentados a também elevar barreiras.

O embaixador norte-americano na OMC, em seu destempero, chegou ao ponto de mandar um recado nada diplomático ao Iramaraty: “Estamos extremamente preocupados” (...) “Ficamos perplexos pela direção que o país toma”. A reportagem do “Estadão” indica, ainda, que o embaixador criticou também “a onda de medidas protecionistas na Argentina”.

Entidades como o “Global Trade Alert” já indicaram, em junho, que o Brasil havia sido o país com o segundo maior número de medidas protecionistas desde o começo do ano.O Brasil era superado apenas pela Argentina. Em outro levantamento, a “Câmara Internacional de Comércio” apontou o Brasil como o País mais fechado do G-20.

Com a palavra o Itamaraty e a área econômica do governo da presidenta Dilma Roussef. Mas é preciso responder à seguinte pergunta: nas relações comerciais com o Brasil , os americanos se queixam mesmo de quê? O superávit comercial dos Estados Unidos com nosso País foi, em 2011, de 8,1 bilhões de dólares, algo estranho e raro na atualidade, quando os Estados Unidos são o país mais deficitário do mundo em termos de comércio exterior.

O problema parece ser outro. A importância estratégica, comercial e econômica do Brasil cresceu muito nos últimos anos. Apesar das desigualdades sociais, temos mercado interno pujante e economia com grande potencial de desenvolvimento, o que faz crescer a ambição norte-americana, que só se pode concretizar se tivermos economia fraca, aberta, desregulamentada, desindustrializada, inundada pelos produtos estadunidenses.

O problema é que, se a importância da economia brasileira cresceu, diminuiu a dependência em relação à economia norte-americana. Os Estados Unidos já foram deslocados da posição de primeiro parceiro comercial do Brasil, que perderam para a China.

É preciso, ainda, lembrar que até hoje o imperialismo norte-americano não engoliu a derrota que sofreu com a rejeição da “Área de Livre Comércio das Américas” (ALCA), plano expansionista e neocolonialista que previa a anexação das economias da América Latina e Caribe pelos Estados Unidos. Hoje, a realidade é outra. A integração que vingou foi a do MERCOSUL, UNASUL, CELAC e ALBA, onde decidem países e povos soberanos.

A linguagem e as práticas prevalecentes nos países imperialistas e na OMC continuam sendo as do protecionismo dos países ricos. Os Estados Unidos acham que podem estabelecer barreiras aos aviões da Embraer; ao etanol, essas últimas suspensas apenas recentemente; bloquear Cuba; e impor restrições a países com governos anti-imperialistas. Proteger a economia nacional com barreiras dentro da legalidade da própria OMC é “proibido” de acordo com a lógica imperial.”

FONTE: da redação do portal “Vermelho”

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Santayana quer desarmar Deus

Nada é pior para os capitalistas do que a paz.
A embaixada americana no Yemen


O Conversa Afiada republica artigo de Mauro Santayana do JB online:

É hora de desarmar Deus



por Mauro Santayana

O grande problema de Deus é que não o conhecemos senão na mente e no coração dos homens. E os homens constroem a sua fé com a frágil experiência de seus limitados sentidos, suficientes apenas para o trânsito no mundo em que vivemos. Os olhos podem crescer nos telescópios e ir ao fundo dos universos, ou na perscrutação das moléculas e átomos, mas isso é pouco para encontrar Deus, e menos ainda para construí-lo.

Sendo assim, e desde que há comunidades políticas, o monoteísmo tem servido para identificar ou acerbar as razões ou desrazões nacionais.

O Ocidente judaico-cristão não assimilou a chamada terceira revelação, a de Maomé, embora ela não tenha significado nenhuma apostasia essencial ao hebraísmo. O problema se tornou político, com a expansão dos povos árabes pelo norte da África e a invasão da Península Ibérica. Os islamitas sempre toleraram os cultos judaicos e cristãos nas áreas sob sua jurisdição política, mas a política recomendava aos reis cristãos a expulsão dos árabes da Europa e a guerra, continuada, fosse para contê-los, fosse para fazê-los retroceder ou para eliminá-los.

As cruzadas ainda não acabaram, e se tornaram menos românticas e mais cruéis por causa do petróleo.

Agora, um filme de baixa qualidade técnica e artística – conforme a opinião de especialistas – traz novo comburente às velhas chamas. Sem nenhum fundamento histórico, um fanático israelita (é o que se sabe) produz  película eivada de insultos e ódio contra o fundador do islamismo, como se Maomé tivesse sido o mais infame e desprezível personagem da História. Como o filme foi produzido nos Estados Unidos, a reação imediata foi contra as representações diplomáticas nos países islâmicos. Essa reação, que culminou com a morte do embaixador norte-americano na Líbia, ainda não se encontra contida, e é provável que ainda se agrave, apesar das declarações do governo norte-americano, que busca distanciar-se dos insultos.

Os republicanos, em plena campanha eleitoral, devem ter exultado. A morte do Embaixador (asfixiado no incêndio do Consulado em Benghazi) pode ter sido uma baixa para os seus quadros, mas representa um trunfo contra Obama: sua política não tem conseguido dar segurança absoluta aos cidadãos norte-americanos. É essa a mensagem de Romney ao eleitorado dos Estados Unidos. A resposta de Obama, enviando dois destróieres à Líbia, não foi a melhor para reduzir as tensões; ela pode intensificá-las.

O que o governo de Washington e os republicanos não dizem é que o apoio, incondicional, aos radicais de Israel, que pregam abertamente a eliminação dos muçulmanos do mundo — assim como os nazistas desejavam a eliminação de todos os judeus – estimulam os insultos infamantes ao Islã e a resposta espontânea e violenta dos fanáticos do outro  lado contra aqueles a quem atribuem a responsabilidade maior: os norte-americanos. E há ainda a hipótese, tenebrosa, mas provável, diante dos precedentes históricos, de que as manifestações tenham partido de agentes provocadores dos próprios serviços ocidentais – ou israelistas, o que dá no mesmo.

A mentira de Blair e Bush – dois homens que o bispo Tutu, da África do Sul, quer ver no banco dos réus em Haia – custou centenas de milhares de civis mortos no Iraque e no Afeganistão, e muitos milhares de jovens norte-americanos mortos, feridos, enlouquecidos nos combates inúteis. Nada é pior para os capitalistas do que a paz – e nada melhor do que a guerra, que sempre os enriquece mais, e na qual só os pobres morrem. 

Requião: Não me arrependo de ter extinto a publicidade oficial quando governador do Paraná


Requião cortou todos os gastos com propaganda oficial do Estado, que haviam sido — em valores corrigidos — de R$ 2,5 bilhões nos quatro anos do governo de Jaime Lerner.  Foto: site do senador
por Luiz Carlos Azenha
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) tem feito discursos relevantes no Congresso.
Confessou desencanto com a política, como quando criticou os partidos de esquerda:
Leandro Konder, no seu livro sobre Walter Benjamin, falando sobre o processo de descaracterização dos partidos de esquerda, nas primeiras décadas do século 20, capturados pelo reformismo, pelo economicismo e pelo pragmatismo, observa: “Quando a esquerda evita falar sobre os seus próprios erros e se recusa a discuti-los à luz do dia, ela não está, afinal, se protegendo da direita: está protegendo o conservadorismo que conseguiu se infiltrar no interior dela mesmo”. Alguém tem dúvida de que a citação ajusta-se com perfeição à esquerda brasileira hoje, especialmente à esquerda acantonada no Partido dos Trabalhadores? Ou no PCdoB? Ou mesmo em meu partido, essa frente heterogênea chamada PMDB? Não há dúvida – e alguns acham isso uma virtude — que a esquerda brasileira foi abduzida também pelo economicismo,  pelo pragmatismo, pelo determinismo. Não digo pelo reformismo porque ela é, há muito tempo, essencialmente reformista, tendo abandonado qualquer veleidade revolucionária.
Atacou a “quadrilha da desinformação”, mas também denunciou conluio na CPMI do Cachoeira para proteger a construtora Delta.
Fez piada com o liberalismo brasileiro, que representa o atraso do atraso.
Porém, os discursos do senador peemedebista recebem escassa repercussão na mídia.
Existem dois motivos para isso, segundo Requião: quando governador do Paraná, ele cortou todos os gastos com propaganda oficial do Estado, que haviam sido — em valores corrigidos — de R$ 2,5 bilhões nos quatro anos do governo anterior, de Jaime Lerner.
Investiu em escolas e hospitais (seria uma boa ideia o governo Dilma fazer o mesmo com os R$ 161 milhões que gastou com a mídia em um ano e meio?).
Além disso, também quando governava o Paraná, Requião diz que expulsou do Estado o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o empresário Fernando Cavendish, o que rendeu a ele acusações na revista Veja. Quem assinou a reportagem-denúncia?