quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Governo investe 420 mil Bolsas Famílias na Globo

Quem diz que a Globo entrega a audiência por que cobra é o Globope.


Saiu na Folha (*):

TV lidera recebimento de publicidade federal


Dados divulgados pela Presidência mostram que dez empresas de comunicação concentram 70% da verba distribuída. Mais de 3.000 veículos receberam R$ 161 mi no governo Dilma; Secom afirma que critério adotado é o da audiência

BRENO COSTA
LEANDRO COLON
DE BRASÍLIA

Dados inéditos sobre a distribuição da verba de propaganda do governo federal revelam que dez veículos concentram 70% do dinheiro distribuído para mais de 3.000 veículos de comunicação.

Levantamento feito pela Folha nos dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social, vinculada à Presidência, mostra que, desde o início do governo Dilma Rousseff, mais de R$ 161 milhões foram repassados para emissoras de TV, jornais, revistas, rádios, sites e blogs.

Do total, R$ 111 milhões se concentraram em dez empresas, em especial TVs.

Os números não incluem a publicidade de empresas estatais federais.

A Globo Comunicação e Participações S.A., responsável pela TV Globo e sites ligados à emissora, ficou com quase um terço da verba entre janeiro de 2011 e julho deste ano, R$ 52 milhões. A segunda colocada é a Record, com R$ 24 milhões.


(…)

Navalha
Se o amigo navegante somar toda a verba gasta pelo Governo Federal na Globo – sem incluir os investimentos das estatais, como a Caixa, o BB, os Correios e a Petrobrás, por exemplo – chegará à conclusão de que o Governo Federal põe R$ 55 millhoes na Globo, por ano.
Dá para sustentar 420 mil pessoas no Bolsa Família, num mês.

(O benefício médio mensal é de R$ 134, incluído o Brasil Carinhoso.)

420 mil famílias.
Vezes 4 pessoas por família, 1 milhão e 700 mil pessoas.
Quando o ansioso blogueiro fala em Globo, fala na Rede Globo de TV, Globo Participações, Globosat Programadora, Radio Globo São Paulo, Infoglobo (jornal O Globo), jornal Valor (de que a Globo é sócia), Globo Comunicação (internet), e Editora Globo (revista Época).
Tudo somado, o Governo trabalhista da Presidenta Dilma “aplica” no centro do PiG, ou seja, no marco zero do Golpe, R$ 55 milhões por ano.
O Bolsa Família, com o Brasil Carinhoso e o Brasil sem Miséria – tudo somado dá R$ 20 bilhões por ano, ou seja, 0,4% do PIB.
Viva o Brasil !
A TV lidera o recebimento (sic) de publicidade federal, diz a Folha, com uma verba anual de R$ 115 milhões.
A Globo toda somada fica com a metade de toda a verba de publicidade em tevê.
E a Globo é 2/3 de toda a publicidade gasta em outras mídia – rádios, jornais, internet e revistas.
Para que ?
Com que retorno ?
Quem diz que a Globo entrega a audiência por que cobra na tabela de publicidade ?
A Gobo cobra R$ 100 para entregar 50% de audiência.
Quem diz que ela entrega 50% da audiência – e por isso merece os R$ 100 ?
Quem diz que a Globo entrega a audiência por que cobra é o Globope.
Na Argentina, a Presidenta Kirchner demitiu o IBOPE e montou um IBGE para medir a audiência.
A audiência a TV estatal aumentou.
E a da Globo (Clarín) desabou.
(Lá a Presidenta Kirchner tomou o Campeonato Brasileirinho da Globo e distribuiu a todos os canais – inclusive ao estatal.)
Ora, dirá o amigo navegante, a Argentina é de outro continente …
Então, responderia o ansioso blogueiro: por que, então, não copiar o governador Requião, do Paraná, que não investiu um tostão na Globo e aplicou toda a verba da Globo em Educação Pública ?
Por que não realizar o sonho (sic) do candidato a presidente em 2002, o Padim Pade Cerra, que prometeu dobrar o Bolsa Família ?
Simples.
Tira o dinheiro da Globo, dobra o Bolsa Familia e agrada o Cerra !
Rsrsrsrsrsrsrs



Em tempo: se a Folha pretendia abrir os dados da publicidade oficial para saber quanto o Nassif  e o Conversa Afiada mamam nas tetas do Governo Federal, saiu tosquiada. Lamentavelmente, o Conversa Afiada e Nassif são os pigmeus dessa brincadeira. Apesar de suas robustas audiências. Afinal, a SECOM não pode demonstrar partidarismo. Por isso, investe com tanto entusiasmo na Globo, a nossa BBC !

Em tempo2: para ir à lista completa das empresas do PiG em que o Governo Federal investe é só ir ao Blog do Miro.


Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Uma carta aberta a FHC que merece ir para os livros de História

Theotonio dos Santos

- Via Blog do Rovai

Segue uma carta aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor notório saber pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e Rede ONU/Unesco de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen).

O texto é um primor e contribui tanto para entender o quanto o governo do PSDB foi deletério para o Brasil como ajuda a impedir que a mídia tente “lavar branquinho” a história e produzir uma nova versão do que foram os anos FHC.

Theotonio dos Santos: Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos anos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete, contudo, este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender por que você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos de seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. [Se os leitores tiverem interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhes recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000]. Contudo, nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno de seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o Plano Real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. Tivemos em seu governo uma das mais altas inflações do mundo. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição a seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte.

Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos de dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e seu ministro da Economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do País antes de sua desvalorização. O fato é que quando você flexibilizou o câmbio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. Ora, uma moeda que se desvaloriza quatro vezes em oito anos pode ser considerada uma moeda forte? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O Plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha de ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

O segundo mito, de acordo com suas declarações, seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de Economia burlando a boa-fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3% a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste país da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda por que nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999, o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas. Você teve de pedir ajuda a seu amigo Clinton que colocou a sua disposição 20 bilhões de dólares do Tesouro dos EUA e mais uns 25 bilhões de dólares do FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida.

Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa de seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, um fracasso econômico rotundo que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

Gostaria de destacar a qualidade de seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado nosso querido Francisco Weffort (este então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter de revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão de pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo.

Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth), mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.

Theotonio dos Santos

telecomunicações:Síndrome de Jango, aos 50 anos

O poder político das empresas de comunicação – ferozes adversárias das mudanças – atemoriza os governos, tornando-os reféns do atraso. E, o telespectador, vítima da TV, não tem a quem reclamar quando vê uma criança perguntando a uma “celebridade” como foi a sua primeira relação sexual.
por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil, via Carta Maior
Crianças fazendo perguntas de adultos para “celebridades” surgiu como nova atração da Bandeirantes nas noites de domingo. Concorria com Faustão, na Globo; Silvio Santos no SBT e Gugu na Record evidenciando que o controle remoto não serve mesmo para nada. Troca-se de canal mas o nível dos programas continua o mesmo.
A Bandeirantes tentou inovar, sair dos auditórios e das “escolinhas”, e acabou colocando no ar um programa chamado “Conversa de gente grande” que era, no mínimo, constrangedor.
Menores de 12 anos entrevistavam “celebridades” fazendo perguntas – algumas claramente formuladas pela produção do próprio programa – destinadas a provocar risadas nos adultos.
Para Alexandre Frota uma criança perguntou como tinha sido “a primeira vez” do artista. Outra quis saber se Sabrina Sato havia feito “o teste do sofá” para trabalhar na TV.
Como se nota a escolha dos entrevistados e das perguntas enquadra-se perfeitamente no artigo da Constituição que estabelece preferência, nos programas de rádio e TV, para conteúdos com “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.
Diante de tais fatos inúmeras pessoas voltaram a perguntar “o que fazer”? Infelizmente muito pouco. Não há a quem reclamar. No Brasil, ao contrário do que acontece nas grandes democracias do mundo, não existe um órgão regulador capaz de ouvir o público e dialogar com as emissoras.
A existência desse órgão foi prevista em alguns dos 19 ante-projetos de lei para o rádio e a televisão, elaborados desde os anos 1980, mas nunca levados ao Congresso. Continuamos praticamente com a mesma legislação que, no último dia 27 de agosto, completou 50 anos.
Os governos brasileiros sofrem, na radiodifusão, da síndrome Jango. Quando a lei entrou em vigor, João Goulart era o presidente da República. Ele vetou 52 artigos do texto aprovado no Congresso, a maioria favorecendo nitidamente os interesses dos radiodifusores. No entanto, de forma inédita, o Parlamento brasileiro derrubou os vetos presidenciais mostrando uma força que é até hoje inabalável.
Menos de dois anos depois, esses mesmos radiodifusores, aliados a outros setores da mídia, obtiveram uma vitória maior: derrubaram o presidente da República, integrados que estavam ao movimento civil-militar de 1964. Essa talvez seja a razão principal da timidez de todos os governos, desde então, de levarem adiante o debate em torno de uma nova lei para a radiodifusão.
Há 50 anos o Brasil tinha 71 milhões de habitantes e só 5% possuíam um aparelho de TV. Hoje somos quase 200 milhões e a televisão está em 98% dos domicílios. Hábitos, valores e costumes eram bem diferentes. A pílula anticoncepcional não havia sido inventada e nem a mini-saia virado moda. Era um país rural, com 80% da população morando no campo. Hoje é o inverso mas a lei permanece a mesma.
Sem falar das diferenças tecnológicas. O video-tape era a grande novidade permitindo, por exemplo, que Chico Anísio contracenasse com ele mesmo. E os jogos da Copa do Mundo no Chile pudessem ser vistos aqui, no dia seguinte. Tudo em preto e branco.
Uma lei feita para aquele momento é incompatível com os tempos atuais. Por ser tão desatualizada não regula quase mais nada permitindo abusos. Como o aluguel de horários para igrejas, a propriedade de vários meios de comunicação por um mesmo grupo empresarial, a falta de diversidade nas programações, a renovação das concessões de rádio e TV sem debate público, entre outras aberrações.
Diante desse quadro, é óbvia a necessidade de uma lei de meios. Aliás, ela já está pronta há muito tempo. Há contribuições, por exemplo, dos ministros Sergio Motta e Juarez Quadros, dos governos Fernando Henrique e, mais recentemente, do ministro Franklin Martins, no segundo governo Lula.
Mas aí entra em cena a síndrome Jango. O poder político das empresas de comunicação – ferozes adversárias das mudanças – atemoriza os governos, tornando-os reféns do atraso. E, o telespectador, vítima da TV, não tem a quem reclamar quando vê uma criança perguntando a uma “celebridade” como foi a sua primeira relação sexual.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

sábado, 8 de setembro de 2012

Movimento Ocupa Monsanto chama população mundial a participar de atos contra a transnacional






A intenção é fazer com que a transnacional dos transgênicos recolha seus produtos das prateleiras e os leve de volta para os laboratórios
Natasha Pitts
Adital
No próximo dia 17, o movimento “Ocupa Monsanto” realizará em várias partes do mundo um grande protesto contra a maior produtora de transgênicos, a empresa estadunidense Monsanto, e o uso de produtos e organismos geneticamente modificados (OGM). A intenção é fazer com que a transnacional dos transgênicos recolha seus produtos das prateleiras e os leve de volta para os laboratórios, de modo que eles não cheguem até as pessoas para contaminá-las e prejudicá-las.
A principal manifestação acontecerá na cidade de Saint Louis, condado do estado de Missouri (EUA). A concentração será nas "portas do mal”, como é chamada a sede da Monsanto, seus locais de pesquisa e os escritórios da empresa. Também estão previstas ações em mais de 60 cidades da Argentina, Alemanha, Canadá, Filipinas, entre outros países.
"A população está preocupada pela evidência de que os alimentos transgênicos afetam a saúde humana, mas os políticos e as empresas ignoram o protesto político contra os produtos com modificações genéticas para proteger seus grandes benefícios”, assinalou Rica Madrid, de Ocupa Monsanto, ao site do movimento.
As manifestações orquestradas que acontecerão em vários países dia 17 já tiveram uma prévia há seis meses. Em março aconteceu o “Dia de Ação Global” com a realização de atividades em países da África, na maioria dos países da Europa, em toda América Latina, na Austrália e em várias partes da Ásia.
Organizações e ativistas realizaram seus próprios eventos nos lugares escolhidos por eles durante um ou dois dias com o intuito de chamar atenção e fazer com que a transnacional dos transgênicos ouça a voz da população mundial.
Na grande manifestação do dia 17, a intenção é conseguir fazer ainda mais barulho e levar o maior número possível de pessoas para se engajar nas ações. Por isso, além de ser convidada a participar cada pessoa é chamada também a difundir a ação que vai acontecer em sua cidade/país. Nas redes sociais, sites e blogs, o movimento pede que cada pessoa divulgue uma imagem como as palavras ‘Ocupa Monsanto’.
Monsanto
A transnacional Monsanto é responsável pela produção de 90% dos transgênicos plantados no planeta e é também líder no mercado de sementes. Esta posição faz com que a empresa esteja no centro dos debates sobre as implicações da utilização de grãos geneticamente modificados. Monsanto também é severamente criticada porque não leva em consideração os custos sociais e ambientais associados a sua atuação.
A empresa ainda é acusada de biopirataria, de contrabando de sementes, de manipulação de dados científicos e também de ser responsável pelo suicídio de agricultores indianos, que se endividaram por conta dos altos custos de sementes transgênicas e de insumos químicos necessários às plantações de transgênicos.
Por estes motivos surgiu na Índia e está crescendo em regiões do continente latino-americano campanhas e movimento contra a Monsanto. No Brasil, o movimento campesino promove iniciativas de soberania alimentar alternativa e conscientização sobre a não aceitação dos transgênicos. No Haiti, campesinos/as recusaram a "doação” de sementes enviadas pela empresa após o terremoto de janeiro 2010. E assim vários outros países estão tentando combater a entrada desde produtos em suas terras.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Os chineses chegaram

O que significa a entrada dos gigantes bancários ICBC e Banco da China no mercado brasileiro? Uma coisa é certa: a concorrência vai esquentar por aqui. Saiba por quê.

Por Carla JIMENEZ, na Dinheiro

O número 3.477 da avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, abriga o edifício Pátio Malzoni, uma das mais modernas construções da região, famosa por acolher escritórios de nomes estrelados do mundos dos negócios, nacionais e internacionais. O empreendimento já foi batizado de ‘jóia da Faria Lima’ por sua arquitetura suntuosa, com uma fachada de vidro que cobre três torres de 21 andares, construídas numa área de 22 mil metros quadrados. É nesse endereço que o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), o mais lucrativo e o maior banco em valor de mercado do mundo, deve começar a operar ainda neste ano, depois de receber a licença definitiva do Banco Central no mês passado.
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Estratégia Zen: o ICBC e o Banco da China, que estão entre os maiores bancos do mundo,
fortalecem presença no País de olho no intercâmbio comercial.
O ICBC alugou um andar de 1,7 mil metros quadrados, de onde o chinês Zhao Guicai vai comandar a operação brasileira, a 34ª do ICBC no exterior. A 4,5 quilômetros do Pátio Malzoni, o Banco da China, que também integra a lista das maiores instituições financeiras do mundo (veja o quadro abaixo), começa a ocupar os dez andares de um edifício na rua Frei Caneca, 1332. Presente no País desde 2009, o banco deve inaugurar a nova sede até o final do ano – até então, ocupava dois andares de um edifício na região da avenida Paulista. As duas instituições estatais são concorrentes e partilham da mesma ambição: querem participar da expansão dos negócios entre a China e o Brasil, traduzida numa corrente comercial que chegou a US$ 77,1 bilhões no ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, 37% a mais do que em 2010.
“Vamos criar uma plataforma de investimentos para empresários chineses e brasileiros”, disse à DINHEIRO Zhao Guicai, 45 anos, que chegará ao Brasil, junto com a mulher e a filha, nas próximas semanas. “Temos planos de nos desenvolver como banco de investimento e gestão de capital.” Essa é sua primeira incursão pelo ICBC fora da China (leia entrevista ao final da reportagem). Como tudo que é referente à China, os números do ICBC são superlativos. Só em ativos são US$ 2,7 trilhões, mais do que o PIB brasileiro (US$ 2 trilhões), e superior aos ativos dos 50 maiores bancos brasileiros, que somam cerca de US$ 2,2 trilhões. Embora não seja o maior do mundo por esse critério, o ICBC é o líder global em valor de mercado, US$ 240 bilhões em março, seguido pelo China Construction Bank, com US$ 195,9 bilhões.
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Dilma e Jiabao: parceria estratégica para quadruplicar comércio bilateral até 2021
Só depois dos chineses vêm o americano Wells Fargo, o HSBC e o mítico J.P. Morgan. O Bank of China está em sétimo lugar no ranking, com valor de mercado de US$ 128,8 bilhões. A crise europeia e americana fez os investidores valorizarem muito a oportunidade de comprar ações dos bancos de uma das economias mais dinâmicas do mundo. Mesmo com esse cacife, os chineses entram no Brasil com operações pequenas, para tatear o mercado. O ICBC, por exemplo, começa com um capital inicial de US$ 100 milhões, o que garante a possibilidade de emprestar até US$ 1 bilhão no mercado, ao menos inicialmente. É uma gota no oceano diante do tamanho do grupo. Mas Guicai, nascido na província de Shan Dong, não tem pressa.
Neste momento, são focos de atuação o financiamento das exportações bilaterais e o suporte financeiro a atividades na área de infraestrutura e manufatura, e, no médio prazo, serviços variados que vão de liquidações à assessoria em fusões e aquisições. O mapa da mina dos bancos chineses atende pelo nome de Plano Decenal de Cooperação, firmado em junho deste ano pela presidenta Dilma Rousseff e o primeiro-ministro Wen Jiabao, durante a Conferência Rio+20. Na ocasião, os dois chefes de Estado anunciaram a elevação do relacionamento sino-brasileiro ao patamar de “Parceria Estratégica Global”. Guicai lembra que o Plano Decenal prevê metas de atuação conjunta até 2021, como o projeto de quadruplicar o comércio bilateral nesse período.
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Varejo chinês: o presidente do Banco da China, Zhang Dongxiang,
vai atender pessoas físicas
Caso seja bem-sucedido, pode proporcionar aos dois emergentes um intercâmbio superior a US$ 300 bilhões em 2021,o que garantiria negócios suculentos como um pato laqueado para o ICBC. “Podemos fornecer serviços financeiros para apoiar o desenvolvimento do comércio”, diz ele. Nesse sentido o rival Banco da China saiu na frente. De 2009 para cá, a instituição vem se familiarizando com o mercado brasileiro e tem, entre seus clientes, empresas como Petrobras, Embraer e a BRFoods. No caso da Petrobras, por exemplo, o banco atua como avalista de empresas na China que compram petróleo da estatal. Segundo o presidente do Banco da China no Brasil, Zhang Dongxiang, essa primeira etapa de atuação no País serviu para organizar e estruturar sua operação de financiamento de comércio para o mercado chinês.
“Agora, é hora de crescer e ganhar volume”, afirma Dongxiang. Formado em administração, com mestrado em economia, ele estima em R$ 25 milhões a receita da instituição no ano passado. Assim como no caso do ICBC, trata-se de um volume acanhado diante do potencial de negócios do Banco da China, que conta com mais de 10,3 mil agências nos 35 países em que está presente, atendendo mais de 150 milhões de clientes. Uma das apostas de Dongxiang para aumentar seus resultados no País é oferecer atendimento às empresas brasileiras que estão se instalando em território chinês. “Toda empresa que pretende negociar com a China pode contar com a nossa rede de atendimento”, diz. “Teremos uma filial na província, cidade ou distrito com a qual ela estiver fazendo negócios.”
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Freiberger, do HSBC: 10% do comércio bilateral já tem suporte
do banco fundado em Hong Kong
Os dois bancos, entretanto, vão concorrer na oferta de serviços financeiros no comércio Brasil-China com pelo menos uma instituição já instalada no País, o HSBC. Fundado em Hong Kong, e presente no Brasil desde 1997, quando adquiriu o Bamerindus, o banco atende a cerca de 30 empresas chinesas no Brasil e em torno de 20 empresas brasileiras na China. Em 2009, o banco decidiu liderar o atendimento aos negócios bilaterais, de olho no protagonismo que os chineses ganharam como principal parceiro brasileiro. “Nós já damos suporte a pelo menos 10% do fluxo comercial entre os dois países”, diz Fernando Freiberger, diretor de corporate banking do HSBC. Ou seja, dos US$ 77 bilhões de comércio entre os dois países, US$ 7 bilhões tiveram a participação do HSBC.
Mesmo com a concorrência local, os executivos dos bancos chineses estão confiantes. Dongxiang, do Banco da China, tem planos ambiciosos. Além do corporate banking, o banco deve estrear no varejo, com a oferta de produtos e serviços básicos, como conta corrente, cartão de crédito e empréstimos consignados. A princípio, serão abertas representações do Banco da China em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas não está descartada a expansão para outros Estados, onde houver maior concentração de clientes. “Por ora, a ideia é investir no atendimento virtual”, diz Dongxiang, que já dirigiu a subsidiária do banco na Alemanha antes de chegar ao Brasil, em maio deste ano.
O executivo tem aulas de português, mas ainda precisa de um intérprete para se fazer entender. “Se aprendi alemão, não tenho por que não aprender português”, diz Dongxiang, que simpatiza com o futebol brasileiro, em particular com o Corinthians, que contratou seu conterrâneo, o atacante Chen Zizao. Neste momento, não está no radar dos chineses a aquisição de concorrentes brasileiros. “Mas, dependendo do desenvolvimento do mercado, essa hipótese pode ser considerada”, diz Guicai, do ICBC. O presidente do Banco da China segue a mesma linha. “Precisamos, primeiro, expandir nossa atividade para vir a considerar alguma aquisição”, afirma Dongxiang. Com recursos multibilionários, os gigantes asiáticos teriam poder de fogo para comprar ativos locais e, inclusive, alterar o ranking do setor financeiro nacional.
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Mas não há nada que aponte para uma estratégia nesse sentido, ao menos no curto prazo. Ao contrário, a atuação internacional das duas instituições tem sido discreta. “A razão que explica a entrada do ICBC e a expansão das atividades do Banco da China no País é o aumento do número de empresas chinesas no Brasil”, diz o economista chinês Bo Zhuang, da consultoria britânica Trusted Sources, especializada em mercados emergentes. Zhuang, que chefia o escritório da Trusted, em Pequim, explica que a atuação do ICBC e do Banco da China no mercado internacional é caracterizada por movimentos modestos na área de varejo. O ICBC, por exemplo, opera redes de não mais que dez ou 20 agências nos países em que está estabelecido fora da China.
Na Argentina, por exemplo, o grupo comprou, no ano passado, três agências do sul-africano Standard Bank, e faz planos para entrar no Peru, também com a incorporação de um pequeno banco.“A atuação dos chineses não vai causar nenhum impacto significativo no sistema financeiro brasileiro, como foi o caso do Santander, por exemplo”, afirma Zhuang. O banco espanhol, desde que chegou ao País, em 1997, adquiriu quatro instituições brasileiras, incluindo o Banespa, em 2001, e as operações do holandês ABN Amro, em 2008, o que o guindou ao quarto lugar no ranking do setor. Ao contrário da fúria espanhola, os chineses preferem adotar um estilo mais zen. Seja como for, é notório que o interesse dos bancos pelo Brasil aumentou, não só pelos planos do ICBC e do Banco da China como também pelo movimento de outras instituições financeiras.
O China Construction Bank (CCB) e o Bank of Communication estariam sondando o mercado brasileiro em busca de ativos disponíveis. O CCB até tentou adquirir a filial local do alemão WestLB, no primeiro semestre deste ano. O grupo foi assessorado pelo BTG Pactual e o mercado dava como certo que a venda seria fechada. Mas, em junho deste ano, o WestLB foi arrematado pelo banco japonês Mizuho. Embora contrariados, os executivos do CCB não arquivaram seus planos, explica uma fonte próxima. “Eles continuam avaliando outras compras“, afirma. O foco dos chineses são bancos pequenos, observa Hsia Hua Sheng, mestre em finanças pela Fundação Getulio Vargas, de São Paulo. “É o modo de começar a conhecer o mercado brasileiro”, diz.
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Tang, da CCIBC: "A China pretende investir em muitos setores
por muito tempo"
Enquanto isso, o Banco da China aproveita a vantagem do pioneirismo e já faz planos de estabelecer parcerias com bancos nacionais. A ideia, segundo o presidente Dongxiang, é garantir aos clientes de outros bancos que fazem negócios com a China o acesso a sua vasta rede de agências no território chinês. “Podemos, também, apresentar a algum parceiro local os nossos clientes chineses”, afirma Dongxiang. A contrapartida seria aproveitar as redes de atendimento no Brasil para ofertar os produtos e serviços com a marca chinesa. Para Erivelto Rodrigues, presidente da agência de risco Austin Ratings, e especialista no setor financeiro, a estratégia do Banco da China é inteligente e faz todo o sentido.
“É um bom negócio para os dois lados, pois nenhuma companhia pode desprezar o poder da China nos dias atuais”, diz Rodrigues. Mais do que isso, a chegada dos chineses no setor bancário é uma boa notícia para o Brasil, avalia Hsia Hua Sheng, da FGV. “Não só para fortalecer o comércio exterior, mas como fator de atração de novos investimentos diretos”, diz. No ano passado, o investimento chinês no País, segundo a Câmara Empresarial Brasil China, foi de US$ 10,8 bilhões. Neste ano, o capital asiático continua chegando. A petroleira Sinopec, por exemplo, adquiriu 30% dos ativos da portuguesa Galp na Petrogal, que atua na exploração da camada do pré-sal na Bacia de Santos.
“Há interesse de investir em diversas áreas e por muito tempo”, diz Charlie Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCBIC). Além do petróleo, a China investe pesado em energia. Só a State Grid anunciou na semana passada que planeja investir US$ 5 bilhões até 2015, em geração, transmissão e distribuição. Em veículos, a montadora Chery, que deu início às obras de uma fábrica em Jacareí (SP), está investindo US$ 400 milhões. É justamente o potencial de negócios envolvido na migração de seus compatriotas o pano de fundo para a discreta, mas persistente, entrada dos bancos chineses no Brasil.
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“O Brasil será o motor da economia global”
O presidente do ICBC Brasil, Zhao Guicai, aposta na consolidação das relações entre a China e o Brasil, e não descarta entrar no varejo e até adquirir bancos locais.
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Como o sr. vê a economia brasileira?
O crescimento do Brasil nos últimos anos consolida sua economia, especialmente desde a crise de 2008.O País já se tornou a sexta economia do mundo. A Copa e a Olimpíada de 2016 também vão estimular o crescimento, com a consequente geração de empregos. Se, nos próximos anos, forem resolvidos os problemas com câmbio, inflação e os custos trabalhistas, o Brasil vai se tornar o foco do mundo e o motor da economia global.
Qual será o foco do grupo no Brasil?
Queremos fortalecer a oferta de financiamentos de comércio sino-brasileiro. E ainda, ter serviços financeiros especialmente voltados aos projetos locais de infraestrutura, industriais e para empresas de destaque. Temos planos de desenvolver-nos como banco de investimento e gestão de capital, criando uma plataforma para os investidores chineses e brasileiros.
Quais são as áreas de interesse?
Solicitamos a licença de banco comercial e de banco de investimento para o BC brasileiro. No futuro, podemos oferecer serviços de depósitos, empréstimos, liquidação, consultoria de fusões e aquisições. Temos interesse em participar de qualquer área que ajude a desenvolver a relação entre a China e o Brasil.
Como o banco fará a ponte dos negócios bilaterais?
Segundo o Plano Decenal de Cooperação, firmado pelos governos brasileiro e chinês, o volume de comércio vai quadruplicar até 2021. Nesse contexto, o ICBC pode apoiar o comércio e investimento bilateral. Podemos, também, apresentar as empresas brasileiras ao mercado asiático ou as chinesas ao mercado brasileiro.
O ICBC financia operações da Embraer na China. Que outras empresas estão sendo financiadas por lá?
Em 2010, participamos do projeto de emissão das novas ações da Petrobras, que levantou um capital de US$ 1,2 bilhão. Isso não só ajudou a Petrobras a captar recursos como também estabeleceu uma boa imagem e fortaleceu a reputação da companhia no mercado asiático.
O ICBC vai adquirir algum banco brasileiro?
Neste momento, não temos planos, mas, com o desenvolvimento do mercado, não excluímos essa possibilidade.
O ICBC segue os investimentos de empresas chinesas no mundo?
Estamos tentando nos desenvolver como um banco mundial. Seguir os investimentos de empresas chinesas ao redor do mundo é inevitável. Até agora, temos divisões em 34 países. Por causa disso, o significado do ICBC Brasil para a estratégia internacional do banco é enorme.

A mídia brasileira e os políticos


por Mino Carta, em CartaCapital
Quando me convidam para falar em público, quase sempre plateias universitárias, às vezes, se a situação recomenda, proponho: levante o braço quem já leu um livro de Fernando Henrique Cardoso. Ao cabo de décadas de palestras, vi ao todo três braços erguidos. O príncipe dos sociólogos é lido por pouquíssimos.
Fama usurpada? Anos atrás, em conversa com um caro amigo, ousei citar o líder comunista italiano Massimo D’Alema, o qual, sem referir-se ao sociólogo, disse do político: “Fernando Henrique é um presidente de exportação”. O caro amigo me convidou com extrema firmeza a passar o resto dos meus dias na Itália e nunca mais falou comigo. E nem sei se ele leu algum livro do seu herói.
Avento a hipótese de que haja quem coloque FHC sobre um pedestal inviável e lhe atribua um peso específico inexistente, a configurar um mistério brasileiro digno da análise dos cultores do absurdo. Entendo que a presidenta Dilma fique indignada com o artigo que o presidente da reeleição comprada publicou no Estadão de domingo 2 de setembro para denunciar no chamado “mensalão” a herança de Lula. Mas vale a pena abrir portas abertas ou conversar com as paredes para replicar a um texto ditado, antes de mais nada, pela inveja?
Há quem diga que mesmo em Higienópolis, o bairro heráldico de São Paulo, o morador FHC deixou de ser assunto há muito tempo. E quanto há de sofrer o esquecido, devorado pela constatação de que Lula não foi presidente de exportação para ser reconhecido internacionalmente como “o cara” sem precisar atirar-se nos braços do presidente americano. À época da Presidência tucana, Clinton, avalista do neoliberalismo mundial, ao qual FHC aderiu sofregamente.
Estranho, de todo modo, que as autoridades brasileiras atualmente no poder atribuam importância a uma mídia disposta a desancá-las in limine e a priori para apoiar maciçamente o tucanato, com resultados tragicômicos, como se viu em 2002, 2006 e 2010. Nesta semana, a espantosa Veja registra a mudança histórica representada pelas “condenações de mensaleiros”. “O Brasil reencontra o rumo ético”, afirma, e nisto conta com a imediata concordância de Época, a global.
Simples explicar tanto regozijo: Veja e Época consideram-se pontas de lança da mídia enfim vencedora. Sem entrar no mérito da palavra errada, mensaleiros, entregam-se ao estado de graça os mesmos que silenciaram em relação ao “mensalão” tucano, das privatizações em diante. Cabe perguntar por que o Brasil não começou a mudar então.
Os políticos, em geral, ainda não entenderam que esta mídia, pronta a antecipar os veredictos do Supremo, serve exclusivamente à minoria privilegiada, a lhe repetir as frases feitas, a lhe engolir as mentiras, a acreditar em suas invenções qual fossem a própria verdade factual, sem dar-se conta, é óbvio, das omissões. E para impedir a convocação de Policarpo Jr. diretor da sucursal de Veja em Brasília, parceiro de Carlinhos Cachoeira em algumas clamorosas contravenções, destinada à apuração da CPI, basta e sobra que um representante da Abril baixe na capital federal e converse com quem de direito, habilitado a dar um jeito. Ah, sim, o famoso jeitinho brasileiro. Daí, a moral: o Brasil não é o Reino Unido, que manda para casa o senhor Murdoch.
Veja e Época celebram a mudança que lhes convém, expõem-se, contudo, a um risco. E se o Supremo tomar gosto pela fidelidade à deusa vendada e depois do processo em curso partir para outro, o julgamento das falcatruas tucanas? Os dias não têm sido luminosos para o PSDB, à vista, inclusive, da luta intestina a ser precipitada pela possível (provável?) derrota de José Serra na iminente eleição paulistana. Quem será o próximo candidato tucano à Presidência da República, o anti-Dilma? Nuvens plúmbeas estacionam no horizonte.
Desde já, CartaCapital avisa. Tão logo termine o julgamento do chamado “mensalão petista”, nossa capa vai soletrar: E AGORA VAMOS AO MENSALÃO TUCANO. Temos um excelente enredo a desenrolar. Se mudança houve, que seja.

Eike Batista quer comprar o SBT


SBTX? Para Eike, a mídia nacional não faz jus ao progresso do País. Foto: Adriano Ishibashi/AE
O empresário Eike Batista pode estar prestes a colocar a letra X que usa no nome de suas empresas, símbolo de multiplicação e prosperidade, em um negócio no qual costuma aparecer mais como celebridade que como o homem que comanda um diversificado e bilionário grupo econômico.
Ele fez uma oferta pelo SBT, a rede de televisão de Silvio Santos que disputa o segundo lugar de audiência com a Record.
As conversas, por enquanto, não foram entabuladas diretamente entre Batista e o homem do Baú da Felicidade. Intermediários de ambos os lados tratam da aproximação. “Tudo vai se cristalizar na hora certa”, afirmou o empresário a CartaCapital.
Se comprar o SBT, seu plano é transmitir uma programação que mostre mais as boas coisas do Brasil, como as que vieram em decorrência da administração de Lula e de sua sucessora Dilma Rousseff. Na opinião do homem mais rico do Brasil, os meios de comunicação não fazem jus em seus noticiários aos avanços obtidos pelo País nos últimos dez anos.(nota do blog: essa eu pago pra ver!!)

Tirem as mãos da Embrapa!

 

Oferecer a possibilidade de participação do capital privado até o limite de 49% das ações, ainda com a alternativa delas serem negociadas em Bolsa, é de uma irresponsabilidade atroz. Esse cenário abriria a estratégia de presença no interior da direção e da administração da empresa para suas poderosas concorrentes multinacionais.

Alguém poderia nos explicar as razões que levariam um parlamentar eleito pelo Partido dos Trabalhadores a propor o caminho da privatização para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária? Sim, a nossa conhecida EMBRAPA, referência em todo o mundo quando o assunto é pesquisa agropecuária. Para quem tiver pistas ou respostas, cartas para redação.

Mas o fato é que foi apresentado no Senado Federal o PLS n° 222/2008, projeto nessa linha, de autoria de Delcídio Amaral, senador eleito pelo PT do Mato Grosso do Sul. Como a maioria das matérias no Congresso Nacional tem o ritmo de sua tramitação condicionado pelas marés da grande política, só agora nesse ano o projeto passou a receber maior destaque da imprensa e demais atores envolvidos.

Em 2009, a Comissão de Agricultura do Senado aprovou um relatório contrário ao projeto. A matéria ficou esse tempo todo esquecida, mas eis que no começo de 2012, ao passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), quase foi aprovada pelo Parecer do Relator nesse colegiado, o Senador Gim Argello – suplente do conhecido Joaquim Roriz do PMDB/DF, um dos grandes representantes do agronegócio no parlamento. O Parecer retornou ao Relator e aguarda o momento de voltar à pauta da CAE.

Permanece o mistério a respeito de sua eventual mudança de opinião. De qualquer maneira, os dois partidos aqui mencionados pertencem à base de apoio do governo e, em tese, bastaria uma sinalização clara do Palácio do Planalto para que a discussão fosse encerrada de forma definitiva. A dúvida que muitos se colocam é a respeito das razões que estariam levando o governo a se calar diante de tão grave risco.

Criada em 1973, a EMBRAPA deverá completar 4 décadas de existência no início do próximo ano. Ao longo de sua história, tem deixado um vasto elenco de contribuições para o desenvolvimento de nosso País nos setores da agricultura e da pecuária. A preocupação com a pesquisa de novas técnicas de sementes, lavoura e cultivo permitiu que o Brasil alcançasse importante grau de autonomia em relação aos países mais desenvolvidos. A inovação se fez presente também na busca de aperfeiçoamento de raças e espécies para nosso plantel tradicional de carne e leite, mas ampliando para outros campos da produção animal (aves, abelhas, peixes, entre outros).

Constituída desde sua criação sob a adequada forma de empresa estatal do governo federal, a EMBRAPA sempre buscou manter uma estreita parceria com as linhas de trabalho desenvolvidas no interior das universidades brasileiras e demais centros de pesquisa similares. Por outro lado, sua proximidade com a realidade concreta do campo se baseava na formação e capacitação de seu quadro funcional, de maneira a sempre buscar converter os resultados das pesquisas em verdadeiras conquistas para a atividade agropecuária nacional. Exatamente em função de sua característica pública e estatal, a empresa logrou manter sua independência face aos grandes grupos do agronegócio multinacional e foi exitosa em estabelecer uma forma bem brasileira de operar com a agropecuária.

Enquanto o paradigma da abertura de mercado, por meio da internacionalização da economia, se generalizava por todas as áreas, a EMBRAPA lutava para preservar sua autonomia de pesquisa e de resultados. Com isso, conseguiu demonstrar ao Brasil e ao mundo que era possível ser eficiente e propor uma forma específica, particular, nossa, de operar no mundo vegetal e animal com vistas a aumentar a oferta de meios para assegurar a alimentação da população. E tudo isso em um modelo jurídico de “empresa pública”, em que a totalidade do capital é propriedade da União.

Na verdade, um dos problemas que a empresa atravessa é a política de corte de verbas ao longo dos últimos anos. A obsessão dos sucessivos governos com a obtenção de superávit primário a qualquer custo provocou a redução paulatina dos gastos nas chamadas áreas socais. No caso da EMBRAPA, a capacidade de investimento e de atualização de suas pesquisas foi seriamente comprometida com tal irresponsabilidade. No entanto, o que surpreende os analistas é a incrível capacidade de seu corpo funcional em permanecer fiel ao projeto original e oferecer um maravilhoso exemplo de resistência, não obstante as dificuldades enfrentadas em seu cotidiano.

Mas, então, afinal o que nos propõe o Senador Delcídio? Desde logo já vou avisando: não, não se trata daquela privatização clássica, de venda total do patrimônio da empresa. Ele “apenas” sugere a sutil transformação do estatuto jurídico da EMBRAPA – que deixaria de ser empresa pública e passaria a ser empresa de economia mista. Além disso, um artigo de seu projeto permite que 49% do capital da empresa sejam de propriedade do capital privado e negociados nas bolsas de valores. O transformismo retórico já viria nos argumentar que – ora, veja bem, Paulo! - não se trata de privatização, mas tão somente de abertura da participação acionária ao capital privado. Mais ou menos como tentam nos convencer de que a concessão por 30 anos de uma ferrovia tampouco se caracteriza como uma forma sutil de privatização. Ou que a concessão de exploração de poços de petróleo, por décadas pelas grandes corporações estrangeiras, também escapa à definição de privatização.

De acordo com as palavras do próprio autor do Projeto,

“Para buscar solução aos problemas orçamentários da empresa, bem como para modernizar sua estrutura operacional, reduzindo o excesso de burocracia, apresentamos a proposta de alteração de seu regime jurídico, tornando a Embrapa uma empresa de economia mista, com ações negociadas em bolsa. Esse procedimento permitirá que a empresa capte recursos de grandes companhias de pesquisas em produção agrícola, dando condições para que se torne competitiva, sem qualquer risco de perda, por parte do Brasil, de todo o conhecimento já adquirido e do que ainda há de ser desenvolvido pela Embrapa.”

Ora, se por um lado o Senador Delcídio acerta a respeito da necessidade de medidas para superar os citados “problemas orçamentários da empresa”, por outro lado ele se equivoca profundamente com a solução apontada - a privatização. A eficiência da EMBRAPA em sua área de atuação é fenômeno de amplo reconhecimento em nosso País e mesmo no exterior.

Se o governo considera estratégico para o desenvolvimento sustentável um órgão público com tal experiência acumulada e capacidade técnica qualificada, basta fazer com a nossa empresa de excelência em agropecuária o mesmo que tem feito com o BNDES, o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobrás.

Trata-se de uma operação singela de aporte de recursos e capitalização, uma vez que a União é detentora de 100% do capital da EMBRAPA. No caso das estatais mencionadas, são freqüentemente anunciadas operações de injeção de recursos por parte do Tesouro Nacional da ordem de muitas dezenas de bilhões de reais. A intenção é capitalizar a empresa, reforçar seu caixa no curto prazo e aumentar sua capacidade de investimento para o médio e o longo prazos. Exatamente o que se faz necessário e urgente também com a EMBRAPA, para evitar seu sucateamento e permitir que ela se recoloque em condições de continuar apresentando no futuro o que sempre fez muito bem até recentemente.

Oferecer a possibilidade de participação do capital privado até o limite de 49% das ações, ainda com a alternativa delas serem negociadas em Bolsa, é de uma irresponsabilidade atroz. Esse cenário abriria a estratégia de presença no interior da direção e da administração da empresa para suas poderosas concorrentes multinacionais. Afinal qual seria o interesse das empresas estrangeiras do oligopólio global de sementes, transgênicos, fertilizantes e agrotóxicos em participar de eventual abertura oferecida pelo governo brasileiro? Obviamente que o objetivo seria criar dificuldades para aquela que vem representando uma alternativa a seus mega-negócios, ou seja, inviabilizar a EMBRAPA como empresa.

Ou alguém tem alguma ilusão a respeito das boas intenções de Monsanto, Syngenta, Dow Chemical, Bayer, Basf e Dupont, entre tantas outras candidatas a essa generosidade a elas oferecida, quanto à continuidade dos programas desenvolvidos até agora pela EMBRAPA? Os resultados das pesquisas e o desenvolvimento tecnológico alcançado pela empresa brasileira caminham no sentido contrário aos interesses desses gigantes do complexo econômico do agronegócio. Por que desenvolver cultivares adaptados aos biomas brasileiros? Por que se preocupar com aspectos “secundários” como tecnologia social, inclusão social e respeito à sustentabilidade? Por que estabelecer programas de cooperação internacional com países latino-americanos, africanos ou asiáticos?

Se o governo pretende retirar qualquer dúvida a respeito da privatização da EMBRAPA, esse é o momento. Afinal, depois de estimular a concessão de setores especiais para a exploração pelo capital privado - como fez recentemente com ferrovias, aeroportos, portos, hidrovias e rodovias – paira no ar um certo desconforto político junto aos grupos que defendem a importância da presença do Estado em setores estratégicos de nossa economia. Além disso, é bom lembrar também que a Senadora Kátia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional de Agricultura, acabou de sair do DEM e agora faz parte da base de apoio do governo no Congresso (sic). E o Palácio do Planalto tem demonstrado receio em contrariar os interesses da bancada ruralista, como ocorreu com a votação do Código Florestal.

O que se pede é muito simples: basta que a Presidenta Dilma desautorize a intenção de apoiar esse PLS privatizante e anuncie claramente que seu governo não pretende autorizar a participação do capital privado na EMBRAPA. E, claro, que apresente, ao mesmo tempo, uma estratégia efetiva de recomposição da capacidade de investimento da empresa, por meio de aportes do Tesouro Nacional. Afinal, como diz o poeta, o tempo não pára e a empresa não pode correr o risco de ficar para trás.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

7 de setembro: cada governo faz o seu

Em setembro de 2002, nos estertores do governo do PSDB, o risco-Brasil atingia 2.443 pontos.

Medida de vulnerabilidade de uma economia --do ponto de vista dos credores-- cada 100 pontos de risco equivale a 1% de taxa adicional de juro. A chance de um calote brasileiro então era tida como muito alta.

Para quebrar as resistências ao passar o chapéu o governo FHC via-se obrigado a pagar uma sobretaxa de quase 24,5% acima do juro vigente nos EUA. Numa operação externa feita esta semana pelo governo Dilma, esse plus registrou um recorde histórico de baixa: foi de apenas 1,1%.

O oposto vivido no governo do PSDB reduz a margem de soberania de um país a zero. A independência política é ornamental. Canta-se o Hino, hasteia-se a bandeira. Entrega-se tudo o mais que dá sustento à palavra Nação.

Sem o manejo endógeno das contas externas é impensável fazer política de desenvolvimento ou articular a defesa da industrialização. Menos ainda avançar na defesa da principal fronteira da soberania no século XXI: a justiça social.

Delega-se a sorte e o azar aos banqueiros. Em setembro de 2002, depois de 8 anos nas mãos do PSDB, o Brasil era isso: um pangaré faminto tratado a sabugo e chicote de marmelo pelos mercados.


FHC cumpria exigências velhas, fazia concessões novas, arrastava a empáfia num tanque de areia movediça; a cada passo afundava mais a perna.

Em setembro de 2002 a lama já oscilava no estreito intervalo entre o lábio e o nariz.

Dez anos depois, neste setembro de 2012, o risco país é de 110 pontos. Sim, a 'herança pesada' de Lula, na douta avaliação do sociólogo encabrestado pelos banqueiros em 2002, permitiu que o Tesouro Nacional colocasse nesta 4ª feira US$ 1,3 bilhão em títulos de 10 anos no mercado internacional, pagando apenas 1,1% acima do juro norte-americano.

O menor piso da história teve uma das maiores procuras do mercado. Diferente do calvário vivido em setembro de 2002, a demanda pelos papéis brasileiros foi quatro vezes superior à oferta.

O risco-país em si não define a quaidade de vida de uma nação.

A Argentina tem um risco elevado porque impôs um desconto de 70% da dívida aos seus credores em 2001. Usou a folga para melhorar substancialmente as condições de vida de seu povo e de seu crescimento.

Não foi essa a lógica que depositou a soberania brasileira nas mãos dos mercados em 2002 .

Ao contrário. A taxa de juro havida disparado e beirava os 25% (hoje o Brasil tem uma taxa de juro real inferior a 2%) ; a inflação passava de 12%, com o desemprego igualmente rompendo esse patamar.

A dívida interna decolara. Mais de um terço dela estava dolarizada, o que restringia a margem de manobra para fomentar a exportação sem quebrar as contas fiscais.

O Brasil escorria na ampulheta da história.

As reservas disponíveis de US$ 36 bi (hoje são dez vezes maiores) cobriam apenas 1/6 do endividamento interno em dólares. O país fora esmurrado por equívocos estratégicos, socado pela ganância dos interesses unilaterais: estava quebrado por fora e sangrava por dentro.

A contrapartida no imaginário nacional era devastadora. Uma pesquisa do Sebrae de 2002 identificou "a baixa auto-estima e a valorização apenas do que vem de fora como os maiores problemas e os principais pontos fracos do nosso povo". Alguns anos antes o Latinobarômetro já havia constatado a mesma ladeira abaixao: o brasileiro era o povo com 'a mais baixa auto-estima de toda a América Latina: apenas 4% dos brasileiros declararam ter muita confiança em seus compatriotas, contra 36% dos uruguaios e 21% dos colombianos'.

A idéia de bem comum e de interesse público se esfarelava. Medo e incerteza era explorados pelo conservadorismo que maejava as raízes desses sentimentos.

O governo do PSDB já havia apelado ao guichê do FMI em 1999 para tomar US$ 40 bi em regime de urgência. Boa parte do patrimônio nacional fora privatizado. 'Torrado', como disse a Presidenta Dilma no pronunciamemto pelo 7 de setembro nesta 5ªfeira, 'para pagar dívida, gerando monopólio e ineficiência...'

E mesmo assim, em dezembro de 2002 o estoque total da dívida externa líquida (pública e privada, menos reservas) era de US$ 189,5 bilhões.

O país devia quase 38% do PIB. Precisava de mais de três anos de exportações (então de US$ 60,4 bi contra US$ 256 bi em 2011) para pagar sua dívida.

O então candidato da coalizão demotucana à presidência, José Serra, tirou da gaveta o que lhe restava, ademais de ser a sua especialidade: o terrorismo para amedrontar eleitores.

À falta de melhor argumento ele alarmava a classe média: a vitória de Lula levaria a 'argentinização' do país -- isso, quando a Argentina afundava no mesmo pântano neoliberal criado por Menén e Cavallo.

A crise mundial que se arrasta desde 2008 é mais grave, mais abrangente e corrosiva que aquela de 2002.

A contabilidade do país, no entanto, nunca foi melhor.

Embora a desigualdade resista e cobre audácia para ser enfrentada, os índices de pobreza, fome, desemprego, informalidade, apartheid universitário e de crédito, entre outros, repousam em níveis inéditos.

40 milhões de brasileiros deixaram a pobreza desde 2003; outros 30 milhões ascenderam na pirâmide de renda. O Brasil é hoje o país menos desigual de sua história.

Altivez e soberania deixaram de ser adorno retórico da atuação do Itamaraty.

Como farsa, porém, sobrevivências do passado batem à porta do presente com aspirações de influenciar o futuro.

Foi essa a pretensão de FHC na patética tentativa de depositar uma 'herança pesada' de Lula no colo de Dilma.

A falta de pejo recebeu pronta admoestação da Presidenta. Em nota oficial, Dilma foi ao ponto e reavivou aos distraídos a realidade constrangedora daquele final de governo, quando o 7 de Setembro era uma contradição em termos espetada no calendário nacional.

"Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão”, disse a nota da Presidência da República nesta 2ª feira, antecipando em quatro dias os festejos, mas sobretudo o sentido da palavra 'independência' no Brasil de 7 de setembro de 2012.
Postado por Saul Leblon

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A história das peripércias de Serra para privatizar o Brasil

Circula uma bricolagem com os principais fatos que compõem a história das privatizações realizadas pelo PSDB a importantes estatais do país. Entre os principais idealizadores da venda do patrimônio público está José Serra, candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, alvo de denúncias no livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

FHC é falastrão e o "Estadão" não pode ser levado a sério

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre  
  
    Eu não sei e creio que ninguém sabe o que se passa na cabeça do ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso quando ele chama o presidente mais popular da história do Brasil, juntamente com o presidente Getúlio Vargas, de “herança pesada”, em artigo nada sociológico no jornal mais conservador da direita brasileira, o Estado de São Paulo.
FHC TEM DOIS PROBLEMAS GRAVES: NÃO CONCATENA AS IDEIAS E TEM INVEJA DO LULA.

       O homem que vendeu o Brasil, aquele que alienou o patrimônio público que ele não construiu, o político que considera o Plano Real do presidente Itamar Franco como de sua autoria, o ex-presidente que quebrou o Brasil três vezes e teve de ir ao FMI de joelhos e com o pires na mão a pedir esmolas, além de ser o responsável pelo apagão de energia que durou mais de um ano, considera, na maior cara de pau possível e total ausência de senso crítico, o presidente Lula uma herança pesada.
    Seria trágico se não fosse cômico o artigo do pseudointelectual “mauricinho”, que sempre teve como aliada a imprensa comercial e privada de São Paulo, além do apoio irrestrito das Organizações(?) Globo, que no momento está a tratar do “mensalão”, como se fosse a última chance de a direita poder, enfim, chegar ao poder depois de três derrotas em eleições para a Presidência da República.
     FHC, o Neoliberal, cuja figura patética é escondida pelos próprios candidatos tucanos quando tem de concorrer às eleições, resolveu, novamente, deitar falação, e a tribuna escolhida foi o carcomido, o vetusto, o direitista, o reacionário “Estadão”, que, se tivesse a força de persuasão que pensa ter, elegeria há muito tempo para presidente da República gente como FHC, Geraldo Alckmin e principalmente José Serra, que perdeu as últimas eleições para a candidata petista Dilma Rousseff, que, até então, nunca tinha participado de qualquer eleição.
LULA GOVERNOU O BRASIL COMO ESTADISTA, O QUE REVOLTA O FHC E A BURGUESIA.
      E aí, o que acontece? O falastrão do FHC, aquele que afundou a maior plataforma produtora de petróleo do mundo, a P-36, resolve, em um texto mal escrito e pessimamente articulado mentalmente, chamar o político que mudou o Brasil, bem como o tirou de uma posição subserviente perante os países ricos, como herança pesada de Dilma.
    Para fazer sua ilações perversas e pérfidas, tal figura da burguesia paulistana faz alusões francamente levianas ao estadista Lula e o coloca como o responsável por questões sobre corrupção, desvios de recursos, além de outras “acusações” de menores implicações no que concerne ao caráter e à conduta moral do presidente petista que fez uma revolução silenciosa e melhorou as condições de vida de milhões de brasileiros, bem como elevou o Brasil a um patamar de importância em termos mundiais como nunca se viu antes neste Pais.
      FHC deveria ficar quieto, como o faz Lula em relação ao seu medíocre governo, que vendeu o Brasil e tratou de seu patrimônio com uma irresponsabilidade que, para mim, tal tucano arrogante e vaidoso deveria estar a responder processos como ocorreu com os presidentes neoliberais da Argentina, México, Peru, Chile, Equador, Uruguai e Venezuela. Alguns foram presos, outros fugiram ou estão a responder processos por terem vendido o que não é deles, o que não lhes pertencem, o que evidencia prejuízos de lesa pátria  e, consequentemente, as provas de que tais governantes traíram seus povos.
SERRA PODE SER TUDO, MENOS BOBO. MOSTRAR FHC NA TV SERIA A DERROTA IMINENTE.
 
        Lula é Dilma e Dilma é Lula. Ponto. Por sua vez, Serra não é FHC e FHC não é Serra e nem Alckmin, porque simplesmente esses tucanos quando são candidatos não deixam o FHC aparecer na televisão, nem falar pelo rádio e muito menos aparecer em outdoors. E porque isto acontece? Porque ninguém é tão ingênuo de colar sua imagem a um governo que ficou conhecido por vender o Brasil, ser leniente com a corrupção, de ir ao FMI três vezes de joelhos e com o pires na mão, de causar o apagão da energia, de fechar estatais, de tentar desmontar a Petrobrás, de afundar a P-36, de não criar empregos, de não distribuir renda, de não criar escolas técnicas e universidades, de não facilitar o acesso dos pobres ao ensino superior, não investir em pesquisas científicas, de não construir casas para a população e de não cuidar da infraestrutura, como rodovias, aeroportos, portos, ferrovias, siderúrgicas, estaleiros, além de deixar a saúde à míngua, no que trata ao orçamento quando, já na oposição ao Governo Lula, retiraram bilhões da CPMF, como forma de combater o mandatário petista.
        Depois o neoliberal FHC vem falar de corrupção e de má administração sem ter, no entanto, nenhum cuidado para se olhar no espelho e ver que seu governo foi um fracasso retumbante, porque nunca cuidou dos pobres e se comprometeu até a medula com os interesses dos ricos. O neoliberal FHC é assim: fala o que quer e não mede quaisquer consequências por que, na verdade, se tal tucano tivesse responsabilidade não teria vendido o Brasil e seu governo não cometeria tantos erros e ilícitos como mostra e demonstra o livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro.
Quem acredita em FHC ou na grande imprensa de negócios privados são os 6% da população brasileira, que, conforme as pesquisas, consideravam o Governo Lula ruim ou péssimo. São os mesmos que atualmente acham a mesma coisa do Governo Dilma. São os lacerdistas de classe média, tão ressentidos e reacionários quanto os barões da imprensa e seus jornalistas e especialistas de prateleira e de confiança. São pessoas de direita que continuam de direita. Só isso. Ponto. E nada mais.
ALCKMIN GOVERNA SÃO PAULO. JAMAIS APRESENTOU O FHC NA TV.
 
A questão primordial disso tudo é que apesar de eles serem minoria, evidentemente que essas pessoas e grupos econômicos são barulhentos — altissonantes. E por que se ouve tanto o barulho deles. Porque a direita controla os meios de comunicação privados, que apoiam, sem deixar dúvida, os candidatos, os políticos e os governantes do DEM e do PSDB. Apesar de esse pessoal ser a minoria, o barulho, além de ser alto, é publicado e veiculado todos os dias pelo sistema midiático porta-voz dos interesses empresariais.  
        Muitos cidadãos acreditam que a corrupção aumentou durante o governo Lula. É dessa maneira que a imprensa sistematicamente o mostra. Nada mais falso. O que houve, de fato, foi um aumento brutal, exponencial do número de operações da Polícia Federal contra a corrupção, principalmente os malfeitos que são considerados como crimes do colarinho branco, geralmente cometidos por homens e mulheres de negócios e autoridades de alto escalão, como banqueiros, juízes, políticos, servidores com cargo de mando e empresários.
          
      O que se vê é uma falácia perpetrada por jornalistas, pois a verdade é que o Governo do FHC, o Neoliberal, em oito anos efetivou 28 operações da Polícia Federal, enquanto o Governo do Lula realizou 1.150 operações da PF, o que, sobremaneira, faz com que os números do tucano que deita falação no reacionário Estadão se tornem pífios e ridículos. A PF de Lula se tornou republicana e por isso não foi à toa que o diretor da PF, Paulo Lacerda, foi afastado e sua moral atacada pela imprensa corrupta e por gente como o senador cassado Demóstenes Torres e o juiz do STF Gilmar Mendes
DE IMPRENSA MANIPULADORA, MENTIROSA E SEM COMPROMISSO COM O BRASIL.
 
A verdade é que nunca aconteceram tantas investigações e prisões como no tempo de Lula, ao ponto de colocarem algemas no banqueiro Daniel Dantas, o que comoveu e revoltou a imprensa colonialista e hegemônica, bem como certo juiz e certo senador, que acusaram a PF de escuta ilegal, de grampear Gilmar e Demóstenes. Por causa disso, Lacerda também caiu. Só que o áudio de tal grampo nunca apareceu e a verdade é que aquelas duas figuras da República nunca foram gravadas pela PF de Lacerda e até hoje o bravo e republicano policial nunca recebeu um pedido de desculpas.
FHC, o Neoliberal, é uma farsa, inclusive como intelectual. E o Estadão não pode ser levado a sério.

sábado, 1 de setembro de 2012

O Grande Irmão já Existe e "Olha por Nós"



O jornalista e fundador do Wikileaks, Julian Assange, concedeu a primeira entrevista desde que fugiu de sua prisão domiciliar e pediu asilo político à Embaixada do Equador em Londres. Na conversa com o jornalista Jorge Gestoso, transmitida na noite desta quinta-feira (30) pelo Canal Multiestatal TeleSur e pela equatoriana Gama TV, Assange qualificou a decisão do Equador de conceder-lhe asilo como "correta", porque é uma pessoa "perseguida política pelos Estados Unidos e seus aliados". O jornalista australiano afirmou que se uma pessoa fizer algo que "vai de encontro à vontade dos Estados Unidos, algo de mal vai acontecer com ela".
A entrevista aconteceu nas dependências da embaixada do Equador no Reino Unido, onde Assange está alojado desde 19 de junho, data na qual deixou a prisão domiciliar e pediu ao governo de Rafael Correa a concessão de um asilo político. A resposta positiva para o pedido veio no dia 16 de agosto, momentos após o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, alegar que o governo britânico pretendia invadir a representação diplomática para prender o jornalista. O governo britânico nega-se a conceder um salvo-conduto para o jornalista deslocar-se até o aeroporto e seguir para Quito. "Eles (EUA) já disseram em documentos oficiais que não se trata somente de acusar Julian Assange por espionagem, mas de parar as atividades do Wikileaks", relatou Assange.

Em um dos momentos da entrevista, o ativista australiano afirmou que está em marcha uma espécie de "totalitarismo transnacional", a partir da espionagem deliberada de todos os dados pessoais disponíveis na internet, assim como todas as ligações telefônicas. "Agora podem interceptar tudo, não é necessário preocupar-se com algum suspeito. Simplesmente interceptam-se todos e armazena-se tudo", disse. 
Ele afirmou que empresas de espionagem já possuem tecnologia para armazenar todos os dados pessoais e fornecer pesquisas cruzando informações. "O jogo novo é a interceptação, registra-se tudo, é mais barato registrar tudo desde os EUA e armazenar. Dentro de alguns anos, se te transformas em uma pessoa interessante para as agências dos EUA e seus amigos, dizem: revisemos o que estava fazendo o senhor Assange nestes últimos anos, quem são seus amigos, com quem ele se comunicou", explicou o jornalista, denominado o tal "totalitarismo transnacional", porque, para ele, não só os EUA estão praticando esse monitoramento, mas também Alemanha e outras importantes economias mundiais.
"Quando fazemos uma pesquisa no Google, ele registra tudo. O Google trabalha desde os EUA e te conhece melhor do que você mesmo. Se você não recorda o que buscava há dois dias, há três horas, o Google recorda. Conhece-te melhor que tua mãe. Essas informações são armazenadas pelo Google, mas também são interceptadas pelo Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos", contou.
No início do mês de agosto, o WikiLeaks publicou uma lista de 170 companhias de espionagem que atualmente já prestam estes serviços para diversos governos ocidentais. O jornal britânico MailOnline publicou reportagem em 14 de agosto onde descreve que, segundo e-mails de funcionários da empresa de espionagem Strator, vazados pelo Wikileaks, qualquer pessoa que aponte uma câmara para algum monumento em Nova Iorque será registrado como suspeito de terrorismo e será fotografado pela vasta rede de câmeras conectadas ao governo estadunidense. Segundo o e-mail, a empresa que fornece este serviço é a estadunidense Abraxas e o sistema, chamado TrapWire, já funciona no Reino Unido, Canadá e vários estados dos EUA.
América Latina
Nas últimas semanas, o Equador recebeu o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e da União de Nações Sul-americanas (Unasul) pela concessão do asilo à Assange. O jornalista elogiou e agradeceu a decisão dos países da América Latina em apoiar a decisão do Equador em conceder-lhe asilo político. "Penso que é importante essa solidariedade latino-americana", disse. O jornalista vê a América Latina como um bloco alternativo a estes movimentos autoritários e de ameaças às liberdades individuais.
O entrevistador, Jorge Gestoso, também perguntou a Assange sobre a acusação que pesa sobre ele de "abuso sexual". Ele lembra que nenhuma mulher compareceu a uma delegacia para apresentar queixa contra ele, mas apenas a própria polícia suíça. O jornalista não quis falar com mais detalhes sobre a acusação, afirmando que são esdrúxulas, e comparou o caso com os porcos. "Quando uma acusação como essa circula nos meios de comunicação, não se pode responder. Porque é como lutar com um porco, você se suja com lama, mas isso convém às pessoas que lançam a lama", explicou. 
Afirmando que acredita na diplomacia, Assange calcula que poderá sair da embaixada do Equador em "seis a doze meses", dependendo dos acontecimentos internacionais. Diz também que deve continuar "a luta" de uma "organização que crê nos direitos humanos", como descreveu o Wikileaks.