terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lula, pelas elites daqui e de lá

O Estadão e O Globo disparam, hoje, furibundos editoriais contra Lula. Para o Estadão, Lula detesta as pessoas “que lêem”:

“(…) a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes.”

E usa as palavras daquele ex-presidente que falava francês, inglês e qualquer outra língua em que soubesse dizer “sim, senhor”, para dizer que Lula “desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho”.

Já o jornal dos Marinho diz que Lula anda tomado pelo “espírito do Rei Sol, um Luís XIV tropicalizado. Porque? Porque quer dar lições de democracia a um jornal e a um império de comunicação que viveu e tornou-se um gigante sob as asas do governo militar, dos censores e da pressão?

As elites que eles tanto admiram, lá fora, não enxergam isso. O jornal francês Le Figaro publica hoje uma matéria extremamente elogiosa a Lula. “O presidente que modernizou o Brasil”

Numa tradução parcial da BBC, que pode ser lida aqui, a matéria diz:

“O chefe de Estado reagrupou algumas medidas sociais do seu antecessor e lhes deu uma dimensão inimaginável”, diz a reportagem do jornal.

“Pela primeira vez na história, o Brasil assiste a uma redução contínua e inédita das desigualdades. Em dois mandatos, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e 31 milhões entraram para a classe média.”

O jornal diz que o governo quer agora usar a riqueza dos novos campos de petróleo descobertos no litoral brasileiro para criar um fundo que beneficie os mais pobres.

Meu francês não chega nem perto de poder ler no original, aqui, para ler no original, mas dá perfeitamente para traduzir a frase do economista Marcelo Neri que encerra a matéria:

“De Gaulle teve razão durante muito tempo. Mas as coisas mudam. Nós estamos a caminho de sermos um país sério”.

Estamos mesmo, e não vamos sair deste caminho.

post do brizolaço.

PARECE QUE FOI ONTEM

“Os leitores mais velhos e os estudiosos da história brasileira vão se lembrar deste trecho de um documento histórico de 56 anos atrás, ainda muito atual:

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim! Não me acusam, me insultam; não me combatem, me caluniam. E não me dão o direito de defesa” .

Trata-se do trecho inicial da Carta Testamento de Getúlio Vargas, tornada pública a 24 de agosto de 1954, quando ocorreu o desfecho de uma crise fabricada pela direita.

Como agora, a direita se valia dos grandes proprietários dos veículos de comunicação para fabricar crises. Um deles, o histórico Roberto Marinho, com O Globo, que tem a UDN [hoje DEM e PSDB] em seu DNA. O jornal da família Marinho transformou-se nesta véspera de eleição de agora em um partido político de direita, da mesma forma que a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Veja nem se fala. Perderam a compostura.

Como se tudo isso não bastasse, o Clube Militar, que reúne a maior quantidade de golpistas de 64 por quilometro quadrado no Brasil, decidiu promover um seminário com o título “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de imprensa”. E sabem quem serão os palestrantes? Merval Pereira, de O Globo, Antonio Carlos Pereira, mais conhecido como Tonico Pereira (TV Globo), Reinaldo Azevedo (Veja), Ives Gandra Martins (Opus Dei) e Valdemar Zweiter, integrante de uma família que sempre teve vínculos profundos com a clã dos Marinhos.

O Clube Militar em vários momentos históricos esteve dividido. Em 1954, uma parte estava de mãos dadas com o conspirador mor Carlos Lacerda, Na época da criação da Petrobras, parte dos associados apoiou a campanha do Petróleo é Nosso. Em 1964 reuniu os golpistas que levaram o país para uma longa noite escura.Na sede do Clube há placas alusivas ao fato.

E, vejam bem, apoiaram todos os tipos de restrições à liberdade de imprensa. Muitos dos associados tiveram participação ativa nos anos de terror que se seguiram a derrubada do Presidente constitucional João Goulart. E agora, a diretoria, integrada por golpistas históricos, promove o tal seminário que conta com o apoio do Instituto Millenium, uma entidade semelhante a outras do gênero que foram criadas para dar respaldo aos golpistas de 64.

Por estas e muitas outras, a Carta Testamento do estadista Getúlio Vargas precisa ser mais do que nunca divulgada e conhecida, sobretudo pelos jovens que, felizmente, não viveram os tempos hediondos de censura, torturas e assassinatos de brasileiros que se insurgiam, de armas na mão ou não, contra o ideário defendido hoje por alguns associados do Clube Militar saudosos daqueles tempos de censura e repressão ao povo.

Quanto à saída da ministra Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, fica patente como a direita está preocupada com as pesquisas que apontam a vitória de Dilma Roussef. Na verdade, está se fazendo um jornalismo ao estilo “Escola de Base”, ou seja, condenando alguém antes de qualquer investigação.

Se ela tivesse continuado no cargo, nesta altura os mesmos que hoje aproveitaram o embalo do anúncio da demissão e reforçaram o aspecto da “gravidade da crise”, estariam pedindo a demissão.

As denúncias naturalmente precisam ser investigadas com rigor, da mesma forma que é necessário levar em conta que alguns dos denunciantes, como, por exemplo, o “consultor” Rubnei Quicoli tem ficha corrida assustadora. Quicoli é um meliante que já esteve preso por receptação de mercadorias roubadas, posse de dinheiro falso e assim sucessivamente.

Mas para a mídia conservadora isso é de menos, pois o que interessa é caluniar e ampliar a denúncia como a única verdade.

E Verônica Serra, a filha do candidato da avenida Paulista? Muito estranho o procedimento dos jornais e televisões que praticamente silenciaram em relação às denúncias da revista Carta Capital que a incriminam na questão da violação do Imposto de Renda de 60 milhões de correntistas graças a um acordo obscuro entre duas empresas na gestão FHC, sob auspícios do Banco Central. Ou seja, os jornalões só publicam o que interessa aos proprietários que apoiam o candidato da avenida Paulista, José Serra.

A denuncite que tomou conta da campanha eleitoral, que a TV Globo faz questão de diariamente repercutir entre os candidatos, é a única arma da direita para tentar evitar que a eleição se defina no primeiro turno a favor de Dilma. Querem encurralar Dilma agora e depois no governo.

A última denúncia da Veja é cômica. De repente, não mais que de repente, aparecem 200 mil reais na gaveta de funcionários da Casa Civil, resultado de suposta propina de um laboratório que produz vacina contra a gripe. A revista, ao estilo qualquer coisa serve, “denunciava” que o laboratório ganhou sem concorrência, quando se sabe que o mesmo era o único a fabricar a vacina. Isso é jornalismo de esgoto praticado pela família Civita.

Os “defensores da democracia” encastelados na mídia conservadora, no Instituto Millenium e no Clube Militar continuarão com os venenos de sempre, na base de mentiras e meias verdades.

Independentemente do resultado das eleições que se aproximam o setor continuará agindo sob a capa falsa de defesa da democracia. Ou será que ainda há quem acredite na democracia desses setores? Já imaginaram o motivo pelo qual militares golpistas estão hoje tão preocupados com a liberdade de imprensa? Seria cômico se não fosse trágico.

Por isso, todo cuidado é pouco, porque os setores conservadores seguirão fazendo ruído e tentarão de todas as formas impedir que o Brasil siga adiante e consolide o processo de democracia participativa. Foi assim em 1954 e 1964 quando os “democratas” desde criancinha fizeram e aconteceram. O Brasil não merece mais isso.”

FONTE: publicado no site “Direto da Redação”

SERRA PODE MAIS, PODE TUDO


Brizola Neto

“Alô pessoal do Millenium, cadê a fita?

Já faz dias que aconteceu o chilique de José Serra com a apresentadora Márcia Peltier, no programa “Jogo do Poder”, da CNT.

Ninguém pode assistir, apenas ler a transcrição – o áudio é bem ruim – da competente repórter Patricia Tieppo, do Terra, que o gravou, enquanto acompanhava a gravação de fora do estúdio.

A campanha de Serra exigiu a gravação original – para “transcrevê-la”, oficialmente - e levou embora.

Assistimos no ar uma versão pasteurizada. Mas tudo foi gravado, até, pelo menos, a hora em que Peltier, atendendo o pedido de Serra disse “apaga aí” para as câmaras. Só o que é público, do vídeo, até agora, é uma versão cortada e editada.

Será que não deu tempo ainda de transcrever e devolver?

Imaginaram se fosse com Dilma? Censura, confisco das fitas, truculência… O pessoal do tal Instituto Millenium estaria promovendo uma campanha internacional pela liberação das fitas. Com Serra, sequestrar as fitas, pode.

Ou estamos ainda na “Lei do Ricúpero”, onde o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde? Onde um receptador de carga e carro roubado pode dizer o que quiser no Jornal Nacional e o desequilíbrio de outro candidato é censurado aos olhos da população?

A mídia é o único lugar onde, sem sombra de dúvidas, Serra pode mais. Pode tudo.”

FONTE: escrito por Brizola Neto

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Para FHC as massas colocam a democracia em risco


Em entrevista a O Estado de S. Paulo, o ex-presidente tucano expõe o temor que a participação popular na política causa em líderes da oposição conservadora, como ele.

Por José Carlos Ruy


O debate político vai deixando cada vez mais claro o udenismo do PSDB, com ênfase no núcleo paulista do tucanato. Um aspecto dele ficou claro na entrevista que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu a O Estado de S. Paulo no domingo (19), onde expõe com clareza seu desprezo contra a massa e, simultaneamente, o temor de uma democratização mais profunda que assegure seu maior protagonismo.

Entre 1945 e 1965 a UDN (União Democrática Nacional) foi o partido do grande capital, dos banqueiros, dos aliados do imperialismo norte-americano e de amplos setores conservadores da classe média.

Seu programa tinha a mesma marca neoliberal do PSDB, se opunha ao desenvolvimento industrial e à incorporação dos trabalhadores à política. Defendia a integração subordinada do Brasil à divisão internacional do trabalho e às ordens do imperialismo norte-americano. Na oposição aos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart (que lutaram para desenvolver e democratizar o país e afirmar a soberania nacional) a UDN destacou-se em campanhas de mídia movidas à base de denúncias de falcatruas, como as que a oposição promove hoje contra o governo Lula. Elas deram à UDN o mesmo caráter “moralista” que distingue seus atuais descendentes agrupados no PSDB e aqueles que giram em seu entorno.

A UDN foi a responsável direta pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, no clímax de uma campanha que acusava o presidente de estar imerso num “mar de lama”, e pela deposição do presidente João Goulart, em 1964, acusado de montar uma “republica sindicalista”, de corrupção e, também, de comprometer a neutralidade e a imponência do cargo.

O caráter golpista e reacionário da UDN foi reconhecido por Afonso Arinos de Melo Franco que, embora líder daquela agremiação, era um democrata e um homem de bem. “Por trás da luta pela legalidade e contra Getúlio, de quem fui porta-voz, havia” disse ele em uma citação lembrada pela reportagem desta semana em CartaCapital sobre o udenismo dos tucanos, “também, a recusa do partido, militarista e conservador, em aceitar a fatalidade de certas mudanças”.

É contra a “fatalidade” de mudanças semelhantes às que o povo já exigia há mais de meio século, que o tucanato enfeita-se com o traje de vestais puras e honestas e reitera campanhas caluniosas contra o governo Lula e a candidata das forças de esquerda, Dilma Rousseff.

A entrevista de Fernando Henrique Cardoso a O Estado de S. Paulo tem o mérito de expor estes preconceitos antidemocráticos com clareza. Ele acusa Lula de juntar-se ao que “há de pior na cultura do conservadorismo” na política brasileira, quando o presidente aliou-se ao PMDB, o partido formado pelos democratas que lutaram contra a ditadura militar de 1964. Mas omite que ele próprio, FHC, se aliou àqueles que, na ditadura, estavam do outro lado, e apoiavam a perseguição policial contra os democratas, o atual DEM (que já foi Arena, depois PDS, depois PFL, antes de virar DEM).

No modo de ver de FHC não é daqueles herdeiros da perseguição política e da tortura que vem o risco para a democracia, mas... das massas populares. Ele investe contra a “democracia popular” afirmando que “democracia é mais do que ter maioria”, que é conquistada “à força pelas ditas democracias populares. Democracia também é respeito à lei, respeito à Constituição, respeito às minorias e à diversidade. Tudo isso é obscurecido nas democracias populares, onde se entende que, se você tem a maioria, você tem tudo e pode tudo”. Em outro ponto da entrevista, diz ser preciso demonstrar que “o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia”.

É preciso decifrar o que ele diz. Ele, que como presidente da República comandou os ataques que desfiguraram a Constituição de 1988, pede respeito à Constituição, às leis, às minorias e à diversidade. Até onde se sabe, no Brasil de hoje não há ameaças à legalidade, exceto o eterno sonho golpista da aliança entre a mídia e o tucanato; o respeito às minorias e à diversidade é manifesto, e qualquer mudança constitucional só pode ser feita alcançando as maiorias qualificadas exigidas pela Carta Magna.

O que aflige FHC, quando fala de “minorias”, “diversidade” e respeito “às leis” é a iminência de um tsunami que vai varrer do cenário setores da oposição e da direita, entre eles parcela significativa do atual núcleo de resistência direitista contra as mudanças, formado justamente pelo PSDB, DEM e PPS.

A ironia é assistir ao ex-presidente campeão de mudanças constitucionais e alterações institucionais clamar por garantias de imobilismo ante a ameaça do “sentimento popular” e da “incorporação da massa à política”.

Ele duvida que as massas populares possam conviver com a democracia. É preciso "ter limites", reclama, mirando a ação do presidente da República que, tendo justamente origem popular, conduz para a massas para avanços que, na opinião do dirigente tucano, são ameaçadores.

Neste ponto FHC revela, em linguagem contemporânea, a mesma oposição udenista contra o protagonismo político do povo e dos trabalhadores. Na década de 1950 muitos udenistas defendiam a adoção do voto qualificado. Um deles, o jornalista Afonso Henriques, um chamado “voto cultural progressivo”: o voto do eleitor meramente alfabetizado valeria um; se ele tivesse diploma do curso primário, valeria dois; se tivesse escolaridade média ou superior incompleto, valeria três; se tivesse diploma do curso superior, valeria quatro.

A contradição que FHC identifica entre “democracia” e “incorporação das massas” tem um sentido excludente e elitista semelhante-. É o udenismo com feição contemporânea que, no dia 3 de outubro, o eleitor brasileiro vai derrotar e alojar no restrito lugar da história, e da política, que corresponde á sua decadente força social.

"Brasil ficará mais forte se trabalhar com Rússia, Índia e China"

"O Brasil ficará muito mais forte se trabalhar com a Rússia, China e Índia na construção de uma alternativa para o Banco Mundial e para o FMI. É preciso criar sua própria estratégia de desenvolvimento para ficar livre da estratégia neoliberal que falhou. Juntos, vocês podem criar uma alternativa e preservar suas riquezas em vez de deixar que seja explorada pelo Norte", diz o economista Michael Hudson, em entrevista à Carta Maior. "Brasil deve agir na defesa de seus interesses. Essa é a única forma de ter influencia", acrescenta.

Severo crítico das políticas econômicas desenvolvidas pelos Estados Unidos e Europa para os países emergentes, o economista norte-americano Michael Hudson explica em entrevista à Carta Maior o seu ponto de vista para o desenvolvimento brasileiro no mundo pós-crise.

Como funciona a economia dos países emergentes no mundo pós-crise?

MICHAEL HUDSON: As categorias usadas em estatísticas refletem uma teoria econômica. As pessoas acham que as estatísticas são empíricas, mas na verdade elas refletem categorias teóricas e a maior parte das teorias econômicas reflete o interesse econômico de uma classe por uma nação. Assim, por exemplo, o conceito do Produto Interno Bruto (PIB) presume que todos são igualmente capazes de produzir e que todos recebem pelo trabalho e não algo como renda pessoal.

Porém, os economistas clássicos dividiram a economia entre as economias reais que se tem hoje: a economia de produção e de consumo e o setor rotier, RAMTA, FIRE (em inglês, Finança, Seguros e Especulação Imobiliária, em contraposição aos setores produtivos da economia). Então, os economistas clássicos dividiriam o índice nacional do PIB e produtos em produção e overheads (demanda). Mas, na verdade, o PIB é composto por rendimentos resultantes do trabalho. É como se Wall Street, os financistas e os locatarios ganhassem seu dinheiro por oferecer um serviço: emprestar dinheiro, financiar e alugar imóveis. No entanto, se levarmos em conta os 200 anos de economia clássica, veremos que juros e aluguel são demandas e não produtos. Daí a confusão entre investimento e produção.

Nesse contexto, as teorias de Benjamin Litworth, foram linguisticamente importantes. Ele dizia que as pessoas são moldadas pela linguagem que usam. Se a linguagem tem um conceito que prevê que todos são produtivos, isso significa que ninguém vai ganhar um “almoço grátis”. A Escola de Chicago diz que não existe “almoço grátis”. No entanto, a maioria das economias hoje visa a conseguir um “almoço de graça”. Essa é a tragédia da maioria das economias atuais.

Cada vez mais atividades financeiras estão voltadas para relacionar crédito e dívida para recursos de produção, para tornar rendimento em juros, aluguel em juros e o rendimento das pessoas em juros. É extrativo, não é produtivo. Então o conceito entre extração e produção é um exemplo de como palavras são importantes para moldar sua visão de mundo.

Para onde os conselhos de desenvolvimento deveriam se voltar?


MH: Eu acho que agora o foco deveria ser os países que compõem o BRIC porque eles fazem parte de uma classe diferente. O resto do mundo, especialmente os EUA e também a Inglaterra e a Europa, querem criar créditos livres para estabelecer uma relação entre o crédito e todos os seus recursos. Querem fazer isso com florestas, minas, e indústria. Assim, o BRIC está em uma posição que precisa de alternativa para o alinhamento entre Europa e a América do Norte

Em outra palavras, EUA e Europa estão prejudicados por juros. O mercado imobiliário, especialmente, está em crise. Os países do BRIC são os únicos que ainda não foram atingidos pela crise. Então algumas pessoas dizem: olhe, ainda há espaço para extrair mais dinheiro deles.

O Brasil ficará muito mais forte se trabalhar com a Rússia, China e Índia na construção de uma alternativa para o Banco Mundial e para o FMI. É preciso criar sua própria estratégia de desenvolvimento para ficar livre da estratégia neoliberal que falhou. Juntos, vocês podem criar uma alternativa e preservar suas riquezas em vez de deixar que seja explorada pelo Norte.

Como os Estados Unidos se posicionam frente a este movimento?


MH: Os EUA farão tudo que puderem para se opor a esta independência. Em 1962, conversei com o presidente Kubitschek depois que ele deixou a presidência. Ele foi à Nova York e explicou que havia sido tirado do poder pelos Estados Unidos. Os EUA não vão deixar nenhum país tomar conta de seus próprios recursos, assim como não deixaram nenhum país desenvolver a habilidade de se auto-sustentar. Por isso o Brasil deve ser completamente independente. Vimos o que os EUA fizeram no Irã. Quando o país quis gerir o próprio petróleo, os Estados Unidos puseram o xá no poder, apoiando o mais reacionário movimento islämico.

O mesmo se passou no Afeganistão: quando eles tentaram secularizar e dar poder às mulheres, os americanos criaram a Al-Qaeda e financiaram a organização e o islã fundamentalista durante a luta. Os EUA vão fazer tudo que puderem para combater o Brasil, assim como a Europa, porque eles querem a riqueza do país para eles.

E se o Brasil quiser ser independente, eles entenderão isso como um ataque! Se os países dizem que querem ser livres, eles dizem que isto é escravidão para uma ideia não-americana. Por isso é preciso se livrar dos ideais americanos de liberdade, porque o que eles afirmam ser liberdade, outros países chamam de sofrimento! O que eles estão fazendo é retroceder a economia e a sociedade para um padrão cultural que restabeleça tudo que o século XIX pensou ter se livrado.

Antes, a dominação de um país pelo outro era feita militarmente, hoje acontece pela economia. A conquista financeira é bem parecida com a militar: visa a tomar o território de outro país, neste caso criando uma dívida e fazendo com que ele pague juros. O controle da indústria de um país é o controle da oferta americana. Não por meio do pagamento de tributos, mas pelo pagamento de juros e dividendos em aluguel. A justificativa para isso? É assim que o mundo funciona. Acontece que o mundo não funciona assim e cabe ao Brasil e aos demais países do BRIC criarem uma alternativa e dizer: temos uma ideia diferente de como o mundo deveria funcionar. Não precisa ser dessa forma.

Como o Brasil pode ter maior participação nas decisões econômicas globais?

MH: Agindo em defesa de seus interesses. Você não precisa que outras pessoas aprovem o que está fazendo. Esta é a única maneira de se ter influência. O desafio é seguir seu próprio caminho e não tentar ser popular com os americanos, com o Banco Mundial ou com o FMI, mas dizer: nós temos recursos que podem tornar todos os brasileiros ricos, e vamos desenvolver pesquisas para os brasileiros, não para os banqueiros e investidores americanos ou europeus. Vamos trabalhar com outros paises para criar o tipo de mundo que os livros de economia dizem ser a favor: investimento no aumento do padrão de vida. Faremos isso do nosso modo.

Notem que os conselhos dados pelos EUA para os outros países não equivalem ao método adotado por eles para enriquecer. Os Estados Unidos prosperaram no século XIX através de terror protecionista, do investimento do governo em infraestrutura. Eles ficaram ricos e se tornaram a indústria dominante no mundo através da não-privatização de seus recursos, mas investindo em estrutura pública para diminuir os custos quando se trata de fazer negócios.

O Brasil deveria dizer que seu objetivo é diminuir os custos de fazer negócios para se livrar de despesas desnecessárias. E despesas desnecessárias são o que os economistas chamam de juros imobiliários e overheads. Os brasileiros podem abrir seu próprio caminho assim. Se um investidor estrangeiro decidir investir no Brasil, ele vai estabelecer um subsidiário financeiro, fará um empréstimo para si próprio, grande o suficiente para absorver todos os lucros e juros, e depois vai dizer que não tem nenhum lucro, então não tem de pagar nenhum tributo fiscal ao Brasil.

O país deveria tirar os juros de adaptabilidade, trocar as taxas de trabalho e de indústria por outras sobre uso da terra e pesquisa. O Brasil deveria ter taxas de pesquisa, como foi discutido na Austrália recentemente e como se pensou em fazer na Rússia no fim dos anos 90. As taxas de pesquisa são uma forma de manter o excedente de produção econômica do Brasil, em lugar da lei atual defendida pelos EUA e pelos liberais que determina que se dê permissão para as companhias privadas explorarem as suas riquezas. O Brasil está dando isso para os investidores estrangeiros, em vez de trazer investimentos para seu próprio país.

Neste contexto, o que representa a expressão Governança Global?


MH: A palavra governo vem do verbo impulsionar. Quer dizer, como a economia mundial vai ser impulsionada. Obviamente, tem sido impulsionada em duas direções diferentes. Os chineses têm um provérbio: quem tenta tomar dois caminhos de uma vez só vai ter um quadril quebrado. É preciso escolher qual rumo tomar e ter coragem de seguir seu caminho de desenvolvimento.

O que o Brasil pode aprender com isso?

MH: Pode aprender como os EUA ficaram ricos no século XIX, depois da Guerra Civil e não como eles estão dizendo que vocês devem fazer agora. Estudando como a Inglaterra se tornou a sede da Revolução Industrial nos séculos XVII e XVIII, através do mercantilismo, do protecionismo e por se opor aos juros financeiros e imobiliários, se livrando dos vestigios do feudalismo. Assim como a batalha das economias clássicas na Europa de 800 anos, combatendo a conquista de suas terras por exércitos estrangeiros, por bancos estrangeiros cobrando juros!

Então o Brasil tem que se livrar do colonialismo. Um dos problemas foi o latifúndio e o problema de divisão de terras provocado por ele. Outro foi o fato de o Banco Mundial ter incentivado o Brasil a se tornar exportador, em vez de alimentar algumas pessoas. Assim como a Rússia, a China e a Índia estão se voltando mais para alimentar a própria população, o país deveria usar sua terra para plantar grãos e alimentar sua população em vez de importar os alimentos.

Para seguir seu próprio caminho você deve ser economicamente independente. Isso foi o que os EUA fizeram e pode-se dizer que os EUA são o único país no mundo que de fato defendeu seus interesses econômicos. Não há nada de errado nisso, há ônus e bonus, mas o que é bizarro é que os outros países não tenham tentando defender seus próprios interesses. Se isso ocorresse, haveria outros países em posição de atuar como iguais e o Brasil teria uma economia justa, que cresceria bem mais rápido.

Galbraith diz que progresso social do Brasil é impressionante

"É impressionante. Funciona e é algo que deve ser compreendido pelo resto do mundo. Em toda a minha vida, esta é a primeira vez que o resto do mundo está olhando para a América do Sul e para o Brasil como exemplo de algo que funcionou. A população tem aceitado e essa, a meu ver, é a coisa certa a se fazer". As afirmações são do economista James Galbraith, que participou de um seminário promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em Brasília. Em entrevista à Carta Maior, Galbraith analisa a situação da economia mundial e elogia as políticas de combate às desigualdades sociais em curso no Brasil e em outros países da América Latina.

Respeitado internacionalmente por seu posicionamento frente às questões econômicas mundiais, o economista James Galbraith, de passagem por Brasília para participar do Seminário Internacional sobre Governança Global, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conversou com a Carta Maior sobre crise, desenvolvimento e capitalismo. Confira:

Na sua opinião, estamos assistindo ao desenvolvimento de um novo ciclo da economia mundial?

JAMES GALBRAITH: Certamente estamos observando um novo ciclo, mas se será caracterizado por desenvolvimento, ainda não está claro. Isso depende da capacidade da comunidade internacional de moldar o caminho futuro da mudança econômica com uma visão estratégica apropriada. Até então, não temos visto isso. O que vemos – e refiro-me aqui aos Estados Unidos e à Europa, que estão no centro da crise – é um esforço para fazer as coisas voltarem ao que eram e fazer com que instituições falidas voltem a funcionar nos mesmos padrões de antes da crise.

O desapontamento que estamos testemunhando com os resultados da economia, me parece ter bastante a ver com o fato de que essa estratégia simplesmente não vai funcionar. Não é um método realista. Não estou separando a crise dos EUA da europeia. O que aconteceu com a Europa foi uma corrida por qualidade. Venderam os bounds e outros investimentos que acharam arriscados. Pensaram que a Grécia, Portugal e Irlanda eram arriscados e compraram títulos do tesouro americano. Fizeram isso porque outros investimentos que tinham, como os relacionados ao mercado imobiliário americano, perderam valor. Então, tentaram proteger sua posição. Não é que tenham descoberto algum ruim sobre a Grécia – todos os investidores sabem há décadas que a Grécia tem problemas: o país não cobra taxas dos ricos e tem os serviços muito amplos e ineficientes –. Isso não é segredo. A verdade é que no ciclo da economia, nos bons tempos você empresta dinheiro para países fracos e nos ruins, para de emprestar. Foi o que aconteceu com a Grécia. Tiraram os investimentos não porque descobriram algo novo sobre o país, mas devido ao que aconteceu nos EUA.

Especialistas dizem que os Estados Unidos estão prestes a sofrer uma nova crise econômica. O que o senhor pensa a respeito?

JG: Acho que ainda estamos trabalhando em um mesmo processo, que na verdade foi tornado inevitável há vários anos devido à falta de habilidade para regular e controlar o sistema financeiro. Isso levou primeiro ao boom, depois à crise e como consequência disso haverá um longo período para saldar as dívidas. E isso é muito mais complicado do que no caso dos países da América Latina nos anos 80. Nesse caso, tinha-se uma única fonte de empréstimo e quando se negociava com ela, vamos dizer bancos internacionais, estava resolvido. Era apenas uma questão de chegar a um ponto em que os bancos concordassem em fazer um acordo ou se o Tesouro Americano estava preparado para enconrajá-los a fazer um acordo, e isso aconteceu em 1989.

Na situação atual, existem milhões de fontes de empréstimo e milhares de credores, porque o financimento imobiliário foi dividido, segurizado e cortado em pedaços e agrupado com todos os outros instrumentos complicados. Então a dificuldade de se chegar a um acordo é muito grande. De fato, em termos práticos, não vai ser possível. O que vai acontecer é que as pessoas vão evitar fazer novos financiamentos. É o que elas vão fazer. O banco é dono da casa, a família vai para algum outro lugar.

O Brasil conseguiu escapar aos efeitos mais perversos das últimas crises. Isso aconteceu porque o governo agiu certo ou foi mera sorte de país emergente?

JG: Nos últimos dez anos, o Brasil tem buscado uma política de incremento, mudanças institucionais e desenvolvimento. Criou um sistema financeiro com inúmeras alternativas aos bancos comercias e completou o ciclo de circulação econômica, aumentando o poder de compra das classes mais pobres. E isso funciona. Há dois países no mundo nos quais você vê um mercado de redução da pobreza extrema: a China é um e o Brasil é outro. A situação da China se aplica apenas a ela. O legado histórico e institucional da China não é algo que alguém adotaria de maneira voluntária: a Revolução Cultural. O que eles fizeram é incrivel, mas tendo como preço um enorme sofrimento e uma sociedade que não é livre.

O Brasil fez isso sob uma democracia funcional, construído sobre princípios sociais essencialmente democráticos que tem sido atacados ininterruptamente por ideólogos neoliberais nos ultimo 30 anos. Ainda assim, aqui observamos, às sombras do modelo econômico da última década, um exemplo de que essa política acarretou um progresso social indiscutível e, mais do que isso, parece ser bem popular. A população tem aceitado e essa, a meu ver, é a coisa certa a se fazer. É impressionante. Funciona e é algo que deve ser compreendido pelo resto do mundo. Em toda a minha vida, esta é a primeira vez que o resto do mundo está olhando para a América do Sul e para o Brasil como exemplo de algo que funcionou.

Em sua apresentação o senhor disse que as pessoas tem uma ideia muito romântica acerca do capitalismo. Como isso ocorre?

JG: Particularmente nos EUA existe, no momento, um discurso político com uma tendência para descrever o país como liberal e com um mercado livre, no sentido da economia capitalista europeia. Isso é uma besteira. Não corresponde aos EUA no qual a população vive. O grande capitalismo liderado pelos bancos e instituições financeiras entrou em colapso em 1929.

A partir do início dos anos 30 o país foi reconstruído, tornando-se totalmente diferente, com um modelo que tinha um forte elemento de companhias privadas, mas no qual instituições cruciais foram estabelecidas por autoridades públicas, pelo New Deal. Nós temos a previdência social, a administração pública de trabalho, o conselho de monitoramento, a autoridade de Tenesee Valley, as indústrias públicas de administração, e poderíamos continuar conversando por muito tempo sobre como o país foi consruído nas décadas de 1930 e 1940. Isso levou a um periodo de prosperidade relativamente estável durante os anos de 1950 e 1960, até chegar à década de 1970.

O que aconteceu depois disso foi um esforço feito por Reagan, e particularmente por Bush (filho), de estabelecer o mundo que existia antes de 1929. Ter um país no qual o verdadeiro poder estava nas mãos do setor financeiro privado. Nessa escolha, existem duas realidades: a primeira é que haverá uma ascensão e queda muito rápidas. E a outra é que eles ainda não desmembraram as instituições existentes dos anos 1930 aos 1960. Então ainda temos previdência social, MedCare... ainda temos grandes instituições que estabilizam a economia e que funcionam. Essa é a razão para a crise não ter sido tão violenta quanto a de 1929. A taxa de desemprego chegou a 10% e não a 25%. O que é chamado de capitalismo não tem sido capitalismo. Esse, ao longo da minha vida, eu não conheci.

A ESTRATÉGIA DA DESLEGITIMAÇÃO DO VOTO

O MODELO É O MESMO DE CARLOS LACERDA CONTRA VARGAS EM 1950: 'SE ELEITO, NÃO DEVE GOVERNAR'

na reta final das eleições de 2010, a mídia demotucana desistiu de manter as aparências e ressuscitou o golpismo udenista mais desabrido e virulento. O arrastão conservador não disfarça a disposição de criar um clima de mar de lama no país nas duas semanas que separam a cidadania das urnas."Ódio e mentira", disse o Presidente Lula, no último sábado, em Campinas, para caracterizar a linha editorial que unifica agora o dispositivo midiático da direita e da extrema direita em luta aberta contra ele, contra o seu governo, contra o PT , contra Dilma mas, sobretudo, contra a legitimidade do apoio popular avassalador ao governo e a sua candidata nestas eleições. O jornal o Globo foi buscar no sempre desfrutável Caetano Veloso o mote para a investida: "É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza". Ou seja, a vitória que se anuncia é ilegítima. Virtualmente derrotada a coalizão demotucana já não têm mais esperança eleitoral em Serra, que avalia como um 'estorvo', um erro e um fracasso --o mesmo "Caê", na entrevista ao jornal carioca, classifica o tucano como "burro", por não ter , desde o início, atacado frontalmente Lula. Sua candidatura, agora, sobrevive apenas como mula de um carregamento de forças, interesses, veículos e colunistas determinados a sabotar por antecipação o governo Dilma, custe o que custar. O objetivo é criar uma divisão radicalizada na sociedade brasileira. Vozes do conservadorismo, mesmo quando travestido de ares pop, caso de Caetano, inoculam na elite e segmentos da classe média um sentimento de menosprezo e ilegitimidade pelo veredito quase certo das urnas. A audácia sem limite cogita, inclusive, levar Dilma a depor no Senado, às vésperas do pleito que deve consagrá-la Presidente do país. O desafio à vontade popular é claro e típico do arsenal golpista. A receita é a mesma pregada por Carlos Lacerda, em manchete do jornal Tribuna da Imprensa, em 1º de junho de 1950, quando era evidente a vitória de Getúlio Vargas contra a UDN. O lema de ontem comanda hoje a ordem unida que articula pautas, capas e manchetes nos últimos 12 dias de campanha: "o senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência, Candidato, não deve ser eleito, Eleito, não deve tomar posse, Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar..."
(Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe; 20-09)

ELA É A MINHA PRESIDENTA!

domingo, 19 de setembro de 2010

cronograma da mídia


post do tudo em cima

Serra, o golpista

Há horas em que a gente tem de falar as coisas sem meias palavras.

Serra e a grande imprensa estão pressionando as instituições da República para que se deflagre um golpe político-eleitoral de dimensões catastróficas.

Hoje de manhã, Serra patrocinou uma reunião com o senador Álvaro Dias para montar uma “convocação” de Dilma ao Senado para explicar. Explicar o quê? Do que ela é acusada?

As instâncias legítimas para qualquer investigação, de qualquer ato, de quem quer que seja, estão funcionando.

Tudo está sendo investigado pelas regras da legalidade democrática, mesmo as situações mais inverossímeis, como esta história de um cidadão chegar e encontrar R$ 200 mil numa gaveta como “presente” não solicitado. Mesmo as denúncias de um receptador de carga e de carro roubado, condenado pela Justiça. Mesmo o “favorecimento” do único laboratório que produz o remédio contra a gripe suína.

Não há acobertamento de coisa alguma. Se há alguma irregularidade, alguma desonestidade, alguma prevaricação, as autoridades públicas não dão sinal algum de que isso possa ser acobertado.

Lacerda fez isso com Vargas, até levá-lo à morte.

Os métodos são os mesmos.Mas não é, agora, o Corvo, mas a Democracia que diz: nunca mais, nunca mais…

Não temos nenhuma crise, econômica, política ou institucional.

O que temos é um processo de terrorismo de mídia. Uma completa irresponsabilidade de publicar algo – não discutindo se procedente ou não – sem qualquer prova senão acusações pessoais.

Qualquer coisa vai para a primeira página. Qualquer coisa vai para o Jornal Nacional.

Nem Collor, com Míriam Cordeiro chegou ao ponto que a grande mídia chegou.

O Ministério Público, que mediu cada sílaba pronunciada por Lula em cada evento público, para ver se havia “propaganda indevida” ignora o que se faz, todos os dias, em cada banca de jornal e aparelho de tevê. Vai, é incrível, atrás de achar favorecimentos inexistentes na única revista que não age como agente de José Serra.

O relógio, o calendário, as horas e dias passando sem que apareça uma chance à direita deste país, os açula.

Não, José Serra, você não vai transformar o Senado da República na República do Galeão. Não vai fazer ali o linchamento moral que os jornais, revistas e tevês que são, hoje, seus únicos apoios, os eleitores de um candidato que percorre ruas vazias, visita favelas cenográficas e cumprimenta populares a pedido dos cinegrafistas da Globo, fazem por você.

Somos, senhor José Serra, homens e mulheres civilizados. Queremos enfrentá-lo nas urnas. Nem mesmo queremos destruí-lo, apenas desejamos que se reduza à sua verdadeira estatura, a de um anão moral e político, de um homem a quem a sede de poder e mando encolheu, minguou, deformou até transforma-lo numa mórbida caricatura de seu passado.

O senhor, José Serra, é um cadáver insepulto, que exala os miasmas do golpismo.

As urnas o exorcizarão. O povo brasileiro poderá viver a luz do progresso. E o senhor, finalmente, descansará em paz , retornado ao pó em que sua ambição moeu um ser humano.

post do tijolaço

sábado, 18 de setembro de 2010

Nassif: O fim de um ciclo em que a velha mídia foi soberana


Dia após dia, episódio após episódio, vem se confirmando o cenário que traçamos aqui desde meados do ano passado: o suicídio do PSDB apostando as fichas em José Serra; a reestruturação partidária pós-eleições; o novo papel de Aécio Neves no cenário político; o pacto espúrio de Serra com a velha mídia, destruindo a oposição e a reputação dos jornais; os riscos para a liberdade de opinião, caso ele fosse eleito; a perda gradativa de influência da velha mídia.

Por Luís Nassif, em seu blog

O provável anúncio da saída de Aécio Neves marca oficialmente o fim do PSDB e da aliança com a velha mídia carioca-paulista que lhe forneceu a hegemonia política de 1994 a 2002 e a hegemonia sobre a oposição no período posterior.

Daqui para frente, o outrora glorioso PSDB, que em outros tempos encarnou a esperança de racionalidade administrativa, de não-sectarismo, será reduzido a uma reedição do velho PRP (Partido Republicano Paulista), encastelado em São Paulo e comandado por um político – Geraldo Alckmin – sem expressão nacional.

Fim de um período odioso

Restarão os ecos da mais odiosa campanha política da moderna história brasileira – um processo que se iniciou cinco anos atrás, com o uso intensivo da injúria, o exercício recorrente do assassinato de reputações, conseguindo suplantar em baixaria e falta de escrúpulos até a campanha de Fernando Collor em 1989.

As quarenta capas de Veja – culminando com a que aparece chutando o presidente – entrarão para a história do anti-jornalismo nacional. Os ataques de parajornalistas a jornalistas, patrocinados por Serra e admitidos por Roberto Civita, marcarão a categoria por décadas, como símbolo do período mais abjeto de uma história que começa gloriosa, com a campanha das diretas, e se encerra melancólica, exibindo um esgoto a céu aberto.

Levará anos para que o rancor seja extirpado da comunidade dos jornalistas, diluindo o envenenamento geral que tomou conta da classe.

A verdadeira história desse desastre ainda levará algum tempo para ser contada, o pacto com diretores da velha mídia, a noite de São Bartolomeu, para afastar os dissidentes, os assassinatos de reputação de jornalistas e políticos, adversários e até aliados, bancados diretamente por Serra, a tentativa de criar dossiês contra Aécio, da mesma maneira que utilizou contra Roseana, Tasso e Paulo Renato.

O general que traiu seu exército

Do cenário político desaparecerá também o DEM, com seus militantes distribuindo-se pelo PMDB e pelo PV.

Encerra-se a carreira de Freire, Jungman, Itagiba, Guerra, Álvaro Dias, Virgilio, Heráclito, Bornhausen, do meu amigo Vellozo Lucas, de Márcio Fortes e tantos outros que apostaram suas fichas em uma liderança destrambelhada e egocêntrica, atuando à sombra das conspirações subterrâneas.

Em todo esse período, Serra pensou apenas nele. Sua campanha foi montada para blindá-lo e à família das informações que virão à tona com o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr e da exposição de suas ligações com Daniel Dantas.

Todos os dias, obsessivamente, preocupou-se em vitimizar a filha e a ele, para que qualquer investigação futura sobre seus negócios possa ser rebatida com o argumento de perseguição política.

A interrupção da entrevista à CNT expôs de maneira didática essa estratégia que vinha sendo cantada há tempos aqui, para explicar uma campanha eleitoral sem pé nem cabeça. Seu argumento para Márcia Peltier foi: ocorreu um desrespeito aos direitos individuais da minha filha; o resto é desculpa para esconder o crime principal.

Para salvar a pele, não vacilou em destruir a oposição, em tentar destruir a estabilidade política, em liquidar com a carreira de seus seguidores mais fiéis.

Mesmo depois que todas as pesquisas qualitativas falavam na perda de votos com o denuncismo exacerbado, mesmo com o clima político tornando-se irrespirável, prosseguiu nessa aventura insana, afundando os aliados a cada nova pesquisa e a cada nova denúncia.

Com isso, expôs de tal maneira a filha, que não será mais possível varrer suas estripulias para debaixo do tapete.

A marcha da história

Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.

Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.

Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.

Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.

Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.

Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.

Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.

E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.

Os novos tempos

A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.

De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.

A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.

Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização.

As ameaças à liberdade de opinião

Dia desses, me perguntaram no Twitter qual a probabilidade da imprensa ser calada pelo próximo governo. Disse que era de 25% - o percentual de votos de Serra. Espero, agora, que caia abaixo dos 20% e que seja ultrapassado pela umidade relativa do ar, para que um vento refrescante e revitalizador venha aliviar a política brasileira e o clima de São Paulo.
post do nassif

Lula: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos”


por Luiz Carlos Azenha

Vi um pequeno trecho do discurso de Lula em Campinas, pela rede. Anotei: “Dono de jornal tem lado. Dono de TV tem lado. Dono da revista tem lado”, disse o presidente da República ao pool de repórteres que cobria o evento, pedindo a eles que também se decidissem.

Segue uma descrição feita pelo Estadão, mas me pareceu incompleta. Deixem nos comentários vídeos ou o texto completo do discurso, já que me parece que é a primeira vez que Lula explicita abertamente que os jornalões participam da campanha eleitoral, embora neguem:

‘Nós somos a opinião pública’, afirma Lula

Presidente critica imprensa e diz que não precisa de formadores de opinião

18 de setembro de 2010 | 15h 16

Rodrigo Alvares
, do estadão.com.br

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas contundentes à imprensa e à oposição durante comício realizado na tarde deste sábado, em Campinas (SP).

“Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”, afirmou.

Também falou que os jornalistas precisam ter um “lado” porque também votam.Lula também atacou abertamente o PSDB: “Não tem nada que faça um tucano sofrer mais que ter um bico tão grande para falar e tão pequeno para fazer”.

Caminhando de um lado para o outro no palco, o presidente chegou a ironizar que Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e José Eduardo Dutra haviam pedido para ele “se conter”. “Tem algumas coisas que precisam ser ditas. Vocês sabem que tucano come até filhote no ninho. Quando o Mercadante se eleger governador, vou criar um Bolsa Família para os tucanos não passarem fome.

Pouco antes, Dilma falou que “em 2002, eles diziam que não tínhamos competência para governar. Hoje, podemos falar que um metalúrgico foi capaz de fazer mais escola técnica do que os doutores que vieram antes”.

A petista não comentou a saída de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, ou as asdenúncias puclicadas nos últimos dias. Preferiu mobilizar a plateia até o dia 3 de outubro e se ateve às conquistas do governo Lula: “Daqui a 15 dias, vamos estar decidindo qual é o rumo deste País. Se queremos aquele País das desigualdades ou se queremos um País construído pelo presidente Lula.

A ex-ministra da Casa Civil disse que vai “honrar o legado desse governo sem miséria, onde podemos viver em paz”. “Mais que honrar, vou seguir um conselho do Lula: ‘O difícil não é governar, é governar com o coração. Você tem de saber de que lado está. Nós estamos do lado de 190 milhões de brasileiros”.

PS do Viomundo: É óbvio que o presidente da República, ser político que é, nesta questão mata três coelhos de uma vez: polariza a eleição (para reduzir a abstenção), blinda sua candidata de acusações da mídia (mesmo as que porventura forem procedentes e não partirem do maníaco do parque) e radicaliza o tucanato midiático (quanto mais falarem mal de um presidente com quase 80% de popularidade, mais votos ele conquista para Dilma).

Não querem só calar Carta Capital. Querem matá-la

Os donos da grande mídia no Brasil adoram montar seminários para dizer que a liberdade de imprensa está ameçada no país. Seus argumentos são ridídulos e nem mesmo eles acreditam nisso, tanto que ousam as maiores irresponsabilidades com a certeza de que nada lhes acontecerá. Jornalistas estrangeiros, que trabalham em veículos respeitáveis, afirmam que o Brasil desfruta de uma liberdade de imprensa difícil de ver em outros lugares.

Se alguém acredita no apreço que esse grupo tem pela liberdade de imprensa ,veja o que acontece agora, quando a revista Carta Capital é intimada por ofício da procuradora eleitoral Sandra Cureau a apresentar a relação da publicidade e dos valores recebidos do governo federal em 2009 e 2010. Ninguém deu um pio. Pior ainda, nem uma linha. O assunto só circulou na blogosfera, já que a grande mídia tenta aparentar que Carta Capital não existe.

Se tal medida fosse tomada em relação à Veja ou Folha de S.Paulo, por exemplo, todos os jornais estariam escrevendo editoriais, o instituto Millenium já teria convocado o Reinaldo Azevedo e o Jabor para bradarem contra censura e o totalitarismo no país e a Sociedade Interamericana de Imprensa alardearia o fato além das nossas fronteiras.

É claro que dessa turma não podemos esperar nada. Mas temos que exigir que a sociedade e principalmente os órgãos de classe se manifestem. Cadê a Associação Brasileira de Imprensa? Onde estão os sindicatos de jornalistas? A Ordem dos Advogados do Brasil? É preciso denunciar a tentativa de censura que fazem a um veículo da imprensa brasileira que ousa desafiar a voz comum e pratica um jornalismo de personalidade e qualidade únicos.

Disse mais cedo: quem cria um estado de intimidação e vassalagem no Brasil não é o Estado, mas o statablishment, o poder empresarial.

Mino Carta, diretor de redação da Carta Capital, não pode ficar se defendendo sozinho, embora tenha talento bastante para isso, como ao responder a Bob Fernandes, do Terra Magazine, sobre a intenção do ofício da dra. Cureau. “A senhora Cureau entende que nós somos comprados pelo governo federal, via publicidade. Se ela se dedicasse, ou se dedicar, porém, à mesma investigação junto às demais editoras de jornais, revista, e outros órgãos da mídia verificaria, verificará, talvez com alguma surpresa, que todos eles têm publicidade de instituições do governo em quantidade muito maior e com valor maior do que Carta Capital.”

E ainda completou: “Aliás, me ocorre recordar que durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, dito FHC, fomos literalmente perseguidos pela absoluta ausência de publicidade do governo federal. E a pergunta que faço é a seguinte: então, alguém, inclusive na mídia, se incomodou com isso? Ninguém considerou esse fato estranho? Uma revista de alcance nacional não receber publicidade alguma enquanto todas as demais recebiam?”

A indagação de Mino Carta é óbvia. Se hoje a grande mídia busca silenciar Carta Capital, no governo dos tucanos ela tinha o apoio do governo para isso. Não só silenciá-la, mas se possível asfixiá-la economicamente até a morte.

Mas enganam-se. Em pouco tempo, se houver uma ação aguda de um governo comprometido com a liberdade de informação, e a internet chegar à toda a população, eles estarão reduzidos ao monopólio do…. nada…

Escrevam o que digo, vamos enfrentar uma batalha pesadíssima no Congresso para abrir a internet a todos os brasileiros. Os “donos” da informação farão de tudo – como vocês já viram que eles são capazes – para, em nome de sua arrogância empresarial, continuarem negando ao povo brasileiro o direito de saber a verdade.

post do tijolaço

Lula: “A opinião pública somos nós”

Durante toda essa campanha, destaquei que a nossa força é a verdade ao nosso lado. E a melhor coisa é poder dizer a verdade por inteiro, sem meias palavras, sem os punhos de renda que tanto agradam a elite. O presidente Lula tem tido um papel fundamental nesse sentido. Seus discursos são cada vez melhores, mais claros e mais diretos, falando ao povo o que é importante de ser dito.

Nesse momento em que a mídia tenta salvar Serra e derrubar Dilma se valendo dos recursos mais rasteiros, Lula apontou no comício de hoje em Campinas quem são os inimigos do povo. E não atacou apenas as elites de uma forma geral e os tucanos, mas denunciou claramente o papelão que a imprensa vem fazendo por não tolerar as mudanças que o país vem passando.

“A imprensa chega a ser uma vergonha. Não suportam ver que a economia vai crescer 7% esse ano, não suportam que a gente tenha gerado 15 milhões de empregos com carteira assinada, não suportam que os pobres não aceitem mais o tal formador de opinião. Não suportam que o povo pense com suas própria cabeça e ande com suas próprias pernas. Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos”, disse Lula, comprando a briga que Dilma ainda não pode comprar.

Lula recomendou a Dilma e a Mercadante que não percam o humor diante dos ataques que estão sofrendo. “Deixa que eu perco”, brincou. “Tem uma revista aí, que não sei o nome, parece Olha, no Nordeste seria zóia, que instila ódio e mentira. Mas nas eleições não vamos derrotar só os tucanos, vamos derrotar alguns jornais e algumas revistas que são como partidos e não têm coragem de dizer que têm candidato.”

Lula disse que esses veículos querem parecer democratas, mas “democrata é esse governo, que não censura. Quem vai censurá-los é o povo, que vai definir o que presta e o que não presta.”

Lula procurou deixar clara a diferença entre os donos dos meios de comunicação e os jornalistas, mas fez um alerta aos jornalistas presentes ao comício, que nem sempre parecem perceber claramente o que está em jogo. “Dono de jornal tem lado. Não existe ninguém neutro”, advertiu o presidente.

Lula está tomado de uma ira santa e dando nome aos bois. Ele é o principal baluarte dessa campanha. E nós aqui, da nossa tricheira permanente, combatemos a seu lado para que o país não retroceda mais ao período em que se desvencilhou de si mesmo, olhou para fora e não para seu povo e quase liquidou um patrimônio construído com o sangue e o suor dos que amam verdadeiramente o Brasil.

post do tijolaço

Durante toda essa campanha,destaquei que a nossa força é a verdade ao nosso lado. E a melhor coisa é dizer a verdade por

inteiro, sem meias palavras, sem os punhos de renda que tanto agradam a elite. O presidente Lula tem tido um papel

fundamental nesse sentido. Seus discursos são cada vez melhores, mais claros e mais diretos, falando ao povo o que é

importante de ser dito.

Nesse momento em que a mídia tenta salvar Serra e derrubar Dilma com os recursos mais rasteiros, Lula apontou no comício

de hoje em Campinas quem são os inimigos do povo. E não atacou apenas as elites de uma forma geral e os tucanos, mas

denunciou claramente o papelão que a imprensa vem fazendo por não tolerar as mudanças que o país vem passando.

“A imprensa chega a ser uma vergonha. Não suportam ver que a economia vai crescer 7% esse ano, não suportam que a gente

tenha gerado 15 milhões de empregos com carteira assinada, não suportam que os pobres não aceitem mais o tal formador de

opinião. Não suportam que o povo pense com suas própria cabeças e andem com suas próprias pernas. Nós somos a opinião

pública e nós mesmos nos formamos”, disse Lula, comprando a briga que Dilma ainda não pode comprar.

Lula recomendou a Dilma e a Mercadante que não percam o humor diante dos ataques que estão sofrendo. “Deixa que eu perco”,

brincou. “Tem uma revista aí, que não sei o nome, parece Olha, no Nordeste seria zóia, que instila ódio e mentira. Mas nas

eleições não vamos derrotar só os tucanos, vamos derrotar alguns jornais e algumas revistas que são como partidos e não

têm coragem de dizer que têm candidato.”

Lula disse que esses veículos querem parecer democratas, mas “democrata é esse governo, que não censura. Quem vai

censurá-los é o povo, que vai definir o que presta e o que não presta.”

Lula disse que sabe distinguir os donos dos meios de comunicação dos jornalistas, mas fez um alerta aos jornalistas

presentes ao comício. “Dono de jornal tem lado. Não existe ninguém neutro.”

Lula está tomado de uma ira santa e dando nome aos bois. Ele é o principal baluarte dessa campanha. E nós aqui, da nossa

tricheira permanente, combatemos a seu lado para que o país não retroceda mais ao período em que se desvencilhou de si

mesmo, olhou para fora e não para seu povo e quase liquidou um patrimônio construído com o sangue e o suor dos que amam

verdadeiramente esse país.

Mino Carta responde à procuradora: "essa é uma atitude indevida"



Bob Fernandes
O diretor de redação e sócio majoritário da revista Carta Capital, Mino Carta, recebeu da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau ofício em que a integrante do Ministério Público cobra, no prazo de cinco dias, "relação das publicidades do governo federal dos anos 2009/2010, os respectivos contratos, bem como os valores recebidos a esse título".
A respeito deste ofício, ouvi há pouco o diretor de redação da Carta Capital, Mino Carta.

Terra_ Temos aqui o teor de um ofício encaminhado a você e à revista Carta Capital pela procuradora Sandra Cureau e gostaríamos de saber o que o senhor, como diretor de redação, tem a dizer.

Mino Carta - Eu penso que isso é uma atitude indevida, não teria sentido sequer se fosse dirigida a mesma requisição às demais editoras do País. Entenderia que assim se fizesse junto ao próprio governo federal.

Terra - Isso, na prática, tem qual significado?

Mino Carta - Significa que a senhora Cureau entende que nós somos comprados pelo governo federal, via publicidade. Se ela se dedicasse, ou se dedicar, porém, à mesma investigação junto às demais editoras de jornais, revista, e outros órgãos da mídia verificaria, verificará, talvez com alguma surpresa, que todos eles têm publicidade de instituições do governo em quantidade muito maior e com valor maior do que Carta Capital.

Terra - O que você...

Mino Carta - Aliás, me ocorre recordar que durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, dito FHC, fomos literalmente perseguidos pela absoluta ausência de publicidade do governo federal. E a pergunta que faço é a seguinte: então, alguém, inclusive na mídia, se incomodou com isso? Ninguém considerou esse fato estranho? Uma revista de alcance nacional não receber publicidade alguma enquanto todas as demais recebiam?
post do amoral nato